Sistemas Construtivos Inovadores | Mudando a Forma de Construir | Industrialização

Transcrição de um episódio do podcast ConstriCast apresentado por Andre Abucham com o engenheiro Rafael dos Santos. O diálogo aborda sistemas construtivos inovadores (construção a seco, steel frame, módulos, ICF/EPS, monolítico), as limitações da construção tradicional (imprevisibilidade de custos, lentidão, déficit de mão de obra, problemas de desempenho térmico e acústico), e como a industrialização, modulação e tecnologias (BIM, P&D, documentação) podem aumentar produtividade, reduzir desperdício e promover sustentabilidade.
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Sistemas Construtivos Inovadores é a pauta do episódio de hoje. Agora, antes de rodar a vinheta, você já se perguntou, já parou para pensar que estamos vivendo a necessidade de mudar a forma como construímos hoje? Fique ligado, quem vai responder essa pergunta vai ser o convidado de hoje que, diga-se de passagem, dá um show quando o assunto é falar de engenharia. Roda a vinheta. Construir, caixa, arquitetura, engenharia, construção, Seja bem-vindos a mais um episódio no Constrycast. E hoje eu recebo o engenheiro Rafael dos Santos, que vai falar sobre essa pauta tão necessária nos dias de hoje. Rafael, seja bem-vindo mais uma vez ao nosso podcast.
Muito obrigado pela oportunidade de estar aqui, de dividir, de compartilhar conhecimento com toda a nossa audiência, todo mundo que está nos assistindo, contigo. É uma oportunidade de ouro e que agradeço muito por poder estar aqui presente.
Obrigado, Rafael. Eu vou fazer esse bate-papo muito baseado em perguntas que eu recebi de fora, de pessoas que vivem realmente o dia-a-dia da engenharia. E a primeira pergunta, Rafael, que eu recebo é... Quais são os principais sistemas construtivos inovadores que você acredita estarem transformando o setor da construção atualmente?
Pergunta muito interessante, né? Porque ao mesmo tempo que ela deixa uma abertura, para que novos sistemas vejam esses sistemas que já estão se apresentando, também coloca opções ao nosso sistema de construção. Creio que para responder essa pergunta a gente precisa olhar para a história um pouquinho ali para trás, virar assim e perceber para o passado e olhar para o nosso presente e contemplar o nosso futuro. Será que todo mundo sabe que a gente constrói da mesma forma no Brasil nos últimos 50 anos? Será que as pessoas sabem que não há mudança, não há melhoria em nenhum dos campos de atuação? Essas situações, elas vão criar uma necessidade de que novos sistemas comecem a se apresentar. E dentre esses sistemas, a gente tem, normalmente, sistemas de empréstimos de outros mercados. Quando nós olhamos para os sistemas que se apresentam, na sua pergunta quais eles são, nós podemos citar aqui alguns. Nós podemos citar sistemas inovadores, como os sistemas de construção a seco, como Steel Frame, Light Steel Frame, o sistema de containers, que é um sistema compartimentalizado. Nós podemos também citar aqui os sistemas de construção. Não vou citar o Wood Frame aqui por uma questão de sustentabilidade, visto que a gente precisa pensar também numa questão da sustentabilidade e do meio ambiente. mas cabe ressaltar que ele apareceu em dado momento como uma opção ao sistema convencional. Temos os sistemas das bases dos polímeros, principalmente da parte dos poliestirenos. Nós temos aí poliestirenos expandidos, de alta densidade, que são o popular EPS ou isopor. São as casas, tanto como formas incorporadas, internas como incorporadas externas, onde podemos trabalhar com a estrutura internamente na forma de EPS, também chamado de ICF. E nós temos também aqueles às quais a forma está interna e há uma projeção de elemento estrutural do lado de fora, que seria os sistemas de paredes moldadas em LOC ou sistema monolítico, que a gente trabalha E, dentro disso, além dessas situações, nós temos ainda as tão conhecidas construções modulares, que desde que qualquer um desses sistemas que se apresentam como sistemas construtivos inovadores, eles possam... dessa forma, também está contribuindo para que ele seja uma construção modular, ou seja, é que qualquer um desses sistemas, desde que ele seja feito na indústria e depois levado, traz também a construção modular como sendo a apresentação de sistemas construtivos inovadores, mas aí sim mais como uma forma do que como um produto. Isso lembrando sempre que aqui seria interessante a gente sempre trabalhar com os três P's. Pessoas, processos e produto.
Rafael, aproveitar que você já deu ênfase nessa questão da construção modular, e isso é um ponto que a Rosane Bevilaco é uma pessoa que eu admiro muito da indústria do aço, um grande nome, inclusive eu vou ver a possibilidade de trazer ela para fazer um bate-papo aqui. com você, ela como minha co-host, ela já participou em um outro momento junto com uma convidada que foi uma gestora do aeroporto de Florianópolis. Foi um bate-papo super legal, vou até convidá-la para depois a gente fazer um bate-papo junto com você aqui. Ela pede para que você fale um pouco mais sobre esse sistema construtivo, de construção modular.
Claro, quando a gente fala de módulos, nós temos que pensar o seguinte, nós não podemos confundir conceitos. Quando a gente fala de industrialização, basicamente nós trabalhamos o seguinte, conceito de industrialização é quando eu tenho o beneficiamento ou a modificação ou transformação de qualquer coisa dentro de um ambiente padronizado, ou seja, mas não necessariamente de um ambiente padronizado. Então, desde que eu tenha a transformação de uma matéria-prima ou de insumos em um produto final, a esse processo de transformação é dado o nome de industrialização. Dentro dessas circunstâncias de industrialização, nós podemos ter vários tipos de construção que são pré-industrializadas. fabricadas ou pré-moldadas, ou seja, elas estão dentro de um processo de transformação, estão dentro do processo de padronização e até de uma certa escala, se nós possamos trazer isso para o âmbito geral, isso são produtos industrializados. Mas o sistema pode ser industrializado e não ser um módulo. Para ser módulo, ele precisa o quê? Ter sido realizado na sua totalidade dentro da indústria. Então, pensa comigo. Eu tenho um módulo que foi construído lá na indústria. foi montado ele está pronto quando eu pego esse módulo e transporta esse módulo pronto até determinado local e esse módulo junto com outro módulo vai formar ali um sistema habitacional ou unidade habitacional que é a conexão de um ou mais módulos que se conectam e formam, assim, uma unidade ou um sistema habitacional. Não necessariamente, aí sim, que ele pode... se ele tem parte realizada em loco, ele já... a gente já começa a limitar o conceito de módulo, porque ele não veio completo. Então, quando a gente traz um módulo, ou seja, Eu tenho parte daquela estrutura chegando naquele ponto. E isso traz inúmeras vantagens, tá? Inúmeras vantagens e muito poucas limitações.
Inclusive, até... trazendo um exemplo do que você está falando, recentemente a ampliação do Hospital Albert Einstein aqui em São Paulo, ela foi feita com módulos. Então, a empresa que fez, ela alugou um galpão gigante aqui em São Paulo, foi uma empresa de fora. Então, os módulos, eles foram montados todos nessa fábrica que eles montaram temporária, finalizou a obra, essa fábrica foi desmontada e eles voltaram. lá para a terra deles. Então, foi bem legal. Inclusive, tudo isso aconteceu com o hospital em... funcionamento e eu acompanhei um pouco dessa obra e quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio, se você vier as plataformas de vídeo, você consegue ver aqui algumas imagens dessa obra do Albert Einstein, que eu estou contextualizando aqui.
Show de bola! E você se recorda qual era o sistema construtivo que dava base para esses módulos?
A parte estrutural era metálica.
Certo, ela era basicamente o steel frame.
É, não o steel frame, você tem toda a estrutura metálica.
Ah, entendi. Estrutura metálica com uma alvenaria qualquer de alvedação.
Isso, e aí a parte de fechamento eu não me recordo bem.
Sim, e aí é interessante porque... não te cortando, mas é um sistema que trabalha com a estrutura em aço e um fechamento. E isso sim é um módulo. É muito interessante porque permite muitas vantagens, principalmente para um hospital, onde a gente precisa de módulos que têm tamanhos bem específicos, estabelecidos. A gente consegue trabalhar em âmbito de É padrão, ou seja, dessa planta fabril próxima que foi realizada, que foi esse galpão que você falou que eles conseguiram alugar. a gente consegue pensar que lá eles têm um ambiente propício para poder fazer um melhor trabalho. E aí as limitações ficam somente por conta da questão logística nesse caso, visto que já existe um projeto que deve ter sido racionalizado para construção modular. É muito interessante quando a gente pensa em construção modular, às vezes nós pensamos que construção modular se trata de atender a grandes obras e a obras de grande virtuosidade, de grande volume, dentro das questões arquitetônicas, principalmente. A gente pensa sempre em compartimentalização, pensa num hospital, numa escola, numa empresa, mas não, o custo modular pode sim atender também às habitações unifamiliares. A gente pode pensar que nós podemos estar em um ambiente que está preparado para poder receber esse tipo de construção e principalmente com alguns problemas que a gente vem enfrentando dentro do cenário nacional. Não sei se o pessoal sabe, mas nos últimos anos a gente tem tido uma redução dos postos de trabalho de mão de obra de construção civil, sabia? Então a gente tem uma redução considerável que fica em torno de 20 a 25% de todo o contingente de mão de obra relacionada à construção civil, ele houve uma redução nos postos de trabalho. Então nós temos um déficit muito grande no Brasil dessa mão de obra. E se a gente falar mais de mão de obra qualificada, aí sim o problema começa a ficar um pouco maior.
Você pode até dobrar de repente esse número. Rafael, eu tenho uma outra pergunta, depois eu queria, não me deixe esquecer, eu queria falar um pouquinho de déficit habitacional, mas lá para o final, eu queria que você trouxesse aí o seu olhar para esse ponto, já que você fala tão bem. Então, é importante você que está acompanhando, coloca nos comentários o que você está achando e vamos para a próxima pergunta. Agora, quais são, ou seja, quais as maiores limitações do modelo de construção tradicional que esses novos sistemas buscam resolver?
