6 3 Como se preparar para fazer parte de um ecossistema de plata

Aula final do estudo de caso sobre Romero Rodrigues e o Buscapé em que Fábio Vera e Romero discutem a mentalidade de plataformas digitais, a importância dos dados, estratégias para transformar negócios tradicionais em modelos híbridos (plataforma + físico), e setores mais predispostos à revolução das plataformas. Apresenta três mudanças de perspectiva (rever valor dos dados; remodelar portfólio de inovação; reduzir medo do fracasso), práticas para negócios híbridos e exemplos históricos (Buscapé, Netflix, Apple, Nubank, Creditas).
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Olá, bem-vindo a última aula desse estudo de caso incrível do Romero Rodrigues e do Buscapé. Quanta coisa você já viu até aqui, não é? Então, vamos fechar essa jornada com algumas questões que vão te ajudar muito no digital. Meu nome é Fábio Vera, sou especialista em inovação com formação executiva nas universidades de Stanford e Harvard, sou PhD e já acelerei algumas centenas de startups. Nessa aula, nós vamos entender como se preparar para fazer parte de um ecossistema de plataforma Algo que possui tanto potencial que mesmo após deixar o Buscapé, Romero seguiu como direcionador para seus investimentos. Você vai ver que incorporar a mentalidade das plataformas poderá te trazer mais capacidade de crescimento, clientes fiéis e existem alguns mercados mais favoráveis a essa realidade. O mundo dos ecossistemas digitais direciona e afunila a economia para negócios plataforma. Estar preparado para essa solução é uma necessidade pra ontem, viu? Então vamos começar?
O negócio disruptivo, ele é, na minha visão, qualquer negócio que tá crescendo de uma forma extremamente rápida. A ponto de criar um hábito novo na sociedade, no mercado, o alvo. Pegando o exemplo da Netflix, pelo fato da Red Point, Estados Unidos, ter investido lá atrás. A Blockbuster estava parada, teve inúmeras chances de comprar a Netflix. Simplesmente não quis acreditar. Ficou em negação por muito tempo. E a Netflix crescendo sem parar. No momento em que a Blockbuster percebe, é tarde demais.
Bom, hoje nosso desafio é olhar o futuro e pensar como extrair lições do pensamento plataforma para o seu negócio. A tarefa não é trivial, mas espero apresentar, nessa aula, algo útil ao seu negócio e aos seus futuros negócios. Como me disse uma vez um investidor, que foi dos primeiros a investir no Waze, Na cidade de Jaffa, em Israel, temos que ter visão multi-negócios e muitas vezes ter mais de um negócio. E ele tinha razão. Talvez ter mais de um negócio seja também ter um olho na gestão atual e outro olho no futuro em transformação. Pense nisso e tenha o chamado pensamento bimodal e não apenas uma visão linear sobre a gestão do seu negócio atual. Trazer a mentalidade de negócio plataforma é um desafio que nos abre a mente para projetos maiores, oxigena nosso jeito de pensar. E isso é importante porque, dizendo de uma forma bem simples, nós vivemos uma era de duas economias, a economia da atenção e a economia da transação, ambas em simbiose. De acordo com os especialistas em cultura digital, a economia da atenção moderna é cada vez mais aquela em que o produto de consumo não custa praticamente nada para ser reproduzido. E o problema que o fornecedor enfrenta é adicionar bens intangíveis valiosos que não podem ser reproduzidos a qualquer custo. Para não ficar abstrato demais, te apresento algumas características desses bens intangíveis. Vamos lá! Eles são imediatos, acesso prioritário, entrega imediata. Eles também são personalizados, feitos sob medida para o consumidor. Eles trazem interpretação, suporte e orientação. Eles têm autenticidade, são reais e têm autoria clara. Eles têm acessibilidade com, por exemplo, livros e música ao vivo. Faz sentido, faz bem, são localizáveis. Quando há milhões de livros, milhões de músicas, milhões de filmes, milhões de aplicativos, milhões de tudo solicitando a nossa atenção e a maior parte é de graça, Conseguir ser encontrado é valioso e sua plataforma pode oferecer isso aos provedores de conteúdo. Ou seja, existem formas de gerar atenção e criar valor de forma muito especial. E a partir daí surgem as oportunidades de transacionar esse valor e, por consequência, monetizar, ou seja, alcançar a economia da transação financeira. É muito importante reforçar que tudo isso é feito da melhor maneira através da gestão dos dados. Já tratamos em mais de uma ocasião aqui, no meu sucesso, sobre o papel dos dados para a evolução constante de um negócio, e o pensamento plataforma se fundamenta em dados. As organizações que criam plataformas de tecnologia ricas em dados colhem benefícios substanciais. Eles podem acelerar a inovação