Vantagens da Construção em Aço | Podcast de engenharia | Arquitetura | Rosaria Ono

Podcast episode (May 23, 2024) interviewing architect Rosaria Ono about the advantages and challenges of steel construction. Ono — an architect and academic with experience at IPT and as director of Museu Paulista (Museu do Ipiranga) — discusses when steel is appropriate (aesthetic/architectural choice, short schedules, need to avoid overloading existing historic structures), practical advantages (factory-fabricated elements, faster erection, cleaner site, higher dimensional precision), sustainability (recyclability of steel, potential for reuse, discussion of demolition vs. retrofit), economic/market challenges (strong cultural preference for concrete, fewer steel-structure designers, supply-chain and pandemic-related material shortages), and innovation opportunities (research on niobium-alloyed steels to improve fire resistance). She also emphasizes integration of multiple construction systems and the importance of planning and industrialized/prefabricated approaches.
Chapters
Rosária.
Seja bem-vindo ao nosso episódio. É um prazer muito grande receber você aqui. A gente não vai falar só de viabilidade econômica na construção, mas vai falar sobre vários outros assuntos que estão diretamente ligados ao tema.
Boa tarde. Para a Paula, agradeço o convite. Estou muito honrada por estar por aqui. Espero poder contribuir com vocês aqui nesse bate-papo.
Para introduzir um pouquinho, eu queria que você falasse da sua trajetória e o que você está fazendo hoje no mercado de construção.
Legal. Eu sou formada em arquitetura e urbanismo pela Universidade de São Paulo. Fiz o meu mestrado no Japão. já com uma especialidade na área de segurança contra incêndio e o meu doutorado aqui na Universidade de São Paulo também em arquitetura e urbanismo, mas a minha área principal de atuação é segurança contra incêndio. Mas eu fui ao longo do tempo também expandindo minhas áreas de pesquisa e de atuação profissional. Trabalhei 12 anos no IPT, no laboratório de ensaios de fogo do IPT, Depois, terminando meu doutorado, prestei concurso e entrei na Faculdade de Arquitetura, onde dou aulas na área de arquitetura e urbanismo. Também atuo em várias questões, em pesquisas de segurança condicente, segurança patrimonial. acessibilidade e uso muito o instrumento da avaliação pós-ocupação como uma forma de associar todas essas questões e falar da qualidade do projeto e qualidade do espaço construído. Então, tem uma atuação um pouco mais ampla. Em especial, eu também, na verdade, foquei e me especializei também na área de proteção de museus. Isso me levou para outros caminhos. Então, eu dou também consultorias de apoio à segurança em museus. E me levou também, em um certo momento, a ser convidada para dirigir o Museu Paulista da Universidade de São Paulo, num momento mais crítico do museu. especificamente do Museu de Ipiranga, o Museu Paulista da Universidade de São Paulo, ele tem dois museus, duas sedes expositivas. Um é o Museu de Ipiranga, em São Paulo, e o outro é o Museu Republicano de Itu. Esses dois museus, na verdade, tratam especificamente da independência um pouco, da história do Brasil, e a outra também da história do Brasil, mas falando sobre a questão da república. Eu peguei uma fase bastante importante da transformação do Museu do Ipiranga. A partir de 2019, como entrei como vice-diretora, depois fui eleita diretora do museu. Estou há praticamente quatro anos. anos lá e acompanhei todo esse processo de transformação, de restauro, modernização e ampliação do Museu do Ipiranga, que me trouxe também muitíssimas experiências de todas as dimensões imagináveis.
Eu imagino, eu visitei um pouco aquela obra durante o processo de construção e, diga-se de passagem, eu fiquei bem impactado um pouco vivendo ali.
Ele tem um desafio enorme.
Aqueles desafios construtivos.
Desafios estruturais enormes. Desafios também para preservação do próprio edifício histórico, que isso trouxe uma série de questões para resolver nas fundações, nas estruturas. Foi muitíssimo interessante.
Rosário, eu tenho uma pergunta para você. Quando aplicar a construção em aço em uma nova obra?
