Por Que a Construção Industrializada É o Futuro no Brasil? | ConstrueCast com Luiz Gonzaga Podcast

Neste episódio do ConstrueCast, o apresentador Paulo Barros entrevista Luiz Gonzaga, executivo da MBP/Isobloc, para discutir a construção industrializada e off‑site no Brasil. Gonzaga explica o que são sistemas construtivos industrializados, destacando a escassez de mão‑de‑obra como principal motivador para buscar soluções fora do canteiro tradicional. Ele descreve o processo de fabricação de painéis SIP/PIR, sua origem em câmaras frigoríficas, as vantagens térmicas e acústicas, e os obstáculos para sua adoção em residências, como a necessidade de complementos (acabamentos, instalações elétricas e hidráulicas) e a dificuldade de personalizar produtos em linhas de produção de alta escala. O conceito de prototipagem – montar o projeto em escala real na fábrica antes da entrega – é apresentado como forma de reduzir erros e acelerar a montagem no local. Gonzaga enfatiza a tensão entre escalabilidade e customização, apontando que as linhas de produção de painéis têm cerca de 50 % de capacidade ociosa no Brasil, representando uma oportunidade de expansão. Ele propõe a criação de hubs e parcerias com pequenos empreendedores, arquitetos e outras indústrias para desenvolver soluções plug‑and‑play que integrem isolamento, elétrica e hidráulica. O diálogo também aborda a necessidade de união entre associações (Expo Offsite, ABICOM), fabricantes e operários, bem como a importância de disseminar conhecimento para mudar a percepção da profissão e atrair novos talentos. O episódio termina com um convite para ampliar a rede de colaboração e acelerar a transição para a construção industrializada no país.
Chapters
A gente está ouvindo muito falar na palavra industrialização, só que você que está me ouvindo ou assistindo, você sabe o que é de fato industrialização? Você sabe o que é construção off-site? Quando você ouve falar nisso deve te assustar, mas fiquem tranquilos que hoje Gonzaga vai dar uma aula pra gente sobre sistemas construtivos. E quando a gente fala de sistemas construtivos, a gente tem que falar de solução, ou seja, não é um produto isolado. ConstruCast Arquitetura, Engenharia e Construção. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Gonzaga, seja bem-vindo. A sua primeira participação, segunda participação aqui no ConstruCast.
Poxa, pra mim é uma honra estar com um amigo, se tornou um amigo, Paulo Barros, uma pessoa querida demais. E que se propõe a um trabalho que é de grande valia, porque hoje a necessidade de informação, a necessidade de conhecimento, ainda mais quando se trata de algo que está tendo que romper uma barreira tão grande, que é esse conceito da construção industrializada, eu acho que quanto mais nós falarmos, por mais que eu não seja todo esse domínio todo, mas estou aprendendo, E tenho me encantado com esse processo, porque vejo que há aí um futuro que precisa ser trabalhado hoje para que logo mais os jovens, os adolescentes, nossos filhos possam olhar para a construção como um ambiente em que eles queiram fazer parte. E quando se fala de construção industrializada, nós trazemos para o off-site, como você está propondo, Paulo, a gente, na verdade, está falando disso por um simples motivo. Existe uma dor no mercado e essa dor está relacionada à escassez de mão de obra. Se não fosse a escassez de mão de obra, acho que nós estaríamos olhando para o futuro construindo assim como a gente constrói já há 500 anos, tijolo por tijolo, bloco sobre bloco. Mas a grande dor, eu entendo que o que nos traz aqui, e a MBP também entendeu que precisa se posicionar em relação a isso. Eu acho que é esse conceito de construir de uma forma diferente para possibilitar que a mão de obra, que hoje é escassa na construção civil tradicional, ela possa voltar a se interessar pelo ambiente da construção, mas essa construção precisa ser modernizada.
Modernizada. E você me trouxe um ponto, Gonzaga, que é essa parte de mão de obra. Tá todo mundo falando de falta de mão de obra. Confesso que pra mim esse assunto tá chato.
É, já tá.
Eu acredito que o que precisa mudar, na verdade, é a relação com a profissão, é a relação com as pessoas. Porque eu, enquanto ecossistema hub de comunicação, eu recebo muitos currículos, muitos assim, querendo trabalhar. Agora, tá tanta gente falando que a construção civil mudou, que tá mais leve, que não tá mais aquela coisa de peso, sabe, de tomar sol. Elas estão tendo acesso à industrialização, só que elas assim, elas ouvem falar, mas não sabem o que é. A partir do momento que a gente começa a falar e de alguma forma tentar ensinar, eu acredito que a gente vai atrair muita gente, porque a construção industrializada, você sai, né, do sol ali, do canteiro de obra, e vai para fábrica.
