Rogério Suzuki | Tecnologia 7D na Construção Civil | Construecast | Paulo Barros

Podcast episode (ConstrueCast) hosted by Paulo Barros with André Rodrigues and guest Rogério Suzuki about BIM adoption and its value for asset management/facilities. Key points: BIM is a process/philosophy (not just 3D or software), adoption is growing but uneven (≈30–35% initial adoption in private buildings; lower in infrastructure), and major benefits include better inventories, energy/maintenance savings, and enabling digital twins and predictive maintenance. Obstacles discussed: lack of owner demand/knowledge, skills gaps, procurement/legal constraints, and cultural resistance; public strategy (BIM-BR) mandates are phased toward 2028.
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constra e Cash e hoje vamos conversar sobre um tema muito importante que é o BIM na evolução de ativos. Para conduzir esse bate-papo junto comigo eu tenho a honra de receber André Rodrigues, que é BIM Manager e uma grande construtora aqui em São Paulo. André, eu gostaria que você se apresentasse, falasse um pouquinho do seu dia a dia e na sequência gostaria que você apresentasse o nosso convidado, que é um grande professor e tem muita experiência, para compartilhar aqui com a nossa audiência do Construe Cash.
Legal. Obrigado, Paulo, primeiramente pelo convite. É uma honra estar aqui com vocês. Na minha atuação, eu trabalho com a implantação dos processos do BIM em uma construtora aqui de São Paulo. que tem atuação nacional na área de edificações e infraestrutura, principalmente. E hoje temos aqui a honra de receber uma pessoa que tem larga experiência na aplicação do BIM, inclusive já trabalhou conosco em grandes obras de infraestrutura. A mais recente foi a obra do aeroporto de Fortaleza, é o Rogério Suzuki. que ele domina principalmente a área de aplicação do BIM no gerenciamento de ativos.
Rogério, seja bem-vindo ao nosso podcast. Gostaria que você se apresentasse, enfim, falasse um pouquinho aí com a nossa audiência. Inclusive, você também é professor.
Sim. Bom, obrigado pelo convite, André, Paulo. Bom, eu tenho uma carreira de mais ou menos uns 30 anos. Eu sou arquiteto de formação, mas sempre vi na tecnologia algo que me fascinava. Então, na minha época, a gente não tinha nem computador direito na faculdade, aquelas coisas. Quem é um pouco mais velho vai se identificar com essa história. mas a gente entendeu desde cedo que o uso da informática era inevitável em qualquer campo de conhecimento. Então, eu investi bastante nesse conhecimento, trabalhei 16 anos com o maior revendedor de software de projetos do mercado, depois fui trabalhar com gerenciamento de projetos numa outra grande empresa e mais ou menos em 2008 parti para a carreira solo de consultoria. Então, mais ou menos nesse tempo desenvolvi o que a gente chama de Academia BIM, uma iniciativa de educação orientada a incorporadoras e consultoras para apoiar justamente a relação entre contratantes e contratados. Então você imagina quando você insere uma inovação no mercado, no começo existe uma grande confusão porque o pessoal não sabe nem pedir e o outro não sabe fornecer, ou os dois, e causa muita confusão no mercado. Então a gente desenvolveu essa iniciativa. Desde lá, a gente vem trabalhando com uma consultoria que apoia as implantações nas empresas. Trabalhei em refinarias, obras de metrô, trabalho bastante no mercado imobiliário também. Hoje é o meu dia a dia.
André, antes de passar a pergunta, né? Enfim, antes de passar a bola pra você conduzir o bate-papo com o Suzuki, eu gostaria de perguntar como que tá o mercado hoje de BIM, né? Dessa tecnologia, que é uma tecnologia muito importante, principalmente pra assertividade nos projetos e tal, mas eu percebo no meu dia-a-dia que a gente está com... você desenvolve um projeto ali, está tudo lindo, mas na maioria das vezes a gente não tem esse projeto em 3D na obra.
Sim.
Eu queria que só para, antes de passar a bola, porque foi uma discussão hoje que eu estava conversando com o engenheiro e a gente estava falando dessa cultura que você desenvolve ali, mas acaba na obra, no dia a dia, usando uma planta 2D.
Não, muito boa pergunta, Paulo. O que acontece? A gente está num processo de adoção e várias frentes caminhando ao mesmo tempo. Então, a iniciativa pública, a parte privada também, em velocidades diferentes porque, obviamente, cada um tem uma condição. Se eu vou pensar para o mercado privado de edificações, a gente pode dizer hoje que talvez entre 30% e 35% já estão, pelo menos, em estágios iniciais de adoção. Agora, quando a gente vai para a infraestrutura, esse número diminui. Bastante por várias razões, desde o tamanho das obras, as questões tecnológicas e técnicas do próprio BIM, questões de norma e padronização também, mas de modo geral, assim como todos os países do mundo, a adoção é irreversível e ela está crescendo. E nos últimos anos, principalmente a pandemia, ela trouxe um benefício interessante, né? Que foi a digitalização em todos os negócios. Muita gente começou a entender que não tem como, né? E à medida que você começa a ver casos de sucesso, outras empresas fazendo e tendo resultado, aquela coisa do medo desconhecido, ela começa a assumir, né? Eu acho que essa é a grande questão. O vizinho fez, eu também tenho que fazer.
E são inúmeras vantagens, né?
Sim, sem dúvida.
André, pode, queria que você agora, pode conduzir, eu bati o papo, eu vou ficar aqui mais como curioso e num momento ou outro eu dou uns pitacos aqui.
Ah, vamos lá, vamos. Vamos lá fazer uma conversa aqui aberta sobre esse tema. Esse ponto que você levantou, né? Sobre o BIM, ele tem várias áreas de aplicação, né?
Sim.
Uma das áreas, acho que pioneiras e mais difundidas é na área de projeto. E como você comentou muitas vezes, o projeto vem todo em BIM, mas esse processo BIM para em projeto e não segue para a obra. Como o Rogério falou, existem as empresas que estão cada uma num estágio diferente da sua aplicação. Umas já estão mais maduras, outras menos, e existem aplicações diversas. Eu acho que entender o BIM para além da tecnologia, mas para um desenho de processo, ajuda nesse sentido. E é um desenho de processo que começa no projeto, com diretrizes de projetos, e termina, por exemplo, na área que o Rogério tem a sua principal atuação, que é na área de gerenciamento de facilities. Para isso, esse processo deve ser todo desenhado. E daí vem a minha pergunta para o Rogério. Rogério, O que te chamou a atenção e o interesse para essa área do gerenciamento de facilities, sendo os processos bem aplicados em tantas áreas diversas, mais conhecidas como projetos, planejamento e acompanhamento de obra e quantitativos? Como foi esse seu namoro com o gerenciamento de facilities e o porquê dessa área?
