Startups Escala e Visao - Ricardo Basaglia com Romero Rodrigues

This content was created by Romero Rodrigues. This content was uploaded by Romero Rodrigues. This is a Portuguese-language YouTube podcast/interview episode titled "Startups Escala e Visao - Ricardo Basaglia com Romero Rodrigues" (part of the podcast "Lugar de Potência") created on 2026-01-27. It is an interview-style conversation between the host/interviewer (SPEAKER B, likely Ricardo Basaglia) and guest Romero Rodrigues. The excerpt covers Romero's personal and family background, early interest in computing and entrepreneurship, the origin and early technical/market pivots of Buscapé, fundraising and investor alignment, the sale to Naspers/Prosus and its consequences, his post-exit transition (including angel investing and moving into venture capital), and his investing philosophy (investing in people, alignment of vision/interest, discipline).
Chapters
A palavra atrás de tudo isso é alinhamento de visão e de interesse. Eu acho que, por exemplo, entre os fundadores do Buscapé, a gente tinha uma visão muito, muito parecida. E não era uma visão de, ah, vamos ganhar dinheiro, vamos vender a empresa. Era realmente uma agenda onde a empresa estava acima da agenda pessoal de qualquer um e a gente queria deixar um legado. Quem será que fez isso há 100 anos atrás e que existe até hoje? Eu acho que eu tô tentando descobrir o quanto ele tá inconformado com o mundo. O quanto aquela dor, aquele inconformismo dele vai se transformar em potência pra mudar o mundo e deixar um legado, deixar uma marca, deixar um dente, como o Gringo gosta de falar. Tem algumas coisas que eu quero desenvolver, se eu conseguir, né, nos meus filhos. Acho que uma é esse senso de disciplina. que eu acho que aprender, que seja música num esporte ou que seja atrás. Então você vê claramente o quão disciplinado são as pessoas bem sucedidas.
Esse podcast é um oferecimento da BMW.
Líder em mobilidade premium.
Esse é o podcast Lugar de Potência. Lições de carreira e liderança com o maior headhunter do Brasil. Afinal, tem 1,94m. Vambora? Hoje eu tenho o privilégio de receber um dos pioneiros do empreendedorismo digital. Ele é brasileiro, alguém que construiu uma empresa com 300 reais no quintal de casa e vendeu depois por mais de 300 milhões de dólares antes dos 35 anos. Ele é formado em engenharia pela Poly na USP e descobriu a paixão por computação aos 12 anos num PCXT e nunca mais parou. Aos 20 anos, enquanto ainda estava na faculdade, fundou o Buscapé. Em 2009, a Nasdaq já adquiriu 91% da empresa numa das maiores transações de startups da história brasileira na época. Agora, desde 2016, como investidor profissional de venture capital, ele construiu um track record invejável investindo em diversos unicórnios como Rappi, Creditas, Jim Pez, Holiste, Pismo. E hoje, como Managing Partner da Headline e Hedge de Venture Capital da XP, ele lidera o fundo com o maior número de cotistas do mundo nesse setor, mais de 12 mil pessoas, democratizando o acesso a uma classe de ativo que sempre foi restrita a poucos.
Agora o que o seu currículo não.
Conta é que ele já tinha um plano de negócio pra criar minhocas aos 10 anos, com divisão de equity já definida, era 70% pra ele, 30% por irmão. E o que o currículo dele também não conta é que mesmo depois de todo esse sucesso, ele é conhecido no mercado como um dos caras mais generosos e acessíveis do ecossistema e tem um senso de humor afiado que descontrai até reunião de conselho, Romero Rodrigues, que honra ter você aqui no Lugar de Potência.
Pazza, delícia estar aqui. Obrigado pela intro maravilhosa, você me fez lembrar aqui um monte de coisa gostosa que nem estava fresco na memória. Bom estar aqui.
Show de bola, cara.
Um grande fã.
E ó, vamos começar pelo começo, como eu sempre gosto. Aonde a Segunha te entregou? Você vem de uma família de inovadores do Vale do Silício?
Não, mas a Cegonha ajudou muito, ajudou muito. Eu venho de uma família de classe média, meu pai engenheiro, politécnico, obviamente me influenciou, sou politécnico também. Minha mãe, mãe de três filhos homens, meu pai teve uma carreira como executivo em empresas de engenharia, ele fez engenharia mecânica de produção, e num determinado momento, numa situação difícil, onde ele foi desligado, ele falou, olha, não vou mais depender de terceiros para poder prover para minha família, e aí ele começou a empreender. A gente nem usava tanto essa palavra, esse verbo lá atrás, mas ele começou, ele foi ficar sócio do sogro dele numa loja de material de construção, aquilo cresceu, depois virou uma boutique de decoração de interiores de banheiros, ele montou uma construtora, uma empreiteira e desde muito criança Eu sempre tive muito grudado no meu pai em todos os fins de semana, ia trabalhar com ele e eu fui bebendo muito dessa água, respirando desse ar. Quando ele saía, ele deixava as coisas para eu fazer, obviamente com bastante controle, mas eu cuidava ali, pelo menos achava que eu estava cuidando do negócio. Então, eu cresci muito com esse desejo de criar um negócio meu, antes de ter qualquer outra vontade até mesmo do que ser jogador de futebol ou piloto de Fórmula 1.
Quando você ia na loja com o seu pai ali, trabalhar com ele, o que você gostava de fazer? Você era o cara que organizava, atendia cliente, ficava contando dinheiro. O que você gostava de brincar já aprendendo na época?
Eu perdi meu avô, eu tinha um pouco menos de 10 anos, então isso eu devia ter, sei lá, 8 anos, talvez 7, por aí, talvez até um pouquinho menos, mas eu lembro que eu adorava atender cliente. Adorava atender cliente. Óbvio, era uma criança, então adorava ir lá pro estoque e ficar montando um monte de brinquedo com aquelas conexões todas. E eu sempre gostei muito de matemática, mas meu avô nunca deixou eu contar dinheiro ou fazer troco. Ele morria de medo que eu desse o troco errado. Então acho que, com exceção disso, eu ajudava muito a empacotar, atender clientes, enfim. E quando sobrava tempo, ia pra loja vizinha, que era loja de colchão, ficar pulando nos colchões.
E me conta essa história aí da agenda de 87, que você conseguiu resgatar ela aí na pandemia. O que tinha escrito lá, desse plano de negócio que a tua cabeça já funcionava?
Mas a tua capacidade de pesquisa é boa, viu? Tô surpreso. Você sabe que na pandemia...
A gente tá falando de agentes da CIA, do FBI, eu tenho os meus aqui pra pesquisar sobre o convidado.
Eu tô vendo. Eu vou te falar que no meio da pandemia, preso lá dentro de casa, em determinado momento eu falei, vou ter que arrumar toda essa bagunça que tava aqui, eu guardava as coisas em caixa. E aí eu abri uma das caixas lá antigas e tinha uma agenda, daquelas agendas que tinham diárias, né? E... E comecei a folhear, então, muito curioso, uma coisa curiosa que eu observei, isso era 87, agenda, 88, vamos dizer que a agenda era do ano anterior, que eu estava anotando, do mesmo ano, eu tinha uns 10 anos de idade. No cantinho inferior direito, eu tinha sempre uma continha. que era o meu dinheiro, que eu deixava com meu pai, e meu pai me pagava a mesma taxa do Overnight, e Overnight era coisa naquela época, que ele tinha no banco. Então assim, sem querer já tinha ali uma educação financeira disfarçada, mas uma das primeiras páginas tinha assim um... Eu nem sabia o que era plano de negócio, não estava escrito plano de negócio, mas estava escrito Juan, Romero e André, um dos meus irmãos, André e Bruno, e a ideia era tudo que a gente podia vender para minha avó. Minha avó morava em apartamento, a gente morava em casa, então ela precisava de minhoca para as plantinhas dela, eu tinha aprendido a fazer uma aula de artes, vela de sabonete, então a gente ia vender vela de sabonete e minhoca para minha avó. Mas eu acho que era a nossa barraquinha de limonada, óbvio, mas eu acho que foi uma semente importante pra ir despertando essa vontade de criar alguma coisa.
E nesse meio do caminho, poxa, você muito novo, vai mexendo no computador pela primeira vez na escola, o que aquele PCXT, com todas as restrições, tinha que te fisgou de um jeito que você falou, pô, eu quero isso pra minha vida?
Muito louco, né? E acho que aquele discurso do Jobs em Stanford, lá o commencement speech de 2005, ele fala uma coisa que é boba quando você escuta, mas quando você reflete, às vezes você não entende, mas quando você olha para trás os pontos estão todos ligados numa trajetória. E eu acho que um momento outlier, aquele momento que talvez, baseado no livro outlier que fez, Chegar na carreira que eu tô hoje foi realmente aquela aula de computação na oitava série. Eu estudei no Porto Seguro, o Porto Seguro tinha trazido um lote de computadores da Alemanha numa parceria, eu lembro até a marca, eram computadores da Zenit. E era um ano, era uma aula adicional, não tinha nota, não bombava nada. E o primeiro semestre foi trabalhar numa ferramenta da Microsoft que chamava Works, então aqui a gente tá falando DOS, não existia Windows, não existia nada disso, era aquela tela verde e eu achei aquilo assim, foi uma decepção enorme, porque eu tava imaginando um negócio muito legal, mas pra mim, eu olhei e falei, cara, era uma datilografia, a lição era, pô, pega esse texto e digita. E legal, você vai marcar em negrito, você vai marcar não sei o quê, mas uma máquina de escrever eletrônica, a IBM fazia isso na época. Falei, nossa, eu esperava mais. No segundo semestre, mudou para basic, programação. E aí aquilo me picou de um jeito, eu falava, cara, como é que pode? Não tem uma peça móvel aqui, mecânica, influenciando, e eu consigo colocar comandos e o computador obedece a esses comandos. E eu não tô vendo nada, como é que isso funciona? E aí essa curiosidade me levou andar com disquetes e livros de programação embaixo do braço durante todo o meu colegial, foi muito ruim para minha vida social no colegial, mas isso somado com a vontade de empreender resolvia um dilema que eu tinha que era muito legal empreender, mas precisa de muito capital E eu sempre achava que montar uma empresa era legal, mas como é que eu vou montar empresa? Precisa de capital, precisa alugar um ponto, precisa não sei o quê, precisa comprar estoque. E, de repente, naquele mesmo momento, ali, quando eu estava pelo primeiro, segundo colegial, o computador, o acesso foi na oitava série, então, logo depois, no colegial, eu lembro que saiu uma entrevista do Gates, na Páginas Amarelas da Veja, que a Microsoft tinha feito IPO e que valia bilhão, já lá atrás. Quando bilhão era, tipo, quase trilhão de hoje. E eu falei, é isso, porque se eu empreender com tecnologia, o que eu preciso de capital inicial? É o capital intelectual. E aí eu já direcionei, eu acho que eu tive muito essa sorte de poder, literalmente, no final do primeiro colegial, eu já sabia o que eu queria fazer, não de faculdade, eu queria saber o que eu queria de vida para eu poder pensar em qual faculdade ia me levar até lá. E aí eu comecei a estudar sobre administração, falei, pô, legal, mas eu acho que dá pra eu ler esses livros, aprender e tal. Software, eu era autodidata, tava programando bem numa série de linguagens já, fuçador. Hardware eu não tinha a menor noção, e era aquela curiosidade inclusive inicial lá de como é que o computador funciona, como é que aquela placa verde funciona. E eu decidi fazer engenharia elétrica, pra já depois escolher a ênfase de computação, pra eventualmente montar uma empresa de tecnologia, ou como a gente falava na época, uma empresa de informática.
