Por que as Obras Estão Lentas? O Painel que Revelou a Verdade Sobre o Setor

Neste painel gravado em 21 de maio de 2026, Paulo Barros, diretor da Hub Construção, reúne representantes de diferentes elos da cadeia da construção civil – a arquiteta Jovita (Espaço Novo Arquitetura), o diretor da construtora RFM Edson Cater, o diretor da FATEC São Paulo Josué Góes, o empreendedor Matheus (fundador da Plasticor) e outros – para discutir as causas da lentidão nas obras e propor caminhos para acelerar o processo. O moderador enfatiza que a fragmentação entre especificadores, construtores e academia impede a inovação; a solução passa por "união" e colaboração contínua. A Hub Construção apresenta seu ecossistema (ConstruCast, Hub Pro) como plataforma de conteúdo e networking que visa conectar esses atores. Jovita descreve a complexa equação de especificação (localização, prazo, custo, performance, estética) e a necessidade de suporte técnico dos fornecedores, apontando ainda a falta de apoio para materiais de comunicação visual. Edson Cater traz a perspectiva da construtora, destacando a resistência inicial a sistemas como drywall e light‑steel‑frame, a escassez de mão‑de‑obra qualificada e a necessidade de construção off‑site. Matheus relata a criação da Plasticor para desburocratizar o acesso a plásticos de performance, evidenciando gargalos na cadeia de suprimentos. Josué Góes discute a "neo‑industrialização" do Brasil, a disponibilidade de recursos de P&D, a carência de projetos e pesquisadores, e a necessidade de parcerias entre academia, centros tecnológicos e a indústria. O painel conclui que acelerar obras requer especificação precoce, documentação técnica robusta, integração de sistemas de materiais, apoio acadêmico e plataformas digitais que facilitem a troca de informação.
Chapters
Eu sempre acreditei que a gente só vai transformar a construção civil se a gente utilizar a palavra união. Eu circulo muito na indústria, na indústria como um todo da construção civil, visito as principais obras do Brasil e algumas fora, e eu percebo que tá cada um olhando para o próprio pé.
ConstruiCash, arquitetura, engenharia, construção.
Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. A gente precisa entender que a gente está vivendo um desafio, que precisamos acelerar o processo de obra. Está cada um falando: "Eu preciso entregar essa obra no menor tempo possível." Mas se eu não trabalhar junto com o especificador, junto com o construtor, e principalmente para essa roda que eu trouxe aqui hoje, eu também trouxe uma pessoa muito importante, que é o Josué, da FATEC São Paulo? Porque se a indústria precisa formar profissional, se a construtora precisa de profissional, por que não trazer um parceiro estratégico? Enquanto ele está estudando, ele também pode estar trabalhando tanto na indústria quanto na construtora. Só me apresentar rapidinho, eu sou diretor da Hub Construção. O que é Hub hoje? Está todo mundo olhando para a rede social, eu atuei na PIN, atuei na Galeria da Arquitetura. Sou um dos fundadores da parte audiovisual. Se tornou o maior acervo de arquitetura. Nesse projeto, acabei me conectando com os principais especificadores do setor, inclusive com a Jo. Conheci ela lá na época da Galeria da Arquitetura, em 2013. E, de lá para cá, venho fazendo um trabalho de unir, não falar com o especificador, mas também falar com o construtor, E também como meio acadêmico para poder levar mais eficiência para a construção como um todo. Foi aí que nasceu a Hub Construção, que a gente gera conteúdo para ajudar não só os estudantes de engenharia, de arquitetura, da construção como um todo, mas também ajudar aqueles profissionais que estão buscando materiais. Nesse ecossistema tem o ConstruCast, que hoje é o maior canal em credibilidade. A gente está olhando muito para a qualidade do conteúdo, tudo e não para quantidade. A quantidade faz parte, óbvio, mas a qualidade está em primeiro plano. E tem também o Hub Pro, onde a gente faz encontros como esse para fazer visita em fábricas, em obras, enfim. Então esse é um pouquinho do nosso ecossistema. Agora eu queria mais uma vez agradecer, pela primeira vez eu tô tendo oportunidade de trazer o papel em branco, que é o especificador. Jovita, vem cá, só te apresentar um pouquinho. A Jovita é arquiteta, participa de grandes projetos, e é importante que vocês, enquanto indústria, tenham acesso a ela para a gente ter cada vez mais uma especificação mais eficiente, ter uma troca muito mais, enfim, ter o que eu chamo de união. Jovita, com você a palavra.
Bem, boa tarde para todo mundo. É um prazer enorme estar aqui com vocês, poder participar desse evento que é muito lindo, né? Eu sou arquiteta, tenho um escritório de arquitetura, trabalho muito na área de varejo, e o meu escritório ele faz desde a edificação, a parte de interiores e a comunicação visual também. Então é uma parte interessante aqui.