Então, do ambiente que hoje a maioria A maioria, assim, grande parte da população não tem interesse por um ambiente desse, concorda?
E uma coisa que é legal, isso aí não vai substituir.
Não, não vai.
Então, eu queria que você trouxesse um pouquinho, Gonzaga, o que é um sistema construtivo industrializado. A gente está aqui dentro de um evento, tudo que está aqui foi montado em 3 dias e um quarto para decorar, no quarto dia foi só para de decoração. Exemplo disso é o estande de vocês, que é tudo 100% produzido na fábrica, transportado aqui para São Paulo, para o Sambódromo do Aimbi, e montado. Então eu queria que você falasse um pouquinho do processo de uma forma que um leigo— que quando eu falo leigo, todo mundo que quer construir tá assustado, não tem mão de obra, não tem pedreiro, e quando tem, o cara cobra o que ele quiser.
É.
Então, fala um pouquinho desse processo.
É uma— você abre aí várias vertentes, na verdade, quando você faz uma pergunta desse tipo. Mas se a gente olhar que hoje já existem muitos movimentos, muitas empresas investindo tempo, energia, buscando soluções inovadoras, soluções tecnológicas, e eu vejo que a gente evoluiu muito, né? Se você rodar aqui esse Sambódromo de ponta a ponta, você vai ver quantas empresas investindo tempo e energia Procurando soluções o mais industrializado possível para poder transformar a execução das obras em algo mais rápido, mais leve, menos sofrido para o operário. Mas, de certa forma, Paulo, o que eu vejo? A gente continua mandando produtos para serem executados na obra.
No canteiro.
No canteiro. Muitas soluções ainda são boas, são eficientes, tecnológicas, e a industrialização acho que vai nessa linha, mas tem muita coisa que continua indo para o canteiro para ser construído, de forma diferente, mas continua o canteiro sendo o local onde a construção está ocorrendo. Então, ok, com muito menos impacto, mas continua o operário debaixo do sol, sofrendo as mesmas situações as instalações de uma construção tradicional. Mas isso não, isso não, eu não quero me posicionar aqui dizendo que isso tá, ah, não é esse o caminho, não. Tudo ajuda nesse processo, né? Mas quando a gente vem para o conceito do off-site, eu acho que aí existe um nicho específico que está sendo tratado. O off-site é tudo aquilo que você constrói dentro de um ambiente industrial. E você vai para a obra com aquilo pronto, apenas para conexão. Então, o off-site tem o conceito, a ideia de você dentro de um ambiente controlado, protegido, uma indústria, onde você vai construir ali dentro e vai levar para o canteiro algo pronto para ser conectado, as conexões hidráulicas, elétricas, e acabou, a obra está pronta. É algo ainda mais desafiador. Quando você vai para esse conceito, você citou, por exemplo, o nosso stand, e para mim tem sido um aprendizado. Recentemente eu trouxe um arquiteto para poder compor o nosso time, que o objetivo da vinda dele foi exatamente para que ele me provocasse. Porque se a gente olhar para os painéis SIP, que são os painéis Structural Insulated Panel, que é a terminologia, a gente fabrica isso milhões de metros quadrados todos os anos. E o Brasil hoje tem mais de 19 linhas de injeção de SIP em pier rodando no Brasil inteiro. Mas essa tecnologia, por exemplo, ainda não chegou para as nossas obras de uma forma plena. E por que isso? Porque faltam elementos que compõem esse nosso produto para que, por exemplo, possa ser aplicado em uma residência. Porque o SIP em PIR, que é composto de duas camadas de chapa, por exemplo, a nossa história se origina das câmaras frigoríficas. Então um painel SIP em PIR com chapa, num ambiente frigorífico, você concorda que é bem aceito? Numa indústria é bem aceito, num comércio pode ser bem aceito, mas pode ser que numa residência não seja algo que seja confortável. Você na sua residência ia se sentir confortável com uma chapa de aço no meio da tua sala? Possivelmente não.
Sim, tem esse lado também.