Show de bola! Nós temos na construção convencional inúmeras dores. E aqui eu vou atacar para o lado humano das pessoas, porque quando a gente fala de construção, às vezes a gente se esquece que a construção é a habitação. Nós estamos falando de habitar, de um lar. Nós estamos falando de um local onde um serviço vai ser realizado ou pessoas vão se estar protegidas. E quando a gente olha para o sistema convencional, nós temos uma série de situações que acabam sendo agravantes. A primeira delas, e talvez seja a maior dor das pessoas, seja a questão da não previsibilidade de custos. Porque quando a gente fala que, vou comparar, é mais barato, não é, esses sistemas construtivos inovadores, a gente se esquece que dá falta de previsibilidade do sistema convencional. A gente tem dificuldade em orçar o sistema convencional e saber quanto custa. Como que nós vamos poder comparar se o sistema que está se propondo está chegando agora, ele é mais vantajoso ou não, se sequer a gente consegue ter um número confiável de um orçamento para um sistema de mão de obra convencional. Quando a gente pega a grande dor do povo brasileiro, e aqui levando essa questão para uma questão realmente social, porque ela é desdobramento para inúmeros outros problemas, a gente fala Primeiramente, da imprevisibilidade orçamentária, que é o primeiro ponto, que é a incapacidade de poder se orçar, de poder se levantar um valor específico. Nós falamos depois da velocidade da construção, ou seja, em muitas situações, a precariedade de onde se está vivendo e quando se está construindo. deixa indeterminada a realocação dessa família por conta de problemas que possam acontecer enquanto se espera que a casa termine. Quantas vezes nas nossas casas, nas nossas famílias, com os nossos amigos e familiares a gente encontra pessoas que estão a tanto tempo tempo esperando e aguardando pela sua tão sonhada casa, e isso dura anos, ou seja, é um processo doloroso, é um processo que machuca o nosso povo já tão sofrido. Então, esses dois pontos são os pontos principais, que, repetindo aqui para o pessoal entender, que é, a gente fala aí sobre a incapacidade de se ter um orçamento, de se conseguir ter uma previsibilidade orçamentária, ou seja, a incapacidade da previsão do orçamento. Eu não sei quanto custa a minha casa. E eu não sei quanto custa e eu não sei quanto tempo leva. Então, essa questão... Ela é dolorosa. E quando eu não sei quanto tempo leva, leva muito tempo.
E, inclusive, Rafael, só um ponto.
Sim?
Por parte de quem vai construir, gera uma insegurança muito grande. Justamente porque, inclusive, os custos, eles mudam tão rápido que gera essa insegurança de imprevisibilidade de custo. Então, ou seja, eu começo uma obra. Tudo bem, eu tenho um valor X, mas eu tenho medo de fazer essa obra porque eu nunca sei, de fato, quanto eu vou investir.
Sim, falando dos principais e dos diretos, tá? Vamos fazer um exercício prático aqui?
Bora, adoro.
Vamos contar uma história, tá bom? O Paulo se casa com a Ana e eles resolvem fazer uma casa no método convencional. E eles estão num apartamentinho deles, que na verdade é um apartamentinho do Paulo. e não está totalmente quitado, mas para poder, para construção, o que ele faz? Ele fala, anda meu amor, tudo bem, tudo bem. Então, vamos construir? Vamos sim. Aquele terreno que você começou a comprar, vamos fazer a nossa casa lá porque aqui no apartamento se a gente quiser ter filhos tem um quarto só não vai poder se adaptar tá bom como vamos fazer isso precisamos de dinheiro para entrada olha para compra dos materiais eu tenho meu carro eu vou vender meu carro e daí a gente compra parte dos materiais e para mão de obra que a gente não pode parar e normalmente a gente não sabe quanto que a gente vai gastar porque o moço tá cobrando pela diária a gente faz o seguinte a gente vai vender esse ap Pegar parte do valor, porque a gente não vai conseguir todo ele, a gente vai alugar uma casa, tá? Vamos conversar com o nosso pedreiro? Tudo bem, meu amor, vamos conversar. E daí, Paulo e Ana vão conversar com o pedreiro. O pedreiro é o Sr. José Benedito, é o Sr. Dito. Seu Dito, tudo bem? Tudo bem, Sr. Paulo. Tudo bem, Sra. Ana. Como vocês estão? Estamos bem. Queremos construir uma casa. Ah, tá. Qual o tamanho dessa casa? 50 metros quadrados. Vocês já têm projeto? Ah, tenho sim. Esse projeto aqui, que eu risquei na minha casa. Ah, olha, mas aqui seria legal um banheiro um pouquinho maior e um quarto um pouquinho maior, porque senão depois esses filhos você pode ter dois, pode precisar de uma beliche, duas camas, etc. e começa a falar. Aquela casa de 50 metros quadrados vira 60. E eles ali só pensando no sonho deles. E ali cegos até pelo sonho e muito esperançosos. Paulo consegue vender o apêzinho dele e pergunta pro seu Dito, quanto vai custar construir essa casa? Olha, 60 metros quadrados, eu vou te cobrar 35 mil para construir a tua casa. Ah, que legal. Anda, meu amor. Olha, eu consegui os 35 mil para poder construir a nossa casa. Eu vou pegar dali. E a gente, então, com o dinheiro do carro que a gente não tem mais e mais o da casa, a gente vai ficar sem nada. Mas é pelo nosso sonho, né? Vale a pena. Sim, vale a pena. Então, eles ficam sem carro e sem um apartamento e vão morar de aluguel. Esse aluguel, ele é um aluguel de mil reais por mês. e aí o seu dito falou que a casa ia demorar cinco meses para ficar pronta e eles iniciam esse sonho porém quando eles começam a contratar os materiais eles descobrem que eles esqueceram que só contaram os materiais mas aí o seu dito fala o seguinte olha Nós iniciamos aqui a construção, porém, você vai precisar pedir mais um pouco de bloco. Por que mais um pouco de bloco? Porque os blocos que vieram, a gente pediu alguns milheiros, e a parte de baixo, durante o transporte, quebrou-se tudo e elas acabaram. Quebrando durante o transporte, então vamos ter que pedir mais um pouco de bloco. Tá bom, eles se esforçam e colocam. E assim eles vão seguindo esse caminho da casa. Porém, no quinto mês, já gastando 5 mil reais de aluguel e algumas coisas a mais, eles descobrem que a casa ainda nem chegou no acabamento. Seu Dito, estamos preocupados. Já não temos recurso, nem casa pra voltar. E o aluguel está nos apertando. E nós não temos carro. A nossa mobilidade está difícil. Quando a nossa casa vai ficar pronta? Olha, construção é assim mesmo, responde seu Dito. É muito difícil e imprevisível. Mas olha que eu acredito que agora, parando as chuvas, a gente possa dar uma acelerada na tua obra. Mas quanto tempo mais, seu Edito? Olha, de mais três meses não passa. E a construção convencional vai seguindo esse modo de operação, onde passa-se muito pouco tempo planejando e muito tempo executando. E o que acontece? Nesse meio tempo, há uma reavaliação do aluguel, porque estava previsto somente cinco meses, e o aluguel passa de 1.000 para 1.500. Aumentam-se as despesas, e aí o seu dito fala o seguinte, vai ter que contratar aqui caçamba, porque gerou muito resíduo. E assim começa essa história, ela vai se desenrolando, vai se desenrolando, e aí a gente não consegue finalizar aquilo que nós nos colocamos para poder fazer. Então essa história, ela parece ser uma história cheia de detalhes, mas ela ainda assim, ao final dessa história, o que acontece? Eles não conseguem terminar a casa, vão para uma habitação inadequada, uma habitação que ela não propicia a segurança que eles necessitam, ela não está acabada, Ela traz uma certa vergonha em relação aos familiares de que eles perderam o carro, perderam o apartamento, estão numa casa inacabada, gera um transtorno dentro do próprio relacionamento, onde eles começam a perguntar, mas você me falou para construir, a gente devia ter ficado no apartamento construído aos poucos, começa a gerar uma série de outras situações que não estavam vinculadas ao sistema de construção convencional. Então logo, as maiores dores do sistema de construção convencional e o que elas geram nas pessoas, essas dores que precisam ser atacadas pelos sistemas construtivos inovadores. Então essas dores de ter previsibilidade, ter velocidade, ter assertividade, deixar com que as pessoas se programem, se planejem para poder ter o retorno, ela é de fundamental importância para qualquer sistema construtivo que venha a se colocar como disponível possa atender. E a gente fala assim Até para finalizar essa colocação, aqui são situações específicas onde o sistema convencional coloca a disposição nessa historinha de que não consigo saber o quanto eu vou gastar e nem quanto tempo vai demorar. Esse aqui é o direto. E depois a gente tem todo o desdobramento das outras questões, que são conforto térmico, não há no sistema convencional. A gente tem que ficar fazendo mudanças arquitetônicas, alterando posição de quarto, de janela, de cama, para poder ter um mínimo de conforto e habitabilidade. A gente não tem desempenho acústico. A gente fica dentro de uma habitação onde a gente tem ruídos externos, atrapalhando o sono e o descanso do trabalhador, a gente tem os ruídos internos entre os próprios ambientes, diminuindo a privacidade da habitação. Então, olha quantas dores e quantas manifestações de onus e de problemas a gente tem decorrentes do modelo tradicional. Então, há essas dores e há essas manifestações que os sistemas construtivos inovadores precisam vir atender.
E eu tô impressionado, Rafael, com a sua forma de explicar. Agora, você que é do segmento, ou seja, do meio da construção civil, a gente tem que mostrar o Rafael pro mundo, porque olha o que ele fez, olha o exemplo, olha o storytelling que ele trouxe com exemplo de construção tradicional. Agora, vamos pra próxima pergunta. Rafael, aproveitando essa sua Fala da construção tradicional. Como você entende que a industrialização da construção civil pode acelerar a produtividade e reduzir desperdícios, principalmente nos canteiros de obra? Porque as pessoas olham muito para os canteiros de obra, mas não vê o que vem antes.