Nessa dinâmica, algo que me chama atenção, não só da tua visão já de empreender, mas você já com o conceito na cabeça do Think Tank. de criar um grupo para se reunir, falar de negócio. Me conta mais, de onde veio essa ideia tão jovem de começar a puxar os caras para falar disso?
Eu nunca usei essa palavra na época, como a gente não usava uma série de outras palavras. Startup não tinha. Mas eu acho que veio muito do fato de que eu entrei na faculdade e eu não pensava em ser um engenheiro. Eu pensava assim, se eu não encontrar nenhum projeto, nada funcionar, eu vou trabalhar, pode ser numa empresaria, mas provavelmente eu imaginava que meu plano B ia ser parar numa consultoria, que eu achava legal, porque também está relacionado a negócios, a business, mas o plano A era totalmente empreender. E eu, já muito fuçador, com um dos meus amigos de faculdade, o Ronaldo, ele virou um dia pra mim, eu falei, pô, você sabe programar? E tava começando uma linguagem nova que chamava Delphi, que permitia você desenvolver em Windows aplicativos com banco de dados locais. Porque antes era Clipper em dose e tal, então era uma mudança de plataforma, de paradigma. Eu falei, não, cara, eu tô louco pra aprender Delphi e tal. Ele falou, cara, Eu achei um cara, lá perto de casa, que tem uma transportadora e nenhum software de mercado resolve o problema dele. Porque precisa fazer todos os cálculos, se é melhor mandar por qual rodoviário, qual aéreo, depende do peso, da cubagem, do volume e tal. Vamos vender pra ele um projeto? Falei, vamos. E aí eu comecei uma primeira empresa, chamava Foco Soft, com o Ronaldo. para obviamente fazer isso. A gente vendeu uns 5 softwares diferentes para uns 5 clientes, meu pai foi um dos clientes, fiz um software de fluxo de caixa para ele, mas a gente viu que a gente estava num nicho interessante porque era um monte de gente que tinha dores que nem um software... Resolvia, então, sei lá, tinha um distribuidor de material médico. O preço unitário de uma agulha é 0,0001 centavo. Nenhum software permite colocar um preço menor do que um centavo. Então era esse tipo de coisa. Mas a gente desbarrou num problema de escalabilidade. Então a gente falou, isso aqui é muito serviço, pouco produto, que eu não consigo repetir esse produto em nenhum lugar, e não tem escala. Nesse paralelo eu comecei a juntar outros amigos também para discutir, fazer um brainstorm se a gente poderia criar algum negócio e tivemos algumas ideias. Um dos meus amigos, o Renato, trouxe uma ideia de trazer dos Estados Unidos uma tecnologia que tinha para fazer a automação da casa via rede elétrica.
Como?
Você punha uma espécie de um Benjamin entre o que você queria ligar e desligar ou controlar a potência e a tomada. Esse Benjamin lia, não existia Wi-Fi, não existia nada, então esse Benjamin lia na senoide da rede elétrica, os sinais estavam modulados lá dentro, liga, desliga e tudo mais. Só que aí a gente descobriu que a senoide no Brasil é um lixo, ela não tem uma curva senoide. a energia no Brasil não vem limpa, então o sistema não funcionava. Então foram várias tentativas de acerto e erro, mas a gente tinha essa disciplina de reunir à noite, uma vez por semana, e um dia, numa necessidade de um outro amigo, que é o Rodrigo, que estava procurando uma impressora, ele falou, pô, você conhece? E a gente fazia, eu era funcionador, a gente fazia estágio num laboratório de pesquisa da USP, e lá a gente teve acesso à internet pela primeira vez, E aí a gente fuçava pra caramba, falei, não conheço nenhum site, nem no Brasil, nem fora e tal. Ele falou, pô, vamos achar um site que traz informação de produto e preço, vamos. A gente levou para aquele nosso think tank, eu chamei o Ronaldo que estava na foco comigo e isso foi meio que o embrião inicial do Buscapé.
Mas essa construção do Buscapé, eu sei que vocês passaram meses desenvolvendo aí e parece que no primeiro dia não funcionou tão bem, cara. Me conta um pouco mais como foi dessa frustração e depois continuar até colocar no ar.
Não só no primeiro dia, vários dias, mas... Eu vejo hoje que quem está empreendendo tem uma vantagem muito grande de ter muita coisa disponível, muita informação, muito livro, muita academia. Não tinha. A água que a gente bebia era uma água muito boa, mas era água do Kotler lá atrás, era água da década de 80, business na década de 80. Então, muito do que hoje se consome foi escrito justamente por essas empresas todas que surgiram. ali pós Netscape. E aí, por exemplo, para dar um exemplo bom do que a gente não sabia fazer e do que a gente errou, a nossa ideia original era pegar preço de loja de rua, não preço de loja online, porque não tinha loja online. Não existia. Tinha sim duas. Tinha já a BookNet vendendo livro, tinha a Amazon nos Estados Unidos, mas não era algo que você poderia ter volume para comparação. E aí a gente decidiu criar um software que tinha que ter 1.4 megas, ele tinha que caber num disquete, e a gente ia pegar esse disquete e ia colocar em bancas de jornal, porque naquela época tinha muita revista em bancas de jornal que vinha já com o disquetinho, então era uma forma de distribuir. o varejo ia instalar esse softwarezinho no computadorzinho deles, o software procurava automaticamente o sistema de gestão e conectava e puxava os preços do banco de dados, ou procurava a planilha Excel que tinha lista de preço. Quando dava meia-noite, o software conectava na BBS, que conectava na internet, e era meia-noite porque era pulso único, da meia-noite às seis porque era muito caro, e mandava todos esses preços para o nosso banco de dados. E a gente ficou, sei lá, talvez 8, 9 meses desenvolvendo esse software. É um software que eu acho que era razoavelmente complicado e robusto, acho que seria até hoje. Software pronto, funcionando, eu peguei uma caixinha de 10 disquetes, morava no paraíso ali, rua Tutóia, rodei todos os pequenos negócios do bairro, voltei com os 10 disquetes, ninguém quis nem ficar com o disquete. E todo mundo me chamou de louco, falou, cara, isso não faz nenhum sentido, a gente não dá preço nem pro telefone. O segredo todo é o cara entrar na loja e aí a gente convencer ele de que vai ser mais caro ele sair sem o produto do que sair com o produto. Bom, o Buscapé morreu por 3, 4 dias e aí veio a ideia de falar, vamos ver o que tem em loja online. A gente identificou algumas, umas 6, 7 lojas e falou, vamos pegar as lojas online e os preços delas como uma massa inicial de dados, só para tirar essa inércia. que é o que hoje a gente chama de fake one side, o termo bonito de marketplace. Mas lá era, pô, a gente precisa mostrar para o consumidor que tem algum preço. Aí as lojas de rua vêm. E aí duas coisas interessantes que eu sempre provoco. Aquele disquete, precisava ter alguma coisa nele? Eu teria comprovado a minha hipótese nove meses antes, com, sei lá, 50 mil linhas de código a menos, muito menos noites acordado, e teria comprovado que o cara não queria usar. Então, eu sempre provoco muitos founders de, pô, você quer testar uma hipótese, por que você tá escrevendo código? Hoje em dia, você consegue testar a hipótese de praticamente qualquer negócio, se você escrever uma linha de código. Inclusive, escrever linha de código tá muito mais fácil por causa do AI, a gente pode falar disso depois, mas em geral, Tinha ali uma oportunidade clara de fazer um teste de hipótese rápido e mudar de caminho. E a outra provocação é que a gente nunca teve loja de rua no Buscapé. Acabou que o comércio eletrônico explodiu e o Buscapé até o final da vida era praticamente só loja online. As lojas todas de rua que entraram no online. Então às vezes você mira numa coisa e acaba acertando em outra. E é muito comum até no que eu faço hoje. Eu acho que 9 de 10 negócios que a gente investe, a gente investe no modelo de negócio. E depois o negócio muda. Então, sei lá, investimos em WellHub de empés, era passe diário de academia, não exigia nem mensalidade, nem via RH de empresa. Quero ir na companhia atlética hoje, eu comprava o passezinho pra hoje, acabou. A Creditas chamava Banque Fácil, fazia comparação de preço de juros, não fazia Home Equity. Então, assim, o modelo de negócio vai mudar. Então você tem que tentar entender para onde está indo o mercado e se você está com o time certo.
E aí nessa construção, puxa, vocês encontram a tese de produto, identificam o mercado, a empresa começa a crescer e vem um novo componente. Rodada de investimento até chegar no dilema vender ou não. Conta um pouco desses aprendizados numa época que o mercado não era estruturado da forma como é hoje.
