Qualidade na Construção Civil | Podcast de Engenharia | ConstrueCast

Podcast episode (Portuguese) of ConstrueCast where host Paulo interviews civil engineer Gilberto Porto about quality and performance in construction. Gilberto defines quality as a combination of four pillars — cost, schedule, product conformity (technical performance), and client satisfaction — and emphasizes the need to balance immediate cost with durability and maintainability. Topics covered include workmanship and training, measurement and verification (tolerances, checklists, scoring), the role of planning and coordinated project documentation, industrialized construction (benefits and barriers), leadership on site, and the value of continuous learning and client education.
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Construir queixa, arquitetura, engenharia, construção. Qualidade e desempenho na construção é o tema do episódio de hoje. Para falar sobre o assunto, eu recebo o engenheiro civil Gilberto Porto. Gilberto, seja bem-vindo ao nosso podcast. É uma honra receber você aqui. E já adianto, eu fiquei muito contente em saber que você é um seguidor ou um inscrito nato do canal, uma pessoa que acompanha, de fato, os nossos vídeos e áudios, né?
Exatamente. Maravilha. Paulo, eu que agradeço. Para mim é uma honra estar aqui num trabalho fantástico. Havia uma lacuna mesmo. Quando eu conheci o canal, eu falei, olha, é muito importante porque são temas variados. A gente tem contato com turmas jovens aí, turmas da nossa área, engenheiros, arquitetos, profissionais que trabalham na área e eles seguem assiduamente. Eu já conheci o canal e depois, através dessas pessoas, que depois nós vamos contar um pouquinho o caso, nós ficamos sabendo também do canal. Então, para mim, é uma satisfação, uma honra poder estar aqui conversando sobre temas da nossa área.
Gilberto, agora, antes de falar da pauta propriamente dita, eu gosto muito de conhecer um pouco da história dos convidados, né? Como que você se enveredou aí para o mercado de engenharia, para o mundo da engenharia, assim. E tem uma curiosidade também, eu queria saber, nessa sua resposta aí, se tem gente da sua família que te influenciou, se você influenciou alguém. Enfim, conta um pouquinho aí, faz um pitch rápido.
Vamos lá. Olha, eu nasci em Brasília, saí de Brasília com 5 anos de idade, fui morar numa cidade próxima à Goiânia, que se chama Anápolis.
Ah, inclusive Anápolis, eu quero mandar um abraço pro Mark Suell, que é um grande amigo e já esteve aqui. Hoje ele é CEO de uma empresa super interessante do mercado de comunicação visual.
Que coisa boa, coisa boa. Ali em Anápolis existe a Associação Atlética Napolino, um time lá do coração, o melhor time do mundo, Paulo, mas não vamos entrar nesse detalhe aqui que nós podemos dividir as turcidas. Então, aí eu passei no vestibular de engenharia, eu tinha 17 anos, muito influenciado por um tio meu que era mestre de obra. E eu, quando criança, pequeno, eu acostumava a acompanhar algumas obras com ele. E acabei passando no vestibular para a engenharia, sempre gostava muito de matemática, muita afinidade, E não me arrependi. É uma área apaixonante, desafiadora, mas muito apaixonante. E aí nós nos formamos no Instituto Federal de Goiás em 1988.
E aí, o que te levou depois? Depois que você já se formou em engenheiro, eu queria que você falasse um pouquinho dos seus desafios e o que te motivou a estar na profissão até hoje, pra depois a gente entrar no tema.
É, Paulo, eu comecei em obra, nós estávamos conversando antes, né? Eu comecei em obra sempre no campo da produção. Eu entrei numa empresa, eu era estagiário, dois anos antes de me formar. Sempre acreditei muito no trabalho em si, nós nos dedicávamos bastante ali. Antes de me formar, eu já fazia gestão de dois empreendimentos dessa empresa, empreendimentos grandes, um no setor aeroporto em Goiânia, de 32 pavimentos, um outro, um residencial no setor oeste, com oito pavimentos de alto padrão. E, a partir daí, o desenvolvimento foi acontecendo, sempre no campo da produção, da execução de obras. Cheguei nessa empresa como seria o diretor de filial dessa empresa. Na época chamava-se MB Engenharia, uma grande escola, depois ela foi adquirida pela Brookfield. E todos esses desafios de realizar, de executar, nossa área é muito concreta, sem nenhum tipo de trocadilho, mas é uma área muito concreta. Nós temos a possibilidade de desenvolver projetos e ver isso sendo levantado, sendo desenvolvido, nós materializamos aqui de uma forma relativamente rápida. Então, isso sempre nos motivou muito. E a liderança das pessoas, porque nós começamos a perceber, Paulo, depois de uns três anos de atuação, que nós realmente não executamos por conta própria. Nós dependemos das pessoas e esse trabalho de liderança é fundamental. E isso é uma arte. Então, sempre aprendendo nessa área, nós nos apaixonamos e mantivemos.
Bacana. Agora vamos entrar no tema. falar do tema, eu gostaria de agradecer o apoio da produtora de vídeos Infinity Plus, que é especializada em produção audiovisual para o mercado de construção, arquitetura e indústria. Agora, vamos lá. Quais são os principais elementos que definem uma boa qualidade construtiva? Na verdade, é qualidade de desempenho.
Isso. Paulo, é muito importante uma visão mais ampla do processo de qualidade. Qualidade não é um produto bem feito dentro de técnicas bem feitas, dentro de procedimentos que são regulamentados por norma. Qualidade tem um sentido muito mais amplo. Ela tem sim o produto bem feito dentro de padrões, mas ela pressupõe o resultado completo do empreendimento. E qual que é o principal foco, o nosso cliente? Eu estava comentando com você, nós trabalhamos também com aula hoje, formando pessoas aí na pós-graduação, e a gente sempre trata com essas pessoas que se não fosse o cliente e a necessidade que esse cliente tem, nós não teríamos o nosso trabalho. Nosso cliente, seja ele qual for, seja ele institucional de uma empresa, seja ele o cliente final, ele enxerga em nós a expertise e a partir daí ele vai entregar a necessidade que ele tem para que nós cuidemos. Então pressupõe custo, pressupõe prazo para atender as necessidades dele, pressupõe o produto conforme, usando uma linguagem do sistema de gestão da qualidade, um produto em conformidade ou qualidade propriamente dito e a relação com esse cliente, nós não podemos esquecer isso. Esses quatro pilares aqui eu chamo de qualidade, aí sim nós temos um conjunto Completo.
E quando você fala do elemento custo, que é uma coisa que me preocupa, porque eu queria que você falasse um pouco mais sobre o elemento custo. Como que seria isso? Porque muitas vezes quando você se apega muito ao custo, quando você trata de custo imediato e esquece, por exemplo, da durabilidade de um material, quem que vai operar esse empreendimento? Eu queria que você falasse um pouco desse ponto específico do elemento custo.
