Tecnologia na Gestão de Ambientes Corporativos | ConstrueCast | Gestão

Podcast episode (ConstrueCast) featuring Flávio Pimentel discussing technology applied to corporate workplace management. Covers his background (civil engineering, computing, spin-off Newark), the need for better data about how people use office spaces, challenges from pandemic-driven redesign, gaps in traditional architecture/real-estate approaches, and the role of tech in creating continuous, quantitative and qualitative information to inform redesigns and management maturity. A follow-up episode will address AI's role.
Chapters
Construir, caste, arquitetura, engenharia, construção.
Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constra e Cash. Hoje eu vou conversar com Flávio Pimentel e a pauta é tecnologia aplicada no ambiente corporativo, ou seja, como funciona a gestão de um ambiente corporativo. Flávio, seja bem-vindo ao nosso podcast, é um prazer receber você aqui e já adianto para a nossa audiência que está ouvindo ou assistindo pelas plataformas. de vídeo que esse é só uma introdução, depois a gente vai ter um outro episódio com você super especial com a presença de alguém da área de arquitetura corporativa para fazer essa troca conosco.
Excelente, eu que agradeço o convite, é sempre bom a gente estar tendo espaço para compartilhar conhecimento, aprendizados e ter essa interatividade aí que estimula também a continuidade de conversas, né? Eu acho que sempre também é uma busca por evoluir, espalhar, gerar reação em cadeia nessa interatividade muito positiva.
Flávio, eu queria que só para a gente introduzir um pouco do nosso bate-papo, já deixar aqui uma expectativa para o próximo também, eu queria que você falasse um pouquinho como que você se enveredou para essa área de tecnologia e, sobretudo, para um mercado tão desafiador que é a área de workplace, ou seja, o ambiente corporativo, propriamente dito.
É, a gente estava conversando até agora há pouco, um pouco sobre isso. O meu pezinho de graduação é na engenharia civil, embora assim que eu acabei o curso de graduação eu acabei entrando no mestradinho em ciência da computação. E, de fato, aí foi onde eu enveredei para a questão de tecnologia de computação. e tive a oportunidade de mais adiante entrar como executivo numa empresa de tecnologia bastante admirável, que é a CIT, onde dentro das atividades de inovação, em um determinado momento, a gente se deparou com um desses projetos de garagem que tinham como objetivo a melhoria dos espaços de trabalho da C&T. E havia aí uma razão muito coerente para isso, que é o fato de que a C&T é uma das 100 melhores para trabalhar há, acho que uns 20 anos.
20 anos.
É, já faz muito tempo.
Basicamente, quando lançou, né, o problema aí.
De... E há um DNA muito people nessa história, né? Empresas que são... É uma empresa de tecnologia, mas ao mesmo tempo é uma empresa muito orientada a pessoas, no desenvolvimento de pessoas. E aí, esse projeto acabou, no final, virando um business case, um corporate venture e, mais adiante, um spin-off que deu origem à Newark, que é a empresa que eu e mais alguns colegas tocamos hoje dentro desse universo de entender a dinâmica de espaços e pessoas, espaços corporativos e pessoas, como é que elas funcionam justamente por aqui. para otimizar investimentos e também ao mesmo tempo dar sentido à finalidade dos próprios espaços. Os espaços são feitos com a finalidade de pessoas utilizarem. Mas a gente sabe que essas coisas não funcionam. Exatamente assim. E isso no final, talvez hoje, nesse momento do mercado, isso virou um ponto crítico porque, embora já se vivessem uma série de problemas antes da pandemia, a questão da pandemia trouxe uma agenda nova relacionada ao próprio redesign dos escritórios, o redesign do que significa trabalho em si. Isso não vai ser um processo tão rápido quanto a quarentena botou todo mundo no work from home, vai ser ao contrário, vai ser extremamente longo porque é uma redefinição de algo que tem décadas de uma definição bastante consolidada e esse é o desafio que está na mesa e naturalmente há um aspecto de tecnologia aí que vai ser um catalisador ou não desse processo a depender de como isso venha a acontecer pelas empresas.
Flávio, eu nem vou me aprofundar muito no tema ainda, até porque eu penso que a gente tem essa questão da tecnologia aplicada na gestão do ambiente corporativo como um todo, está muito ligado também ao próprio desenvolvimento da arquitetura. Então, o que eu queria saber de você nesse momento? Imagina que eu tenho a minha empresa e eu, enfim, a gente está com um movimento de mudança, de reforma. Onde que entra essa tecnologia? Ela já entra junto com a escolha do escritório de arquitetura? Ou eu posso já ter o meu espaço ali, enfim, já tenho o meu espaço definido, já tenho ali o meu dia a dia e eu contrato essa tecnologia para fazer a gestão do meu espaço atual? Ou seja, qual que é a melhor opção?
