Do zero ao Buscapé (06/15): Nasce uma empresa de garagem... ou seria de quarto?

Ronaldo Takahashi, Rodrigo Borges, and Romero Rodrigues built Buscapé in 1998 as a price-comparison site. Retailers wouldn't share prices or go online, so the founders spent a year writing custom scraping tools to collect data from websites instead of hiring people to do it by hand. Nobody trusted online shopping yet.
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Realmente, o desenvolvimento de todas as ferramentas, do desenvolvimento do site, da cara do site, foi uma coisa bastante complicada ali na época. Primeiro porque, hoje em dia, se você procurar na internet, você encontra diversas ferramentas que já fazem isso. Mas na época, lá em 98, em que a gente começou a fazer realmente uma pesquisa para lançar o site em 99, não tinha nada.
A internet era uma coisa ainda... Estava começando, as pessoas não conheciam muito e tinham medo. Comparação de preço, o varejo odiava. Tanto é que antigamente, às vezes, o cara nem passava o preço pelo telefone. Falava, não, vem aqui que eu te passo o preço e tal. E ainda, três moleques saindo da faculdade, querendo fazer uma comparação de preço, querendo colocar isso na internet, eles não acreditavam e não iam mandar de jeito nenhum esse produto pra gente. Foi um momento que a gente falou, A gente não vai conseguir concentrar toda a informação de uma forma fácil.
Então, putz, como é que a gente vai desenvolver isso daqui? Vamos começar a pesquisar, vamos tentar testar, simula isso aqui, simula ali, vê se funciona, vê se não tem um outro caminho que a gente pode seguir.
Daí veio, acho que foi um ponto que a tecnologia, aí um novo entrante, substituiu o modelo antigo, né? de coleta de produto de preço humano, que é o que a pesquisa de preço fazia, essas FIPs que iam atrás do produto de preço coletável. A gente desenvolveu a tecnologia que puxava essa informação de sites que já estavam disponíveis na internet. Esse foi um dos momentos mais difíceis aí pra gente realmente falar, bom, vamos superar essa barreira aí.
Daí que a gente ficou desenvolvendo toda a tecnologia pra lançar o site, ficamos um ano só fazendo isso, só realmente desenvolvendo ferramentas pra poder pôr o site no ar.
Mas assim, foi uma loucura. A primeira vez que a gente teve que fazer um business plan melhor foi em julho. E a gente encontrou um site de uma incubadora que estava surgindo, a gente postou um artigo. Uma das pessoas que trabalhava na incubadora era um grande amigo meu, o Pedro Melo, hoje. E ele falou, olha, manda um business plan. E a gente falou, meu Deus, um business plan, ferrou. A gente precisa fazer um business plan correto. E a gente foi lá, correu, procurou na internet, business plan for dummies, o que seja, e montamos um business plan melhorzinho. Teve uma palestra na USP do GP. investimentos e que eles tinham acabado de comprar, isso já era setembro, eles tinham acabado de comprar uma livraria online, a BookNet, no Jack London, e estavam recrutando, e aí no final todo mundo foi lá e entregou o currículo para ser recrutado. Ao invés de currículo eu posso te entregar um business plan do negócio. Fomos recebendo várias propostas e decimos uma proposta mais formal e começamos a avançar com aquela proposta. Em um determinado momento, Nós estávamos um pouco confusos. E um dos amigos de colégio do Borges, o Geléia, o irmão dele, o Aníbal, ele era mais experiente, ele era mais velho, já trabalhava na maquinça e tal. E aí a gente ligou e falou, Aníbal, dá pra dar uma força e tal, não sei o quê? Ah, tá, vamos comer uma pizza. Mas o Aníbal disse, só pode pagar a pizza e o Guaraná. Não, tudo bem. Na segunda-feira ele liga, eu falei, e aí, vocês fecharam com o pessoal, alguma coisa? Não, não fechamos. Então não fecha ainda que eu tenho uma ideia. Falei, pô, Aníbal, mas não sei, o que é essa ideia? Não, não, espera até quinta, por favor, esperamos. Ele voltou na quinta-feira com uma ideia maravilhosa, ia montar uma incubadora meio vici, um fundo, ia levantar dinheiro, ia não sei o que, papapá, papapá. A gente falou, Aníbal, ideia maravilhosa, mas não deu uma ideia, a gente tá discutindo um contrato. Ele falou, me dá mais uma semana. E uma semana depois o Filha da Mãe tinha conseguido tudo que ele tinha prometido fazer. O primeiro escritório era atrás do Empanadas, na Vila Madalena, enfim. Enquanto a gente escutava a paquerinha do pessoal, era literalmente o imóvel de trás, a gente tava lá num forno programando num verão quentíssimo de final de 99, ali dezembro de 99, janeiro de 2000. Começo de fevereiro a gente mudou pro primeiro Primeiro lugar que a gente possa realmente chamar de escritório. E aí começou a ter uma cara mais de companhia, ainda sem estagiário nenhum.
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