#17 PODCAST - ROMERO RODRIGUES FUNDADOR DO SITE DE COMPRAS BUSCAPÉ

Podcast interview (Portuguese) with Romero Rodrigues, cofounder and long-time president of Buscapé, who recounts his entrepreneurial origin (early interest in computing, founding Buscapé), transition to investor/VC (managing multiple funds, partner at XP), and practical lessons for entrepreneurs: strong purpose and culture, complementary teams, customer obsession, and fast/cheap market testing. He emphasizes that VC funding is not the only path to build valuable businesses, highlights advantages of small firms (proximity to customers, agility), shares startup mistakes (loss of focus, underestimating team quality, overbuilding before testing), and closes with an optimistic view that crises create opportunities to build large companies.
Chapters
Bom dia, boa tarde, boa noite, estamos aqui hoje no mais um programa do Novo Comércio Cast e hoje com uma pessoa que pra mim foi uma grata surpresa conhecê-lo, já sabia do seu currículo e pude almoçar com ele, poder trocar algumas ideias e além de ser um cara muito bem sucedido, é um ser humano sensacional. Eu quero apresentar para vocês do Novo Comerciocast, os nossos seguidores, Romero Rodrigues. Seja bem-vindo, Romero.
Obrigado, prazer estar aqui. Obrigado pelo convite.
Bom, Romero, como eu te disse, o nosso Novo Comerciocast, a gente quer trazer informações, quer trazer experiências positivas ou negativas para aquelas pessoas que nos assistem. Sabendo que você hoje é uma pessoa com um currículo invejável, todo mundo imagina chegar no patamar que você chegou, a gente gostaria muito de compartilhar a sua experiência, o seu currículo, eu gostaria que você falasse quem é você, para que as pessoas... Quem é você não, quem é você é um ser humano, mas o que você está hoje como representante dessa classe econômica desse país nosso? Muito obrigado. Seja bem-vindo aí.
Obrigado mais uma vez. Uma delícia estar com vocês aqui. Super bem recebido. Pouso alegre. Almoço delicioso. Cidade gostosa. Bom, eu me considero um empreendedor. Desde criança, eu sempre quis ter um negócio. Estava sempre curioso, criando, mexendo, fazendo. No final do... No final da oitava série, eu tive acesso ao computador, que em 94 era algo único. Estava surgindo o PCXT, o computador pessoal. Naquele momento eu me apaixonei por informática, como a gente chamava na época, e decidi que eu ia empreender com informática. Entrei no colegial já sabendo que eu queria fazer engenharia elétrica, assim foi. No terceiro, quarto ano, larguei em engenharia elétrica porque tinha descoberto a minha quarta, quinta ideia estava sobrevivendo mais do que as anteriores e aí eu fundei com mais três amigos o Buscapé, o site de comparação de preços, onde eu fui cofundador e presidente por 17 anos. Quando eu saí do Buscapé foi uma história de muita alegria. A gente foi, talvez, foi uma das primeiras startups, mas definitivamente a primeira a passar por venture capital, ou seja, que a gente tinha investido um fundo pequenininho na rodada semente, depois um fundo na Série A, depois um fundo na Série B, e depois a gente pode falar mais sobre esses estágios todos. E aí a companhia foi adquirida e acabou inspirando muitos empreendedores daquela época a montarem startups também. E nisso muitos começaram a pedir mentoria pra mim e pros meus sócios. E nisso eu fui, sem perceber aos poucos, me tornando investidor em startups. Então hoje eu tô no meu terceiro fundo profissional como gestor, sou sócio da XP, responsável pro Venture Capital na XP, eu tenho junto com os meus sócios que fazem Venture Capital no Vale do Silício desde a década de 90, com muita coisa no repertório deles, primeiros investidores em Netflix e uma série de outras companhias. Eu tenho um fundo para investir em startups. que eu busco startups muito parecidas com o Buscapé, lá de 99, ou depois com outras que eu acabei tendo a sorte de investir, como a iFood, a Rappi, o Jim Pez e outras mais. Então, de certa forma, o pessoal brinca, fala, você mudou de lado da mesa, você não está mais do lado do empreendendo, está do lado do investidor. Mas a gente investe tão no começo e a gente se apaixona tanto pelo founder e pelo propósito, pelo grande sonho do founder, Porque a gente brinca que quando a gente investe não tem nem mesa ainda, a gente ajuda a parafusar a mesa junto.