Zero estruturado. A gente teve bastante aprendizado e eu acho... obviamente a gente trabalhava muito, tem muita competência nisso, mas tem sorte também. Primeira rodada do Buscapé, a gente foi reativo, a gente não foi ativo. A gente acabou falando com todo mundo que procurou a gente. Primeiro porque a gente nunca imaginou que a gente teria acesso à capital. O que por um lado era bom, porque o nosso plano de negócio era muito robusto, então a gente achava que a empresa ia funcionar, não era verdade, a gente estava errado, precisava de capital, mas a gente achava que a empresa ia funcionar sem necessidade de capital externo, com 300 reais por mês que 100 reais de cada um dos sócios colocava. Então, quando chegou a onda de investimento, que foi ali no segundo semestre de 99, no mercado tinha muita gente saindo de banco e consultoria com planos de negócios super robustos e tinha alguns poucos, o Buscapé era um deles, que já tinham um produto no ar, rodando, pessoas usando, saindo na imprensa. E por causa disso, muita gente procurou, muita gente, a gente teve 8, 9 grupos diferentes que procuraram a gente querendo investir no Buscapé. E o que a gente fez foi estudar, entender todas as propostas e a gente acabou fechando com uma que era até curioso, mas como é relevante, era um amigo nosso que a gente foi pedir ajuda para ver qual das oito era a melhor. E ele num fim de semana falou, meu, quer saber, vou largar uma 15, quer saber, vou chamar meu amigo de Chicago que está no Chase fazendo deal de internet em Nova York e vou chamar um outro amigo que, pô, tem grana e nós vamos montar uma aceleradora, incubadora". Foi uma das primeiras incubadoras e aceleradoras do Brasil. E ele sabia as outras propostas, ele fez uma proposta melhor. Então, a gente deu sorte porque a gente fechou com o que eu acho que era o melhor grupo que a gente tinha ali. Mas a gente foi reativo e o mercado era super desestruturado, como você comentou, Baza, pra você ter ideia, a gente tinha ex-executivos de Telecom querendo investir, a gente tinha acelerador, a gente tinha fundo de investimento, a gente tinha um banco inglês que geralmente faz só pré-IPO querendo investir. Hoje, graças a Deus, o ecossistema é super bem definido, então você tem um investidor certo para cada etapa do negócio. Ali era confuso, eu acho que a gente acabou escolhendo muito bem. Esse time de investidores que entrou eram mais do que investidores, porque imagina, você quer vender que você é uma incubadora e você tem um ovo. Você não tem opção, você tem que fazer esse ovo chocar, fazer esse ovo dar certo. Então, foi colocada muita energia dos investidores no Buscapé, que eu acho que é uma escola que eu acabei aprendendo e trago hoje para a minha... para a minha forma de investir, que é como é que eu posso ajudar, como é que eu posso estar perto, não é sobre dinheiro. E deu muito certo, porque a gente fechou com eles em novembro de 99, quando foi fevereiro de 2000, acho que foi a primeira grande matéria do Buscapé, que foi uma capa de veja. E depois, em março de 2000, a gente já começou o Roadshow, e já conseguiu o term sheet. E foi um momento muito, muito importante porque a gente recebe o term sheet em março e em abril a bolha estoura. Item de benefícios vale para o seu time e para a sua empresa e é aceito em qualquer lugar. Aceita que vale mais e contrate já.
E aí nessa dinâmica, puxa, vocês passam por essa bolha e tem uma história bacana de como vocês usaram o capital ao longo desse tempo. E o ponto que movendo essa história pra frente é a hora que chega a proposta da Naspers. de conversa se tem entre os founders para conseguir chegar e colocar todo mundo na mesma página? Porque também, puxa, não era simplesmente entregar a chave, tinha que continuar lá as expectativas gerenciadas e o quanto que isso também te ensinou a forma como você lida agora com os founders que você faz muito negócio?
Eu acho que a palavra atrás de tudo isso é alinhamento de visão e de interesse. Eu acho que, por exemplo, entre os fundadores do Buscapé, a gente tinha uma visão muito, muito parecida. Então, o Rodrigo, o Ronaldo, o Mário, eu. E não era uma visão de, ah, vamos ganhar dinheiro, vamos vender a empresa. Era realmente uma agenda onde a empresa estava acima da agenda pessoal de qualquer um e a gente queria deixar um legado. Então, a provocação nossa era, nossa, nós vamos fazer um negócio que é assim, tipo, quem será que fez isso há 100 anos atrás e que existe até hoje? E esse inconformismo que a gente encontrou no fato do consumidor não conseguir acessar a informação sobre uma compra alimentava muito a gente. E quanto mais o varejo batia e processava, a gente tomou inúmeros processos, simplesmente porque a gente comparava preço, deixava a cultura mais forte, esse alinhamento mais forte que a gente estava na direção certa. Mas mais do que só entre os sócios, eu acho que toda vez que a gente trouxe sócios e investidores, a gente também conseguiu combinar muito bem esse alinhamento. Então, a gente sabia muito bem o que a E-Platform, que foi o primeiro investidor, queria, como ele ia ajudar, em que momento que eventualmente ele queria sair. A gente sabia quando o Maryland Unibanco, que foram os nossos investidores da Série A, queriam entrar, queriam sair. Teve um momento em que desalinhou, então eles falaram, olha, para a gente está bom até aqui, vamos vender. que foi em 2005. Eu e os fundadores falamos, poxa, legal, mas a gente não quer vender, a gente está no começo dessa história. E aí a gente conseguiu encontrar uma zona de conforto que era, então vamos buscar alguém que compre a participação de vocês. A gente fez um Series B que foi só a secundária, foi limpar o cap table, tirar Maryland, Unibanco e acabou comprando também a E-Platform. E ficaram os fundadores e esse novo sócio. E a gente compactou num outro plano. Então o plano anterior era cresce, seja super lucrativo. O plano novo era vamos crescer ainda mais rápido. E a gente não vai trazer mais capital, mas a gente pode usar o caixa que a gente gera, a operação do Buscapé era muito, muito saudável, 40, 45% de EBITDA, dobrando, triplicando ano sobre ano. Vamos usar esse excedente de caixa e vamos começar a fazer aquisições ou lançar projetos que estão no entorno da nossa estratégia. E a gente pactou isso super bem. Quatro anos depois, em 2009, a Naspers, que há prós os hoje, né, Fujo, LX, se aproxima da gente e faz uma proposta realmente muito forte, muito generosa, inclusive colocando em perspectiva que de 2000 a 2009 foi um inverno nuclear, a gente não viu nada acontecer no digital brasileiro. Então, E mais do que só o tamanho da transação, o que a Prozius trazia, que era muito legal, eram duas coisas. A primeira era todas as operações, todos os investimentos dele, a empresa seguia independente, seguia com o seu time, seu time de tecnologia. Então, não é que um player incumbente, tech do vale, comprou a gente e agora eu estou desmontando a engenharia e vai responder para Mountain View, ou vai responder para São Francisco, vai responder para São José, não. Buscar PSGuia, então muito parecido com o setup que a gente tinha antes, a diferença é que a gente tinha passado o controle, a Naspers ficou com 91%, os founders ficaram com o resto. E a segunda coisa era o fato deles operarem, a Naspers chegou a operar 90 empresas em 70 países, então tinha muita troca de conhecimento, muita aceleração de curva de aprendizado, só de eu sentar com, por exemplo, o Allegro, que é o mercado livre da Europa e poder trocar as melhores práticas ou, enfim, discutir, botar times técnicos juntos para resolver problemas técnicos complicados. Então, esse ecossistema era um ecossistema muito, muito poderoso. Então, pra gente fez muito sentido e a gente não precisava vender 100%. Vendeu controle, mas não vendia 100%. E eu te falo que foi maravilhoso de novo, até o momento que obviamente também... desalinhou, foi quando trocou o CEO global da Naspres e o novo CEO falou, olha, tem uma estratégia diferente, nessa estratégia diferente o Buscapé ia ser fatiado em 5, 6 companhias, companhias que a gente tinha acabado de adquirir, a gente ia ter que se desfazer, então a gente tinha 51% da Vitex, tivemos que vender basicamente pelo preço que pagamos, A gente tinha 30% de Hotmart também, vendemos a preço do que pagamos, são todas empresas de bilhões de dólares hoje. Entre outras coisas, eu falei, olha, eu não acredito nessa visão e eu acho que você vai tirar força, talvez você vai matar o busco a pé. E do outro lado, obviamente, ele falou, olha, eu entendo, mas de novo, eu tenho 90 empresas em 70 países, talvez caia aí alguns pratinhos, se abrir uma exceção para uma, você está longe de ser a maior, está bem longe de ser a maior, mesmo lá atrás, então vai ser isso. Eu falei, tá bom, mas então a gente vai ter que repactuar, só que dessa vez eu acho que o repactuado é eu que vou ter que sair, afinal, Percebo agora, depois de 4 anos, eu finalmente percebo que eu vendi a empresa, porque durante 4 anos eu não tinha nem percebido, a relação estava tão alinhada que eu nem percebi que eu tinha vendido a empresa. Aí eu finalmente, depois de 4 anos, percebi que eu tinha vendido a empresa, eu lembro que até dessa viagem eu voltei pra casa, foi um head com os top 10 executivos da Naspers em Cape Town, foi na verdade Stellenbosch a Naspers, Hoje a prósos é Amsterdã, mas a Naspers ficava em Cape Town. E eu lembro que eu voltei assim, cheguei em casa com o olho molhado, tipo, mal. Amor, estão matando a minha empresa. E aí, na época, minha mulher falou, olha, deixa eu te contar, faz quatro anos, já tá na hora de você entender, não é mais fim três, amor, você vendeu.
E aí depois desse choque, tem o segundo choque, a hora que você sai. E você de repente se vê sem nada na agenda, o que eu vou fazer, sou jovem, tenho energia. Cara, me conta dessas fichas que foram caindo que talvez quem tá de longe vá, pô, o cara tá com a vida resolvida e vem o peso, na verdade, do que vem pela frente.