Bom, assim, não tem uma receita de bolo, tá? Assim, eu não diria que tem uma melhor opção. Eu acho que a gente tem que primeiro entender qual é o momento da empresa, tá? E pra isso, eu acho que o principal ponto, na verdade, independente de qual o cenário que a gente tá tratando, é de haver uma desconstrução Desconstrução normalmente não é um processo fácil, mas é necessário haver uma desconstrução da maneira como a gestão entende o que é o seu espaço corporativo. Eu falo isso por quê? Porque é muito difícil, quase que a gente tem umas brincadeiras do tipo, é quase uma mosca branca, é quase uma coisa impossível de se encontrar. Empresas que conheçam exatamente como realmente funciona a dinâmica dos seus ambientes internos. Isso normalmente não existe. A palavra exatamente é essa.
Mas isso está muito ligado à cultura do Brasil?
Não, eu acho que isso não está ligado a um problema de cultura do Brasil, porque essa fragilidade sobre o assunto retorno aos escritórios, por exemplo, é global. Há um ciclo vicioso, eu acho, que ocorreu ao longo do tempo, e aí é muito difícil estabelecer exatamente como é que essa coisa aconteceu, mas ela aconteceu. em que as empresas fazem algum nível de gestão sobre seus espaços, mas uma gestão muito mais operacional do que estratégica, da maneira como os espaços são definidos e funcionam. A ausência dessa visão estratégica criou um certo gap de informação, efetivamente, sobre qualificação de demanda, por exemplo. E aí tem a ver com uma mistura de coisas que tem relação com falta de informação mesmo, tem a ver com a maneira como as hierarquias e as áreas corporativas internas se relacionam. Comportamento... Por exemplo, assim, aquela coisa assim... Olha, eu vou perguntar à liderança quantos pontos de trabalho ela precisa. Poxa, mas você devia ter essa informação, na verdade. Você podia fazer validações, mas não perguntar quanto ela precisa. Porque você devia ter uma certeza sobre isso. E essa certeza não existe, na verdade.
Até porque você faz parte daquele espaço.
Você faz parte. Mas isso, de certa forma, foi alguma acomodação que aconteceu. Ou alguma, não vou dizer acomodação exatamente, mas um modo operante que se estabeleceu. Que, no final das contas, cria um gap, um vazio muito grande sobre entendimento dessa dinâmica de funcionamento. E quando a gente está tratando de corporações, as áreas têm dinâmicas diferentes. Não é só o cruzamento das gerações que são diferentes na maneira de se comportar. Os times têm finalidades diferentes. As áreas têm características diferentes por si só. Os projetos das áreas, dependendo de como aconteça, criam dinâmicas dentro do espaço. E nada disso, no final das contas, é conhecido. Mas em um determinado momento as coisas vão dando tão errado que você tem que fazer alguma intervenção. E aí o que normalmente acontecia, e acontece ainda na verdade, você chama um escritório de arquitetura. Certo? Às vezes você faz uma definição de um bid prévio, já entendendo mais ou menos, dentro de uma ótica muito mais de real estate do que provavelmente de de conteúdo, você define um bid, porque é algo que tem impacto para a empresa, mas a empresa precisa se planejar para tomar uma decisão de mudança, qualquer que seja ela. E aí você chama um escritório de arquitetura que não tem absolutamente nenhum relacionamento com você, e você também não tem as informações suficientes para dizer quem é você, certo? O que é essa dinâmica? O escritório passa ali um mês, dois meses, faz pesquisa para cá, para lá, faz observações. E é naturalmente muito difícil acreditar que um volume pequeno desse, de tempo e quantidade e a metrificação como é feita, seja de fato suficiente para garantir que há um entendimento claro quando nem você mesmo sabe qual é o entendimento das coisas.
E você me trouxe um ponto importante, quando você falava sobre esse ponto de dois meses ali, às vezes de estudo, de pesquisa, para que esse escritório de arquitetura tenha um pouco de entendimento desse espaço, até por falta de clareza, de informação que essa empresa deixou de passar para que ele desenvolva um projeto. Vou dar um exemplo. Quando a gente contrata uma pessoa, você tem três meses. pra avaliar muitas vezes uma pessoa, ou seja, um comportamento. Agora imagina uma empresa, a quantidade de informações diárias que tem que se cruzar ali pra você tomar uma decisão assim até, é muito na base do achismo. E aí eu queria emendar contigo, como entra a tecnologia nesse sentido?