lançando novos produtos e serviços com base em percepções coletadas de dados e criar experiências de clientes personalizadas que fazem com que as pessoas voltem mais para a sua plataforma. Nessas organizações, os dados não mostram apenas o que está acontecendo nos negócios. Os dados tornam-se o negócio. Esta é uma chave para o sucesso em uma economia cada vez mais onde o vencedor leva tudo. Fazer essa mudança, essa virada de chave para dados exige um esforço concentrado para mudar a maneira como uma empresa pensa e opera. Aliás, vale a pena comentar que a forma como muitas empresas são administradas cria uma série de barreiras que as impedem de formar uma cultura transformadora e, em última instância, de atingir seu verdadeiro potencial. Bom, pra te ajudar a navegar nessa transição e se organizar para o futuro, há três mudanças de perspectiva que você precisa observar. Primeiro, altere a maneira como você visualiza os dados. Entenda qual seria o valor total de seus dados se eles fossem compartilhados e disponíveis no momento certo em sua empresa. Comece vinculando sua estratégia de dados às prioridades estratégicas gerais e criando uma visão de dados. Por exemplo, uma empresa norte-americana criou uma unidade de dados como serviço para agregar e compartilhar dados com outras unidades de negócios interna e até mesmo com os clientes. Ah, e antes que você me pergunte como fazer isso, para mudar a forma como você vê os dados, as principais perguntas a serem feitas incluem Como podemos coletar e organizar os dados que já temos? Como obtemos e agregamos mais dados de dentro e de fora da empresa? Como podemos usar melhor esse tipo de dado? Coletar grandes quantidades de dados em um Data Lake é relativamente fácil, mas torná-lo acessível, digerível e intuitivo é que é o grande desafio. 2. Remodele seu portfólio de inovação. Crie novas ferramentas para gerir as prioridades de inovação para conseguir capturar os dados, integrá-los e incorporá-los às análises avançadas à maneira como os produtos são desenvolvidos e gerenciados. Isso requer a criação de um novo conjunto de processos que incorpore uma forte governança de dados. As principais perguntas a serem feitas incluem, quais são as nossas principais fontes de inovação hoje e no futuro? Romero sempre se perguntou isso o tempo todo, como outros protagonistas do meu sucesso são pessoas inquietas que buscam a renovação, a inovação e se atualizam o tempo todo. Quais são os processos de inovação atuais do seu negócio? Como posso mudar meu processo para melhor e aproveitar as análises? E por último, remova o medo do fracasso. Quando você tenta algo novo, sempre há uma chance de que não funcione. Romero mesmo dizia que tudo podia dar errado quando criaram o Buscapé. Mas se vocês mantêm o foco nos objetivos, isso se torna tão ruim do ponto de vista do funcionário quanto para a empresa. Afinal, a empresa tem medo de perder lucros, o funcionário tem medo de perder o emprego. Existem duas maneiras de mitigar esse medo. Primeiro, você tem que mudar a cultura. Veja o fracasso como uma oportunidade de construir resiliência e melhorar suas chances na próxima tentativa. O próprio professor Steve Blank dizia, fale rápido e fale barato. Se você reagir às falhas, analisando-as e aprendendo com elas, em vez de puni-las, o medo que a cerca se dissipará naturalmente. Em segundo lugar, dê a si mesmo a chance, a melhor chance de sucesso, assumindo riscos inteligentes. É aquilo que Romero constantemente empregava dentro do Buscapé, a cultura da inovação, ou como ele dizia, a cultura do fracasso, de viver em uma constante tentativa e erro, aprimorando e inovando o negócio. Quantas vezes, ao longo desse caso, nós ouvimos o Romero dizer que a busca a pé quase fechou por alguns grandes problemas ou problemas percebidos de uma maneira grandiosa. Você também pode fazer isso no seu negócio. Quando o funcionário tiver uma nova ideia, peça a uma equipe que a analise em conjunto para encontrar a melhor maneira de implementá-la e forneça a eles os recursos que precisam para concretizá-la. Os membros da equipe se sentirão cada vez mais capacitados para inovar quando souberem que podem contar com o apoio da empresa. Tá vendo como não necessariamente você precisa sair investindo dinheiro que muitas vezes nem tem para atualizar a sua mentalidade? Essas perspectivas que a gente acabou de falar são muito reais e o próprio Romero sabe disso e as considera ao avaliar as empresas que farão parte do seu portfólio de investimentos. Ele segue investindo majoritariamente em negócios de plataforma, sem que gerem competição ao Busco a Pé, mas o princípio de inovação e a clareza da gestão de dados diz muito sobre os potenciais resultados do seu negócio.