É algo como uns 20 anos atrás, eu trabalhei numa empresa que ela trouxe dos Estados Unidos uma tecnologia de Facilities que era na época integrada com AutoCAD e vieram vários manuais, tudo em inglês, enormes e tal daí o meu chefe falou assim ó, tá aqui ó, uma coisa que ninguém quis aprender, se você quiser né, você vai ser o cara desse software aqui E na hora que eu comecei a ler, eu comecei a entender que a gestão de facilities nada mais é que é uma atividade de gestão integrada. Então, imagina que você integra gestão de manutenção, de ativos, de espaços, você integra consumo energético, aluguéis, é um mundo de gestão que qualquer empresa de certo porte, imagina, varejo, governo, deveria fazer. Então, quando eu entendi aquilo lá, eu falei, nossa, eu quero só trabalhar com isso. E é ali que me despertou esse interesse. Anos mais tarde, a gente conseguiu fazer algumas implantações desse sistema no Brasil, e eu fiz o meu mestrado na USP da integração do Beam com o Facility Management. Daí eu juntei duas paixões que eu vinha trabalhando, mas assim, como eu caí no FM foi justamente através do software, não foi através de ter trabalhos anteriores.
Mas quando eu entendi a tecnologia, eu.
Falei, nossa, isso aí faz muito sentido.
Só uma curiosidade, nesse sentido, você trabalha muito junto das construtoras e também dos escritórios de arquitetura?
Hoje eu posso dizer que a maior parte do meu tempo ainda é dedicada à parte inicial, que é projeto e construção. Só que, obviamente, como o André falou, eu venho insistindo nessa tecla, Porque é aquela coisa, faz todo sentido, só que o mercado ainda não está ciente de todas essas vantagens, então a gente tem um trabalho que muita gente, por exemplo, não conhece que é possível fazer uso do BIM nessa fase do pós-obra, ou seja, fazer o uso do modelo e das informações na gestão e operação de qualquer coisa. Seja uma estrada, seja um hospital, um edifício. Então, existe uma grande lacuna, vamos dizer assim, falta de conhecimento e cultura. E não é só no BIM, é na parte de FM. Para você ter uma noção, existem pouquíssimos cursos de pós-graduação de Facility Management. Tempos atrás a gente tinha só quatro no Brasil. Então imagina, você tem centenas de faculdades e universidades ensinando engenharia civil, engenharia de manutenção, etc., mas só quatro pensando na fase do pós-obra.
É um ponto bem interessante.
É um ponto interessante. Sim.
Porque, na verdade, por que o pessoal não pensa nisso, né? Porque... Agora, pensa do lado prático da vida. Não é mais gostoso você projetar e construir do que você ficar limpando as coisas e consertando, né? Que é a gestão e operação. Então, é muito menos glamouroso essa área. Só que, ao mesmo tempo, é a mais importante. Por que a gente faz gestão e operação? Porque a gente tem que, por exemplo, uma rede farmácia tem que abrir, tem que vender remédio. Uma indústria tem que produzir sem interrupção. Um hospital não pode ficar sem energia se não não consegue fazer uma cirurgia, uma consulta, uma radiografia, o que seja. Então, quando a gente começa a pensar em qualquer área da economia, estradas, aeroportos, data center, presídio, qualquer coisa teoricamente deveria fazer uso de facility management, de gestão e operação. E poderia usar o BIM. São duas coisas. Poderia fazer facility integrado e poderia usar o BIM integrado com o FM.
Essa é a grande questão.
Você tocou num ponto importante, Rogério, que se a gente for levar em consideração que a operação e manutenção de uma edificação diz respeito ao maior tempo de vida dela, né? A gente tem ela em média de, vamos dizer, dois a cinco anos. entre projeto e execução de uma obra, por exemplo, de uma edificação. Mas ela vai ter ali 40, 50 anos de vida para ter sua manutenção e operação sendo organizadas. E aí vem a pergunta, em que momento quem está se preocupando com a concepção de uma edificação deve pensar nessa questão do gerenciamento de facilities? Como você acha que seria um papel mais do do projetista ou da construtora ou até mesmo do incorporador, do cliente final, em que momento as informações do gerenciamento de facilities e dos ativos você recomenda que sejam inseridas nesse processo?
Bom, o maior interessado na gestão é o proprietário. Então, ele que contrata projetos, estudos de viabilidade econômica, técnica, etc. Ele contrata a construção e depois vai usar. Então, ele deveria ser o maior interessado. Só que muitas vezes o que acontece é que o próprio proprietário não conhece essa possibilidade. Então é muito comum ver no mercado proprietários exigindo o uso do BIM na fase de projeto e construção, e ele para por ali, por incrível que pareça, é como se ele morresse na praia, por falta de conhecimento. Então desde o início da solicitação dos primeiros estudos, da definição das informações de contratação dos parceiros, seja de projeto ou construção, ele deveria ser o dono ter a iniciativa e ditar as regras. Porque, mais que nada, é ele que deveria saber o que ele precisa de informação. Então, aonde que pega? Até fazer uma parte, é muito curioso, quando a gente faz consultoria nas empresas, a gente pergunta, o que você quer de informação? Vários deles simplesmente não sabem. Porque, por exemplo, eu vou... E todo mundo sabe quanto custa uma conta de energia.
Esses dias eu usei numa aula de pós-graduação, um exemplo de um prédio LIDL aqui de São Paulo, a conta mensal de luz, 500 mil reais.
500 mil reais.
Então é assim, você gasta 500 mil reais vezes 12, vezes 50 anos, certo? Então se ele fizer as contas de qualquer coisa orientada a essa gestão, que ele economizasse 0,5%, 1%, ele teria uma economia de condomínio, redução do custo do aluguel, redução da vacância, o que seja muito grande. Só que é aquela coisa, para ele ter essa visão, ele tem que conhecer amarrar várias pontas que hoje são soltas. Ele não entende do BIM, por exemplo. Ele acha que o BIM é 3D. Na verdade, quem conhece o BIM, como o próprio André falou, BIM também é processo e definição da jornada de informação. Então, ele deveria falar assim, ó, eu preciso dessas informações nessa fase do empreendimento Tais responsáveis vão ser os donos, responsáveis por criar e manter essa informação, e eu quero receber meu empreendimento com tudo dentro. Tudo, eu digo, notas fiscais, número de série, garantias, data de compra, vida útil. Por exemplo, em quanto tempo eu prevejo de trocar, sei lá, parte das máquinas dos elevadores, ou que eu vou ter que fazer manutenção das bombas. Então, assim, isso interessa para ele, porque ele que vai manter aquilo funcionando.