Tem duas questões. Tem uma decisão arquitetônica, estética, que é a questão de escolher o asco como uma alternativa em função de várias questões que podem estar no entorno da construção, como prazo de execução, facilidade de fornecimento do material adequado, proximidade eventualmente de um fornecedor desse material. E, eventualmente, de um lado, a questão da arquitetura, levando em consideração as questões econômicas, e de outro lado, eventualmente, até uma decisão do próprio demandante. O cliente também, às vezes, se você fala lá com uma instituição que trabalha com aça, ela vai querer fazer o próprio edifício e aça. Mas pela questão do interesse em si. Então, as questões de marketing, de institucional, você também querer adotar, e muitas vezes é uma adoção estética do arquiteto, mas também porque traz umas necessidades, como ali no Museu do Ipiranga. A gente tem toda uma ampliação feita em cima do prédio, um prédio histórico, que só podia ser feito em aço, porque ali tinha que ser elevado. Não dava para fazer uma construção mais pesada e sobrecarregar uma estrutura existente. Então acho que tem umas questões ali de escolha em função das questões técnicas envolvidas e estéticas também que vêm junto com isso.
Essa já acabou respondendo algumas que eu ia te perguntar sobre algumas vantagens, que depois a gente vai falando ao longo do nosso bate-papo. Eu tenho mais uma pergunta. Como os custos iniciais da construção em aço se compensam com o tempo? Já que você falou dessa questão do... que você tem aí essa preocupação de voltar na obra e ver como aquilo está sendo... o que está acontecendo ali ao longo do uso?
Sim, sim. O aço tem vantagens e desvantagens como qualquer outro material. A gente sabe das fraquezas e das fortalezas do concreto armado. Assim como o aço também tem suas possibilidades, suas fortalezas e suas fraquezas.
Rosária, e qual que é as vantagens pensando na construção a longo prazo? A gente tem a questão do uso.
Eu acho que tem vantagens na própria questão do tempo, na obra, lógico que o aço vem pronto. Tem um tempo anterior de esse aço ser preparado na usina para ser trazido, mas a hora que ela vem, ela vem já com uma coisa pronta que agiliza a construção. Então, se você tem uma construção que tem um prazo de execução curto, que precisa ser começando a obra, você tem que... É o que eu sempre falo, a gente tem que planejar muito bem. A gente tem que gastar muito tempo planejando para executar em um período curto. Porque, senão, a gente perde muito tempo na obra. É o que acontece muitas vezes. Se você tem uma dificuldade na obra, que, por exemplo, o aço vem bem todo planejado, dimensionado adequadamente, é colocar parafusar ou soldar, dependendo da situação, você está com a estrutura praticamente sem erros. Imagino que sem erros, a menos que você tenha mandado construir alguma coisa do tamanho errado, de dimensão errada. Senão ela vem lá e encaixa parafusar ou soldar e pronto. Ela está lá. que é diferente de uma construção de concreto, que você tem lá um tempo de cura, você tem todo um processo mais lento e sujeira, sujeira em termos de... Você não suja a obra com aço.
É uma obra limpa.
É uma obra limpa, é uma obra rápida, nesses termos. Mas tem todo um background atrás, tem uma coisa ali atrás, isso foi usinado, foi tratado lá, então precisa de um planejamento que não é na obra, é fora da obra. Não quer dizer que você pede um aço agora e amanhã está com a estrutura pronta. Não é isso. Tem um tempo também. Mas ele está dentro de um planejamento que encurta, eventualmente, uma obra e traz as vantagens de uma obra mais limpa. e rápida e com uma precisão muito maior que outros tipos de estrutura que podem ter problemas ali na obra. O concreto armado é uma delas. A gente tem muita coisa de falta de precisão. Isso pode gerar problemas. Ela é uma obra mais grosseira. Nada contra o concreto, depende muito da situação que você vai enfrentar. O Museu de Ipiranga tem as duas coisas. Tem o concreto embaixo, maravilhoso, com vigas em cubetas, uma estrutura muito legal, muito grande, colocada ali na parte de baixo da ampliação do museu, e lá em cima tem o aço fazendo a expansão dos mezaninos e construindo dois pisos acima do prédio histórico. tem toda a parte que a gente teve que abrir atrás com uma circulação vertical nova de elevadores, escadas de segurança, tudo em aço. A gente vai derrubar, vamos colocar uma coisa que mostre que aquilo, além de tudo, é uma coisa diferente do que é o prédio. Destacar a diferença entre o que é existente, no caso do prédio histórico, e o que veio de novo. Isso aqui veio novo. É uma estrutura novinha, destacada. estrutura de aço, de uma forma que venha rápida também, e a gente não tem tanta sujeira na obra para instalar. Então tem essas vantagens.
