Por Dentro da Obra: Complexo Viário Sebastião Gualberto SJC | Construecast | Podcast | Engenharia

Paulo entrevista três engenheiros do Complexo Viário Sebastião Gualberto em São José dos Campos, um projeto com dois viadutos e passagem inferior. Eles explicam como industrializam a obra com pilares pré-fabricados, reduzem mão de obra e prazo, e discutem a dificuldade de atrair novos talentos para infraestrutura.
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O Por Dentro da Obra de hoje é diretamente de São José dos Campos, em São Paulo. Nessa obra, vamos falar com o engenheiro responsável por esse projeto de infraestrutura, com o encarregado de montagem de equipamento e com um representante da indústria de formas e escoramentos para falar sobre a importância de industrializar parte do processo de forma e escoramentos em obras de infraestrutura. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Agora eu estou com o engenheiro Wellington Defendi, ele é responsável pela parte de produção da obra. Wellington, conta pra gente um pouquinho sobre a obra e qual o desafio de tocar o dia a dia de uma obra como essa.
Hoje nós estamos em São José dos Campos, nós temos um complexo viário que está sendo executado aqui para melhoria do fluxo da cidade. Nós temos no escopo 2 viadutos, nós estamos diante de um, uma passagem inferior onde no entroncamento aqui, um dos principais entroncamentos da cidade, A gente vai fazer um fluxo viário sem semáforo, né? Nós vamos eliminar toda essa parte semafórica para que a gente tenha um fluxo melhor para o centro da cidade que está ao lado, conectando Zona Leste com Zona Norte, Zona Sul com Zona Norte e assim consequentemente.
Como que começa a procura para o fornecedor e o que que é essencial para a indústria desse setor se atentar na hora de fornecer para uma obra como essa?
Primeiramente a gente faz um planejamento, né, quais são as sequências, né, o que que a gente vai avançar primeiro, e a gente faz um estudo de reaproveitamento, né, para que a gente não faça grandes locações ou compras enormes sem a necessidade. Então a gente faz um planejamento de qual é o volume que a gente vai precisar para que a obra discorra sem atrasos e a gente consiga fazer um reaproveitamento perante o cronograma da obra. Esse é o planejamento geral. Quando a gente abre, expande, né, os itens da obra, as frentes de serviços, a gente acaba entrando nesses detalhes áreas onde a gente tem forma, concreto, aço, terraplanagem, máquinas. Então a gente expande isso. E aí hoje a gente tem uma equipe técnica, né, e cada um tem um setor, né. A gente tem um engenheiro específico para fazer parte de planejamento para a gente na obra. Então a gente trabalha, um trabalho em conjunto. A gente especifica no primeiro planejamento que a gente faz, né, primeiro cronograma, e a gente vê as frentes que a gente vai avançar e a gente expande os itens e começa a pensar, cara, essa frente demanda desse material, demanda dessa locação, demanda dessa solução. E aí a gente começa a planejar e ver, cara, eu preciso de um escopo desse tamanho, né, tanto de mão de obra quanto materiais e locações, pra gente que a gente discorra sem precisar comprar todo o material ou locar todo o material da obra. Então é assim que a gente começa. E a partir do princípio que a gente define essa quantidade, a gente vai pro mercado e leva as demandas pros fornecedores. E aí a questão de seleção varia, né, dos principais, os itens mais cruciais, preço, E nem sempre o preço a gente está falando do valor final que está ali. Então nem sempre o mais barato é o que vai te trazer um retorno maior. Às vezes uma solução mais adequada, com mais facilidade, uma parte tecnológica, um planejamento por parte dos nossos fornecedores que adentram na nossa obra para fazer parte do contexto, tanto da responsabilidade, como a gente pode ver aqui hoje, tanto da solução em si.
Em obras como essa, existe algum processo de industrialização no sentido de essa empresa que está fornecendo a solução, ela já industrializa parte de um processo, já traz algo pronto para agilizar esse processo de obra?
O mercado em si são soluções bem aproximadas, né? O diferencial vai ser nas dificuldades, nas complexidades dos projetos. Por exemplo, nosso fornecedor teve que fazer uma pré-fabricação de uma das peças para trazer para a gente. E o restante é um similar ao mercado, né? Cada um tem a sua solução, a sua tecnologia. E aí o que vai trazer para a gente é facilidade, às vezes peso, o que eu demando de equipamento para fazer as montagens, por exemplo, no caso de forno de escoramento. Então esse vai ser o diferencial.
Agora, Wellington, eu queria que você falasse especificamente agora da solução utilizada nesses pilares, que ele tem uma geometria um pouco diferente, eu imagino que exista uma dificuldade muito grande se fosse para fazer essa solução aqui in loco. Como que foi esse processo de produção dessas formas para chegar nesse lindo resultado? Nem tá acabado ainda, mas assim, o concreto é notório que tá com um nível de acabamento muito perfeito ainda no processo de construção.