Foi que bacana. E a gente fica pensando porque... Quando as pessoas pensam... Eu montei uma startup e ela se tornou uma unicórnio. Quantas que se tornam unicórnio?
Baixíssimo.
E um milhão é uma.
Uma.
E você conseguiu isso e outras que você já está participando aí. O que você poderia passar pra nós de... de erros e acertos. O que você pode poder contribuir com essas pessoas que estão discutando aí no Spotify, no YouTube, para que eles possam imaginar o caminho que possam seguir aí para frente?
Boa. Acho que é importante, primeiro, desmistificar que receber dinheiro de investidor, de fundo, é o único jeito de criar uma empresa grande. Isso não é verdade. e Venture Capital, que cria os unicórnios e tudo mais, investe num grupo de companhias muito específico, que podem escalar muito rápido. Então, a primeira coisa que eu quero falar para quem está escutando a gente é que você não precisa ser uma startup, ser de tecnologia ou receber investimento de fundo para criar um negócio que traga um bem para a sociedade, que construa um pouquinho do futuro e que seja muito lucrativo e que traga e traga muita alegria para todo mundo que está em volta de você. Dito isso, o que a gente faz, a gente brinca, é investir em empresas que são muito, muito grandes, enquanto elas ainda estão muito, muito pequenas. Então a gente identifica os componentes que fazem ela crescer. O que eu vejo que faz startups e não startups bem-sucedidas? Primeiro, propósito e cultura. Então, na hora que você começa a crescer uma empresa, um projeto, quanto mais forte a cultura, quanto mais os teus colaboradores, teus funcionários entendem por que você existe no mundo, o que você veio fazer como empresa, como solução, mais forte se torna aquele grupo que está criando aquilo e mais fácil você crescer esse grupo. É mais fácil propagar essa história. Então, sempre que eu posso, eu sempre reforço cultura, propósito, cultura, propósito por isso. Mais do que isso, para uma startup, como foi o caso do Buscapé, quanto mais o varejo tentava matar o Buscapé, porque o varejo queria matar o Buscapé a qualquer custo, mais os colaboradores acreditavam que a gente estava fazendo algo certo. Então é contra-intuitivo, porque você tinha empresas gigantescas querendo matar a gente, em vez das pessoas desistirem e falarem, vamos sair daqui, essa empresa vai quebrar, falam não. Está vendo? A gente está incomodando. Então a startup é o que na economia chama de antifrágil. Antifrágil não é que é duro, antifrágil é que você fica mais forte quanto mais você recebe porrada. Então isso é super importante. Cultura também ajuda no segundo critério mais importante de empresas bem sucedidas, que é gente talentosa. Então eu brinco e falo assim, contrata todo mundo que se achar que é mais inteligente que você e tenta entender, medita, faz o que for preciso. Eu gosto muito de estoicismo, então vai ler. Tenta entender quais são os teus pontos fracos e traz gente para cobrir esses pontos fracos. De todos os empreendedores que eu tive a chance de conhecer na minha vida, não existe nenhum completo. Todos têm inúmeros pontos cegos, mas eles trouxeram pessoas boas para complementar cada um desses pontos. E acho que a terceira coisa que vale tanto para uma startup que vai ser unicórnio quanto uma empresa menor, local, é a obsessão pelo cliente. Eu costumo brincar, e junto com isso, eu costumo brincar que muito startup morre porque os empreendedores ficam apaixonados pela solução que eles têm, em vez de seguirem apaixonados pelo problema que eles estão resolvendo. E nessa de você ficar apaixonado pela solução, é como um martelo procurando prego para pregar e ninguém queria mais quadro. Então você fica ali desesperado achando quem vai usar o seu aplicativo, a sua solução. Era muito mais fácil você pegar para aquele público-alvo e entender as dores reais daquele público-alvo e tentar resolver. Então essa obsessão pelo cliente a gente cometeu, mesmo sendo super centrado no consumidor, a gente cometeu inúmeros erros na história do Buscapé. Esses são três, a gente pode até aprofundar mais depois.