E dá uma agilidade muito maior.
Dá uma agilidade na construção e uma precisão, porque ela vem já no tamanho e tal, e vai lá pronta para ser instalada.
Quais são os fatores que agilizam não só o processo de obra na construção metálica, mas também você acaba reduzindo essa questão do entulho na obra? O que você destacaria como vantagem no processo de construção metálica?
É, então, lógico que a construção em aça, aparentemente, tem custos maiores envolvidos, que vem dentro da extração da mineranada, da mineração, a usinagem do aço, tem todo um processo, né? E, inclusive, essa encomenda dessas vigas, dessas estruturas eventuais que vão ser montadas, né? Então, isso tem um investimento muito grande nessa parte.
Na parte inicial.
Inicial, né? Mas eu acho que tem uma questão, falando em sustentabilidade, ou em durabilidade, ou em reuso, reutilização do material, o aço é um material que é totalmente reaproveitado. A gente consegue reaproveitar. Lógico, tem que usinar de novo, derreter, não é uma coisa fácil. Mas, ainda assim, a gente extraindo uma vez, assim como o alumínio, que se faz muita uma reciclagem, sendo feito uma vez, é um material que pode voltar a ser reutilizado de uma forma muito... Não sei se barato ou caro, eu não sei dizer, mas de uma forma que a gente sabe que é possível fazer. E a gente domina o processo. Então, eu acho que Nesse caso, também é um material sustentável nesse sentido de ser um material que é possível reciclar com uma certa facilidade.
Inclusive, tem uma pergunta aqui que fala muito dessa questão de pensar no futuro da construção, na durabilidade. Quais são alguns dos principais desafios enfrentados pela construção em aço em termos de viabilidade econômica, ou seja, pensando no futuro?
Bom, a gente ainda tem um costume, uma tradição muito forte do concreto, o que leva a ter também projetistas de estruturas de aço em quantidade menor, de pessoas que eu conheço, por exemplo, pouquíssimos projetistas especializados em proteção ou em estruturas de de aço. Então acho que, não sei, eu imagino que a gente precisa ter mais uma divulgação maior, o trabalho que o CBCA faz, vários órgãos fazem ali de divulgação em defesa também do uso do aço.
Inclusive nessa questão de viabilidade econômica, é como a tecnologia e a inovação estão moldando o futuro da construção, em aço especificamente.
Então, por exemplo... Hoje você tem aí.
A tecnologia BIM, eu não sei porque eu noto que às vezes as pessoas investem muito a tecnologia até certo ponto daquela construção e depois eu não sei como que é, você que está mais aí no dia a dia da operação, eu não sei se vocês usam a tecnologia para pensar ali na manutenção, enfim.
Tem muitas coisas acontecendo, especificamente na área do aço. Eu conheço pessoas que vêm comentar comigo. Não sei exatamente com profundidade como vai isso, mas, por exemplo, se descobriu que nós temos as maiores jazidas de nióbio. Não sei se você conhece o nióbio. O nióbio é um tipo de aço. que é um material metálico, misturado ao aço, ele dá propriedades muito maiores de resistência ao aço, inclusive ao calor. Então, existem pesquisas ali no Brasil para melhorar a qualidade do aço, para uma série de situações, inclusive na construção civil, para ver se é viável utilizar esse material, essa mistura que se faz para um aço mais resistente ao fogo, Então, assim, pesquisas... existem para melhorar essas condições, para valorizar os nossos produtos. Então, eu acho que isso são coisas de ponta que estão sendo feitas em laboratórios, trabalhados em pesquisas na universidade, fora da universidade, com produtos que eventualmente possam vir a dar um salto de qualidade nas questões de utilização e aproveitamento da nossa matéria-prima. Então, acho que são questões que vão desse lado.