Com certeza. O canteiro de obra dá visibilidade Para toda a perda que a gente tem, tanto de material de uso e consumo, que são os insumos da construção civil, quanto de material humano, a gente se esquece muitas vezes do material humano. E isso é uma dor que eu tenho como engenheiro civil e como pedreiro. Porque eu não contei, mas eu sou pedreiro, eu sou filho de pedreiro com muito orgulho. E sou pedreiro com muito orgulho, com diploma de engenharia. E há um desperdício de capital humano, ou seja, de material humano, de recurso e força e mão de obra, porque ele também se deteriora nos canteiros, e também nos materiais empregados. O processo de industrialização, ele traz em si, de uma maneira intrínseca, uma padronização que vai permitir com que os resíduos oriundos dos cortes e das adequações sejam muito reduzidos, porque a gente está num ambiente controlado, com projetos, com profissionais que só fazem aquilo, então tende a se reduzir. Toda essa disponibilidade de problemas dentro de um processo. E lembra que eu falava dos três P's? Processos, pessoas e produto. Então, qual é o produto que eu tenho que entregar? Edificação. Ela está dependente dos processos e das pessoas envolvidas. Quando eu trago o processo e a pessoa para o mesmo ambiente e um ambiente não controlado, que é o canteiro de obras, fica evidente que sem uma gestão que normalmente a gente não consegue colocar justamente por esses problemas apresentados anteriormente e principalmente por cara característica de cada edificação ser única tende a gente a perder muitas situações. Enquanto o processo de industrialização, ele ganha escalabilidade, o que tende a reduzir o custo, ele traz padronização, o que faz com que você saiba exatamente pela previsibilidade do produto dentro dos 3Ps que a gente pode receber, ou seja, eu sei o que eu vou receber, eu sei o prazo que eu vou receber, então quando essa indústria só faz isso, então quando ela passa um prazo, ela atende a ter até muitas vezes estoque dos materiais, não precisar ficar dependente de uma logística, de um insumo ou de qualquer outra situação. E principalmente a agilidade de saber que vai chegar no tempo certo e o valor, normalmente é o valor fechado. Então o processo de industrialização, ele deixou de ser uma solução promador e passou a ser uma necessidade para o nosso momento da construção civil no Brasil.
Muito bem, Rafael, muito... De verdade, eu fico muito contente aí com a sua explicação e a gente vive um desafio ainda também que é, muitas vezes, incutir... Isso já é cultural, tá? Que é incutir na cabeça das pessoas daquele investidor. Quando eu falo investidor, é aquela pessoa que está comprando uma casa ou, enfim, uma moradia ali colocar na cabeça dele da importância de ele entender qual o sistema construtivo empregado. Porque quando eu vou fazer uma conta, eu preciso, quando eu olho pra industrialização, eu preciso olhar a industrialização como um sistema. E a partir do momento que eu olhei como um sistema, eu olhei as vantagens, fica muito mais fácil de repente, peraí, eu vou fazer esse investimento, eu sei que eu preciso ter um valor Agora, inicial, mas eu tenho um controle de quanto eu vou gastar e eu tenho certeza dessa minha moradia. Eu sei que esse empreendimento vai sair. Agora, a grande dificuldade hoje é como fazer essa conta.
Entende?
Porque, de um lado, eu tenho dificuldade de bater a conta da construção tradicional. Só que tudo bem, essa construção vai ficando de lado. Eu sigo com a esperança de um dia terminar, porque brinco que a gente nunca termina uma construção tradicional, é uma construção eterna. Por outro lado, quando eu vou falar de industrialização pra um público que não tem ainda a cultura da industrialização, como que eu faço essa conta?
Show de bola vamos lá começar com alguns conceitos a primeira coisa é a gente precisa inverter a conta então vou falar de dois conceitos para não ficar muita coisa para quem está nos assistindo então façam esse exercício mental comigo agora a condição convencional é 2080 construção industrializada ou modular ou inovadora, ela precisa ser 80-20. E vou explicar o que é isso. E no segundo momento, guardou a informação 20-80, 80-20. Beleza, agora você vai guardar a segunda informação. C sobre B. Custo sobre o benefício. E dentro da fração, quanto mais o meu benefício ele é maior em relação ao custo, menor é o meu número. Eu tenho 1 sobre 10, ou 1 sobre 100, menor é o meu número. Então, quanto maior meu benefício, menos eu estou pagando por eles, ok? Então, o que a gente pode pensar sobre na hora da cultura para poder vender essas questões A indústria, no caso, poder vender para o cliente final. O cliente final, ele sempre vai olhar para uma questão de custo. Então, a gente coloca um tripé aqui, que é o tripé do quê? Tripé do planejamento, que é o processo da coisa. O custo sobre o benefício, que é, no caso, a entrega da coisa, que é o processo. E, por último, o valor. O valor, e não o custo, porque o custo está na equação anterior. Qual é o valor que eu tenho nisso e o que eu ganho investindo no sistema construtivo inovador? Vamos lá? Então, primeiro ponto. 2080, eu passo 20% da minha obra planejando somente, faço o projeto, aprovo na prefeitura, deveria ser, para a gente saber que a precariedade das habitações no Brasil, muitos não tem nem isso. Qual que deveria ser o caminho para construir com previsibilidade? Na qual seu convencional? Esse é o caminho que se utiliza, desculpa, 20% do tempo Eu estou lá fazendo projeto, aproveito a prefeitura, eu pego isso e entrego na mão do empreiteiro, do pedreiro, ele me fala quanto eu tenho que comprar de tijolo, quanto eu tenho que comprar de areia, quanto eu tenho que comprar de cimento, quantos meses vai ficar a betoneira e 80% desse tempo é executando. O que acontece? Nesse meio de processo, como não há planejamento, como não há previsibilidade, como não há estimativa, não há meta, não há onde chegar, não se tem direção, só se tem potência que é a grana, não há direção, não há direcionamento, não tem ninguém acompanhando essa obra, o que vai acontecer com ela? Ela vai desandar. Então o primeiro detalhe, se você quer vender um produto, não começa ofertando preço, começa dizendo que inicialmente o teu sistema construtivo entrega algo que o outro não entrega é o primeiro ponto que se tem olha no meu você tem previsibilidade é 80% do tempo nós vamos conversar sobre a obra e 20% ela vai ser executada porque no ponto de execução eu já sei tudo o que fazer Eu dei previsibilidade, porque, lembra do dado? Se a minha mão de obra qualificada abaixou 25%, cada vez eu tenho menos pessoas para trabalhar na minha obra. Preciso fazer isso em outro local. Vou trabalhar na industrialização. Eu quero que ela venha pronta, porque eu sei quanto tempo vai gastar e eu fico aonde eu tenho uma maior volatilidade, ou seja, onde que estão os problemas da construção? Na maioria das vezes, dentro do canteiro de obras com a mão de obra. Então, quando eu reduzo a mão de obra, eu reduzo o tempo de canteiro, automaticamente eu reduzo as patologias, os problemas e as dores das construções convencionais. Então, o primeiro ponto para você que está ouvindo aqui, o primeiro ponto para você saber é, ó, ponto número 1. Mostre que você consegue planejar e executar. Aqui é 80-20, não 20-80. Inverte a brincadeira. Ponto número 2, meu querido, é o ponto importantíssimo que é quando você pega o custo sobre o benefício. Havia falado anteriormente, vamos pegar a construção convencional, vamos traçar o paralelo, pega a balança, coloca as vendas nos olhos para não ser tendencioso, sem viés nenhum, obra convencional e a obra industrializada. Tenho previsibilidade? Tenho. Não tenho. Então perde-se um ponto aqui com o seu convencional. Eu tenho agilidade? Não tenho. Eu tenho qualificação de mão de obra? Não tenho. Eu tenho muitas patologias? Tenho muitas patologias. Eu consigo prever e trabalhar em cima das dores que eu vou ter durante o processo? Não, porque eu estou no canteiro e estou com pessoas. Só disso aqui, Agora, vamos pensar que ambas custassem a mesma coisa, tá? A industrializada e a convencional. Mesmo que a convencional seja difícil de levantar, se aqui e aqui, esse aqui pesa muito mais, ele tem peso, eu tenho muita pedra aqui, aqui eu tenho pouca. Agora, quando eu vou falar de benefício, eu inverto, porque aqui é o que eu estou perdendo, então, quando eu falo de benefício, quem tem mais benefício? Esse aqui. Então, vamos fazendo. Vamos fazer o inverso agora, vamos colocar os benefícios para a gente ver. A questão que eu tenho de térmico, normalmente os industrializados já atendem as questões térmicas. Acústica, agilidade, sustentabilidade, dificuldades. Olha o quanto essa aqui começa a ganhar quando eu começo a colocar o custo como algo importante, ou seja, o sistema convencional, além da balança para o sistema convencional, ela pesar no que é custo, ela perde também nos benefícios. Então, na equação, é como se eu tivesse o seguinte, vamos lá, trazendo para os números, eu tenho Vamos falar que elas custam igual, tá bom? Eu tenho custo 1 para a convencional e custo 1 para o sistema industrializado. Só que eu tenho 1 benefício no convencional e eu tenho 2 benefícios no sistema industrializado. Qual que é o real valor? Desculpa, o real custo dessa edificação? 1 sobre 1 é 1. 1 sobre 2 é 0, sim. Eu gastei muito menos para ter muito mais. Esse é o segundo ponto. Então, vamos lá. Ponto número 1. 80 a 20. Previsibilidade e planejamento. Eu entrego o que ele não tem. Ponto número 2. O meu valor é maior do que... Custa muito menos do que a outra em função do que eu entrego. E agora o número 3, o valor. Quando você tem um processo industrializado, normalmente, você tem garantias. Você tem a quem ligar quando tiver um problema. Você tem um pós-venda. Você tem uma documentação da tua casa. Na hora de vender essa casa ali na frente. Muitos sistemas construtivos inovadores são sustentáveis. Já ouviu falar em IPTU verde, IPTU azul? Será que o pessoal já ouviu falar que dá pra ter redução de IPTU por sustentabilidade da edificação? Hoje a gente fala de carro elétrico, a gente fala de eletrificação de frota, a gente fala de sustentabilidade e os subsídios fiscais disso. Há vários projetos para virar projeto de lei, há várias proposições no âmbito de que edificações que elas trabalhem com sistemas sustentáveis, elas tenham benefícios fiscais daqui a alguns anos. Então, você que está falando comigo, você que é indústria, você que está vendendo sistema construtivo, Fala para o teu cliente que ele vai ter planejamento, que o custo em função do benefício é muito melhor e que ele vai agregar valor, além de ter uma casa térmica acústica que atenda a norma de desempenho, porque o processo construtivo industrializado, ele precisa atender a 15.575 que é a norma de desempenho em todos os seus aspectos para poder ser comercializado. Então, quando eu tenho esse terceiro ponto, que é o valor que eu agrego, além daquilo que eu compro, se torna imbatível estabelecer e mostrar para essas pessoas o quanto vale a pena ir para o industrializado e deixar o que é convencional de lado. Por quê? Porque se você é diferente, por que você faz igual? Se você é diferente, por que você faz igual? Você é diferente, então você merece um método construtivo diferente e, principalmente, um método construtivo eficiente, que traga, entrega e que entregue o que ele vende. Então, quando a gente fala de processo construtivo industrializado, é aquele que entrega o que vende. Aquele que se propõe e entrega. Então, não basta ter discurso, tem que ter entrega. E agregando valor nesse tripé entre planejamento, custo-benefício e valor, é o tripé da venda. Então, não se esqueça. Planejamento, custo-benefício e valor. É dessa forma que nós vamos entrar na cultura do povo brasileiro e mudar a maneira como nós construímos no Brasil.