Nossa, espetáculo. Vocês que estão nos assistindo, ouvindo e acompanhando a gente, vocês têm que marcar muito essa questão de propósito.
Time, complementar.
Team, mas você falou propósito e...
Propósito e cultura.
Cultura, porque muitas empresas elas têm visão e missão, mas visão e missão é muito mecanicista. Eu chamo um grupo, faz aquele brainstorm, e a nossa missão da empresa é essa, a visão é essa.
Ser o líder de lacuna no mercado, lacuna, quer dizer, raspa isso, o que tem lá de verdade?
Só que o propósito e a cultura é muito mais intrínseca, ela está muito mais dentro do ser humano mesmo, daquilo que ele acredita efetivamente. Então, a gente tem acompanhado muitas pequenas empresas, aqui na nossa cidade, na nossa região e no país como um todo, que por conta da burocracia que existe no nosso país, da alta carga tributária, que muitas vezes essas empresas tentam dar um jeitinho, vão por entre aspas, para que elas possam sobreviver no mercado. E eu tenho escutado de outros investidores que se a empresa tivesse um compliance, algo muito transparente, mesmo que ela fosse pequena, ela poderia receber aporte, investimento de pessoas que, em vez de investir na bolsa, vão investir nessa empresa. Isso faz sentido para você? Você acha que essas empresas poderiam atuar nessa linha?
Eu acho. Eu costumo concordar com isso. A burocracia no Brasil atrapalha e a gente pode falar aqui de todas as dores que a gente tem, seja o sistema tributário, seja a parte trabalhista. que eu sei que deixa a maior parte dos empreendedores que estão escutando a gente acordados à noite. Mas a verdade, se a gente considera que isso está acontecendo com todo mundo e é verdade, o Brasil é um país que você tem muita oportunidade, porque ele é um mercado muito grande com muita dor. É contraintuitivo, mas é muito mais difícil você diferenciar um produto ou serviço na Dinamarca do que no Brasil. A gente sabe as dores, a gente sabe a mão de dó. E a empresa pequena muitas vezes esquece que ela tem uma vantagem enorme em cima de um competidor maior. Na verdade, duas. A primeira é que ela está muito mais próxima do cliente. É literalmente o dono da empresa que está lá no balcão conversando com o cliente. Ele tem a chance de fazer essa entrevista a cada venda e entender exatamente o público-alvo dele. Uma empresa já maior, O diretor, o sócio tá lá longe, ele tá tendo que confiar no canal de atendimento, ele tá tendo que confiar nos vendedores, no relatório que sobe, ele demora muito mais pra reagir. E a segunda tem a ver com foco e tempo de reação. A empresa pequena, normalmente ela é nova, ela tá trazendo uma novidade no mercado. Geralmente, pra ela ser bem sucedida, ela vai ter que fazer um produto ou serviço melhor ou mais barato, em geral. E ela tem a grande vantagem de focar, de poder falar, deixa eu resolver esse problema que eu tenho agora. Como ela ainda não cresceu, ela não tem legado, ela não precisa cuidar da coleção do ano passado, ela não precisa se preocupar com o software que foi feito um ano antes. Então ela tem naquele momento uma oportunidade única de estar começando uma página em branco. E como ela é nova, ela consegue interagir rápido. Então, ela coloca um produto no mercado, ela tira dois dias depois, se for o caso. Uma sorveteria, o sorvete não foi gostoso, você tira o sorvete depois de dois dias e não faz mais. Para uma Unilever tirar um sorvete do mercado, vai levar seis meses. Sei lá quanto vai custar, que gastou em mídia. Então, essa agilidade joga a favor da pequena empresa.