Então só apresentar rapidinho aqui o Edson Cater já para a gente. Edson, o Edson ele está como diretor da construtora RFM. Ele é uma pessoa muito modesta, mas é uma pessoa que eu tenho a sorte de ter como amigo e participou aí de grandes projetos. Enfim, Cater, rapidinho, um pitch rápido aí para a gente.
Eu estou muito focado, 42 anos aí na na área, mas ultimamente muito focado inclusive, por coincidência, no alto e altíssimo padrão, né, que é um meio que por outro lado é desafiador, né, porque sempre tem um pouco mais da resistência das novidades do que a parte mais industrializada. Mas vamos lá, vamos contribuir aqui, bater um papo com vocês para ver como é que a gente conecta esses 3 assuntos que o Paulo tá querendo.
Tenho certeza que vai ser um baita painel. Agora, Jusué Góes, diretor da FATEC, está aqui também para falar um pouquinho dessa conexão do meio acadêmico com a indústria da construção como um todo.
Boa tarde a todos. Eu sou o mais teimoso aqui, né, que é o professor que continua aqui. Está todo mundo na outra ponta, né? Então a gente tem que pegar o pessoal que está chegando com conhecimento, com muita curiosidade, mas com pouco conhecimento, e transformá-los todos esses alunos que nos chegam em profissionais qualificados para atender a indústria, atender, enfim, a todos, atender a sociedade. Então eu sou professor há 23 anos e tenho aí um desafio enorme que é juntar essas pontas com a parte que me cabe, que é oferecer academia para todos vocês. No desenvolvimento de projetos e produtos. Enfim, aceitamos desafios. Daqui a pouco a gente conversa.
Esse foi só um esquenta. Agora vamos lá, Matheus, com você.
Legal, pessoal, antes da gente começar, acho que 95% das pessoas que estão aqui a gente já se conhece, já tem negócios em comum ou já tivemos negócio no passado, mas talvez nem todo mundo conheça de onde eu vim e assim como eu vim parar nesse segmento de de comunicação visual, indústria de construção civil. E acho que é legal me apresentar. Eu comecei a trabalhar com 14 anos, vim de uma família muito simples, e acho que uma das coisas que eu sempre quis na vida foi ter curiosidade, buscar conhecimento, e graças a Deus, ao longo desse caminho, encontrei pessoas que me deram oportunidade. E as boas oportunidades que eu tive, eu abracei. Então, pô, comecei a trabalhar, Na Petland, que era uma rede americana de franquias que a gente trouxe. Posso falar que trouxe, né, Paulo? Paulo tá aqui com a gente, foi meu primeiro chefe com 14 anos, ele tá no fundo, vai apresentar daqui a pouco. Eu participei dessa tropicalização, a gente trouxe uma rede de franquias americana pro Brasil com o objetivo de fazer com que fosse um negócio de conveniência. Na época, pet era um mercado ainda muito fragmentado, muito amador, ninguém dava muita atenção, e hoje a gente vê que é um dos mercados com a melhor economia Tá todo mundo olhando e eu tive uma experiência bem legal lá. Então, eu passei 6 anos e meio por uma— fazendo praticamente tudo. Comecei em sistema, depois eu fui implantação de loja, depois eu fui tocar a área comercial e meu último desafio foi criar um centro de distribuição exclusiva para abastecer as 130 lojas que a gente abriu ao longo desse tempo. Depois, eu fui para a Pet Love, que hoje é uma empresa que vem num crescimento e numa transformação de mercado para ir para um movimento para sair do e-commerce tradicional para se transformar num ecossistema. Então fui para esse negócio para participar dessa transformação, para sair de um e-commerce convencional. E era uma empresa que teve uma escala muito rápida, teve passagens por alguns fundos de private equity. Na época, em 2 anos entraram 6 fundos de uma vez. A gente teve um crescimento muito acelerado. E aí começou o meu contato em si com tecnologia. Depois eu fui tocar novos canais na Privalia, que é um modelo de negócio também digital, mas que não tem nada a ver com o segmento que eu atuei. Mas basicamente a gente estava abrindo uma nova vertical, que era a vertical de animais de companhia dentro de uma empresa de moda. Acabei ficando pouco tempo lá e fui para um novo negócio que era uma indústria. Então virei sócio numa empresa que fazia mobiliário em alto padrão em acrílico. Cheguei lá quando a empresa era um negócio artesanal. A empresa estava passando por um crescimento acelerado e precisou de uma reestruturação. E fui eu quem encabecei essa reestruturação de transformar uma empresa familiar numa indústria para crescer em escala. Hoje a empresa ela já tá mais organizada, tem, se eu não me engano, saímos de 13 funcionários para 150, passamos por uma reestruturação, hoje a empresa conta com mais ou menos uns 90 funcionários e é a maior empresa de mobiliário de alto padrão em acrílico do país. E foi lá onde começou o meu primeiro contato com o material, porque eu tocava a área comercial e a parte de compras, então eu comecei a entender que a cadeia ela tinha umas algumas dificuldades. Eu, como comprador, vi algumas empresas consolidarem a importação e a distribuição desses materiais no Brasil. Tava começando um movimento da China começar a entrar no Brasil, então algumas fábricas locais começaram a desabastecer e o mercado transicionou de nacional para importado. E eu vi que o mercado de distribuição, ele precisava de muita organização. A indústria hoje é consolidada, só que as revendas não fazem um trabalho de distribuição assertiva e, por si só, acaba ficando um pouco sem conexão. Então o cliente que precisa do material, ele tem dificuldade de encontrar, a indústria começa a furar a cadeia para conseguir chegar e fazer um trabalho muito bem feito na ponta, e o mercado acaba ficando lento e burocrático. Então foi onde nasceu a Plasticor. Então a Plasticor, ela nasceu para basicamente desburocratizar o acesso aos plásticos de performance e a gente conseguir fazer com que o canal ele tenha muito mais velocidade.
