G4 2024 Romero Rodrigues Back to the Future

Romero Rodrigues (cofounder/longtime CEO of Buscapé, later VC) gives a ~30-minute keynote at G4 2024 recounting Buscapé’s early technical and business struggles (launch 1 June 1999, disquette-era prototype, early retailer pushback), key milestones (breakeven Sept 2002; left Buscapé end of 2013), and his transition to professional venture investing. He reports having raised/managed large VC capital (2.5 billion reais raised for investment historically; most recent fund ~990 million reais in partnership with XP), evaluated ~2,500 startups per year and invested in ~5 annually, and having participated in ~10 unicorn exits. The talk centers on practical, numbered advice for founders on testing without code, focus, customer centricity (NPS example: Buscapé NPS ~16 vs industry ~30–35), unit economics before scaling, diversifying traffic, and resilience in crisis.
Questions this video answers
1 June 1999
35 stores (represented ~100% of Brazilian e‑commerce at the time, per speaker)
Maximum 1.4 megabytes (to fit on a disquette)
R$2.5 billion raised to invest in startups (accumulated over ten years as investor)
Approximately R$990 million (fund in partnership with XP)
Preços e atualmente é investidora de Venture Capital na Headline. Recebam com muitos aplausos Romero Rodrigues, venham para cá!
Boa tarde! Tudo bom? Todo mundo almoçou? Eu vim aqui para convidar vocês hoje para fazer uma viagem comigo. A gente vai voltar 25 anos no tempo para que eu, investidor, pudesse dar dicas para quando eu estava começando minha carreira de empreendedor. Há 25, 26 anos atrás. Bom, nós vamos ter que fazer isso, e nós vamos ter que fazer isso em tempo recorde. porque essa palestra normalmente dura 60 minutos, e a gente tem só 30. Então vou tentar ser rápido, dividir o máximo de dicas com vocês, mas eu já convido, como regra da nossa viagem, todo mundo que quiser pode me pedir pelo Instagram ou pelo meu e-mail. a cópia da apresentação, com todas as dicas, e vê em mais detalhes todos os links e tudo o que a gente vai estar falando aqui. Combinado? Bom, aqui um pouquinho sobre mim, eu não vou detalhar, é um quadro extenso, mas basicamente eu passei 17 anos como cofundador e CEO do Buscapé, que foi uma das primeiras startups brasileiras, e há 10 anos atrás eu decidi mudar de lado da mesa e me tornei investidor profissional em startups, num fundo de venture capital. Nesses dez anos, a gente acumulou 2,5 bilhões de reais em dinheiro levantado para investir em startups. Mais de 75 startups investidas. E durante a minha carreira eu tive a sorte de acabar participando de alguma forma, seja como investidor, investidor anjo ou conselheiro, de dez companhias que se tornaram unicórnios, ou seja, que seu valor passou de um bilhão de dólares. Mas, entrando no DeLorean, voltando para o passado, a gente vai para 1999 e encontra os fundadores do Buscapé, eu, Ronaldo, Rodrigo, o Mário. Numa época em que a internet era a linha de escada, numa época em que o maior site de busca era o Alta Vista, não existia Google, não existia iPhone, não existia sequer internet no celular. Aliás, existia celular há muito pouco tempo nessa época. E esses quatro jovens queriam montar um site baseado numa dor que eles tinham. O Rodrigo queria comprar uma impressora, procurou em todos os sites de busca da época, não encontrou nada sobre produto e preço, nem no Brasil, nem fora do Brasil, e veio a ideia de criar um site que só fizesse busca de produto e desse preço. E na hora que a gente acabou o site, a gente falou, pô, mais legal do que chamar de um site de busca de produto, vamos chamar de site de comparação de preço. E assim a gente lança o Buscapé, 1º de junho de 1999, na época com 35 lojas, o