Rogério, uma curiosidade no que você está me falando agora, o BIM, ele me dá essa previsibilidade de troca de equipamento.
Sim.
E não imagina numa situação dessa, por exemplo, de conta de luz, até em função de determinados equipamentos, mesmo esse prédio tendo essa certificação LEED, ou seja, ele tem ali equipamentos eficientes que, de fato, proporcionou essa certificação. Sim. o BIM também, numa situação como essa mesmo, o prédio já sendo certificado, o LEED Gold, por exemplo. Imagina que a indústria lançou um equipamento novo. Nessa situação, ele me ajuda, de repente, numa troca de equipamento para que eu reduza essa conta de energia?
É, aí o uso do BIM para ativos existentes talvez não seja o melhor caminho, porque, afinal, o equipamento já está instalado, a obra já está construída. O ideal é nascer certo.
Entendi.
Então, eu digo assim, quem define o custo de manutenção e operação é o projetista. Se eu coloco um vidro insulado, se eu defino uma orientação de incidência solar desfavorável, o que vai acontecer? Eu vou gastar mais luz. Para refrigerar o edifício. Então, quantas vezes você olha no Nordeste, pedras de vidro, caixas assim, que é um desenho para país semi temperado, não é aqui no Nordeste que tem o maior fator de incidência solar, é uma coisa absurda, mas é aquela coisa, se o proprietário desde o começo, ele entendesse de como essas decisões estéticas impactam no custo de vida, o custo de operação, certamente eles iam pensar duas vezes. Só que eles fazem o contrário. Eles dão pouco tempo para projetar, pouco dinheiro para os projetistas. Acabei de falar em outro evento hoje de manhã. Se você tem pouco dinheiro para um projetista, o que ele faz? Ele te oferece a primeira solução que der. Porque não pode... E se eu fizer isso? Se eu fizer aquilo? E o BIM tem softwares, por exemplo, que você pode calcular a carga térmica. a curva de temperatura no ambiente sem construir nada fisicamente.
Isso de acordo com as soluções que você vai alimentando ele, né?
Isso, os materiais que você vai colocando, se você faz, por exemplo, abertura de ventilação cruzada, se você usa pintura, você troca, faz isolamento térmico e você simula tudo isso no computador. Só que é aquela coisa, os próprios proprietários às vezes não contratam especialistas, existem especialistas aqui no Brasil que eles pegam um projeto, analisam o design e te falam, se você fizer isso, isso e aquilo, você vai reduzir em tantos milhões a conta de luz ao longo dos anos.
André, antes da gente continuar com a sua próxima pergunta, primeiro eu gostaria de ressaltar, você não tem noção o quão eu aprendo apresentando esse podcast. Eu estou tendo uma aula de BIM aqui, muita gente não sabe o que é BIM. E até o Rogério tocou em um ponto importante, que muitas vezes é essa falta de adesão de uma tecnologia ou outra por falta de conhecimento, razão pela qual eu trago uma pergunta para você. de forma simples e objetiva. O que é BIM? Só pra gente continuar com esse bate-papo aqui.
Beleza, então. Bom, o BIM a gente pode entender como uma forma de gerenciar as informações e de modificação a partir de uma modelagem digital. Rogério pode até confirmar se ele está.
De acordo com... Sim, uma maneira de pensar, sim.
Resumindo, o BIM não é 3D.
Não, não é 3D e nem software. Muita gente fala, não, o BIM é um prédio em 3D. Não, o BIM, na verdade, é quase como se fosse uma filosofia, uma maneira de pensar que você usa para fazer melhores projetos, melhores obras e operar e manter edificação ou infraestrutura, qualquer coisa, de uma maneira mais eficiente. E ele faz isso integrando informação e aumentando essa possibilidade, por exemplo, de simulação, que é um dos grandes valores do Beam. Então, eu posso simular, por exemplo, tempo de construção, eu posso estudar plano de ataque, eu posso estudar calor, troca de temperatura, eu posso estudar N variáveis. Simplesmente quando não tem custo incidente, que é na fase de projeto. Então, eu ensaio antes de ir para o canteiro. E uma vez que eu provo a melhor solução, eu vou para a obra. Em teoria, se eu fizer uma boa aplicação do BIM, eu vou ter menos interferência, menos interrupção, menos custo de obra. Depois, se eu fizer o uso correto no começo, eu vou ter menos custo de gestão e operação. Ou seja, é fazer melhor todo o ciclo de vida, do início ao fim.
Gostei desse termo filosófico, ou seja, cada profissional que vai operar interpreta de um jeito, então cada um tem uma forma de operar e isso vai gerar uma eficiência maior ou não. Sua próxima pergunta, André?
Só complementando esse último ponto sobre o BIM, uma coisa que a gente sempre fala lá na empresa quando vai ter um start de um novo projeto em BIM. A gente sempre fala, no BIM a informação que vai sair na ponta depende da informação que entra. Então, a gente sempre alinha no começo de cada empreendimento quais vão ser as aplicações. A gente quer utilizar a BIN nesse empreendimento com quais aplicações? Vai ser para quantitativos? Vai ser para simulação do planejamento da obra? vai ser para compatibilização. Então, o que vai sair aqui na ponta vai definir como a gente vai organizar as informações no início desse processo. Ele vira mesmo, como a Rogéria falou, uma filosofia. Ele vai para além de software. Antes de se pensar em software, a gente pensa na finalidade do processo. Entendi.
Muito obrigado pela aula, senhor. Há muitos anos que eu vivo nesse mercado de arquitetura, engenharia e construção. Acho que pela primeira vez eu estou entendendo de fato o que é o BIM. Pode ir com você, André.
Então, como até você comentou, existe um certo desconhecimento, principalmente, por quem deveria ser o maior interessado, pensando na área de gerenciamento de ativos, que é o proprietário da edificação, um desconhecimento das vantagens de aplicar o processo da maneira correta, a gestão da informação da maneira correta. E eu imagino mais, se não existiria um desconhecimento dos prejuízos que esse proprietário porventura tenha nessa gestão e operação da sua edificação por não ter feito isso. Aí eu queria pedir para o Rogério explicar um pouquinho sobre quais são os eventuais prejuízos que ele vê em muitas dessas edificações, na gestão delas, e quais são os benefícios que a aplicação dos processos BIM e de um gerenciamento de ativos mais integrado trazem.