Beleza?
Falou!
Jo Vita é arquiteta, diretora do Espaço Novo Arquitetura. Edson Cater, diretor de engenharia da construtora RFM. Josué Góes, diretor da FATEC São Paulo. E eu, Paulo Barros, diretor da Hub Construção. Jo, por favor, vamos ficar de pé para ficar mais próximo das pessoas. Vamos lá entender Como nasce a especificação do projeto aí quando você recebe um papel em branco? Quais são as dificuldades que você tem nesse processo de especificação?
Bem, quando a gente começa um projeto, e esse projeto que eu estou falando, esse processo, porque a gente está falando também de materiais de comunicação visual, que o meu escritório também trabalha, esse processo tanto ele serve quando estou fazendo um prédio, estou fazendo interiores, estou fazendo um móvel, estou fazendo uma placa, Esse processo é basicamente o mesmo, né? O que ele muda é a escala. Então, assim, quando a gente vai especificar, eu tenho uma equação muito grande, né? Eu tenho que pensar na localização que eu estou fazendo isso, né? Porque o Brasil é grande, então a gente tem uma questão de localizações de, por exemplo, às vezes uma especificação ela funciona muito bem em São Paulo, mas no Nordeste do Brasil eu não tenho mão de obra para aplicar. Já tive esse tipo de problema. Eu tenho que pensar no tempo da minha obra, e isso é fundamental, porque uma obra que tem que ser rápida, eu preciso colocar algum tipo de material que me ajude nessa construção. Uma obra que tem um tempo mais longo seria outra, poderia ser outra especificação. Eu tenho também que pensar em custos, evidentemente. Tenho que pensar na performance do produto, porque cada o uso que eu tenho daquele espaço. Dando um exemplo, eu trabalho com muito, faço muito supermercado. Então, eu tenho um alto tráfego, eu tenho um produto que se desgasta muito, eu tenho uma manutenção muito grande. Então, todas essas, o uso do espaço, ele também faz muito parte dessa minha equação. E, por mais que o pessoal ache que arquiteto vai só na beleza, por último, a gente vai pensar na atmosfera que eu quero dar para aquele espaço. Não por último porque ele é o menos importante, mas eu tenho toda uma equação que eu preciso resolver e que não é só "ah, ele é bonitinho e me serve". Eu tenho que pensar em todas essas questões. E o que acontece? Os produtos que chegam para o arquiteto, eu preciso entendê-los muito bem. Eu preciso saber como eles performam, eu preciso ter laudos técnicos, eu preciso entender como é que ele é aplicado, Quanto tempo demora para ele, se ele atende a minha especificação, por exemplo, de alto tráfego. Então, o que acontece? A relação minha com o fornecedor é muito grande e é muito importante, porque é daí que eu vou tirar, por exemplo, chegar um material novo para mim, eu tenho que entender o que esse material vai me oferecer, em termos principalmente de performance. Por isso que eu, ah, mas você tem laudos técnicos, você faz um protótipo para mim? Eu tenho que aplicar na obra para ver como isso vai acontecer. Então, eu acho que essa, como o Paulo falou, essa ligação do arquiteto com o fornecedor é a coisa mais importante para eu especificar bem. Então, por exemplo, isso é uma coisa que cada vez cresce mais. Quando eu me formei, há 40 anos atrás, Eu me formei muito jovem, era ainda uma criança. Meu pai teve que autorizar, eu era de menor. E o que aconteceu? Eu tinha uma limitação muito grande de produtos. Eu não tinha essa gama de produtos que eu tenho aqui. Então, era muito mais fácil eu entender como o produto acontecia. Eu já sabia, porque eu já tinha sido muito usada. Hoje aparece um leque absurdo de produtos, absurdo, no bom sentido, né, onde eu não tenho conhecimento. A verdade é essa, eu não consigo conhecer todos esses materiais, né. Eu preciso, quando eu me interesso por um material, o que que eu preciso? Que alguém técnico da indústria chegue no meu escritório e a gente discuta e possa entender esse material. Então acho que esse é um ponto muito importante na especificação, nessa questão da dessa conexão com arquiteto.