A gente, quando estava construindo tudo isso, a gente não tinha ideia que estava construindo um dos primeiros negócios de plataforma do Brasil. Foi ficando nítido com o tempo. Mas a gente sabia, apesar de a gente não usar o nome, não tínhamos livros, como não tinha academia, muito do que se prega hoje nas startups era feito por intuição. Do comecinho que a gente teve 28 usuários no primeiro mês para 50 milhões de usuários quando eu saí da posição de CEO, final de 2013, começo de 2014. Nesse período, o que a gente foi fazendo foi cada vez agregando mais serviços, mais conveniência para o consumidor de um lado e mais resultado para o varejista do outro. Então a gente tinha diferentes marcas que tocavam o consumidor nessa jornada e também diferentes soluções para o varejista.
Gestão de modelos de negócios híbridos. Esse é um ponto muito importante, como adaptar negócios convencionais e em plataforma. O mercado tem falado muito sobre os modelos de negócios híbridos, já que criar uma plataforma do zero também não é algo tão simples assim, se o empreendedor não tiver visão e entendimento dos efeitos de rede, lembra? Então, pensando em deixar bem mais tangível esse conceito, vamos dar uma olhada no que ele significa. Os negócios híbridos também são conhecidos como comércio multicanal, ou tijolos e cliques, ou cliques e tijolos, algo que tem a ver com o digital e tem a ver com o tangível. Eles se concentram em maximizar a vantagem competitiva da combinação do canal da web e do canal físico. Você, assinante do Meu Sucesso, que já tem um negócio tradicional, deve ter sua atenção focada nas estratégias do modelo de negócio híbrido e pensar em duas questões a partir do seu negócio. como otimizar a relação do comportamento do consumidor híbrido, e como isso afeta a construção de um modelo de negócio híbrido. Há pesquisas que mostram que alguns consumidores não mudam tão rapidamente quanto a rápida mudança na tecnologia. E na prática, a gente sabe que o consumidor pode usar métodos online e offline. Hoje, a realidade já é de um consumidor híbrido, que representa a convergência do consumidor tradicional e do consumidor online. Isso quer dizer que os modelos de negócio tradicional e plataforma não precisam ser mutuamente exclusivos. As empresas podem adotar uma abordagem híbrida que inclui ambos os modelos. A gente sabe que o número de empresas que trouxeram plataformas em seus modelos de negócios aumentou significativamente ao longo dos últimos anos. Mas mesmo a Apple é um caso super clássico de uma empresa que fez uma transição do modelo de venda de computadores e smartphones pura e simplesmente para usar essa rede de dispositivos para criar uma plataforma de negócios chamada Apple Store, ou loja da Apple. Na loja, ela oferece produtos, os apps, os aplicativos desenvolvidos por terceiros, mas demorou um pouco para atingir um ponto de equilíbrio em termos de gestão dessa cultura tradicional com a inovação no serviço. E para você se aproximar desse modelo híbrido, três elementos chaves precisam ser ajustados. Vamos lá? Primeiro, do controle de recursos para uma alocação de parte da receita em um projeto estratégico. Tenha sempre parte do recurso direcionado a algo que represente o futuro. Segundo, da otimização interna de receita, de recursos, de produtividade para a interação externa. Terceiro, dê um foco no valor para o cliente, para um foco no valor do ecossistema. A mentalidade e a própria estrutura da empresa vão mudar com essas adaptações. Portanto, você também deve se atentar à sua estratégia da seguinte maneira. Um, analise o negócio principal. Aqui a ideia é identificar os fluxos de receita mais importantes para observar como poderão se comportar e como você pode otimizá-los. 2. A idealização de produtos e serviços que atendam ao negócio principal. Também é importante criar inovações que sejam conectadas ao core business, ao negócio principal, e estabelecer uma maneira inovadora de pensar. Romero buscava incorporar novas empresas ao seu negócio, desde que tivesse uma atuação similar ou complementar a sua plataforma. 