Segurança contra incêndios | Planejamento | Construção | Sinalização | Normas Técnicas | AVCB

Interview (Portuguese) with Major Hugo Baroni about fire safety engineering, regulatory compliance and practical measures for buildings. Baroni relates frontline firefighting experience to technical project-review work, emphasizes differences between older and newer buildings (compartmentation, fire doors, stairwell enclosures), outlines minimum protection measures (extintores, sinalização, hidrantes, iluminação de emergência), and explains hydraulic sizing basics, alarm/detection importance, and the AVCB approval/vistoria workflow under state corps of firefighters regulations.
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Sejam bem-vindos a mais um episódio aqui no Constrycast. O tema de hoje é engenharia de segurança contra incêndio.
Constrycast é arquitetura, engenharia e construção.
Este episódio é um oferecimento hub e construção. O convidado de hoje entrou para o Corpo de Bombeiros em 1993. Atualmente ele é major da reserva e consultor sobre regularização em combate a incêndio. Hugo Baroni, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Paulo, muito obrigado e obrigado pela recepção. Estou me sentindo muito feliz aqui de estar com vocês e discutir um tema tão importante como a segurança contra incêndio.
Eu que agradeço pela sua disponibilidade de vir aqui, contribuir com a nossa audiência, principalmente tratando-se de um assunto tão importante que é essa questão de segurança. A partir do momento que você vem e compartilha conhecimento com arquitetos, engenheiros, construtores e, sobretudo, com as pessoas que também vão habitar esses espaços, acho que isso é de fundamental importância. Nesse sentido, eu me sinto muito honrado pela sua presença aqui.
Eu costumo dizer que entrei no bombeiro em 1993 e aí abriu um mundo inteiro para a gente. A gente trabalhou, em princípio, combatendo incêndios, ajudando as pessoas. E hoje eu vejo a importância de algo que eu não via logo quando eu entrei, porque eu era muito novo. que justamente é todo esse mundo que existe para trazer segurança para as pessoas. Então muitas vezes, hoje eu já consigo entrar no ambiente e eu enxergo muitas coisas, mas a engenharia contra incêndio está presente em praticamente todas as construções. Você vai em um shopping, você vai em um prédio comercial, por exemplo como esse nosso, um prédio residencial, todos esses lugares a gente tem a engenharia contra incêndio, E ela é muito importante e a gente, com certeza, hoje, aqui como engenheiro, eu ajudo a salvar vidas fazendo parte de uma história construída ao longo do tempo.
Aproveitar para agradecer ao apoio dos nossos patrocinadores. Hub e construção, você que quer aprender mais sobre artigos e conhecer sobre vários assuntos da construção, só apontar a sua câmera para esse QR Code que está aparecendo na sua tela. e se deliciar com vários conteúdos do setor da construção. Agora, Hugo, para iniciar nosso bate-papo de fato, eu queria que você falasse um pouco das suas experiências dentro do corpo de bombeiro e como que você trouxe isso aí para o mundo da construção.
Bom, como você falou, eu entrei em 1993 no Corpo de Bombeiros, eu ainda era soldado, eu entrei no posto mais baixo que tinha, aí galguei toda a carreira praticamente dentro do Corpo de Bombeiros. Então, o início meu foi realmente atendendo ocorrências. indo para essa parte de incêndios, eu atendi algumas dezenas de incêndios, então eu vivi bastante a experiência de estar ali realmente na ponta da linha, combatendo incêndios, ajudando a salvar a vida de pessoas, salvar animais. Então, eu vivi muito essa parte que o próprio bombeiro vive. E depois, fazendo cursos de especialização e passando em outros concursos, Chegou uma parte da minha carreira que eu passei a trabalhar com a parte técnica. Então, eu fazia análise de projetos dentro do corpo de bombeiro, os profissionais protocolavam os projetos e eu analisava esses projetos e depois eu fazia vistorias. Então, a partir desse momento eu passei a entender a importância que tem um projeto bem feito, que tem uma construção bem feita seguindo as normas e regulamentos. A experiência foram as mais diversas. Desde atender uma ocorrência de acidente de trânsito, apagar um incêndio, e vivendo essa parte técnica. Ajudando os engenheiros a trazer mais segurança para as edificações que eles estavam projetando.
Hugo, mas o que te levou a se especializar em segurança contra incêndio? O que mexeu dentro de você?
Foi basicamente um caminho natural. Quando a gente começa nessa carreira, você não tem noção do mundo que existe para trazer segurança para as pessoas. Então, a pessoa está lá dormindo no seu apartamento, ela não tem noção que aquele edifício foi projetado para casa de incêndio para que ela possa sair em segurança. E nem eu tinha essa noção. Conforme eu fui, vivendo esse mundo dentro do corpo de bombeiros, de apagar o incêndio, de ver uma edificação que foi mal projetada e por isso causou risco e às vezes até morte para as pessoas, eu não enxergava que tinha tudo isso por trás. E conforme você vai vivendo, você vai entendendo que você tem uma edificação mais nova que era mais segura e edificações mais antigas que não tinham essa segurança. E, lógico, você estando ali dentro do Corpo de Bombeiros, você tinha pessoas mais antigas, que tinham mais experiências e que passavam para nós. E, a partir daí, eu me interessei muito pela área e virei um estudioso ali dentro do Corpo de Bombeiros ainda.
E uma coisa, quando você fala dessas construções mal projetadas, esse conhecimento é importante, está com o arquiteto. E eu queria que você falasse, como você fala das construções antigas e as atuais, eu queria que você trouxesse também, se ainda hoje tem esse tipo de situações de construções mal projetadas.
A evolução da nossa legislação hoje basicamente barra construções que não cumprem critérios mínimos. Mas se a gente pegar construções antigas que hoje ainda estão abrigando pessoas, as edificações da década de 70, Basicamente, a década de 70 foi um marco. Nós tivemos grandes incêndios, principalmente aqui na capital de São Paulo, que levou o próprio Corpo de Bombeiros a trazer uma evolução para a legislação de combate a incêndio. Então, as edificações mais antigas, provavelmente muitas pessoas que estão nos vendo moram ou conhecem alguém, por exemplo, que tem um prédio antigo e ela pode ter certeza que existe uma diferença, por exemplo, na escada. Se você pegar uma escada de um prédio mais antigo, provavelmente ela não vai ter uma porta corta-fogo que te leva pra dentro de uma caixa de escada, que basicamente traz uma segurança pra pessoa sair do prédio. Nos prédios mais novos isso já não existe. Então a pessoa pode estar perguntando pra nós, poxa, mas eu moro num prédio antigo e eu tô menos seguro. O bombeiro criou normas também para minimizar esse problema nos prédios mais antigos que foram construídos sem ter uma legislação específica. A gente não tinha nada que obrigava naquela época as construções seguirem o padrão. Mas sim, aquelas escadas talvez não tragam a mesma segurança das escadas mais atuais. Basicamente, o bombeiro criou normas para se adaptar àquela edificação, trazendo uma segurança mínima para as pessoas que estão dentro dos prédios.
