Por que o Brasil ainda constrói igual há 50 anos? ( Construtora Melnick & Dimas Construções)

Neste episódio ao vivo gravado na Expo Construção Offsite 2026, o apresentador Paulo conversa com Jorge, diretor técnico da Dimas Construções (Florianópolis), e Rafael, responsável pelo setor de compras da consultora Melnick (Porto Alegre). Os convidados descrevem o principal gargalo da construção civil brasileira: a escassez de mão de obra qualificada, que os força a buscar soluções industrializadas e off‑site. Eles citam exemplos concretos – piscinas pré‑fabricadas, fundações prontas, sistemas de drywall e light‑steel frame – que reduzem ciclos de obra e aumentam a velocidade. Rafael detalha o longo ciclo de compra, que envolve projetos, quantificações e aprovação técnica, dificultando a introdução de novos produtos. O painel discute a necessidade de integração entre indústria, arquitetura e engenharia para evitar especificações inviáveis e melhorar a percepção de valor dos materiais, destacando a diferença entre o Brasil (45 % do cimento vendido em sacos) e os EUA (<1 %). Também abordam a resistência cultural ao drywall, apresentando testes piloto que geraram 90 % de vendas em seis meses em empreendimentos de alto padrão. Por fim, falam do papel da Hub Construção e da Expo como facilitadores de conexões entre fornecedores, projetistas e construtoras, reforçando a importância de feiras e ecossistemas colaborativos para acelerar a adoção de tecnologias off‑site.
Chapters
Sejam todos bem-vindos a mais um episódio diretamente da Expo Construção Offsite 2026, aqui no Sambódromo do AIMB. Como o papel do ecossistema Hub Construção é promover encontros diferentes, no episódio de hoje eu tenho dois engenheiros de diferentes construtoras que vivem situações parecidas para a gente trocar um bate-papo. O que a gente pode trazer de repente de solução ou inovação para ajudar vocês que estão acompanhando o nosso bate-papo.
Construycast Arquitetura, Engenharia e Construção.
Este episódio é um oferecimento MBP Isobloc e Easy Massa, tecnologia aditiva em sua obra. Jorge, só se apresenta um pouquinho para nossa audiência. Qual sua construtora? O que você faz no dia a dia e o que você entende que é um desafio vivido para você no setor da construção.
Bom, Paulo, obrigado aí pelo convite. É um desafio até participar aqui conversando um pouco com vocês, mas meu nome é Jorge, eu sou diretor técnico da Dimas Construções, uma construtora familiar, né, já tem, vai fazer o grupo agora 50 anos nesse ano, e a gente atua muito no alto, altíssimo padrão ali na região da grande Florianópolis, e arredores, né, São José, Florianópolis, aquela região. E a gente tem trabalhado muito e focado muito no nosso, hoje, nosso maior problema que é a falta de mão de obra, né. Então a nossa busca incessante por tecnologias e sistemas industrializados para que a gente possa, consiga, né, atender às demandas, ao volume de obras que a gente tem pela frente e manter a qualidade que a gente almeja, né. A gente tem buscado bastante soluções, então A vinda aí para a feira aí é um ponto bem focado na falta da mão de obra e no desafio da mão de obra, principalmente na nossa região, que hoje é um grande desafio para a gente.
Em trazer soluções mais prontas para o direto para ser montado no canteiro, muitas vezes até prontas só para ser ali encaixado no canteiro já.
Isso, já estou há 16 anos na Dimas ali e a gente pegou já vários cenários na construção civil ali, algumas crises nesse decorrer. E hoje a gente tem realmente um cenário bem crítico que é a falta da mão de obra. Então trazer esses materiais industrializados, seja no canteiro ou pra dentro da obra, ele é muito importante pra gente pra ganhar velocidade e tração pra gente poder fazer todos os empreendimentos que a gente tem em pauta hoje pra construir na região.
Agora, antes de passar pro Rafael, qual que é o volume de obra que vocês tocam geralmente?