É, porque a gente quer algo mais, um ambiente um pouco mais que nos acalente, que nos abrace, e o aço É uma pele fria, vamos chamar assim. Então, o desafio, por exemplo, nosso, do mercado, de quem produz os painéis em SIP, em PIR, em poliisocianurato, como é que a gente transforma um produto, vamos chamar, mais bruto como esse, em elementos que componham com ele para que possam refletir na indústria da construção industrializada? Mas o que eu vinha falando? Por exemplo, o nosso stand. Nós gastamos alguns meses primeiro no projeto. Detalhamos o projeto inteiro, peça por peça, elemento por elemento, conexão por conexão, painel, porta-acessório, parafuso, rebite. Extraímos uma lista de elementos de produtos que nós produzimos na nossa indústria. E o que nós fizemos, Paulo? Nós pegamos todos esses elementos e enviamos para um parceiro, uma indústria, que fez toda a semblagem desse material. Então, o que eles fizeram? Eles prototiparam todo o nosso stand antes de vir para a feira.
E só um detalhe, para quem é leigo no setor, geralmente, quando você faz um projeto em escala, até dar um exemplo para conectar com o público, muitas vezes eu quero construir, tenho um terreno, mas eu tenho um medo. O que o Gonzaga está dizendo? Medo do caos da construção. O que o Gonzaga está dizendo? Quando você compra um móvel para sua casa e ele é planejado, geralmente eles fazem essa pré-montagem antes de levar para residência para poder montar. Seria isso?
É o que a gente chama de prototipagem.
Prototipagem, sim.
É você fazer em escala real aquilo que você vai executar na obra. Então, o que essa situação nos propôs? Em 3 dias conseguir botar aquele stand que você viu em pé, com todos aqueles elementos, com toda aquela configuração, vidro, material, painel, porta, acessório, cobertura. Ou seja, em 3 dias só é possível uma situação dessa quando você toma esse tipo de cuidado, porque na prototipagem você vai pegar alguns desvios, você vai fazer ajustes, você vai fazer adaptações necessárias para quando aquilo colocar em cima de um caminhão, que chegar na obra você só vai conectar os elementos. Por quê? O que você tinha que preparar você já preparou antes, num ambiente totalmente diferente do canteiro, numa indústria onde o operário está ali protegido, coberto, com previsibilidade, com todo o aparato de segurança, equipamento, EPIs, o sapatinho dele está limpo, tecnologia ali para poder... Ou seja, você deu a ele um outro tipo de de visão em relação à obra, concorda? Saiu de lá, é apenas conectar na obra. E foi o que aconteceu aqui.
Cossaca, quando você trouxe esse ponto do ambiente, que ele precisa ser um ambiente acolhedor, que se conecte com aquilo que a gente já está acostumado, eu percebo que a indústria hoje está muito preparada para proporcionar esse tipo de experiência do ambiente. Tudo bem, isso é industrializado, mas muitas vezes eu nem percebo eu vou ocupar esses espaços? No seu caso, você teve ali um arquiteto, você tem um arquiteto no grupo que consegue ajudar essa demanda que chega para vocês, até porque o know-how é de vocês, tá? E quando vocês têm essa solução, esse olhar dentro da indústria, acaba facilitando o dia a dia de quem tá adquirindo esses equipamentos de vocês. Como que tá sendo essa troca entre vocês como indústria e o consumidor, o cara que está adquirindo esses seus produtos, tendo essa solução de arquitetura no grupo?
Então esse é o grande desafio, porque imagina só, Paulo, nós temos hoje 3 linhas em piso. Por mês nós colocamos mais de 500 mil metros quadrados de termo isolante na rua. Uau! São quase mais de 6 milhões de metros quadrados de termo isolante em piso por ano. Então assim, é uma indústria que está equipada com um maquinário de um CAPEX milionário, né? E que ele só se justifica se você ocupá-lo com grande escala. E você não consegue escala se você personalizar demais o produto. Você entende? Se você começar a querer personalizar demais ele, adaptar demais com elementos que complementam, Você cria um problema sério de escalabilidade, o investimento não se justifica e aí você tem um problema com essa configuração de indústria.
Que é a produção em linha, em escala.
Exatamente, é uma linha contínua que roda numa velocidade absurda, com prensas térmicas para poder trabalhar a expansão dessa espuma, que é uma expansão de espuma de uma alta tecnologia. Retardante à chama, com um excelente coeficiente térmico de barreira, acústico também. Então é um produto que a indústria, assim como a MBP e outros concorrentes também que trabalham com esse tipo de produto, tem uma necessidade imensa de ter escala. E para ter escala você precisa ter uma padronização. Então como é que a gente pega agora esse produto de alta tecnologia, de uma eficiência térmica absurda, é um produto já estrutural porque ele já sai pronto para montar, Paulo.