Mas é possível você pegar um prédio antigo e fazer adequações para trazer essa questão de segurança contra incêndio? Ou seja, gerar essa segurança para quem está habitando aqueles espaços?
É possível, sim. Inclusive, talvez não seja o ideal, mas traz uma segurança muito maior. Por exemplo, para os prédios mais antigos, o bombeiro cobra umas medidas básicas de segurança, que são hidrante, alarme, iluminação de emergência, que você já consegue combater um princípio de incêndio, diminuindo a possibilidade de um incêndio que está dentro de um apartamento se alastrar. E ele cobra, como medida complementar, que as portas das unidades autônomas vamos dizer, de cada um dos apartamentos, tem uma pintura que cria uma resistência mínima ao fogo. Essa resistência traz um tempo maior para que, em caso de incêndio, as pessoas saiam sem que o incêndio seja alastrado para outros apartamentos.
Mas as portas do apartamento mesmo?
Ele cobra. A gente tem pinturas que são pinturas como verniz, por exemplo, ou pinturas em outras cores, e que trazem essa resistência, aumentam a resistência daquela porta, e em caso de incêndio ela mantém o incêndio dentro do apartamento. Isso traz uma segurança enorme que a gente não tinha antes.
E aí, então, eu queria agora fazer uma pergunta direcionada, assim, eu tô fazendo a pergunta, mas eu tô imaginando quem tá agora ouvindo que mora num apartamento, numa casa. Quem arca com esse custo dessa pintura? Porque quando você trata de pintura especial, quando que tem ali uma resistência a incêndio, geralmente é um, eu tô falando de uma tinta um pouco cara, né, falando do aspecto financeiro. Quem banca esse custo? É o condomínio ou é o morador?
É o condomínio. O que acontece? É todo um processo. A partir do momento que o síndico toma consciência de que aquele prédio dele não está regularizado junto ao Corpo de Bombeiros, ele vai atrás de estar regularizando. E o profissional vai dentro das normas que o Corpo de Bombeiros traz, ele vai adaptar no que for possível aquele prédio e aí esses custos eles caem para o condomínio, que no final acaba caindo também para o próprio morador, acaba dividindo para todo mundo as custas, por exemplo, dessa pintura. Mas talvez essa pintura é um pequeno É um pequeno incremento na melhoria da segurança contra incêndio, porque se você for ver os prédios antigos, e muitos prédios novos inclusive, não existe talvez essa preocupação com a segurança por parte dos moradores. Então muitas vezes a pessoa tem um prédio até mais novo, que ela tem a tubulação de hidrante instalado, mas de repente aquele hidrante e muito provavelmente não está funcionando. Por quê? Porque não existe a preocupação com a manutenção. Então, às vezes, ela tem lá um sistema de... Se a gente falar de um prédio comercial, por exemplo, como é esse que nós estamos, a gente tem um sistema de Sprinklers aqui, sistema de detecção de fumaça. Porém, se a manutenção não for feita de forma adequada, depois de um tempo ele acaba não funcionando. O que tem que ser mudado é principalmente a preocupação das pessoas em manterem o local seguro. E quando aquele prédio mais antigo passa a se preocupar com isso, os moradores vão ter extintores carregados, vão ter um treinamento mínimo para sair do prédio e combater um princípio de incêndio, e isso que acaba salvando vidas.
E para isso, o morador, quem está ocupando aqueles espaços, precisa ter um conhecimento mínimo. Igual você está trazendo uma informação para mim agora, que provavelmente... Tudo bem, eu já moro em casa, mas eu vou morar em um apartamento depois. Eu vou me preocupar, mas quais são as soluções construtivas colocadas no meu apartamento? Qual é o tipo de tinta? Entendi.
Tudo isso é muito importante, Paulo, e às vezes a gente não tem consciência. Eu mesmo morei num prédio mais antigo aqui em São Paulo, e quando eu cheguei lá eu falei, olha, cadê o AVCB? E não tinha o AVCB, não tinha a Vistoria do Bombeiro, não tinha um projeto. E aí, lógico, eu conversei com o síndico e mostrei pra ele. Senhor síndico, você tem noção da responsabilidade que é você ser o síndico desse prédio? E se a gente tiver um incêndio aqui, e por falta de manutenção ou falta de projeto, as pessoas não conseguirem abandonar esse prédio. E muitas vezes os moradores não têm essa consciência. Então eu aproveito a oportunidade de estar em um canal tão importante que fala da construção para trazer essa consciência não só para as pessoas envolvidas no projeto, não só para o arquiteto, para o engenheiro, para o construtor, mas depois de entregue o prédio, a segurança em relação às pessoas que moram lá. Então seria muito importante que Todas as pessoas cobrassem essa segurança contra incêndio. Isso, sem dúvida, salva vidas.
O seu conteúdo, Hugo, ele tá pra mim, ele tá assim, tá me trazendo um aprendizado muito grande e, sobretudo, o prazer de poder tá compartilhando informações tão relevantes pra nossa audiência. Você traz um ponto aí dessa questão da administração, né, do condomínio. E um condomínio, ele é uma empresa, tá? Uma empresa que não é bem administrada, ela tem sérios problemas ali constantemente. E, da mesma forma, um prédio que não é bem administrado, que não tem uma equipe ali ou alguém à frente daquele condomínio fazendo as coisas acontecerem de forma correta, isso acaba gerando problemas para os moradores. E, nesse sentido, o que dica você dá para os moradores que, enfim, para ficarem mais inteirados e cobrarem mais desse síndico, das empresas que fazem essa administração?
É muito importante que os moradores tenham a consciência que a vida dele e dos seus entes queridos, nós estamos falando principalmente dos prédios das torres, dos prédios verticais, a vida dele pode depender de uma decisão tomada muitas vezes ali na reunião do condomínio. Então, o que o morador tem que fazer é perguntar se o AVCB está válido. E se esse AVCB não estiver válido, é questionar o seu síndico para que regularize esse espaço. Isso é para a segurança de todos. É que uma cidade tão grande, por exemplo, como São Paulo, o nosso estado, o nosso Brasil, a gente tem A última vez que eu pesquisei São Paulo, que eu consegui levantar a cidade, São Paulo e grande São Paulo, nós temos mais de 40 mil torres. Isso já faz alguns anos que eu pesquisei. São milhares de pessoas que moram em apartamentos. E o bombeiro praticamente todo dia atende ocorrências de incêndios em apartamentos.
Quando você vai fazer esse tipo de consultoria, quais são os tipos de clientes que você atende? É corporativo, residencial? Enfim, como que funciona?