Já quer que eu faça uma pergunta agora?
Claro!
Você estava esperando. Agora que a gente tem bastante gente também do mercado de comunicação visual, eu queria perguntar com muita sinceridade para você: existe uma proximidade grande de você enquanto escritório de arquitetura com a indústria, te direcionando nesse processo de especificação técnica? Tendo em vista que a gente vive os desafios de ter obras cada vez mais rápidas e nem sempre, por exemplo, o ACM é a melhor solução para você usar naquela fachada inteira, você pode fazer composições de materiais, você tem esse auxílio da indústria?
Olha, no setor de comunicação visual é o que eu tenho menos auxílio, a verdade é essa. A indústria do material de construção ela me fornece muito mais profissionais, que na maioria das vezes são arquitetos também, que vão no meu escritório, apresentam produto, trazem novidades, nem sempre eu vou atrás deles, eles me trazem novidades. E os materiais de comunicação visual são os que a gente acaba especificando mais na busca pela internet e nem sempre a gente tem um conhecimento mais profundo. E daí o que acontece? A gente fica com medo de especificar uma coisa nova exatamente porque ninguém quer ser cobaia e, de repente, material que não se adequa. Então, essa dificuldade, quando a gente está projetando comunicação visual, eu tenho, dessa proximidade maior com a indústria, inclusive para novos materiais, porque a gente acaba repetindo muitas soluções, quando você não tem conhecimento do material.
É importante, porque geralmente a indústria tem também muitas soluções, mas nem sempre essas soluções Chegam de forma eficiente para o especificador. Agora eu queria abrir uma pergunta, aproveitar antes de passar para os outros, depois a gente abre mais algumas perguntas. Quem gostaria de fazer uma pergunta agora para a Juvita?
Olá, Juvita, sou o Roberto da Aeon Laser e da Hallmark, que são plásticos especiais para comunicação visual.
Como nos tornar visíveis para você ou para o teu mercado?
Qual é a melhor forma? Feira, precisa de introdução formal, que tipo de, como entrar em contato com você?
A melhor forma que eu acho é você, claro, conhecendo os escritórios de arquitetura que trabalham com comunicação, entrar em contato com a gente. Porque às vezes eu conheço, a feira acontece muito, né, mas o que é mais importante, depois da feira o especificador vir, o especificador, até o técnico vir falar comigo no escritório. Mas é assim, eu não sei como você— É muito fácil saber quais são os escritórios que, na verdade, estão atuando mais nessa área, mas é muito mais o contato no dia a dia ali que você vai— Porque os escritórios, a equipe fica muito— Quando chega alguém trazendo materiais novos, a equipe fica no auge da alegria, porque daí normalmente fazem apresentações para a equipe inteira. Então, é um material que acaba começando a ser utilizado naturalmente.
E só complementando, quando vocês quiserem ter acesso a especificador via ecossistema Hub Construção, a gente facilita esse acesso para vocês. Próxima pergunta.
Oi, Jovita, Marcelo da Cristal e Cores.
Qual que é o grau de liberdade você como arquiteta tem para criar numa obra que recebe, você recebe um projeto e aí você já tem lá uns padrões que já são definidos antes de chegar na tua mão, você tem esse poder Que assim, o quanto que essa informação nova que chega até você chega no cliente?
Eu tenho bastante poder porque o cliente, na verdade, quando, por exemplo, eu tenho o meu escritório, tem clientes assim 10 anos, 15 anos com a gente, porque quando o cliente confia em você, ele realmente te ouve, né? É muito difícil um cliente que se ele procura o meu escritório que ele não tá confiando no meu trabalho e que não aceite É difícil um cliente que não aceite uma inovação. Claro, eu tenho que provar para ele que custo-benefício, todos os benefícios daquela inovação. Mas normalmente o cliente dá liberdade para o arquiteto. O cliente que busca um arquiteto é porque ele quer novidade, ele quer uma coisa diferente.
Obrigado, obrigado, Marcelo. E depois o Edson Cater vai complementar isso aí para ver se o construtor, se ele assume a bucha de trocar a especificação do arquiteto até.