Nós estamos hoje pros próximos 5 anos em média de 500 mil metros quadrados de obra, né? Em lançamento de 1 bi de VGV por ano aí nos próximos 5 anos já projetando. Então é um volume considerável para o nosso tamanho, a gente é uma construtora da região lá, a gente fazia, nós tínhamos ali em torno de 50 mil metros de obra no lançamento, 25, prédios de 25, 15 mil metros. Hoje nós já estamos indo para prédios de 50 mil metros, 80 mil metros, 100 mil metros. Então a gente está alçando um pouco mais de volume de obras aí, com grandes desafios. Então a região, quem conhece lá, Florianópolis é principalmente uma ilha, então a locomoção, o chegar, o trajeto e essa mão de obra chegar até os pontos de obra hoje é um desafio bem grande para a gente.
Então tenho certeza que você vai compartilhar algumas coisas que você está resolvendo no dia a dia.
Estamos tentando.
Rafa, agora, algumas pessoas que já acompanham o ConstruCast já te conhecem, mas hoje você está num novo cenário, Tudo Diferente, se apresenta um pouquinho para nossa audiência. A gente tem muita gente nova chegando diariamente. Quem é o Rafael? O que você faz e onde você atua?
Claro, Paulo, obrigado pelo convite mais uma vez. Jorge, obrigado pela parceria junto aqui conosco no podcast. Eu trabalho na consultora Melnick, sou responsável pelo setor de compras. Já estamos lá há 4 anos na batalha diária. A Melnick fica em Porto Alegre. Outra praça em relação à Praça do Jorge, praças próximas, Florianópolis e Porto Alegre, mas os desafios são os mesmos, né? Poderia falar que exatamente o que o Jorge comentou, desafios enormes assim na parte de captação, atração, retenção de mão de obra em nossos canteiros de obra. Tamanho da empresa também, tamanho semelhante com a empresa do Jorge, aproximadamente aí de 12 canteiros de obra, mais ou menos 1 bi de VGV também, com uma pequena diferença que a gente tem um leque um pouquinho maior. A gente faz o Minha Casa Minha Vida e também faz o alto e altíssimo padrão, mais focado no alto e altíssimo padrão, mas tem um braço relevante em expansão do Minha Casa Minha Vida.
Rafa, agora é uma coisa que é interessante também. O que que você, pra gente já iniciar o bate-papo aqui, o que que você viu até agora de solução aqui na ExpoSite que você consegue de repente, ah, isso aqui dá pra pensar em a gente utilizar aí de repente no dia a dia?
Não, sim, Paulo, a feira está fantástica, a gente estava conversando um pouquinho antes aqui, né. O nosso objetivo aqui, pelo menos o meu, acredito que o do Jorge também, a gente vai achar soluções, né, que nem ele comentaste, de que a gente consiga otimizar o trabalho dentro dos canteiros de obras, né. A gente viu aqui uma solução fantástica, uma piscina que vem pronta para obra, né. Hoje, falando um pouquinho da piscina, é um setor do empreendimento que é muito visado, né, é um atributo forte de venda. Piscina na cobertura, piscina com um pôr do sol bacana, né? E a piscina acaba que é um ciclo, aqueles 80, 100 metros quadrados de construção de um empreendimento de 50, 60 mil metros quadrados, é um pedaço da obra que a gente fica ali 6 meses trabalhando às vezes, 7 meses. Desde o funcionário do carpinteiro que vai lá, começa a fazer a forma de concreto, enche o concreto, impermeabilização, reboco, assentamento de pastilhas, etc. São vários setups ao longo do dia a dia. E aqui tem uma solução, uma piscina que vem pronta. A gente olhou aqui questão estética, zero diferença em relação às piscinas moldadas in loco. Qualidade eventualmente igual ou superior, né, porque acaba que não tem muita troca de interface. Esse é um exemplo, tem um exemplo bacana ali que o Jorge comentou que já tinha visto também em outro local. Que são fundações prontas para construções pequenas, como uma guarita no canteiro de obras, uma edícula que tenha. Então, enfim, a feira está bem bacana, Paulo. Acredito que tem bastante soluções que vão sair daqui, vão lá, vão para Porto Alegre, vão para Florianópolis para a gente conseguir implementar em nossos canteiros de obra.
Muito bacana. Agora eu estou aqui com um engenheiro técnico e um engenheiro— Você compra também, Jorge?
A minha diretoria é responsável por todas essas áreas: compras, orçamento, planejamento, obra. Assistência técnica, a minha diretoria já abrange todos esses setores, né? Então a gente acaba também se envolvendo um pouco nas compras também.