Bazar. Queria já te conhecer bem, porque eu teria pedido uma mentoria para você do que fazer naquela época. Mas eu já sabia que eu ia sair e eu comuniquei a ProOzos. A gente fez um plano de um ano, porque a imagem do Buscário era muito ligada à minha imagem, à cultura interna. Então, a gente ia fazer uma coisa suave. E, nesse um ano, eu pude experimentar muita coisa. Mas eu acabei, muita coisa profissional, mas eu acabei não aproveitando tanto um sabático ou qualquer coisa assim. E foi um conselho que eu tive de um mentor meu, um americano chamado Matt Coffin, ele foi fundador de um site que chama Lower My Bills, foi uma das maiores aquisições no primeiro ciclo digital americano, era um site que comparava mortgage, enfim. E ele falou, Romero, eu estava toda semana na Oprah, Eu tava toda semana no Daily Night Show de sei lá quem. Puts, eu ligava, todo mundo atendia no primeiro toque. Eu vendi o Lure My Bills. Foi um sucesso, eu tirei dois anos de sabático. E eu voltei depois de dois anos. E os telefones não são atendidos na velocidade que eram. A Oprah não me chamou mais. E, em retrospectiva, eu acho que eu devia ter construído a ponte antes para a minha próxima etapa, para a minha próxima vida, e depois eu poderia trabalhar isso. E ele falou, então, acho que você tem que fazer uma reflexão só, o que você vai fazer nesse momento, porque eu não sei o que é o certo, o que é o errado, você tem, obviamente, riscos, em ambos os caminhos, mas se eu voltasse no tempo, eu teria construído uma ponte. Está super bem, mas eu teria feito isso. E eu acabei seguindo muito esse conselho dele, então eu peguei esse ano, que do ponto de vista pessoal, foi um ano até entre relacionamentos, eu estava solteiro, eu tinha quatro reports globais, eu tinha o meu ex-CEO, que virou CEO do Brasil, que ficava entre Rio e São Paulo, então tinha motivo para estar um quarto do ano no Rio, Meu outro reporte era em Praga, eu tinha motivo para estar no Leste Europeu um quarto do ano, meu outro reporte era em Milão e meu outro reporte era em Cape Town. Se eu listar as dez cidades que eu mais gosto do mundo, essas quatro estão lá, mas eu decidi na verdade explorar diferentes frentes, eu fui fazer bastante conselho de empresa, tanto Brasil quanto fora, tanto privada quanto listada, percebi que não era o que eu queria, flertei muito com empreender de novo, mas eu falei, putz, ser de tanta energia, e mesmo que eu consiga colocar toda a energia que eu já consegui, mesmo que o resultado final seja tão legal quanto o do Buscapé, nunca vai superar o Buscapé. Porque foi tão romântico, foi tão... Talvez o único motivo de fazer isso é porque, sem dúvida nenhuma, empreender de novo é o que me daria mais retorno financeiro. Mas retorno financeiro nunca foi um norte para tomar decisão no Buscapé. Vai ser agora que finalmente eu tenho algum retorno financeiro, não faz nenhum sentido. E nisso eu comecei a me apaixonar pelos vários investimentos anjos que eu tinha feito. Desde sempre, mas eu comecei a fazer mais assiduamente depois da aquisição do Buscapé pela Prosos, porque quando o Buscapé foi adquirido pela Prosos, o que a gente não percebeu é que tinha um monte de empreendedor com a mesma dor. Sabe aquela coisa de veterano comparando cicatriz? Ah, isso foi o que? Ah, isso foi uma faca, não sei o que lá e tal. Ah, isso aqui foi um tiro de 12. Então ele olhava todas as cicatrizes que a gente tinha, de tudo que a gente apanhou operando busca pé e falavam, cara, esse cara tomou tiro que nem eu tô tomando e sobreviveu, eu quero falar com ele. E essa ligação da dor, eu tenho uma dor muito parecida com a dor que você teve, acabou colocando uma série de startups interessantes nesse meu portfólio de investidor anjo. E aí eu falei, pô, eu acho que isso é legal, acho que isso é realmente fazer uma coisa diferente. Se eu estou tendo a chance de ter uma segunda vida, eu quero um sabor diferente pra essa segunda vida profissional. E aí eu fui pra Venture Capital.
E nessa tua experiência em Venture Capital, hoje o teu dia a dia é falar com muitas pessoas e eu adoro que você sempre diz que você investe em pessoas, não em ideias. Mas quando você senta com um founder hoje pela primeira vez, o que exatamente você está tentando descobrir sobre essa pessoa nos primeiros 15 minutos?
Se eu fosse resumir de uma forma muito simplista, eu acho que eu estou tentando descobrir o quanto ele está inconformado. com o mundo, o quanto aquela dor, aquele inconformismo dele vai se transformar em potência, para usar aqui o paralelo do nosso podcast, em potência para mudar o mundo e deixar um legado, deixar uma marca, deixar um dente, como o Gringo gosta de falar. Então no fundo é isso, é o quanto ele é inconformado e o quanto aquele problema e não a solução que ele criou mas o problema que ele tá enxergando é um problema que na visão dele não deveria existir no mundo que ele vai resolver então acho que esse é o principal porque isso isso captura o quanto de ambição ele tem isso captura o quanto de resiliência ele tem Isso não necessariamente captura, mas que é um ponto muito importante, o quanto ele é coachable, o quanto ele vai escutar e absorver, que eu diria que é a segunda, não acho que está capturando, mas é importantíssimo. Isso captura a capacidade dele, que na biografia do Jobs, se fala muito do campo de distorção da realidade que o Jobs criava, todo empreendedor faz isso. você não consegue criar uma empresa do zero e convencer um sócio, convencer o primeiro cliente, o primeiro fornecedor, o primeiro investidor, se você não distorcer a realidade em volta das pessoas, fazerem ela acreditar que o mundo pode ser diferente. Então, essa capacidade de distorcer a realidade que está dentro desse inconformismo, Jobs era um dos maiores inconformados nesse sentido, ela te transforma num líder nato no sentido de as pessoas acreditarem e seguirem o que você fala, que pode inclusive ser usado bem ou mal, mas sem dúvida nenhuma, e aí você tem culturas às vezes um pouco mais tóxicas, menos tóxicas empresas, mas você vê mesmo em culturas tóxicas como foi o Jobs numa parte da época da Apple, como eu fui no Buscapé, Poderia ter sido muito menos tóxico no começo do Buscapé do que eu fui, mas mesmo assim você vê uma liderança forte com um monte de gente seguindo. Então é um pouco isso, o quanto ele está inconformado, que quebrando isso a gente está falando de o quanto ele vai ser um bom líder, o quanto ele vai ter paixão e visão por essa missão, o quanto ele vai ser resiliente e o quanto ele escuta e absorve as variáveis que estão em volta, o quanto ele busca outras perspectivas para a verdade, não acredita só na verdade dele.
E você falando desses investimentos, uma coisa que eu noto no histórico da maior parte dos investimentos que você fez, você é um cara que investe muito mais em inovação no modelo de negócio do que Deep Tech. Isso é escolha ou consequência do tipo de startup que nasce no Brasil?
Infelizmente é consequência, porque eu sou apaixonado por Deep Tech. Nós operamos com parceria, com partnership, com dois fundos renomados de fora, que é a Redpoint, que é o primeiro quartil desde sempre, primeiro investidor em empresas como Netflix. Snowflake e várias outras e a Headline que tem operação inclusive também na Europa e na Ásia que esse ano a gente foi ranqueado entre os 10 melhores fundos de venture capital dos Estados Unidos numa lista de 400 pela revista Time. Mas eu vejo no deal flow deles um monte de startup de computação quântica. Tem no Brasil. Eu vejo no deal flow deles uma série de startups resolvendo problemas super avançados de aeroespacial, ou problemas de defesa, ou mesmo em LLMs, em inteligência artificial, você vê modelos fundacionais, que literalmente são PhDs que saíram da academia com muitos papers montando. No Brasil é mais difícil disso acontecer. Por quê? Porque para isso acontecer, Israel é um bom exemplo de onde isso acontece. Israel é um país muito pequeno e tudo que é feito em Israel tem que ser pensado para o mundo. E mais do que isso, você tem uma hélice tripla de governo. mercado e academia, onde já está muito bem combinado quem vai fazer o quê e quanto cada um vai ficar dessa história. Então não existe uma discussão se uma patente foi inventada numa universidade federal, se aquilo pode ser explorado comercialmente ou não e quantos anos vai levar para se chegar a uma conclusão. já está pré-definidas as regras, então a inovação da academia chega para o mercado muito mais rápido e o governo incentiva o mercado a investir nisso. Nos Estados Unidos, no Brasil antes, a gente tem menos disso porque a gente não consegue ter essa cooperação, apesar de ter muita produção acadêmica de qualidade, isso não consegue chegar no mercado. Porém, o Brasil é um país gigantesco com muito problema, muita ineficiência, muita dor. E, às vezes, uma dor que é leve na Dinamarca, no Brasil ela é grande. Então, o Brasil acaba se mostrando um celeiro muito bom para você ter inovação de modelo de negócio, onde você pega tecnologias de prateleira e vai resolver uma dor que existe. Então, se a gente pensar, boa parte das grandes empresas digitais que a gente consome hoje no Brasil fizeram isso. Não existe um chip de computação quântica que ninguém nunca tinha inventado dentro do Nubank ou dentro da WellHub ou dentro da Creditas. Existe estado da arte de tecnologia do que existe disponível de prateleira. Óbvio, tem algumas coisinhas que cada um faz melhor, empacotadas no modelo de negócio transformador. Mas o Brasil não tem Deep Tech? Tem. O melhor resultado meu como investidor de Venture Capital é uma Deep Tech, apismo. Então imagina uma empresa brasileira fazendo processamento de pagamento, fazendo a ledger de pagamento do banco e das empresas de cartão de crédito na nuvem. Se essa empresa sai do ar, o banco não sabe mais quanto você tem na conta. A Visa não consegue mandar fatura para a tua casa. Você vai falar assim, nenhum banco vai trocar o sistema que ele tem, que normalmente era de uma empresa americana, para uma empresa brasileira e colocar na nuvem. No entanto, o Citibank assinou um contrato para colocar Pismo em 78 países do mundo. No entanto, o Itaú migrou boa parte da base para Pismo. Resultado, avisou, olhou e falou, preciso disso. 1 bilhão de dólares em cash, que para a gente foi até hoje o melhor retorno. O fundo nosso, a Real Estate, tinha 22% da Pismo, esse fundo recebeu 220, mas a Headline ainda tinha mais 10% pelos fundos internacionais.
Se nenhum outro investimento der resultado, esse já se pagou.
