PODCAST DE ARQUITETURA | ARQUITETO SIEGBERT ZANETTINI | CONSTRUECAST #001

Architect Siegbert Zanettini, born 1934 in São Paulo, taught at FAO for 40 years while building hospitals and institutional projects using prefabrication and industrialized methods. He won a public competition for Vila Nova Cachoeirinha hospital and built the Casa Limpa exhibit in six days, combining art, technology, and environmental design throughout his career.
Questions this video answers
1934
1954–1960
1964 (taught there until 2004; ≈40 years)
1972
1974
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Hoje eu tenho a honra de receber um grande arquiteto reconhecido mundialmente e antes de apresentar eu gostaria de agradecer a produtora Infinity Plus que é nossa patrocinadora. Gostaria de agradecer todo o time que de forma direta ou indireta colaborou para que, de fato, esse projeto fosse viabilizado. Então, Zanettini, eu gostaria de abrir esse episódio, você se apresentando, falando um pouco da sua trajetória profissional e iniciando aí onde você nasceu e um pouco da sua formação.
Eu nasci em 1934, foi pouco depois da crise Foi crise mundial, de 1929, quando meus pais casados moravam em Americana e resolveram vir para São Paulo, porque lá fechou a indústria pequena, a oficina que ele tinha, e veio para São Paulo. E aqui, por remédio de um amigo, ele conseguiu uma casa, que era na Vila Itororó. É a Casa das Carrancas, é uma casa que fica no nível da rua, porque Vitóroló é uma baixada que tem uma construção antiga lá, que está sendo tombada, inclusive. E essa casa era uma casa de esquina que tinha uma ponte de acesso para a rua. E eu nasci lá, porque o parto, normalmente naquela época, era feito em casa. E depois nós ficamos morando lá, cerca de dois anos. Aí meu pai teve que mudar para o Brás, porque as indústrias que ele trabalhava, ele fazia peças de batente de tiares de fita, tiares normais, toda parte de madeira ele executava na oficina, na marcenaria. E ele precisava aumentar a área. Quando nós mudamos para o Brás, era uma casa de esquina, nós morávamos na casa e no fundo tinha uma entrada lateral pela Casa da Esquina, que era a pequena piscina que ele tinha lá. Como começou a aumentar muito o trabalho de assessoria e trabalho de produção de peças de madeira, boa parte das tesselagens que se localizavam muito no Brás, Brás, Belém, eram as principais indústrias de testes, e esse trabalho dele obrigou ele para um outro bairro, que era o bairro do Belenzinho, que era uma casa maior e tinha uma área grande, quando ele construiu lá uma oficina maior. Nesse bairro, em Belenzinho, que eu vivi desde os primeiros anos, frequentei a escola local, fizemos o curso primário, e depois fiz o ginasial, dois anos só, no Narro Oriente, numa escola que tem no Narro Oriente. Mas meu pai achava importante eu ir para uma escola melhor. Ele queria que eu tivesse uma formação mais densa, mais forte.
E ele identificou isso já com você com quantos anos?
Eu devia ter da ordem de 13 anos, por aí, em torno disso. Porque eu fiz o primário e logo depois dois anos de ginasiais, e aí foi quando eu mudei para o terceiro ano do ginásio para o Dante. E lá no Dante, liguei ele e eu frequentava as disciplinas, era uma escola Na época, talvez, era a melhor escola de São Paulo, professores de mais alto nível. E entre esses professores, tinha um professor que dava aula de arte, de desenho, e era o professor Vicente Mecosi. E foi muito interessante isso que aconteceu comigo. Enquanto os outros faziam desenhos normais, pessoal que ia cursar, a engenharia, ia cursar direito, ia cursar medicina, eram as três áreas importantes daquela época. E eu, nas aulas de desenho, todo mundo desenhando, e eu estava desenhando também, como todos os alunos da minha época. E ao invés de desenhar as coisas simples que a gente tinha nessa faixa de idade ainda, eu estava desenhando um prédio de vários pavimentos, com o Pilote em Vê, que era muito... Na época era muito do Niemeyer, essas coisas todas. E esse Pilote em Vê, ele assim, fincava numa espécie de piscina, né? Com forma amebóide, assim, toda. E era bom, com a linguagem das coisas que eu via de vez em quando nos jornais, nas revistas. E ele estranhou muito. O que você está desenhando? Estou desenhando o que eu consigo captar, mas eu tinha bom traço, né? Traço primário ainda, mas bastante firme, bastante bom. E ele falou, você vai ser arquiteto. Eu vou ficar na tua cola. Então, era uma coisa muito especial, porque não tinha o arquiteto no curso, né?
Mas ele identificou um dom em você.
Ele identificou que eu tinha boa mão, Ainda crua, né? Desenhos que eu fazia primários. Só quando eu fiz esse desenho, porque já me impressionavam um pouco as construções, ele falou, não, isso vai ser arquiteto, só que nós vamos cuidar para você ter uma formação boa. E ficou realmente quase como uma aula particular. Realmente, os cinco anos que eu frequentei, os dois anos, de ginásio. Os três anos de científico, na época eram científico, eram para essas três áreas principais, medicina, engenharia e direito. E arquitetura não estava ainda configurado. E quando ele falou que ia ser arquiteto, foi uma coisa muito marcante para mim, porque eu não sabia bem o que era isso e nem tinha. Meu pai pensava que eu iria ser engenheiro. porque o que se podia falar da minha área não ia ser nem médico nem advogado, então se vai ser engenheiro. E ele falou, vamos ter uma boa formação de engenharia. E ele acabou, nesses cinco anos, cuidando muito da minha formação. E com inúmeros desenhos, uma quantidade muito grande de exercícios, não só de desenho, propriamente dito, mas da formação do conceito de equilíbrio.
Do conceito.
Dos conceitos.
Zanettini, e nesse processo, você acredita que o fato do seu pai, da profissão do seu pai, você acha que influenciou um pouco nessa questão de desenho?
Sim, eu era um bom marceneiro. Jovem, mas bom marceneiro. Ajudei meu pai há muito tempo. Eu me lembro que eu ia na escola, já depois, nessa fase já de Jovem, pequeno, 13, 14 anos, eu ajudava meu pai na vacinaria. E até os 18 anos eu trabalhei lá com meu pai.
E nessa época do seu pai, você tinha um olhar diferente para aquilo que ele fazia, para aquele trabalho que ele executava? Ou, enfim...
Basicamente, eu ajudava ele na produção das peças, lixava, coisas e coisas mais simples.
Mas você já olhava aquilo? Você encontrava assim, ah, estou fazendo isso aqui, mas vou encontrar uma forma de fazer diferente mais rápido?
Não.
Você não tinha esse olhar ainda?
Meu pai era um grande marceneiro, muito bom marceneiro. Muita experiência, muita prática. E eu convivia com isso. Ele trabalhava muito bem a marcenaria, tanto em máquina como na mão. Mas era essa profissão. E eu acompanhava. Então, às vezes, quando fazíamos um presépio de fim de ano, ou fazíamos uma mesinha para um amigo, eu ajudava. a lixar, a cortornar, não a desenhar, porque não tinha ainda essa formação, mas produzir as coisas, trabalhar a madeira. Isso para mim me influenciou muito, porque eu fiquei muito aficionado à madeira. E tanto que depois, mais tarde, vou fazer uma série de coisas em madeira, inclusive, uma série de obras em madeira. E a partir dessa parte mais do período pré-universitário, Eu acabei desenvolvendo muito essa formação a ponto de um dos diretores do curso Amilatino, que era o curso que tinha sido inaugurado naquela época para o curso de engenharia, E também fazia um adendo para o curso de arquitetura. Mas basicamente era engenharia.
E nesse ponto, quando ele te falou que você seria um arquiteto, como que você recebeu aquela... Pra mim era total novidade.
Total novidade pra mim. Meu meio, eu não sabia que era isso. Não conhecia. Eu achava que todos falavam que era engenheiro. Só se falava em engenharia, não se falava em arquitetura.