Inclusive, até você trazendo esse ponto, é muito bacana pra gente realmente falar dessa questão da união de sistemas, né? A gente é falar o que que se adequa melhor, porque eu penso que numa construção você pode ter ali vários sistemas, né?
Você pode ter várias soluções acopladas, sim. Com vários sistemas construtivos ali, né? Dando o melhor de si em cada função e responsabilidades ali, né? função estrutural ou não, de vedação, o que for, pode ser para vedação, pode ser para estruturas, acho que é muito uma questão de novo, de ter essa mente aberta sobre as possibilidades dos arquitetos e engenheiros para fazer as melhores escolhas em função do que se pretende projetar e atendendo as demandas da sociedade, do cliente e assim por diante.
Inclusive, quando a gente fala dessa união de sistemas, falando dessa essa união de sistemas construtivos, o que você destacaria como vantagens da construção metálica, uma sequência de vantagens? Porque, por exemplo, a gente não falou do tema sustentabilidade, está muito dentro daquilo que você trouxe. Aqui, quando você fala de fácil manutenção, durabilidade, a questão da qualidade, de o aço ser tratado no milímetro e tal, o que você destacaria como vantagens da construção em aço?
É, acho que vem tudo isso que você está resumindo, a questão da industrialização, que vem com você ter todos os dimensionamentos adequados, modulação, uma série de questões que trazem já o aço no local da construção de preferência, de forma que não tenha desperdício e seja rápida a montagem limpa. Isso acho que é uma vantagem grande do aço, a depender do local que você vai trabalhar pode ser a melhor escolha pelas condições que você tem naquele local. Eu acho que tem que ser sempre feita uma decisão em relação ao tipo de de sistema construtivo a ser adotado pela condição que você tem no local de uma obra. Essa é uma questão. A própria sustentabilidade, o que eu disse, é um material finito, mas uma vez retirado, industrializado e processado, é um material que pode ser reutilizado, inclusive, vai demolir, que é uma questão bastante complicada hoje, delicada, na verdade, já está sendo muito discutido, mas os resíduos da construção civil, a construção civil gera a maior quantidade de resíduos no mundo.
Sim, eu tive acesso, inclusive, pela Carolina Fonseca, que participou uma vez aqui de um episódio comigo. Ela estava me falando números de como a construção civil polui.
Exatamente. É um absurdo.
Fiquei chocado, falando português, claro.
É uma grande responsabilidade, uma questão que a gente não trata muito bem ainda. Eu acho que essa questão da gente ter uma responsabilidade... Hoje se fala, se você produzir um material, você tem que ter responsabilidade desde a sua produção. até o seu descarte. O Plano Nacional de Resíduos Sódidos fala, tem uma lei que fala que isso tem que acontecer. Nem todo mundo ainda faz isso. Então se eu comprei uma geladeira, agora que eu vou jogar fora a geladeira, eu tenho que devolver para o fabricante. Ele que deveria fazer todo o processo para Descartar de uma forma adequada as peças, porque a gente não tem condições de fazer isso. A gente faz o que a gente consegue em casa, mas não dá. Então, em termos de construção civil, isso em uma grande escala. Quando eu vejo edifícios inteiros sendo demolidos, eu falo, gente, mas não tinha outro jeito, tinha que demolir. E se a gente ver assim mesmo a Europa, por exemplo, a Europa não demole com tanta facilidade. A gente tem um edifício de 200, 300 anos que eles vão lá reciclando, vão fazendo retrofit, melhorando aquilo para que tenha maturidade e consiga lá viver 200, 300 anos. Aqui a gente... 40 anos, falam, acabou, pode derrubar e vão construir de novo. Não gostei dessa construção, vamos derrubar. Então, uma coisa que eu acho bastante complicada. Eu sei que o retrofit também é difícil. O custo de um retrofit é muito grande. Mas acho que daí também o aço poderia se aproveitar. Algumas ampliações ou adaptações podem ser feitas. O aço é muito mais flexível, mais fácil de trazer e inserir em uma construção existente, como foi feito no Museu do Ipiranga. em vários locais a gente vê que isso é possível. Ele traz uma construção muito mais rápida, limpa e que permite uma série de facilidades comparado a outro tipo de material. Isso é muito interessante.