Eu atendo todo tipo de cliente, mas o que mais nos procuram realmente são as empresas, as indústrias. Os condomínios residenciais, me parece que não têm uma preocupação tão grande. Talvez pelo síndico ter que cuidar de muitos assuntos, muitas vezes acaba deixando isso para trás. Eu tenho uma perspectiva que talvez algo próximo a 50% dos nossos prédios ou mais, eles não estão regularizados junto ao corpo de bombeiro.
Isso é grave, hein?
É muito grave. Isso é muito grave. E aí, depois que aconteceu o incêndio e que teve um problema, Que se perder uma vida, não tem como voltar atrás, né?
É, e quando você fala desse ponto que é o residencial, geralmente parece que não tem tanta preocupação por parte dos moradores, até... Eu gosto muito de falar da minha vida pessoal, assim, que acho que isso, de certa forma, tá diretamente ligado. Eu tenho um filho de 10 anos, e ontem eu cheguei em casa, né? Enfim, cheguei... Tinha que resolver umas coisas, e a minha esposa saiu pra academia e falou, ó, dá uma olhada na lição dele e tal. Fui conferir, falei, filho, você fez? Ele, fiz. Falei, tá, deixa eu ver. E aí, enfim, eu checo tudo, eu vi que ele não fez, ele estava tentando me passar, sabe, o famoso passar para trás? Aí eu fui conferir, ele rapidinho pegou e fez. E eu quero trazer essa reflexão para você que mora num prédio, enfim, não importa, se você mora, você tem responsabilidade de conferir. Então, o que você está tratando aqui hoje, Hugo, é de fundamental importância. E agora eu queria falar um pouquinho de planejamento de segurança. O que define um bom projeto de segurança contra incêndio?
Hoje nós temos uma legislação toda, praticamente todos os corpos de bombeiros estaduais eles legislam e tem uma legislação muito parecida com a legislação de São Paulo, eles usam essa legislação como base. Se você tiver um local que cumpra a legislação do Corpo de Bombeiros, você já teria, em tese, um local seguro. O que acontece muitas vezes é que a pessoa aprova o projeto, instala todos os equipamentos e depois não faz a manutenção. Ou, muitas vezes, a pessoa muda o projeto inicial e não regulariza isso junto ao Corpo de Bombeiros. O simples regularizar a edificação junto ao Corpo de Bombeiros já vai forçar aquela edificação está adaptada para as medidas de segurança e proteção contra incêndio mínimas. Então, essa preocupação de estar regularizado junto ao corpo de bombeiros acaba forçando as empresas a estarem cumprindo toda a legislação e tendo um ambiente seguro. A gente já teve alguns problemas muito grandes de incêndio, a gente teve o incêndio na Boate lá no sul, na Boate Quis, que trouxe à tona, muitas vezes, um problema que é recorrente em vários lugares. Então, muitas vezes, a pessoa não tem noção da responsabilidade que é ser dono de uma empresa ou ser um síndico e não tá cumprindo o mínimo da legislação. É muito diferente de simplesmente, poxa, a pintura do meu prédio não tá legal. Nós estamos falando de vidas e de segurança.
Quando aconteceu aquele incêndio no edifício Joelma aqui em São Paulo, mudou alguma coisa nesse sentido da legislação?
Sim, mudou muito. A partir daqueles incêndios, Joelma, Zandraus, na década de 70, o bombeiro entrou muito fortemente junto ao poder público e criou legislações. Se a gente der uma olhada como era a construção dos prédios antigos e como é a construção dos prédios novos, ele é totalmente diferente a concepção. Hoje o Brasil, os corpos de bombeiro, eu sei porque eu vejo a legislação do Brasil todo, nós temos uma das legislações mais mais modernas em relação à proteção e contra incêndio. Então o que mudou basicamente, principalmente nos locais que nós temos muitas pessoas morando ou trabalhando, que são os prédios verticais? Hoje nós temos algumas medidas de segurança que a gente já comentou, por exemplo, de escada. Hoje a gente tem uma escada que vamos dizer que Ela é basicamente uma construção separada dentro do prédio. A gente tem uma porta corta-fogo para acesso dentro dessa escada e nós temos paredes com uma resistência mínima ao fogo. Temos paredes que têm resistência de no mínimo duas horas ao fogo. Então ali é uma área de refúgio no qual a pessoa consegue entrar e consegue estar descendo e o bombeiro subindo para atender às ocorrências. Essa foi uma medida muito importante.
Que a gente pode chamar de célula de segurança.
Perfeito, uma célula de segurança. Se você vê uma escada como era antigamente, basicamente você tinha uma chaminé dentro de um prédio. Então o incêndio muitas vezes começava num pavimento inferior, e pela própria escada, aquela fumaça com aqueles gases quentes, levava o incêndio para vários outros pavimentos. Hoje isso não acontece. Também a gente tem uma resistência mínima ao fogo de cada uma das unidades autônomas. Cada um dos apartamentos ou dos escritórios de um prédio, ela também passa a ser uma célula, talvez com menos resistência ao fogo, mas ela mantém o fogo preso dentro daquele ambiente e evitando que o fogo passe para outros apartamentos. Se você vê o incêndio do Joelma, do Andraus, pegou fogo no prédio inteiro. E hoje a gente não vê isso. Hoje é muito mais difícil você ter um incêndio que se espalhe de forma tão rápida. Outra medida de segurança importante, Paulo, Se você ver alguns vídeos antigos desses incêndios, o fogo e a fumaça se espalhava também pela fachada. Então você via que pegava fogo num determinado andar e a fachada também facilitava a propagação do incêndio. E hoje a gente tem o que o bombeiro chama de compartimentação. nos andares, compartimentação através da escada, então cada andar é compartimentado e a gente tem uma forma diferente de construir a fachada. Então é cobrado algumas coisas, algumas abas, que muitas vezes a gente nem percebe na construção, mas tudo aquilo está dentro de um projeto que evita essa propagação do incêndio de um andar para o outro. A gente tem uma legislação muito moderna que é feita em cima de legislações de outros países e sempre foram feitos testes para que liberasse a construção. Então, hoje eu posso dizer que para a gente aprovar um prédio no Bombeiro, por exemplo, aqui no estado de São Paulo, a gente segue essas regras muito rigorosas que trazem uma segurança muito grande para quem está morando num prédio desse.
E nessa linha de aprovação, o que essas obras precisam minimamente ter para viabilizar essa segurança contra incêndio?