Quando a gente concebeu o anteprojeto, né, fornecido pelo nosso cliente, a gente já identificou que a gente teria um grau de dificuldade atípico nesses pilares. Então a gente de imediato já levou para alguns parceiros, para os fornecedores que estavam ali com a gente concorrendo para que fornecessem as soluções para a gente, apresentou isso e falou: "Cara, nós precisamos pensar qual será a melhor solução, porque a gente não conseguiria trabalhar com materiais convencionais." E aí foi o diferencial onde a gente tirou algumas pessoas do páreo que não tinham, gostavam mais de soluções mais convencionais, trazendo parceiros que têm maior tecnologia, maior entendimento, maior know-how para lidar com isso. E aí a gente trabalhou em cima disso, aí acabam, o critério acaba sendo quem consegue trazer, porque nem todas as empresas conseguem trazer soluções para isso, né? Foi onde a gente fez essa separação e as empresas que ficaram começaram a apresentar soluções até onde a gente chegou na que mais se adequava a gente em relação a prazo, geometria, montagem. Então foi mais ou menos dessa maneira.
Agora eu tô aqui com o engenheiro Fabrício Xavier, que vai contar um pouquinho pra gente do processo de industrialização de equipamentos de escoramentos e formas para obras de infraestrutura.
Perfeito, Paulo. O processo, ele vem desde a análise do projeto, né, quando a gente lá atrás desenha a solução. Então toda a solução foi pensada em conjunto obra, nós pensamos na forma mais produtiva em que a obra tivesse uma otimização de mão de obra e uma redução de prazo. Então nesse caso nós utilizamos uma forma especial que nós pré-montamos todo o sistema, então a forma veio praticamente pronta em conjuntos em que a obra só precisou aplicar com o nosso auxílio aqui também na montagem. O processo, como eu comentei, ele é um processo que ele é bem minucioso, ansioso. Então a gente tem que avaliar o projeto a fundo. Então tem toda uma conversa técnica, porque se a gente montar errado e chegar errado e a gente não conseguir montar, é, isso é um grande problema, né? Então o processo ele é bem pensado. E eu acho que o caminho hoje que a gente vive, né, com essa dificuldade na mão de obra, é cada vez mais partir para esse caminho de industrializar, né? Então aqui a gente teve uma grande oportunidade, a Compaq Galácio abriu bastante as os produtos para nós trazer essa solução. E eu acho que quando eles viram o potencial que tinham em relação à redução de mão de obra, produção, casou muito bem, né? E hoje a gente vê a estrutura já pronta e a gente encarou esse desafio. Eu acho que a industrialização hoje ela está se tornando fundamental. Então hoje, para a Forma Escoramento, a gente sempre tenta inovar. Eu acho que esse é um processo que é interessante, né, da gente pré-montar todo o sistema, de pensar no projeto. Eu acho que a gente precisa de mais oportunidades para pensar junto com o cliente para fazer dessa forma.
Agora eu estou aqui com Raimundo Justino, ele é encarregado de montagem de obra de arte, ou seja, sabe aquele profissional que tem um valor único num canteiro de obra? É esse homem. Que sabe como ninguém o que é deixar um legado nas ruas do Brasil.
É um prazer, um orgulho a gente estar executando uma obra dessa que vai ficar na memória da gente, né? Uma obra bonita, bem executada, bem projetada. Então é um desafio muito bom e é um prazeroso que a gente tem, que não é depois você olha para aqui e vê assim: "Essa foi eu que fiz", entendeu?
É muito bom.
Eu costumo dizer que eu tenho muito orgulho do povo do Nordeste. Por onde eu passo, Brasília, Goiás, enfim, São Paulo, Sul, tem muita gente do Nordeste trabalhando no canteiro de obra. E Raimundo, parabéns pela sua história, e eu tenho certeza que é por conta de profissionais como você que a construção civil segue firme, a todo vapor.
Obrigado, eu que agradeço aqui, e tudo de bom pra nós aí.
Bom, hoje eu vejo que existem algumas dificuldades no mercado, né? De encontrarem pessoas que realmente queiram fazer parte, queiram realmente adentrar a esse processo, a esse mundo da infraestrutura, que é um mundo totalmente diferente. E quando a gente passa pelas fases de estudo, faculdade e tudo mais, não é apresentado de fato esse tipo de obra, essa complexidade. É mais voltada à parte civil. Então assim, o meu conselho é que busquem, antes mesmo da sua formação, a estar adentrando de alguma forma, seja no estágio, seja trabalhando em uma outra área, para que entenda e crie esse amor pela engenharia, porque é um desafio bem grande.
O profissional que ele está entrando no mercado, o estudante, ele quer ter acesso, quer visitar uma obra dessa, e aí através dos nossos canais ele chega até você. É possível fazer uma visita aqui?
Totalmente! A gente tem hoje estagiários, nós temos menores aprendizes e temos até colégios aqui na região que frequentam, né, agendam visitas esporadicamente com a gente.
Ó, você que tem interesse em visitar essa obra, o Wellington vai ficar de olho nos comentários deste episódio. Então, ó, esse é o melhor caminho para você chegar até o Wellington. Wellington, parabéns!
Obrigado! Tomara que dê bastante repercussão, que pessoas venham visitar, porque é uma obra pública, então assim, é de interesse de todo mundo e principalmente quem está estudando para vir ter um conhecimento uma obra dessa.
Mas as pessoas às vezes têm um pouco de dificuldade de acessar, mas se você tá dizendo que chegou em você, consegue facilitar o acesso.
Obviamente a gente vai precisar de agendar isso com mais calma, é uma obra complexa, então assim, temos movimentações, mas tem sim acesso, pode vir visitar.
Isso é o que importa, é dar acesso para quem tem vontade.
Obrigado.
Este foi mais um episódio da série Por Dentro da Obra. Para ficar por dentro de tudo que acontece nas obras de todo o Brasil, Curta, comente e compartilhe este episódio.
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