Muito bacana. Geralmente quando as empresas vão nas construtoras, elas tendem a não ir nas obras, né? Elas vão via departamento de compra. Rafa, como que é? Conta um pouquinho aí desse dia a dia de um departamento de compra pra gente e como as empresas de repente pode até facilitar o trabalho de vocês pra não ficar essa demanda tão grande em cima de compras, porque facilitaria o cara ir direto na obra, no canteiro?
É, o que acaba acontecendo assim, Paulo, em construtoras grandes, como é o caso tanto da que eu trabalho quanto que o Jorge trabalha, acaba que a informação acaba chegando via de regra ou via o departamento de projetos ou via o departamento de suprimentos, que dificilmente um vendedor vai bater na porta de uma obra para tentar fechar uma venda. E o vendedor sempre traz alguma, o vendedor sempre nos traz algum atributo novo que a gente não tenha, né, no nosso dia a dia, nossa carteira de insumos, fornecedores, etc. Então assim, quando tem uma inovação, etc., chega via esses dois departamentos, né. E quando chega lá no departamento de compras, que é o meu caso, a gente sempre faz um estudo, né, tenta validar o produto tecnicamente. Mas no dia a dia o que acaba ocorrendo, Paulo, O processo de compra é longo, né? Ele nasce lá, primeiramente, na concepção do produto, depois vai para projetos, aí projetos junto com setor de projetos e a cadeia de projetistas define: aqui vai ser essa piscina, aqui vai ser revestimento amadeirado, aqui vai ser pedra, aqui vai ser porcelanato, né? Depois vai para obra fazer quantitativos, levantamentos, depois disso vem a requisição de compra e nesse momento já tem pouco tempo assim para fazer alterações, né? E por um outro lado, a gente é atacado, no bom sentido, por uma enxurrada de novos produtos. E o que acaba acontecendo é que a gente tem que sempre entender esse novo produto que está chegando. Nesta compra, a gente não consegue utilizar, porque a obra tem seus prazos, a gente tem nossos prazos para fechar as compras. A gente acaba fechando a compra com produtos que a gente já tem no nosso portfólio. E aí sim, a inteligência está em pegar esse fornecedor novo, com produto novo, guardar para a próxima compra desse mesmo ciclo, sabe? E assim, normalmente a gente acaba replicando. Até falando de novo das piscinas, e sem querer ser repetitivo, né? Essa empresa que aqui tá, nós já uma época tentamos viabilizar no nosso empreendimento, mas foi bem isso, chegou um pouco no fim do processo, né? Aí agora, num próximo ciclo de obras, já estamos conversando, já tá mais ajeitada a máquina, e até mesmo a parte de compatibilização de projetos, né? Que não adianta ter uma piscina lá de 8,40 metros Aqui é para você modular, de metro fechado ou a cada meio metro, enfim, dando um exemplo de uma pontualidade que tem. Mas isso é importante, qualquer inovação demora. O ciclo da construção civil é longo. O Jorge, como diretor de toda a engenharia da empresa que ele trabalha, ele sabe disso melhor do que eu até. Entre comprar um terreno e encerrar a assistência técnica é 10 anos de um ciclo completo de obras. E quando você olha só a obra, o ciclo de obra é 2, 3 anos, dependendo do porte, do tamanho do empreendimento. Então o ciclo é longo e a inovação na construção civil é lenta, demorada. A gente constrói do mesmo método há dezenas de anos. Então a gente vê outras indústrias aí, automobilística, aeronáutica, enfim, a própria lá no sul é muito forte, a parte da agricultura está sempre se renovando, vários insights novos, mas a gente tem esse ônus, vamos falar assim, e bom, é nas dificuldades que surgem as oportunidades e por isso estamos aqui.
Agora, Jorge, eu tenho uma pergunta, eu acho que vai ser bem... Vamos ver se você tem coragem de responder.
Olha aí, desafiador, hein?
É legal, eu me sinto muito à vontade com engenheiro, eu falo que engenheiro geralmente ele é bem direto, né? Vamos ver.
Às vezes até demais.