Que aula, meu amigo! Eu tinha uma pergunta que você já respondeu, né? O que falta para que esses sistemas inovadores sejam amplamente adotados no Brasil? E, de fato, eu queria complementar, Rafael, que as pessoas que me conhecem, sabe? Eu circulo, na verdade, em todo o setor da cadeia da construção, indústria, construtoras, e vivo muito ali nas obras. E eu percebo também que, até complementando um pouco a sua fala, Existe um despreparo, tá? Não levem para o coração isso. Que muitas vezes tem ali uma pessoa de marketing, uma pessoa cuidando da comunicação de uma construtora ou de uma indústria, mas eu percebo que ela não tem o mínimo de interesse de entender um pouco sobre aquilo que ela está ofertando. Muitas vezes, tudo bem, eu tenho que entender de comunicação, Sei, eu acho que falta um pouco, porque como que eu tenho que vender, de repente, uma inovação ou algo diferente? Eu preciso transmitir uma comunicação para o mercado, mas eu não acredito nisso. Eu não tenho o mínimo de interesse.
Captei, e vou dar o corte de milhões. Bora. Tá? Vou falar diretamente para a indústria, tá? Vou falar diretamente para a indústria. Vender sistema construtivo é venda técnica. Você vende com autoridade e com valor. E não com exposição. Terminou o corte de milhares. E agora eu vou explicar. O que falta? O que falta? Falta a indústria do Brasil especificamente. Olhar lá fora e não querer trazer o produto que tá lá fora, o sistema que tá lá fora. Lembra que eu falava de empréstimo construtivo?
Sim, sim.
Steel. Wood. Vem dos norte-americanos, Canadá, uma certa parte da Europa. Os sistemas SCP, os sistemas modulares, os EPS da vida, a Europa muito forte, Itália, países nórdicos também muito fortes. A gente está importando o sistema, mas não está importando a cultura da indústria. Lá fora se investe em pesquisa e desenvolvimento, documentação e validação de produto. No Brasil se quer trazer, fazer e ganhar dinheiro. Sim, é importante ganhar dinheiro, mas ele não tem sustentabilidade se ele não vem junto com técnica, que é o primeiro ponto importante, documentação e validação do produto. Não se sabe naturalmente dentro das normas brasileiras, estou falando de um país continental, quando a gente fala que no Brasil de processo construtivo onde a gente vai utilizar, por exemplo, uma argamassa, nós temos N tipos de solo, mais 70 tipos de solo para ser mais específico, N tipos de areia, a gente está usando bens consumíveis E a gente tá usando os nossos recursos naturais, assoreando rios, destruindo tudo, sem saber os limites do nosso sistema construtivo. A gente tá olhando pra venda e esquecendo da técnica. É venda técnica, é venda feita com autoridade. Cadê tua autoridade? Tua autoridade vem quando você documenta, ensaia e lauda o teu produto. Hoje a gente chega na maioria das... da indústria e, assim, sem juízo de valor e sem medo. Eu atuo dentro dos institutos tecnológicos aprovados e autorizados pelo IPT. Falcão Bauer, Unicinos, grandes laboratórios brasileiros, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São Leopoldo, o Fiscar, o USP, o próprio IPT, CCB, A UFES de Espírito Santo. A gente tem uma série de órgãos, de laboratórios, de gente competente, de uma engenharia de base que nos orgulha. Eu tenho um orgulho gigantesco de ser engenheiro brasileiro, porque aqui estão os melhores. Mas a indústria não toma do mel que brota diretamente dos favos brasileiros. A gente tem o ouro aqui. E a gente pode apostar em pesquisa e desenvolvimento. A gente não precisa trazer nada de fora, não. A gente tem abundância de material para produzir aqui.
Inclusive, você me faz aqui levantar um ponto também, enfim, já que eu posso falar à vontade, pois aqui é nosso, a gente precisa falar. E eu percebo também uma desunião muito grande por parte da indústria. Outro dia eu estava, não vou citar o nome do evento que eu estava, e era um evento voltado para concreto. Eu levantei um ponto lá, que é qual a dificuldade de a gente falar de soluções construtivas como sistema? Entende? Quando a gente falar de industrialização, quando a gente falar, igual a gente tá falando aqui, tem lugar que o aço se encaixa muito bem numa obra, tem outro que a madeira engenheirada pode se encaixar muito bem, né? Enfim, ou seja, você tem ali lugares que o aço concreto e a madeira vão se encaixar muito bem no próprio estilo, agora não, é cada um defendendo o seu, tá?
Isso que você levantou... E só pra complementar, né?
Inclusive tá acontecendo com o próprio Constra e Cash. Hoje nós somos reconhecidos pela credibilidade dos convidados que vêm aqui, tá? Eu fico muito honrado por isso e pela qualidade do conteúdo gerado. E quando a gente vai falar de patrocínio aqui, dependendo de algumas indústrias, eu fico extremamente chateado porque a pessoa quer Não, eu quero que você... Eu posso investir um valor extremamente alto, mas eu quero que você fale do meu produto. E o nosso viés aqui não é falar de uma marca específica, a gente tem que trazer a informação, ou seja, a gente tá falando de soluções construtivas, a gente não tá citando nome de marca. A gente vai falar um pouco de vergalhão, a gente vai falar do vergalhão de alta resistência, mas a gente não tá defendendo uma marca a outra, a gente tá trazendo a solução. E é... Por que que é difícil tratar assuntos dessa forma no Brasil?
Muito por conta dessa questão que a indústria, se ela soubesse o poder que tem, se ela soubesse... Unida, né? Exatamente. Até onde ela pode ir. Eu vou mandar um abraço aqui pro Rubens Monge, da BCP, que é um querido que eu tive a oportunidade de conhecer, que é a Associação Brasileira de Cimento Pórtula. um... A gente tem algumas associações que fazem um trabalho legal, um trabalho maravilhoso, por sinal, mas é um insumo. O cimento é uma parte. A gente tem a BTS, a Associação Brasileira de Tela Soldada, que é tela. Aí, quando a gente sai, a gente tem a associação do aço, associação do... não temos uma associação legal de EPS, não deveria ter.
Deveria.
Deveria ter. O tamanho do Brasil, o tamanho do déficit, você sabe por que que elas ainda estão nessa precariedade e não estão unidas? Porque não sabem o tamanho da questão a se resolver em habitação no Brasil. Nenhuma empresa que tá ouvindo a gente aqui agora, tô sendo enfático, eu quero, eu tô desafiando qualquer CEO de empresa aqui, qualquer, qualquer, tô falando pras top 5, que consiga sozinha atacar e resolver se o recurso tiver o déficit da habitação brasileira.
Inclusive eu venho batendo muito nessa tecla.
Não consegue fazer, ou seja, mas a insegurança de não investir em pesquisa, em desenvolvimento, não ter um profissional que desenvolva o produto, que desenvolva a solução, que desenvolva o pós-venda, que dê um passo além da indústria, a falta de ter um setor ou profissionais e investimento nisso, cria insegurança na indústria para ela poder enxergar nesse tipo de comunicação social, porque isso aqui é mais do que uma estratégia de marketing, isso é uma ferramenta poderosíssima de criação de valor compartilhado. Eu chamaria esse podcast de motor de CSV. Motor de criação de valor compartilhado. Aqui a sigla está em inglês, eu misturei inglês com português, por isso CSV. Mas a criação de valor compartilhado. que seria um CVC, né, Criação de Valor Compartilhado, aqui pro brasileiro, mas... é a insegurança, porque ela acha que tudo é exposição, na exposição ela não pega aquele cliente que ainda não a conhece, o cliente que percebe nesse, se perceber nesse podcast, aqui no Construecast, se ele perceber que tá comprado o host, o especialista, o co-host, o convidado, ele não retém, ele não fica, ele não compra.
Ele não consome.
Lógico que ele não consome, porque ele sabe que aquilo tá enviesado. Agora, quando ele percebe um profissional sério, vindo aqui falando do tema, entregando qualidade, gerando valor, é entregue pra ele técnica e, principalmente, é entregue pra ele a autoridade. Vem aqui uma autoridade que não tem viés, que não tá ganhando diretamente da marca pra expor a marca. Porque uma vez que eu falo de um produto de qualidade, tenha você indústria de produto de qualidade, que uma vez que a autoridade falar que é bom construir com papel higiênico, tá? Tô sendo hipotético aqui. Ah, sei lá, uma empresa faz casas com rolos de papel higiênico. Tá, casa é feito de papel higiênico. Se uma vez que uma autoridade chegar aqui, ó, casa com rolo de papel higiênico é o futuro, é o agora, é melhor, a pessoa vai entrar na internet, empresa de casa de papel higiênico.
E eu gosto muito de usar o exemplo, Rafael, do que você tá trazendo agora, que é muito importante. Quando ele fala desse conteúdo enviesado, né, imagina, eu vou patrocinar, eu tô patrocinando um evento X que tá acontecendo aqui em São Paulo. Aí, daqui a pouco... A minha empresa tá patrocinando esse evento, tá? Daqui a pouco aparece lá. Paulo Barros, palestrante, vai falar sobre um determinado tema. Desculpa, gente. Isso pra mim não cola. Não cola. É chato isso. Tá? Então, eu não quero e nunca vai acontecer isso com constricash. Então, a gente tem que gerar um conteúdo neutro, né? A gente... É falar de pasta de dente, Sem falar marca.
Sim.
Né? Que esse exemplo é assim, você vê muito isso no mercado. Eu, enquanto empresa, estou patrocinando um evento e eu vou como palestrante. Não faz sentido nenhum isso.
Não engaja e não atrai.
E não atrai.
Por quê? Vamos lá. Vamos inverter a coisa? Pra indústria entender como é que funciona. É... Quando uma grande marca traz um nome pra ser da marca, ela tenta... Tem dois movimentos. Ela tenta associar a imagem daquela pessoa à marca. Ou ela tenta associar a marca à imagem daquela pessoa.