E até é importante ressaltar, Zanettini, que até pelo que conversamos antes de começar a gravação, você veio de família, assim, você teve uma vida muito simples, né? Quando criança.
Sim, muito simples. Era um bom marceneiro, trabalhava, mas ele trabalhava dia e noite. Bem aquele esquema de produção contínua, né? Eu me lembro que a gente às vezes ficava assistindo novela do rádio, na família, e ele me dava pinos para lixar. Eu ficava lixando coisas, ajudando. Como ele também ajudava a família, mas eu também ajudava a fazer coisas simples que eu podia na minha idade.
Zanetti, e só um adendo rapidinho, até pra que eu não te apresentei no início, eu queria só fazer um parêntese aqui pra quem tá nos ouvindo pelas plataformas de áudio e plataformas de vídeos também, eu queria só que você falasse um projeto importante que você fez, conhecido, só pra eles entenderem o que vem aí mais adiante.
Eu tinha duas questões que quando eu entrei na FAO, Eu fiz o curso de 54 a 60 anos, formei bem na virada de 60. Eu fui vendo a formação toda do curso de arquitetura e eu não me conformava com o que só se fazia na escola, a ponto de, no terceiro ano da faculdade, eu e mais dois colegas formamos uma firma de engenharia e arquitetura juntamente com o engenheiro José Mário Malta, e fizemos a Ouro Preta Comercial e Construtora. Depois ficou a Ouro Preta Arquitetos Associados, quando eles se separaram. Mas fizemos uma firma de engenharia, de construção, e fizemos várias casas. As construções não eram de grande porte, mas eram construções de médio, pequeno e médio porte, e a gente fazia os projetos e executava as obras. Então, isso ajudava muito a gente na produção do projeto a ter essa realidade da construção. que precisava fazer o projeto, tinha que realizá-lo, né?
Que a questão da técnica aqui é.
Muito... Da técnica, e isso ajudou muito, porque evidentemente tinha um engenheiro que era o responsável, porque ele era responsável pela firma, mas a gente participava muito não só do projeto, mas da construção. Ia várias vezes na obra, substituía ele quando ele tinha que faltar, e a gente convivia com a produção do projeto. Isso foi muito importante. E isso nós ficamos com essa firma até 1968.
E voltando um pouco no seu processo de formação, porque acho que é muito importante até para que quem está nos ouvindo entenda o porquê que você se tornou essa grande referência hoje, nacional e também fora do país, que a gente vai falar um pouco mais pra frente. Eu queria que você falasse um pouco dessa questão da formação, da importância de você, que hoje a gente tem uma dificuldade quando tem arquitetos que eles projetam, fazem desenhos incríveis, mas na hora de executar eles não tem essa parte técnica, essa vivência técnica. Eu queria que você falasse um pouco de forma mais aprofundada nesse ponto da sua formação e o porquê que você tem essa facilidade, ou seja, teve essa facilidade para executar projetos tão importantes hoje para o Brasil, enfim, até fora.
Teve uma questão que foi muito importante, que eu me formei em 60, no fim de 59, e quatro anos depois eu fui convidado pelo professor Hélio Duarte para dar aula como assistente dele na FAO, uma escola que eu Me formei e voltei quatro anos como professor. E eu era muito jovem, né? Era quase da idade dos alunos, um pouco mais velho que os alunos.
Mas tinha o respeito dos alunos, pelo menos.
Não, eu tinha uma convivência muito irmã, assim, né? Quase que... Bom, eu sentava com eles na prancheta, tem até foto minha de eu sentado na prancheta com eles tudo em volta, e a gente discutindo, não, mas isso aqui é bom, não, mas se fizer assim é melhor. Quase era um membro da equipe um pouco mais velho, né? Porque era muito próximo. E eu dei aula desde essa época, que era de 64 até 2004. Quarenta anos redondos.
Quarenta anos.
E passei por todos os estágios da formação de um professor, até o nível mais alto da universidade. Então isso foi muito importante, porque me colocava sempre muito próximo do aluno. Ao lado desse trabalho ligado ao magistério, Eu era ainda meio indicado, por exemplo, para ser o responsável educacional da nova escola de São José das Campos, que foi uma escola muito famosa na época. Eu era o responsável pela toda a parte conceitual da escola. E isso foi muito forte pra mim. Até lá depois foi fechada a escola porque teve o período, era um período bravo da da... período militar, né?
As questões políticas.
As questões políticas, então a escola foi chamada por Jarbas Bassarém, em Brasília, pra falar, você tem que sair da escola, você não pode ficar na escola. E tudo bem, eu tinha que sair, saí, e a escola durou mais quatro, cinco anos e depois se fechou. Mas eu era uma alma dessa escola nova, muito importante, porque eu criei a escola. E já com uma visão de ensino muito diferente da qual eu tinha recebido.
E isso você com quantos anos na época? Você assumiu uma responsabilidade dessa?
Eu devia ter uns 26, 27 anos.
Não, eu pergunto porque quando a gente estava conversando com a Adriana, agora há pouco, a gente estava falando essa questão que as pessoas, o jovem de hoje ele não tem tanta paciência, né? Mas a sua história é um pouco diferente porque assim, você teve pessoas importantes durante essa sua trajetória de formação. Seu pai identificou um talento nato em você, investiu e, na sequência, você pegou. Esse professor também que teve paciência, que pegou no seu braço e falou, não, vamos aqui que eu vou cuidar de você.
E não foi só durante a formação. Eu acho que mesmo quando eu entrei na FAO e perguntei o curso, eu fiquei muito conhecido dos professores, especialmente os professores de engenharia. E entre os professores, um que era um pouco autêntico, que era o Hélio Duarte, que era um professor famoso na área de projeto, no setor de projeto da escola, ele me acompanhou muito perto também. Tanto que, depois de quatro anos de formado, ele me chamou para ser assistente dele. E eu entrei na FAO em 64. Formei em 60 e em 64 eu voltei como professor. Era assistente dele, auxiliar. Mas acompanhei, depois que eu entrei em 64, só parei em 2004, 40 anos depois. Mas foi muito importante, porque esses anos que foi o início de trabalho como professor, como assistente, eu convivia muito com os alunos, tinha uma proximidade muito grande dos alunos, porque eu era um pouco mais velho só. Então era uma facilidade, queria uma série de eventos e cursos e performance junto com os alunos, que eles adoravam, porque eu estava muito na proximidade deles, muito mais próximo.
Eu ia até te perguntar um negócio, você se considera hoje um arquiteto ou um engenheiro? Só para contextualizar, porque essa sua experiência que você teve na engenharia, acho que fez toda a diferença para você executar esses projetos aí.
Sim, eu acho que teve uma formação de engenharia muito boa. Não só porque os professores, os principais professores da FAO, quando eu entrei na FAO, na época, eram todos da Poli. todos os professores significados, que eram professores marcantes, alguns poucos arquitetos, como o Hélio Duarte, o Rino Leve, alguns professores dessa área, mas a maioria eram engenheiros, e eu me dava muito bem com os engenheiros. Era um diálogo muito importante, e eu estudava muito engenharia, porque a formação era com engenheiros, então as disciplinas eram muito mais técnicas, muito mais técnicas e científicas, e eu acompanhava muito o curso, eu gostava muito disso. Então teve uma formação meio de engenheiro já.
Aí deveria existir uma troca muito boa, né? Você com eles, porque você com a sua visão de estudante de arquitetura e eles com engenharia.
Então deu um casamento muito feliz, sabe? Eu acho que foi muito forte isso. A minha formação foi muito boa. Porque eu não tinha um lastro de vivência grande. Ela foi sendo formada ao longo do tempo. Eu tive a sorte de pegar um grupo de professores tanto da FAO como como da Poli, como os professores do Dante Ligueira, que me ajudaram muito, porque eles acharam, eles trabalharam essa mercadoria, né?
É, mas você fez, você fez acontecer, né?