E quando você falou, né, lá atrás, nessa questão que você tem aí, a sua experiência no Japão, né, enfim, e você falou muito dessa questão de pensar ali no projeto e tal. Eu queria que você trouxesse também uma dica, que a gente tem aqui a dica com o Streecast, Quando a gente fala na industrialização da construção, a gente está falando de um sistema construtivo. E você deu um exemplo claro no Museu do Ipiranga mesmo, onde você tem ali um... assim, eu penso que ali você industrializou, mas você tem... é tudo muito pensado.
Como que é?
O que é um sistema construtivo industrializado? Como que eu penso num sistema construtivo industrializado?
É, inclusive o sistema construído industrializado pode ser em concreto. A gente tem pré-fabricados em concreto, pré-moldados em concreto. Isso é utilizado em vários engalpões industriais, por exemplo, para uma construção rápida. Você pode usinar, fazer tudo em uma usina de concreto e trazer ele pronto para só com o caminhão Monk, sei lá, como você vai lá e encaixar ali, e você vai montando como peças, muito parecido com o aço, no caso. Então, assim, não é que não existam soluções para fabricação e tal, que possam, ou industrialização da construção, que não é o aço só que dá isso. O concreto também pode ser feito. A questão é, de novo, a viabilidade dessas questões todas. Inclusive quando você envolve grandes estruturas, que isso também dá muito trabalho, transporte e tudo mais. Então, são questões que precisam ser... Mas isso exige muito mais planejamento e investimento no planejamento e investimento, eventualmente, nessas usinas e construções para você poder facilitar esse processo todo de uma forma que chegue ali na obra e consiga se fazer isso com mais rapidez na obra, mas com todo um pré-preparo feito ali anteriormente, com um investimento muito maior. Só que se você faz uma vez isso, feito, ele facilita muito todo o processo. Eu sempre falo que a gente tem que investir muito no projeto. Muitas vezes a gente não faz isso e quer resolver na obra. Quando você vai querer resolver na obra, já é problema.
E nessa questão, nessa pauta que a gente está falando de viabilidade econômica, é muito importante, porque se você fala...
É, o aço não dá para ser pré-moldado ou pré-fabricado, você não resolve não. Não resolve não, então, se você está.
Falando de um sistema. Então, como que eu não penso? Imagina, eu chego com uma solução construtiva, industrializada, e depois eu começo... fazer coisas ali naquele canteiro que não faz sentido. Então começa a ter problema de fato, inclusive econômico.
A perda econômica vem não só do custo, mas da perda de tempo. É muito mais barato você planejar melhor antes e levar na construção algo caro do que você deixar de planejar e tentar resolver tudo na obra.
O Cutter fala, o Edson Cutter fala, né? Às vezes a gente tá conversando, ele fala que o projeto aceita mudança, aceita tudo. Então, enquanto tá no projeto, pode mudar, pode fazer uma série de coisas. Agora, se você começou a obra e teve problema, meu amigo, aí vem o... aí acontece o caos ali, então... Sim.