Então, eu costumo dizer que a indústria dá muita atenção, estou falando eu, Paulo, estou me comprometendo aqui, mas também eu vejo outras pessoas falarem isso, que a indústria dá muita atenção para arquiteto. Porque o cara especifica e tal, enfim. Eu queria entender o seguinte: a indústria dá a mesma atenção para a engenharia? Isso pode trazer até questões de normas aí na sua resposta, porque muitas vezes o cara dá atenção para o arquiteto, ou esse arquiteto projeta algo que muitas vezes não é executível, e o cara chega com um abacaxi aí para vocês. Construírem. Nessa mesma resposta vem a minha pergunta: o que você entende que poderia facilitar esse processo de união entre indústria, arquitetura e engenharia para facilitar o dia a dia dos construtores?
Bom, a gente pega, pegando um pouco o gancho do Rafael ali, conectando com a tua pergunta, os arquitetos são super importantes para a gente, né? Eles trazem todo design e desenvolve tudo aquele sonho, aquela imagem que a gente tem que vender no empreendimento. Acho que isso é super importante e é válido. A gente tem... A gente fala muito lá no escritório, eu falo muito para o pessoal: "Se me der qualquer cifra de valores, eu construo qualquer coisa, faço qualquer coisa." Só que hoje nossos resultados são limitados, a gente tem que cuidar muito disso. Então hoje, quando o fornecedor vai no arquiteto, Tem N situações, o arquiteto tem produtos que ele acha interessante e é plausível, bonitos e vai deixar o empreendimento bonito. Só que no final a conta não fecha. Então, quando a gente tiver uma proximidade maior entre os fornecedores, pescadores, que a gente consiga estar próximo. Então, hoje um papel que eu faço muito na empresa, importante, como eu pego todo ciclo da empresa, eu tento conectá-los de forma com que eu possa trazer os problemas, trazer soluções e trazer eficiências para todo ciclo do projeto. Então, pego lá desde a parte de projeto, produto e vou: "Olha, pessoal, isso aqui é caro, não podemos achar." Daí a gente vai conversando com os arquitetos, vai trocando uma ideia com eles, vamos achar solução, vamos trazer, vamos apautar. "Pô, isso aqui já deu problema de assistência técnica, vamos trazer de volta." Então, aproximação, e a gente tem visto um pouco assim algumas empresas levando os suprimentos, a parte técnica para as fábricas para entender, entender um pouco mais do produto. Porque assim, às vezes cria-se uma barreira somente por custo. E nem sempre é só custo. Às vezes tu tem uma especificação, cara, esse produto aqui ele não risca, não arranha, não faz nada. Então tu começa a comparar banana com banana, né? Tu não começa, pô, eu tenho um diferencial. Então realmente, pô, isso aqui não vai me dar espoje ainda, não vai me dar essa incomodação. Olha, assim, você até... Então quando tu começa a unir a parte da construtora junto com a especificadora, junto com o fornecedor, tu começa a ter um ciclo mais fácil em relação a isso, né? E a gente tem hoje muitos produtos. Pô, a gente foi ano passado na feira de Las Vegas. Meu Deus, o que o mercado dos Estados Unidos tem a oferecer de materiais diversos, porque lá eles já estão muito à frente da gente na industrialização, na metodologia. Se aquilo começa a vir para cá, é um leque maior ainda. Vai ter mais fornecedor batendo na nossa porta dentro do escritório. Então, acho que ter essa união, ter esse alinhamento dos pescadores junto com a engenharia para que a gente consiga trazer a melhor solução Nem da arquitetura, né? Porque se engenheiro projetar, nós estamos arrombados, né? Vai ser caixinha pra tudo quanto é lado, né?
Só prédio quadrado. Prédio quadrado branco.
Foi abrir a minha casa, foi uma briga. Minha esposa, que é arquiteta, acho que não curte feio. Eu quero quadrado, quero quadrado. Então acho que é importante isso, né? A gente ter essa conexão, né? Então, pô, a gente foi numa fábrica de pedras, duas fábricas, fomos pra fábrica da esquadria. Entender os vãos, né? Da mesma forma que a gente vai, o arquiteto tem que ir junto pra entender, cara, isso aqui não consigo, tem uma limitação. Se eu botar um vidro jumbo, tem um custo pra gente, tem um custo depois pra manutenção, tem um custo depois pro condomínio e a gente pensa muito na perenidade do condomínio também, né? A manutenção, como é que aquela vida útil do condomínio vai ter pro prédio não ficar feio, pro prédio ter vida. Então a gente fica pensando muito nisso. Então acho que Respondendo um pouco a tua pergunta ali, o ponto principal é ter a conexão entre as três áreas, né? O fornecedor, o especificador, arquiteto hoje, e a construtora, né? E a parte de engenharia, para que isso se conecte de uma forma que a gente consiga trazer a beleza do empreendimento sem ter um custo alto, né? Conseguir fechar a conta, né? E trazer junto o especificador. Então, eu acho que isso é muito interessante. Então, a gente tem N materiais de mercado que a gente consegue fazer N soluções, né?