É isso.
Tá vendo? Ou seja, quando... Quem está assistindo a gente, percebe que a gente está falando de um tema construtivo inovador. Ela vai gerar nela a curiosidade. A curiosidade vai levar ela à busca da informação. A busca da informação dela vai gerar uma atração naquele tema. A atração vai gerar a busca pelas empresas que atuam com isso. E aí sim, há um engajamento desse público que já passou pelo funil, ele era funil largo, ele é a funila, ele é fundo de funil, e aí sim a tua estratégia de marketing vai atacar. Mas não se vende mais imprimindo a marca e colando na cara das pessoas. Pega o movimento que é feito com a indústria automobilística. As marcas na frente dos casos locais estão cada vez menores e minimalistas.
Minimalistas.
Não tem cor, não tem forma, não tem fundo, não tem 3D, não tem nada. Por quê? Porque as pessoas hoje, ninguém vai comprar um carro, não vou falar do Gol porque ele não existe mais. Ah, vou comprar um Polo porque é Volkswagen. Não, eu vou comparar o Polo com o Onix. com o Argo, o Peugeot 208, eu vou colocar eles, e eu vou digitar no Google, vou digitar assim, Polo X Onix X 208 X Sandero. E aí vai trazer pra nós essa comparação. Se a indústria pensar que ninguém mais compra por impressão, Olha, impressão. Ninguém mais compra impressão. Compra por autoridade e valor. E pra gerar autoridade, valor e atrair um público que se atraia realmente, que é o público com capacidade de conversão. Não adianta você ter um monte de gente atraída e não conseguir converter isso em vendas.
Que é o exemplo do embalde marketing, né? Que é o marketing de atração. Que muitos empresários do setor da construção deveriam conhecer. Inclusive pra colocar a gente ali, qualificada no setor de comunicação. Pessoas não tão vaidosas.
Exatamente.
Que infelizmente é uma vaidade que... Enfim, e vamos para a próxima pergunta, Rafael? Bora. Seguinte, agora... Ufa, esse episódio já está demais.
Tá, como você disse aí, vai gerar cortes que... Vai gerar cortes. Controversos.
Vamos lá, é bem legal, acho que a gente tem que gerar esse movimento aí no mercado, então... E aí tem essas questões também, como... Os novos sistemas construtivos contribuem para a sustentabilidade e para a economia de recursos naturais.
Sensacional.
Você já falou e falado bastante coisa.
Mas... Você, agora, tenta ser um pouco mais objetivo. Quando a gente fala de sustentabilidade, a gente fala de manutenção a longo prazo. Quando nós olhamos para o planeta, Quando nós olhamos pra nossa vida, sobrevivência, quando a gente fala sobre sustentabilidade, sobre meio ambiente, sobre contribuição dos sistemas construtivos, eu vou deixar um recado aqui, tá? Não é o planeta que vai acabar. É a humanidade que vai deixar de existir. Se você não viu, eu vou dizer de novo. O problema não é o planeta. É a humanidade. Não vai ter condição pra vida aqui. Se a gente não cuidar. Quando a gente fala de sistema constitutivo inovador, trazer um dado. Material, tá? Mais consumido do mundo é a água. O segundo, você sabe qual é?
Água eu sei o primeiro, agora o segundo não.
Areia.
Areia.
Areia. Seguido de brita. Olha que interessante. Só falta ter o cimento aqui pra falar que a Constituição Civil é quem mais consome recurso natural no mundo. Mas a cadeia de produção, a cadeia de logística, pense na areia o seguinte, você vai achar que tem muita areia para construção, mas não tem, não posso usar a areia do mar, eu não posso usar toda a areia do rio, porque tem a questão do assoreamento, eu tenho a questão das encostas, eu tenho a questão da manutenção da mata ciliar, que já foi até tema de projeto de lei de desenvolvimento de sustentabilidade, E aí eu vou abarcando, eu vou abrindo esse leque. Então quando a gente fala de sustentabilidade de meio ambiente, de retorno para os sistemas construtivos inovadores, estamos pensando no seguinte, quando eu tenho sistemas que demandam muito pouco recurso e que eles não destroem o ambiente ao qual esse recurso precisa estar e depois que essa casa e essa habitação existe, eu tenho a possibilidade de desmontar essa casa e levá-la para outro lugar, esse é o futuro da construção. Quando a gente fala de mais construções inovadoras, falamos de casa modular também, de outras situações, pensa o seguinte, sustentabilidade real é você montar a sua casa do jeito que você quer nesse terreno, quando você fala assim, vou mudar de casa, você compra outro terreno, desmonta a sua casa e monta a mesma casa em outro lugar. Isso para mim é o que, se uma indústria quiser olhar para as coisas de uma maneira correta, faz o seguinte, entra em contato aqui com o podcast e procura o Paulo para a gente desenvolver um sistema que consiga fazer isso, em que a pessoa venha, trabalhe, monte a tua casa aqui, quando ela quer mudar de estado, mudar de cidade, ela desmonta a casa e monta em outro lugar. Esse é o futuro da construção, isso é sustentabilidade. Porque assim, a gente dá um passo quando a gente tem... Vamos lá, em vez de eu usar argila, que está destruindo o meio ambiente, que não pode mais, não tem mais onde tirar, eu estou destruindo o solo. O que eu vou fazer? Ah, eu vou trabalhar com... Não vou trabalhar mais com argila, vou trabalhar com EPS, que é um material. Vamos lá, só para colocar ele em pauta. Ou com drywall, que é gesso, ou qualquer outra fibra, as fibras que usam vidro. Mas vidro é o quê? Já pensou?
É, vidro e areia. Olha ali, inclusive tive uma pauta aqui com a Glória Cardoso, falamos sobre especificação correta de vidro, normas e etc.
E ela deve ter comentado algo assim.
Sim, falamos, inclusive vou fazer uma visita para mostrar para nossa audiência o processo de produção de vidro, vou visitar uma fábrica.
Você vai ver que A gente tem o processo de vitrificação, ele ocorre naturalmente da natureza. Quando a gente fala do vidro, a gente tem um processo de vitrificação que é até bonitinho da gente ver quando cai um raio, uma descarga elétrica do tipo atmosférica, ela incide sobre a areia da praia, há uma vitrificação devido a alta temperatura, é fusionado aqueles grãos e aquilo vitrifica e vira vidro. Quando a gente fala do vidro, que é um fluído, na verdade, tá? Ele tá escorrendo aí, mas nem também... Pra quem não sabe, tá?
O vidro é um sólido... Sua capacidade, Rafael, de falar sofre qualquer assunto. Fico impressionado, a gente tá com uma hora aqui. Cara, de podcast sensacional, eu ficaria aqui há horas ainda. A gente tem ainda mais umas cinco perguntas pra fazer.
Ah, valeu!
Mais algumas aqui de umas pessoas que sabiam que você estaria comigo. Eu falei de você.
Eita!
Não, tu mandei aqui algumas coisas. Inclusive, vou aproveitar pra mandar um abraço pro Felipe Lima, que foi através de você. Através dele que eu te conheci e acho que, enfim, sou muito grato novamente.
Eu também, gratidão.
Felipe Lima é um querido.
Ó o quadrado. Mas é isso. Então, basicamente, a indústria consegue contribuir para o meio ambiente não só trocando os materiais de insumo, não só trocando os materiais que vão se colocar, mas... E a devolução? Então, o sistema constitutivo de inovadores industrializados tem que pensar em toda a cadeia produtiva. Então, vira a responsabilidade da indústria recolher o material que ela depositou. que pode voltar para o processo construtivo e aqui pesquisa e desenvolvimento de novo, isso gera indústria, pesquisa e desenvolvimento, gera money de retorno, porque você pode implementar e depois trazer e recolocar ele como um produto que ele vai e fazer parte novamente do processo construtivo, então sustentabilidade como um todo, não só cuidando dos recursos naturais, mas sim cuidando do destino daquilo que se tornou um recurso não natural e um recurso industrializado, cuidando do destino desse recurso, mas o melhor dos cenários era que essas edificações, esses sistemas construtivos inovadores, de alguma forma, e eu acredito muito na construção modular, está como um passo para a construção final em que esses módulos possam... E aí, um desafio para as escolas de arquitetura é que eles possam se juntar no lugar e a possibilidade deles serem desmontados e levados para outro lugar, porque assim a gente não precisaria toda hora gerar esses movimentos novamente, porque sempre a população mundial está aumentando e haverá sempre um déficit habitacional. E as empresas, além de ganhar com a construção, transporte, instalação das edificações, olha aí o plot twist, vai ganhar agora com a desmontagem, transporte, remontagem e replanificação das edificações. É quase que uma possibilidade de ganho em cima já da própria venda, fidelizando o cliente.
E quando você cita a arquitetura, os arquitetos, é importante também que eles se atentem às inovações. que estão acontecendo no mundo, não só no Brasil, porque a partir do momento que eu estou atento a adquirir novos conhecimentos, novas tecnologias, consequentemente eu vou projetar com soluções muito mais execuíveis, vamos dizer assim.
Com certeza, e o arquiteto é a porta de entrada, ele é responsável por muitas das vezes indicar e convencer o cliente de se utilizar um sistema consultivo inovador. Então, o papel dos arquitetos é extremamente importante. Então, você arquiteto que está ouvindo, você é extremamente importante para os sistemas consultivos inovadores. Você precisa conhecer sistemas consultivos inovadores, porque senão você está parado no tempo, porque o passado não volta, o futuro não temos, e o presente é o único ponto que você tem para agir e fazer a diferença.
Tem uma pergunta, Rafael, aqui. Eu acabei pulando duas perguntas importantes por conta do nosso tempo. Eu quero... Diante de tudo que você está falando, eu penso que a tecnologia é fundamental para a gente conseguir conectar de fato tudo isso. Então, eu vou te fazer uma pergunta aqui bem direcionada já para... mais específica. Como os avanços em BIM e outras tecnologias estão alinhados com essa mudança? Porque, gente, eu ouço falar de BIM há mais de 10 anos. Só que, na prática, eu percebo que o mercado como um todo ainda tem muita dificuldade. Inclusive, até pra... Assim, eu faço pergunta, sabe o que é BIM? Raramente as pessoas sabem.
Fazer uma correção, se me permite.
Sim.
Não tem dificuldade. Tem resistência.
Resistência.