E só complementando, quando o Gonzaga fala de eficiência térmica e acústica também, quando você resolve investir um pouco mais nessa solução construtiva, você vai economizar absurdamente no uso de ar condicionado.
Energia elétrica, por consequência.
Energia elétrica, por consequência. Enfim, vai te trazer outro conforto que geralmente a construção tradicional não proporciona.
Ou você vai ter que consumir muito mais produtos para poder garantir a mesma eficiência que um painel de baixa espessura consegue garantir, em função dessa tecnologia avançada. Então assim, o desafio de todos nós fabricantes de painéis SIP, em pier, que produzem em linhas contínuas, é que a nossa necessidade de escala ela é latente.
Gonzaga, e nesse sentido de escala, quando, imagina você enquanto indústria, você tem uma linha de prateleira Exemplo, imagina que você chega, você vai comprar um carro, você tem vários modelos ali, sei lá, 1, 2, 3 e 4. Aí você escolhe qual modelo você quer e você vai pagar por aquilo, porque isso também vem numa linha de produção, a gente está falando de indústria automobilística. Nesse sentido, funciona para vocês?
É, nós trabalhamos com diversas espessuras de painel. Imagine assim, a história começa a tomar vários rumos, Paulo, por quê? Onde começa a história dos painéis SIP? Hoje em PIR, mas esses painéis há décadas atrás no Brasil começaram sendo fabricados com EPS, que é o poliestireno expandido, em câmaras frigoríficas. Essa tecnologia avançou do EPS para o PUR, que era o poliuretano, e agora nós chegamos na evolução do poliuretano, que é o PIR, que é o poliisocianurato. O Poly Isocianurato veio resolver problemas que o EPS não resolveu e que o PUR não resolveu. Mas o PIR trouxe essa inovação. É um produto totalmente retardante à chama, classe 2A, que é aquela norma do Corpo de Bombeiros. É um produto com certificação FM Global. Então assim, nós chegamos num patamar tecnológico dessa espuma que hoje o mercado, a maioria nem conhece. Mas existe uma tecnologia absurda nessa espuma. E hoje nós precisamos olhar para o passado porque onde originou o painel? Em câmaras frigoríficas, áreas congeladas, áreas refrigeradas. Imagine que esse painel já foi testado nos ambientes mais rigorosos que você possa imaginar, que são câmaras de baixíssimas temperaturas. Nós operamos hoje com esses painéis em câmaras que trabalham com -40°C. Imagine o quanto esses painéis são exigidos do ponto de vista de performance, de proteção, de barreira térmica, porque você tem que colocar a mão no painel lá fora e não sentir nada, e lá dentro está operando em -40°C. Você não pode ter fuga de temperatura, então você tem que ser um painel que o encaixe seja perfeito, a vedação seja garantida, porque qualquer ponte térmica que você causar Você tem perda de energia, você tem uma ponte térmica acontecendo, então você tem perda de energia. Com isso, o equipamento que está dimensionado de refrigeração, ele perde eficiência, começa a gastar mais energia, alguns até entram em processo de exaustão porque é muito exigido. E imagina, por exemplo, uma câmara hoje de conservação de vacinas, por exemplo. Uma câmara dessa que a eficiência térmica ela vai se perdendo, a consequência são milhões de investimento perdido. Câmara de conservação de alimentos, câmara de conservação de proteína animal, ou seja, esses painéis foram testados e a origem deles vem desse ambiente milimetricamente de exigência de eficiência. Então imagina pegar um painel desse e colocar na construção civil.
E aí eu vou te trazer uma provocação agora, nesse sentido de quando você tem essa solução em uma câmara fria, você geralmente está fornecendo a solução completa. Quando você traz isso para a construção civil, muitas vezes você precisa adaptar ele para uma outra realidade, muitas vezes até para uma construção híbrida, onde eu posso ter ali de repente o concreto, o aço, E nesse sentido existe um desafio muito grande no mercado que é essas juntas, essa interface de dilatação.