Você fez sua parte. Eu fiz acontecer, porque a medida que eu entrava na FAO em 74, eu tinha que ler. Eu até fiz cinco cursos de pós-graduação. Então eu me obrigava a me formar, porque eu estava dando aula já, não era mais um colega. Eu tinha que ter formação, e a minha formação era precária para professor universitário. E eu comecei a fazer cursos, um atrás do outro. Fiz entre 66, 67 e 5, quarto curso de pausa de eduação.
Seguidos?
Seguidos, sim. Porque era pra mim importante fazer. E eram cursos bastante reveladores de coisas. Maneiras novas de pensar. Tinha coisas muito importantes. Para mim, a formação foi muito forte. E aí, quando fui chamado para a minha profissão já dos campos, também tinha que formar uma equipe importante. Também me juntei com mais uma série de professores que não eram só da arquitetura, mas eram músicos, eram cineastas, eram pessoal da pesada. Eu quis formar um curso que não era bem o que eu recebia na FAO, mas era um curso que poderia ter uma visão mais integrada da engenharia e da arquitetura.
Quando você fala da questão técnica, da importância de entender bastante da questão técnica, quando essas pessoas entraram na sua vida, você começou a entender muito de acústica, por exemplo?
Sim, comecei a conviver com o pessoal de música, que era importante na minha formação. Eu gostava, eu gostava desses desafios. E, ao lado disso, eu não era um professor, só professor. Eu tinha um escritório que funcionava muito. Eu me lembro que, de 1966 a 1968, eu ganhei quase todos os prêmios do IAB, de arquitetura. Os prêmios dos baixos prêmios do IAB eu ganhei todos, com várias obras que eu tinha que fazer, que eram obras de pequeno porte. A maioria eram residências, residências de grande qualidade arquitetônica. Tanto que fui premiado muitas vezes nesses anos. Então eu já comecei a ficar muito conhecido já nessa época. Em 1968 eu tive a oportunidade de fazer uma coisa muito importante. Foi lançado pela prefeitura um concurso público para a elaboração do projeto de Vila Nova Cachoeirinha.
Segura esse projeto ainda que eu queria perguntar uma coisa antes. Nesse processo de formação, Você parou de dar aula há quanto tempo?
2004.
E como que você enxerga a qualidade do ensino antes, fazendo comparativo para os últimos anos, quando você parou de lecionar?
Eu diria que ele se manteve.
Você acha que aconteceu algumas inovações?
Aconteceram. Aconteceram coisas mais da evolução da própria ciência, então a gente acompanhava um pouco isso. Mas as escolas não traziam isso pra dentro delas. As escolas tinham uma espécie de separação entre a realidade e o pensar. E eu estava muito vinculado a essa realidade. Não estava de onde vim, mas de onde eu comecei a trabalhar. Por exemplo, eu vim da Alacaxeirinha, Zona Leste, trabalhei no Hospital Vermelho do Matarazzo, na região leste. Então, eu falei, eu vou procurar esse mundo. E esse mundo, para mim, está no caminho tecnológico. É um caminho que vai me levar a associar toda a minha formação artística, que já era forte nessa época, toda a formação que eu tive, que foi muito boa, mas com o conhecimento que fui adquirindo em trazer o mais possível engenharia próxima à arquitetura. Tanto na minha maneira de lecionar como na minha maneira de me circunscrever de professores. A minha tese de... de doutorado, que foi em 72, fiz tese de doutoramento. Primeiro tese de doutoramento na arquitetura. Era a industrialização da construção.
Nossa, que interessante.
E aí eu já tava com essa questão pra mim de que era importante que se passasse a construção, sair da forma artesanal que ela sempre foi, pra uma produção formal industrializada. Mas não só industrializado. Industrializado é uma coisa que me marcava muito, que era o meio ambiente. Eu achava que o meio ambiente brasileiro tinha condições peculiares e próprias que precisavam de um cuidado muito grande. E aí comecei a trabalhar esse conhecimento do meio ambiente, foi muito importante isso, e criei o conceito de ecoeficiência. Eu que criei o conceito. e que eu queria que esse meio ambiente fosse produtor do espaço, ele participasse como uma parte integrante da concepção. Por quê? Porque esse ar maravilhoso, essa solo maravilhoso, esse clima maravilhoso, que é incomparável no mundo até hoje, com todos os desmandes que foram feitos, para incomparável, nenhum país tem essa condição, ele não pode ficar apartado da conceituação da arquitetura. Ele faz parte da arquitetura. Tanto que eu vou desenvolver uma tese de livre docência, que é a integração entre arte e técnica.
Arte e técnica. O Zanettini, e agora entrando nessa parte, já pra falar do hospital, desse concurso, eu queria que na sequência você destacasse, além desse hospital que está fazendo agora 50 anos.
50 anos. É uma festa agora que vem a ver dia 7 de dezembro.
E vai ser lá no hospital?
Vai ser no hospital.
Muito bacana. Então, eu queria que agora você falasse, né, desse concurso que você ganhou, que agora o projeto tá fazendo 50 anos e, enfim, eu acho que... Bom, depois eu falo um pouquinho dele, onde ele fica localizado, enfim, fica numa região muito importante de São Paulo. E, na sequência, eu queria que você emendasse já falando de alguns cases, né, de alguns projetos que, pra você, foi muito marcante como esse. Agora do Vila Nova Cachoeirinha.
É, fora esses projetos todos que eu fiz, que ganhei vários prêmios via B, na época, que eram residências normais. Residências em São Paulo e em outros estados, que era muito conhecido já para fazer residências, né? Era uma escala ainda de quem estava iniciando a profissão. E eu dominava bem já essa escala. E não só eu, mas com meus sócios também, o Cândido Maltacampos, o Manoel Cusciusco. Nós ficamos sócios durante dez anos, até a morte do Mato Mato, que foi em 67. Depois ainda resolveu separar, porque ele morreu e mexeu com a estrutura desse grupo. Eu acho que, a partir daí, eu comecei a pensar que, ao lado de uma construção, E a minha tese foi a industrialização da construção, a moradia e a industrialização da comunidade. Estudei profundamente a questão da moradia. Fiz um trabalho de muito bom, muito forte, a minha tese de doutoramento, sobre a industrialização da construção. Eu já estava com experiências que já estava fazendo, Vila Nova Cachoeirinha, que foi um trabalho muito importante de lançamento de um conjunto de questões importantes na área hospitalar, muito importante.
Esse foi o projeto que abriu, de fato, a sua história no mercado hospitalar?
Sim, foi, sem dúvida. Porque aí eu lancei, por exemplo, o piso vinílico. Não existia isso nos hospitais anteriormente. E eu lancei o piso vinílico. Lancei o vidro temperado. Lazei cores e luz no hospital extremamente colorido, extremamente alegre, aberto para fora. Lazei a laje jardim. Esse projeto, que eu ganhei o concurso, que era uma tese americana, inclusive, de como organizar o espaço do hospital, de um sistema hospitalar de uma outra forma, que não era por setores, mas por um grau de complexidade do trabalho. Tinha uma área concentrada, que era a área principal do hospital, e as áreas de suportes todas, e as exclusivas de saída, que seriam as áreas de permanência. Então, esse projeto, que foi muito marcante, porque ele foi um rompimento do que se fazia em hospital até aquela época. Não só por lançar uma série de coisas, ele ficou muito marcante na época. E segundo, porque quando eu apresentei o projeto para o então prefeito, que era um professor da Poli da FAO, ele foi o prefeito, ele ficou admirado. Com ele, vamos de helicóptero visitar o hospital. Ele falou, não, então você vai continuar o hospital que tinha sido construído. E quando entrou o Maluf, ele parou todas as obras da prefeitura, inclusive essa, para fazer o Minhocão. E parou a obra. E quando o novo prefeito assumiu, Ele falou, não, vamos ver lá como é que está. Estava a estrutura toda pronta, mas estava parada a obra durante dois anos. Todas as obras pararam, não foi só o hospital. Foram várias obras. Ele falou, não, nós vamos continuar, aí você vai cuidar dessa obra.
E esse projeto, ele é todo em concreto, é isso?
Ele é em concreto. E ainda tinha a formação muito minha, essa formação muito da arquitetura moderna, né?