O fundo era de 100, então esse já pagou duas vezes o fundo. Então, realmente, é Power Law, o que a gente faz é Power Law. Você precisa encontrar um, dois investimentos que pagam o fundo todo e pagam com sobra. Mas voltando, tem exemplos de Deep Tech, mas é difícil, infelizmente, ver quantidade. Os poucos que tem, tem muita qualidade. Os Estados Unidos já combinam os dois. Porque nos Estados Unidos você tem a parte acadêmica e mercado muito bem resolvida, Poxa, o Google é propriedade, inicialmente, propriedade intelectual de Stanford. Não existiu uma grande negociação ou discussão. Já é pré-combinado quanto Stanford tem de royalties na tecnologia que é criada lá e no IPO do Google, a Stanford fez centenas de milhões, se não bilhões, não sei quando eles venderam, que voltou para o Endowment para eles fazerem funding de mais pesquisas. No Brasil, o Larry e o Serguei estariam trabalhando na Universidade Federal até hoje e o Google não teria existido. Então, são coisas mais profundas, mas que seriam muito importantes da gente começar a pensar no Brasil visando os próximos 10, 20 anos.
Você se envolve com as histórias, experiências e aprendizados que eu compartilho aqui em cada episódio? Então pense no efeito transformador dessas lições aplicadas na sua equipe. Conheça mais sobre a minha palestra Lugar de Potência acessando o link na descrição do episódio. Não só inspire, mas revolucione o potencial do seu time. Romero, como é que tá a tua empolgação hoje em relação à inteligência artificial? Seja como eventual bolha ou como impacto na sociedade? O que vem te tirando sono?
Olha, eu nos últimos 12 anos 14 para cá, estamos em 26. Nos últimos 12 anos que eu não estou operando, eu não passei nenhuma grande vontade de voltar a operar. Mas eu não vou mentir que nesse momento eu morro de vontade de voltar a operar. Eu acho que a forma simples, para quem não está muito nos detalhes de inteligência artificial, imagina que pós Netscape, então ali no final da década de 90, nos anos 2000, a gente usou a conectividade, as pessoas conectadas entre si, que foi a internet, para desafiar todos os modelos de negócios que existiam. Da mídia à produção de aço, do varejo à saúde, da logística ao financeiro. E todas as grandes empresas que a gente tem hoje, praticamente sem exceção do S&P, vem dessa época. Então é o Google desintermediando a informação, é o Mercado Livre desintermediando o varejo, quem for, é a XP desintermediando o banco e assim por diante. E nesses 25 anos esses novos impérios foram criados. Muita coisa foi feita em startups e ficaram grandes, médias e tal, mas os grandes incumbentes tech hoje são esses lá de trás. Não foram criados em 2000, com exceção da meta, mas não foram criados em 2009 e 10 pra frente. A gente tá naquele momento que você acha que o jogo já foi definido, tá no tabuleiro de War, passa alguém e enxuta a mesa. As pecinhas mexem todas e eu falo, pô Baza, você tava ganhando. Mas mexeu tudo, vamos começar de novo. A gente está no momento de começar de novo, é um big reset. Todos os negócios, de novo, os que sobreviveram aos últimos 25 anos na investida das techs e as próprias techs estão sob questionamento de novo. Porque o que o AI traz é muito parecido com o que a internet trouxe. Nenhuma outra tecnologia que apareceu no meio chegou perto de fazer isso, de conseguir questionar de novo todos os modelos de negócio, inclusive os mais recentes. Então é muito sexy. Óbvio, tem AI washing? Caraca, tipo, de 100 pitches que eu olho, o 100 tem a palavra AI. Quantos tem AI de verdade? 3 dos 100. Quantos estão em uma posição boa para tirar proveito de AI? Mais 7. Os outros 90... Desculpa vocês, bullshit. Besteira. Então, está super interessante. Acho que tem ângulos onde o Brasil pode ter projetos muito bons. Obviamente, tem ângulos, tem espaços dentro de AI que vai ficar para o mercado americano e chinês. porque eles estão trabalhando há 50 anos em fazer a academia, a ciência, o mercado, o governo trabalharem juntos, mas é muito, muito interessante porque o investimento que você fez há 3, 4 anos atrás para a EI já está sobre júdice, já está sobre questionamento num período de tempo muito, muito rápido.
Cara, deixa eu puxar outro prisma aqui. Puxa, você olha 3.500 startups por ano, senta em conselho, viaja, tem família e quando a gente marca alguma coisa, você não fala e é sempre pontual. Como é que você estrutura a tua agenda, cara?
Eu não posso nem falar que eu não falo, porque eu não falo com você, aí meus amigos vão assistir e vão falar que você é o filho da mãe, que o Baza você vai e a gente te chama e você não vai. Olha, Baza, é uma zona minha agenda, assim, quer dizer, é uma zona. Eu tenho muito processo, então eu começo o ano, tô nesse mês agora de dezembro, eu já fecho todas as reuniões de conselho que eu tenho pro ano que vem. Eu uso uma heurística muito boa pra definir quando vai ter reunião. Enfim, eu acho que eu encaro que o tempo é realmente o ativo mais importante que eu tenho. É o ativo que os empreendedores mais querem, porque eu estou num negócio muito específico, é muita alfaiataria, não é mega escalável, não tem como levantar um fundo de 5 bi de dólar, não funciona, o fundo tem que ser pequeno. E pior, eu sou a única classe de ativos no mercado financeiro que o ativo escolhe o gestor. Se eu fosse um gestor de fundo de ação, eu escolho comprar Petrobras, a Petrobras não pode fazer nada a respeito. Eu vou e compro. Eu quero vender? Eu vendo. Aqui não. Se a gente for uma máquina do tempo e voltar. para 2 mil e saber o café onde o Serguei e o Larry tomavam café e a gente aparecer lá e querer investir no Google, a gente não vai conseguir. Não é que talvez a gente não vai conseguir. A gente é muito mais cheque do que espaço. Então, olha que loucura. 4 mil empresas que a gente está no nosso mapeamento. A gente faz 5 investimentos por ano. Tá dando quase já 800 para 1. Mas é uma falsa sensação de seleção. Esses caras, eu encontrei esses 5 ou 6, mas esses caras que me escolheram tinham mais de uma opção de cheque. Tempo é super importante. E aí, como que eu faço? Cai alguns pratinhos, mas eu tento gerenciar muito bem as reuniões que eu tenho recorrentes e eu tento, obviamente, reservar muito tempo para poder ter um pouco de ócio criativo. Eu acho que o maior dilema que eu tenho no que eu faço é que eu preciso de muito tempo para estudar o que está acontecendo. Então, eu faço uma reunião de uma hora com o founder 100% dos papos que eu faço com founders, eu tô falando com alguém que sabe mais daquele assunto do que eu, que na grande maioria das vezes é mais inteligente do que eu, e eu saio ali, uma hora de papo vai me gerar 4, 5 horas de estudo depois pra entender o que ele tá fazendo de verdade. Então eu preciso de tempo livre de qualidade pra poder estudar, E eu preciso de tempo para a família, para ter um pouco de ócio criativo, amigos, para os nossos almoços. Então, eu tento equilibrar esses três blocos. O quanto de tempo eu estou intenso e coletando informação e fazendo conexão. Quanto de tempo eu tô reservando pra poder estudar, entender o que tá acontecendo no mundo e pra onde o mundo vai em 10 anos. E aí a graça de tudo isso pra não ficar louco é família e amigos.
E cara, eu vejo, puta, hoje você tem acesso a CEO, founders, investidores no mundo todo. E cara, eu sei que quando você liga eles atendem. O que você faz diferente que transforma essa conexão em confiança? Porque eu vejo muita gente com resultado que também poderia ter esse acesso, mas não tem o acesso que você tem, você constrói algo diferente.
Eu acho que dependendo do público que eu tô falando, eu tenho uma posição de vantagem que não é mérito meu, é só consequência, que é o fato de eu ter operado antes. Então quando eu converso com founders, existe uma empatia, um reconhecimento de falar, putz, esse cara talvez entenda melhor o que eu tô passando, e de fato é verdade, porque quando a gente tá tentando ajudar uma companhia, é muito comum o investidor tá querendo ajudar a companhia, lógico, ele vai ajudar como? Pô, trazendo ideias de negócio, trazendo soluções mais lógicas e racionais, eu talvez tenha um ponto de fala onde eu posso também endereçar as questões mais emocionais, porque eu passei pelo que ele está passando. Eu sei como é difícil falar não para esse term sheet, eu sei como vai ser difícil negociar aquela cláusula e isso acho que acaba criando uma relação um pouco mais profunda. Então, pelo menos com empreendedores, eu acho que essa relação fica mais profunda por esse conhecimento e pelo cuidado em pensar não só no negócio, Mas muito nas pessoas. Então assim, se eu escolhi aquele business pensando nas pessoas, eu tenho que depois cuidar das pessoas mais do que só do business, do ativo do business. Então existe uma preocupação natural da minha prática, da nossa prática na Endline, de falar, pô, será que o founder tá bem? Pô, no seu que outro dia ligou um founder, pô, e aí Filipão, como é que você tá? Tô mais ou menos sentindo a tua voz. quer tomar uma, quer conversar. Então existe meio que no job description um pouco de psicologia, de estar ali, de estar ajudando na parte emocional também. Que o conselho de psicologia não escute e não venha me causar problemas, mas... Então acho que essas relações ficam mais profundas. Isso depois acaba se revertendo no maior ativo que um investidor pode ter, que é a reputação, que é esse track record, que é... que é os founders, eu falo, poxa, se você quiser saber como é trabalhar com a gente, vou te contar tudo, óbvio. Mas, cara, vai conversar com founders que eu investi. Qualquer um, inclusive os que deram errado, para você entender como é que foi um momento difícil. Então, acho que isso é uma... É uma arvorezinha de tâmara, demora pra dar fruto, mas que você vai plantando ao longo de 25 anos, ela começa a dar um pouquinho de resultado.
E com base em tudo isso que a gente tá conversando aqui desse novo mundo, qual habilidade ou quais habilidades você tem ficado mais obcecado em desenvolver nos filhos?