Foi aí, Paulo, que assim, aí foi quando eu falei: "Gente, como é que a gente faz uma transição de toda essa tecnologia que nós já dominamos na refrigeração, todos esses elementos de vedação, de acabamento, "Como é que a gente transiciona isso agora para a construção civil, que tem um outro apelo?" Foi aí que eu fui buscar gente para poder me ajudar. O que eu tenho que fazer para a gente poder adaptar o máximo possível, usar toda a nossa tecnologia que nós temos para poder aproximar desse mercado, dessa demanda? Então, a resposta que você está procurando é um desafio para a indústria, Paulo, eu tenho que reconhecer. Porque nós não temos condições de trabalhar o pequeno consumidor com a necessidade que ele tem de atenção e de solução. Então, assim, eu não vejo outro caminho senão desenvolvermos realmente uma grande rede de pequenos empreendedores, de pequenas empresas que peguem esse produto, que está comprovadamente testado e homologado e validado, e transforme ele com elementos que se complementam, adesivados na face do nosso painel. Esse produtor, esse empreendedor, ele vai colocar o sistema embutido de elétrica, de hidráulica, para que ele possa lá na ponta oferecer, sim, para uma residência, para um consultório clínico, para uma clínica de odontologia, para diversas aplicações. Porque na indústria a gente tem muita dificuldade de trabalhar essa personalização pela necessidade de escalabilidade que a gente tem. Então, aí eu trago o arquiteto para começar a nos ajudar a como é que a gente transiciona isso para a nossa mentalidade vir para esse lado. Então, a nossa posição aqui dentro dessa feira, da Expo Offsite, desse setor, é porque a gente quer. Estar, que a gente quer ser um parceiro de soluções. E encontrar a forma de ser esse parceiro, porque nós não temos respostas definitivas e não temos uma solução que é uma bala de prata. Nós temos uma indústria que tem capacidade para atender uma demanda enorme desse déficit de construção do Brasil, mas precisamos criar caminhos para que esse material escoe e chegue nesse segmento que tem tanta demanda, tanta necessidade por solução, E nosso produto, ele está pronto. A indústria está instalada, ela está pronta, ela é tecnológica, ela foi validada. Só precisamos agora migrar toda essa tecnologia de uma forma que se encaixe com essa necessidade do off-site, da construção industrializada. Esse, na verdade, é um grande desafio.
Ô Gonzaga, e quando a gente vai para esse ponto que você está trazendo, quando você traz pequenos players, você tem a indústria para fornecer as soluções que de repente eles desenvolverem ali junto com vocês. A gente tem ali, por exemplo, essa parte de materiais complementares como elétrica, hidráulica. Qual que é o desafio para trazer esse tipo de solução já com essas soluções plug and play?
Hoje existem equipamentos que são preparados para esse tipo de adaptação.
Mas ele sai da indústria já pronto?
Não, não, você precisa tirar da indústria, levar para um outro ambiente e neste ambiente você retrabalhar o produto. Porque hoje o desafio qual é? Você pode pegar muito bem um painel SIP desse em PIR e você pode aplicar uma placa cimentícia sobre ele. Você pode já implementar a passagem dos tubos de elétrica.
Ah, que legal! Então você cria uma estrutura auxiliar fora da minha indústria. Que legal!
Mas o desafio nosso está em desenvolver esse grupo de parceiros—
Essa mentalidade.
Exato. Existe uma provocação que o professor Gilberto de Thiele faz, que são a criação de hubs para colocar esses pequenos empresários, empreendedores, para que façam esse trabalho, a gente comece a estimular. Algo que está muito na minha cabeça, algo que estou estimulando muito o nosso presidente para que a gente possa olhar para isso, porque, se nós não começarmos a fazer movimentos agora, Nós não teremos certamente esse produto totalmente contribuindo da forma como eu entendo que pode contribuir. Porque imagina só, Paulo, hoje só esse mercado de SIP em peer, nós temos aí 19 linhas no mercado.
19?
19. Eu tenho 3. Existem 19 linhas nesse mercado. Alguns estudos, que não são muito precisos, mas alguns estudos mostram que essas linhas, somando todas elas, elas têm 50% de ociosidade.
50%? Então a gente tem uma oportunidade absurda.
Absurda. Evidentemente que tem indústrias que têm uma ocupação maior, nós temos uma ocupação maior do que isso, mas quando você soma tudo e faz a conta do que o Brasil consome dentro desse produto, é uma ociosidade Na faixa de 50%.
Gonzaga, nessa medida, você que circula pelo Brasil inteiro, qual seria uma medida para a gente tentar de alguma forma trabalhar, tentar usar essa parte da indústria que está ociosa para fomentar parceiros locais em regiões do Brasil, para a gente tentar de alguma forma minimizar esse déficit habitacional que o país vive? Porque a gente tem uma questão de custo.
Investimento.
Investimento, sim.