Bom, a tecnologia ela entra justamente pra você contar a história. As pessoas precisam contar a sua história. As pessoas precisam contar quem elas são. E aí a gente está falando de ter a criação de dados que suportem essa história. É aí onde começa a entrar o papel da tecnologia. É de que você, hoje, quando a gente está falando de dados de pessoas dentro do ambiente de trabalho, a gente talvez tenha dois dados. Um é o quando você está online, logado na empresa.
Entendi.
E o outro é, até sujeito a dados que podem não estar tão bem, é o do controle de acesso, que é uma grande caixa preta. Você sabe que até parte das pessoas, porque a gente sabe, depende da maneira como o controle de acesso é implementado, você sabe que tem os caronas da porta e tal. Você só sabe que alguém entrou. na empresa. Como foi aquela iteração, como aqueles ambientes foram usados pelas pessoas, você não tem absolutamente nenhuma informação sobre isso, a não ser os parcos, formulários de pesquisa que em algum momento você faça. Mas esse processo da pesquisa, ele é um processo que hoje ele é visto como principal, porque é a única coisa que se tem. Mas ele é muito mais, na verdade, secundário no aspecto de ele dever ser usado para fazer uma contravalidação e não ser a tese de fundamentação.
Entendi.
E o papel da tecnologia está justamente em criar essa nova fundação de informação sobre como a dinâmica das pessoas dentro de uma empresa existe. E isso é um processo contínuo. Justamente você ir entendendo na maneira como os espaços são utilizados, você está ali construindo uma história que qualifique junto com outras informações complementares, tirando de certa forma alguns vieses, mas permitindo que você tenha clareza sobre questões que muitas vezes não estão associadas ao método quadrado em si, mas estão associadas principalmente à cultura. Quando você tem uma questão de metro quadrado, você tem itens que são plenamente quantificáveis. Sei lá, quanto você gasta de energia por metro quadrado? Quanto é o custo de manutenção por metro quadrado? Você tem essas informações, mas você não tem absolutamente nenhuma informação sobre como aqueles diferentes tipos de espaço, e essa é uma outra agenda que está cruzada nessa história, que é o que a gente está falando. Redesign. Então, a gente tem um modelo de ambiente de trabalho construído que ele já estava indo para um processo de de, olha, essa coisa não está dando muito certo. Mesmo com a gente ter as evoluções nas décadas ao longo do século passado, mas a gente estava indo para um caminho em que já estava se percebendo que alguma coisa não estava rolando muito bem, do ponto de vista dos impactos de produtividade, os aspectos de cultura que estavam sofrendo, a questão da própria inserção de tecnologia dentro da dinâmica de trabalho. E agora, no choque que houve sobre pra que é que eu preciso ir pra lá, se eu posso fazer tudo à distância, de uma maneira generalizada, porque o C-Level, os níveis mais hierarquicamente superiores da pirâmide, ele já tinha um modelo de trabalho remoto bastante integrado. Só que isso é muito diferente de quando você está falando da base da pirâmide, que é uma quantidade muito grande de pessoas em formação.
É informação, você trouxe um ponto importante.
E no final do cruzamento todo disso, o que não dá pra contar é que você não tenha nem o dado básico sobre a maneira como as pessoas se comportam dentro do ambiente. Como é que você vai acreditar que esse negócio vai parar aonde se você não tem isso? De fato, de uma maneira substancialmente, nem só quantitativa, mas qualitativa. Então, esse alongamento desse processo aí, ele vai ser tão alongado quanto você empresa. Isso é um problema de cada empresa. Isso não é um problema de fora da empresa. Isso é um problema indoor. Enquanto a gestão não tiver a capacidade de ir resolvendo isso, esse gap que é dela, não é do arquiteto de fora que vai chegar em um mês e vai resolver. da construção de uma maturidade de gestão que consiga contar para o arquiteto a sua história. E essa história está mal contada.
Flávio, vou te fazer uma pergunta, uma única pergunta para a gente encerrar esse episódio. Como a inteligência artificial está sendo utilizada para obter esses dados, para auxiliar o escritório de arquitetura?
Então, aí...
Calma, não responde agora. Então, gente, essa é uma pergunta que fica para o nosso próximo encontro aqui no Constrycast. Se você gostou, se você tem alguma sugestão de pergunta, coloca nos comentários e eu vou fazer aqui para o Flávio responder. Provavelmente ele estará comigo, junto com a Thais Trentin, do Escritório de Arquitetura Workplace. Combinado?
Combinado.
Bom gente, é isso. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricast.
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