Isso é um ponto muito importante. Por exemplo, o similar, o famoso similar. Nos meus projetos não tem similar. O que eu especifiquei é porque eu acho que aquele produto é o ideal para aquilo. Então, quando vem para obra, às vezes, não que a gente é dono da verdade, evidentemente, mas o conhecimento do material me faz dizer: "Olha, não tem similar". Claro que tem algumas situações, evidentemente, que tem similar, e a obra às vezes traz para a gente o similar, e daí vem a nossa conversa. Mas me dá então aí qual é a performance desse material, como é, onde já foi aplicado, que a gente evidentemente pode até substituir. Mas, em teoria, nos projetos eu não ponho nem a palavra "ou similar", não existe.
Edson Kater, com você.
Vamos lá. Bom, esse assunto dava para falar uma tarde inteira aí, mas 10, 15 minutos, mas faz todo sentido. Eu queria colocar assim, se vocês, eu acho que é a primeira vez que eu tô falando para um pessoal que não é exatamente do meu meio diretamente, mas tudo nasce lá e você que constrói.
Exato.
Mas entrando nessa linha dos materiais, né, quando a gente fala em materiais novos, a gente fala de sistemas, né. Eu vou lembrar para vocês, eu com 40 anos lá, 42, Vocês vão lembrar quando surgiu o drywall, a parede oca, né, que houve uma resistência gigante porque ninguém acreditava naquele sistema. E ela justamente quase caiu em dúvida porque ela entrou do jeito errado. Então começaram a fazer drywall do jeito errado, o mercado reagiu muito mal e a velocidade era muito lenta. Hoje as coisas estão vindo muito rápido. Eu como construtor, a gente não tem um papel, apesar de ser fundamentalmente um prestador de serviço, O que o cliente contratante espera da gente é exatamente esse conhecimento técnico para poder fazer um pouco desse debate. Eu participei não há muito tempo, eu cuidei da construção, vocês conhecem o empreendimento Cidade Matarazzo ali na Bela Vista, aquela Torre Mata Atlântica que vocês conhecem, foi um desafio gigantesco, aliás, foi onde eu te conheci, para a gente conseguir fazer. Hoje o que acontece nos prédios? Se vocês olharem os prédios hoje, não tem mais aquele esquema de parede, janelinha e tal. Hoje você tem Uma estrutura, uma esquadria com vidro e paisagismo. Como fazer isso conversar sem que a gente tenha um problema de desempenho? Ou como encaixar? Vocês pegam aquela fachada, por exemplo, da Cidade Matarazzo, você só vê concreto, vidro, alumínio e planta. Aliás, planta tem até demais, que é outro problema que a gente está tendo hoje no futuro. Então, para encaixar, para fazer aquilo tudo funcionar, não é só uma questão do material, É o sistema que compõe o material. Eu estava comentando com o Paulo, eu estou fazendo agora aquele prédio que vocês devem conhecer também, o que chamam de Art Boulevard, dali da Bencks, na Avenida Europa, do lado do INTRO. Vai ser um outro ícone de arquitetura, parecido com o Cidade Matarazzo, vai chamar muita atenção. Nós estamos apanhando até hoje, eu estou há 2 anos lá, nós estamos há 2 anos lá, e acho que eu vou ter mais 1 ano, e nós ainda não resolvemos uma série de coisas, tanto na fachada que vai ser um sistema de brises bastante inovador, como internamente. Tem paredes dentro assim, vai ter um clube com uma parede de vidro que ele é inclinado nos dois sentidos. A gente ainda não tem o material. Agora, o problema não é o material só, é como fazer o material conversar com o sistema construtivo. Como é que vai segurar? Como é que vai caber? Como é que vai resistir? E acho que esse tem sido o desafio. Nos últimos anos, vocês têm percebido, graças a Deus, Os projetos estão ficando maravilhosos. A gente passou muitas décadas aqui construindo caixotes. Essa que é a verdade. São Paulo e Rio. Você pega a década de 70, 80, 90, começou a melhorar. Hoje, qualquer prédio que você vê que está lançando aí são lindos. Só que aí a pergunta é: como executar? Não tem mais parede. Vocês já notaram que já não tem mais parede? O cara faz estrutura, que é estrutura aparente, não pode nem revestir, botar um cachilho. E como é que você consegue fazer aquilo funcionar sem ter depois o problema da patologia, né, assistência técnica, que depois eu tenho que ficar 5 anos dando assistência técnica. Estamos fazendo também aquele empreendimento lá do Boa Vista Village, da JHSF, são sempre empreendimentos de altíssimo padrão. Eu tô tendo dificuldades enormes. E aí, na questão do material, acho que a gente comentou, talvez até aqui, o desafio enorme da mão de obra, que mais fala hoje em dia, né? Ah, não tem mais mão de obra, não tem mais mão de É um fato irreversível. Você não tem mais aquele pessoal que quer fazer obra molhada, que a gente chama de obra molhada. Tem que ser montagem, é a construção