É excepcional, tá vendo? Ô Emerson, você que tá aí nos bastidores, tem tanto corte pra gente fazer aí pra galera. A gente tá aqui hoje com o Leandro e com a Clarissa aqui nos bastidores também, nos escutando e nos vendo ao vivo. Homero, assim, tem muita coisa pra gente falar. Eu queria focar em alguns pontos que são, acho que, importantíssimos. Porque a gente pensa numa empresa grande, ela tem vários benefícios tributários que ela consegue absorver dentro do investimento. O pequeno e o médio, normalmente eles não têm esses incentivos porque ele não tem uma cadeia de advogados tributaristas, um contador dentro da empresa. O que eu quero trazer é uma reflexão sua enquanto investidor, enquanto empresário bem-sucedido e com essa visão sua mais macro do sistema. 90% hoje das empresas da nossa base são micro e pequenas empresas. Esses empresários começam, às vezes, a montar o seu negócio Porque eles acharam que ele poderia ser um empresário, mas ele não estuda o seu negócio. Ele, por feeling, ou por alguém da família que falou que ele poderia montar aquele negócio, ele acaba montando. E ele investe um valor sem estudar qual é a sua clientela, seu público, qual que é o seu markup, qual que vai ser o retorno dessa aplicação. E muitas vezes esse empresário perde a empresa, perde a família, perde tudo por conta desse investimento mal feito. Qual é a sua visão com relação a isso? O que você pode trazer, ou de errado ou de certo? E depois eu gostaria também de emendar nessa pergunta. que você colocasse alguma coisa que deu muito errado, porque colocar o que é fácil, às vezes as pessoas falam assim, que cara é um cara de sucesso, você é um cara de sucesso, mas não foi só sucesso, a gente sabe que teve muita coisa que aconteceu, e isso a gente não conta. Então a gente queria dar essa oportunidade para as pessoas saberem.
Bora, vai ser uma delícia. Teu ponto é muito bom. O brasileiro é um povo muito empreendedor, muito criativo, e isso faz com que ele tenha esse momento, essa energia para começar um negócio. Muitas vezes ele não se prepara da forma certa. E eu acho que isso, no fundo, gera duas oportunidades. A primeira oportunidade é tanto desse empreendedor ou do mercado, de se educar ou de educá-lo melhor. Ao contrário de quando eu comecei o Busco a Pé, em 99, 98, que você não tinha internet, então você não tinha nada online. Você não sabia exatamente, você não fez um curso de administração de contabilidade, você não sabia como abrir uma empresa, você não tinha como procurar no Google e resolver essas dúvidas. Então a minha principal dica para o empreendedor é, sim, usar tudo o que existe disponível, tem tanto conteúdo. Tem tanto repositório de informação do Sebraia, Endeavor. Estão aqui no Cid Comércio, podem vir consultar, se atualizar. Então, estudo nunca fez mal para ninguém. Então, estudar mais o seu negócio. Saber o público-alvo. Tentar entender que diferencial competitivo você vai ter. Você vai trabalhar em qualidade ou preço. Markup e assim por diante. Eu acho que é a primeira dica. A segunda é... Para empreendedores, e aí empreendedores não precisa ser só empresa, a gente pode estar falando de associações, a gente pode estar falando de público ou privado. poder ajudar esse empreendedor que tem essa energia e colocar um trilho nele, colocar direção, não deixar ele sambar. Como fazer isso? Prestando bons serviços de assessoria jurídico contábil, trazendo esse cara para uma associação onde ele pode discutir com outros pares da região, da cidade, do bairro, o que fazer, o que não fazer, boas práticas, o que evitar e assim por diante. Então, acho que Isso na questão da primeira pergunta são provocações minhas. Em relação a erros...
Agora que vem, né?