que representava 100% do comércio eletrônico brasileiro. Mas a verdade é que o Buscapé não começou exatamente assim. A primeira ideia do Buscapé foi bem diferente. Muitos de vocês não devem saber o que é isso, mas eu acho que alguns ainda lembram. A primeira ideia do Buscapé foi desenvolver um programa, que a gente chamava de programa cliente, que ele tinha que ter no máximo 1.4 megas. Uma foto hoje tem 5, 6, 7 megas. O programa inteiro tinha que ter 1.4 para caber dentro de um disquete que a gente ia colocar em banca de jornal para que o varejista pudesse pegar gratuitamente instalar no computador esse programa, esse programa ia varrer o hard disk do computador, do logista, ia encontrar o software de gestão ou a planilha de preço, ia juntar tudo isso quando desse meia-noite, ia conectar no modem que conectava na BBS, que fazia aquele barulhinho todo, para mandar os preços para o nosso servidor. Bom, não tem mais disquete, quase não tem mais banca de jornal, não tem BBS, não tem modem. Mas, há 25 anos atrás, com uma caixinha de disquetes, eu rodei o meu bairro em São Paulo e voltei com os mesmos 10 disquetes para casa e fui chamado de louco pelo menos 20 ou 30 vezes. E o varejo falou, você está viajando. A gente não dá preço. A gente não dá preço por telefone. Isso que você está fazendo nunca vai funcionar. E foi a primeira vez de muitas que o Buscapé morreu. Mas, óbvio, a gente não queria desistir, e a gente então decidiu capturar os preços que já existiam online. Tinham quatro lojas que davam preço online, a gente começou capturando elas, e depois foram surgindo mais, e mais, e mais, e a gente lançou o BuscaPé com uma ideia muito clara. A gente vai finalmente ter informação de produto e preço para o consumidor. Esses consumidores vão gerar tráfego qualificado para as lojas, E as lojas vão perceber que, poxa, o consumidor que vem do Buscapé tem maior probabilidade de comprar, vão querer aparecer em destaque. E tudo isso vai começar a girar e girar e girar. Quanto mais lojas, mais consumidores, quanto mais consumidores, mais receita. A gente pega essa receita, investe em publicidade e não tem erro. Isso aí vai crescer. Isso era 99, antes do primeiro investimento em qualquer startup brasileira. E a gente colocou o site no ar e no terceiro dia, pela primeira vez, o nosso telefone tocou. Eu atendi. e era o diretor de um dos maiores varejistas do Brasil, até hoje um dos quatro maiores varejistas do Brasil. E ele falou, pô, eu vi na imprensa, que na época a gente saiu na Veja, saiu num monte de lugar, eu vi bacana, vocês comparando preços e tal, não sei o quê, mas olha, eu não quero meus preços comparados, eu quero que você me tire do site hoje, até o final do dia, senão eu vou te processar. Bom, naquele momento, o Buscapé acabou pela segunda vez, E a gente entrou em reunião, os quatro sócios, durante a faculdade, estava todo mundo na faculdade, para discutir o que fazer. Decidimos não retirar do ar aquele varejista, seguir com a vida. Acabamos levantando uma rodada de investimento um ano depois. O Buscapé seguiu crescendo em audiência, ainda sem muitos clientes, até que no final de 2001, numa reunião de conselho, os conselheiros falaram, olha, Os investidores. A maioria das empresas de internet que a gente investiu quebrou. Então, se vocês não atingiram o ponto de equilíbrio até o final do ano que vem, a gente vai fechar o Buscapé. E a gente começou o ano procurando tudo quanto é forma de receita. Conseguimos, em 2002, equilibrar. em setembro de 2002, só que eu acho que o momento mais emblemático do ano aconteceu antes, aconteceu por volta de maio, era uma terça-feira, eu lembro bem, e a gente já tinha conseguido converter todos os grandes varejistas brasileiros em clientes. Menos