off-site. Eu comecei a fazer isso muito no Rio, na época do Odebrecht, lembra, Paulo? Que a gente tentava fazer tudo fora para poder ganhar tempo no canteiro, né? Não dá tempo no canteiro, os prazos estão menores, as expectativas estão maiores, tem menos recurso, e o desafio para a gente da construtora é fazer isso acontecer. E aí A interação com eles é enorme. Por exemplo, essa obra da Banks, eu estou recebendo vários inputs de coisas que não são executíveis. E depois a Banks, que é a nossa incorporadora que nos contratou, ela nos convida e a gente faz isso. É muito legal. Esse é o lado gostoso também da engenharia, de você ficar testando e tentando fazer caber um material novo. Imagina a quantidade de coisas que vocês podem trazer novas, mas não é simplesmente: "Ah, é um ACM." É uma fachada em light steel frame, tudo lindo e maravilhoso, desde que haja uma engenharia e que a gente tenha segurança que não vai ter uma patologia enorme. Esse advento de fachadas leves, que é chamado de light steel frame, que nos Estados Unidos e Europa se usa há muito tempo, tá há pouco tempo no Brasil. Eu abortei uma solução de light steel frame no empreendimento de predial lá do Boa Vista Village pelo simples fato da gente não estar convencido que aquilo vai dar certo. E era fundamental para ganhar tempo, não era nem custo, era tempo, era fugir do risco do tempo. Eu estava comentando com ele que quando eu fui trabalhar na Odebrecht, na época da Copa e das Olimpíadas, eu tive um desafio de ter que tentar explicar para o alto comitê da Odebrecht por que eu ia gastar mais dinheiro para fazer um prédio em estrutura metálica ao invés de fazer um prédio em concreto. Eu não precisei nem 5 minutos, porque na hora que eu fui começar a falar, o próprio pessoal do comitê falou: "Não precisa dizer, você vai fugir do risco do atraso." Porque as empresas estavam quebrando, mão de obra civil cada vez mais indisponível, e rapidamente, assim, engraçado, quando eu falei que eu ia gastar, vou dar um número para vocês mais ou menos, era um prédio, era um hotel lá na região portuária, ia custar R$60 milhões, e eu tive que mostrar para eles que para fazer em metal, e não em concreto, para poder cumprir o prazo que a Prefeitura do Rio nos deu, ia custar R$3 milhões, R$4 milhões a mais, rapidamente se percebeu que a probabilidade de eu fazer do sistema convencional e custar muito mais do que isso era enorme, porque a chance de eu não cumprir o prazo— você imagina o que é um custo fixo de uma obra, pode chegar a R$1 milhão. Então, a gente apostou na tecnologia. Então, essa questão dos materiais novos é muito bem-vinda, Mas é muito importante que haja essa troca, o apoio do meio acadêmico. Eu acho que é impressionante como a gente está distante ainda do meio acadêmico. Acho que a primeira iniciativa, que faz muito tempo, foi da Encol, não foi? Acho que a Encol, que depois quebrou, ela foi a primeira construtora a fazer um convênio com a Universidade de São Paulo, não lembro o quê, mas eu mal ouço falar de empresas que formam convênio com o meio acadêmico. Acho uma pena enorme, porque eu conheço toda aquela turma da época da própria Setor de Edificações da Universidade de São Paulo, da Poli, é maravilhoso. E sabe o que foi interessante? Esse pessoal que foi criado lá no meio acadêmico da USP perceberam que tinha um viés comercial. Eles acabaram virando os maiores escritórios de consultoria de materiais e que ajudaram a abrir a porta do que o que foi o drywall, o que está sendo o light steel frame e os sistemas, kits para instalações, quando a gente fala de plásticos, né? O que você tem basicamente de plásticos mais franco numa obra de alto padrão? São instalações de uma forma geral, policarbonato, que alguém acho que você falou, para coberturas, mas não é grande o leque da indústria plástica dentro da construção. E eu comentei com vocês que no meu setor, que é o predial de alto e altíssimo padrão, Tem uma resistência. Eu vou dar um exemplo para vocês. Nos meus produtos que a gente concebe, não os que eu só construo para terceiros, mas que a gente na RFM concebe, eles são altamente resistentes ao drywall. O cara tem medo de bater na parede e ouvir o som oco. Ele ainda prefere o bloco de concreto. Gente, é o fim do mundo, é o fim do mundo você levantar uma parede botando bloquinho por bloquinho. A gente faz isso em 90% dos empreendimentos. Quantas obras você vê prediais, né, porque no meio mais comercial, esses galpões, painéis, painéis, painéis, mas o nosso meio predial você não vê, você olha na rua e não vê ninguém fazendo um prédio com sistemas de vedação que não sejam as alvenarias convencionais. Nós precisamos mudar isso. Então acho que a gente está sempre aberto, fico