Existe uma expressão na nossa área, e eu vou pedir licença para poder falar, uma linguagem mais simples, nós não podemos fazer economia à base da porcaria. Isso, hoje em dia, graças a Deus, ainda bem que veio a norma que nós apelidamos de norma de desempenho, estabeleceu critérios, definiu os padrões, veio depois a norma de garantia que estabeleceu os tempos que nós temos que performar nos produtos. Então isso foi fundamental dentro do processo. Então o custo, Paulo, tem que estar adequado a cada característica de produto. Ele não está associado, como a qualidade, a grau de sofisticação dos materiais que nós vamos utilizar. Nós podemos estar trabalhando com um apartamento de, sei lá, 350 metros quadrados, em regiões nobres, com produtos muito nobres, porcelanato de 1,60m por 1,60m, muito comum, talvez mais, 1,80m por 1,80m. Mas o padrão de assentamento, a qualidade de reboco, o esquadro que vai ter que acontecer, a ortogonalidade em relação às paredes para que esse produto seja bem assentado, é o mesmo de um produto do Minha Casa Minha Vida, um produto que é ligada à área econômica. Ali, nesse produto de classe econômica, nós não vamos usar um porcelanato 1,80 por 1,80, mas às vezes uma peça 30 por 30, classe C, comercial.
Mas que está seguindo as normas de desempenho.
Seguindo as normas de desempenho e dentro do produto. Então, custo, ele tem que estar associado a isso, a esse processo de desempenho, aquilo que nós combinamos entregar para o cliente, lembrando da durabilidade, como você falou.
Gilberto, ainda falando de norma de desempenho e falando de custo, outro dia eu recebi um engenheiro, ele é CEO de uma grande construtora super renomada no mercado, e ele trouxe uma provocação aqui que eu fiquei refletindo bastante, inclusive eu recebi muitas mensagens sobre aquela fala dele. Ele fala que um engenheiro desempregado e um cientista bem sucedido abrem uma construtora e vendem com a mesma durabilidade e qualidade que uma construtora bem consolidada que está aí no mercado, Por mais que ela esteja seguindo a norma de desempenho do produto, tem a questão da qualidade de mão de obra. O produto, tudo bem que ele está em uma indústria, ele está sendo controlado. Agora, como eu controlo essa qualidade de mão de obra na minha construção para que, de fato, eu consiga atingir essa norma de ponta a ponta, ou seja, produto e execução. Perfeito.
Essa colocação, ela é verdade sobre pessoas de outras áreas que desenvolvem consultoras, incorporadoras e se desenvolvem principalmente pelo foco no cliente, Paulo. Eu tenho um exemplo, nós temos um exemplo de um cliente nosso em Brasília, um líder de mercado, que o CEO da empresa, ele não é engenheiro, ele é um administrador que se formou depois, ele vem de um trabalho no sistema bancário, banco mesmo, ele começou como contínuo em banco e depois ele se desenvolveu, mas o foco do cliente é o E para ter foco em cliente, como você colocou, a qualidade do produto, agora eu estou falando de procedimento de execução mesmo, a qualidade do produto final tem que ser impecável. Como é que a gente faz isso? Hoje o nosso setor está sofrendo muito com isso, nós temos um mercado muito aquecido, a mão de obra está escassa e as empresas acabam, nossos clientes acabam tendo que contratar uma mão de obra menos qualificada, com menos experiência e tem que entregar produtos altamente sofisticados. Então, é treinamento. Nós vamos ter que focar no ponto que queremos chegar, que é o produto. Nós temos que ter uma linha de base de referencial O sistema de gestão da qualidade, ISO, PBQPH, o que seja, mesmo que a empresa não seja certificada, tem que haver procedimento de execução. É a linha de base, é a referência. E nós vamos ter que chegar com a nossa mão de obra até esse ponto. E conferência. E não adianta aquela história, a parede está pronta. sou um gestor rigoroso, joga no chão. Isso é fácil, isso aí como você falou, qualquer um faz. Agora eu quero ver é acompanhar o processo, treinar para que aquela parede fique pronta da primeira vez. Aí o custo é menor, o prazo é menor.
É, porque quando a gente fala de custo, né? Quando você tem uma boa execução, quando você tem bons processos, né? Você tem aquele projeto, depois você tem ali processos bem definidos. Nós tivemos aqui episódios onde a pessoa fala de como você ser gentil com as pessoas e rígido com os processos para que aquilo aconteça de fato uma obra com foco no cliente, porque o foco naquele momento muitas vezes não é o cliente que está contratando para fazer aquela construção, mas pensar naquela pessoa que vai operar aquele equipamento, que vai morar. Eu queria que você falasse um pouquinho nessa questão, como que é avaliado essa qualidade da construção? Eu penso que em outros, por exemplo, quando eu falo da minha área audiovisual ali, para eu atingir um número mínimo aceitável, por exemplo, eu preciso atingir um mínimo de x% na questão qualidade, então não pode ter um erro de lettering, as animações precisam atingir um nível assim, sei lá, x, y, z. Como que é essa avaliação na engenharia, para você definir um nível de qualidade de execução na construção para ter essa qualidade de desempenho?
Perfeito, Paulo. Essa também é uma questão importante, porque quando nós tratamos de qualidade, ela parece um elemento abstrato. O piso está bem assentado, mas com que parâmetros? Então, os parâmetros vêm de uma linha de referência, procedimento de execução de serviço. Vamos pegar, nós temos um procedimento de execução de serviço de porcelanato, de grandes formatos, de 1,50 por 1,50 acima. Então, o procedimento vai definir como fazer. Vamos ter que usar a gamaça para grandes formatos, dependendo da cor da peça, talvez a gamaça branca, vamos usar a juntinha niveladora com a cunha, isso é muito comum, o pré-requisito do serviço, o que vai ter que acontecer, as ferramentas, a qualificação do profissional, o procedimento de execução. Atrelado a ele, nós temos que ter métrica. Não tem como medir qualidade se não houver métrica. E aí são as fichas de verificação. Com qual tolerância nós vamos poder ter um piso... É muito comum, o piso são os dentinhos, né? O pismo está perfeitamente nivelado ali. Mas a própria norma traz uma tolerância em relação a isso. Qual que é a tolerância que nós vamos admitir? Uma coisa é a norma. Ela traz, se não me falhem a memória, 1.5 milímetros. Mas para o nosso cliente final, aí olha o foco no cliente outra vez, esse 1.5 não atende. Imagina que seja um cliente de um sobrado, de altíssimo padrão, com 1.300 metros quadrados, muito sofisticado. Não vai adiantar eu falar para ele que, olha, aqui nós temos um dentinho de um milímetro aqui, mas a norma me autoriza. Então, é conferência, Paulo. Tem que ter uma linha de referência, que nós estamos chamando das fichas de verificação de serviço, que vão trazer tolerância e, a partir dali, a conferência vai acontecer. Nós usávamos nas empresas, e agora nas consultorias a gente estimula muito isso, é a pontuação. Então, as empresas elas têm que performar, a obra performa uma nota. Então, não é admissível que a nota seja menos do que, por exemplo, 9,5. E essa nota vai ser composta por uma série de blocos de avaliação. Bloco de execução, bloco de organização e limpeza do canteiro, bloco de organização e limpeza dos escritórios e da calçada. Aquilo reflete a imagem da empresa. Ninguém quer trabalhar. Eu estou aqui no seu estúdio, um estúdio arrumado, bem composto. Se fosse diferente, a sensação seria outra. A mesma coisa com a obra. O canteiro não é a bagunça. Então, tudo isso, Paulo, compõe a nota de avaliação do sistema de qualidade. E em algumas empresas a gente premiava isso para cada canteiro. Aí tinha o profissional mais produtivo, o profissional de maior qualidade, que ele era avaliado ao longo do mês. E ele recebia um selozinho dourado no capacete.