Paulo, aí a gente está falando muito de prédio. Aí a gente tem vários tipos de ocupação e dependendo do tipo da ocupação, o bombeiro exige medidas de proteção diferentes. Por exemplo, quando a gente fala de uma de uma boate, a grande preocupação do bombeiro, é claro, a gente tem várias medidas de segurança, mas a grande preocupação é em relação a saídas de emergência, então a gente tem que ter saídas proporcionais à população que está ali dentro. Dependendo do tamanho da edificação e dependendo da altura da edificação, por exemplo, se essa boate for uma boate muito grande, aqui no estado de São Paulo, acima de 750 metros quadrados, ela vai ter um sistema de hidrantes, vai ter um sistema de alarme de incêndio, dependendo da configuração ela vai ter um sistema de detecção de incêndio em áreas mais suscetíveis a incêndios como um depósito, como uma cozinha e principalmente o bombeiro vai cobrar o controle do material de acabamento e revestimento. Por exemplo, a pessoa não vai poder revestir essa boate com materiais que facilitem a propagação do incêndio, que foi o que aconteceu na boate Keyes. Se tivesse seguido os parâmetros mínimos que a legislação pede, com certeza aquele incêndio não iria acontecer. Se um princípio de incêndio acontecesse, ele iria ser contido rapidamente porque o incêndio não iria se propagar. E se acontecesse um pânico, nós teríamos saídas suficientes para escoar aquele público. Se me permite, eu vou falar então das medidas básicas de segurança contra incêndio que basicamente a gente tem em todo o comércio.
Por favor, eu ia te fazer exatamente essa pergunta agora.
Verdade, que legal. O mínimo que a gente tem que ter, se a edificação for uma edificação pequena, nós vamos ter a preocupação com saídas de emergência, sinalização, e extintores. Então a gente tem um comércio de 100 metros quadrados. Nós não vamos ter o hidrante ali, mas nós vamos ter um extintor para um princípio de incêndio, a preocupação de ter saídas de emergência também proporcionais ao público que ali está, e nós vamos ter a sinalização e os extintores. Os extintores, a gente combate o princípio de incêndio, e a saída das pessoas está garantida com essa preocupação com saídas de emergência. Essas três medidas, elas acompanham todas as edificações. Por exemplo, uma edificação muito grande sempre vai ter a preocupação com saídas de emergência, extintores e sinalização. E aí nós vamos colocando outras medidas de proteção em combate a incêndio conforme o tipo da edificação, conforme o tipo e características. Quanto mais alto uma edificação, mais pavimentos a gente tiver, Nós vamos ter uma preocupação maior com saídas de emergência. A gente vai criar compartimentos, como é feito num prédio. Cada andar é um compartimento e a gente tem a célula da escada aí, como você falou, que vai facilitar a saída de emergência. Dependendo do tamanho da edificação, por exemplo, se a gente tiver um depósito, um depósito grande com alta carga incêndio, Essa ocupação muitas vezes o bombeiro não vai deixar você ter um depósito gigantesco sem compartimentar. Então você divide essa edificação com paredes e portas corta-fogo de forma que se você tiver um incêndio ele vai ficar contido numa área menor. Por exemplo, você tem um depósito de de 20 mil metros quadrados. O bombeiro exige um depósito de carga incêndio alta. O depósito de ferro não vai nem ter que ter hidrante, por exemplo. Mas se tiver um depósito muito grande, ele vai exigir paredes. E isso influencia diretamente na arquitetura e na engenharia. Para quem não tem essa compartimentação com paredes, ele dá a opção do construtor prever sprinklers, chuveiros automáticos. Então, sistema de detecção. Dependendo do tamanho dessa edificação, o bombeiro basicamente vai exigir que você tenha um sistema de detecção pra avisar os ocupantes dessa ocupação, desse prédio, pra sair mais rápido.
Fossego, quanta responsabilidade vocês, bombeiros, têm nessa... fiscalização das edificações, nessa emissão de laudo e tudo mais. Nessa linha, eu gostaria que você trouxesse uma dica para as pessoas que estão ali circulando numa loja, num prédio. O que essas pessoas precisam se atentar? Estou entrando numa edificação, não conheço, não sei nada desse lugar.
Paulo, talvez você... Você falou que tem um filho de 10 anos, né? E quando a gente tem um filho, muitas vezes a gente passa a se preocupar com coisas que antes a gente não se preocupava. Hoje, por exemplo, quando eu entro... Depois de ser bombeiro, quando eu entro numa edificação, e talvez aí fique a dica, eu sempre procuro todas as saídas de incêndio que tem. E normalmente eu procuro saídas de incêndio diferentes daquela saída que eu entrei. Porque se todo mundo entra por um local, a tendência é que todo mundo saia por ali.
Saia por ali.
Então eu já olho se a gente tem outras rotas de fuga, né? E já fico ligado nisso. Eu sei que se acontecer alguma emergência, eu vou aguardar alguns segundos ali pra passar aquele pânico das pessoas, e vou buscar uma rota alternativa.
Pra não querer pular pela janela, né?
Pois é, né? Então é importante. Mas o que é legal é que um projeto de bombeiro bem feito, a gente diminui esses problemas. O próprio engenheiro tem que pensar para você. Uma das medidas de proteção em combate ao incêndio, que são saídas de emergência, ela já exige que uma pessoa não pode caminhar mais do que X metros para alcançar uma saída. Então você sempre vai ter, na maioria dos casos, você vai ter ali algo em torno de 40, 50 metros, você vai ter que ter uma saída. Então, tudo isso, o bombeiro acaba forçando, através da sua legislação, que a própria edificação tenha. Então, o engenheiro vai ser obrigado a pensar em saídas de emergência, saídas proporcionais, e desde que esteja tudo muito bem sinalizado, em uma situação de incêndio, dá para estar saindo com muita tranquilidade.
Hugo, e como que o arquiteto e o engenheiro podem se preparar para atender às exigências do corpo de bombeiro?
Paulo, A gente tem uma legislação, toda ela que fica hoje dentro do site do Corpo de Bombeiros. Então a gente tem um decreto estadual e várias instruções técnicas. Eu tenho um canal que eu tenho muitas dicas, então muitas vezes, pequenas dúvidas, se a pessoa quiser olhar no meu canal, a gente tem dicas práticas pra pessoa tá conseguindo fazer um projeto mais seguro. Mas o que é...
O nome do seu canal tá aparecendo aqui. na legenda do vídeo, tá?
Ah, que legal. É um canal realmente... Você pode falar.
Também pra nossa audiência do Spotify, enfim, das plataformas de áudio.
Eu tenho um canal no YouTube, o Hugo Barone, que é esse que está aparecendo, e tenho um canal no Instagram, onde eu também dou dicas de segurança, principalmente voltada para engenheiros e arquitetos, que são as pessoas que mais vão salvar vidas. Mas as edificações hoje, se eu fosse dar uma dica, a grande preocupação com saídas de emergência, saídas de emergência, sinalização, está tudo voltado para segurança. Quando ele for regularizar essa edificação, o que é muito legal hoje é que o próprio bombeiro vai conduzindo o arquiteto e o engenheiro para corrigir pequenas deficiências naquele projeto. O que eu sugiro é nunca começar a construir sem ter um projeto aprovado, porque isso sim pode trazer prejuízos muito grandes. Sempre dá entrada no projeto primeiro e seguindo a legislação, e a partir daí a pessoa vai com certeza ter um projeto seguro.