E esse é um problema. Hoje, com essa questão da globalização, a gente tem muitos problemas. A nossa obra mesmo sofreu com a pandemia, com a falta de material. A gente sofreu, né? Toda a construção civil sofreu com falta de material. Aí acaba atrasando a obra porque você não tem o material ali para resolver aquele problema. E tem que mudar. A hora que você muda o sistema, o material, o fornecedor, você já está mudando o projeto. pra... E a gente vai pagar por isso depois. O que vai dar problema.
Alguém vai pagar essa conta.
Alguém está pagando essa conta.
Rosária, antes de a gente passar para o final, eu queria que... Você já sabe que a gente tem aqui o quadro Convidado com Vida. Inclusive, você foi uma indicação desse quadro. Na verdade, teve várias indicações para você. E eu gostaria de... Quem é o nome ou quais são os nomes que você gostaria de indicar aqui no Constrycast e por quê?
Bom, eu vou puxar essa dienha para o meu lado. Eu acho que era legal, você até já comentou, de falar com os arquitetos do Museu do Ipiranga, porque acho que eles têm uma experiência legal. E com a Heloísa, que você também já comentou, porque são pessoas que tiveram ali um papel muito importante nas decisões. do que resultou no projeto de ampliação, principalmente na área de ampliação do Museu de Ipiranga, mas também nas questões de soluções que harmonizem com o edifício histórico e tragam o impacto que trouxe. A gente vê muito isso. no retorno que nós temos dos visitantes, mesmo do pessoal técnico que vai visitar e ver as soluções que foram adotadas. Então, são nomes que eu colocaria. H mais F Arquitetos, que são dois sócios, dois arquitetos, o Pabllo Erenu e o Eduardo Ferroni. que, inclusive, estão lá desenvolvendo agora um projeto com o Museu Nacional do Rio de Janeiro, de reconstrução.
Que legal!
Então, eles estão com um parceiro lá do Rio, um grupo de arquitetos do Rio também, mas eles foram ganhadores do concurso desse projeto, do nosso projeto, do Museu do Ipiranga, e também ganharam concurso no Museu Nacional do Rio de Janeiro, da reconstrução da... do Museu Nacional. Então acho que são formas interessantes para discutir essas questões de escolha de material, sistema construtivo, essas coisas que você falou.
Então, aproveitar que eu estou aqui com quem decide lá no museu, eu queria te perguntar se existe a possibilidade de a gente fazer, se existe algum lugar lá que a gente possa levar o nosso estúdio para lá, ou seja, uma mesa que possibilite fazer esse bate-papo lá, inclusive levar a Heloísa e os arquitetos para a gente fazer esse bate-papo lá, onde a gente possa deixar ali, de repente, sei lá, tiver um lugar ali que a nossa audiência consiga, porque a gente tem audiência, enfim, tem gente em todo o Brasil, gente fora do Brasil. E aí seria muito bacana se existir um lugar lá que a gente possa gravar lá. Existe ou não?
É, a gente tem um auditório que pode ser eventualmente utilizado para gravar. Dependendo do dia de semana, a gente pode agendar dentro de algum espaço que dê, que suporte aí essa infraestrutura, que não pode ser muito grande na área histórica, não dá para carregar muita coisa.
Não, não, tranquilo, é pouca coisa. A gente tem uma unidade que a gente vai nos projetos e tal.
Ah, legal.
Inclusive tem uma série que a gente fala aqui com investidores. a série por dentro da obra. Então, é uma coisa mais... É um pouco menor a estrutura, mas que traz a mesma qualidade que a gente está tendo aqui agora.
É, podemos pensar assim.
Então, ótimo. Vamos para as considerações finais aqui. Você já fez um resumo das principais vantagens da construção em aço. Eu gostaria que você... Teve alguma pergunta que eu deixei de fazer que você gostaria de...
Eu só queria me desculpar com especialistas em aço, porque eu não sou especialista em aço, dei meus palpites aqui, agradeço a indicação e o convite, mas acho que tem muita gente aí que pode estar dizendo, ah, ela não falou sobre isso, não falou sobre aquilo, peço desculpas aí à audiência.