De destaque.
De destaque. Era bacana.
Era interessante.
A gente premiava e divulgava o resultado na última sexta-feira do mês. E aí ele ganhava um prêmio, esse profissional que era o destaque, sem contar a obra em si, estou só pensando um ponto, ele ganhava um almoço numa churrascaria com a família dele. E quem entregava, ia lá e expôs, às vezes filhos pequenos, entregar para ele. Era emocionante. O filhinho dele colocava o selo dourado. Essa turma tem uma carência emocional muito grande. Então, esse reconhecimento era fantástico. E os outros queriam atingir aquele ponto.
Porque é muito legal trabalhar meritocracia, né? Porque acho que isso é uma coisa que a gente, infelizmente, não dá pra gente... Acho que todo ser humano é único. Então, acho que a gente tem que... Se você fez aquilo bem, se você, sei lá, executou aquele contrapiso pra depois vir outra pessoa pra fazer aquele piso e você não tem muitas vezes ali um desnível suficiente pra aquela água ser evacuada pro ralo de forma contente, quem vai assumir aquela culpa é a pessoa que colocou o piso. Muitas vezes, ah, mas quem fez o contrapiso ninguém lembra. Igual o caso do engenheiro e arquiteto na obra. As pessoas só lembram, geralmente só lembram do engenheiro quando dá problema, mas ninguém olha. Muitas vezes pro engenheiro que ele fez o cálculo, que ele calculou aquilo, que ele, enfim, ele viabilizou aquele prédio de pé. Então a gente tem que De fato, começar a olhar mais para o processo como um todo e não só para a minha etapa de execução.
Você está me dando um gancho, se me permite?
Por favor.
Existe um livro fantástico, é do Simon Sinek, chama-se Comece pelo Porquê.
Ah, eu li, adoro esse livro.
É fantástico, não é, Paulo?
Inclusive, esse livro acabei até mudando muitas coisas aqui dentro da empresa, porque eu comecei a me questionar muito sobre algumas coisas.
E a gente estimula que as pessoas lá na ponta de produção, eu estou falando do servente, eu estou falando do pedreiro, eu estou falando do carpinteiro, do armador, entenda o que ele está fazendo, como você colocou. O camarada não está fazendo um contrapiso, ele está contribuindo com parte de um processo de um apartamento de alto padrão que o cliente quando entrar e for tomar banho, a água tem que empurrá-lo, porque ele não quer nem para a casa dele. Então, é exatamente isso, esse propósito. Com lealdade, não é com paternalismo.
E essa coisa, quando você cita o alto padrão, até uma coisa que me chama a atenção, que quando eu falo alto padrão, é que não importa se é minha casa ou minha vida. É você pensar em quem vai operar, em quem vai morar, porque é horrível você, eu que viajo bastante, você que viaja bastante, você chega num hotel e você vai tomar banho e aquela água fica lá acumulada, não desce, sabe? Então, você vê que é um problema de... Assim, o problema está, primeiramente, no contrapiso.
Exatamente.
Aí depois vem uma pessoa pra executar o piso e lida com aquela situação, enfim, acaba tomando a culpa, mas depois ninguém quer arrumar, porque, de fato, tem um custo, refazer é um custo muito alto. Então, acho que são pontos que a gente começa... Até, eu falo que a gente começa até também a usar o nosso canal pra educar os nossos conteúdos. Eles chegam também... para quem vai morar nos apartamentos. Então, é importante que essas pessoas comecem a entender. O apartamento está pronto? Testa, vai lá, coloca água no ralo, vê se está descendo. Você está no processo, no período de garantia, não. Chame a construtora, arruma, porque, assim, não dá para aceitar, porque você vai ficar com um problema eterno ali.
Exatamente, Paulo. E o nosso cliente hoje está muito bem informado. Tem aí informações, o Constrecast, outros canais, os próprios, a Porto Belo tem uma página, um site maravilhoso. E a grande questão é o que você colocou. A norma de desempenho é desempenho. Como é que desempenha bem aquilo ali? A água escorrer por ralo. A gente orienta a turma a treinar o cliente para receber a unidade. Ensina o cliente a receber uma esquadria, a receber uma porta, receber o vidro, explicar para ele, se você não verificar algum risco no piso, que tem que ser nesse momento que você está recebendo um apartamento, depois você não pode reclamar, porque depois foi seu marceneiro, foi a mudança. Então, treina o cliente para receber. Ao contrário, por isso eu falo dos quatro pilares, custo, prazo, qualidade ou conformidade de produto e satisfação do cliente. Aproxima o cliente.
Inclusive, você acabou de me dar uma ideia. Eu vou fazer depois um conteúdo ensinando, a gente visitando uma obra, mostrando. Se atente a isso, isso e isso.
Maravilhoso. Maravilhoso.
Na hora que receber o conteúdo. Gostaram da dica? Comenta aqui, você quer? Então, se você comentar e falar que é legal, eu vou numa obra que tenho muitos amigos aí, construtores, acho que é fácil a gente fazer esse conteúdo para ensinar você, consumidor final, a receber um produto a contento.
E aí, Paulo, o nível sobe, porque se o nosso cliente está mais qualificado e o nosso foco é ele, como eu falei no começo, ele tem a necessidade, enxergou no nosso trabalho a expertise para atender à necessidade. Ora, a hora da entrega é a hora, olha, Paulo, você me contratou para te fazer o apartamento, venha ver o que nós Preparamos para você, com todo o nosso processo, com todo o nosso procedimento de execução. E aí sim, agora dá o salto, né? Aí se a pessoa for especialista da área, for um engenheiro, for um arquiteto, aí ele se destaca em relação a outras construtoras. Mas se ele tiver esse foco no cliente também.
Sim, até porque eu falo, né? Eu até faço aquela brincadeira, quem tem um olho só Errei. Outro dia eu tava lendo um livro e aí tava... Tem a história lá de um mentiroso, mas o cara falava super bem. Ele inventou uma história que era professor de idioma. O cara se deu tão bem na vida ali por aquela mentira que ele inventou. Só que as pessoas que ele contou, ninguém tinha conhecimento sobre aquele idioma. Então, é um conto bem legal que fala da importância de cuidado com o que você ouve, porque se você não tiver o mínimo de conhecimento para questionar sobre, você acaba levando algo adiante que não é o melhor do mundo.