E nessa medida, como que a escolha dos materiais pode impactar nessa segurança contra incêndio? Porque essa pergunta, eu falo que ela é importante, porque muitas vezes o arquiteto, o engenheiro, ele especifica uma solução construtiva e muitas vezes o construtor, até para economizar alguma coisa, enfim, acaba... Quando eu falo construtor, o próprio investidor também, o cara que está pagando a conta, acaba mudando essa especificação para reduzir custos.
Legal, e aí às vezes pensa que está reduzindo o custo e acaba gastando mais para atender uma norma posteriormente.
E colocando a vida das pessoas em risco.
Exato. Basicamente, materiais que a gente vai utilizar, a grande preocupação da legislação, a preocupação do corpo de bombeiro, são os materiais estruturais. O bombeiro tem uma preocupação se aquela edificação vai ter um tempo mínimo de resistência ao fogo, que é o tempo para as pessoas saírem e para iniciar um combate. E os materiais de acabamento e revestimento, por exemplo, se a gente tem um local com carpete, esse carpete pode estar trazendo um risco muito grande para edificação. o bombeiro vai exigir alguns critérios mínimos para esses materiais. Então, o que seria muito bom o engenheiro e arquiteto verificarem é pedir o laudo desses materiais para que esse laudo seja submetido ao corpo de bombeiro. Então, normalmente o fabricante, por exemplo, um fabricante de um carpete, tem que submeter aquele material dele a um ensaio técnico, normalmente feito aqui no Brasil no IPT, E esse IPT vai dar um laudo falando se ele atende ou não atende os critérios mínimos de resistência ao fogo. Aí a gente tem, por exemplo, material estrutural. O concreto e o aço atendem o tempo mínimo de resistência ao fogo que o bombeiro exige. Agora, por exemplo, o aço. Aí o bombeiro tem um pouco de restrição, não que não se possa usar, mas tem que ter o cuidado para saber se para aquele caso específico o bombeiro vai aprovar o aço ou se muitas vezes se utilizar o aço tem que se fazer um tratamento, a maioria das vezes com uma pintura para dar resistência ao fogo para o aço.
Sim, e nessa medida, já que você tocou nesse assunto de material estrutural como o concreto e o aço, você consegue falar um pouquinho também da madeira engenheirada, que é um tema que a gente está falando tanto de woodframe. Você já fez algum laudo desses projetos? Eu estou te perguntando isso porque ontem eu visitei um projeto muito marcante. Eu fiz perguntas pertinentes a essa questão de combate a incêndio e a resposta deles, para mim, foi muito positiva.
A gente tem como utilizar a madeira. Inclusive, eu já fiz há muito tempo um trabalho em cima de uma edificação que foi construída em madeira e a gente usou A gente não tinha na época, hoje eu não sei, a gente não tinha legislação nacional a respeito. Talvez hoje nós já tivemos. Eu usei o Eurocode, que aí determinava que dependendo do da espessura dessa madeira ela dá um tempo de resistência e muitas vezes mais resistente que o próprio concreto ou outros materiais então a gente tem legislação e nós temos também dependendo do tipo da madeira nós temos como fazer uma pintura nós temos tinta hoje que traz essa resistência para madeira então dá para estar utilizando desde que tenha comprovado essa resistência ao fogo, que muitas vezes ela resiste por muito tempo a madeira, dependendo da espessura, ou se ela for uma madeira com uma espessura menor, a gente tem tintas hoje que traz a resistência ao fogo. Simplesmente tem que ter o cuidado de consultar e estar aplicando esse material posteriormente.
E quando eu falo dessas soluções construtivas híbridas, que é madeira, concreto e aço, então eu estou falando de materiais que são produzidos na indústria, na fábrica. Então a gente consegue trazer esse controle, ter um controle e uma precisão muito maior em todos os sentidos. Não só como qualidade construtiva, mas também essa questão dos controles contra incêndio e outros fatores. Nessa medida, eu gostaria de perguntar sobre esse cálculo hidráulico. Então, isso eu penso que é um fator importante no combate a incêndio. E como isso deve ser pensado ali no projeto?
Legal, essa pergunta é muito bacana, é um dos assuntos que eu mais domino e que eu mais gosto de falar. Basicamente, todas as edificações que sejam um pouco maiores, elas têm no mínimo um sistema de hidrantes instalado ali naquela edificação. Esse sistema de hidrantes, ele basicamente deve atender a todas todas as partes da edificação deve estar chegando a mangueira ou no mínimo um jato de água de 10 metros. Então imagina que se você está num prédio comercial a gente tem um hidrante próximo e a mangueira daquele hidrante com certeza vai estar cobrindo toda essa área. O cálculo hidráulico O bombeiro basicamente nos dá cinco opções de sistemas de hidrante que devem ser aplicados conforme o tipo da ocupação. Residencial vai exigir uma pressão menor e uma vazão menor do que um depósito, do que um depósito de madeira, por exemplo. Então, o prédio residencial vai exigir de nós um sistema tipo 2, que é uma vazão de aproximadamente 130 litros por minuto, no mínimo, num hidrante. Em um? Em um hidrante. Em um hidrante nós vamos ter uma vazão de 130 litros. E o bombeiro exige que nós façamos o cálculo com, no mínimo, dois hidrantes ao mesmo tempo. Então, nós vamos ter uma bomba de incêndio que vai recalcar a água para esse sistema de, no mínimo, 260 litros por minuto. Claro que nunca vai dar exatamente isso, porque a gente tem que fazer o cálculo.
Tá, você tem que ter uma média ali. Mas só uma coisa, só para não perder o tempo da pergunta, mas esse cálculo, ele é feito em loco ou ele é feito em laboratório, enfim, em algum tipo de laboratório?
Esse cálculo, ele é feito quando dá a apresentação do projeto. Então você primeiro distribui no projeto os pontos de hidrante no local, extrai dali uma perspectiva isométrica e em cima de fórmulas matemáticas você determina essa pressão e vazão. Ele é bastante simples, um pouquinho trabalhoso. Eu já estou muito habituado, mas basicamente são fórmulas matemáticas.
Mas esse teste é acompanhado por um bombeiro.