Sim.
Era bem nessa época. Mesmo os casos que eu tinha feito, era muito na linguagem da arquitetura moderna. Era óbvio, porque a minha formação era assim. Eu interpretava bem o meu meio, o meu ambiente. Só que com algumas diferenças. Falei, não, isso aqui está bom, mas não é isso que eu quero. Acho que vou caminhar no sentido de como vou sair dessa obra, mão de obra barata, usando a obra, essa mão de obra escrava que eu achava, com uma visão até meio política. Isso aqui é produção de escravo. A obra até hoje é meio escrava. E eu falava, não, isso aqui não é a forma de desenvolver arquitetura. Eu tenho que pôr isso na indústria. E aí fui chamado para fazer a indústria de Maio Gala, em 72. E eu propus para os proprietários, que eram os amigos do Belenzinho.
Da época de Belenzinho, então.
Belenzinho ia fazer essa indústria nova. Eles tinham uma indústria na Praça Silvio Romero, no Tataupé. E eles estavam pequenos, só um passar para Guarulhos, que é uma região grande. Eles me chamaram para fazer o projeto, porque eu tinha já feito o projeto das casas dos diretores, de um dos diretores. Falei, você vai fazer o nosso projeto de indústria. Eu falei, eu gostaria de fazer ela de uma maneira muito rápida. Falei, nós precisamos de coisa rápida. Nós temos que sair daqui muito rapidamente e encobrar essa nova indústria, que é muito maior. Vou precisar de uma indústria de 17.500 metros, E mais um galpão de dois mil e tantos metros. São 20 mil metros de construção. E eles tinham uma indústria relativamente pequena. Só foi aumentar porque eles faziam escapamentos de automóvel. Até hoje eles fazem. E aí, para fazer essa nova indústria, eu falei, bom, tem que fazer rápido, tem que mudar rápido. Então, eu vou fazer a montagem de estrutura metálica. Bom, você acha que é possível? É possível. Aí me juntei a uma equipe toda de engenharia e de coisa e fizemos a indústria montada assim, produzida totalmente industrialmente e montada em 45 dias.
Nossa, naquela época já existia essa agilidade toda, né?
Já, porque boa parte da produção era enquanto estava se preparando o terreno, estava fazendo as peças todas. Perfis todos de pilares, vigas, tramas, todas que faziam parte do sistema todo. construível, eram produzidos na indústria, não tinha nada na obra.
Mas e a dificuldade da... porque a indústria não era tão forte igual é hoje, né?
É, não era. Eu não me lembro bem o nome da indústria, mas eu sei que eu fiquei muito tempo com eles lá na indústria pra fazer as peças, porque não era normal. Eles falavam, bom, agora vamos construir toda essa obra produzida aqui, né? E fizemos discussões lá com a engenharia da empresa que fabricou. E que... Bom, vamos fazer assim porque eu queria montar isso muito rapidamente, que a indústria precisa disso muito rapidamente. Então, nós vamos fazer, porque nós produzimos tudo aqui, dois, três meses produzindo. A montagem vai ser de dias. No fone, 45 dias.
45 dias, qual o tamanho total da obra, Zanettini?
20 mil metros, quase. Era um galpão enorme, mas um galpão de estoque. Dois galpões. E tinha uma sede, mas a sede era uma casa que existia lá no local, que tinha sobrado ainda uma parte do terreno, que eu preservei a casa. Foi até uma maneira interessante de preservar a casa. Tinha um laguinho do lado e tal, com a sede da indústria. E a área de produção era esses dois galpões, um muito grande e o outro menor, montado todo em treliços, um negócio muito rápido. O fechamento de chapa metálica, toda a peça, todo o encapamento da indústria do galpão de estoque metálico. E os chedes fizeram a montagem da obra com a indústria. Foi a primeira obra produzida industrialmente, totalmente.
Esse foi o projeto que marcou a sua entrada no mercado de aço?
Sim, acho que sim. Acho que foi porque, naquela época, se você falar que fazer uma obra industrial, uma obra industrializada, o que é isso? Fazer casa assim não tem sentido. Fazer prédio assim não tem sentido. O prédio tem que ser feito com concreto, em louco, com forma, transformando essa forma toda em lenha, tudo bem. Mas é assim que vai ser feito, usando mão de obra escrava, porque é isso mesmo. Então, eu falei, bom, não é isso que eu quero. Aí fiz uma outra escola também, montada em aço, A escola de Dracena foi muito conhecida porque eu fiz a parte das salas feita em loco e a cobertura toda metálica separada dos blocos. A região de Dracena é uma região mais quente do estado de São Paulo. Então, eu fazia essa ventilação toda em volta. Essa escola foi famosa. E hoje, até hoje, eu recebo cartas deles preservando a escola como era.
Esses projetos estão no site de vocês? Eu vou colocar os links aqui para quem quiser.
Tem das a décadas, arquitetura tem bastante publicações, várias publicações.
Vou colocar os links para quem tiver curiosidade, vamos lá, quiser conhecer mais.
Esse início que era a formação de estudar as coisas todas, para a tese de doutoramento, que foi a primeira leva de professores e doutores da universidade. na área de arquitetura. Ao lado dessas pesquisas de produção, de construção, ao lado da procura me entender as coisas, pensar um pouco na nossa realidade, que era muito importante, eu tenho que sair desse meio de construção que o modernismo trouxe, que era importado, de fazer um concreto em inloco. Se eu fizer em concreto, vou fazer em pré-moldado, vou fazer industrialmente, como eu fiz várias indústrias em pré-moldado. Não era só laço, não. Pré-moldado e concreto, mas não fazia em inloco, não. produzir em indústria e montá-la.
Mas mesmo assim, quando você faz dessa forma também, o concreto te dá uma agilidade... Sim. Você não se compara com a aço, é lógico.
Não, você produz a peça na indústria. Aquela peça repetida N vezes, aquela forma, pode ser em aço, por exemplo, pode ser uma forma mais resistente e mais duradoura, ela vai produzir, não para aquela obra, vai produzir para uma série de obras. um perfil, um pilar, uma viga. Você pode produzir ela modular e produzir. Eu fiz várias obras.
Depois é transportada para a obra, né?
Pronto, fiz um monte de obras assim. Não é que eu fazia só aço, não. Eu fazia, quando eu fazia concreto, por preferência do cliente, por necessidade, ou qualquer necessidade, eu montava pré-moldado. Eu nunca fazia in loco, né?
E nessa questão, Zanettini, de industrialização da construção, é importante ressaltar até você falar da importância do planejamento, né? Porque você precisa investir um pouco mais de tempo, de fato... Você tem que resolver tudo antes.
Não dá pra improvisar na obra. A obra vai ser montada. Pra indústria eu tenho que mandar informações muito mais precisas. Ele vai disputar no aço milímetros. Milímetro. As peças são dimensionadas por milímetro. E no concreto também, por centímetros. Então a peça que vai sair, ela vai sair perfeita pra montagem. Então tem que ser cuidada na produção. E cuidada na produção significa alta tecnologia. Cada vez mais. Bom, tudo isso, que eram questões de questões que eu convivia, vinha numa muito forte, que era essa da ecoeficiência. E eu, em 74, faço a casa de Atibaia.
Eu ia te perguntar agora sobre essa questão de sustentabilidade.
Que a casa não é uma casa. Ela é um meio ambiente construído. A casa, ela conseguiu trazer o meio ambiente pra si. Ali que eu dei o grande passo de transformação na arquitetura. Até hoje eu acho um dos melhores projetos meus. Porque você entra na casa, você tá vendo que você tá dentro da mata, a mata tá junto.
Você tá inserido, né? Você tá inserido na natureza de fato, né?