Mas, além do investimento, eu acho que tem que... Eu acho que esse mercado precisa se organizar. A tentativa, todo esse esforço que a Expo offset faz, a ideia do lançamento da ABICOM, que foi uma forma que encontraram de congregar esses diversos players, que estão de forma honrosa lutando e batalhando, cada um no seu esforço, muitas vezes até isolado, cada um fazendo um esforço de transformar a construção, eu acho que falta darmos um passo em criar um grande bloco mais forte, mais compactado, e definir realmente planos de ação. Sabe? Porque se nós não nos juntarmos todos, eu digo até a própria indústria do peer, os meus concorrentes, todo esse setor precisa sentar numa mesa e organizar ações. Porque eu acredito que com baixo nível de investimento, mas investimentos direcionados e organizados, alinhado aí com até órgãos governamentais, para que isso seja uma pauta realmente oficial, sabe? O esforço da Expo, o esforço da Bicom e outras feiras que estão nascendo, outras associações que estão falando, eu vejo isso está muito fragmentado, Paulo, sabe? Está muita gente falando, mas eu não vejo isso compactado, isso se encontrando num único, na única pauta, numa única mesa para definir. Eu vejo ações isoladas.
É o que a gente precisa começar a olhar essas outras empresas, a gente precisa olhar... Eu falo muito de união, que a gente só consegue transformar algo quando a gente, de fato, se une. Porque quando eu estou olhando muito para o meu e: "Ah, não, eu não vou ceder aqui." Porque para a gente transformar algo, a gente precisa investir tempo, precisa ceder. E eu acredito que é com união que a gente fortalece um setor para aí sim começar esse processo de transformação. E agora eu tô conversando com você como indústria. E o que que eu vou propor para você, Gonzaga, vai ficar gravado aqui para quem tá assistindo pelas plataformas de áudio e ouvindo nas plataformas, ou melhor, quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio e assistindo pelas plataformas de vídeo. Eu quero continuar essa discussão com você onde eu vou trazer construtores e pessoas pequenos, que estão acostumados a utilizar outros sistemas construtivos, para começarmos a plantar, mostrar outras formas de construção.
Porque ninguém é dono da verdade, concorda, Paulo? Eu acho que tem muita gente boa, com boa vontade, com interesse de fazer transformações, mas eu vejo que, enquanto não houver realmente um movimento compactado, todo mundo junto num bloco.
Por um único objetivo.
Ninguém é dono da verdade, cada um tem uma verdade, e eu acho que todas as verdades vão nos levar a um desfecho favorável pra esse problema que nós estamos tentando resolver. Mas eu acho que é todo mundo junto, não é a MBP sozinha, não é a Expo sozinha, não é a Bicom sozinha, não é a Rambi, mas olha quanta gente tá falando e lutando por isso.
É, e a Glória Cardoso de uma indústria de vidros, falou uma coisa que foi bem interessante. Ela falou: "Paulo, está muito legal. A gente estava com um grupo de arquitetos e eu aprendi com cada um aqui, porque na minha área eu tenho certeza de que contribuí com eles. Como eram arquitetos de diferentes atuações, cada um aprendeu com o outro. Então eu entendi que você, na sua área, pode muito contribuir com o outro e o contrário, e é assim". A gente junta tudo isso em pacota, a gente consegue criar uma solução que, de fato, vai resolver algum problema que a gente vê.
Por isso que eu te digo, a MBP decidiu estar nesse evento, e é a terceira vez consecutiva que nós estamos aqui. Eu vou te dizer, até não tivemos grandes resultados do ponto de vista da nossa venda em função desse evento, mas o projeto, Nos instiga. O futuro, para onde isso está apontando, nos interessa. E a gente não vê uma outra forma de transformar a construção se não for por esse caminho.
Sim, e você está junto, Gonzaga. Você, como indústria, MDP e Isobloc, é muito bacana porque vocês estão participando. Inclusive, eu faço questão, eu vou levar vocês agora no final do ano para Brasília, para o Encontro dos Mestres de Obra de Brasília, onde tem construtores, mestres, empreiteiros. Depois a gente vai ter um outro grande evento em Goiânia, porque o que está acontecendo é que essas pessoas não têm acesso. Eles não têm acesso a sistemas construtivos, soluções construtivas inovadoras, porque são eles que vivem o dia a dia. E a partir do momento que eles têm acesso, que eles conhecem, porque assim, quem conhece, ou seja, conhecimento é poder. Então, eles influenciam construtores, investidores. Isso liberta. Liberta.
