O vídeo narra a história completa do Edifício Martinelli, um marco da arquitetura de São Paulo. Começa com a trajetória do imigrante italiano Giuseppe Marchetti, que chegou ao Brasil aos 19 anos, trabalhou como pedreiro, mascate e despachante aduaneiro, e acabou construindo uma frota de navios e uma empresa de exportação que prosperou durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1922, usando parte de sua fortuna, Marchetti contratou o arquiteto/engenheiro William Fininger para projetar um prédio de 12 andares, mas deliberadamente fez a fundação para suportar 30 pavimentos, permitindo que, a cada aprovação, adicionasse mais andares (12, 14, 16, 18, 24, 26, 30). A população e a imprensa temiam que o edifício desabasse; testes estruturais realizados pela equipe de Mastrelli comprovaram a segurança, mas a prefeitura limitou a altura a 25 andares. Para driblar a restrição, Marchetti acrescentou um palacete no topo, usando-o como propaganda ao morar ali para provar a estabilidade. O prédio foi inaugurado em 1929, mas a Grande Depressão e o alto custo da obra levaram à falência de Marchetti; o Banco Italiano tomou o edifício em 1934. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro confiscou bens italianos e leiloou o prédio em 1944, renomeando‑o Edifício América e transformando‑o em condomínio com mais de 100 proprietários. Nas décadas de 1950‑60, o edifício entrou em declínio, tornando‑se moradia barata e palco de crimes, incêndios e violência, chegando a ser cogitado para demolição nos anos 70. Em 1965, o prefeito Olavo ordenou sua preservação; uma reforma de quatro anos foi concluída em 1979, e o prédio passou a ser propriedade da prefeitura, abrigando escritórios municipais, serviços de urbanismo e comércio ao redor. O Martinelli é reconhecido como o ponto de partida da verticalização de São Paulo; ainda conserva 80% dos ladrilhos hidráulicos originais, mármores e a cor rosa restaurada. O narrador conclui que, apesar das transformações, o edifício simboliza a evolução da cidade de um cenário de casas baixas para a paisagem de arranha‑céus atual.
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do imigrante italiano chamado Giuseppe Marchetti. Giuseppe veio para o Brasil aos 19 anos de idade, inspirado pela cultura do café e tal, e fez de tudo um pouco. Ele foi pedreiro, mascate, açougueiro. Algum tempo depois ele conseguiu trabalho no Porto de Santos como despachante aduaneiro, estabeleceu contatos com o pessoal do porto, da construção naval e tal, e acabou adquirindo uma pequena frota de navios. Ele fez uma empresa de exportação e importação que começou a crescer bastante no começo do século 20. Ele recebeu impulso durante a Primeira Guerra Mundial, quando muitas empresas reduziram o fluxo de navegação atlântica por medo de ataques. Começou a expandir e se tornou um homem extremamente rico e poderoso e queria construir algo que marcasse o nome dele, que mostrasse o poder que ele tem. Então, tinha na verdade. Então em 1922 ele vende parte das empresas para financiar a obra de um carrossel, contrata um arquiteto e engenheiro chamado William Fininger e pede para fazer um projeto de apenas 12 andares. Só que ele falou, olha, já que eu já fiz um prédio, eu quero que a fundação tenha 30, ou seja, 30 pavimentos. Porque ele sabia que se ele apresentasse um projeto tão grande a prefeitura não ia aprovar. Então ele começou com um projeto menor pediu uma fundação mais forte e começou a erguer o prédio de 1924. Quando chegou lá no 12º, ele pediu uma alteração para o 14º, depois para o 16º, depois para o 18º. No 18º ele queria mais andares, só que o Engel-Fenninger se recusou a fazer alegando o alto custo da obra e que afinal ele já tinha feito mais do que o projeto original. O senhor Giuseppe não estava satisfeito e não ia parar no 18º andar. Então ele chama seu sobrinho Ítalo, que também era arquiteto de engenharia recém-formado, e dá continuidade na obra por conta própria. Chega até o 24º, dobra a quantidade prevista, E nesse momento, por volta de 1928, a prefeitura vem aqui e coloca um embargo na obra. Olha, tem um italiano maluco colocando um monte de gelar no prédio que vai cair de tanto peso. Que história é essa de um prédio de 12 andares ter 24? Os jornais falam bastante sobre isso, que o prédio ia cair, que ia desabar, que não ia aguentar isso tudo. E a população também pânica, até porque ninguém nunca tinha visto algo desse porte. É o prédio mais alto de São Paulo, que no momento tinha apenas 14 andares. Então eles vendem o seu refletor, não passam ao redor da obra, aluga a sala que tem que ver quem sabe. E diante dessa histeria toda, o Mastrelli vem com uma equipe técnica junto com a prefeitura, faz faz os testes estruturais, constata que o prédio é seguro, ele pode finalizar a obra. Só que a prefeitura fala: de 25 você não passa. Aí ele não, tem que ir para o aumento e fazer só mais um. De fato ele faz mais um e faz raso. Só que vocês repararam que tá no 26º, né? Tem mais 4 em cima da gente, são 30. Por quê? Ele até ia deixar o prédio com os 25, só que aí ele ficou sabendo que tinha outros edifícios mais altos que ele. Preciso dizer que ele não gostou nem um pouco disso? Ele falou que ia ser uma derrota. E como ele não podia fazer mais andares, Ele ordenou que fizesse um palacete