Existe quando o bombeiro vai conferir o cálculo hidráulico, todo o cálculo hidráulico ele foi feito em cima de observações da natureza. Então, os cálculos hidráulicos, as primeiras fórmulas que foram desenvolvidas, por exemplo, a fórmula de Hans Williams, ele basicamente fez a instalação de um sistema hidráulico e fez testes nesse sistema. E a partir desses testes, ele verificou a vazão e pressão. E a partir daí, ele determinou é fórmulas matemáticas que expressam a realidade. Então, basicamente, você consegue determinar o quanto você perde de carga em uma tubulação através do atrito da água nas paredes do tubo ou em cada acessório hidráulico. Por exemplo, você tem um cotovelo, dependendo do diâmetro do tubo, você perde uma quantidade de energia. Então, basicamente, toda a perda de carga é expressa em metros de tubo. Então, basicamente, você tem um tubo de 2,5 polegadas, com a passagem da água, você perde energia com esse atrito. E aí ele transformou cada acessório hidráulico, por exemplo, um cotovelo, um cotovelo de 2,5 polegadas equivale a 2 metros de tubo. O cotovelo, um T de passagem lateral, por exemplo, você tem a água seguindo nesse sentido e tem um T no final. Você perde uma energia de 4,30 metros de comprimento. Então, tudo você transforma Todo o seu cálculo é feito baseado nisso e tudo isso foi planilhado através de observações práticas.
Hugo, e nesse projeto hidráulico, por exemplo, quando você se depara com um projeto como esse apresentado ali para vocês, imagina que dependendo da altura da caixa isso também deve influenciar a tubulação como um todo e acontecem situações onde você precisa colocar uma bomba auxiliar para dar mais pressão nesse nesse processo?
Perfeito. Quando você faz o cálculo hidráulico, você começa a fazer o cálculo hidráulico determinando a pressão e vazão mínima que você tem que ter em dois pontos de hidrante. E você começa a trazer esse cálculo sentido caixa d'água, sentido reservatório de incêndio. Então, você precisa ter no mínimo uma pressão de 30 MCA na ponta do hidrante. Então, eu sei que eu tenho que ter essa pressão.
O que é MCA?
MCA são metros de coluna d'água. Então, esses metros de coluna d'água é como se você tivesse, nesse caso, 30 MCA, é como se você tivesse uma caixa d'água instalada a 30 metros. O peso dessa coluna d'água, esses 30 metros, é uma expressão de grandeza. Então, esses 30 metros vão exercer uma determinada pressão que vai ser a força com que a água vai sair lá no final. Então, basicamente, o cálculo é feito dessa forma. Você começa a fazer o cálculo trazendo do que a norma determina lá na ponta do seu hidrante. Em alguns estados eles cobram na ponta do esguicho, então você tem a perda de carga na mangueira também. Mas basicamente você vai trazendo esse cálculo hidráulico, vai vendo quanto você vai perdendo de energia em cada trecho da tubulação. Então se você tem um trecho em descida, essa descida ajudou a sua bomba a ficar menor. Se você tem que ter um trecho ascendente, sua bomba tem que ser um pouco maior. Então você tem que ter os 30 mca lá da ponta do hidrante e vai somando tudo que você vai perdendo de carga ao longo do caminho para ver o tamanho da sua bomba. De fato, se você tiver um reservatório muito elevado, às vezes você não precisa de bomba de incêndio, é muito raro. Mas a partir desse cálculo você determina uma bomba de incêndio com um mínimo de pressão e vazão para atender o caso prático.
Eu só estou adorando esse tema.
É muito legal.
Eu até tinha várias perguntas para fazer para você, mas a gente está fazendo essa troca aqui. Enfim, eu queria te perguntar agora, até aproveitar para você dar alguma dica sobre sinalizações. Porque a gente fala muito do projeto de hidráulico, mas sobretudo em uma situação de incêndio, então para minimizar esses danos, como que deve acontecer uma sinalização correta?
Muito legal também essa pergunta. E aí eu não vou falar só de sinalização, tá, Paulo? Eu vou aproveitar daí, eu vou falar de três temas que eles andam meio que junto. O alarme e detecção de incêndio, que ele vai avisar, por exemplo, se você tá num prédio comercial, o alarme vai fazer com que você saia no princípio do incêndio. Então, se você tem um sistema de alarme ou um sistema de detecção de incêndio, que pode ser, por exemplo, a detecção de fumaça. Logo no princípio de incêndio, todos os ocupantes e brigadistas vão ser alarmados. E aí começa uma saída muito tranquila, porque aquele incêndio está no princípio. A gente não vai precisar ouvir o bombeiro chegar ou alguém corajoso batendo na sua porta. Está no incêndio ali embaixo. O alarme já avisou a gente. Então, é muito importante. A sinalização, cada um desses assuntos, a gente tem uma instrução técnica do bombeiro que trata dos hidrantes, do sistema de detecção e alarme, vai falar como eles devem ser distribuídos, da sinalização que a gente está falando e da iluminação de emergência. ela também segue um padrão. Então, se você está assistindo a gente agora aí num comércio ou num prédio residencial, você pode ter certeza que você vai ver aquelas plaquinhas verdes, que são placas de sinalização de emergência para saídas. Então, elas devem estar distribuídas, segundo a norma, nos locais de rota de fuga, indicando o caminhamento que a pessoa tem que sair. Então, elas têm uma altura adequada para serem instaladas e, a partir dessa altura, a pessoa vai estar saindo. Porém, numa situação de emergência, é muito importante nós termos, junto com a sinalização, nós termos iluminação de emergência, porque apesar de muitas vezes ser de dia, a fumaça pode estar encobrindo a luminosidade comum e a primeira coisa que as pessoas vão fazer é desligar a energia como um todo. A partir do momento que se desligou a energia do seu ambiente, a iluminação de emergência deve estar acendendo e elas também vão estar auxiliando nessa rota de fuga. Essa sinalização de rota de fuga é fotoluminescente. Então ela absorve a luz e na falta de luz, se você estiver em um ambiente totalmente escuro, você vai ver que ela vai estar ali iluminada com essa fotoluminescência.
Isso aqui é interessante. E nessa medida, quais são as principais inovações e tecnologias voltadas para prevenção de combate a incêndio? Enfim, o que auxilia nesse processo todo?
É uma evolução constante, mas o que eu digo que mais evoluiu nos últimos anos foi tudo que está ligado ao seu canal, que são as formas construtivas. Antigamente não existia essa preocupação de uma distância mínima que uma pessoa tinha que percorrer até chegar em uma saída de emergência. não tinha a preocupação com a parte de compartimentação, diminuindo o risco de incêndio. Então, basicamente, as inovações tecnológicas estão no projeto arquitetônico e de engenharia. que são voltadas à segurança do ocupante e ao salvar vidas. A gente tem até edificações que são um pouco maiores e que o bombeiro permite que uma pessoa caminhe um pouco mais, mas para isso ser feito a gente tem que ter esse sistema de detecção que vai detectar o incêndio sozinho e muito provavelmente nós vamos ter o sistema de sprinklers. que é um sistema que age sozinho no princípio de incêndio. Então a gente tem num shopping center, só se ele for muito pequeno que não, mas basicamente você tem que caminhar mais distâncias maiores para alcançar uma saída, você vai ser alarmado primeiro por um sistema de detecção de incêndio que vai te falar muito no comecinho que tá tendo incêndio, e você vai ter o sistema de sprinklers que vai agir e vai conter aquele fogo pra que as pessoas saiam em segurança. Não vai nem precisar um brigadista tá atuando no princípio de incêndio ali, o sprinkler já vai funcionar. Nossa, que interessante. Essas medidas acho que são principalmente construtivas aí, ligadas ao que eu falei, são as principais inovações que nós temos.