Eu achei interessante, Paulo, porque assim, hoje eu não fiquei o dia inteiro aqui, mas ontem eu passei o dia no stand, hoje recebi algumas pessoas, e curiosamente, uma pergunta que foi repetida: "O que é o off-site?" Então, as pessoas estão vindo num evento de off-site, nós estamos falando de off-site, Está todo mundo falando, mas as pessoas não entenderam ainda o que está por trás dessa abordagem, desse tema, o que realmente quer dizer o off-site. Então, entendo que quanto mais falarmos, quanto mais explicarmos— Ontem mesmo eu dizia ali para o Gilberto, para o próprio Marcos, que é o organizador do evento: "Gente, ninguém é dono da verdade". A MBP não é a solução para esse mercado, ela é uma solução para esse mercado. Mas existem outras soluções para esse mercado, existem outras formas de fazer. Seria uma pretensão, seria um verdadeiro absurdo da minha parte vir aqui e dizer o seguinte: "Ah, o meu produto é o produto que resolve o problema." Não, eu só vim trazer aqui dizer o seguinte: a indústria de peer, a indústria do SIP em peer, Ela está pronta para entregar em larga escala. E quando eu começo a olhar para os movimentos que estão acontecendo, Paulo, eu vou dizer que eu considero que essa capacidade instalada desses painéis em pé deve dobrar em 10 anos.
10 anos?
É, porque tem muita gente com olhar para essa oportunidade, porque o Brasil ainda é incipiente no consumo de produtos termoisolantes. Vamos ser sinceros, boa parte das coberturas no Brasil ainda são feitas sem qualquer isolamento termoacústico, cara. Existem inúmeras coberturas no Brasil que são feitas sem qualquer tipo de isolamento térmico. A gente não aparecia, não sei se já está aparecendo no ranking mundial de consumo per capita de termoisolante no mundo. A gente não aparecia, a gente não rankeava. Então assim, o Brasil tem muito ainda para crescer. No que diz respeito à eficiência térmica, à eficiência energética das construções. A gente tem muito ainda para crescer. Então eu entendo que sim, esse mercado dos painéis shipping peer, eu não sou dono da verdade, mas olhando os movimentos que estão acontecendo, esse mercado em 10 anos deve dobrar de capacidade.
Eu vou aproveitar essa deixa que você trouxe agora. Você acredita que É por falta de conhecimento que as guias—
Pecado ser disso.
É que a gente está vivendo essa— Imagina você, esses telhados que você não tem nenhuma dupla camada.
Não tem. A maioria não tem.
Eu fui participar de um evento lá em Goiás e eu fiquei assim abismado, porque um evento muito importante, tinha aproximadamente ali acho que 1.100 pessoas. Começou a chover, ninguém ouvia mais nada.
Porque era uma telha simples, certamente, de aço.
Isso. E no dia seguinte, eram 2 dias de evento, e no dia seguinte, sol. Aí você começa 2 problemas. Um foi o barulho e no dia seguinte o calor. Exato. Então, Gonzaga, você acredita que é falta de conhecimento que a gente está vivendo esse problema? De por que que eu sou, ah, eu vou fazer uma cobertura tão grande, de uma com a grandiosidade daquela, que vai ter uma utilidade muito grande, mas eu não me atentei a isso, não investi nisso? Ou será que é porque alguém está só querendo me vender e não investe em me apresentar uma solução que vai me ajudar a médio e longo prazo?
Paulo, eu acho que tem uma mistura de tudo aí. Se você pegar os grandes galpões de grandes panos da água, hoje não, já há muitos anos sendo construído com telhas ripadas, que são as telhas contínuas, sem emenda, que são perfiladas em campo, parte dessas obras utilizam a camada ainda de um face felt, de lã de vidro ou de lã de rocha, parte dessas obras. Outra parte não utiliza. E a desculpa e a explicação é porque: "Ah, mas a aplicação a que se destina não tem necessidade desse tipo de conforto térmico". Eu não consigo te dar essa resposta de forma eficaz. Eu só tenho uma percepção que num país tropical como nós vivemos, que vive essas variações térmicas ao longo de um dia.
Ao longo de um dia.
Ao longo de um dia. Você acha que nós não estamos atrasados em relação a isso? Eu considero que sim. É muito comum você entrar, hora ou outra, em algum local que você entra, você não Você não consegue ficar debaixo pelo desconforto que você sente. Então você vê, é uma questão de mentalidade, porque acha caro, porque acha que aquilo não tem necessidade.
Ou às vezes é briga de preço, é um fornecedor que te vende.
É uma questão de custo.