aqui em cima. Dessa maneira ele matava dois coelhos numa pedrada só. Só uma fatura do prédio, driblando as restrições porque não era um andar. E como muita gente ainda tinha medo de o prédio cair, ele falou, bom, vou morar lá em cima para provar que o prédio não cai. Então deu um golpe de propaganda com o palacete aqui em cima. Então aqui é um dos corredores do palacete. A gente não tem acesso interno porque ele já foi descaracterizado ao longo do tempo e não tem mais nada lá dentro. Não tem mobília, não tem nada. Ele só usa para alocação de espaço para eventos, gravações, ensaios de maneira geral. Na área externa você vai entender sala de festas e quarto de empregados. Hoje é um auditório e um refeitório. Vocês vão poder circular ambos daqui a pouco. A obra em si foi inaugurada em 1929. Ah, um detalhe importante: na parte externa, se vocês observarem a uma certa distância, dá para perceber claramente que o prédio segue um padrão até um ponto, depois ele muda, depois na parte superior, que é o Projeto Lítero. Vocês saírem, dêem uma olhada que vocês conseguem ver certinho onde fica o Projeto Lítero. E lá em 29, quando o prédio é inaugurado, os quartéis mudam para cá e tal, só que ocorre um crash de avião no centro da cidade de Nova York. Premissa da grande depressão econômica dos anos 30. Isso, associado ao altíssimo custo da obra, acaba levando o Martínez à falência. Ele perde praticamente todo o dinheiro e não consegue manter esse prédio. Então ele começa a pegar vários empréstimos junto ao Banco Italiano, só que ele não paga esses empréstimos e o banco toma o prédio dele em 1934. Então ele vai embora para o Rio de Janeiro, lá ele recupera a vida dele, viveu aqui cerca de 5 anos. Aí lá no Rio ele ficou rico de novo. Por quê? Como ele conhecia uma galera importante, tinha contato com pessoas poderosas, facilita muitas coisas, colocaram no ramo da mineração de carvão, ele acabou enriquecendo de novo depois de diversificar também lá um pouco seus negócios, chegou a construir outros prédios melhores do que esse daqui, já foram demolidos, e lá no Rio permaneceu até o fim da vida, falecendo em novembro de 1946, e deixou uma fortuna razoável para os seus herdeiros. Esse prédio aqui ficou nas mãos desse banco italiano até a Segunda Guerra Mundial, só que durante a Segunda Guerra Mundial o Brasil declarou guerra à Itália, enviou tropas lá para combater e tal, e o governo brasileiro confiscou os bens alemães, italianos, etc. Só que o governo brasileiro, por sua vez, não tinha interesse nesse edifício, acabou leiloando ele em 1944 e virou um condomínio com mais de 100 proprietários. O sócio majoritário era o Banco América, então alteraram o nome do edifício para Edifício América. E do leilão de 44 até o fim dos anos 50 você não tem grandes novidades, uma perda de estabilidade. Só que na década de 60 o declínio do centro de São Paulo começou a se acelerar e esse prédio acompanhou esse declínio, porque já não era mais condomínio de luxo, já não era mais prédio de elite. Gradualmente ele se tornou uma opção de moradia barata, como vários outros edifícios da região central, e gradativamente perderam todo o controle do que ocorria aqui dentro. A manutenção deixou de existir, então o elevador não funcionava mais, a instalação elétrica era precária, princípios de incêndio não comuns. Do lado de fora começa a aparentar-se uma normalidade, com as portarias, as recepções e tal. Do lado de dentro você tinha de tudo: briga de aborto, prostituto, tráfico de drogas, por aí vai. Vários assassinatos vão ocorrer aqui dentro no período, alguns deles ficaram famosos. O entorno do prédio era perigoso exatamente E diante dessa situação toda, cogitou-se demolir a estrutura do começo dos anos 70, só que devido ao valor arquitetônico e histórico que possui, o prefeito Olavo se incumbiu em 1965, ordenando a manutenção do Estado-Geral. Vieram as autoridades, retiraram todo mundo, começou uma reforma que durou 4 anos, terminou em 1979, e desde então pertence à prefeitura. Então daqui para baixo são só escritórios municipais, educação, coab, psicólogo urbanismo. São cerca de 13 mil funcionários, 3.500, o prédio inteiro tá ocupado. E tem a parte comercial externa, só aquelas lojinhas, casas de câmbio que vocês veem ao redor das portarias. E o grande legado do prédio Martinelli é ter dado início ao processo de verticalização de São Paulo. Porque a gente vai lá fora agora, é difícil imaginar um cenário de Jardim sem nada, sem nenhum grande prédio. Mas na década de 20, o maior tinha 14. A maioria tinha isso, tipo 5, 6 andares. Então se hoje a gente tem isso à nossa volta, começou com isso daqui. Nas décadas seguintes fizeram prédios tão grandes quanto ele e a cidade assumiu essa forma de Jardim. De maneira geral é isso. Do lado de fora, o piso, o ladrilho hidráulico, 80% são originais. A coloração do prédio foi restaurada ao tom rosa que ele possuía, mas já não é mais a pintura original. Os mármores aqui também são originais, pelo que as fontes indicam. Claro, quando se trabalha com um prédio que passou por tanta coisa, as fontes muitas vezes são escassas e conflitantes. Então, pelo que sabemos, aqui dentro é original. Lá fora vocês podem ficar à vontade, vocês ficam à vontade, eu vou deixar vocês livres. Só ressalto, cuidado com o prédio.