Em resumo, é a união do setor, né? Se você tem união ali entre esses 3 players, você consegue ter uma construção muito melhor.
Sim, uma eficiência gigante, né? Então, a gente fala muito, a gente deveria estar do lado sempre carregando todo mundo, né? O arquiteto, o fiscalizador, todo mundo junto, toda hora olhando para aquilo. Porque às vezes tu discute uma situação, aí depois tu vai sentar com o arquiteto, tá, amigo, mas assim, eu tô na frente da praia, "É muito bonito, mas eu estou numa região rigorosa, então como é que eu vou deixar bonito, mas entregar o que eu posso ter de solução?" Então, a gente tem que estar sempre... E a gente trabalha com arquitetos do Brasil inteiro praticamente, então é uma dificuldade, porque eles atuam também em várias áreas também.
E você me deu um gancho agora, vou fazer a última pergunta, que na verdade preciso que os dois respondam. Tem diferença? A gente fala que... Tem muito arquiteto vaidoso, mas eu falo que o ser humano em si é vaidoso. Quando a gente fala de construir para baixo, alto e altíssimo padrão, tem diferença tratando-se de vaidade de arquiteto? Ou seja, "não, isso aqui eu não aceito mudar", "não, isso eu não aceito". Rafa, para você, onde é mais difícil essa tratativa de mudança de projeto, para você convencer um arquiteto "Isso aqui está bonito, mas a gente precisa tentar uma nova solução porque não está executível." Sim, Paulo.
Eu acredito que um pouco mais no... Quanto mais alto o padrão do empreendimento, é um pouco mais difícil, sabe? Porque não adianta, né? O empreendimento imobiliário, a gente vende um sonho. É a maior compra da vida da pessoa. Tenho certeza que aqui, se ninguém comprou em acho um avião, o imóvel que a gente mora foi a compra mais cara da nossa vida.. Então, vem de um sonho. E aí eu vejo que quanto mais alto padrão, a exigência também é muito maior do cliente. E hoje em dia a gente vê muita coisa que vem de fora, que já é possível ser aplicado aqui, nos nossos empreendimentos no Brasil. Então, a exigência é maior, então acaba sendo um pouco mais difícil modificar. Quando a gente vai para o Minha Casa Minha Vida, que ali de novo é custo, custo, custo na veia, Até fazendo um parênteses, o Jorge também falou também de custo. Todo mundo olha sempre muito o valor, a gente tem que olhar só o valor e não o custo. Porque era o que o Jorge estava falando, se você olhar só custo não adianta. E aí a gente também tem a mesma diretriz que ele comentaste, que é a gente olhar o valor das coisas ou custo-benefício, enfim. Porque se você olhar só o custo, estamos mortos. E aí no Minha Casa Minha Vida tem certas situações que acaba sendo custo, claro, sem perder segurança, sem perder qualidade. São os dois mantras de qualquer incorporador de sucesso. Porque não adianta nada fazer uma obra e na próxima ficar famoso nas redes sociais por problemas aí que...
E até porque esse cliente também quer receber uma qualidade como está lá, porque também foi o prédio da vida dele, o imóvel da vida dele, é o patrimônio dele. Então ele também busca isso.
Também é a marca da vida dele.
É, ele vê aquela entrega do outro prédio e ele quer para ele também aquilo dali. Então às vezes ele cobra isso da gente. A gente fala hoje, a nossa entrega de qualidade, sendo da Melnick também, a gente viu lá, sendo baixo, médio ou alto, a entrega tem que ser primorosa e boa. A gente tem especificações diferentes.
Exato.
Mas não quer dizer que a gente perca qualidade.