E essa característica que você está colocando, Paulo, inclusive é fantástico. Você me avisa quando for soltar o episódio que eu quero assistir. É fantástico porque sobe o nível do nosso setor. A reputação do nosso setor é muito ruim, em termos de prazo, em termos de qualidade, até que custo não, mas a reputação é muito ruim.
É, eu falo que a construção, na verdade, a gente tem muito, assim, tem boas tecnologias, tem bons profissionais, só que a gente tá muito atrasado, né? O Luiz Henrique Ceotto fala que a gente tá aí 100 anos de atraso.
Tá, exatamente.
100 anos.
O Ceúto é uma lenda, né? O Ceúto é uma lenda na nossa área. O Ceúto é um grande amigo nosso. Eu aprendo toda vez que eu converso com o Ceúto. Toda vez que eu converso com o Ceúto, eu aprendo alguma coisa. E o Ceúto, ele fala isso e é verdade. Nós estamos 100 anos... Nós construímos... Ele conta que... Ele analisou um edifício no Rio de Janeiro, o edifício se chama A Noite, né? E esse edifício, ele analisou estruturalmente. O Ceúto é mestre em estrutura pelo ENB, né? E o Edifício tinha, quando ele falou, 100 anos de idade. O mesmo processo construtivo, mesmo processo de projeto. Então é nisso que ele fala, e ele tem razão. As plumadas, lógico, mudou o material, ele conta isso. Você tinha barbará lá naquela época, né? Hoje você usa PVC. Ok, mas a forma, a fixação, totalmente diferente.
A gente está muito atrasado. Você pega o próprio campo, a pecuária, como avançou.
Sem dúvida. Líder mundial em tecnologia e produtividade. Nós vamos chegar lá.
Vixi, daqui a pouco. Espera aí. né, vamos criar o movimento.
Nem que seja com os meus netos, né, que inclusive eu quero aproveitar para puxar a orelha dos meus filhos. Ah, que até hoje não me deram neto, ô Paulo, eu já tinha que ter, pela idade eu já tinha que ter uns seis ou sete netos.
Você já tá querendo neto?
Você tá tão novo. Não, mas eu já tinha que ter uns seis, a produtividade tá baixíssima lá, né. Tem um mestre de obra lá em Brasília, chama Bené, ele fala que essa turma tá comendo muito trigo, então, na época ele ia falar, eu comia da picanha, ele é muito engraçado, né.
Vamos ajudar aí, porque você está muito novo para já querer ter neto aí. Vamos aí, tudo bem. Eu tenho uma pergunta aqui. Qual a importância do planejamento adequado antes de iniciar uma construção?
Perfeito. É fundamental. O planejamento em si, ele não vai fazer nada. Um planejamento não vai assentar um tijolo, não vai rebocar, não vai concretar nada. Mas ele nos dá o roteiro, ele nos dá um mapa Ele é um paradigma que vai nos dar um mapa para onde nós vamos chegar. Se nós vamos conseguir, na trilha, andar com os percaus que tem, o material atrasou, o nosso empreiteiro furou com a gente, estragou um equipamento, que é o dia a dia nosso. Por isso que os cabelos vão indo embora, né? Então, se a gente consegue operar bem na trilha, que o mapeamento, que o paradigma, que o roteiro, que é o planejamento nos deu, nós vamos bem. Então, ele serve como um paradigma e tem que acontecer, mas ele é vivo, Paulo. Eu vejo muitas pessoas, montou o planejamento e a gente trabalha com isso hoje, monta o planejamento e coloca lá na parede do escritório da obra. Ok, aquilo não serve de nada. Ele tem que ser alimentado toda semana, criticado, riscado, replanejado, sem perder as referências de prazo final etc. Aí sim, esse é o planejamento vivo. O André Kinderé, que é o CEO do Agilent, um software que trabalha com planejamento em construção em chuta, linhas de balanço, ele tem uma expressão bem interessante. Ele fala que planejamento não é trilho, não é uma linha reta, que eu vou começar aqui e chegar lá. É trilha. É percalço, eu vou... e diante de uma trilha, eu tenho que... é como um carro. Por que você tinha amortecedor no carro? Porque senão ele quebrava no primeiro seu alavanco. O nosso planejamento tem que ser assim. Ele é vivo. Então, fundamental, mas pra usar.
Pra usar.
Pra ferramenta de... E esse ponto que.
Você fala do planejamento é muito importante, porque a partir do momento que eu tenho um planejamento, aquilo tá documentado, Aquilo também serve de referência para que eu consiga revisar e melhorar processos futuros, né? Numa nova construção. Então, é muito importante. Eu tenho mais uma pergunta aqui. Hoje eu vou fazer bastante para você, como você é direto, enfim, tem muita habilidade de fala e dá aula, enfim.
Então, vamos lá.
Qual a importância do projeto bem elaborado? para contribuir para a qualidade e desempenho de obras complexas. Eu tiraria, na verdade, complexas e colocaria obras em geral. Eu acho que toda obra, por mais simples, por mais que seja uma reforma em si, você se depara ali com surpresas que você tem que estar preparado, enfim.
Olha, excelente pergunta. Eu vou, e tá me passando pela cabeça aqui, eu vi outro dia, semana passada, eu vi no Instagram, uma notícia assim ó, é prédio, acho que foi na China, prédio na China, de 10 pavimentos, eram 3 torres, construído em 48 horas. Eu falei, nossa, eu quero ver isso aqui, eu quero aprender. E entrei. Tá lá. Aí eu tô olhando, falaram, não, mas eles vêm com pré-moldados, né, a estrutura em pré-moldados, os módulos de banheiro pré-moldados, falaram, mas isso aqui a gente tem aqui. Aí eu falei, tá bom, mas esse pré-moldado tem que ter chegado lá pra poder montar nas 48 horas. Então alguém teve que antes contratar, entregar o projeto lá na fábrica pra eles montarem o pré-moldado, depois comprar, adquirir, fazer a aquisição do pré-moldado, colocar ele lá, contratar os equipamentos, as gruas que iriam trabalhar. Então, na verdade, ele não foi montado, ele foi montado em 48 horas, mas não foi construído em 48 horas. O projeto, ele reflete isso. Qual que é o problema no nosso país? É, Paula, a burocracia. Por quê? Você não consegue, a partir do momento que você fez um estudo de viabilidade, vamos fazer um empreendimento? Vamos. Ok, pode disparar os projetos executivos. Não dá, eu tenho que primeiro aprovar o projeto mãe, que é a arquitetura. É o projeto que modela os outros. Então, eu tenho que esperar aprovar o projeto de arquitetura, aprovar da arquitetura, aí eu disparo os executivos. E muitas vezes, agora aí, por questão tributária, por questões de financiamento, a obra que já é um investimento de ciclo longo, normalmente os empreendimentos em média cinco anos, seis anos, há uma pressão para você iniciar a obra rapidamente, porque senão esses resultados ficam diluídos, lucro, rentabilidade, etc. A gente esbarra hoje na questão da aprovação do projeto para disparar os executivos. Então, é o que a turma sente. Então, não adianta a gente tirar uma foto só. Ah, eu estou começando a obra sem executivo. Vamos fazer as perguntas, né? Por que que eu estou sem executivo? Ah, porque eu não disparei antes. Mas por que que eu não disparei antes? Porque eu não tinha arquitetura aprovada. E sem arquitetura, se eu... ó, detalhe... vamos for que você é calculista. Paulo, detalhe o projeto de estruturas. Você vai lá e detalhe. Paulo, mudou a arquitetura. Rasga a estrutura e acontece. Comece de novo. Quem vai pagar?