Eu tava... Estava vendo sobre a brasileira que é sócia do Kelshi, que se tornou a bilionária mais jovem do mundo e eu estava discutindo isso muito em casa. Eu tenho uma menina de sete, um menino de um ano e meio e eu acho que Tem algumas coisas que eu quero desenvolver, se eu conseguir, nos meus filhos. Acho que uma é esse senso de disciplina, que eu acho que aprender, seja música, um esporte ou o que seja, traz. Então você vê claramente o quão disciplinado são as pessoas bem-sucedidas. Então você vê, não é que ela só, no caso dessa menina, não é só que ela é MIT, não, ela foi Bolshoi, então assim, ela se dedicou com muita disciplina para as paixões dela. Segundo é estimular e desenvolver as paixões deles. Eu não estaria aqui conversando com você com certeza absoluta se eu tivesse ido fazer alguma coisa que não era a minha paixão. Porque não tem como você trabalhar. Eu trabalhei, eu passei dois ou três réveillons programando o Busco a Pé. Eu tô falando da virada do 31 Pro. Eu não tava sozinho, eu tava com todos os meus co-founders. Isso não é racional. Então, se precisa ser alguma coisa, você seja apaixonado. Então, acho que estimular essas paixões é a segunda. E talvez a terceira, que é uma característica também de muito sucesso que eu vejo, e eu sempre estimulo eles, sempre quando eu pego a Lelê na escola, eu sempre tento estimular, que não é o que você aprendeu hoje, eles dificilmente respondem, mas é o que você perguntou, o que você tinha de dúvida que você resolveu hoje. E eu vejo as pessoas que sabem perguntar, Isso acho que é importante na minha profissão, importante na tua, mas as pessoas que sabem perguntar e que sabem absorver esse conhecimento, em geral tem uma colação muito grande com o sucesso. Voltando para a parte do coachable, o que todos os founders de sucesso que eu interagi têm em comum, era escutar e anotar. Eu fazia cafés da manhã mensais com o time da Dimpéza, o Joel Hub, e o César levava, ele fazia um bloco de folha de sulfite que ele dobrava e põe numa espécie de capa, um caderno meio indiano, não sei o que e tal, e eu lembro, ele anotava, anotava, anotava, anotava, eu falava, falava, falava, ele anotava, na hora que eu parava de falar, ele olhava pra mim e fazia outra pergunta já, e anotava. Fazia outra pergunta e anotava. Algumas vezes até brincava, fazia uma resposta super estúpida pra ver o que ele falava. Ele olhava pra mim e anotava. Então, eu acho que são habilidades que parecem bobas, mas elas criam um pouco de compounding effect, sabe? E tentar... É uma forma, talvez, de levar pros nossos filhos o que que é a ideia desse crescimento exponencial. A gente, infelizmente, ainda pensa muito linear.
Os seus filhos estão crescendo numa geração de todo mundo ganha troféu só por participar. Como é que você ensina seus filhos a diferença entre esforço e resultado, claro, sem destruir a autoestima também?
Eu não sei, eu acho que vem um pouco dessa parte de disciplina na paixão e criar uma competição saudável, sabe? Quando eles são jovens. Eu sou um grande, grande fã de meritocracia e eu E eu odiaria ver eles, sem querer, pelo menos em algum aspecto da vida, disputar pra ser o melhor naquilo. Eu, pessoalmente, não sou uma pessoa extremamente competitiva. Eu tenho amigos que são competitivos em tudo. Vai jogar tranca em casal, o casal briga porque perdeu três vezes. Eu dou risada se eu perdi, se eu ganhei. Vou jogar pôquer com os meus amigos. Se os vinhos são mais caros que o cacife, eu prefiro perder e tomar bastante vinho e me divertir e assim por diante. Mas tem algumas poucas áreas da minha vida onde eu quero ser o melhor e eu vou ser o melhor. Então eu acho que eu ficaria muito frustrado se não tivesse alguma área na vida deles onde eles queiram e lutem para ser o melhor.
Adorei, adorei, adorei. E Romero, chegamos agora no momento Headhunter. Qual que é a pergunta que você sempre faz nas entrevistas para contratar alguém para o seu time?
Eu acho que eu não tenho um script, talvez eu devesse até ter, eu não tenho um script, eu gosto muito de sentir o flow e em cima do flow eu vou tentando criar uma relação, uma conexão, uma intimidade para poder tirar as informações que eu acho que são cruciais, que eu preciso para preencher aquele para preencher aquela posição. Então, assim, eu não diria que tem nada no repertório que seja fora da curva, infelizmente, para a sessão podcast. E eu acho, e até na minha história de Busca Petinha, todas as perguntas clássicas, do tipo, onde você se vê isso e aquilo, se acontece isso, nessa situação o que você faria, mas... Mas os resultados bons que eu tive de contratações foram, por incrível que pareça, quando eu consegui passar, às vezes, boa parte da entrevista, se não mais, vendendo o meu sonho, aí eu tô falando muito na minha vida executiva hoje como investidor, ao contrário, eu escuto mais, mas vendendo muito o meu sonho, porque que ele tinha que estar ali participado daquilo, E uma vez que criava essa ligação, a pessoa está muito mais aberta para poder te passar as informações que você precisa para fazer o assessment. Talvez uma das minhas contratações mais interessantes foi um VP reportando direto para mim, o Buscapé já grande, tinha já oito VPs, que eu estava tirando da posição de C-Level de um banco de fora, que estava no Brasil, tinha uma operação no Brasil, mas um banco europeu, E aí eu vendi pra ele o sonho todo, eu já sabia que era o cara, era o único cara que tinha feito o que a gente precisava fazer no Brasil. Tinha algumas dúvidas, tirei e tal, mas basicamente no final do nosso almoço de quatro horas, eu falei pra ele qual era o pacote de options e como ele ia ser sócio e tudo mais, e ele deu fechado. Eu fui pro escritório, o cara dizia, aí, deu certo? Eu falei, cara, eu acho que deu. Mas eu acho que ele vai me ligar. Por quê? Falei, acho que ele vai me ligar. Passou duas horas, ele me ligou. Falou, Romero, puta, eu tava tão animado. Eu não perguntei o compensation de curto e médio prazo, eu só sei os options. Você pode me dar uma sinalização do que vai ser salário e bônus? Yes!
Adorei. E que tipo de pessoa não dá certo trabalhando com você?
Ah, eu acho que teimosia, teimosia, putz, teimosia. Eu acho que, eu lembro, o time do Buscapel tentava muito provocar, eu chamava de cultura do fracasso, que era o seguinte, a gente tá fracassando muito pouco. Então, eu vinha e fazia provocações, às vezes, esdrúxulas, falava, cara, quero o botão, nosso principal asset na página era o botão ir à loja, que é onde a gente faturava. Cara, põe o botão piscando. Você tá louco? Você tá falando, põe piscando. Você tá errado. Prova que eu tô errado. Dá pra provar, tem número. Põe 1% das vezes e me diz que eu tô errado. E às vezes, quando eu vejo, principalmente hoje em founders, é pior, porque lá ainda eu tinha algum poder. Hoje, no meu dia a dia, já tá escolhido. Então, se eu descubro que o founder é teimoso depois, a única coisa que eu posso fazer é diminuir o investimento do meu maior ativo, que é tempo, mas o dinheiro já foi. E às vezes você fala, e você fala, e você repete. E no que eu faço hoje, eu não posso ser prescritivo. Primeiro porque seria de uma arrogância tremenda. Segundo porque eu estaria errado a maior parte das vezes. Não é porque algo deu certo 25 anos atrás em comércio eletrônico que vai dar certo hoje. Então precisa de muita honestidade intelectual no que eu faço. E você precisa saber ser provocativo sem ser prescritivo. Porque se eu sou prescritivo com um founder, Mesmo que ele tope a minha ideia, não vai ser o plano dele, é o plano do Romero. E aí é outra energia de execução. O que eu preciso é conseguir fazer o inception da ideia na cabeça dele, pra ele juntar não só a minha ideia, mas ele perguntar pra todo mundo, anotar no caderninho dele tudo e ele criar o plano dele. Na hora que ele tá executando o plano dele, ninguém vai segurar. E aí quando você esbarra num founder onde ele é teimoso, ferrou. É o melhor computador do mundo, mas não tem I.O., não tem input e output, não tem teclado, não tem voz, não tem mouse, você não vai conseguir conversar com ele. E acho que isso é uma das coisas que mais me frustram. Se você falasse assim, você como investidor, o que te deixa frustrado? É isso.
E quando as pessoas não gostam de você, normalmente qual é o motivo?
Bom, eu acho que tem diferentes motivos e em diferentes situações. Eu acho que às vezes eu sou muito falante, muito brincalhão, eu falo alto e barulhento, então acho que com os amigos e social é muito comum isso. O time que trabalha comigo odeia que eu adoro mandar muito áudio, escrevo pouco, e eles mandam texto pra mim, o que pra mim é mais fácil, então eu entendo eles. No começo do Buscapé, a gente tinha umas técnicas de gestão que a gente inventou e que não fazem nenhum sentido em retrospectiva, mas que foram muito úteis pra gente. Então, entre elas, a gente tinha muito estagiário, e se você era um estagiário muito bom, depois de dois anos você ganhava um estagiário. Estagiário líder. Estagiário líder. E a gente fazia sessões a cada três meses entre os quatro cofundadores de feedback honesto, mas que eram assim... pesadas, não tinha nenhum... hoje olhando pra trás fala cara, era cru e duro. Então eu lembro que eu recebia muito feedback dos meus co-founders no começo pra gestão do ego e eu lembro até hoje porque eu anotei esse feedback e ficou durante anos na minha mesa com um durequezinho ego. Então, eu acho que eu domei, mas acho que tem muita gente que acredita que isso seja um problema. Tem muita gente que me conheceu no começo do Buscapé, no primeiro ciclo do Buscapé, e no primeiro ciclo do Buscapé eu era um líder, que eu comentei aqui, tóxico. Tóxico por quê? Porque eu estava tão inconformado com aquele problema, e o Buscapé era tão frágil, que se você estivesse trabalhando pra mim num projeto, e eu pedisse alguma coisa e veio errado, e na segunda veio errado, eu falava, cara, Baza, eu faço. E era péssimo pra todo mundo, porque eu perdi a chance de te mentorar, você perdeu a chance de crescer e ficou chateado porque fracassou, e eu fiquei sobrecarregado. Mas talvez naquele período era importante, porque se eu tivesse tempo pra coach todo mundo, talvez a gente não tinha saído do zero pro um. E depois eu mudei isso quando o Buscapé cresceu. O que mais? Puta, tem tanta coisa.