O padrão muda. O padrão de entrega, qualidade não muda. Muda o padrão de especificação. E é por isso que, de fato, no Minha Casa Minha Vida é um pouco mais fácil, até porque o próprio arquiteto já está setado para isso. Ele sabe: "Puta, isso aqui é o limite, não posso..." "Não posso passar disso porque a conta não fecha, não adianta." E só para pegar um gancho também, que a gente está falando muito aqui de produto/acabamento. A gente começou nas oficinas, falamos de pedras e voltado para o alto padrão. Na semana passada eu recebi lá na Melnick o diretor de uma das top 3 concreteiras do Brasil. A gente ficou falando, bate-papo bacana assim também, que nem esse nosso. E ele trouxe um dado que me impactou muito. Nos Estados Unidos, vou trazer primeiro o número do Brasil. No Brasil, mais ou menos 40, 45% do cimento que é vendido é em saco, cimento ensacado. Aí tem que ter alguém para carregar, caminhão muque, por vezes até, isso é uma coisa que a gente já tenta abolir na verdade, é ter que carregar saco de cimento nas costas, que beira um absurdo hoje em dia, questão de ergonomia, etc. Então aqui cerca de 45% do cimento vendido é ensacado. Nos Estados Unidos não chega a 1%.
Uau!
Então... É bem digitalizado.
Comentaste também que tu foste em feiras lá, etc. Então assim, não é só lá no acabamento aonde o cliente percebe valor agregado. O concreto tem uma função, deixar o prédio de pé. Quando não é um concreto aparente também, que daí é uma outra conversa. Mas basicamente é a função de deixar o prédio de pé. Felizmente ou infelizmente, O cliente não percebe muito valor no concreto, ele está lá, ponto. É que nem as fundações, está lá, está fazendo o seu serviço. Então tem um caminho a ser percorrido ainda muito grande pela gente.
É como foi falado no episódio aqui ontem, quando as pessoas vão comprar um vidro, ele não está comprando o vidro, ele está comprando a função. Ele está comprando uma mesa, ele está comprando uma divisória. Então essa percepção de valor que a gente precisa trazer para a construção. A gente parar de: "Espera aí, isso aqui é um saco de cimento, mas como a gente pode otimizar isso para que você tenha um valor agregado?" Porque quando você traz... Imagina, você sair de 40 e...?
45%.
45% para menos de 1%. Imagina, então a gente tem um oceano azul aí.
A gente está começando as nossas primeiras obras lá na parte de entrega em sistema seco, drywall, na parte interna, mas ainda existe uma resistência muito grande no nosso mercado ainda, que a gente está tentando quebrar esse paradigma para chegar a 1% de cimento, de saca de cimento, porque hoje é difícil. E muitas empresas, ainda é mais barato o tijolinho por tijolinho do que conseguir trazer o drywall o sistema, mas a gente entende que não tem volta, é o futuro.
Vou fazer, até aproveitar, fazer mais uma última pergunta. Que esse ponto que você trouxe da questão do drywall, do próprio light shield frame, conversando com pessoas do mercado imobiliário, eles dizem que é muito cultural, de fato. Mas às vezes eu fico me perguntando, quando a pessoa está comprando uma casa, um apartamento, Ele está comprando uma casa, ele quer saber de fato qual solução construtiva está sendo, enfim, executada naquele empreendimento?
Assim, ele quer porque existe esse paradigma, né? Porque muito tempo na nossa região foi usado da forma errada, então trouxe más informações em relação ao sistema. Aí a gente brinca até lá no escritório, né? O cara não passa na casa dele batendo na parede para saber se é drywall, se é tijolo. Não passa. Se ela tá fazendo a função dela lá, o cara tá feliz. Só que quando tu fala que é um sistema diferente, o cara por medo, a pessoa por medo, ela já se sente reativa e acaba não. Então a gente tem colocado principalmente nos empreendimentos de alto e altíssimo padrão, que são pessoas que viajam, que conhecem sistemas no exterior, que entendem que funcionam, né? Então isso acaba trazendo uma aceitação melhor.
Sim, né?
Então acaba dando. E também hoje por a gente ter um baixo uso e um baixo ainda implantação no nosso mercado, se torna um pouco caro ainda. Então empreendimentos de alto, altíssimo padrão ainda conseguem absorver um pouco essa questão do ROI. Empreendimentos de médio, baixo padrão já é um pouco mais difícil a gente conseguir ainda implantar. Mas aqui nos Estados Unidos a gente espera que isso avance de forma mais consolidada no Brasil para que se torne mais barato e a gente consiga ter uma disseminação maior, porque hoje Nossa maior problema é falta de mão de obra. Então olha quantos ciclos tu reduz quando tu começa a trazer um sistema industrializado, um sistema seco pra dentro da tua obra, né? E tu reduz em tudo. O cara que fica limpando, o cara que fica rasgando, é praticamente complexo, né? Tu faz um tijolo pra vir um cara quebrar, pra depois vir um cara chumbar, pra depois vir um cara rebocar.