Sim. Bom, depois que está construído, obviamente, imagina que você faz o raciocínio baseado em metros quadrados de gestão. Então, imagina que eu tenho lá 100 mil metros quadrados e desde o projeto inicial, por exemplo, uma vez eu fui dar uma palestra na Fiocruz, e tava chovendo, lá em Manguinhos, ali no Rio de Janeiro, e eles fazem vacinas, etc. E tinha um piso de porcelanato branco, e aí toda hora alguém entrava, pisava, e a moça ia lá e limpava. Daí, o motoboy entrava de novo, ela ia lá e limpava. Chegou uma hora que ela olhou para mim e falou, ó, doutor, o senhor vai me desculpar, mas eu tenho que sair daqui e limpar os banheiros. Eu falei, a culpa não é sua. A culpa é de quem botou um porcelanato branco num lugar de tráfego que tem poeira e terra. Então, assim, se a gente for pensar, o custo só dessa pequena parte, imagina você ter milhares de metros quadrados E hoje as empresas simplesmente desconhecem o que elas têm. Então, um dos primeiros usos do BIM para gestão de ativos é fazer o inventário. Qual é o tipo de espaço que eu tenho? É piso molhado, seco? Que tipo de produto eu tenho para limpar? Para, por exemplo, fazer a contratação de serviços. Depois, a parte de energia, sem dúvida, é um dos maiores custos que a gente tem. E quando a gente fala de energia.
Não é só refrigeração, é iluminação, segurança, etc. E muita gente usa mal o espaço. Então, a gente mesmo tem uma parceria com uma universidade aqui em São Paulo que ela tem monitoramento de ocupação das salas e presença. Então, eles têm sensores que monitoram se tem gente na sala, se o ar condicionado está ligado e se a luz está acesa. E quando não tem gente, mas um dos dois está acesa, eles disparam um alarme e eles têm um medidor de quantas horas a luz ficou acesa ou o ar está ligado sem gente.
Sem gente, que interessante.
Então assim, esse é o futuro, para onde a gente vai começar a fazer gestão em tempo real de tudo. Medir consumo, medir eficiência. Mas voltando para a questão do inventário, essa é a parte mais básica.
Muita gente não controla garantias. Imagina que eu sou uma universidade, eu tenho centenas de milhares de computadores. imagina se eu não monitor ele queima e eu não sei se na garantia que eu faço eu tenho que dar aula então eu troco certo então quando você vai somando esse várias ineficiências na hora que o próprio André falou. Se o proprietário tiver noção desse dinheiro que está sendo jogado fora todo dia, ele simplesmente vai falar, nossa, BIM faz sentido, ou pagar mais caro pelo projeto faz sentido, dar mais prazo para fazer projeto, escolher uma consultora que trabalhe em BIM melhor faz sentido e assim por diante. Tudo é uma questão de maturidade e conhecimento, eu não tenho dúvida disso.
Rogério, até aproveitar, a gente tem aqui um quadro que é Dica Constricaste, aproveitar que a gente tá já nesse tema e muitas vezes o que eu noto é que de fato as pessoas não aderem a uma tecnologia, até por questão cultural ou por questão de desconhecimento de fato dessas vantagens e prejuízos por conta dessa falta de adesão de uma tecnologia como o BIM. Por exemplo, que dica você daria para aquelas pessoas? Você vai começar um projeto, você vai... Qual que é a dica para essa pessoa?
Eu acho que assim, se eu fosse um proprietário, a dica que eu daria é começa pelo fim. Começa pensando em como você faz a gestão. E segundo, a gente tem que alinhar a estratégia da operação. Pensar assim, qual que é o meu driver do negócio? Tem drivers que são expansão. Então, se eu sou varejo, eu tenho a meta de dobrar minhas lojas. Então, nada interessa mais do que eu aumentar minha velocidade de construção e botar em operação.
Ou não.
Minha estratégia pode ser reduzir custo operacional. Normalmente hoje a maioria das empresas está mais nesse foco do que no foco de expansão. Vamos pensar, por exemplo, bancos. Antes já era banco físico. Hoje a concorrência são fintechs que não têm agências físicas. Qual é o movimento que está acontecendo no mercado imobiliário? Eles estão desativando agências porque não precisa, não faz sentido. Então, você tem que unir sempre esse movimento estratégico com uma decisão de como você vai abordar essa gestão. Mas eu chamaria, sem dúvida, especialista, porque.
Você tem que ter a visão muito holística da coisa, não pensar só na gestão e operação e entender como é.
Que a informação começa, como é que.
Eu dou os primeiros rabiscos, por exemplo, em projeto. Outra dica fundamental é envolver a área de gestão e operação no projeto. Eu vejo muito pouca gente fazer isso. Porque normalmente são diretorias separadas. Uma área faz projeto e obra e outra faz a gestão e operação. Como se a gestão e operação não pedisse, não desse os pré-requisitos. É o caso do piso. Se quem limpa vai falar, não, não põe esse piso porque é um absurdo que eu gasto para limpar. Ele nunca está limpo.
A gente mesmo faz um trabalho nas consultorias nas empresas e a gente coloca assistência técnica junto com o pessoal de projeto porque eles já sabem, por exemplo, determinado piso, acabamento, mancha, trinca. Então, como é que a gente evita aplicar esse mesmo material? Evitando que ele especifique na fase de projeto.
Na fase de projeto. E eu tenho uma outra pergunta, até pedido mesmo como dica também com o Street Cash. Quando eu tenho um projeto, eu vou construir esse prédio, esse empreendimento, eu vou operar ele, eu entendo que aqui, de fato, faz sentido eu fazer um investimento nessa tecnologia, no BIM, por exemplo. Agora, imagina que eu vou construir aquele prédio, só que depois eu vou passar... Quem vai operar vai ser outra empresa. Você já imaginou se essa empresa que fosse operar esse empreendimento exigisse a tecnologia BIM? Imagina, o que você tem de dica nesse sentido também?
Bom, eu e o André mesmo, a gente participou de uma oportunidade dessa, de um empreendimento num aeroporto tempos atrás, e o próprio proprietário não tinha pedido isso no contrato.
Mas ele que ia operar?
Ele que ia operar. Só que... o pessoal do André me chamou para até ver outras coisas e eu mesmo falei, por que a gente não provoca o proprietário para que ele nos contrate para entregar as informações durante a obra de uma maneira organizada dentro de um software de gestão de ativos para que ele possa fazer a arrancada, gestão e operação com todas as informações dentro. Algo que hoje, se você for olhar, quando você faz qualquer tipo de obra, empreendimento, Como o proprietário não pede como ele quer, cada uma da construtora entrega o que ela quer do jeito que ela quiser. E o que acontece, existe uma curva inicial para você poder usar essas informações que leva anos. E o proprietário está perdendo a oportunidade violenta de reduzir esse tempo.
Imagino.