É, e é interessante esse ponto que você tá trazendo, porque quando você pega esse ciclo de cinco anos, né? Então, existe essa pressa, de fato, pra essa obra começar, porque já tá gerando custo. Lá atrás, daqui a pouco, demora um ano, dois anos, três anos, quatro, cinco. Como que uma empresa consegue se manter dessa forma? Então, de fato, isso é importante.
E aí, eu gosto muito, com os nossos alunos, quando eu estou dando aula, eles, se estiverem ouvindo, eles vão lembrar disso. Na verdade, o que eu considero é que nós operamos em um ambiente muito hostil, Paulo, do ponto de vista da burocracia. E se nos levasse para aquela característica de outros países que você já começa a obra tendo os projetos executivos como um todo, eu não tenho medo de falar isso, nós arrebentaríamos de ter resultados positivos. O contrário não é verdade. Estava desenvolvendo um empreendimento em Brasília. para a Cidade Corporate e era trabalhar do ponto de vista de incorporação pela Brazilian Capital, aqui da Urinvest, aqui de São Paulo, que era um hub de investimentos. E foi um grupo canadense para poder avaliar. Então, ele foi lá na obra, a obra não tinha começado ainda, olhando e tal, e ele pergunta, cadê o estudo de viabilidade? Mostramos. Aí ele tá, tá bom, o custo aqui e tal, deixa eu ver os projetos. Eu falei, não, não tem projeto. Ele, como não tem? Eu falei, não tem. Aí eu fui explicar que não tinha por causa da arquitetura. O cara, mas como é que você orçou? Aí eu expliquei as técnicas, inclusive, técnicas que a gente utilizava, vindo do próprio CEOTO com a Celene Marques, no livro Custo Sem Susto, fantástico. O CEOTO precisa soltar a segunda edição desse livro, ele tá esgotado.
Inclusive, eu queria convidar já de cara você e o CEOTO pra gente fazer um bate-papo nós três aqui pra falar.
Nossa, pra mim é fantástico, né? Eu sou fã de carteirinha.
Não, eu tô bem. Então, inclusive, ele foi o primeiro convidado de engenharia. Teve o Zanettini, arquiteto. Tenho uma grande admiração por ele. Na sequência... Porque eu gosto de intercalar. Um engenheiro, um arquiteto, um profissional de obra, um mestre. Enfim, eu acho que é legal. E eu queria muito fazer um bate-papo com vocês dois, assim. Vocês dois são... Fantástico.
Nossa, estou aí à disposição.
É muito bacana essa... Para mim vai.
Ser uma satisfação rever o seu outro. Faz muito tempo que eu não... Eu falo com ele por telefone de vez em quando, mas faz muito tempo que eu não...
Não, vamos combinar. Inclusive, eu já queria até, como a gente tá falando dessa questão da industrialização, de mão de obra e tudo mais, eu já queria de cara que você falasse um pouquinho como que é pra você ter uma feira como a Modern Construction Show, que vem para ser a maior feira de construção industrializada da América Latina, que vai falar de união de sistemas, ou seja, ali você vai ter a oportunidade de ver várias soluções industrializadas. E quando eu falo várias soluções, você tem concreto, aço, drywall, light to frame, então assim, vai ser um palco onde você vai ter a oportunidade de ver várias soluções e empresas e pessoas que têm o mesmo objetivo. que é inovar na construção civil. Já te faço o convite para os dias 1, 2 e 3 de outubro e eu queria a sua resposta, se vai ou não, e que você falasse um pouquinho sobre a importância do evento.
Oh, já tá, aceito o convite. Muito obrigado mais uma vez pelo convite aí. E é importantíssimo, Paulo, porque você tocou num ponto que é sistemas construtivos. Nós não trabalhamos a construção de forma estanque. Ela não é a estrutura, eu vou fazer um processo estrutural de uma forma, isso tudo tem que estar interligado num conjunto inteiro. Vai desde a concepção, na fundação, que tipo de fundação que nós vamos utilizar, a estrutura, para depois os processos, sistemas de instalação compatibilizados como o nosso O nosso ouvinte perguntou sobre os projetos, com projetos compatibilizados. E essa feira é fundamental porque o que ela vai fazer? Ela vai despertar nas pessoas a visão concreta de que é possível. Ainda que nós tenhamos que trabalhar muito a questão tributária, porque hoje Quando você constrói de forma massiva com mão de obra, é mais barato do que você usar processos industrializados. Mas isso vai mudar pela própria escassez da mão de obra que nós estamos sentindo agora. A exigência de produtos com prazo cada vez mais curto, com nível de qualidade muito alto e com escassez de mão de obra. Qual que é a alternativa? É esse tipo de iniciativa aí nessa feira que vai acontecer.
É legal. E no caso da MCS, você tem ali a oportunidade de estar com pessoas com o mesmo propósito, né? Então a gente acaba com aqueles muros, né? De, ah, tudo bem, cada um defendendo o seu. Ah, eu tô defendendo a metálica, eu tô defendendo o concreto, eu tô defendendo o light frame. Não, a gente vai ter a oportunidade de ver ali a união, né? Ou seja, o que que se encaixa melhor. com cada coisa, porque você vê que tem prédios incríveis, com a união de concreto, aço e madeira.
E o foco nesse resultado, não é, Paulo?
Sim, sim.
O que eu vou entregar? Qual o cliente? Eu sou um incorporador e vou vender o apartamento. Ok, o que eu vou entregar? Eu consigo entregar um produto de altíssimo nível técnico por um custo menor? Sim, eu necessariamente vou ter que ser mais produtivo. A grande questão nossa é produtividade. Então, essa integração, ela vai para cada solução de arquitetura, vamos chamar assim, você tem que ter solução dos outros sistemas. E é o que você falou, ora é o concreto.
E conhecer, né? E ter oportunidade de ver e conhecer.
Perfeito, exatamente isso. Ora é o concreto armado, ora é estrutura... A hora vai ser madeira engenheirada, como eu conheci com uma aluna aqui em São Paulo, que ela trabalhava com isso, fantástico o processo, faz peças curvas de uma beleza arquitetônica maravilhosa.
Inclusive eu quero até trazer um episódio para falar sobre madeira, a gente está devendo aqui pra nossa audiência.
Madeira engenheirada é um negócio... Sim, engenheirada, sim.
Eu tenho várias perguntas, mas você acabou respondendo, assim...
Eu falo demais, né, Paulo?