3. Avalie as possibilidades de monetização. Não se esqueça de avaliar as ideias em termos de lucratividade que você aprendeu com a gente no módulo 2 desse estudo de caso. 4. Não jogar um all-in game. Cuidado ao implementar as mudanças. Considere testar as inovações de negócios antes de fundi-las a um negócio geral. 5. Pensar globalmente e agir localmente. Aqui também não é muita novidade, mas sempre vale lembrar a importância de obter o feedback das comunidades locais para otimizar a ideia de negócio antes de se tornar global. 6. O primeiro a chegar, o primeiro a servir Você viu ao longo das nossas aulas sobre o crescimento da concorrência no digital. Por isso, é fundamental ser rápido para identificar novas tendências e necessidades dos clientes e entregar isso. Romero atuava no buscapé sempre preocupado com a questão da concorrência, principalmente por ser pioneiro e despertar o interesse de grandes players que poderiam engolir o seu negócio. Por isso, buscava constantemente formas e estratégias para bloquear a concorrência, estando sempre na frente. Eu tenho algumas conclusões sobre o que a gente falou até aqui. Claro que nem tudo é tão simples e durante a transformação de um negócio tradicional em um negócio híbrido, as empresas muitas vezes vão encontrar muito mais desafios do que vantagens. Mas ao implementar uma plataforma, os negócios tradicionais podem lucrar com o valor da marca existente entre os clientes já existentes, além do próprio mercado já conquistado ser uma força competitiva. Além da longa experiência, em conhecimento do produto. Além disso, em alguns casos, os negócios tradicionais têm mais marcas dentro do seu portfólio, o que permite uma maior escalabilidade da plataforma. Então, para te ajudar a fazer a adaptação do seu negócio tradicional para o modelo híbrido, eu vou listar algumas práticas que você deve analisar se já realiza hoje e ir ticando as opções. Preste bastante atenção e seja sincero com você, porque é melhor ter o que desenvolver antes de propor uma mudança do que achar que não há o que melhorar e ser engolido pela mudança promovida pelos concorrentes. Vamos à lista. competências e práticas para a construção de negócios híbridos. Desenvolver uma mentalidade ágil e inovadora. Compreender e manter seu core business enquanto o reinventa. Deixar a inovação canibalizar os produtos existentes. Controlar e orquestrar recursos. Otimizar o valor do cliente antes de se concentrar no valor do ecossistema. Envolver e conectar grupos de usuários. Rentabilizar apenas uma vez com cada transação no começo. Possuir e promover incentivos financeiros. Sentir-se preparado para competições intensas. Qual foi o resultado do seu raio-x empreendedor no seu negócio? Se dedique a ele, porque a maior parte dos empreendedores bem-sucedidos que eu conheço nunca parou de se auto-avaliar, especialmente com os avanços da transformação digital. Romero também é um deles. Você acha que o Buscapé teria conquistado o mercado que conquistou se a agilidade e a inovação não fossem pilares de sua estratégia? esteja atento e observe como equilibrar os benefícios do negócio tradicional e do modelo plataforma.