Na verdade, é aquela coisa assim... Imagina você vai comprar um carro, mas o fabricante não te diz se você tem que trocar a pastilha, amortecedor a cada tantos mil quilômetros e você vai adivinhar e vai procurar uma informação X no manual tal da bateria no outro manual sabe aquela coisa que Hoje é inconcebível, mas imagina um prédio com milhares de equipamentos, metros quadrados, acabamentos, sistemas, né? É uma loucura. Mas é assim que acontece hoje.
Não se imagina...
A informação fica meio perdida, né?
Fica solta, né? Sim, tem um nexo.
Tem um detalhe, um número até interessante, desculpa te interromper, André, que tem um estudo que fala que 80% do tempo de gestão e operação é perdido buscando informação sobre os ativos. É, realmente... Então, por exemplo, queimou uma bomba. Até você procurar onde está o projeto, ver a especificação, ver se está na garantia, se não está, quem instalou, porque às vezes a garantia é do fabricante, às vezes a garantia é do instalador, às vezes a garantia é da construtora. Então, esse tempo você fica procurando e a bomba está parada, certo? O que acontece? Você às vezes substitui a bomba e depois vai ver e tentar descobrir se alguém deveria pagar pela garantia ou não. E assim vai.
Nós tocamos um ponto importante, que é pensar nessa informação desde o começo para chegar na ponta na hora da execução. Mas e quando é um prédio já existente? Quando é um prédio antigo, já tem 30, 40 anos de vida, ou então menos, tem 20 anos, mas não foi concebido em BIM. Qual a melhor estratégia? O que você recomendaria nessa fase?
Essa é difícil.
Não, é boa. Porque, na verdade, se você for olhar, a maioria dos ativos que a gente tem não está para construir, já está construído. Imagina, por exemplo, vamos pensar em termos de hospitais aqui em São Paulo. Você não tem um hospital por ano novo, porque simplesmente o governo não tem dinheiro para construir nessa velocidade. Mas quantas centenas ou milhares de unidades de saúde a gente tem para manter? Então, o que o André falou é muito pertinente. A primeira coisa que eu faria, talvez até sem BIM, seria fazer um inventário do que eu tenho. Ou seja, o que eu tenho em cada edifício, onde está localizado, quais tipologias de espaço, o que eu tenho de equipamento, quem usa e quanto custa. Aí eu começo a fazer uma estratégia de gestão. Por exemplo, se eu começo a criar uma linha de corte, dos edifícios que estão gastando muita energia e atendendo pouco o paciente, por exemplo, eu simplesmente priorizo para fazer um retrofit nesses em vez de construir um novo, por exemplo. Agora, se a gente for pensar em BIM, uma abordagem possível seria fazer uso de gêmeos digitais.
Como que, desculpa, repete o termo?
Gêmeos digitais.
Gêmeos digitais. O que é o gêmeo digitais?
O gêmeo digital é um ente equivalente virtual. Então imagina que você tem um edifício, uma ponte, uma usina, uma fábrica física e você tem um equivalente virtual em 3D, o modelo BIM ou o GM digital que a gente vem trabalhando hoje Ele é baseado em fotos, então a gente vai no local, tira fotos, e depois a gente sobe uma plataforma e conecta com os sensores para fazer gestão. Então o GM Digital, para que ele serve? Para você fazer como se fosse um controle remoto à distância. e você vai monitorando o consumo, se a luz está ligada, se tem ladrão, porque você pode fazer monitoramento de patrimônio, você pode medir temperatura, quantas pessoas estão... Por exemplo, o CO2, o gás carbônico. Se eu vejo que tem muito CO2, eu poderia ligar a ventilação e assim por diante. É como se fosse um organismo vivo, só que ele é réplica do real e interage com o real.
E ele vai gerando e vai me dando todas essas informações.
Isso, porque hoje, por exemplo, consumo energético, como é que a gente faz a gestão? A gente simplesmente recebe a conta no final do mês e depois a gente paga, ou seja, a energia já está morta. Se eu vejo que estou gastando mais que o normal e eu tivesse a medida em tempo real, o que eu faria? Começaria a investigar que tal lugar está com fuga de corrente ou alguém fez Um gato, né? Você viu o problema da light no Rio de Janeiro, basicamente é isso. Ao invés de simplesmente esperar que tudo aconteceu, eu pego as contas e falo, não, gastei 20% a mais do que eu deveria. A gente não faz isso em casa, às vezes? Como é que a conta da luz chegou tão alta? Como é que a conta da água chegou tão alta? Porque você não monitora, não tem a condição de monitoramento em tempo real. Só que hoje em dia a gente tem essa condição. Então, a gente coloca sensores e você publica dashboards em Power BI, alarmes. E aí, quando você começar a trocar com informação com software de gestão, modelos BIM também, você vai ter essa capacidade de gestão em tempo real.
E tudo isso está integrado, né?
Isso, são escalas diferentes de gradativas de integração, mas a gente pode dizer que no futuro tudo vai convergir para integração em tempo real. E as decisões, por exemplo, se troca ou não troca, uma das coisas, para que serve um gênero digital, por exemplo, para fazer manutenção preditiva. Então, a gente faz corretiva, quebrou, a gente arruma. A preventiva é que você define ciclos periódicos de troca de elementos, limpeza, troca de fluidos, as coisas. E a preventiva é baseada em evidências. Então imagina que eu vejo que uma bomba está vibrando muito, ela está com pouca vazão, ela está aquecendo muito, que eu abro uma ordem de chamado, porque eu estou medindo ela em tempo real e eu não vou trocar peças desnecessárias. Se você for pensar um carro hoje, a gente faz preventiva e às vezes a pastilha nem está gasta e o pessoal troca. E, na verdade, nesse conceito muito mais eficiente, você só vai trocar efetivamente quando precisar.
É uma comparação bem interessante que você trouxe agora.
Realmente, o Rogério tocou num ponto bem interessante que é a questão do gêmeo digital. E essa questão de fazer isso para edificações já existentes. Existe hoje, Rogério, tecnologia, por exemplo, para que a gente consiga fazer esse levantamento do existente, e esse existente sofrendo uma reforma ou uma ampliação, tendo seus projetos desenvolvidos em BIM, ter uma integração disso tudo?
Sim. Existem várias abordagens diferentes. Existe a abordagem clássica que usa o modelo 3D ou o modelo BIM. Então você faz escaneamento a laser, aí você usa drones também, e aí o produto disso é uma nuvem de pontos, e aí você usa para comparar a nuvem com o modelo BIM. E, em teoria, você deveria atualizar o modelo BIM para ele corresponder à realidade. Porque você entregou o empreendimento Dá um mês e o nego já está quebrando parede, mudando a sala, ou seja, você já não tem mais exatamente aquilo que você tinha. Mas a gente vem trabalhando, por exemplo, com uma tecnologia alemã que é baseada em imagens, é baseada em fotogrametria. Que daí ele evita você construir um modelo 3D. E ele fica muito mais rápido e muito mais barato. E tem as mesmas funcionalidades de um.