Não, não, você acabou respondendo, você foi respondendo algumas coisas, você respondeu algumas aqui sem eu perguntar, mas então acho que essas pessoas que fizeram essas perguntas já estão contentes que você já respondeu a dúvida delas, assim, de uma forma direta. E, assim, quais são as principais normas técnicas que regem a construção civil?
Hoje eu colocaria assim, quando você pega, por exemplo, a norma de desempenho. A norma de desempenho é um grande guarda-chuva. Então, olha que inteligente que foi feito. Isso é uma inteligência, na minha opinião, fantástica. Pegou-se a norma de desempenho, ela só não pega sistemas elétricos, que mantém ainda na normatização própria para para sistemas de eletricidade. Agora, todos os outros, ela colocou debaixo da norma, as normas estão colocadas aqui, debaixo do guarda-chuva, que é a norma de desempenho. Então, eu tenho desempenho em relação a, por exemplo, coberturas, em relação a impermisações, em relação a painéis de fechamento, em relação a revestimento cerâmico. A norma de desempenho colocou onde nós temos que chegar e as normas, que ela é uma norma de desempenho, como o próprio nome diz. E as prescritivas estão debaixo dela. Então, nos últimos tempos, na minha opinião, a norma mais importante que aconteceu, na verdade não é uma, são duas. Norma de desempenho e a norma que nós apelidamos de garantia. Uma estabelece o padrão, o parâmetro de até quando nós vamos em relação à manutenção, às garantias para o nosso cliente. E a norma de desempenho regula isso. Como é que é? Como é que o aparelho tem que desempenhar? Uma das primeiras perguntas que você me fez, o que é um aparelho de qualidade? Não é só uma parede aprumada, ela tem que ter perenidade ao longo do tempo. O nosso cliente comprou, ele não comprou um apartamento para 10 anos, para 15 anos, ele comprou um apartamento para muito tempo. Então, objetivamente, norma de desempenho e norma de garantia, para mim, são um grande avanço no nosso setor nos últimos tempos.
Interessante, quando você fala essa questão das normas, por exemplo, norma de impremialização, tudo tem que estar ligado, essa norma você tem que estar ali em conformidade, depois você tem a norma acústica, por exemplo, então todas elas, essas normas, elas fazem parte de um todo, porque se de repente a norma de desempenho de impremialização não atingiu, ali o que deveria atingir, de fato. E num período, sei lá, de cinco anos, você precisa... Ah, você começa a ter infiltração por um andar de baixo. Você começa a criar um problema e, enfim, ele está até generalizado. Porque, ah, apareceu em um apartamento. Aí já liga-se um alerta para o prédio inteiro.
Exato. E vai ter... E a norma de desempenho, inclusive, a diferença dela para a prescritiva, que é aquelas que... aquela infinidade, aquele arcabouço todo que nós conhecemos, é que a norma de desempenho vem numa linguagem mais simples. A norma prescriptiva é técnica. Ela vai colocar quantos decibéis nós vamos ter que performar para um determinado ambiente acústico, seja apartamento ou o que for. Agora, a norma de desempenho, ela traz uma linguagem mais simples para alcançar exatamente o que você falou, alcançar esse cliente final, esse usuário final. É para isso que ela é feita.
É bem interessante. Eu queria que você compartilhasse agora comigo alguns cases que tiveram e que foram bem-sucedidos.
Do ponto de vista de planejamento?
De planejamento.
Geral, né, Paulo?
Sim.
Eu acho que um grande case, eu estou me recordando aqui de uma empresa cliente nossa em Goiânia, a Vega, Vega Incorporadora. E lá nós temos um empreendimento que são 32 torres do padrão econômico, feitos com paredes de concreto. Então, nós iniciamos lá e trabalhamos, montamos um planejamento para tirar proveito da estrutura que estava acontecendo, porque ela é feita para dar velocidade, e esse processo começou a funcionar bem. Agora, onde é que está o ponto focal dessa história, a liderança da engenheira da obra. É uma engenheira. Ela está, se não me engano, na terceira obra dela, liderando um canteiro que tem aproximadamente hoje 600 pessoas. É uma obra que vai ser entregue agora no mês de agosto. E, assim, com um desempenho fantástico, né? Agora, assim, não é fácil. A vida dela não tá fácil.
Você pode falar o nome da engenheira? Porque quando a gente tem admiração por alguém, eu gosto de falar.
Ana Carolina, a engenheira lá de Goiânia.
Ana Carolina. Um abraço pra você, Ana Carolina. Espero que você assista esse episódio completo e fale um pouquinho dos desafios vividos por você neste projeto. Quero ver aqui o seu comentário no episódio completo.
E outros, e outros também. Ontem nós estávamos em um outro empreendimento, a Marília Sena, que a Marília está com um desafio grande, porque agora que organizou a documentação para o empreendimento dela, liberar o financiamento. Então, o ritmo agora, ela vinha num ritmo, agora ela tem que fazer assim. Então, a performance, e ela estava preocupadíssima. Sentamos, montamos o planejamento, sabe o que fazer, aquela pergunta do nosso ouvinte. Então, tem um roteiro. Da agora em diante, nós vamos avançar. E aí, Paulo, tem vários casos.
Gilberto, o que podemos aprender com esses cases para aplicar em futuras construções?
Paulo, eu vou falar sobre liderança. A liderança é fundamental. Lógico, tem uma máxima que fala assim, você contrata valores, a essência da pessoa, os valores estão afinados com a empresa, e treinabilidades. E o líder tem que ter essa capacidade, ele tem que ter a capacidade de olhar, enxergar, colocar as pessoas no local certo, sem paternalismo, não é? Olha, Paulo, tô vendo que você não tá assentando bem aqui o piso, a marmita não tá boa.
Vamos ser direto, né?
Lealdade, a turma quer... Paulo, eu combinei com você, a minha expectativa é 30 metros quadrados de porcelanato por dia. Cara, você não tá fazendo 21, você não vai colocar dinheiro no bolso e eu não vou entregar a minha obra. O que tá acontecendo? Então, esse tipo de liderança, de repente, dá oportunidade para questionar processo. Ah, é porque os materiais não estão chegando aqui ao mesmo tempo. Então, eu vou questionar a chegada do material para a produção ou outros elementos que podem acontecer. Então, nesses casos de sucesso, a liderança é fundamental. E, lembrando, liderança, Paulo, ela depende da situação. Tem hora que eu tenho que ser autocrático. Vou concretar uma laje. Não adianta eu subir e falar, vamos fazer gerência participativa aqui agora. Qual a melhor forma pessoal da gente concretar a laje? Essa laje não sai, nós vamos perder os caminhões de concreto que estão embaixo. Agora, na hora de montar um planejamento estratégico ou definir, estamos com um problema aqui em relação à espessura do reboco. Como é que nós podemos mudar isso? Aí é a hora da liderança participativa.
É muito interessante a liderança, essa questão do ouvir, ouvir os lados e aí vamos chegar em um acordo em comum.