É, e tudo nasce no projeto, né?
Tudo nasce no projeto.
Por isso que é muito importante. A gente agora tá fazendo, criando uma série sobre... Na verdade, pensando no arquiteto, né? Porque tudo nasce nele. Então, como que a gente integra tudo? Arquitetura, engenharia e operação ali no canteiro de obra? Porque a partir do momento que a gente amarra tudo isso, com certeza a gente vai evitar aí danos assim, enfim, e uma qualidade muito maior nas obras. Agora, Hugo, eu queria... Você tá com tempo ainda pra gente só?
Tô tranquilo.
Eu queria se aprofundar um pouquinho mais nessa parte de normas e legislações.
Perfeito.
Eu queria que você falasse um pouquinho, por exemplo, do AVCB, que é obrigatório desde 2019. Como funcionam essas vistorias? E antes dessa recente norma, como que funcionava a construção civil antes?
Na verdade, em 2019, nós tivemos as instruções técnicas de 2019. Essas instruções técnicas são atualizadas de tempo em tempo, mas nós já temos essas instruções técnicas. Nós temos uma edição em 2014, 2011, então provavelmente daqui a alguns anos a gente vai ter novas instruções técnicas. As normas dentro do corpo de bombeiro, nós temos um decreto, salvo engano, de 89, que é o decreto, eu não vou lembrar exatamente o número da legislação, mas são as primeiras legislações que surgiram aqui no estado de São Paulo, justamente depois da década de 70 que nós tivemos aqueles grandes incêndios. Então, a partir daí, foi criada a legislação, e como que funciona a legislação de proteção em combate a incêndio. Nós temos um decreto que saiu agora em dezembro de 2024, foi o último decreto.
Nossa, recente, né?
Recente, super recente. Então o bombeiro ali mudou pouca coisa nesse decreto. Ele mudou um pouco sobre o poder de polícia do Corpo de Bombeiros. As legislações são estaduais, tá? Então ele apertou um pouquinho a fiscalização do Corpo de Bombeiros. Hoje o bombeiro tem poder de polícia e aplica multa, dá advertência. ele tem esse poder pra fazer isso daí.
Mas dá multa de trânsito também não.
Não dá não, ainda bem que não. É mais voltado, muita gente dando multa de trânsito. Mas é voltado pra segurança contra incêndio. Mas, basicamente, a estrutura da legislação em todo o país é o seguinte, a gente tem uma lei estadual que institui um decreto, que institui a segurança contra incêndio dentro do Estado. E a partir daí, essa lei, ela faculta para o governador editar um decreto. O governador edita um decreto que nesse decreto fala basicamente das exigências e dos princípios básicos da segurança contra incêndio. E, a partir desse decreto, ele remete para instruções técnicas. Você tem várias instruções técnicas. Então, a gente tem um decreto que vai falar que você tem que ter, por exemplo, ele vai determinar, classificando as edificações, ele vai falar que uma edificação residencial multifamiliar você tem que ter, no mínimo, tais medidas de proteção em combate a incêndio. conforme a sua altura, vai mudando essas medidas. Então olha, para um prédio residencial nós temos que ter hidrante, extintor, iluminação de emergência, saídas de emergência, compartimentação vertical, compartimentação horizontal. Nesse decreto ele determina todas as medidas de proteção em combate a incêndio. Num caso de um prédio comercial acima de X metros tem que ter um sistema de sprinklers. E nós temos as instruções técnicas que tratam de cada um desses assuntos que está citado no decreto. Por exemplo, o decreto fala que você tem que cuidar de saídas de emergência para aquele local. Aí nós temos uma instrução técnica que trata de saída de emergência, que no caso aqui do estado de São Paulo, a instrução técnica 11. Aí que fala que você tem que ter compartimentação no seu prédio. Aí como que eu vou colocar essa compartimentação? A gente tem uma instrução técnica que fala de compartimentação. Então, a legislação é basicamente isso, uma lei estadual que regulamenta, abaixo dessa lei, um decreto que determina o que cada edificação tem que ter e nós temos as instruções técnicas que falam como você deve fazer.
E, nessa linha, muitas empresas têm dificuldade para obter esse documento, o AVCB. E quais são os principais obstáculos que você entende que essas empresas estão passando?
O AVCB é o documento final que o bombeiro vai te dar depois que o bombeiro for lá fazer a vistoria. Os passos anteriores é essa empresa apresentar um projeto para o corpo de bombeiros, o bombeiro olhar cada uma dessas medidas de segurança e aprovar. Depois que tiver aprovado, a empresa instala e solicita a vistoria. Normalmente, as empresas que estão com muita dificuldade é porque, em alguns casos, o profissional tem dificuldade em interpretar essas instruções técnicas. Por exemplo, se você tem uma indústria com líquido inflamável, você tem uma proteção para aquele tanque, por exemplo, ou para aquele conjunto de tanques. Muitas vezes o profissional, por falta de experiência, tem dificuldade em fazer apresentação de cálculos e memoriais. é justamente porque a empresa, ela instalou aquele tanque, ou aquele conjunto de tanques, falando só como uma forma de exemplo, ele instalou antes de aprovar um projeto, e ele instalou de forma errada. Ele instalou muito próximo da edificação, ou muito próximos um do outro, ou tá perto demais de uma via de circulação, e aí ele não tá cumprindo a legislação, ele não consultou a legislação antes de fazer, não aprovou o projeto antes de fazer.
Mas muitas vezes se ele tiver um acompanhamento ali, ele pode evitar tudo isso.
O ideal, perfeito, se ele fizer conforme as normas e tiver alguém que saiba, por exemplo, apresentar isso de forma adequada para o corpo de bombeiros, é um caminho natural para aprovação. Então, a maior dificuldade é muitas vezes ou o profissional inabilitado, com pouco treinamento, ou ele ter construído de uma forma que ele já construiu sem cumprir a legislação. Talvez você conheça aquela indústria ou aquela empresa que o proprietário fala, eu quero fazer tal coisa, constrói assim, aí ele constrói primeiro pra depois regularizar.