sempre à disposição, Paulo, a gente tem participado de bastante evento, de tecnologia. Mas lembrando, o material novo tem que estar associado a um sistema. Não é o material, é o sistema que usa esses materiais para poder conversar com os sistemas convencionais. Você imagina o que é instalar uma fachada moderníssima de um light steel frame, que é totalmente industrializado, construção seca, numa estrutura de concreto. Então, tem que conversar, aquilo tem que funcionar. É assim que tem funcionado para a gente na área da execução, ou seja, na hora de fazer o uso do material. Essa interação com os arquitetos, menos com o meio acadêmico, mas com os arquitetos, está muito intensa. Porque, que nem ela falou, se vocês olharem o que são os produtos de alto padrão hoje, as demandas e expectativas de sempre estar fazendo algo mais bacana do que o outro está enorme. E aí eles são convidados a projetar coisas desafiadoras. Esse prédio da O Art Boulevard, na cabeça do empreendedor, é assim: eu quero que seja o prédio mais icônico de São Paulo hoje. Ele, ó, é você que vai cuidar para projetar e você que vai construir, eu quero o prédio mais bonito de São Paulo hoje. E aí começa o desafio. Mas o problema é o tempo disso. E eu vou dizer para vocês que lá nós estamos apanhando ainda bastante nesse vai e vem de conhecer os materiais. Eu tô tendo dificuldade até com blocos de vidro. Que para atingir uma determinada expectativa do cliente contratante. E aí você tem o consumidor final, né? Que o consumidor final também tem um— é o cara que tem um nível de expectativa gigante, ele não se satisfaz e ele traz a coisa nova, ele vem com arquiteto dele independente do arquiteto do prédio, ele vem com arquiteto decorador. Tá acontecendo muito da gente entregar os prédios que eu chamo de construção construção cinza. Eu não entrego o prédio acabado, eu entrego ele pronto para o morador final vir, e com parceria com arquiteto decorador dele, ele que vai fazer todo o acabamento, né? E eu tenho até medo quando eu sou convidado a executar a parte final, porque normalmente é a parte mais difícil do que levantar o prédio. Mas é isso, fundamentalmente é isso no que a gente pode dizer a respeito do material.
Vamos lá, José, com você. Vamos falar da importância do meio acadêmico.
Fica difícil falar depois dos dois aqui, né, mas vamos lá. Aqui o Paulo tinha até sugerido colocar um pouco da questão do currículo distante das inovações e materiais. Esse é um problema inclusive cultural, né. A baixa integração com os fornecedores e a indústria, acabamos de ver. Um pouco da falta de laboratórios. Vou tentar fazer um pacote. Eu vou partir da seguinte premissa, né? Hoje, com o advento das inteligências artificiais, que parece que só aconteceu agora, o ano passado, né? Inteligência artificial é de 1956, quando se cravou o termo inteligência artificial, de 1956. Quer dizer, não é novo. Só que isso demorou 3, 4 décadas para ser tracionado, para chegar nesse padrão. Quando se falou tanto do ChatGPT agora há pouco tempo, 6 meses depois tinha surgido uma centena de novas inteligências e a cada dia, a cada hora, vou dizer assim, tem outras tantas surgindo, uma apoiando a outra, se junta 3, 4, faz uma quinta e por aí vai. E aí é o seguinte: tudo bem, a informação está aí, está na nossa mão, todo mundo com celular, você consegue rodar o mundo no celular. A pergunta é: o que eu faço com essa informação? Aqui nós temos informações que foram bem utilizadas. Na obra, no trabalho de vocês, eu tenho uma informação, uma necessidade, um desafio. Com o que eu tenho de conhecimento técnico, tecnológico, os materiais, eu vou juntar tudo e fazer, entregar um produto, entregar um serviço. Criar um caminho para que atenda ao meu cliente. O Brasil está vivendo um momento sui generis, porque há uma necessidade grande, acabamos de ouvir falar de mão de obra, não é novidade, todo mundo está tentando fazer uma reforma em casa, vai entender bem o que é essa falta de mão de obra direta, não estou nem falando das grandes obras. E o Brasil vive o seguinte: a tal chamada neoindustrialização— eu tive numa reunião segunda-feira lá no CTI, que é na Tuarcha, Centro de Tecnologia da Informação, e eles lá têm laboratórios de primeiríssimo mundo vazios, porque falta a ponte. Da academia com esse centro tecnológico que é nosso, é centro tecnológico do governo federal, é aberto, e pouca gente sabe disso. Então eu estou aqui para trazer essa conversa, fazer essa conversa com vocês, e um desafio também: que vocês procurem academia, levem o problema lá. As patologias que o Cater falou, o desafio de testar, saber quais os materiais, academia tá aí, tá pronto. E é necessário que a academia faça isso, faz parte do processo. O