um, que era justamente aquele que tinha ameaçado processar a gente, bem no comecinho da empresa, três anos antes, e que a gente nunca mais tinha conseguido falar com ele. E aí numa terça-feira a gente decidiu tirar ele do resultado de busca, e quando foi quarta-feira o telefone tocou, e era o mesmo cara. E ele falou, olha, eu tô há três anos pedindo pra você me tirar do resultado de busca, você não me tirou, e eu percebi que ontem você me tirou. Falei, pô, como é que você percebeu? Ele falou, é, as vendas caíram, caíram brutalmente. Falei, ah, Ele falou, olha, e é o seguinte, eu te dou hoje até o final do dia pra você me colocar de novo no resultado de busca. Se você não colocar, eu vou te processar. Eu não vou mentir, a primeira vez eu quase chorei, da segunda vez eu abri um sorriso, porque... A gente estava ferrado, a gente não sabia se ia atingir o ponto de equilíbrio, se a empresa ia fechar, foi antes de a gente conseguir pagar as contas. Mas uma coisa a gente sabia, aquela ladainha, aquele papinho que não tem mais preço tinha acabado, esse paradigma a gente tinha quebrado. Bom, o Buscapé seguiu crescendo, eu fiquei no Buscapé até final de 2013. Quando eu deixei o Buscapé, nós éramos um grupo já com 25 companhias, muitas delas grandes e conhecidas hoje como Vitex ou Hotmart, 600 milhões em faturamento, 1.500, 1.600 colaboradores. E o Buscapé foi adquirido nessa jornada por uma empresa sul-africana. Teve bastante repercussão na mídia, mas mais importante do que a manchete ou o número, era que, na verdade, o Buscapé era a primeira startup que passava por investimento em estágios, SID, Série A, Série B, que dava saída para todos os investidores. E justamente por isso, muitos empreendedores que estavam naquele momento lutando para crescer seu negócio, começaram a vir atrás de mim, dos meus sócios, para pedir conselho. No nosso mercado, a gente brinca, você vai pedir dinheiro, você geralmente ganha um conselho. Mas você vai pedir conselho, às vezes você ganha um cheque. E assim foi, eu acabei investindo em uma série de startups, me apaixonei por isso e falei, quero fazer isso profissionalmente. Foi aí que eu comecei a levantar. alguns fundos, o mais recente é um fundo de 990 milhões de reais para investir em startups brasileiras, que eu tenho em parceria com a XP, é o fundo da XP. E para quem tiver uma startup e quiser apresentar para o nosso fundo, pode usar o mesmo e-mail ali no cantinho, tanto para pedir a apresentação quanto para mandar a startup para a gente, tá bom? A gente costuma olhar 2.500 startups por ano para investir, em média, em cinco. Então é 500 para um, é um funil apertado, por isso que eu quero trazer para vocês algumas dicas de como passar por esse funil. Bom, o que é investir em... Inventure Capital. Eu brinco que Inventure Capital é você investir em uma empresa muito, muito grande, enquanto ela ainda está muito, muito pequena. Então, obviamente, não é qualquer empresa pequena que pode ficar muito, muito grande. Ela precisa estar em um mercado muito grande, ela precisa ter um time muito talentoso, resolver um problema importante, mas para ela crescer rápido assim, ela precisa de muita base tecnológica. Por isso, quer investir em tecnologia. E o que um bom time de fundadores faz é, ao longo da jornada, satiar esses riscos ao longo do tempo e focar só naquele problema. Então, por exemplo, vou fazer um site de comparação de preços. Quanto eu preciso? Preciso de 300 mil reais para fazer o MVP. Levanta com família e amigos, 300 mil reais depois, ou você tem o MVP ou você não tem. Se você tem, você continua com todos os riscos do mundo menos um. Você subiu um degrauzinho. Vamos ver se alguém vai usar. Agora vamos ver se alguém vai voltar a usar. Vamos ver se eu