GM digital, só que é uma outra vertente.
É um outro processo.
Sim.
A partir das imagens, eu consigo como navegar naquele ambiente.
Isso, imagina que você vai, sei lá, a cada seis meses, a cada três meses. Depende, né? Da quantidade de mudanças que você tem. E você vai fazendo um as-built. Ou seja, como é que está o status naquele dia. Você grava aquela informação, dá três meses, você tira de novo um novo conjunto de fotos e você consegue comparar como é que estava e como é que está.
E aí você vai alimentando a plataforma?
Isso. Aí você sempre tem que conectar isso a uma plataforma que toma decisões, né? Ou te dá os dados. Então, por exemplo, eu quero saber o custo por metro quadrado. Então, o custo é baseado... no espaço físico, naquilo que eu tenho. E outra coisa é no uso. Porque, imagina, eu posso gastar pouco, mas ninguém usa. Eu fui uma vez dar uma palestra no governo de estado do Nordeste, não vou falar não, é para não criar constrangimentos. E a gente andou, andou, andou no centro administrativo e vários prédios vazios. E o próprio pessoal falou que esse governo aluga vários prédios na cidade. Aí você começa a entender assim, né? Como é que pode, né? Se fosse o teu dinheiro, né? Imagina, você paga o aluguel, o condomínio, a segurança, não tem ninguém lá. E você paga aluguel de um outro espaço, quer dizer, sabendo que você tem aquele. Eu costumo dizer que não falta dinheiro para o governo, o que falta é gestão. E isso vale para municipal, federal e estadual. Eu já conheço a realidade dos três níveis.
Interessante.
O Rogério tocou no ponto importante, agora falando na esfera pública, essa questão da gestão das edificações, públicas. E a gente teve, em 2020, uma normativa federal que estabeleceu as fases de implantação da Estratégia BIM Brasil. E, de acordo com essa normativa, a partir de 2028, os prédios públicos terão que utilizar bem os seus processos de operação e manutenção. Como você vê esse calendário e se você acha que o impacto que isso tem, que essa normativa tem, você já sente que há um movimento nesse sentido? E o mercado, principalmente aquelas empresas que fazem operação de obras públicas ou construção para clientes públicos, já aumentaram a procura nesse sentido ou o pessoal ainda está olhando como se fosse na horizonte distante, pensando que 2028 está bem aqui? Sim.
Bom, André, até eu participei, fui um dos oito consultores externos convidados pelo governo para apoiar a formulação da estratégia BIM-BR. E eu fui um dos que tentei colocar até essa visão da gestão e operação o mais curto possível, porque eu falei exatamente isso. Quantos imóveis ou infraestruturas a gente vai construir agora versus o que a gente tem para manter? Quantos milhares de quilômetros de estrada a gente tem? Quantos milhares de hospitais que a gente tem? Versus o que a gente vai construir. Qual é o tamanho do orçamento para obra versus o orçamento para gestão e operação? Gestão e operação é 80%, 90% do orçamento. Mas foi voto vencido. O pessoal falou que é muito ambicioso. então quando a gente colocou para 2028 a gente tentou pensar eu falei para ele gente se você coloca a obrigatoriedade lá longe, o nego espera até 2027 para começar a se mexer. Essa é a verdade da nossa cultura brasileira, podemos dizer assim, deixar para a última hora. Só que a gente já vê movimentos de algumas esferas. Eu mesmo fui convidado pelo Ministério Público Federal, o governo federal, para participar de umas rodas de discussão justamente dessa parte.
Do uso do BIM com a gestão e operação. Isso faz um ano e meio já.
Legal.
Agora... Está evoluindo, então. Está evoluindo.
Só que tem um outro porém, né? Tem muita... Em 2021, a gente teve.
O primeiro marco dessa lei.
Sim.
Que é para projetos, né? Em 2024, a gente tem o segundo.
Marco, que é projetos e obras. Só que nem projetos, né? Várias... Se você for olhar, não é uma... Não é uma obrigatoriedade flat. Todos os ministérios com todos os tipos de obra e todos os tamanhos de obra. Não é assim que é a lei. A lei só diz genericamente, mas no detalhe a gente tem na estratégia que.
É uma coisa gradativa.
Só que tem uma grande dificuldade porque os próprios órgãos não têm conhecimento e nem software e nem treinamento às vezes para usar os modelos que eles mesmos obrigam que o mercado forneça. Então imagina, é um processo assim, eu.
Sempre falei, se a gente não obrigar, coisa não vai acontecer. Se a gente obrigar, nós vamos ter problema. Ou seja, não tem jeito.
É viver o processo.
Isso, mas nada foi tomado do nada, as decisões. A gente trouxe, por exemplo, o pessoal do Reino Unido, que foram os pioneiros, um dos pioneiros para a obrigatoriedade do BIM em esfera pública. Falaram com os americanos. O pessoal do Exército Brasileiro falou com o Exército Americano. Então, quem participou das excursões, quem conhece, sabe por que elas foram tomadas dessa forma. Mas existe aí um gap gigantesco de gente com conhecimento. Por exemplo, gente que domina as ferramentas. Se você olha na esfera privada já tem essa carência, imagina na pública que eles têm dificuldade para contratar. Por exemplo, eles falaram para mim, contratar software aqui, você não tem noção o quão é difícil, porque você tem leis que às vezes você não pode nem colocar, não podia colocar o nome do software, você tem que colocar características genéricas. para não falar que você está privilegiando o fabricante A em vez do B. Então tem questões aí que saem da esfera técnica e vão para a esfera bem desafiadora.
É bem desafiadora mesmo. E por falar em desafio, nesses processos de implantação, tanto de gêmeos digitais quanto do uso do BIM na operação e manutenção, Quais os principais desafios que você tem encontrado para fazer esse processo rodar no local onde você está implantando?
Hoje a gente tem assim... Primeiro é convencer o pessoal a solicitar. E o empresariado, às vezes, muito toma decisão baseado em custo, né? Então, eles não tem a visão de benefício, né?
Geralmente, num custo imediato, né?
Isso.
E outro é a questão de, assim, o pessoal fala assim, me traga cases reais. Como é que eu vou trazer 15 reais se a gente está trazendo uma inovação? Então, por exemplo, nós vamos participar agora como um dos panelistas no evento da BRAFAC, que é a Associação Brasileira de Facilites, e o tema da palestra é justamente por que o BIM não avança com o FM. A gente vai discutir justamente isso e eu vou conversar com os profissionais de.
Facílites e vou falar exatamente isso que.
A gente acabou de conversar. O pessoal não faz porque ninguém pede.