Tem uma lista boa.
Tem coisa que não para mais.
Eu brinco se chamar minha esposa, então, a lista vem bacana ainda, cara.
É verdade, eu devia ter pensado sobre a perspectiva da minha esposa.
E o que você gostaria de perguntar para o Baza?
Tem muitas coisas, eu acho que principalmente, e eu vou fazer a pergunta, mas relacionadas a como é que você consegue usar esses seus superpoderes de conseguir ler as pessoas, para educar os filhos, o que você faria diferente do que eu falei, porque eu acho que é o meu maior projeto de vida, é a minha família, e acho que o segundo Se você estivesse entrevistando founders... como eu faço todo dia. Então acho que é muito engraçado, porque apesar de serem setores diferentes, as ferramentas que a gente usa são similares. O que você acha que eu deveria fazer ou prestar mais atenção que você acha que talvez os fundos de Venture não fazem?
Cara, que demais essa tua pergunta. Começando pela primeira. É muito interessante que você analisa negócios e naturalmente analisa founders e eu estou sempre analisando pessoas. Então tem uma intersecção gigantesca aqui. Depois de 20 anos de Michael Page, eu tenho convicção que um dos fatores que mais faz alguém ter sucesso, falar de preditivos de sucesso, mais do que é um estudou, família que nasceu, ambiente que você cresceu, é claro que isso influencia bastante, mas as pessoas de sucesso sustentável são pessoas com uma boa coleção de modelos mentais. Porque se a gente olhar, a evolução da humanidade vem através de modelos mentais, que depois são colocados em prática. Então, a agricultura só surgiu porque alguém decidiu, cara, essa semente ao invés de comer, a gente vai colocar na terra. Você aprendeu que existem ciclos, se eu plantar a qualquer momento não vai funcionar, tem um ciclo certo dentro dessa dinâmica. E quando a gente olha para o que a gente busca de resultado, na maior parte das vezes, a gente está buscando modelos. É o modelo da dieta. Cara, é o modelo de fazer exercício com o personal, que ele tem um modelo que vai seguir com você. Quando a gente olha para a gestão, você tem um modelo de feedback, modelo de conversas difíceis. Por outra hora que você tem um problema sério, puxa, como é que eu destrincho esse problema? Como é que eu desenho estratégias? Cara, você vai buscando modelos. Só que tem um desafio na vida que a maior parte das pessoas insiste em ir no freestyle. E hora ou outra funciona, mas cara, tem milhares de anos acumulados, cara, na história da humanidade de conhecimento que talvez a gente podia tentar lembrar desse conhecimento acumulado. Então, dito isso, cara, talvez uma das coisas que eu sou mais fascinado, eu sou neurótico, é buscar modelos mentais. Cada pessoa que eu entrevisto, cara, quais são os modelos mentais dessa pessoa? E uma das coisas que eu adoro entrevistar aqui no podcast é como eu consigo mergulhar e falar assim, cara, que decisões essa pessoa tomou, que opções ela tinha naquele momento, o que ela estava buscando, o que deu certo, o que deu errado. E eu ainda, como pai, eu venho tentando, claro, o Felipe com sete anos, ainda não tem uma coleção, uma estrutura, Mas eu venho buscando muito entender, mais do que o que ele pensa, porque ele pensa. A tomada de decisão, porque que ele tomou decisão? O que que ele tá com receio? Então, puxa, desde uma situação, puxa, tinha uma situação ali com um menininho da classe ali, que o pessoal tava tirando muito sarro dele, e aí eu conversei com ele e falei, pô, você não pode fazer isso, poxa, não só não pode, mas protege ele, puxa, não deixa os amigos fazerem, mas papai, E se meus amigos, quando eu falar isso, não quiserem mais ser meus amigos? Aí você começa a entender, tem um modelo mental ali de insegurança dessa dinâmica, porque eu acredito que quando a gente acessa aquele ponto dos modelos mentais, cara, é onde vira a chave. Então, talvez um dia eu escreva um livro sobre modelos mentais, cara, que eu.
Acho que pra mim é fantástico, e.
Eu vou pros founders o mesmo elemento. Quais são os modelos mentais? E parte disso você começa a entender, peraí, que fatores da sua história fazem você ser quem você é hoje? Parte dos nossos modelos mentais vem dos perrengues que a gente teve e que a gente aprendeu, né? Puxa, quando eu pergunto, quando as pessoas não gostam de você, qual é o motivo? Cara, eu quero entender o modelo mental que você racionalizou tudo que você vem vivendo, de como as pessoas te enxergam. Porque até quando a gente olha pra profissional, é fácil reconhecer um profissional imaturo. ele reproduz os mesmos comportamentos de uma criança no parquinho, né? Ele quer ser centro das atenções, ele tem sempre a razão, né? É exatamente a mesma dinâmica. Você imagina, na profissão já é difícil, imagina quando vira líder, né? Que a gente tem aqui. Então, pra mim, eu acho que a coleção de modelos mentais, ela vai fazer toda a diferença e daí você vai pegando inputs, por exemplo, quando eu olho um currículo, uma das perguntas que eu adoro fazer, de tudo que está escrito no seu currículo, o que você tem mais orgulho? Isso dá pistas do que energiza essa pessoa, então acho que é um pouco nessa linha.
E cria empatia, a pessoa começa a falar de sucesso dela, cria conexão pra poder tirar mais informação.
Exatamente.
Animal.
Paytrak, a minha plataforma pra gestão de viagens e despesas corporativas. Incomparável. Romero, chegamos agora na hora da pergunta PayTrack. Me conta sobre uma viagem a trabalho importante e que impactou positivamente na tua vida profissional.
Eu acho que foi uma viagem que eu fiz pra Califórnia pra ir num primeiro evento do Google que chamava Zeitgeist, não sei se eles tem um evento, mas é um evento fantástico.
Ainda tem, até hoje, demais.
Foi a primeira edição. Tava na minha mesa, almoçando, tava o Piteraccia, que nem era ainda o Piteraccia. O Piteraccia era um cara brilhante que tava falando sobre glicose no sangue, aí ele levantou assim. Falei, o que é isso? Ele falou, eu mesmo implantei em mim pra eu poder medir. Eu tô falando disso em 2005.
Os picos glicêmicos, ele já montou naquela época.
Já tava naquela época fazendo experimentos nele mesmo. Tava cheio de Band-Aid e tal. Falei, caraca, quem é esse cara? Fui pesquisar depois e falei, cara... Tava o John Legend, mas não foi por isso. Primeiro foi legal pra abrir a cabeça, Porque eu acho que é um pouco do segredo que as pessoas pós-pandemia têm percebido, mas que eu, de certa forma, sempre trabalhei, que é de você... De certa forma, tá sempre on. A gente falou de ter várias janelinhas, mas todas as janelinhas estão ali ligadas. Então, eu fui numa viagem que teve esse componente pessoal de awareness, de crescimento, que ia ser usado pra negócio. Eu levei meu pai, então foi uma delícia. Fiz uma viagem na Califórnia, eu e meu pai, nesse in-between ficamos lá. E na volta, um fundo de private equity de Boston falou, pô, passa aqui que eu acho que de repente a gente pode fazer negócio, acho que talvez eu seja o cara certo pra limpar teu cap table, tirar os outros sócios e a gente construir essa história. E eu saí do calor da Califórnia, cheguei em Boston, menos 10. tipo, comprando roupa no aeroporto, tava acho que menos do que menos 10. E era o Great Hill Park que acabou fazendo a série B. Então assim, eu gosto muito dessa viagem porque ela não só teve... se não fosse isso a gente provavelmente teria vendido Buscar Pela Atrás pra um portal brasileiro por literalmente 20 milhões de dólares. E teria deixado toda a outra história de lado. Mas ela reúne um monte de lembrança boa de diferentes aspectos importantes da minha vida, o profissional, A minha mente, o meu awareness e meu pai que é, pra mim ainda, o meu grande herói.
Que demais! E Romero, chegamos agora no momento, Dona Ângela, complete a frase, eu sou esquisito por quê?
Vou usar, da minha mulher, eu sou esquisito porque à noite eu fico assistindo vídeo de matemática e física e cálculos e ela acha que eu sou muito nerd.
E qual a situação engraçada, a maior perrengue que você já passou no mundo dos negócios?
Teve bastante perrengue, mas eu acho que para citar um, talvez interessante, em 2000 eu cheguei no escritório, a gente tinha um espaço aberto, equipe toda junto, e a recepcionista estava assim atônita, tudo branco, e aí tinha um post-it, ela me deu, ligar para a Meryl Lynch. nunca tinham pedido pra ligar, beleza, tinha outro posto de ligar para o Unibanco, o que que tá acontecendo? Eu cheguei na minha mesa, a gente assinava a Gazeta Mercantil, tava lá a Gazeta Mercantil, tava eu na capa. Busca-pé processado por um varejista em 2 bilhões de reais. Preciso ter acabado de receber 3 milhões de dólares da Merrill Lynch e do Unibanco para eu ligar de volta tanto para o head da Merrill Lynch quanto para o escritório pessoal do Pedro Mariano Salles. E aí, nessa hora, você deseja não ter um escritório aberto. Porque você quer deitar em posição fetal e ficar ali pelo menos por uns 15 minutos tentando entender o que tá acontecendo com o seu sistema hormonal, não é nem com a sua vida. E aí, óbvio, tava o escritório inteiro olhando pra mim. A gente tinha só uma parede de vidro assim. Aí eu saí assim da parede de vidro, tremendo. pra endereçar com o time, e a gente tinha na parede zona um grafite que a gente tinha feito lá atrás, que era um monte de consumidor, muito legal essa imagem, segurando os produtos, como se fosse uma revolução, tipo, finalmente, poder ao consumidor. E aí, um cara da equipe puxou, veio a equipe toda... tá dando certo, não sei o que. Falei, calma gente tá, acho que isso aqui é uma coisa mais séria. Falou, não, não, tão me incomodando, tão me incomodando. Então assim, ao mesmo tempo teve um alívio de o time me ajudar e falar, cara, não, pera, tipo, é o que a gente queria de certa forma, mas ao mesmo tempo ainda tinha que fazer a ligação pra tentar explicar que provavelmente a empresa tinha acabado. No final a gente ganhou, obviamente, o processo e não deu em nada, mas foi acho que um dos momentos onde eu tinha menos preparo e tive que crescer o mais rápido possível.