Tá dentro, faz parte, você respira o ar lá dentro. Mesmo a hora que tá fora, tá dentro. Não tem separação, as coisas são profundamente... Essa casa teve um papel importantíssimo pra mim. Não só porque eu produzi ela como coisa in loco, de usar tecnologias que eu via ao longo da minha vida, da minha infância e juventude, de usar tábuas parafusadas, não fazer tábuas costuradas, parafusadas. Era uma prancha de madeira com duas travessas parafuspaçantes e era a porta. A forma de trancar era trinco, como se dizia antigamente, uma maneira simples de fechar. Então, a obra tinha uma série de questões dessa realidade brasileira que eu achava importante, da simplicidade que tinha a casa brasileira, que tinha que ter a casa brasileira. Essa simplicidade ficou lá. Então, ao lado de fazer todos os projetos com produção industrializada, eu também estava preocupado em como esse ambiente fazia a construção dessa arquitetura.
E a arquitetura brasileira, o clima brasileiro é único, né? No mundo inteiro, não se compara.
É incomparável. Então, você fazer obra que você não tem o norte, nenhum projeto que você vende e compra tem norte. Porque se puser ao norte, ele vai marcar as faces impróprias pra construção. Você põe um apartamento sul-sudeste, sudoeste, você tá matando as pessoas lá dentro. Porque eles não vão ter sol nunca.
Não, você vê umas construções aí que...
Não, todas as construções, elas são voltadas pros quatro lados. E ninguém põe Norte, porque se puser Norte, a pessoa que tiver um pouco mais de consciência do que ele está comprando, ele nunca compraria um apartamento sudeste. E a grande totalidade das obras tem muitos apartamentos sul-sudeste, em São Paulo.
E como que se resolve isso? Porque assim, você tem que pensar, mas.
Não tem uma questão... Aí não é mais mundo brasileiro, era um mundo internacionalmente econômico. Então não tem... A arquitetura sofre, como qualquer disciplina, como qualquer arte, a pressão da contingência econômica do mundial.
Porque eu fico pensando, né, porque isso você, assim, você resolve ali, de certa forma, sei lá, um problema, mas você cria um outro grande futuro, né?
Eu vejo a construção desses monstros agora de 20, 30 pavimentos. Uma cidade que não tem planejamento é um esquartejamento do espaço urbano. Aí uma crítica minha toda sob relação ao planejamento urbano que não existe. Não existe planejamento urbano, existe a divisão econômica da cidade, do espaço. Você divide esse espaço para rentabilizar o seu lucro. Só isso.
Não parece um pouco também de, esquecer, até de interesse político, porque tem até uma construção do lado aqui, eu tenho, não sou arquiteto, é importante falar isso, não sou arquiteto, tá, mas assim, eu olho aquilo, é uma torre de um lado, uma torre do outro, enfim, são quatro torres, só que eu tenho, se eu não me engano, dois lados desses prédios que não pega sol em momento algum.
Então você fala, bom, o jeito que adquiriu aquele escritório, aquele apartamento, qualquer atividade que vai ocorrendo nesse edifício, voltado para essas faces, eles vão ter um péssimo ambiente. Péssimo ambiente.
E existe algum regulamento para isso?
Área A econômica não discute isso, não quer discutir isso. Se você fizer um projeto, por isso que não me chamam para fazer projetos desse tipo, porque sabem que eu vou querer discutir isso. Não vou abrir apartamento a todos os lados porque vai dar mais lucro, dar mais divisão do espaço. Não vou fazer isso. Então você está fora.
Mas deveria existir uma regulação para ir.
Não existe regulação nenhuma. Regulação é econômica. Planejamento urbano é econômico. Não existe planejamento urbano. Quando falam de planejamento urbano, de discussão da política urbana, é uma beada para mim. Não existe isso. A cidade é um esquartejamento do espaço, só. Sem nenhuma implicação maior tecnológica ou científica. Nenhuma. É dividido para dar o maior lucro possível. O objetivo é esse. Transformar um terreno que pode construir uma casa para 30 casas, o mesmo terreno, E o que der, deu. O que der, deu. É assim mesmo. E você fala, projetos lindíssimos. Você fala, mas é lindo, pode ficar até bonito. Mas fica só nisso.
Zanettini, e trazendo agora um pouco para os cases, eu queria que você citasse alguns projetos que foram marcantes na sua trajetória profissional.
Bom, depois que eu aliei. Esse desenvolvimento de alta tecnologia, cada vez mais, junto com as questões ambientais, né? Não separando mais. Era uma coisa só pra mim, sempre foi. Foi desenvolvendo aí toda uma consciência que vai evoluir já em 92 com a sustentabilidade, que eu passo a chamar de sustentabilidade.
E ela fica... E você fez esse projeto no... A casa foi construída... A sua casa foi construída em que ano?
74.
74.
Não, e todas as obras que vêm depois, você fala, não, é só essa obra, não. Aí todas as obras vão entrar dentro dessa discussão espacial, econômica, produtiva e ambiental integrada. Não tem mais nenhuma obra minha que não seja assim.
Mas já se falava nessa preocupação ambiental antes?
Pouco, né?
Porque depois, você tenta falar, a instantabilidade virou moldinha, assim, vamos dizer assim.
Isso foi na década de 90, quando houve a... Aí com 92 eu lancei a Casa Limpa. Foi um projeto que nós construímos uma casa no pavilhão. Foi um negócio maluco. Uma semana construímos uma casa toda montada dentro do pavilhão. Não era um stand, era a casa. E a Casa Limpa foi a discussão. Tudo que se faz de sustentabilidade, todos os itens estavam. Vale a pena até você ver isso. Todos os itens que marcam a sustentabilidade, que se fala muito, Tava lá. Assim, a casa e os seus conceitos.
Nossa, que legal.
E a casa e os seus conceitos significava que antes de mais nada eu ia mostrar que aquela casa podia ser feita em seis dias. Como foi? Como foi? Dentro do pavilhão, quando... O estadão me chamou pra fazer. Eu tenho um stand aqui pra fazer, você não quer fazer um stand aqui? Falei, não, eu vou fazer uma casa. Você tá maluco? Tá maluco fazer uma casa em seis dias? Falei, vamos montar a casa em seis dias. Chamei o pessoal, vamos montar essa casa. Fiz o projeto, detalhamos e em seis dias tava montada a casa. E o pessoal visitou a casa. Não era o modelo, era a própria. Depois foi desmontada em seis dias também. Aí eu mostrava a versatilidade de que se tinha. Até a questão ambiental, que era discutido todas as questões ambientais que hoje estão na linha da sustentabilidade, que já era uma coisa que estava em ecoeficiência. Só tinha outro nome, mas no fundo era o mesmo conceito.
Zanettini, e falando nessa questão sustentável, nesse projeto marcante, o SEMPIS também foi muito marcante para você?
O SEMPIS foi o ápice da coisa. O SEMPIS era um desafio monstruoso. Primeiro era construir um conjunto de obras.
Eu queria que você contextualizasse onde ele fica. O que é o SEMPSA? Só pra quem tá nos ouvindo aí pelas plataformas de áudio.
É a sede cultural da Petrobras. É onde se produz todas as pesquisas da Petrobras. Pra você ter uma ideia, lá tem mais de 200 laboratórios. É a consciência técnica e tecnológica da Petrobras, que é altíssima. desde o lançamento de produtos, como de um aço especial para ficar dentro d'água, como são as plataformas. As comunicações, eu fiz lá o primeiro centro de realidade virtual. Você está aqui na plataforma no alto mar, você está controlando ela toda dentro da service. A primeira plataforma de realidade virtual. Você entra naquele ambiente imersivo, impressionante. Você está lá, você traz a plataforma para cá e trabalha um cano da plataforma para você ser trocado. Então, é um negócio assim que... Ali é o alto nível tecnológico do país, sem dúvida, é o mais alto nível tecnológico. E precisava um projeto que atendesse essa tecnologia. Então, lá são 200 e tantos laboratórios, centros de pesquisa, centros de realidade virtual, um monte de áreas para a pessoa trabalhar. E eu falei, eu vou fazer essa obra sem ar-condicionado. no Rio de Janeiro. Você vai ser crucificado, que foi feita sem ar-condicionado, no Rio de Janeiro.
É se falar de um projeto daquela magnitude sem ar-condicionado.