Sim.
É uma questão de custo. Então, só que quando você parte para fazer uma conta de investimento desse, a conta tem que ser feita olhando para o ROI daquele negócio. É o custo total da propriedade. Então você tem que olhar numa outra ótica, que eu entendo que na maioria dos investimentos essa conta não está na pauta. E a gente vê essa disparidade entre uma quantidade de coberturas que não tem nenhum tratamento térmico com as áreas que tratam dessa forma.
Gonzaga, e uma última pergunta— Não, na verdade não pergunta, eu vou deixar agora você à vontade para dizer algo que eu deixei de perguntar e que você considera importante para ajudar a nossa audiência com uma informação primordial do mestre Gonzaga.
Olha que pergunta! Rapaz, eu acho que uma pergunta que possivelmente você pudesse ter feito é se a gente acredita nessa transformação efetivamente. E eu gostaria de dizer, deixar registrado, que a gente acredita nessa transformação. Porque a gente que vive com esse mundo dos termos rolantes, a gente aprendeu a entender o quanto isso é benéfico para as construções. E o brasileiro precisa entender isso. Então conhecimento, informação, como você diz, e o teu trabalho é isso, né? Você é uma pessoa que está, o teu grande valor é levar informação. De uma forma descontraída, leve, mas que quem está lá do outro lado possa entender. Então, eu entendo que se fosse colocar dessa forma, a gente acredita nisso, a gente está gastando energia e está gastando tempo nisso porque estamos olhando para frente, para o futuro.
E eu não te fiz essa pergunta porque o próprio movimento que vocês estão fazendo enquanto MBP Isoblock já é uma prova que vocês acreditam. E eu acredito também que as pessoas fazem negócio com pessoas. Agora uma pergunta muito pessoal para o Gonzaga, que está à frente de um grupo muito grande, que tem um poder muito grande de transformar um setor. O que o Gonzaga pretende para o futuro? Quem é o Gonzaga do futuro para transformar, para colaborar com a construção? Você é pai, Seus filhos crescem, depois você vira avô. Então, como que você vê o futuro da construção enquanto Gonzaga, pessoa física?
Paulo, o que que eu vou te dizer? Quando eu comecei a olhar para esse, eu estou na construção desde sempre, mas a minha origem foi na construção metálica. Você viu aqui a cobertura do Arena? Você viu a cobertura do Fábio aqui?
Sim.
Eu vi aquela telha antes do Fábio ter aquelas máquinas. Eu trabalhei na empresa que lançou aquelas telhas. Meu pai foi soldador dessas telhas de aço há 45 anos atrás. Então eu vi nascendo lá, desde muito pequeno, o conceito de industrialização. Essas telhas, qual era o grande apelo? É você ter grandes vãos, eliminar estrutura metálica. Mas naquela época, estrutura eram estruturas pesadas.
Pesadas.
Parrudas. Estruturas que tinham uma esbelteza absurda. Eram estruturas muito carregadas. Hoje, a evolução foi vindo, foi vindo, as estruturas foram ficando mais esbeltas, mais leves, mais eficazes, mais eficientes a vão. Aí as telhas foram mudando. Depois do movimento dos caleatões, começou a vir o quê, Paulo? As estruturas leves e a cobertura zipada. Que aí começaram a trabalhar estruturas muito esbeltas, com panos longos, 100 metros, 120 metros, com uma única telha. E eu me recordo o quanto foi difícil o mercado aceitar a transição das coberturas autoportantes para as coberturas leves. Paulo, eu calculo que a telha zipada, até ela se estabelecer, foram 15 anos de muita insistência até o mercado incorporar. E hoje é uma solução altamente utilizada. Então, o Luiz Gonzaga está olhando para o quê? Quando eu comecei a ver esse movimento, eu fui fazer um curso de de off-site. Primeira coisa que eu quis entender o que era isso. O que é isso que estão falando? Eu quero aprender nisso. E pode ser que hoje a MBP, pode ser que recebam uma grande influência por essa minha, por esse meu interesse nesse setor, porque eu estou olhando para um futuro que daqui a pouco vai influenciar nas nossas operações.
E eu estou na torcida, Gonzaga. Eu estou na torcida. Esse foi mais um episódio do ConstruCast. Eu sempre falo, que conhecimento também se constrói. O Gonzaga deu uma aula. Para você que tem interesse e quer, como nós, transformar a construção civil, vem fazer parte do maior ecossistema, da maior comunidade de conhecimento para a construção civil. Vem para a Hub e Construção.
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