5 2 Empreendedor em xeque como se preparar para deixar o negócio

Romero Rodrigues, founder of Buscapé, on leaving your business when you lose strategic control. He lost autonomy over strategy at Buscapé and exited after the 2014 operational segregation. He now focuses on board roles and venture investing instead.
Questions this video answers
"final de 99 e começo de 2000" (end of 1999 and start of 2000).
"tendo vendido 90% da empresa" (having sold 90% of the company).
"em poucos meses, segundo trimestre de 2014, Buscapé já tinha uma lucratividade incrível de novo." (by 2Q2014 Buscapé had strong profitability).
Chapters
A paixão pelo negócio não pode, não interfere negativamente na liderança, mas requer do fundador muita inteligência emocional e muito preparo para conseguir tirar o melhor do time. A paixão pelo negócio pode obviamente gerar uma paranoia, e a paranoia é saudável, como o Andy Groove sempre disse, só os paranoicos sobrevivem, Mas ela pode gerar também uma ansiedade, e essa ansiedade pode ser negativa para o time. Você provavelmente vai chegar num resultado muito parecido, mas você vai chegar melhor e com menos atrito se você se mantiver paranoico, apaixonado. mas controlando a ansiedade. Talvez isso seja a melhor combinação dos fatores. A falta de paixão pelo negócio, por outro lado, eu diria que é talvez uma certeza de fracasso. Porque você vai precisar de muita paixão e muita resiliência, muito rosto grosso para o tanto de tapa que você vai tomar na cara. Em vários momentos, você vai ser a única pessoa realmente acreditando naquele bebê que é a tua startup. E ela some no mesmo instante que você parar de acreditar. Eu acho que como era o líder do Buscapé, teve diferentes momentos. teve uma fase inicial onde o Buscapé, por ser aquele bebê muito frágil, ele tinha na minha pessoa, vamos dizer assim, uma proteção. Então, eu tinha uma paranoia muito grande e um senso de urgência extremo, que não era à toa, ele era necessário, mas, obviamente, eu podia conduzir isso de outra forma. E a forma como eu conduzi, e, óbvio, trouxe o resultado desejado, mas de uma forma que gerou mais atrito, mais calor. Mas funciona bem até um tamanho de organização. Depois, é completamente improdutivo. Eu aprendi isso, obviamente, da pior forma, quando ficou improdutivo. E aí, enfim, repensei a minha forma de trabalhar. Foi numa época que o Buscapé foi para o Divã também. E aí eu acho que começa uma fase onde a gente começou a atrair também, pessoas com mais senioridade. E aí a nossa cultura começa a mudar para uma cultura de tentar incentivar o desenvolvimento de talento e tirar mais de cada um dos profissionais. E eu acho que essa cultura perdurou até a minha saída. Durante toda a história do Buscapé, toda vez que eu pensei em transformar o negócio, eu tive autonomia e confiança dos meus sócios, acionistas e colaboradores para fazê-lo. E foi assim que a gente fez todo o processo de expansão, expansão internacional, adicionando novas empresas, criando outros serviços. Então, eu acho que é papel fundamental do fundador e do CEO promover essa transformação e de preferência à frente do mercado. Eu acho que a gente estava à frente do mercado em uma série de coisas e é, sim, papel fundamental do CEO estar pensando nessa transformação contínua. Posso dar N exemplos. Um exemplo de uma companhia que é razoavelmente próxima do nosso fundo, O nosso fundo nos Estados Unidos teve a sorte, a competência de investir no final de 99 e começo de 2000 numa startup minúscula com um founder razoavelmente louco e o sonho dele era destruir a Blockbuster porque ele achava que o mundo estava completamente errado de cobrar late fees, de cobrar as taxas de devolução multa por devolução de fita atrasada. 