O Petrobras, com a equipe técnica que tem lá, que é o mais alto nível que tem o país. A equipe técnica do Petrobras é o mais alto nível técnico do país. Os cientistas que eu trabalhei com eles lá são cientistas. São caras da mais alto nível. caras que estão 20, 30 anos trabalhando lá na Petrobrás, no Centro de Pesquisa. Estávamos já trabalhando no Centro de Pesquisa, que era uma parte inicial feita pelo Sérgio Bernardes, fez em 1973, e eu, em 2000 e pouco, 2008, ganhei o concurso, ganhei esse concurso nacional e fiz o projeto. Eu falei, vou fazer uma proposta de fazer um centro utilizando a ventilação local o mar local, a insolação local, e não vamos colocar ar-condicionado no edifício. Eu compus isso. Eles foram muito loucos de aceitar, como aceitaram. Fui escolhido como principal projeto entre os outros. Falaram, agora você vai ter que defender isso. Vamos ver se vai ser. E fizemos. A obra também é incomparável no país.
E aí você ganhou o prêmio lá?
Eu ganhei o prêmio em São Francisco. Não só por essa obra. Essa obra foi uma espécie de cume, né?
Na verdade é pelo conjunto, né, Justo?
Eu desenvolvi ao longo de 50 anos, 60 anos, o aço e a construção construtiva, né? Construção pré-construída, não feitas em loco. Sempre feitas em qualquer tecnologia. Eu fiz em pré-moldado, fiz em madeira. Fiz madeira, um monte de casas de madeira montadas. de reciclagem de madeira, não madeira rompendo a árvore de uma fazenda, pegando esse lixão que está todo aí e dando viga. As vigas compostas foram famosas durante muito tempo, até hoje.
O Zanettini, nessa questão de qual foi, até falando em projetos marcantes, qual foi o projeto mais desafiador? Não diria que todo projeto é o projeto da sua vida, mas acho que tem projeto que te marcou, tem um projeto que deve ter te marcado de fato.
Eu acho que teve alguns projetos que foram muito importantes. Não só o projeto, mas o momento e a defesa daquela ideia. A Escola Pan-Americana de Artes, que foi demolida recentemente, é um crime ambiental. Este é um crime ambiental, porque é uma escola que foi um marco. Essa escola pan-americana, o que eu propus para o Henrique, que era o dono da escola? Ele tinha pedido já uns quatro, cinco projetos e os arquitetos não entendiam o que ele queria. Não entendiam. Eu quero uma escola que represente o que eu quero criar da minha escola. O pessoal fazia um projeto normal de escola. Ele falou, mas não é isso que eu quero, eu quero uma outra coisa, quero um outro conceito. E aí o filho dele, o filho do Henrique, que era um arquiteto formado na Mackenzie, falou, vamos chamar o Zanettini para fazer essa escola, porque não estou conseguindo ver com os três projetos que já fizeram, não serve. Vamos ver se ele consegue resolver. Ele me admirava muito, o filho dele. Embora seja do Mackenzie, o pessoal me conhecia muito. E ele falou, bom, então chama. E aí eu fiz o projeto, em um mês, mês e meio, e fizemos uma maquete. Esse projeto é muito complexo, não dá para resolver. E eu tentei resolver com eles alguns problemas da escola. A escola tinha 800 alunos naquela época. Tinha que mudar das três casas para um outro lugar, transferir os alunos para demolir as casas e fazer a construção do prédio novo. que era a nova escola que ia fazer. E o pessoal não entendia isso. Não, aí você muda, aloca um local, um, dois anos, dois, três anos, depois você volta. Então tem que desmudar toda a escola e vão mudar de novo. Eu falei, não, eu vou fazer um jeito construtivo que você vai poder continuar aí e eu faço a obra junto. E fiz. E mais, tinha um conjunto de árvores na obra, são 166 árvores, que eu vou preservar todas. Então, a obra é uma ocupação entre as árvores. Essa obra é importantíssima. Ela é a ocupação entre as árvores totalmente montada sobre as casas. As estruturas passam por cima das casas, passam por cima das casas. Montamos 22 ateliês. E depois, nas férias, tiramos as casas. Eles não precisaram mudar. A obra foi feita junto com os alunos lá. Aliás, era motivo de desenho dos alunos. Eles desenhavam aquela estrutura. O pessoal desenhava bem lá na escola. E aí faziam fotos. Aquilo foi uma festa, apoiada entre os intervalos de raízes. Os apoios eram cento e oitenta e três raízes. Feito a ortografia do solo para fazer as raízes. Negócio assim, que esse cara é maluco, mas não é maluco, eu sabia do que ele tava fazendo. E quando eu apresentei essa maquete pra ele, depois de um mês, foi encoberto assim, foi levado, tem até uma cerimônia pra pôr a maquete.
Surpresa, vamos ver o que vem por aí.
E quando tirou a maquete, o pai dele, o Henrique, chorou. Ele falou, você entendeu? Entendeu o que eu queria? É isso que eu queria. Então, foi feita a escola com uma estrutura maluquera e metálica, extremamente avançada. Já não eram aquelas principais montagens normais. Aí já era uma montagem que eu tinha que passar com a tridimensionalidade em cima das casas. Eu não podia deixar resíduos, não podia fazer poeira, não podia fazer nada, porque tinha aluno lá embaixo. A escola surgiu em cima das casas. E a casa foi demolida depois, durante as férias. Então não parou a escola. E nem para ocupar na outra escola. Então atendia o problema econômico dele. Não mexia na vegetação, que era exuberante, pois vai ficar exuberante, que agora está sendo destruída com a construção. Vai ser construído um prédio neoclássico lá, que é a construtora pior que você pode imaginar que está fazendo aquilo. Vai fazer realmente neoclássico naquele lugar, vai limpar aquela área, vai pôr um mastrodonte do século XIX lá.
Muito triste.
É muito triste. Muito triste. Isso não é tombado, sabe? Essa coisa que eu acho que é maluco. O pessoal que se revolta, o pessoal que frequentou a escola, se revolta com isso. Me telefona.
É porque tem uma história, né?
Tem uma história toda. Foi um projeto que marcou um momento.
É, marcou uma época, né?
Era um lugar de visita, porque era uma obra tão fora dessa nossa realidade que o pessoal visitava. Era um ponto de... Eventos de monte teve lá. Inclusive, no evento dos meus 50 anos de formatura, eu juntei todos os arquitetos do país, os 18 arquitetos da minha geração, e fizemos uma festa lá.
Zanettini, a gente está indo para o final. Eu tenho uma pergunta aqui de uma amiga que trabalha na indústria do aço. Eu vou te fazer a pergunta, se você se sentir à vontade para responder. Antes de eu fazer a pergunta dela, eu queria... que você deixasse primeiro um recado para os estudantes, o que você, com toda a sua experiência de não só profissional, mas também como professor, qual conselho você daria, ou recado você daria para quem está iniciando a trajetória, essa carreira de arquiteto, ou está na faculdade, enfim?
Esqueçam um pouco o computador e comecem a ler de novo. Comecem a pesquisar de novo. Começa a se formar. Não é informar, é formar. Precisa procurar centros de pesquisa, procurar lugares de formação cultural, voltar a ver exposições de arte, voltar a ver exposições artísticas, voltar em uma ligação profunda com a música, uma ligação com todas as artes. É fundamental. Lê muito. Tem autores maravilhosos fora do país e dentro do país. dão um monte de conselhos e caminhos importantes, né? Uma das coisas que foram muito fortes na minha formação de ler romance. Não precisa ler só Ormitec, não. Saber que uma colocação bem feita por um compositor, por um artista ou por um escritor, cria condições fantásticas pra gente trabalhar criadoramente, né?
Que é a questão do pensar, né?
O pensar no sentido mais amplo possível. Não pensar o direcionado, eu vou ser engenheiro, vou ser só engenharia. Não. Crie um pouco de arte aí. Põe a arte nessa engenharia. Põe a engenharia nessa arte. Põe a técnica nessa arte. Põe a ciência sempre. A ciência ajuda muito quando você começa a conhecer bem os meandros dela.