consigo cobrar, colocar um modelo de negócio. Vamos ver se eu consigo criar uma maquininha de vendas, escalar isso e fazer a receita crescer. Cada uma dessas etapas tem um desafio. E um bom time de empreendedores vai quebrar esse desafio, etapa por etapa, e resolver um por vez. O próprio Buscapé passou por essas etapas. De forma que um investidor que tivesse entrado lá no comecinho da história, na rodada CID, que foi final de 99, teria feito 300 vezes o dinheiro investido. Boa? Vamos, então, ver por quantas das 17 dicas a gente consegue passar nos próximos 15 minutos. A primeira, e é para quem está no comecinho da jornada, mas também é para quem está no meio da jornada, está testando uma nova funcionalidade, está querendo fazer algo novo no produto, é como você pode testar a viabilidade do seu modelo de negócios de uma forma mais simples e mais fácil. E aqui a maior provocação é o seguinte. Lembra o disquete lá do Buscapé, do comecinho? A gente ficou seis meses fazendo aquele programa, porque ele tinha que caber no disquete, ele tinha que ter toda aquela inteligência. Pergunto para vocês, se eu tivesse rodado todas as lojas do bairro com uma caixa de disquetes virgem, sem nada dentro, eu teria descoberto da mesma forma que ninguém queria aquilo, ou que queria. Para que eu perdi seis meses fazendo aquilo? Tudo que vocês estão testando, provavelmente, hoje em dia, não precisa de uma linha de código. Você não tem que começar a escrever código da tua startup ou da tua empresa antes de testar o mercado. E é barato testar o mercado hoje. Dica número dois. Dica número dois é evite... Aqui a gente está sem os títulos, mas depois eu passo para vocês na minha apresentação no meu PDF. Dica número dois. Cuidado pra não criar duas startups em uma. Às vezes a gente, na ansiedade de fazer a startup dar certo, a gente fala assim, ah, eu tô vendendo pra consumidor? Eu vou vender pra empresa também. E eu tô vendendo pra empresa pequena? Eu vou vender pra empresa grande. Porque isso diminui a probabilidade de eu morrer. Não, isso aumenta. Porque você vai começar a dividir seus recursos entre essas frentes. O cliente consumidor vai pedir uma funcionalidade, o cliente SMB vai pedir outra, o enterprise vai pedir outra. Pô, eu tô fazendo isso aqui no Brasil, tá no comecinho, mas acho que se eu for pra Portugal, se eu for pra Guatemala, eu vou aumentar meu mercado. Não vai. Você vai se distrair. A coisa mais importante que você tem na startup é o teu foco. Foca. Dica número três. Fique perto, fique grudado no teu cliente. Esse gráfico aqui é o NPS do Buscar Pé. NPS é uma medida que tem de satisfação. A gente foi o primeiro a medir NPS porque a gente trouxe a metodologia para o Brasil quando a gente comprou o EBIT. E a gente media do comércio eletrônico inteiro. Era em torno de 30, 35. Um dia a gente falou, vamos medir o nosso. A gente nunca mediu o nosso. Medi uma primeira vez, 16. Primeira reação, negação. Está errado. Vocês erraram. Impossível ser 16. O comércio eletrônico, que entrega às vezes tijolo, tem 35. Mede de novo. É a mesma coisa. Aí a segunda reação, raiva. É, brasileiro é fogo, não dá valor. A gente se mata para trazer todos os preços e tudo mais. 30 mil lojas no resultado de busca. Aí a gente foi fazer o que a gente devia ter feito desde o começo, a gente foi sentar com o nosso usuário. E a gente entendeu que ele tinha uma dor enorme, porque ele chegava num resultado de um modelo de telefone da Samsung e tinha 600 ofertas. Só daquele modelo. A chance dele escolher a melhor era uma em 600. Dava agonia, dava ansiedade. Sabe o que a gente fez? Reduziu. Colocou as 5 ou 6 melhores. O NPS explodiu. Agora, olha que loucura. A gente diminuiu de 30 mil lojas para 5 mil lojas. Você sabe o que é