Eles têm resistência ao BIM porque BIM não é extensão. Não existe ponto BIM. BIM é conceito. BIM é racionalização do processo. BIM é integração de processos e de situações dentro do projeto como um todo.
E aí eu vou te trazer um ponto até pra gente, já que houve essa correção, é importante, porque quando eu falo...
Não, eu não tô corrigindo você, tá?
Mas é importante.
Corrigindo o mercado.
Mas é importante.
Eles gritam dificuldade quando, na verdade, eles têm resistência em mudar os próprios processos para que o BIM possa fazer o papel que ele tem que fazer. Por isso vai ficar 10 anos. Pelo mesmo problema de cultura ao qual tem-se dificuldade em enxergar valor, planejamento e custo-benefício, A mesma dificuldade da venda, está na dificuldade da compra do bem.
E quando você fala, quando falamos lá atrás, essa questão de mudança de cultura, mudança cultural, enquanto sociedade, a gente também tem essa questão de mudança cultural dentro das empresas. Por isso existe a resistência. E aí vem a necessidade de uma boa gestão, de uma boa liderança, para incutir na cabeça dessas pessoas a necessidade de aceitação e não resistência de uma nova, de adesão a uma nova tecnologia.
Há que se ter capacitação. Há que se ter workshops, há que se ter um local onde as pessoas vão dispostas a aprender para aplicar esses conceitos dentro do sistema de construção brasileiro. Você fala em mudança, é mudança de mindset, de mentalidade. Tem que haver uma mudança de mentalidade. Não adianta trocar bloco de argila por bloco de qualquer outra coisa. Tem que se pensar em outro tipo de situação. A gente tá evoluindo muito pouco, de novo. São mais 50 anos construindo da mesma forma. Lá atrás, lá atrás, a gente tá falando que tinha os carros praticamente antes do carro de injeção eletrônica. A gente já tá falando de carro elétrico. E a construção civil tá da mesma forma. A gente tem caminhões elétricos andando por aí e a construção civil está da mesma forma. A gente está indo para Marte, a gente está plantando cenoura, batata, hortaliças, agrião em Marte e nós não mudamos a maneira de construir. O Brasil... Tô fazendo paralelo com várias outras áreas. O Brasil tem um projeto lindo que é o KC390 da Embraer, que é um jato de parte média sensacional. E tá construindo como se fossem 50 anos atrás.
É impressionante isso.
É impressionante o nível de incompetência do nosso setor. Há um nível de incompetência e de ego gigantesco. Cada um acha que vai resolver o problema. O espelho da sociedade da Constituição Civil, da indústria da Constituição Civil, ele é espelho da política brasileira. Eu sei que ele é espelho da política brasileira, que a gente até agora em eleições municipais está procurando o salvador da pátria. Igual as indústrias estão achando que vai ser o salvador da pátria. Estão achando que vai nadar sozinha no ambiente nacional. Não tem capacidade para atender 150 quilômetros ao redor da própria indústria. se olhar para os problemas que estão ali. Se cada indústria atendesse 250 quilômetros ao redor dela e ela desse conta de atender esse déficit e atender esse direito, não haveria espaço para a construção convencional. Por quê? E o detalhe é, ninguém perde. A indústria do aço não perde, só ganha. A indústria do cimento não perde, só ganha. Todas essas associações só precisam mudar a forma. Ninguém tá pedindo pra mudar o material. Ninguém vai perder. A gente só precisa redirecionar os recursos. Por isso mudança de mentalidade. Ninguém tá pedindo pra gente não ter mais a roda. Mas não precisa ser de pedra a roda. Ela pode ser do material melhor. A gente precisa mudar a maneira como a gente faz as coisas e a forma como nós utilizamos os recursos. Os recursos estão aí para serem utilizados com sabedoria, tá? Porque todos esses desastres que a gente tem visto acontecer, sabe? Tudo que a gente tem visto acontecer é a nossa incapacidade de lidar com os problemas que estão mapeados. E cada vez mais a gente vai ter problemas piores. A indústria reclama, sei que não é nada do tema, mas assim... Já estourou o prazo e tudo, mas...
Não, mas eu ainda vou te fazer mais uma pergunta, pode...
O meu coração explode, a que coração? Pensa que é a minha cabeça, que é a minha tomada de decisão, mas é algo que eu gosto muito, mas ele explode no seguinte... Por que que a indústria reclama que não tem mão de obra qualificada, mas ela mesmo não educa? Ela mesmo não contrata, não investe em pesquisa, desenvolvimento e capacitação? Ah, eu vendo steel, mas não tem quem faz steel. E quem tinha que estar capacitando steel?
Vamos formar, né?
Vamos formar. Vendo sistema monolítico lá de EPS, mas o problema é a mão de obra. O que você está fazendo? Ah, eu ponho treinamento e ninguém vem. Ninguém vem? Vai você. Monta uma equipe. Vai fazer monitoramento de obra, quando tiver a venda, manda um cara na obra, embute isso aí num custo geral, dá um carro pra um pedreiro, forma multiplicadores, coloca um carabom à frente de pesquisa e desenvolvimento, mostra valor pro teu cliente, que com certeza ele vai mandar a mão de obra dele lá, faz um bom manual de garantias, documenta o teu produto, Porque tem muita empresa que chega lá na perícia, e aí o cara fala assim, mas cadê a documentação dos produtos? Quanto que ele resiste? Ah, não sei, não fiz ensaio. Como que você vai se defender? Você não sabe o limite do teu produto? E outra, o produto fica estagnado se não tem pesquisa, desenvolvimento, documentação do produto? Como é que você vai evoluir esse produto? E isso não é papel do químico não, é papel do engenheiro, porque o químico ele pega Ele faz a mágica acontecer. Mas o químico tem a potência da coisa. O engenheiro tem a direção. Olha, eu preciso aqui de um polímero acrílico. Ah, o que eu vou colocar? Olha, é tal, tal, tal polímero, tal, tal, tal composto. Tá bom, joguei tudo aqui e fiz. Tá, amanhã eu quero pegar, faz cinco anos que eu tenho esse produto, eu quero pegar esse produto, quero melhorar esse produto aqui. Só que o que tem que melhorar aqui? Qual é a característica que eu quero? Eu quero trabalhabilidade? Eu quero plasticidade? Eu quero melhor resistência à atração. Eu quero menos fissuração. Eu quero um tempo de abertura maior para poder trabalhar. Eu quero diminuir a exudação. Eu quero melhorar a retração térmica. O que é que eu quero melhorar? O químico não sabe. Ele não é formado para isso. Ele faz o trabalho dele muito bem feito com maestria, mas ele não é para isso. Só que a indústria química não tem engenheiro. Só que ela quer atuar no mercado de construção civil. E a gente vê cada vez mais uma covardia do seguinte, olha o meu produto não é para ser usado sozinho, se der um problema se vira. Tá bom, você tá tirando o teu da reta. Se você não tem responsabilidade sobre o teu produto... Porque você não garante o teu produto. Porque você não sabe o potencial do teu produto. Porque você não sabe o que você vai mexer no teu produto pra ele dar certo. Então, a gente precisa o quê? Você comentava no podcast da capacidade dos engenheiros de que são bons comunicadores, mas não são os engenheiros que deveriam estar à frente de pesquisa, desenvolvimento e materiais acadêmicos. E os que estão acadêmicos não são bons comunicadores. Por que será? Porque a gente vai lá pra pesquisa de desenvolvimento, eu vou, por exemplo, fazer um mestrado, eu pego uma bolsa de R$ 1.500,00, como que eu faço pesquisa de desenvolvimento e eu trago melhorias pra nossa indústria se ano que eu ganho R$ 1.500,00? Quem que faz o quê com R$ 1.500,00? Se a indústria pegar, dura um ano o mestrado. Fica a dica pra você que tá ouvindo. Pega lá, traz um profissional, procura alguém, dentro do mestrado que ele vai desenvolver, ele vai te trazer muitas coisas que você vai poder utilizar e desenvolver um novo produto.
Bom, e aí que tá a nossa questão, porque a indústria tem um poder gigante de mudar a realidade da construção civil brasileira.
Tá na mão da indústria. Se não mudou nos últimos 50 anos, eu vou te dizer assim, eu não tenho medo de dizer onde tá, porque eu quero deixar a indústria desconfortável, porque eu sei o potencial que tem. Eu conheço os caras industriais, são caras sérios. A indústria, os CEOs das indústrias são caras sérios, caras batalhadores, guerreiros, só falta pra eles abrirem a cabeça, ter visão e investir onde tem que investir. Se você tem verba pra marketing, por que você não tem pesquisa de desenvolvimento?
Não, e detalhe, agora a grande questão é como que eu tô... onde que eu tô investindo a minha verba? Tudo bem, eu preciso investir... ah, tudo bem. Marketing é venda, marketing é venda, marketing é venda, mas qual que é a consequência dessa venda?
O que que eu tô vendendo?
Você entende? É isso?
Com certeza.
Agora, Rafael, até aproveitando um pouco dessa... Vou fazer uma última pergunta antes de você trazer o seu convidado, de indicar o seu convidado, que a gente tem um quadro convidado convida, que você sabe. Tem essa pergunta aqui, que também é de uma pessoa da indústria que eu respeito muito. Recentemente nós fizemos um trabalho que é para falar de uma nova solução em vergalhão de alta resistência. Eu queria que você falasse um pouco da especificação de projeto onde se considera importante a utilização de um vergalhão de alta resistência. Como você enxerga esse material tendo em vista que você tem uma esbeltez ou seja, esse vergalhão é muito mais fino, muito mais resistente, ele dá uma fluidez muito maior do concreto que resulta numa qualidade de acabamento muito maior.