E depois do reboco ainda tem que abrir a parede porque esqueceu de passar a canaleta elétrica. É isso.
É isso?
Não, e eu tava conversando, eu tava até aproveitando o seu gancho, eu tava conversando ontem no episódio aqui também na Expo Offsite que existe uma ociosidade muito grande das fábricas e a gente precisa falar mais, fomentar mais a industrialização pra que a gente de fato compense isso.
Quanto mais produção tu começar e mais o consumo, vai ter mais indústrias trabalhando, mais indústrias vindo pra cá. Então tu começa a reduzir um pouco o custo disso. Hoje a gente tem poucas empresas, poucos fornecedores. Até as próprias feiras a gente tem acompanhado e elas não têm nem ainda volume suficiente para trazer feiras de grande porte. Então a gente tem durante o ano 2, 3 feiras relacionadas à construção a seco. E elas estão começando a engatinhar, começar a fazer, trazer o pessoal, mas o mercado tem que dar um passo a mais em relação a isso. A gente tem lá na nossa região lá Cidades como Balneário Camboriú, Itapema, que já utilizam bastante porque já são um mercado já bem à frente, né? Prédios altos exige isso, né? Hoje em dia fazer prédio alto com alvenaria convencional é o cara se encontra com inferno, daqui a 3 anos vai estar refazendo reboco. É o cara se enfiado, né? Então o sistema industrializado ele te dá flexibilidade, te dá um resultado sensacional, né? Então acho que é o nosso caminho, né? A gente tem que ir pra aí e a gente tem que investir nisso. Só que ainda é uma cultura bem complexa e difícil.
Eu tenho aqui um monte de perguntas, a gente vai ter que marcar um outro episódio. É muito bacana. E falar com duas pessoas que vivem, de fato, o dia a dia, é igual eu tenho aqui exemplo dos carros chineses que começam a entrar no Brasil, começa a ter uma resistência e hoje, aos poucos, está dominando o próprio elétrico, híbrido. E acredito que na construção civil a gente precisa fomentar mais, né, Rafa, esse movimento.
A analogia está perfeita, Paulo. E tu vê em praças diferentes, né, Porto Alegre, Floripa, é exatamente o mesmo preconceito que tem contra o drywall. Aí, mesma situação nas nossas obras de alto e altíssimo padrão, a gente utiliza alvenaria. E aí tu perguntou se o cliente ele vai lá, ele baixa a parede, baixa a parede, baixa a parede, sim, porque lá tem Foi bem semelhante. O drywall entrou na década de 90. Algumas empresas não souberam trabalhar muito bem o produto. Ao contrário dos carros chineses, que eu vejo que não vê muitas pessoas falando mal dos carros chineses. É um produto que é central. Muito pelo contrário, todo mundo fala bem. Acho que talvez por isso que foi rápida essa expansão também. E aí, ao passo que o drywall entrou lá, muitos problemas de drywall mal feito, com isolamento acústico ruim, e acabou queimando o produto. E o produto ficou queimado lá na década de 90. Bom, isso faz 30 anos já. Eu vejo que a segunda geração agora já está mais adaptada ao drywall. E de fato, não vou nem dizer que tolera, muito pelo contrário, até quer o drywall. Quando a gente vê ali produtos, independente da faixa, do ticket do produto, quando é um produto voltado para pessoas mais jovens assim, drywall vai sem problema nenhum e as pessoas até querem. "Ah, depois vai ser mais fácil mudar, botar uma sala, vai vir um filho, vou mexer, o de fora é mais fácil." Mas no autismo padrão a resistência é enorme. Nós não temos nenhuma obra, nenhuma obra de autismo padrão em drywall, porque é uma restrição muito forte de vendas.
Eu imagino, eu estive em balneário com uma grande construtora, conversando com o diretor lá, ele falou: "Paulo, infelizmente a gente tem muita dificuldade para adotar novas tecnologias." Porque o novo, você fala que é uma nova tecnologia, assusta.