35% da receita da Blockbuster era de multa. Ele não se conformava com isso. Esse cara chamava Rick Hastings e a companhia chama Netflix. E a Netflix não estava à frente do seu tempo lá. Ela se manteve à frente do seu tempo o tempo todo. Quando ela finalmente quebrou a Blockbuster, e realmente quebrou a Blockbuster, a companhia falou assim, não, não é isso, porque agora vai vir o streaming. Então, eu vou mudar tudo para streaming. Quando ele domina o streaming, ele fala, não, agora não é suficiente, agora eu vou, eu tenho inteligência, eu tenho dados suficientes, eu vou começar a produzir. E ele mergulha e começa a fazer a produção. Então, é papel do CEO, do líder, estar pensando nessa transformação continuamente, sem parar, 5, 10, 15 anos na frente, pelo menos. final de 2013, começo de 2014, e a ideia era desmontar aquela plataforma de plataformas e transformar, na verdade, em serviços individuais, com donos individuais, sem conexão nenhuma, inclusive tocados por gestores globais diferentes. Me foi oferecido uma cadeira como CEO global dos compradores de preço, ia ter o de pagamentos, o de classificados e, de certa forma, o meu filho, o meu bebê, o meu filhote a seis, cortejado em diferentes pedacinhos e cada pedacinho colocado embaixo de uma unidade diferente. E eu achava que aquilo colocava a empresa toda numa posição super frágil. Até porque a gente não fazia mais negócios separados. O que a gente vendia era esse pacote de produtos. Então, é como se de repente a Microsoft, com o Google oferecendo o Google Docs, a Microsoft falasse que não vai mais vender o Office. Vai vender tudo separado e alguns produtos vai até parar de vender. E aí foi na verdade quando eu percebi que o meu ciclo estava se encerrando. E a minha decisão de deixar o negócio veio justamente quando o alinhamento acabou e eu perdi a autonomia. Então, uma vez que o plano da companhia deixou de fazer sentido para mim, na perspectiva de que eu não acreditava que ia ser bem sucedido para a companhia, eu percebi que era o meu momento de deixar a empresa. Fiz uma transição super profissional. super tranquila. Fiquei durante o ano de 2014 fazendo a segregação dos negócios. E aí, obviamente, quando eu encerrei esse ciclo de uma forma super profissional, parti para a minha próxima vida. O plano de desligamento, eu diria que... Primeiro, obviamente, quando eu recebi a notícia da nova estratégia e quando eu percebi que eu não ia poder persuadir o CEO da Naspers em não seguir com esse plano, pelo menos para Brasil e para Buscapé, Eu acho que eu passei por aqueles estágios de aceitação, sabe? O denial, a tristeza... Mas deixando de lado a parte emocional, e foi realmente quando pela primeira vez eu percebi que o meu ciclo ia acabar, porque até então, mesmo tendo vendido 90% da empresa, eu me sentia tão dono da empresa quanto no primeiro dia. Foi a primeira vez que eu não me senti assim. O estágio foi, primeiro, com muita calma, entender o que seria o plano novo, entender quem seria afetado nesse plano. Então, a empresa teria que passar por muitos cortes, porque o mandato era lucratividade máxima e não mais crescimento máximo. Então, isso implicou no corte de muitos colaboradores, isso implicou no desligamento de muitas startups que a gente tinha, que eram deficitárias, na venda de outras. Então, foram várias negociações pontuais com vários founders. que eu tive, obviamente, que fazer, mesmo não concordando com a estratégia. Enfim, depois que eu acomodei, obviamente, as pessoas, e todos estavam, na medida do possível, bem, foi o momento de acomodar os negócios. Então, a gente começou a fazer a separação, começou a aperfeiçoar cada um dos produtos para lucratividade máxima, Foi rápido alcançar isso, então, em poucos meses, segundo trimestre de 2014, Buscapé já tinha uma lucratividade incrível de novo. E aí, feito tudo isso, eu comecei também a pensar em mim, na minha transição. Então, eu fui... eu busquei algumas posições de conselho em 2014, comecei a investir em mais, comecei a me apaixonar por isso. Percebi que eu não estava pronto e também não tinha energia naquele momento para começar um novo negócio, uma nova startup. E também ficou claro até por questões de estilo e de gosto que eu não encaixaria em uma posição executiva. Então, cada vez foi ficando mais nítido a vontade de fazer Venture Capital, de realmente fazer isso de uma forma profissional. Então, até brincava, falava, se investimento anjo é o kart, o que a Fórmula 1 diz? Se a Fórmula 1 diz isso, é Venture Capital no Vale do Silício. E assim fui buscar um sócio para fazer isso.
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