E é de situação. Tem hora que não dá. Na concretagem, é definir os papéis e nós temos que ser assertivos, diretos. Agora, em outros momentos... Então, a grande habilidade, na minha opinião, é a liderança. Nós, às vezes, montamos planejamentos baseados em técnicas de construção e enxuta, uma série de outras estratégias, mas peca na liderança. Quando você não tem a liderança de obra, o gestor da obra com uma liderança forte, no sentido de focando no resultado, não adianta.
É, tem uma coisa que é importante, que eu falo sempre aqui nos episódios, a gente começa a focar no resultado. O que é melhor para a empresa como um todo? O que é melhor para aquela ação específica? pra que a gente comece a tirar o pessoal, né? Ou seja, trabalhem mais a vaidade de vocês, porque muitas vezes é a vaidade que põe um projeto inteiro a perder. Então eu sempre falo, seja honesto. Você não tá vendo algo que tá errado? Fale, não deixe passar. Ah, talento? Por quê? Mas assim, não culpe o outro, tente trazer uma solução.
Vai na causa raiz que você resolve, você melhora um processo inteiro. Nisso, nós estávamos conversando antes ali, e você comentou a respeito da questão das mulheres no nosso setor. E aí, as mulheres têm uma vantagem muito grande. As mulheres buscam ajuda, Paulo. Além de buscar ajuda, uma capacidade de comunicação fantástica. Então, o homem, às vezes, pela própria característica de dominante, etc., muitas vezes ele se retrai no pedido de ajuda. E as mulheres, não. A minha esposa é engenheira civil também. Executava a obra e, num momento difícil, lá em idos de 1980... Vou entregar a idade dela aqui, depois ela briga comigo. Então, idos de 1986, 1987, num momento difícil, mas sempre essa capacidade de pedir ajuda, buscar opiniões e a capacidade, a habilidade de comunicação. Então, ora, se é tão exitoso isso, vamos aproveitar, né? Então, vamos usar o que você falou.
Eu acho que, assim, não defendendo a mulher ou o homem, enfim, acho que cada um tem seus méritos, mas Eu penso que a mulher tem uma capacidade de observar coisas que nós, homens, não temos. Então, eu acho que eu falo muito dessa questão de o que a gente tem de ponto forte que pode ajudar a outra pessoa. Então, a gente começa a olhar para o todo e é dessa forma que a gente constrói uma boa liderança.
Perfeito. Essa capacidade de execução que o homem realmente tem, no sentido de vai, de executa. Ok, agora essa habilidade é uma habilidade de inteligência, de comunicação, de percepção, de buscar. Então vamos aprender. É como você falou, não é separar isso, é juntar essas habilidades e a partir daí a gente desenvolver. Então se eu pudesse resumir a história, eu resumiria na liderança com essas habilidades.
Agora, antes de a gente falar do Ibope, do IPOG, eu queria que você falasse um pouquinho o que o Constricash... Como que você está vendo o Constricash? Que vem com esse papel de promover ideias e soluções para o mercado e, não só isso, vem também com o papel de unir, de unir todas as frentes, de integrar toda a cadeia construtiva. Porque, quando eu falo de cadeia, o automóvel faz parte dessa cadeia, os caminhões, carretas, etc. Então, essa é a indústria como um todo.
Paulo, é uma iniciativa fantástica, porque eu estava citando para você antes, meu filho ouve muito outros tipos de podcasts, de finanças, de notícias internacionais, nacionais, e faltava, na minha opinião, na nossa área, alguma coisa mais específica, mais direta, não específica, mas mais direta um pouquinho. Então, eu acho que houve aí uma ocupação de uma lacuna grande e com muita qualidade. Eu percebo aí, nos trabalhos que a gente faz com os nossos clientes, a gente lida com um turma muito jovem, né? Você também tem que ser mais jovem do que eu, não é muito difícil, né, Paulo? Mas a gente lida com um turma muito jovem e nós vemos uma necessidade de complemento de formação muito grande. E aí vem os cursos de pós-graduação. E o Construicast, com essa abrangência, essa diversidade de temas, com muita qualidade que ele traz, ele auxilia demais. Porque, imagina, eu vi outro dia lá, você tinha um tema sobre impermeização. É muito comum hoje, e essa turma é muito antenada nisso. A turma vai ouvir um elemento em relação à imprimirização, um episódio, vai pegar o seu projeto, vai olhar o que está acontecendo para poder usar lá na obra, vai questionar o projetista. Então, é uma gama de informações que, por exemplo, eu não estava acostumado. Eu sou da época que não tinha nem celular. Quando a gente começou a obra, não tinha internet. Então, essa turma de hoje é uma turma de múlti... Posso chamar-se multiprocessos de comunicação e o ConstructCast vem com essa qualidade e com essa abrangência de temas aí no sentido do leque que ele pega, fantástico. Então, queria até parabenizar aí por esse trabalho que você faz.
Então, bacana. E eu fico muito contente de ver e ouvir relatos do mercado que a gente está conseguindo, de fato, ajudar as próprias universidades. Ou seja, de fato, estamos conseguindo ser uma extensão também das universidades. As universidades estão usando nosso conteúdo como material complementar, assista esse episódio sobre impermeabilização, assista esse episódio sobre liderança, sobre o tema da pauta de hoje. Então, eu acho que a gente tem que vir ao mundo para... transformar de alguma coisa. Então, o Constricast veio pra isso e eu estendo aí esse canal sempre que você precisar vir aqui pra falar de um projeto, né? Até no seu processo onde você leciona, fique à vontade pra usar se tiver dica de tema e tal. Antes de você falar agora também do Hipócrita, eu queria que você citasse o nome de um convidado que você gostaria aqui de ver no quadro Convidado Convida.
De cara, o Luiz Henrique Ceotto. Luiz Henrique Ceotto. Eu queria trazer, que se puder trazer o Ceotto vai se enriquecer demais. Essa turma jovem tem que ter contato com o Ceotto.
Vamos combinar então, vou aproveitar e já vou ligar para ele, para a gente combinar de repente uma agenda para você estar aqui junto, para a gente fazer esse bate-papo. Gostaria muito de ir.
E já avisa para ele que eu vou trazer caneta para pegar autógrafo. Ótimo!
Nessa oportunidade eu queria tentar também trazer um estudante.
De engenharia. Que coisa boa.
Seria bacana, então eu teria... Você é professor, né? O seu outro, assim, eu tenho uma admiração pela forma como ele fala, né? Enfim, então, ele também é um... Acho que ele é um incentivador do aprendizado contínuo, é uma pessoa que lê muito. E tenho certeza que vai ser um episódio muito bacana.
Fez um trabalho recente no MIT agora, passou dois anos lá, desenvolveu um processo interessantíssimo que ele vem fazendo na UBIC, né? Então, mas deixa isso aí pra ele contar, não vou dar escolha.
Não, vamos trazer ele aqui, vamos trazer. Agora eu queria que você falasse um pouquinho do seu trabalho, assim.
Paulo, a gente... Como professor. Professor é uma das partes que a gente atua.
Eu queria que você contasse aquela história como que você...
Começou?