jogar 25 mil clientes fora depois de ter custado para adquirir, para fazer onboarding, para fazer contrato, time comercial? A gente podia ter evitado tudo isso. Era só ter sentado com o nosso usuário. Outro exemplo legal. Essa placa está na sede do prédio da Amazon, no prédio-sede da Amazon em Seattle. Não é uma homenagem ao pai do Jeff Bezos, nem a ele, nem ao filho dele. É uma homenagem ao cliente que comprou o primeiro produto na história inteira da Amazon. Isso fala. Isso berra para os colaboradores. Isso é a centricidade no cliente. Outra dica. Eu vejo, às vezes, muito empreendedor preso na solução. Então ele acha que o mundo está quebrado, perfeito, ele bola uma solução para o mundo e ele esquece do problema. E ele começa a ficar procurando gente que tenha a dor que encaixa no problema dele. É muito difícil isso dar certo. O segredo é o contrário, é você encontrar um grupo de pessoas com uma dor suficientemente grande, um grupo que seja grande também, que tenha uma dor e você resolve o problema delas. e não o inverso. Toma cuidado para não ser martelo procurando prego. Terceira dica. Quinta dica, eu acho, já. Faça coisas que não escalam no começo. No começo, você não tem que estar preocupado em escalar. Você tem que estar preocupado em resolver todos os buraquinhos, todos os probleminhas da sua plataforma. Eu chamo que é o dilema da janelinha quebrada. Uma janelinha quebrada, você fala assim, poxa, eu sou uma startup de logística, eu entrego 98% no prazo. Quantas entregas você faz hoje? Dez. O que vai acontecer quando forem 10 mil? Aí vai ser barata a voa, aí vai ficar todo mundo doido. Então não está na hora de escalar, conserta primeiro. Outra coisa muito importante. Entenda os números e os dados da sua empresa. Esse é um analytics que a gente tem, que se chama Deep Dive, proprietário do meu fundo, para justamente analisar, é um hemograma da empresa. Ele vai analisar se aquela empresa encontrou fit de produto e mercado ou não, o que é fundamental para a gente. A gente gosta de investir depois que tem fit de produto e mercado. E o que esse gráfico mostra é que, na verdade, quando você olha o número de clientes que uma empresa tem em um determinado momento, então aqui é uma startup B2B de assinatura, 30 clientes. Mas esses 30 clientes vêm de vários meses anteriores e a receita que eles geram também é uma composição da receita de todos os clientes anteriores. Isso se chama quebrar por safra. Por que isso é legal? Porque aí você consegue ver os clientes e a receita que você está perdendo. Então, essa startup tem métricas que são o estado da arte. Ele consegue manter 80% dos clientes, mesmo depois de dois anos, pagando todo mês. Mais do que isso. Ele aumenta a receita. Porque, apesar de ele perder 20% dos clientes, os 80% que ficam gastam mais e mais e mais. Mesma coisa se a gente fosse olhar moda, e-commerce de moda. Não só, óbvio, como é e-commerce e você não está assinando, para você voltar todo mês para comprar de novo, talvez seja um pouco demais. Mas essa empresa, ela não só consegue fazer, na média, 11% dos clientes comprarem todos os meses depois que compram a primeira vez, como esse percentual aumenta ao longo do tempo. O que quer dizer isso? Não adianta secreciar um negócio que tem balde furado. Se os clientes não estão voltando, se os clientes não estão ficando, não tem porque você gastar dinheiro em mídia, em marketing, em aquisição de cliente. Conserta o furo do balde antes de encher de água. Mais uma dica. Não adianta escalar prejuízo. Não, se você está com prejuízo, não escale. E o que eu chamo de prejuízo não é na empresa. Prejuízo é a receita menos o custo de mercadoria vendida ou a receita menos o custo de servir o cliente. Ou seja, eu estou falando do