Brasil então vive um momento que é o seguinte: eu tenho hoje recursos destinados à pesquisa, desenvolvimento, tem, existe, esse recurso existe. Qual é o problema? Eu não tenho projetos que possam ser, possam destravar esses recursos. E pior, eu tenho uma neoindustrialização em curso agora, está ainda incipiente, mas está em curso. O que está faltando? Pesquisadores. Quer dizer, eu tenho recurso aplicado, eu tenho a necessidade na outra ponta, e eu não tenho gente, eu não tenho pessoas. Em contrapartida, há cursos, por exemplo, na área nossa tecnológica, nas faculdades de tecnologia, tem cursos que estão sendo fechados porque não tem procura, não tem demanda. Cursos gratuitos, curso noturno, bem localizado, não tem aquele desafio de atravessar uma cidade para estudar. Está lá, está disponível. Então, Qual é esse pacote que a gente pode tentar discutir aqui de forma rápida, de forma, sei lá, que a gente possa tirar alguma coisa desse nosso encontro, que é maravilhoso, diga-se de passagem. Parabéns, Matheus, muito bom, obrigado pelo convite. Mas é o seguinte, nós temos um grande desafio que é formar as próximas gerações. E aí tem aquela questão que é do dia hoje, a Jovita precisa um material, ela quer saber se esse material resiste. Vai falar para o Caterer: "Você me trouxe, estou na dúvida." Só que isso é real, já está acontecendo. Eles têm a capacidade de entender isso. Qual é a próxima geração que vai fazer isso? Está tendo um hiato, um buraco nesse caminho, e nós precisamos colocar essa gente no mercado. Então, por exemplo, cursos ligados a materiais especificamente. Boa parte do que a gente compra hoje, o Brasil já desenvolveu bastante, mas tem muita coisa importada. Por que se nós temos capacidade também de produzir aqui com qualidade, com tecnologia, nós temos os materiais, a matéria-prima está aqui disponível, por que a gente não consegue? Então é isso que a gente precisa quebrar. Então, não vou estender muito aqui, mas eu escutei há pouco tempo uma historinha, eu vou contar para vocês. Rapidamente, um menino da Escola Politécnica, desculpa, não da Politécnica, de São Carlos, Federal, não, é USP São Carlos, USP São Carlos, eles lá no trabalho de conclusão de curso, o que a gente vai fazer? Fala, queria fazer algum material, algum equipamento de detenção de, sei lá, de ruído, alguma coisa que facilitasse alguma coisa de de manutenção, por exemplo. Um deles do grupo, eram 4 alunos, um deles falou: "Eu tenho uma ideia, eu gostaria que fizesse um material preditivo para as máquinas." "Mas por que você quer isso?" "Porque o meu pai era mecânico de manutenção, trabalhava numa multinacional, uma petroquímica, na região de Campinas, Várias madrugadas ele tinha que sair correndo para socorrer uma máquina que quebrou e continuar a produção, e não podia deixar muito tempo parado. Olha a ideia. Ele falou assim: "Então, se eu conseguisse, através dos sensores que nós temos, inteligência artificial, tudo que está disponível hoje, fazer com que a máquina me entregue quando ela, entre aspas, vai ficar cansada, ela vai falhar, eu já vou ter uma forma de prever isso. O que aconteceu? Cortando o resto da história, eles fizeram um projeto, apresentaram, hoje chama-se Traktion, é uma das maiores, se não a maior do Brasil, de equipamentos para manutenção preditiva de máquinas. Tem hoje em torno de 1.000 clientes e estão aí com quase 15.000 pontos de avaliação com sensor, tudo que nós conhecemos. O que ele fez? Ele pegou e juntou. Mas de onde saiu? Da dor. Meu pai tinha que sair de madrugada para atender. Eu não vi meu pai, ele falou. Então é interessante isso. E tenho certeza que vai ter 200 histórias semelhantes. E a gente está aí como academia para ajudar nesse caminho. Então nós temos jovens interessados que precisam do trabalho, precisam ganhar o dinheiro. E quando a gente fala de recursos, muitas vezes se pensa em bilhões. Não, é muito pouco que precisa investir, só que o resultado é muito positivo. Então estamos abertos, a gente depois acho que vai ter um tempo para conversar, não vou estender muito aqui, e a gente conversa mais um pouquinho, sendo que eu sou intruso aqui, tá? Obrigado.
Uma das partes mais importantes Josué, você é a pessoa que educa, que informa. E só para deixar uma última reflexão aqui, para passar a palavra para o Mateus, a gente precisa unir o setor. Para isso que eu, Paulo, estou aqui, que o Mateus está aqui. Então podem contar com o ecossistema Hub Construção sempre que vocês quiserem gravar um podcast, se conectar com especificador, com produtor e como meio acadêmico estamos aqui para fazer essa conexão para vocês, gente. Obrigado e mais uma vez vocês são incríveis!
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