Mas não precisaria existir um movimento pelos profissionais de facílites?
É que eles mesmos não conhecem. Essa é a questão. O profissional de facílites está no pós-obra. Tudo bem que ele intervém na fase de projeto às vezes, de construção também, mas em geral, pelo menos, grande parte dos facilites que eu conheço e olha que, por exemplo, em uma outra pós-graduação eu fiz entrevista com dois facilites do mercado e eu cutuquei. Por que vocês não solicitam o uso do BIM para integrar com a UFM? Nossa, a maioria simplesmente nem sabe o porquê que deveria fazer isso. É uma coisa assim, como se fosse uma nuvem. Você não conhece ou é desconhecido para eles. É um mundo à parte. Muitas vezes o pessoal fala que o Binh é só para projetistas. Essa é a cabeça.
É, vamos tentar, né? Fazer um trabalho aí a quatro mãos.
Sim.
Aproveitar a audiência do Constricash. Então, aproveitar essa sua fala para pedir para que você que está assistindo ou ouvindo pelas plataformas de áudio, compartilhe, né? Com o maior número de pessoas que você entenda que esse episódio vai fazer sentido.
É, a gente mesmo está trabalhando em iniciativas de educação nesse sentido, né? Especificamente orientando o BIM para a parte de ativos mesmo.
Pode contar com o nosso apoio, viu? Legal. A gente tem aí esse espaço, na verdade, para que a gente consiga se ajudar mesmo.
Sim. Não, eu até estava falando hoje de manhã no evento. Eu acho que o segredo de tudo chama-se educação, quando você conhece as coisas, seja do ponto de vista de negócios ou seja do ponto de vista técnico. Você toma decisões melhores. Simbles assim.
Sim.
Só que existe um grande desconhecimento, por exemplo, de temáticas que estão aqui hoje. Por exemplo, inteligência artificial. Você vai falar em chat de GPT. A gente fez uma reunião semana passada com uma startup americana que faz estudo de massa de empreendimentos, de edificações, e você vai perguntando e falando para ele. Faz o Prédio em U. Coloca três pavimentos. Coloca mais dormitórios. E o próprio software vai fazendo a criação do projeto.
De a sua acordo fala. com Isso.
A difusão do conhecimento é algo fundamental. O que a gente nota muito, por mais que sejam processos que não são novos, se a gente for falar de BIM, data do início dos anos 80, que já começou a idealizar esse processo de modelagem da informação, mas que o conhecimento fica muito restrito a determinados grupos e não há uma difusão. Na academia também há muito sobre conhecimento nessa área, sobre o que vai vir ainda em termos de design generativo, inteligência artificial, mas não há ainda essa troca. Eu acho que podcasts como esse, a ação que o Rogério faz também na área educacional, são fundamentais para a gente difundir esses conceitos.
Sabe o que você me trouxe um ponto importante? Eu conheci, na verdade, eu ouvi falar de BIM em meadas de 2012, 2013 e tal, e logo na sequência eu participei de alguns projetos na Asbeia e participei de um outro projeto para o Built by Brasil, para exportação da arquitetura. no Brasil. E aí, um fato que me chamou bastante atenção, que nesse bate-papo com alguns players do mercado, tinha uma pessoa que a especialidade dela, dele, era Bin. E assim, existia uma... Não, eu não vou, sabe, mostrar meu conhecimento.
Porque, sabe? O pessoal vai roubar, né?
Você entende? Então, é muito importante. Eu acho que quem compartilha aprende duas vezes.
Com certeza.
E o Binho, todo mundo está nesse momento da descoberta. dos testes, né? De quebrar a cabeça, se arriscar, né? É aquela coisa. Quem não faz, né? Não vai saber, né? E às vezes você começa a trazer modelos de fora, de experiências que lá deram certo, e aqui não dá.
Aqui não dá.
Porque nós somos uma cultura diferente, de projeto, de construção e de gestão, né? É diferente. Não adianta a gente querer falar que é a mesma coisa. Então, a gente tem que ter conhecimento próprio, adaptado a nossa realidade.
Nossa realidade de país, né? É, antes da gente encerrar, a gente tem um quadro, Convidado com Vida, inclusive, queria mandar um beijo grande pra Berê, Berenice, que...
Na verdade.
Inclusive, você sabe que você veio do quadro Convidado com Vida.
Ah, tá bom.
A Mireille que fez o convite pra você, inclusive a Fifi que nos conectou. E do quadro Convidado com Vida, quem você gostaria de ver aqui e ouvir no nosso podcast?
Pensando nessa temática?
É, não é que você imaginar, não necessariamente pode ser nessa temática. O nosso propósito do ConstructCast é promover ideias e soluções para o mercado de engenharia, arquitetura e construção, unindo e principalmente unir toda essa cadeia.
Bom, eu venho trabalhando dentro de uma iniciativa que é a do BIM Fórum Brasil, que é uma iniciativa hoje talvez a mais forte de disseminação e orientação em aumentar a adoção do mercado em geral, público e privado. Então, eu convidaria alguém, talvez o presidente, o Rodrigo, o nosso presidente.
Então, você convida para aquela câmera.
Rodrigo Kirsch, você vai ser convidado por mim, que fui convidado, e seria uma honra tê-lo aqui no Construcast. para a gente poder levar essa mensagem do BIM para mostrar as nossas iniciativas em termos de educação, disseminação, integração das partes interessadas, governo e iniciativa privada. Então, se você puder ou se não puder indicar alguém do conselho, da diretoria, para trazer essa mensagem que eu entendo que tem enorme valor para o mercado.
Qual que é o sobrenome dele?
Kerish.
Kerish. Tá intimado. Comigo o negócio é assim, já tá intimado.
O Rodrigo hoje ele tá, se não me engano, na Eslovênia. Ele tá representando o Brasil, com o presidente do BINFORUM Brasil, num evento da Building Smart, que é uma entidade internacional que define padrões de mercado. A gente se candidatou recentemente para ser um chapter e finalmente a gente teve o sinal verde e ele está lá participando do evento.
Que bacana.
Então, notícias muito boas para o mercado em geral e isso vai potencializar e vai acelerar a adoção do BIM. Entendo que poderia ter várias pessoas que eu poderia convidar, mas eu acho que, como a gente vem avançando muito forte nessa questão do BIMfórum, o BIMfórum reúne todas as partes interessadas da cadeia em prol da adoção do BIM.
Então, beleza. Vamos esperar ele voltar para o Brasil e o convite está feito. Inclusive, você está incumbido de trazê-lo aqui. Passa o contato para fazer nossa ponte. Antes de passar as palavras finais para você, vamos fazer um bate-bola rapidinho?
Se eu conseguir retornar.