lucro bruto, da margem de contribuição. Se comprar uma garrafa de água por R$ 1 e vender por R$ 0,90 só para subir a receita, não diz nada. E não importa se você está crescendo 50%, 100%, 200%. Você está distribuindo dinheiro. Empreender não é isso. Empreender é comprar por R$ 1 e vender por R$ 1,10, R$ 1,20. É lógico que é difícil. Não é fácil. É a profissão mais difícil que tem. Então, cuidado para não escalar prejuízo. Bom, mais uma dica. Para todo mundo que está no Gramado Summit e que quiser conhecer essa ferramenta, a gente vai disponibilizar, podem também me escrever no e-mail. E o legal dessa dica aqui é o seguinte, se você está pensando em levantar dinheiro com um fundo de Venture Capital, Você tem que entender como um fundo de venture capital olha os números da tua empresa. É como você fazer um simulado antes de ir para uma prova. Você roda os números. Ah, os números ainda não estão muito bons. Roda mais uma vez. Pô, agora melhorou. Agora acho que eu vou começar meu road show. Então, usa a forma como os fundos pensam a seu favor. Bom, motorzinho está redondo, está tudo certo. Agora nós vamos acelerar. Eu brinco. Fizemos a telemetria, tudo legal. Encontrou fit de produto e mercado, bora colocar aditivada. Vamos acelerar esse motor. Quais os cuidados? Talvez o principal aqui é não depender de uma fonte de tráfego só. Principalmente mídia de performance. A mídia de performance tem que ser feita sempre. E ela é muito importante no começo da empresa, porque você consegue testar rápido. Trazer clientes rápido. Mas qualquer empresa, seja startup ou não, que dependa vender só do Google, ou só do Instagram, ou só do TikTok, Vai ter problema, porque o Google, o Instagram e o TikTok são muito competentes em tirar toda a margem dos anunciantes, porque eles colocam todos os anunciantes para competir pelo mesmo cliente. Eu sei disso porque o Buscapé fazia isso com o varejo. Toda a margem do varejo vinha para o Buscapé, porque eles tinham que competir ou baixando o preço ou pagando para estar mais em cima. Então, seja criativo, guerrilha, diversifique as suas fontes de tráfego. Bom, resumo rápido. Vocês lembram dessa tela aqui? A gente tem um ponto muito importante nessa tela, que é o fit de produto e mercado. Que é justamente quando a gente consertou os buraquinhos na janela, quando a gente acertou tudo e que a gente vai começar a acelerar. Então, o resumo do que eu falei até agora, para quem está cansado pós-almoço, deu uma dormidinha ou está chegando agora, basicamente tem três momentos da startup. O primeiro momento, Em vermelho, é o momento onde você vai validar as hipóteses, é o momento onde você vai entender o cliente, você vai estar focado até encontrar o fit de produto e mercado. Puta, que legal, encontrei. Eu acho que eu tenho um negócio legal aqui. Vamos acelerar, vamos crescer. Vamos botar dinheiro para contratar vendedor, fazer marketing, fazer essa empresa crescer. É a parte azul. Venda, venda, venda, mas é venda em um mercado. É o seu produto principal. É um público. Não é hora de sair expandindo para Portugal, para Guatemala, para onde for. Poxa, eu escalei. Eu sou líder naquele espaço que eu estou. Eu estou pronto. Esse meu produto principal é rentável. Eu estou pronto para expandir. Aí eu vou levantar uma outra rodada, que se chama inclusive de Growth. A gente costuma fazer a rodada do vermelho para o azul, do azul para o verde, é o que a gente chama de growth, de capital de crescimento. Aí sim, aí esse dinheiro é para se eu tinha uma startup que fazia IRP, agora vou fazer CRM também. Vou criar um produto CRM ou vou adquirir alguém. Era só B2C, vou fazer B2B. Estou só no Brasil, quero ir para Guatemala, agora é a hora de ir para Guatemala. Bom, dicas finais nos nossos