Mas sabe o que é legal? Eu costumo dizer que a comida só é boa quando você come e fica com aquele gostinho de quero mais. Então, de repente, você despertou em alguém aqui o interesse de falar um pouco mais sobre o assunto. E o canal tá aberto. Eu achei muito bacana, eu confesso que o pouquinho que eu entendo de construção civil pelo meu dia-a-dia em obra, eu fiquei muito contente com o conteúdo que você trouxe aqui. E quando você fala em pode ter alguém que fale, ah, ela deixou de falar sobre isso, sim, vai ter, porque acontece muito isso. A pessoa estava falando sobre combate a incêndio, mas esqueceu de citar o bombeiro, por exemplo. É normal. Então, eu confesso que eu estou muito contente com o resultado do que eu ouvi aqui. E, claro, vai ter pessoas que também vão dar a oportunidade de trazer pra gente continuar esse bate-papo.
Legal, agradeço aí o convite.
E uma última pergunta, rapidinho. O que você acha do ConstructCast que vem para falar sobre a união de sistemas, para dar voz às pessoas, aos profissionais da construção como um todo? Porque eu penso que o arquiteto desenha, o engenheiro viabiliza, enfim, torna aquilo execuível. Vêm ali as pessoas para construir, tornar aquilo realidade. Então, esse é um pouco do nosso propósito.
Eu acho importantíssimo ter essa visão plural, porque eu acho que precisa olhar as coisas dos vários pontos de vista e cada um vai defender o seu, lógico, mas acho que para ter uma visão geral e a compreensão desse processo todo, que é um projeto... O processo da construção, desde a concepção do projeto, a execução da obra, a finalização e a ocupação do edifício, envolve muitos profissionais. Com diferentes responsabilidades, diferentes finalidades e funções. E eu acho que é importante a gente ter essa visão. E também, como você falou, do lado do mercado imobiliário, do berededor, do projetista, de quem executa a obra. Também são diferentes visões. E isso tem que sempre andar em uma certa harmonia. Vão ter sempre discussões, mas que entendam essa perspectiva da construção civil e quanto a construção civil impacta tanto economicamente como socialmente nas cidades. como também na questão ambiental, que a gente acabou de falar um pouco. Então, acho que a gente tem que pensar sempre um pouco mais com uma união de todos os profissionais, no sentido de como a gente traz tudo isso para melhorar a sociedade. Aqui, no caso, a sociedade brasileira, a sociedade paulista e paulistana, o nosso bairro. A gente precisa pensar além dos nossos interesses profissionais próprios, mas acho que tem que sempre estar considerando o quanto a gente está contribuindo ou não para o que está acontecendo em nossas cidades.
É muito bacana. O arquiteto, agora um pedido do arquiteto Roberto Webb. Ele falou, Paulo, quando vierem os convidados aqui, ou então sempre que você tiver oportunidade na rua, para as pessoas que não são da área, faça a pergunta, o que é arquitetura para você?
Meu Deus!
Eu estou falando com a arquiteta urbanista Rosária Ono. O que é arquitetura para você?
A arquitetura é a construção de um espaço de ambiente. A gente chama, para mim, de ambiente construído com qualidade. Acho que a gente sempre tem que estar considerando... E a qualidade que eu falo é a qualidade O ocupante, o usuário daquele ambiente, tem que estar satisfeito, seguro, para... com condições de qualidade adequadas para habitar. Habitabilidade é o mínimo. A gente tem que falar muito mais do que isso. A pessoa tem que estar confortável, tem que estar se sentindo bem naquele espaço. Hoje a gente fala muito sobre questões de saúde mental, acho que a qualidade do espaço construído faz parte. A gente tem que viver num espaço de qualidade, senão a gente também sofre com isso tudo.
Muito bacana. Agora eu estendo a pergunta a você que está me ouvindo pelas plataformas de áudio e de vídeo. O que é arquitetura para você? Coloque nos comentários, compartilhe nossos conteúdos, comentem, mandem sugestões de convidados e de pautas, porque eu tenho certeza que junto com vocês vamos transformar o setor da construção, arquitetura e engenharia. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash.
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