Sim. Falando para o público em geral e principalmente para aqueles que manjam disso, entender um pouquinho o que é um vergalhão com alta resistência. Então o que a gente está falando, né? A gente está falando aqui de conceitos, né? O quanto a gente consegue com que esse filamento, vamos pensar que isso aqui é um fio. Então a gente pensa assim, uma borracha, vou falar igual cearense peça uma borracha a gente pega na ponta, estica essa borracha quanto mais ela deforma e ela muda o formato dela em função da tração que eu exercício quanto mais eu puxo ela vai afinando o meio não vai? a distância, e aí como que a gente mede essa capacidade? Então, um que tem um pouco menos de MPa, eu estico, ele tem um tamanho inicial. Então, eu coloco uma força x, eu estico, vou aumentando essa força, ela deforma e estoura. Quando eu aumento a capacidade, eu coloco essa força, a força é maior para o mesmo deslocamento para ela poder estourar. Então, com a mesma força, ela ficaria Ela tem uma capacidade de se deformar sem romper maior do que a outra. A estes fenômenos se dá o nome de ductibilidade, elasticidade e plasticidade do material. São três conceitos importantes para se entender resistência. E aí, a gente tem N situações que podem melhorar ou não o conceito de ductibilidade. de elasticidade e de plasticidade do material. Então, é importante as pessoas entenderem que quando eu tenho um vergalhão com alta resistência, ele vem para atender algumas demandas que nós temos em projetos especificamente. E como eu gosto do número 3, vou dar 3 situações. A primeira é de projeto e adequação. Vamos pensar o seguinte, para quem manja de cálculo, a gente tem alguns cálculos. A gente poderia falar aqui sobre cortante com a contribuição da mesa comprimida, mas seria muito técnico. dentro do cálculo, que é aí também a gente conseguiria, em função da área, que aí a gente pega a menor seção de largura, e a gente percebe se ela é suficiente para resistir aquele esforço. E onde está o aço nessa história toda? Que o cálculo da minha área de concreto tem um percentual de aço. Então, quando eu reduzo o aço, teoricamente, muitas das vezes eu tenho vigas com um tamanho maior, porque eu tenho uma bitola de aço maior, então eu preciso de ter mais área para ela poder acontecer. E aqui, lembrando para o Filipe, mais um abraço Filipe, acho que é o cara que mais recebe abraço no podcast aqui, lembrando das manifestações patológicas. A gente tem uma manifestação patológica que é a manifestação, vou usar um nome popular, que é a bicheira, que é quando a segregação do material dentro do elemento estrutural, há uma segregação entre agregados e pasta, pasta, água e cimento, e agregados, agregados graúdos e miúdos, aqueles os quais a gente tem determinado milímetro, maiores agregados graúdos, menores agregados miúdos, e daí a gente tem essa segregação, ou seja, um desmembramento, uma separação, por conta do que? De pouca área de concreto. Então, quando eu tenho um aço que me atende àquele projeto com uma resistência maior, pode-se dizer que eu posso ter vigas menores, e isso é menor consumo de material. Então, ele me dá uma flexibilidade de projeto e adequação arquitetônica ele me dá a questão da redução do custo em função dessa circunstância que a gente coloca, e ela me dá uma questão logística e operacional no processo, porque eu tenho menos material para transportar, para cortar, e para manipular o encanteiro de obra para poder fazer. Então são três características que esse vergalhão de alta resistência pode trazer para as obras. Porque quando a gente olha para obras grandes de prédios, cada vez mais a gente vê as demandas, os vãos são maiores, a complexidade arquitetônica, a gente quer deixar mais vagas de garagem, então a gente começa a espaçar pilares, a gente começa a ter áreas maiores, esse tipo de situação tende a deixar com que essas estruturas sejam muito carregadas, e normalmente se carrega muito no aço, que vai vencer junto com o concreto, mas o aço fica carregado, bitolas muito grandes. Então, quando a gente trabalha com aço que tem a característica de até de 20% a 30%, maior capacidade de resistência, a gente tende a reduzir essas circunstâncias dentro do canteiro de obra, dentro das edificações. Então, pega um prédio que eu teria uma viga extremamente alta ou com alto consumo de concreto, alto consumo de forma, alto consumo de logística, com alto consumo de pessoas, soma o prédio inteiro e reduz 30% de concreto para você ver o quanto que isso impacta em valor. Então, extremamente importante, feliz da indústria brasileira manter o aço com tamanha qualidade e que nós possamos, com esse primeiro ponto, utilizar esse aço também em estruturas de alto padrão, por exemplo. A gente pode reduzir elementos e aumentar o que a gente chama de liberdade arquitetônica devido a esses detalhes que nós é a que falamos.
Muito interessante, Rafael. E aí tem ainda um outro fator, né? Além de todos esses que você citou aqui, ainda tem a redução na estrutura, né? Redução estrutural do projeto.
Sim. Até comentei sobre ela, porque eu comentei do concreto, porque assim, quando eu tenho, a grosso modo, o pessoal tá olhando, eu tenho quatro barras de ácido de 20 milímetros, eu sou obrigado a ter um espaçamento entre elas. Então, a minha base Lá, eu vou ter lá 2, 2 de diferença. Então, eu tenho 3 de comprimento e 3 dá 6. 1, 2, 3, 4 dá 8. com 6, 14. 14 com 1, 2, 3, no mínimo que dão 6, dão 20. Mas eu não posso trabalhar com todas elas, eu vou ter que ter lá uma... um BW, que é uma largura de viga, lá de... a depender do cobrimento e da distância que eu vou ter do tamanho do agregado, do tamanho da barra que eu preciso passar, pelo menos garantir que esse agregado possa passar ali. Eu tenho, no primeiro cenário, que eu falei que tinha dois, esse é o primeiro, Esse BW, se eu não tiver 4, eu tiver agora 2 barras por conta do ganho de capacidade, ganhei 30%, posso ter 3 barras, esse BW de 22, 23, 24, pode ser talvez 18, 20, eu começo a reduzir, então eu tenho um ganho de quantidade de material mesmo, tá? E esse é o ponto 1. E aí a gente também tem um outro ponto a explorar dentro disso, que a gente pode tratar desses vergalhões, assim, dessa forma, que é a gente olhar para o projeto em si, olhando para o seguinte. Olha, eu já tenho um aço com uma melhor capacidade. Posso trabalhar com ele desde o início do projeto. Ou seja, desde o início lá, a arquitetura olhando pra ele como um movimento de planejador da obra. Sabendo que eu vou utilizar aquele aço, eu já mudo a concepção daquela edificação. Ela pode trazer ganhos no planejamento.
Não, inclusive, também aproveitar para mandar mais um abraço aqui para o Edson Kater, que é um grande engenheiro que participou aí de grandes projetos super relevantes no Brasil e é um parceiro, inclusive, até contribui muito aí com o ConstraeCast nesse processo de mandar, ou seja, de falar de inovação para o mercado. É um grande engenheiro que eu tenho uma admiração enorme. Agora, Rafael, só uma última, rapidinho, que eu estou gostando desse bate-papo.
Eu não tenho limite.
Tudo bem, vamos lá. Que conselho você daria a engenheiros e arquitetos que querem se destacar nesse cenário de transformação construtiva? Conselho do Rafael.
Primeiro conselho. É coragem. É preciso ter coragem. Porque às vezes a gente se acomoda num cenário de conforto. Ah, eu vou ficar ali. Ah, é isso aqui mesmo. Ah, o concreto armado não vai dar problema. Eu não quero me arriscar na minha profissão. Porque é muito difícil a gente convencer um engenheiro com 60 anos de idade que já está entrando ali no momento em que ele quer ficar mais tranquilo, mais sossegado. É de muito mais difícil se convencer ele a mudar tudo e ele reaprender. Então, normalmente, isso vem com quem está entrando no mercado. Então, o primeiro ponto é coragem. Você tem que ter coragem para mudar a forma como você enxerga a engenharia. E olha que interessante, a gente fala do sistema estrutural convencional, ele é por párticos. A maioria desses sistemas que a gente está tendo agora, eles são sistemas autoimportantes, sistemas com cargas distribuídas que não atuam como párticos. Ou seja, é algo que vai te fazer sair da zona de conforto e te fazer debruçar sobre novos sistemas. Então a primeira coisa é coragem. A segunda é a busca incessante pelo conhecimento, uma fome de conhecimento. Essa é a segunda questão, então, coragem é o primeiro conselho, o segundo é a fome do saber, e o terceiro que o restante já tem que ser característica do engenheiro. Ele pode sair da faculdade e basicamente se acomodar, ele não precisa ter fome no saber sem parar, porque vai sair uma norma, ele lê a norma, ele se adequou. Ele não precisa ficar ali procurando se ele não quiser ser diferenciado. Quando eu falo de coragem, ele não precisa ser corajoso. Ele saiu, aprendeu a norma, aprendeu o que ele aprendeu na faculdade e ele segue a vida ali daquela forma. E por último, a humildade. Humildade de ouvir a obra. Então, um dos maiores conselhos que eu posso dar é, galera nova, sejam humildes. A obra grita. Saiba ouvir a obra. Saiba ouvir quem realmente vai fazer a diferença. Você pode desenhar num projeto de três barras, mas aquele cara que tá no operacional, ele que vai pôr as três barras. Se ele quiser pôr duas, vai dar pau, ele vai dormir, vai pra casa, etc e tal, a responsabilidade ainda vai ser sua. Então quando você tem humildade de ouvir a obra, e de ter respeito por quem realmente toca, que são, até o pessoal comenta, não são pedreiros, são construtores. Uma hora a gente pode falar sobre isso, sobre a etimologia, sobre a forma, mas aqui a gente está para comunicar com todo o público. E se eu falar construtor, a pessoa vai achar outra coisa. Então, falando dos pedreiros mesmo, Como eu disse, eu tenho muito orgulho de fazer parte dessa turma. Quando a gente tem a humildade de olhar para o pedreiro e saber que a gente depende dele para aquilo que a gente fez sair corretamente, a gente cria um ecossistema. Então, essas três coisas que eu acho que são tripé para mim. Eu fui muito corajoso há mais de 16 anos atrás, investir, por exemplo, no método do sistema constitutivo e ficar sei lá, 10 anos, 11 anos no limbo, que ninguém dava nada, ninguém falava nada e hoje eu me tornei referência como mestre DPS e que é um sistema inovador.
Inclusive, mestre, Rafael, pra mim você é mestre em tudo. Rafael é conhecido no meio como mestre. Galera, me chama de mestre e... Mestre, eu falo que ele é o The Good Doctor da engenharia. Quem chegou até o final, tenho certeza que não tem nenhuma dúvida sobre o meu pensamento. E uma última curiosidade, que vocês também não sabem, é que o Rafael não usou caderno, livros pra estudar.
É, não me dou muito bem com caderno, até os meus amigos da faculdade, vou mandar um abraço pra um cara que me emprestava o caderno dele.
Só pra fingir que tá.