É, como começou, né? Lá na sua casa e tal.
Isso. Eu tenho lá, como eu comentei, eu tenho lá três filhos e minha filha mais velha passou na arquitetura, em arquitetura na UNB, meu filho do meio passou em engenharia civil, o outro, mais jovem, fez jogos digitais. E, como eu já comentei aqui, minha esposa também é engenheira civil, E quando eles passaram, houve uma preocupação grande nossa sobre a questão da formação, porque é uma área apaixonante, maravilhosa, mas desafiadora. E aí eu combinei com eles, eu vou contar curtinho. Então, eu combinei com eles, no sábado à tarde, eu iria conversar com eles a respeito do nosso campo de trabalho, sempre com elementos muito práticos, como se monta um orçamento, como é que se monta um planejamento, como é que se coordena um projeto, plano de ataque, onde eu coloco um canteiro de obras e por aí vai. E aí eles gostaram do primeiro sábado, foram chamando alguns colegas, essa coisa cresceu, já estávamos com 25 pessoas aproximadamente. Estava indo a Brasília, um grande amigo meu de Goiânia, o engenheiro Gustavo Botelho, que também é professor do IPOG. E ele me avisou, eu falei, não, vamos sair em casa. E o Gustavo foi e tal. E ele percebeu que estavam chegando os convidados ali, a partir das duas horas, né, o interfone começou a tocar, eu falei, Gustavo, vou cometer uma indelicadeza com você, não vou nem te acompanhar aí embaixo. Expliquei pra ele o que que era. E ele falou, não, mas eu quero ver. Eu falei, não, Gustavo, é coisa simples, é bate-papo que eu faço com os meninos, né, pra mim meninos ali... Meninos, acho que da forma carinhosa, né. Não, naquela época já tinham 18, 19 anos, por aí assim. Foi uma canilha chamada de Meninos. E aí expliquei pra ele, mas eu quero ver. Ele falou, tá bom. Sentou no cantinho assim e eu comecei a bater papo com os meninos. Eu tinha um data show, projetava as coisas e tal. E ele foi ficando. E eu preocupado com ele, que ele tinha que pegar a estrada ainda. Falei, Gustavo, pode ir. Ele, não, mas eu quero ver. Muito bem. Acabou ali, até esticou um pouquinho o horário. Ele me ajudou a arrumar a sala, porque eu tenho que obedecer um combinado com a patroa. E ela é brava, viu?
Eu imagino.
Engenheira ainda? Nossa Senhora. Aí, ele virou a pergunta pra mim assim, Gilberto, que bacana, por que você não faz isso dentro do Ipog? Eu falei, Gustavo, bacana, mas o que é a IPOG? Eu não conhecia. A IPOG é Instituto de Pós-Graduação. Ele me contou, então, tem lá cursos de graduação, pós-graduação, curso de aprofissamento profissional, está presente em 55 cidades e tal. E eles querem isso, Hubert, colocar profissionais do campo prático dentro de sala de aula. Posso te apresentar para o coordenador? Falei, pode, tranquilo. Na terça-feira, o coordenador me ligou. Eu já estranhei. Professor Gilberto, como vai? Realmente, eu não sou professor acadêmico de carreira, não dou aula em universidade. Eu dou aula dentro do IPOG hoje e treinamento para os nossos clientes. Olha, o professor Gustavo me falou do senhor, não sei o que e tal. Me manda o seu material. Eu, que material? Não tinha nada, eu tinha planilha de obra, vou mandar ou não vou? Ó, me dá até o fim da semana, aí tô muito apertado, na verdade, pra preparar o material. Depois disso, com esse material enviado, lá se transformaram em 15 disciplinas que a gente ministra em três MBAs do IPOG, nos cursos de aprofissamento profissional, com alguns em companies também, sempre associado ao IPOG. Uma satisfação grande de tentar contribuir com esses nossos cursos. Conheço nossos colegas que vêm tão jovens, né? E a turma sempre em sala de aula muito vibrante. Eu aprendo demais. Eu muito mais aprendo do que eu talvez contribua, Paulo. Eu aprendo muito.
Não, é muito bacana esse processo. E, infelizmente, a gente está no final do episódio que você tem agora que voltar para Brasília. Tem algumas perguntas aqui que depois a gente, de alguma forma, te direcionando aí pra gente ir respondendo, enfim, que mandaram aqui pelo Insta. E eu queria que você, infelizmente, falasse aí, desse suas considerações finais. Eu gostaria de falar pelo menos mais meia hora. Tem muitas perguntas aqui pra te fazer, mas como eu tenho certeza que você vai voltar... Vou voltar. Nossa, que honra! Isso já é um convite pra que você volte outras vezes.
É uma honra pra mim. Primeiro, já agradeço aí o convite, né? Se eu pudesse deixar alguma coisa como considerações finais, seria a busca de conhecimento por todas as pessoas do nosso setor. Aprofundar, buscar conhecimento, ouvir iniciativas como essa que você faz, buscar ler. aprofunda no tema para execução. Eu tenho certeza que os nossos ouvintes estão ligados à execução. Nós não somos cientistas, nós não vamos estudar para poder desenvolver uma técnica, não vamos, mas para fazer melhor. Teoria e prática, também os alunos vão lembrar disso, teoria e prática, elas não se dissociam. Quem fala assim, na prática a teoria é outra, nem conhece teoria e nem conhece prática. A prática é a execução, mas ela não pode ser tentativa e erro. Tentativa e erro são os nossos colegas mestres de obras, encarregados, que levaram uma vida inteira errando e aprendendo até chegar no ponto. Nós temos que usar a inteligência nesse sentido, e aí é buscar conhecimento, mas para fazer. É fundamental isso, sabe Paulo? Por isso eu fico tão satisfeito do convite para uma iniciativa como é o do ConstruCast para desenvolver conhecimento. Então, se a gente pudesse deixar, quem somos nós para dar conselho, mas se pudesse deixar uma lembrança seria isso. Aprofundem conhecimentos. Para a execução, mas aprofundem conhecimentos.
É, e esse ponto que você traz da execução é importante, porque acho que pra você, quando você conhece, fica muito mais fácil viver, né? Porque como que eu vou falar de algo que eu não conheço? Quando eu trabalho só aqui a teoria, mas eu não vou trabalhar a prática de execução, eu fico muito aquém aí de construir, de repente, alguma coisa. Então é isso, Gilberto, eu mais uma vez, enfim, agradeço o seu convite, o seu convite não, o seu, a sua vinda até o nosso canal, até o CountryCast. Aproveito para pedir para você que assiste, para você que ouve, participe mais, interaja. Eu sei que o nosso público é muito mais de de ouvir, entender e de repente praticar, mas é importante que você fale de, sei lá, em que região que eu estou, né? Contribua com comentários, o que você pode contribuir, inclusive, com o episódio de hoje para que a gente consiga melhorar cada vez mais e mais. É o lifelong learning, né? É o aprendizado constante. Então, um abraço para vocês que ficaram até aqui e até o nosso próximo encontro aqui no ConstructCast.
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