últimos três minutos, mas muito importantes. Primeiro, startup é antifrágil. O que eu quero dizer com isso? Vocês lembram quando a gente tomou a segunda ameaça de processo do Buscapé? Quando os funcionários souberam, eu estava meio desesperado de como eles iam reagir, todos urraram, fizeram festa. Falaram, o que está acontecendo? Eles falaram, está dando certo, a gente está incomodando. É isso que a gente veio fazer. E a nossa missão era dar poder ao consumidor. Então, na cabeça do time, quanto mais o varejo batia na gente, mais forte a gente ficava. Dica 12, eu acho que essa já está na 12. Gente boa gosta de andar com gente boa. Só se cerquem de gente boa. Se você puder jogar no Real Madrid ou no 15 de Jaú, é óbvio que você vai jogar no Real Madrid. E gente boa vem por alguns motivos muito específicos. Treze. Aqui foi até bom ter cortado o título, porque o título aqui era Desconfia de toda e qualquer, e desculpa o francês, cagação de regra. Tem mil manuais de como fazer, de como levantar. Então, ficou na moda, uns anos atrás, o tal do Valuation Napkin. Então, era num guardanapo, e o guardanapo está lá escrito e fala assim, olha, se você chegar a um milhão de reais de faturamento em três meses, você vai ter seis ofertas de investimento na sua empresa. Ela vai ser avaliada em dez vezes a sua última receita. Cara, sério? Talvez para o mercado americano, mas no Brasil? Então, gente, lembra. This is Brazil. Não é fácil. Não tem uma receita de bolo única. Não adianta você achar que está seguindo uma regrinha. Vai dar certo. Use o teu bom senso. Use o teu instinto. Tenha um plano B. Bom, outro problema. Ninguém chega sozinho. até o final. Se a gente olhar a participação, por exemplo, de Larry Page, do Google, ou Jensen, da NVIDIA, são participações de 3% da companhia. Mais do que isso, não fique preso em valuations. O único valuation que importa é o último, quando você vende a empresa. Os valuations intermediários não interessam. Cuida da diluição, mas para de se preocupar com manchete, que minha startup captou mais ou menos. Por quê? Porque uma startup que é comprada no final da jornada, ela vale muito mais do que uma startup que tem que ser vendida. Ela vale dez vezes mais. Talvez uma das últimas mensagens, ou penúltima aqui, no final do dia, é resiliência. Quem ganha o jogo, não é o que entrou primeiro no mercado, quem ganha o jogo não é o que conseguiu cobrar melhor do cliente, quem ganha é quem fica de pé até o final. Zuckerberg fala, it's not about the first mover, it's about the last man standing. Tocou o gongo do 15º round, quem está de pé ganhou. 90% é sobreviver, é ser resiliente, é manter o time inspirado. Por último, surfe as crises. A gente tem crise sem parar no Brasil. Crise é oportunidade para quem está empreendendo. As maiores empresas de tecnologia foram criadas durante a crise. Microsoft foi, Apple foi, Buscapé foi, Mercado Livre foi, Google foi, Tesla foi. Surfem as crises. Como diz Winston Churchill, nunca desperdice uma boa crise. E como eu gosto de dizer, ideia boa, Não é de quem tem, é de quem faz. Então, bora fazer. Obrigado, gente. Mais.
Aplausos, amigos. Muito obrigado. Foi genial. Muito obrigado ao Romero Rodrigues. Parabéns.
Muito bom.
Senhoras e senhores, antes da próxima atração, olha como a plenária já está mais cheia. Que legal, hein? Que bom, hein? Bacana. Caras novas que eu não tinha visto antes, hein? Muito bem. Tomando a sua aguinha de latinha, né, cara? Que maravilha. Se hidrata. Joga água nesse seu corpo. Deixa ele inteirinho hidratado pra você continuar performando como você faz, cara. Muito bem. Olha, antes da gente continuar, lembrem que, puxa vida, você pode voar de helicóptero, hein?
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