Vamos lá, vamos lá. Inovação para mim é...
Inovação para mim é arriscar, sair da zona de conforto. É aquela questão assim que, por exemplo, eu dou o meu exemplo, se eu faço três vezes a mesma coisa, na quarta eu já penso, por que eu tô fazendo igual? Eu sou eterno inconformado. Então, eu acho que pra mim, mas junto com isso tem o risco. E quem não arrisca, não melhora. Se você sempre faz a mesma coisa, você vai sempre colher os mesmos resultados. Então, pra mim, inovar, você tem que sair da zona de conforto e tem que provocar mudança. Não é fácil.
Meu propósito de vida é?
É tentar melhorar, como diz a... A cadeia é produtiva como um todo. Desde o começo eu fiquei envolvido na questão de tecnologia. Quando eu entrava naquelas engenharias, todo mundo desenhando as pranchetas, eu falava, não pode ser assim. Quando eu comecei a ver esse mundo da construção e o pessoal no 2D, há 20 e poucos anos atrás eu já trabalhava com um software que era pré-bin. Eu ajudei a programar softwares que trabalhavam em 2D, 3D, faziam cortes, extração de tabelas automáticas e integravam com o orçamento. Ou seja, isso há 20 anos atrás. Então, para mim, isso é minha motivação. E outra é tentar transformar as pessoas. Então, eu tento fazer isso através da consultoria e iniciativas de educação. Então, já cheguei a dar aula em seis pós-graduações. E cada dia mais vejo que eu não entendo nada das coisas.
Cada vez que eu estudo. Muito bacana, Rogério. Você é aquela pessoa que aprende a aprender todos os dias.
Não, como você falou, né? Quando você ensina, você aprende duas vezes, porque você tem que se preparar para dar aula também.
Sim.
É uma coisa assim muito... E a velocidade das mudanças hoje nem se compara, né? Hoje a gente está numa... uma escalada de várias tecnologias acontecendo ao mesmo tempo. Então, captura da realidade, realidade aumentada, realidade virtual, BIM, machine learning. Então, é o que eu sempre falo, o profissional da indústria de qualquer indústria, que ele não se atualizar muito rápido, ele simplesmente vai ser expurgado desse mercado. Não é um mercado mais que aceita ter 30 anos de engenharia, mas o cara fez projeto e obra como ele fez há 30 anos atrás. Não, agora é outro campeonato. E, se ele não tivesse conhecimento, ele simplesmente vai estar fora do... Que nível.
O podcast de hoje! Fala um pouquinho agora, queria que você desse suas considerações finais para a gente encerrar o episódio de hoje.
Primeiramente, agradecer a você, Paulo, pela oportunidade. Agradecer a Berê, que convidou o Rogério e me convidou também, fez a nossa ponte. a Bere, que é minha mentora lá na empresa, a toda a equipe que trabalha comigo, a equipe das obras que compra a nossa ideia de implantação dos processos BIM. E agradecer ao Rogério, que acho que tanto sobre BIM quanto especificamente sobre essa questão de gerenciamento de facilities e aplicação dessas tecnologias é uma das referências, se não for, acho que a maior referência no país.
É muita...
Passar também a sua palavra para você, consideração final. Eu quero aproveitar, a gente está escondendo o nome da construtora. Enfim, mas eu vou falar. Primeiro, eu queria mandar um abraço mais uma vez para Berê, para o Júlio, que é um amigo querido. Mandar também um abraço para o Paulo Bittar, que é o presidente da construtora. E queria te passar agora as palavras finais também.
Bom, a palavra que eu dou é de otimismo. Primeiro, A gente que está no mercado o dia inteiro tentando transformar as empresas, muita gente fala que isso tudo é uma loucura, que é difícil, é complicado, é caro. Se você entender o quanto isso é bom para todos os envolvidos, você não vai pensar diferente. Então, o que eu sugiro para todo mundo, se não está consciente, ou seja, você tem que se informar, fazer cursos. A gente mesmo tem soluções que a gente lança no mercado constantemente de educação. E segundo, não adianta só saber que é bom, você tem que agir. É aquela coisa que... Cada um de nós faz a diferença. Eu costumo dizer que tem gente que faz voluntariado e vai lá cuidar de doente. Eu faço o contrário. Eu faço, por exemplo, iniciativas de palestras. dou palestras em universidades públicas sem cobrar, participo de rodadas de negócio, participo, por exemplo, de iniciativas com o governo sem cobrar, porque eu acho que essa é a nossa missão.
Participa do ConstrueCast, o maior podcast da indústria da construção, arquitetura e engenharia, trazendo seu conhecimento de mais de 30 anos.
Não, mas eu acho que cada um tem uma contribuição, certo? E a nossa contribuição não pode só ficar reclamando do governo, do mercado, eu acho que cada um tem que fazer a sua parte. E procura a sua parte, cada um que está assistindo aí. E tenta mudar o que não funciona, né? Mas faça alguma coisa, não só ficar reclamando que acho que é muito fácil.
Apontar soluções, né?
Olha que nível. Então, gente, como vocês podem ver e ouvir, o sucesso, o reconhecimento, não é fruto do acaso. Hoje eu conversei com o Rogério Suzuki, que trouxe para compartilhar comigo e com vocês mais de 30 anos de experiência inovando. Então, inovação, basicamente, é o tema do podcast de hoje. Mais uma vez, eu peço que você compartilhe, coloque nos comentários o que você está achando, o que você achou deste episódio e compartilhe com o maior número de pessoas. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro. Tchau, gente.
Até a próxima.
More from Andre

Construção Industrializada no Setor Público: Desafios e Inovação em SP | Marcos Monteiro (SIURB)

Mestre de Obras Merecem Reconhecimento e Nós Valorizamos | Podcast | Construção | Engenharia

Muitos Cursos On-line São Divulgados na Internet | Obra se Aprende na Prática | Podcast

Tenha Cuidado Redobrado na Hora de Comprar um Apartamento | Podcast | Construção | Arquitetura

Quanto Ganha um Ajudante de Pedreiro na Construção Civil? Fala do Mestre de Obras Glaudio | Podcast

O Erro na Reforma Tributária que Pode Custar MILHÕES à Sua Empresa | Podcast #202

Valorização Profissional na Construção Civil | Podcast | Engenharia | Arquitetura #obra

Método CHAMA Gravado Com o Engenheiro Boutros Bichara | Pessoas Negativas | Paulo Barros #podcast

Assista ao Vídeo do Roberto Justos Sobre Caso Daniel Vorcaro do Banco Master | Podcast | Construção

AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

Vidro NÃO É Tudo Igual! Descubra o Erro Que Pode Destruir Seu Projeto | Podcast | Arquitetura