Bom, do nosso lado, como busca-pé, depois como investidor, errei muito. Para você ter uma ideia, os melhores investidores de startup do mundo acertam 30% das vezes. O Pelé, o Michael Jordan, do que eu faço, ele erra 70% das vezes. Chega a ser deprimente, você imaginar que o melhor cara do seu setor erra duas vezes mais do que acerta. Óbvio que quando você acerta, compensa os erros, mas isso requer que você tenha muita humildade. Então, o que eu vi negócios falharem? Tanto negócios dentro do Buscapé que eu investi depois. Muitas vezes eu, como investidor, me apaixonei pelo negócio do time de fundadores, mas não era um time nota 10. Então eu aprendi que dá para investir num time nota 10 que tem um negócio nota 7, porque ele troca, ele muda o negócio, ele vai aprimorar aquilo, mas um time nota 7 que sem querer criou um produto nota 10, água, não vai dar certo, porque não consegue inovar na velocidade que precisa. Eu já cometi esse erro. Um outro erro que costuma acontecer é você, sem querer, perder foco e começar, e isso acontece muito em empresas pequenas e principalmente startups, você sem querer cria duas empresas dentro de uma. Como assim? Você estava lá e ia desenvolver uma solução para consumidor, então B2C. Lá pelas tantas, um dos teus clientes fala assim, pô, eu tenho uma lojinha que também faz para mim B2B. Aí você começa a prover para pequenas empresas. Você acha que é uma boa ideia, porque você aumentou o seu público-alvo. Mas no instante seguinte, as empresas começam a requisitar melhorias diferentes. Eu quero um relatório assim, eu quero assado. E o consumidor tá pedindo outra coisa. E ali você ainda não tem um negócio que deu certo, que tá lucrativo, e você já começou a dividir seus esforços. Então você tá dividindo teu tempo, que é a coisa mais preciosa, e teu dinheiro, que é a segunda coisa mais preciosa, em iniciativas diferentes, sendo que nenhuma das duas ainda tá consolidada. Curiosamente, eu tô falando assim, mas eu tô diluindo o risco, porque eu não tô mais apostando numa cesta só. Mas a história mostra que, na verdade, você aumenta o risco. Porque como você tem pouco recurso, você diluiu os recursos. Em nenhuma das duas frentes você teve recurso suficiente pra fazer dar certo. A gente fez isso diversas vezes. E acho que talvez um dos maiores erros que a gente fez, eu até vou falar disso hoje na palestra, é que muitas vezes você consegue testar. o teu mercado, se aquilo que você tá vendendo faz sentido, sem praticamente ter nada. Então, por exemplo, a primeira versão do Buscapé, que chamava Quanto Custa, era um disquete, 98 lá atrás, um disquete, então a gente teve que fazer um programa que cabia em 1.4 megabytes, que não é nada, uma foto hoje tem 5 megas, 10 megas. Esse programa, o varejista ia instalar no computador, Ele ia ficar no computador, procurando por todos os preços. Quando dava meia-noite, ele conectava na BBS, porque se pagava, pulso telefônico era caro. Então a BBS, da meia-noite a seis, contava um pulso só, mandava pra BBS os preços que chegava no Buscapé e a gente podia fazer a comparação de preços. A gente ficou nove meses desenvolvendo o programa. Quando ficou pronto, eu saí com uma caixa de disquete pelo bairro que eu morava, ali na Vila Mariana, em São Paulo, e voltei com os 10 disquetes, e mais de 30 varejistas falaram que eu era louco. Ou seja, eu completamente erro. Então foi um dos maiores fracassos iniciais de qualquer coisa que podia existir. Agora eu te pergunto, se o disquete não tivesse nada dentro, Nada. Eu não teria conseguido testar que não ia funcionar? Teria.
Teria.
E eu perdi nove meses, dia e noite, eu e mais três sócios, programando, conseguindo fazer algo que tecnicamente era muito complexo, que ninguém nunca, na história do Busca Pé, instalou. Acho que não teve sequer uma instalação daquele programa que estava no disquete. Os disquetes podiam estar vazios, podiam ter acabado de rasgar o plástico, ter só feito o mesmo discurso. Então, muitas vezes, o empreendedor dá uma volta muito grande, para fazer um teste que é muito fácil, que às vezes não precisa de nada, às vezes precisa de papo, às vezes precisa de um desenho no papel. Então a minha provocação para quem estiver escutando antes de começar uma empresa ou quando já começou, mas quer lançar um produto novo, é explorar isso, explorar isso com o consumidor. Testa, você não precisa desenvolver o produto para testar.