E uma dica de livro, já que a gente está nesse tema? Te peguei de surpresa agora, que são tantos.
São tantos, tem uma biblioteca enorme. Agora, assim, eu poderia te dar a relação, porque é muito grande. Aliás, nas publicações, nas teses minhas de doutorado, tem uma listagem enorme. Agora, assim, de cabeça, quando eu fui discutir sobre a questão da visão sistêmica, por exemplo, tem uma tese de 70 e pouco. que também o nome agora não me ocorre, mas eu posso te dar, que cala e aprofunda a questão do sistema, visão sistêmica. Tem outra que são questões que vão ser importantes para você entender não uma visão atomizada da realidade, mas uma visão integral da realidade. Não é mais a maneira de estudar cortando as coisas, mas é a maneira de estudar junto com as coisas.
Como criar essas pontes, né?
Que é hiperbólica e, ao mesmo tempo, integral. Você está estudando junto com as questões que são conflitantes, e não separando elas para estudar. A hora que você fragmenta, você está tentando uma parte da realidade. Essa é uma tese muito importante também, que mostra como você pode conduzir as questões da produção humana sempre sem desintegrar o seu todo. É uma visão sistêmica.
E nessa linha de dica, eu tenho aqui a pergunta da Janaina, ela me mandou duas, eu vou fazer uma, até por conta do tempo. Ela pergunta o seguinte, Zanettini, na sua opinião, quais os principais aspectos devem ser considerados para a escolha e definição do sistema construtivo? Enfim, para definir um sistema construtivo de um projeto.
Primeira questão é tirar o improviso da obra. Uma obra, por mais artística que seja, tem toda uma visão. que é sistêmica, que ela se constrói com uma lógica toda produtiva, ela não é feita ilogicamente, ela é feita com uma lógica produtiva, uma lógica de produção que se adequa mais a uma realidade como a nossa. Eu quero tirar esse trabalho artesanal da obra e colocar esse trabalho industrializado da obra, com muita arte e muita técnica junto, não separado, não separar arte e técnica, deixar os dois juntos, Utilizar essa produção que é limpa, que é reciclável, aí começam os conceitos de eficiência e sustentabilidade. Você está usando esse material, todo ele pode ser reciclado. Boa parte das minhas obras podem ser desmontadas e remontadas em outro lugar. Boa parte das minhas obras, quase em totalidade. Eu não estou vinculado à obra a um lugar. A obra está sendo um elemento construído para aquele lugar, com todas as condicionantes locais, de ambiente, que é importante. Para mim, a insolação, a orientação solar, o vento, o solo, são questões importantes na produção do projeto. Afora isso, quando ele, por qualquer motivo, eu quiser desfazer disso e remontar em outro lugar, eu posso fazer, desde que atenda às mesmas condições ou condições similares.
E, para isso, é importante que você, de fato, faça um planejamento do que vai ser construído?
Não é feito na obra, não tem improviso, as coisas são todas preparadas, utilizando arte técnica conjuntamente. Estou pensando, ao mesmo tempo, a forma de produzir e como esse espaço vai me integrar o dentro e o fora, as relações entre dentro, a iluminação, a aeração. Aquelas questões que vão te dar um conforto de uso do espaço. Se eu tenho um hospital, tudo bem. O hospital tem condicionantes particulares. Tem centenas de hospitais feitos. Tem condições particulares dele. Mas tem aquilo que não são particulares do hospital. São condições ambientais que eu tenho que colocar nesse hospital. Então eu não vou abrir um quarto que não tenha luz fora. Porque pra mim, o paciente que tá lá por pouco tempo, também pra ele faz muito bem receber um sol e um ar correto.
E vê a luz, né? Vê a rua, né? Vê a cidade.
Participar da cidade, participar do seu ambiente. Não encasturar ele dentro de um cubículo, né? Então são questões que, Se por um lado eu atendo as condições específicas dos hospitais, ao mesmo tempo eu tenho que atender ao conjunto das questões de produção, de meio ambiente, de sustentabilidade, não tem que se descartar disso. E a hora que eu conseguir fazer um hospital que atenda tudo isso, perfeito.
Zanettini, e nessa questão de planejamento, de escolha de soluções, enfim, de pensar, como que você enxerga a indústria brasileira da construção? Porque assim, você projeta, é muito importante ter o desenvolvimento da indústria, enfim, falando de forma geral.
Durante 20 anos, desde que comecei a pensar em industrialização, na década de 70 até a década de 80, não tinha indústria, basicamente. Algumas construtoras, algumas empresas que produziam aço estavam começando a se preparar, começando a preparar uma diversificação de produtos maior, que também era muito limitada. Houve uma evolução também na produção. Essa evolução na produção vai ganhar uma certa estabilidade a partir da década de 90, quando alguns companheiros disso, Gerdau, por exemplo, começa a colocar os conceitos de produção industrializada do aço no Brasil. Não só na sua forma de produção, mas na sua forma de especificação. A sua forma de determinar como deve ser cada tipo de material para cada condição, começou a se aprofundar na qualidade daquele produto.
Então é importante, de fato, ter o apoio da indústria no processo de desenvolvimento da arquitetura do país.
Hora que você está trabalhando com a produção industrial, você está levando em conta toda a forma de produção e todo o produto que sai dessa forma de produção. E você vai ajudar o mais possível com a tua visão mais global de melhorar aquele produto, de aperfeiçoar aquele produto. Então, eu trouxe contribuições importantes para o ácido, muito importantes. Mas eu acho que mais foi a própria indústria que foi evoluindo, pondo mais tecnologia, pondo mais formas de produção, mais limpas, e foram evoluindo violentamente na qualidade do produto. Então o aço brasileiro hoje é um dos melhores do mundo. Esses 50 anos de evolução do aço... Ele não é só evoluir no detalhe, na forma, não. Na sua produção, na sua qualidade, no seu desempenho.
E falando dessa questão ainda até de indústria, de desenvolvimento, tem até um case que eu gostaria que você falasse de forma resumida, porque a gente já está com mais de uma hora de conteúdo, que você falasse do hospital, da obra do Albert Einstein. E depois também, só uma fala bem rápida do Mater Dei, que eu acompanhei algumas coisas, porque ali não é só a questão do aço, você tem a questão do vidro também, que tem um papel muito forte.
É, em meio ambiente. Quando eu recebo de uma moradora de um prédio vizinho, encostado ao Mater Dei de Salvador, elogiando o fato de que a obra não teve barulho, não teve sujeira, não teve problemas, acidentes, não teve incômodo nenhum, uma monstruosa obra daquele tamanho. E é elogiante. Realmente, essa obra aconteceu do meu lado.
Inclusive, até só ressaltando aqui, eu tive o prazer, tive a honra de visitar essa moradora, conheci inclusive, falei com a Gisele, visitei o apartamento dela, acompanhei um pouco. Eu fiquei muito contente assim de a Adriana havia me falado dela, fui lá pessoalmente conhecer, né? Enfim, acompanhei toda a história de fato.
Então mostrou o seguinte, que aquela obra que seria um inferno durante quatro anos, para aquele lugar, uma obra daquele porte, sem espaços como não tinha. Não tinha espaços. Era ocupar boa parte do terreno, daquela quadra toda, com o movimento de duas avenidas se cruzando ali em frente. Tudo aquilo que seria importantíssimo, fazendo uma obra convencional, ia ser um inferno para toda aquela região durante quatro anos. A gente em 18 meses construiu esse enorme edifício.
Desafiador, né?
Desafiador. Sem barulho, sem ruído, sem acidentes, sem impedir trânsito, sem nada. As coisas chegavam de madrugada e eram montadas durante o dia e não se ouviu falar da obra.
É, foi uma obra que ficou muito marcante. Pra mim, quando eu visitei, tava no processo de construção ainda, e quando eu entrei ali no centro, que eu olhei pra cima e vi aquele... Enfim, acho que eu nunca vi nada igual. Então você tem ali, tem aço, o vidro tem um papel muito forte, questão de drywall e vários outros subsistemas.