Romero, caminhando agora para o final, o nome desse podcast é Lugar de Potência. Qual que é o teu lugar de potência? Que tipo de situação e ambiente pode jogar que você brilha?
É muito louco isso porque Eu tenho procurado uma frase para definir o meu momento de vida atual. E eu brinco que o meu momento de vida atual é exatamente... Eu jogava basquete. Não era dos bons, infelizmente, mas amava basquete. Tinha um lugar na quadra, que era na linha de três pontos, mais ou menos ali entre... Não era bem lá na linha, mas eu falava assim, se a bola vem para mim aqui, Caixa. É aqui. Aqui é o meu lugar no campo. E eu sinto que hoje, no que eu tô fazendo, como eu tô fazendo, com o time que a gente tá construindo na Headline, que tá incrível, com os founders que estão dentro do nosso ecossistema, e óbvio, as variáveis de mercado ajudam e tudo mais, mas a XP junto, tudo isso, eu me sinto exatamente nesse momento da quadra que eu me senti quando eu tinha 15 anos. Ainda que aqui eu faço. Então, putz, eu graças a Deus, acho que não poderia ter resposta mais feliz porque não é nem futuro e nem passado, presente. Acho que meu lugar de potência tá hoje.
E me conta uma verdade que as pessoas não costumam dizer e na sua opinião é fundamental para se ter sucesso.
Eu li, um dos primeiros livros que eu li de curioso lá no colegial e tal, quando eu fuçava sebo de livro de business, era um livro que chamava Thick Face in Black Heart, The Success of Succeeding in Life. Dado, obviamente, todos os, o título é mais forte do que parece. Mas eu acho que o thick face é o que eu quero trazer desse título que é o rosto grosso, ou seja, as pessoas às vezes acham que vai ser fácil, não vai ser fácil, é muito difícil, não só empreender, é difícil investir, é difícil ter uma carreira executiva, você vai tomar muito tapa E assim, mimimi não vai resolver, você toma tapa. Então acho que você precisa crescer na situação, aprender com os erros e deixar o rosto mais grosso. E no final do dia, um padrão que se repete entre todas as empresas de sucesso, eu no Buscapé a vida inteira procurava competitive modes, barreiras de entrada, quero efeito de rede, escape velocity e tal, e todos os termos que já existiam da época do Porter e Kotler e os termos que foram criados depois. Mas se tem um termo que é muito verdade, que quem falou foi o Zuckerberg, é It's all about the last man standing. Então assim, bateu o último gongo do ringue, quem ganhou é quem tá de pé. Facebook não foi o primeiro site de rede social, Google longe de ser o primeiro site de busca, MercadoLibre não foi o primeiro site de leilão, iFood não foi o primeiro de delivery. Então assim, não é sobre só fazer a coisa, é sobre sobreviver. Então assim, se bateu o último gongo, E você tá de pé, você não foi pra lona? Então assim, rosto grosso. Ah, mas não sei o que e tal, mas... Cara, se apanhou, ao invés de reclamar, levanta... Engole o choro e volta pro ringue.
E o que você aprendeu nos últimos 12 meses? Sejam conhecimentos ou habilidades?
Ah, habilidades... Foi muito legal porque, por causa de AI, eu instalei Python no meu Note, então voltei a codar, que eu não codava há um tempão, então está divertido, acho que no quesito habilidades pessoais. Profissional, a gente lançou agora um fundo de secundárias, então é o primeiro fundo no Brasil dedicado a secundárias em startups, então a gente está procurando empresas de tecnologia maduras e comprando participações secundárias. É fora da nossa tese principal, que é Venture Capital, E você tem, obviamente, que ter outros conjuntos de habilidades para fazer bem, que a gente está em desenvolvimento, para ser bem honesto, mas acho que a gente está bem posicionado para conseguir. E acho que, como pai e marido, é um aprendizado constante. Minha mulher vai dizer que eu não estou aprendendo muito, mas eu estou tentando.
E deixa algumas dicas de fontes de conhecimento. Como é que você se mantém formado e se desenvolve?
Isso eu tenho dedicado muito tempo. E eu não fazia tanto isso quando eu era executivo, quando eu era operador, como empreendedor, que é afiar o meu machado. Então assim, eu afio machado. Domingo à tarde, depois do almoço, é afiar machado, preparar a semana. E uma das coisas que eu tenho tentado fazer bem é selecionar onde eu vou colocar o meu tempo livre de estudo. Então, eu consegui treinar muito bem alguns algoritmos a meu favor. Então, assim, eu não vejo praticamente mais jornal ou notícias direto em sites. Eu tenho o meu feeder do X super afiado para tudo que eu preciso. Os veículos que eu preciso seguir, mas mais importante, as pessoas que geralmente são fonte para esses veículos e que eu preciso seguir para pegar essa informação na fonte, seja em tecnologia, seja em economia, investimentos, startups, VC. Treinei muito bem o meu YouTube.
Ninguém põe a mão pra não ferrar o algoritmo.
O pior é que o meu YouTube tem vindo muito desenho de carrinho do Romerinho, que tem um ano e meio. Dois anos e meio, desculpa. Então vem no meio dos meus vídeos de matemática, ciência e física, às vezes vem um Blaze, um Carros, um não sei o quê, mas tá tudo bem. Mas tá muito bem treinado. Tenho o lugar de potência lá na minha lista, sempre recomendo. Então assim, eu consegui trabalhar isso para trazer as fontes que eram importantes para o meu dia a dia. Então assim, todos os grandes fundos, os grandes empreendedores, os grandes podcasts do que eu faço. Eu recebo, por exemplo, estou indo para o Rio daqui, eu já baixei ontem. O Rio é 30 minutos, mas se eu estivesse indo para a Califórnia era 10 horas. Eu vou às 10 horas no meu iPad consumindo esse conteúdo de fora a fora. Então, eu criei uma disciplina muito grande. para poder capturar essas informações e assino vários substechs e tal. Ah, e o que talvez seja interessante, que é fácil para todo mundo fazer, eu tenho usado, obviamente, muita AI. Então, eu tenho um agente AI que busca todas as notícias relevantes, busca os meus substechs favoritos, resume tudo com os links, se eu quiser aprofundar. Então, aquele trabalho de curadoria, eu já pus AI para fazer.
E me indica três pessoas bacanas para eu convidar para esse podcast e ter uma conversa como essa.
Tem muita gente bacana. Muita gente bacana. Bom, eu acho que alguém que pode ser muito legal nesse podcast... Bom, duas pessoas. Uma, o Diego. Não sei se o Diego já veio.
O Diego Barreto?
Já veio aqui. Já, já.
Mas é bom que você indica que a gente já faz propaganda aqui pessoal a escutar.
E eu ia falar, o Diego, eu conheço ele, a gente tem filhos juntos na escola e tal, mas quem eu conheço muito, muito bem é o Fabrício Floys. Porque eu tive essa sorte de acompanhar, e ele também de acompanhar o Buscapé, porque nós éramos as duas empresas da Naspers Prosos no Brasil, a Móvile e o Buscapé. Então tava sempre um ajudando o outro, eu participei do board da móvel e eu tive a chance, a sorte de assistir de camarote como conselheiro e realmente é só assistir porque eu acho que eu não consigo contribuir em nada, mas eu consegui assistir o modelo de inovação que ele criou. um modelo mental de como sair da situação estratégica que a móvel estava na época e como disso criar o iFood dentro disso. Então, talvez 4, 5 anos que eu fiquei no conselho, eu consegui, foi bem nesse momento de entrada no iFood, de virada de iFood e da máquina de inovação que ele criou e eu acho que a imprensa deu pouca manchete para você ter uma das dez maiores empresas de tecnologia do mundo tendo um CEO global brasileiro. E eu acho que ele deve ter muita história para contar do quão difícil foi. Eu diria que ele seria... Se a gente voltasse em 2010, 2009, 2010, quando eu entrei para prósios, Eu diria que de todos os líderes das 90 empresas, ele estaria talvez entre os menos prováveis de hoje ser o CEO. Não pela capacidade, mas pelo que a empresa fazia naquele momento para o Brasil.
Que ela representava na época ainda.
Imagina que a Naspers ainda tem 30% da maior empresa de tecnologia chinesa, que é a Tencent. Ela tinha a maior empresa de tecnologia russa, que era o Mail.ru, o maior e-commerce da Europa, que era o Allegro. Então, eu acho que é uma história que deve ter muita coisa legal para contar.
Animal, animal, animal. E uma pergunta que eu faço pra todo mundo que passa por aqui. O que é felicidade pra você?
Eu acho que felicidade é, no final, aquele sentimento de gratidão. Você olha e fala assim, caraca, nossa. Deus, se você acredita em Deus, o Universo, se você acredita na energia do Universo, falar... tô grato, tô feliz. Eu acho que tem muito a ver com o lugar de potência. Eu, pelo menos, me sinto muito feliz no meu lugar de potência. E nos aspectos todos da vida, não só profissional, mas também família pessoal, amigos e tal. Então, eu acho que felicidade é se conseguir estar no presente e estar com gratidão.
Adorei, adorei, adorei. Romero, para a gente fechar aqui, como é que as pessoas te encontram? Que projetos que vêm pela frente?
Olha, me encontrar é fácil. O problema é que eu tornei, às vezes, muito fácil. Então, eu faço questão de dar para todos os founders que eu conheço o meu WhatsApp. Às vezes, eu demoro para responder. Mas eu acho que headline.com, se você tem um projeto, você pode enviar lá ou enviar direto no meu LinkedIn. E e-mail brasil com z arroba headline ponto com cai para o time todo. Podem ficar à vontade e me inscrever por lá também.
Muito bom. Adorei, adorei, adorei. Romero, muito obrigado. Que aula! Eu tenho certeza que todo mundo que nos escutou até aqui saiu com páginas de páginas de anotações, muitos insights, muitas lições. Que bom que deu certo da gente conseguir fechar essa agenda. Muito obrigado mesmo. E aliás, para quem está nos escutando, já aproveita para compartilhar esse episódio com todos os amigos. Muito obrigado mesmo.
Obrigado, Bazar. Prazer estar aqui com você.
Valeu!
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