Se eu entendi, captei a sua mensagem, às vezes o simples é muito mais fácil e melhor do que o complexo. Apesar que se a gente usar a teoria do Edgar Morin da teoria da complexidade, o que é ser complexo? É ser tecido em conjunto, então tudo se comunica de alguma forma, seja de forma simples ou complexa. A gente percebe que com a evolução da tecnologia, muitos empresários estão acreditando que a máquina, que a tecnologia vai fazer tudo para eles. E, pelo que você disse, o filho humano ainda faz toda a diferença no desenvolvimento de algo novo ou de algo que já exista, seja pequeno, que tenha mudança rápida, e seja de algo grande, que é mais complexo, mas que pode ser mudado também. Diante dessa situação do nosso país, do mundo e de tudo que está acontecendo agora, a gente está hoje com o tempo aqui bem apertado e hoje eu vou deixar o convite para você para uma próxima Está aceito. Obrigado. Uma próxima reunião para que a gente possa... Eu estive conversando com o Romero antes e o Romero tem vários produtos que a gente pode, de repente, ofertar aqui para a nossa região de Pouso Alegre, fazer um piloto e, de repente, a gente ter algo que possa beneficiar a sociedade, o empresariado, não só economicamente, mas socialmente. Então, para nós, é muito importante. O Sindvalho fica muito satisfeito com a sua presença e com as suas ideias.
Obrigado.
Então, diante disso, Romero, vamos colocar assim, do cenário econômico, político, social, tudo que você está vendo no nosso país agora, que mensagem você deixaria para os nossos ouvintes? Você já disse um pouco, mas o que você poderia deixar mais incisivo para eles para que eles possam refletir e escutar, ficar com um gostinho de quero mais para uma segunda entrevista sua conosco aqui?
Olha, eu sou um otimista por natureza e todo empreendedor é. E quando você se torna investidor de empreendedores, mais ainda. E você tocou num ponto muito bom que é a gente investe em startups, empresas de tecnologia, mas a coisa mais importante que a gente olha são as pessoas. Eu falei, a tecnologia pode estar ok, mas ainda vai ser melhorada. O que eu invisto são nos times, naqueles empreendedores, naqueles fundadores que estão lá com aquela ambição de deixar um legado, de deixar um mundo melhor do que o que eles encontraram. E óbvio que, ainda mais no setor de tecnologia, somado a hoje com o tal macroeconômico mundial, com juros altos, com inflação alta no mundo inteiro, o fenômeno do Brasil. Pelo contrário, até o Brasil está resolvendo esse problema antes dos outros. Às vezes eu sinto as pessoas cansadas ou desapontadas. Mas eu reforço minha dose de otimismo. As maiores empresas do mundo foram sempre criadas em momentos de crise e de contração econômica. Porque nesse momento a grande empresa não pode investir, nesse momento é mais difícil levantar dinheiro, mas os que conseguem não tem competição. eles atravessam esse rio sozinhos. E aí eles aproveitam o mercado todo que tem lá do outro lado do rio pra eles. Se você pegar Apple e Microsoft, foram criadas na maior recessão americana que teve, que foi 73 a 75. Google, Tesla, Mercado Livre, Buscapé, na crise dos anos 2000, não tinha dinheiro pra nada, quebrou a Nasdaq, 2009... Tem uma.
Inflação altíssima no país.
Altíssima. Nasdaq, desculpa, 2009, crise financeira global, O imobiliário americano derreteu, não tinha dinheiro pra nada, quebrou o Lehman Brothers, quebraram os bancos, não tinha como comprar ou vender uma casa, nem primeira nem segunda propriedade, vai compartilhar Airbnb, não tem carro, vai compartilhar Uber, porque eu não tenho o que fazer, não tenho dinheiro pra ir no cinema, redes sociais, WhatsApp, Instagram, Airbnb, Uber todos criados em 2009. Então, se for para fechar com uma frase que eu gosto muito, que é do Winston Churchill, ele fala o seguinte, nunca desperdice uma boa crise. Então, para o empreendedor, é o melhor momento que a gente poderia ter. E melhor ainda, porque a gente já está vendo a luz no fim do túnel. A gente está vendo os juros caindo, a gente está vendo a economia melhorando, as revisões de PIB para cima. Então, se tem um momento para empreender, é agora.
Beleza. Gente, a gente agradece muito a presença aqui do Romero e a gente já fez o convite, já foi aceito. Vou deixar uma mensagem, o conflito tem que ser olhado de forma positiva. Muito obrigado, viu Romero?
Obrigado.
Valeu, abraço.
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