É, pra poder entregar, e quem copiava era a minha namorada na época, né? E o Jardenson, o Jardenson Cosmo, hoje ele é engenheiro também, ele fazia o caderno todo bonito assim, chegava, tinha que entregar, A gente sentava junto pra resolver o exercício, aí tinha que entregar, cara, não tinha, dava conta de escrever e desenhar, aí ele pegava aquele caderno com 50, 60, 80, 90 folhas lá de exercício, passava a namoradinha lá... fazendo tudo que eu não tinha capacidade. Eu tenho uma dificuldade tremenda em escrever e aprender.
E quando você fala desse último ponto de ouvir, de humildade, tem até um ponto que eu sempre estou reforçando aqui, que é essa importância da troca. né, entre as frentes, porque de fato, o pedreiro que tá ali, aquele profissional que tá na linha de frente, tudo bem, ele executa, ele vai pra casa e dorme. Por isso que é importante ter sempre uma boa relação entre toda a cadeia, arquitetura, né, engenharia, ali quem tá na linha de frente, também com a indústria, porque a partir do momento que tá todo mundo com aquele mesmo desejo de entregar o melhor, aquilo que eu sempre falo, no final todo mundo ganha, né? E, principalmente, quem vai morar. Ele deve estar, em algum momento, pensando em você. Nossa, quem construiu isso aqui, ó, sensacional. Porque não tem patologia, o negócio tá tudo lindo, maravilhoso.
É, porque a gente faz um juramento, todo engenheiro civil, quando termina, quando se forma, faz um juramento. Um juramento de atender, de proteger a vida humana. Eu brinco que no âmbito das responsabilidades aqui, um respeito gigantesco pelos médicos, tá? Que salvam vidas, mas aqui eu tô falando só do risco, tá? De quantas vidas a gente tem na mão. O médico, num trabalho maravilhoso, que não tem igual, a gente necessita muito e, cara, salva a vida naquele extremo, mas ele tem a oportunidade de trabalhar uma vida por vez. O engenheiro, num prédio, pensa nisso. Pensa nisso.
E agora, Rafael? Pensa nisso. Gente, que interessante. Eu nunca tinha pensado.
O médico tem uma por vez. O engenheiro tem quantas.
Inclusive, acabei de voltar de balneário Camboriú. Tô assim... Tô impressionado com aqueles prédios ali. E agora vamos fazer algumas visitas lá para acompanhar a construção de um belo prédio que está sendo construído, que é um desafio de fato da engenharia.
Se me chamar, eu vou.
Não, vamos! Você já está convidado. Se tem uma coisa que eu gosto é de estar perto de você, Rafael. Eu aprendo muito comigo.
Como é que eu retribuo, porque a recíproca é verdadeira. Eu tive uma adesão muito grande. Esses são os meus termos, para quem não conhece, eu falo muito bem tecnicamente, mas para falar de mim tem dificuldade. Essa adesão, quando eu falo adesão de aderir, de ter... Nós temos um complice, uma adesão, uma compatibilidade. Talvez seja muito técnico, mas isso eu vi muita compatibilidade. entre nós e creio que a Recíproca é verdadeira. Gostaria muito de estar sempre próximo, da gente poder fomentar e talvez escrever, ajudar a escrever história.
O importante, o Rafael agora vai escrever também para o portal Hub Construção, que é o portal, todos os conteúdos que vocês acompanham no ConstriCast, a gente tem os canais de áudio e de vídeo, mas está tudo concentrado também no portal Hub Construção. Lá a gente tem, inclusive, conteúdos técnicos, conteúdos informativos, né? Por exemplo, como funciona o que é um vidro temperado. A gente, além de gerar esses conteúdos falando o que é um vidro temperado, como funciona o processo de têmpera, a gente também visita as beneficiadoras para mostrar em vídeo como funciona esse processo, tá? Então, o Rafael vai ter muitas participações aqui e vamos fazer um trabalho até aproveitar esse potencial pra trazer a indústria, né? Pra conectar a indústria com o Rafael, porque, diga-se de passagem, Rafael, desde a primeira vez que eu te vi, eu fiquei encantado com essa forma que você fala, com essa clareza que você fala e, sobretudo, com a humildade de querer contribuir com o mundo, né? Que a gente fala muito de legado, né? Você falou, o planeta vai continuar.
Quem corre risco somos nós.
Quem corre risco somos nós. E quando a gente vem com esse viés de deixar um legado, né? Então, tem aquela metáfora, eu posso... O ser humano extraordinário é aquele que constrói uma árvore, né? Ou seja, aquela árvore vai gerar fruto, mas não pra mim. Vai gerar fruto pra uma geração que vem depois de mim. Então, é isso que eu quero deixar. Provavelmente, o Constricaste, talvez, ele não... Não sei se vai gerar frutos pra minha geração, talvez, ou pra outra.
Você fala de legado e a gente não esquece do seguinte. O mais importante é que herança é legado. As pessoas matam por uma herança. Mas muitas pessoas vivem por um legado. E a gente nunca pode se esquecer disso. Somos o que fazemos para mudar o que fomos.
O que fomos. E aí, por isso que eu admiro tanto. Rafael, agora, eu queria que a gente tenha um quadro convidado com vida, né? Antes da gente encerrar. E aí, assim, aqui assim, não pode ficar em cima do muro, tá? Tem que falar um nome, que você vai voltar aqui várias outras vezes, mas você tem que deixar um nome que você gostaria que a história, ou seja, que essa pessoa, que você entende que essa pessoa pode contribuir muito com o setor. Pode ser uma história, pode ser um cara que de repente, ah, tem uma história bacana, não necessariamente ligada à construção. Pode ser um bom gestor, pode ser um líder exemplar, enfim.
Cara, eu... Ah, eu exclusivamente, eu tinha que ter o direito de deixar três nomes.
Deixa três. Peraí, deixa eu perguntar pra nossa produção. Gabriela, pode escolher três? Aqui eu só tô aqui na frente, quem manda são eles, viu?
É, eu gostaria... São três pessoas muito importantes na minha formação, tá? É... Que eu não vou colocar familiar. Não vou colocar ninguém de nenhuma marca de indústria, porque daí eu vou ser injusto. E daí eu tenho clientes, tenho amigos, tá? Não vou colocar... Apesar das mesmas pessoas serem amigos e de clientes também serem amigos e eu me reunir com os amigos, eu vou deixar três nomes extremamente importantes. O número um. Antes de eu entrar e fazer faculdade, Esse cara, eu era adolescente com ele. Ele virou uma referência. E eu fui pra faculdade de engenharia e esse cara me orientou e me fez acreditar em mim num momento de muita dor. De muita dor. Que é o Gustavo. Ele é diretor da Abarte Ribeirão Preto. Tá? De planejamento de obra. Orçamento. É um especialista em orçamento. Professor. Baita pai, baita pai, baita ser humano. Eu vou usar um termo aqui que não é pra cortar, porque as pessoas têm que pesquisar o que que é, se não sabe, coloca lá, Clóvis de Barros Filho, um abraço pra você. Os três caras que eu vou falar aqui são do caralho.
Do caralho, pode?
Do caralho.
Fala três caralhos.
Três caralhos.
Falta dois.
Do caralho, Gustavo, tá? Segundo, cara que ele... cara, me suportou como pessoa pra me dar um espaço pra eu me tornar engenheiro. José Luiz Rami, tá? Zé Luiz, mas assim, é um cara sensacional, com uma história de vida delícia, um cara consolidado, um gestor, um engenheiro das antigas, Muitas histórias e me influenciou muito o que eu sou. Esses três caras me influenciaram o que eu sou hoje. Sabe? Como profissional, como pai, como ser humano. Segundo caralho. E o terceiro caralho, um cara que quase todo dia liga pra mim. Um cara que se importa comigo. Um cara que me põe pra cima. Que é uma referência técnica, um dos melhores do Brasil. É o Everson Nascimento, da Impercon.
Everson Nascimento.
Da Hypercon, já eu tinha te falado dele.
Sim, eu imaginei que você ia trazer só ele.
É, eu ia falar, mas é que esse...
Não, mas tá certo.
Pô, é porque eu gosto de três, né? Pra quem não sabe... Eu, como um bom autista, tenho vários B.O.s, várias dores.
Rafael, é muito bacana. Você vai vir três vezes, depois mais três, depois mais três, e eu fico muito contente de novo, de novo, de novo, de novo. Felipe, mais uma vez o Felipe por ter me conectado. com você. Então, a gente, nós vamos usar esse canal pra, de alguma forma, com essa capacidade que você tem de... Sabe, não só de fala, mas sobretudo de técnica, né? Porque...
Eu sou isso aí, técnica.
Técnica. técnica, é pura técnica. Você também, Rafael, é um baita comunicador.
É, tecnicamente falando, sim. Pra falar de mim, você vê que.
Eu engasgo, mas... Ó, pra falar dele, ele tem dificuldade. Agora, se você quer falar sobre qualquer assunto técnico, igual, falamos do... do vergalhão de alta resistência. Ele falou, Paulo, só me manda um pouquinho sobre o produto. Como a gente não fala de marcas aqui, enfim, na verdade evita, né? Tem alguns casos que sai, que tem marcas também igual. Quando você pensa em refrigerante, você pensa em quê, né? Quando você pensa em box de banheira, você pensa em quê? Então, tem empresa que tá consolidada, que construiu, né? Tem um brand formado muito forte.
Ninguém pensa em amido de milho.
É.
E nem em EPS.
É.
Ninguém pensa nessas coisas.
Então, Rafael, gente... Rafael, mais uma vez, agradecer o seu apoio e contribuição. O Felipe me mandou três perguntas pra te fazer, mas eu vou ficar... eu vou deixar... tá guardada, tá? Como eu sei que você tem uma admiração muito grande por ele, é uma carta na mão que eu tenho pra você voltar o quanto antes.
Beleza, tá combinado.
Tá? Então, gente, é isso. Quero, mais uma vez, agradecer a você, Rafael. Ó, não esquece de deixar o seu comentário. É importante a sua participação, a sua colaboração, para que a gente faça esse canal crescer cada vez mais. Um abraço e até o nosso próximo encontro, aqui, no Constri Queche. Ó, deixa eu dar uma dica rapidinho. No caso do Rafael, eu ia bater palmas pra ele aqui num outro episódio, mas a gente tem que fazer assim, ó. Como que é, Rafael? Isso é palmas. Tô sempre aprendendo.
Não precisa fazer barulho.
Não precisa fazer barulho, tá?
O gesto.
O gesto já disse tudo. A gente vai falar outro dia sobre a teoria do barulho. Inclusive pra vida. Você pode ver onde não tem barulho, tem prosperidade.
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