A gente pegou um prédio nosso lá e a gente lançou ele em alvenaria. A gente falou assim: "Se o cliente quiser que a gente execute o apartamento em drywall, a gente executa para ele sem custo nenhum." Para a gente testar quanto do mercado hoje tem uma adesão a partir disso.
Boa ideia.
A gente já está ali numa margem de 10% de clientes que pediram ou 100% ou uma parte do projeto em drywall. Porque ele entende a facilidade, ele entende o benefício. De querer mudar, de querer adequar depois, sem ter que quebrar a cera dentro do apartamento.
Bacana, interessante.
Então a gente fez esse teste, começou a fazer esse teste, a aceitação foi boa. Então lançamos um segundo moradia com drywall, foi aceito, vendemos 90% em 6 meses. Daí lançamos agora um outro residencial, primeira moradia em drywall, também foi bem aceito. Então a gente está começando a instalar. E é isso, a gente tem que fazer bem feito.
É isso.
Não pode economizar no sistema, na chapa, na composição, né? A gente tá com dois projetistas diferentes, fazendo check entre projetistas de metodologias de construção, trazendo fornecedores, trazendo todo mundo junto para realmente fazer funcionar nossa região, né? Para que isso alavanque cada vez mais.
Maravilha! Então, palavras finais, Rafa, para você sair aí para curtir um pouco o evento.
Não, mais uma vez agradeço o convite, Paulo. Muito bacana bate-papo, né? Que a gente sempre fala, né? Trocando ideias assim sempre vem bons insights. Boas trocas também. Eu e o Jorge já conversamos algumas vezes ao longo dos últimos anos. Então agradeço o convite e vamos aproveitar a feira, que a feira está muito bacana. Fica o convite aí para a próxima, pessoal, vim aqui que vale a pena.
Agora fala um pouquinho da Hub. O que a Hub representa, a Hub Construção representa para a cadeia da construção como um todo?
Conheci a Hub no início deste ano, quando o Paulo estava lá em Porto Alegre gravando um vídeo com um parceiro nosso. E aí foi muito bacana a quantidade de conexões que a gente faz dentro da Hub, conhece pessoas, conhece fornecedores. Conhecemos um projetista agora mais cedo, que tenho certeza que podemos fazer boas parcerias juntos. Então é isso, se conectar nesse mundo tão digital, ter uma plataforma que a gente consiga vir aqui conhecer as pessoas ao vivo é muito bacana.
Então esse é o movimento Hub Construção. Aproveitar, antes de passar as palavras finais para o Jorge, aproveitar e agradecer aos nossos patrocinadores. Deste episódio, MBP Isoblock e Aditivis Obra, que tem um produto sensacional, Easy Massa, que acelera o processo de acabamento de obra eliminando etapa, não pulando, eliminando. Agora, suas considerações finais, Jorge.
Bom, Paulo, obrigado pelo convite. Rafa, obrigado também. Acho que é uma troca muito importante, a gente estava falando ainda há pouco, né? Essa troca tem que existir para a gente, que é a construção civil, ganhar mais velocidade em sair da zona de conforto e parar do jeito que é pra gente conseguir ganhar volume e velocidade. A feira tá sensacional, podem vir, bastante novidade, cada ano melhor. Eu vim aqui faz 2 anos e a feira tem melhorado muito nesses últimos anos aí. Eu acho que isso que é importante, o investimento na feira, e ela não pode morrer, ela tem que cada vez crescer pra trazer novidades e a gente trazer cada vez mais gente pra cá. Para poder conseguir também, né? E parabéns, parabéns pelo podcast, parabéns pelo Hub também. Acho que é um sistema muito bacana que vai ajudar muito a construção civil a ganhar celeridade também e evolução aí na troca, né, entre as empresas, entre fornecedores. Acho que isso que é muito importante.
E para você que é construtor, que é da área da construção, enfim, não importa a área, você que quer se informar vai no portal hubconstrucão.com.br. E quem quer ter acesso a fornecedores, tem o guia de fornecedores com parceiros confiáveis que vai sempre trazer a melhor solução para você. Esse foi mais um episódio diretamente do Sambódromo do ENBI na Expo Offsite 2026. Este é também o podcast da construção civil, Constru e Cash. Afinal, conhecimento também se constrói.
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