As pessoas esquecem, às vezes, que o mundo é muito dinâmico. Não é porque alguma coisa deu certo em 2002, em comparação de preços, que vai dar certo em 2021, em comparação de preços. muito menos em saúde ou em finanças ou em qualquer outra área. Um bom investidor, ele nunca é prescritivo, ele provoca o founder. E um bom founder, ele é o que em inglês a gente fala coachable, ele escuta, ele absorve, ele pondera, ele vai pra casa, ele não é reativo. Então quando você encontra essa combinação de ter um investidor que é questionador, é provocativo, que consegue, às vezes, direcionar o founder só com perguntas, e do outro lado você tem um founder que escuta, que anota e que pondera, você geralmente tem uma combinação de sucesso. E isso, obviamente, de questionar e provocar veio muito da minha experiência como empreendedor.
A gente já falou sobre a mentalidade das plataformas, um possível caminho para a adaptação do seu modelo de negócio e agora vamos dar uma olhada nos setores que estão mais preparados ou próximos da chamada revolução das plataformas. Tem um livro incrível sobre o tema do nosso estudo de casos que eu recomendo e ele se chama Plataforma, a Revolução da Estratégia. Os autores comentam que alguns mercados têm menos resistência a esse modelo de negócio, especialmente setores dependentes da informação. As pessoas querem e precisam de informação de valor de maneira acessível e ágil. Isso explica porque a mídia e as telecomunicações são dois territórios que já foram profundamente afetados pelas plataformas. Reparem no boom das redes sociais como o Facebook, Instagram, o TikTok mais recentemente. Setores não escaláveis. O setor moveleiro, por exemplo, é algo que, até o início da pandemia, tradicionalmente empregava uma força de trabalho humana cara e não escalável. Ele já está sendo afetado pelo crescimento das plataformas digitais, com milhões de produtores, inclusive artesãos, que criam e comercializam seus próprios bens por meio de plataformas incríveis, como o Elo 7, Mercado Livre e outras. Também são relevantes setores altamente fragmentados. Você se lembra como eram as alternativas de locomoção e estadia antes do Uber e do Airbnb? E como eles revolucionaram o nosso mercado? Novas soluções em mercados fragmentados aumentam eficiências e reduzem custos de busca para empresas e indivíduos que procuram bens e serviços fornecidos por produtores locais. O Buscapé fez exatamente isso. Eles revolucionaram o mercado, reunindo diversas opções de lojas em um único local digital. Também podemos lembrar de outra startup muito bacana que conseguiu reunir um setor como esse. Estou falando da Gimpass, que trouxe um modelo único de plataforma focada em negócios a negócios e já se tornou um unicórnio, uma empresa que vale mais de um bilhão de dólares. Um outro segmento são os setores caracterizados por assimetrias extremas de informação. Negócio complicado, né? Eu vou traduzir pra você. Em tese, em mercados justos e eficientes, todos os participantes deveriam ter o mesmo acesso à informação sobre bens, serviços, preços e outras variáveis fundamentais. Na prática, Há muitos casos em que isso não ocorre. Imagine que você precisa de manufatura para sua produção. Normalmente, o fornecedor tem um acesso mais favorável às informações para negociar com você do que o contrário. Pensando nisso, a startup Peer Industry, que é uma empresa do portfólio da Redpoint Ventures, que o Romero dirige, criou um modelo de negócio que conecta todo um ecossistema de centenas de detentores de equipamentos industriais que oferecem o seu equipamento como serviço temporário para quem precisa produzir algum produto industrial. Então, eles têm mais de 350 usinagens em todo o Brasil, com grandes clientes empresariais, por meio de sua plataforma de manufatura industrial sob demanda. Essa plataforma oferece uma solução completa para os consumidores de serviços de usinagem. Mercados cujas assimetrias de informação dificultam uma negociação justa, no seguro de saúde e hipotecas residenciais estão prontos para mudanças semelhantes. Mas nem todos os setores baseados em informação são menos resistentes à ideia de uma plataforma. Eu estou falando de setores com alto controle regulatório, como banco, sistema de saúde e educação, que são altamente regulados. As normas