É, tem uma, como você falou disso agora, eu até tenho uma, não é uma pergunta, na verdade, é que é um comentário que eu me sinto muito à vontade pra falar. Você é uma empresa de... de arquitetura corporativa. Eles só fazem arquitetura corporativa. Você quer fazer uma reforma, melhorar as qualidades do ambiente para os seus funcionários. E, nesse projeto, tinha ali uma intervenção que eles queriam fazer e tudo mais, só que estava contra a legislação e contra as normas de segurança contra incêndio.
A pessoa ia fazer uma adaptação que, no final, não cumpria a legislação.
Não cumpria a legislação.
Isso é muito comum.
E eles se negaram e, por conta disso, perderam o projeto. Mas, depois de dois anos, esse cliente voltou a trabalhar com eles e justamente por conta desse detalhe de segurança.
É importante a pessoa pensar na segurança contra incêndio. Existem os dois caminhos e a maioria das empresas não pensa. Primeiro ela faz e depois ela descobre que o que ela fez ela está pondo em risco a segurança da empresa e principalmente da vida. Então essa preocupação de saber se o que ela precisa implementar pode ser feito daquela forma ou tem que seguir alguns critérios. A grande dificuldade às vezes em projeto que eu pego é de já tá feito uma coisa e aí a pessoa gastar muito mais com medida de proteção em combate a incêndio do que seria necessário se ela tivesse consultado antes. Então, primeiro ela construiu, e agora ela vai ter que quebrar pra pôr uma escada em um determinado local, porque o que ela construiu não tem como a pessoa caminhar, vai caminhar mais do que a norma permite, ou tá passando num ambiente mais estreito do que seria, do que a norma deixaria que ela fizesse daquela forma.
Bacana. E tem alguma dica ou curiosidade que você gostaria de compartilhar aqui com a nossa audiência? Enfim, como você tem muita experiência e vive ali também na questão do dia-a-dia.
Essa você me pegou de surpresa. Eu acho que talvez o que eu gostaria de compartilhar, eu já tive muitas experiências muito legal salvando vida, né? Então eu já tive ocorrências assim que que você se sente muito valorizado quando você termina de atender a ocorrência e você tem certeza que fez o seu melhor serviço e que aquela pessoa saiu com vida porque você interveio na hora correta. Eu tenho esse sentimento cada vez que eu pego um projeto e acho uma solução dentro da legislação, convenço o proprietário que ele estava numa situação perigosa para os seus funcionários e que aquela maneira de resolver o problema vai resolver e vai salvar vidas. Eu me sinto, talvez não tanto como estar mexendo ali com a vida, mas eu me sinto salvando vidas. Então, o projeto de bombeira traz essa gratificação para a gente. De ter certeza que você entregou um local cumprindo normas e principalmente você entregar um local seguro. E muitas vezes trazendo a opção mais econômica para o proprietário, porque às vezes você tem dez formas de resolver o mesmo problema, mas você achar uma solução que consiga entregar Agora...
Integrar, né?
Integrar. Essas três partes é muito legal. Você trazer uma coisa econômica que cumpra a legislação e você tem a certeza que o local está seguro. Isso é fantástico.
É muito importante. Você trouxe aqui muitas dicas. E nessa medida eu gostaria de... A gente tem um quadro Convidado Convida. Fala o nome de um convidado que você gostaria de ver aqui, porque esse convidado, ele precisa agregar, né? Você já conhece, óbvio, na vida da nossa audiência, que assim, é muito voltada pra construção, arquitetura como um todo, assim, e também pode ser um usuário final, de repente alguém que você já resolveu alguma situação.
Ó, eu acho que seria legal, e tem muito a ver com o programa, trazer alguém que é ligado a parte de equipamentos de bombeiro, que lida com equipamentos, por exemplo, ele traz tecnologias novas. Eu conheço o Carlos, o Carlos da empresa Argos. Pode convidar. Carlos, então eu estou te convidando aqui para você trazer essas novas tecnologias aí e todo esse mundo de equipamentos de proteção em combate a incêndio, o que é mais moderno, para você estar mostrando aqui no canal.
E eu aproveito pra te perguntar, como você conheceu o Constricash e o que mais te marcou aí no nosso canal?
Ah, então, eu conheci o canal, vamos dizer, por acidente, né? Buscando alguma coisa interessante pra ver no YouTube, enquanto eu tava fazendo algum projeto de bombeiro. E aí, por acaso, conheci o canal. Eu não vou saber falar exatamente o nome da pessoa, mas o que eu gostei muito foi de um episódio no qual vocês falavam de construções, não sei se é indoor, mas é dentro da indústria, que a pessoa constrói casas e alguns projetos dentro da indústria para estar implementando de forma muito rápida. Então foi muito bacana aquele episódio, e se bobear eu vou visitar a feira, que eu acho que ele deve estar... É uma feira, uma exposição dessas edificações.
É, você assistiu ao episódio sobre o... nós falamos sobre construções off-site, né? Então, Hugo, eu te convido pra visitar a Expo Construção Off-Site, que acontece de 3 a 6 de junho no Sambódromo A&B. E o nosso podcast aqui, o nosso estúdio estará lá. Inclusive, a gente pode fazer um bate-papo lá também no dia, tá? Você já tá convidado pra fazer. outro episódio lá. E essa feira, na verdade, os expositores, eles constroem na indústria e montam lá no... Sambódromo. Então, você tem a oportunidade de... Quando você fala de eficiência térmica, eficiência acústica, a construção... Imagina, essa feira acontece do lado da Marginal TT e você tem a Avenida Olavo Fontoura do outro lado. Então, você consegue vivenciar, de fato, tudo isso.
Sentir tudo isso, né?
E agora eu queria passar aí para as suas palavras finais, para a gente encerrar esse conteúdo que eu reputo incrível.
Paulo, bom, primeiro agradecer muito essa oportunidade. Sempre que eu posso, eu gosto muito de falar da segurança contra incêndio, trazer um pouquinho de conscientização para as pessoas como um todo, e de forma específica para os engenheiros, para os arquitetos. A segurança contra incêndio, ela basicamente está em tudo, e a gente vive em comunidade. E por viver em comunidade, nós temos que estar preocupados com a segurança de todos. Então, os engenheiros e arquitetos, quando projetam, as indústrias de materiais também têm que estar sempre trazendo novas tecnologias. E agradecer muito e falar que foi muito prazeroso estar aqui com vocês e espero que tenha contribuído com alguma coisa aí no seu programa.
Ah, com certeza contribuiu demais. Então, é dessa forma que encerramos mais um episódio aqui no ConstrueCast. Eu te convido para comentar, compartilhar nossos conteúdos e seguir em todas as plataformas. É só ir lá e colocar arroba ConstrueCast e vem fazer parte desse movimento que vai revolucionar os segmentos da construção civil como um todo. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstrueCast.
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