Não, todos subsistemas, tudo montado, não tem nada feito em loco.
Aquela obra é o famoso chassi, né? Você tem o chassi, você vem encaixando as outras coisas.
Tem a obra pronta, montada. Não tem uma coisa feita in loco. Não é um negócio que é o mais alto nível de sustentabilidade, de produção limpa, né? E a ponto de fazer aquela obra e uma do lado aqui também, de 15 mil metros quadrados, que é o Centro Médico também.
Do lado, o prédio do lado, eu vi, inclusive eu falei com o doutor Henrique Salvador, que eu queria até agradecer também que, enfim, que através... Dois prédios. Dois prédios.
No mesmo tempo.
E ele é, inclusive, ele é apaixonado pelo sistema construtivo.
Sim, quem já tinha feito quatro projetos pra ele, foi feito primeiro, que era com o pai, inclusive, que eu tinha um amor grande para aquele senhor, ele a viu ainda, a grande cabeça do Mater Dei. E eu fui com ele acompanhar a obra lá, com o pai dele, que é o de Contorno, de Belo Horizonte. Eles ficaram iluminados de como puderam fazer aquela obra em 18 meses também, que era para inaugurar para a Copa. Depois fizeram o Betim, também uma obra monstruosa. Enfim, eles foram convivendo e vivendo com construções desse tipo.
Zanettini, até aproveitando já esse assunto, que você tem muito conteúdo pra falar. Eu queria que você... Como que você convence o investidor a optar por esse sistema construtivo, porque se você olhar, essa conta precisa ser feita de uma forma... você tem que ver o todo, porque você começa a ter receita, por exemplo, 12 meses antes, se você fizer uma comparação com outras metodologias, por exemplo.
Com alguns clientes nós temos convencido dos benefícios que tem em fazer em aço. Por exemplo, o tempo de construção é metade. Então você tem aquela mesma obra funcionando o dobro do tempo. Aquele tempo que ia ser consumido com custo, gasto, você está faturando. Está produzando, tirando partido dele. Qualquer obra, seja hospital ou qualquer obra, ela passa a existir e funcionar imediatamente. Acabou a obra. terminou o último painel, acabou. Pode usar, né? É tudo integrado.
E os ganhos são muitos, né? Se você contar também, você imagina, você reduz, inclusive, a questão de barulho, né? A questão de transtorno das obras, enfim.
Não, e certas coisas que você vê sair da obra. Sai da obra da ordem de 30% em lixo. Na obra convencional. Ninguém calcula isso. Você tá pagando esses 30%, não é um pouquinho não, 30% do que foi aplicado. Você tá transformando em lixo? Que vai dar trabalho até pra tirar, né? Vai pagar até pra tirar esse lixo, né? Ninguém calcula isso.
Na próxima semana teremos aqui o Luiz Henrique Ceotto, que é um engenheiro estrutural. E o que você acha, você que conhece um pouquinho ele, o que você acha do próximo episódio já deixar uma palinha pro pessoal?
Eu não tenho um dos melhores engenheiros que eu conheço, sem dúvida nenhuma, um das melhores cabeças dessa área de produção. Então, é dar para o podcast um padrão altíssimo, se você está querendo, é ótimo, é bom, é bom. O Brasil precisa mostrar que tem gente muito boa, gente muito forte em todas as áreas, e que a gente não dá conhecimento público disso. O público precisa saber que nós temos gente de altíssimo nível, nível internacional, e que tá aí, produzindo.
O Brasil tem bons profissionais.
Tem bons profissionais, sim.
Eu espero que o ConstruCast seja e colabore de alguma forma com essa nova geração, com a formação, com a indústria.
Te dou um conselho. Faça isso, Dr. Godfest. Pegue as cabeças importantes dos países, em todas as áreas, sem distinção. cancioneiro, músico, ou ator, ou o que for, que tenha a cabeça pra transmitir cultura pra esse povo, que tá precisando disso.
É, eu conto muito com o seu apoio, quem você quiser mandar, pode mandar, que a gente vai receber aqui com.
Toda... Tem números maravilhosos em todas as áreas. No Brasil, já dentro de Brasil, não precisa ir só lá fora não, aqui dentro, tem gente muito boa, né? Eu citei um, o Mabisaber, cabeça brilhante. Eu aprendi muito com ele. E aprendi com outros nas outras áreas. É evidente que a gente aprende com os outros. Isso divulgar, isso colocar como um ponto de referência. Numa maneira correta de divulgar as coisas, eu acho que vai ser extremamente importante no país. O país tá precisando disso.
O propósito é muito, é muito forte. A gente tem um propósito e tenho certeza que...
Eu posso te dar depois uma lista de pelo menos uns 30 nomes que você vai se divertir com isso.
Adriano, conto com você, tá? Então, queria agradecer também à Adriana, que colaborou muito aí, fazendo a ponte entre a gente.
A Adriana faz cuida dessa parte toda da nossa divulgação e de palestras, encontros, e a gente tem sempre muito essa atividade, que é importante, né? A gente guardar pra si, né? Aquilo que você enfrentou, que levou anos, às vezes, pra construir um caminho, um passo à frente, Dê de mão beijada pro próximo e isso vai levar mais a frente.
Vai transformando, né?
Vai transformando. E é isso que eu acho que talvez eu deixe de legado. Acho que o legado nosso, do pessoal que pensa, não é legado econômico, é um legado cultural. Essa mocidade toda. As novas gerações têm que transformar esse país num outro país. Não essas gerações comprometidas que nós tivemos até aqui. Em qualquer área há um compromisso muito sério de transformar, trazer a cultura brasileira, a cultura internacional, porque não é só a brasileira, tem a cultura internacional, que é importantíssima. A gente só aprende com coisas daqui, com uma visão um pouco mesquinha. Aprendemos com a visão do mundo todo. E podemos importar, às vezes, sem nenhum problema, importar um conceito correto. Vale para nós e vale para qualquer um. Então, eu acho que essa contribuição me parece importante. E fazer isso, uma forma de divulgação constante, você está ajudando muito a sair dessa visão muito maquinista. de pensar, sabe? Acho que tá precisando um pouco de cultura nisso tudo.
Acho que isso é importante. Acho que esse tipo de conversa que tivemos hoje aqui, eu nunca tinha visto, né? Eu que sou um fã da sua pessoa, nunca tinha visto... Eu nunca aprendi tanto com você igual eu aprendi hoje.
E a gente aprende com outras pessoas. Cada vez que eu vejo um texto que mexe com a gente, eu falo, que coisa fantástica. Às vezes é uma coisa simples, mas que mexe com a gente, transforma a gente. Eu acho isso importante. Em qualquer área, eu não discrimino nenhuma área. Às vezes, a área mais popular tem um passo importantíssimo pra dar pra gente. Não é um problema de estar lá no cima, no zono. As contribuições de cultura podem ir a qualquer nível. Tem coisas tão puras, tão ingênuas, que são excelentes para dar uma limpada na gente.
Acho que é preciso. E aí a gente pega esses textos, esses pensamentos, e vai aplicando no dia a dia, e de alguma forma vai transformando o nosso também.
O nosso, principalmente. Essa transformação interna, que às vezes é uma coisa pequena, importante, uma letra bem colocada numa música, uma pintura que você vê que foi fundo na questão da produção. São coisas que mexem com a gente. Você repensa de novo algumas coisas que estão lá engatilhadas, que precisam de uma mexida, e aí, às vezes, um detalhe pouco importante vai atingir aquilo que precisa ser atingido para você transformar.
Que é o acaso. É o acaso. Então, Zanettini, mais uma vez, obrigado pela sua participação. E, enfim, pessoal, hoje conversamos com Zanettini e o nosso próximo encontro é com Luiz Henrique Ceotto, tá? Você que está nos acompanhando pelas plataformas, é importante que vocês compartilhem esse conteúdo e tenho certeza que, se a gente está falando de ajudar o próximo tenho certeza que esse conteúdo vai ajudar não só você mas várias outras pessoas então um beijo e até o nosso próximo encontro.
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