favorecem os negócios estabelecidos e trabalham contra os interesses das empresas nascentes de tecnologia ou as startups que tentam gerar novos modelos e novas fontes de valor. Existem plataformas emergentes que começam a atacar esse problema na tentativa de criar novas fontes de valor, mas enfrentam o controle regulatório que segue tentando contê-las. Saindo pela tangente em um caso de sucesso estrandoso foi o Nubank, um banco que foi totalmente digital, encerrou as burocracias e encontrou espaço para atuar nesse mercado mais vinculado a controles regulatórios. Ele se preparou com um modelo de atuação muito mais próximo dos seus consumidores. Setores com alto custo de falha também são propícios a negócios de plataforma. Os custos da inadimplência em um empréstimo ou do encaminhamento de um paciente ao médico errado são muito mais altos do que o custo de exibir conteúdo inadequado em uma plataforma de mídia. Quem quer participar de uma plataforma que ofereça altos custos se falhar? Na contramão dessas empresas, temos o exemplo da Creditas, que nasceu como comparador de taxas de crédito no Brasil. Olha aí, uma similaridade com o Buscapé. Eles enxergaram uma lacuna no mercado e, em menos de 10 anos, expandiram a operação e se tornaram uma referência em empréstimo com garantia a taxas mais baixas. Houve um empoderamento do consumidor e a mentalidade de resolver um problema que o Romero tanto falou com a gente durante as aulas. Há também os setores baseados em recursos. Tais atividades, em geral, não são dramaticamente afetadas pela internet, mas nesses mercados, as empresas bem-sucedidas ainda dependem de seu acesso aos recursos e de sua habilidade para administrar processos eficientes em larga escala. como mineração, exploração de petróleo, gás e agricultura, áreas em que a informação tem um papel limitado. Conforme mais e mais processos e ferramentas se conectarem à internet, cada setor terá o potencial de se transformar em uma atividade baseada em informação. Por exemplo, as indústrias baseadas em recursos como mineração e energia precisarão cada vez mais alavancar o poder das plataformas, criando ganhos de eficiência e aprendizagem mais rápida para conectar materiais, veículos, mão de obra, ferramentas e máquinas em uma rede central a fim de coordenar fluxos de trabalho. E agora eu te pergunto, qual é o seu setor assinante? Ele está mais propenso ou mais resistente à revolução das plataformas? Depois de assistir todos os episódios e aulas desse estudo de caso, qual decisão você pretende tomar sobre essa tendência que já é mais que uma realidade? É bom começar a refletir porque o impacto desses fatores que comentamos vai mudar ao longo do tempo. Com certeza alguma plataforma nasceu para transformar o mercado enquanto você acompanhava a trajetória do Romero aqui com a gente. A mentalidade dele é reflexo desse avanço e você também pode, pelo menos, começar a fazer parte de um ecossistema de maneira mais ativa, não é mesmo? Dê uma olhada no material complementar desta e das demais aulas, porque eu garanto que os exercícios que propusemos te ajudarão a pensar sobre esse movimento. Depois de tantas reflexões e dicas, chegamos ao final do nosso encontro. Foi um prazer te acompanhar em parte dessa jornada de um gigante como Romero Rodrigues. Os americanos chamam de outlier ou pessoa fora da curva, acima da média. O caso do Buscapé sempre me inspirou demais porque representa tudo que eu acredito e já vi acontecer tantas vezes em termos de superação e adaptação de um empreendedor. É o símbolo máximo de que a chamada sorte sempre vai estar ao lado de quem se prepara e faz. Quanto mais você persevera, quanto mais você tem um propósito sólido e controla seus medos, especialmente o medo de errar, mais sucesso você vai ter. Nós estamos vivendo uma era de transição, onde a oportunidade está sendo dada a todos que se arrisquem com um plano. Mesmo que você não construa algo tão grande, você sairá dessa jornada muito mais preparado para vencer. E nisso, o canal Meu Sucesso tem sido um parceiro incrível dos seus assinantes. Muito obrigado por estar junto conosco. Obrigado, Romero, por nos inspirar tanto e até o próximo estudo de caso. Obrigado pela confiança e pela sua audiência. E aí E aí.
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