Guilherme Benchimol e Romero Rodrigues eles tinham tudo para

Romero Rodrigues, who founded Buscapé and now invests through a partnership with XP and Headline, talks about how VCs pick founders, what they offer beyond money, and why founders often raise too much. He breaks down seed to growth stages and how his platform uses XP's client base and Headline's global reach to find deals.
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June 1999 (Romero was 21 years old).
In 2009, 91% of Buscapé was sold to Naspers for USD 342 million.
Romero ceased day‑to‑day involvement at the end of 2014 (effectively out by 2015).
2022.
XP is described as having about 4 million clients and ~12,000 advisors/assessores.
Chapters
Quatro universitários, amigos de faculdade querendo montar um comparador de preços. O que pode dar errado? Tudo.
Sócio inteligente te pergunta coisas inteligentes e te faz encontrar respostas inteligentes.
A crise já traz à tona as ineficiências, as dores, as necessidades. Então, a água baixa, você vê quem está pelado, você vai vender sunga.
No Brasil, a aspiração é virar ou cantora ou futebol, né? Se a aspiração virar empreendedor, isso bota a gente em outro patamar.
Bom dia, boa tarde ou boa noite. Meu nome é Samuel Ponsonio, sou gestor dos fundos da família Selection aqui na XP. E esse é mais um episódio do Outliers, o podcast que traz para vocês os melhores gestores de fundos do Brasil e de fora do Brasil. Como de praxe, tenho aqui do meu lado a Carol Oliveira, que é coordenadora de análise de fundos na plataforma da XP. Tudo bom, Carol?
Tudo bom, gente. É um prazer estar aqui com vocês hoje.
E hoje o episódio está sensacional porque a gente conseguiu reunir aqui duas lendas do empreendedorismo brasileiro para um bate-papo sobre investimentos e investimentos em startups, ou no jargão do mercado aqui, investimentos em venture capital. Um dos nossos convidados é o sócio fundador da XP, Guilherme Benchimol. Guilherme, muito, muito obrigado por conseguir arranjar um espaço na tua agenda super disputada para falar com a gente aqui.
Bom, uma dessas é assim, perdível. Então, um prazer estar aqui com vocês, com o Romero. Muito bom. Espero que vocês gostem do bate-papo de hoje.
Mas, sim, difícil não gostar. E o outro, nosso convidado, também de peso, é o Romero Rodrigues, que dentre outros feitos, foi sócio fundador do site de comparação de preços Buscapé, que se tornou um negócio extremamente bem sucedido e foi um dos grandes cases de sucesso do empreendedorismo brasileiro. Romero, prazer enorme te receber aqui.
Samuel Karol, obrigado por estar aqui. Guilherme, obrigado.
Bom, a história do Guilherme com a XP é espetacular, eu acho que a imensa maioria dos nossos ouvintes conhece muito bem. A do Romero também é muito bacana, mas talvez uma parte de quem nos acompanha aqui não conheça tão bem, por isso eu vou fazer aqui um resuminho antes de a gente entrar, de fato, no nosso bate-papo mais voltado para investimentos e para gestão. Romero. Romero passou a infância na Vila Mariana, em São Paulo, fez colégio no Porto Seguro, Na oitava série mais ou menos se apaixonou por computação, imagino com seus 14 anos de idade, e resolveu que era com isso que ele ia trabalhar quando chegasse a hora. Anos depois ele ingressou na Poli para fazer Engenharia Elétrica, com ênfase em computação, na época não tinha computação na Poli ainda. Durante a faculdade ele fez lá um estágio no Laboratório de Arquitetura de Redes de Computadores, no LARC, onde ele conseguiu... se aprimorar ainda mais. E em junho de 99, no meio da faculdade, com apenas 21 anos de idade, ele, junto com outros amigos, teve uma ideia de montar essa empresa para fazer comparação de preços, chamada Buscapé. Depois um quarto sócio se juntou a eles, que tinha se formado na GV, e ficou responsável pela parte financeira da empresa. Fast forward aqui, dez anos depois da fundação, em 2009, após várias rodadas de investimentos com investidores Anjo, Fundos Venture Capital, Private Equity, nem tinha tanta essa divisão no passado, eles venderam 91% do Buscapé para uma empresa sul-africana chamada Naspers por 342 milhões de dólares, tendo restado na ocasião somente 9% das ações com os executivos. O Romero permaneceu no Buscapé, liderando ali a empresa até o fim de 2014 barra início de 2015, quando ele saiu e logo depois se juntou a outros sócios para iniciar sua jornada na gestão de Venture Capital, então numa empresa chamada Redpoint Ventures. Por fim, em 2022, depois de sair da Redpoint, o Romero anunciou uma parceria com a XP para fundar a Headline, que é o braço de gestão de fundos 100% focado em venture capital. Enfim, esse é o resumão do resumão do resumão. Romero e Guilherme, eu queria, enfim, introduzir vocês aqui na conversa. Guilherme, eu queria que você começasse a ir puxando já o nosso bate-papo.
Bom, gente, vamos lá. Eu acho que eu nunca fui entrevistador, né? Bom, se bem que aqui eu vou ser entrevistador entrevistado, né? Eu começaria querendo entender, assim, por que o mundo de você, cara? O que te levou nessa direção? O que você aprendeu que a mosquinha te mordeu e você falou, é pra cá que eu vou?
Boa pergunta, Guilherme. Você sabe que quando teve a saída do Buscapé, e foi uma transação emblemática na época e tudo mais, o que a gente não tinha percebido é que o Buscapé era a primeira startup que passava por financiamento por estágio, por venture capital, e que dava saída e retornava para todos os investidores. Então, o investidor lá rodado a CID fez 300 vezes o dinheiro, da série A fez 60, da série B fez 11 vezes.
Não me lembro de ter tido empresas anteriores que tivessem tido rodadas e etc.
Foi a primeira startup a passar por isso tudo. E aí quando a gente atravessou essa ponte, Muitos empreendedores, muitos founders começaram a procurar eu, meus sócios, e falar, pô, me dá uma mentoria aqui, me dá uma mentoria ali, conversava, três, quatro papos, pô, vamos fazer isso todo mês. Eu falava, não dá, pô, eu tô tocando o meu dia a dia lá no Buscar a Pé. Pô, deixa você investir num valuation descontado, pô, eu te dou x% da companhia. Quando eu percebi, eu tinha 30 investimentos, anjo. e comecei a me apaixonar por aquilo. Então eu fazia investimentos em tudo menos no core business do Buscapé, pra não dar conflito, e eu tava sempre com gente mais inteligente do que eu e sempre aprendendo sobre setores que eu não tinha a menor ideia. Minha vida tinha sido comércio eletrônico, pagamento e publicidade só. E aquilo me picou, e eu comecei a ficar fascinado, fascinado, fascinado. As coisas no Buscapé estavam indo bem, até o dia que não estavam mais. E quando eu discordei do sócio controlador, eu falei, bom, vou procurar meu caminho. E aí ficou bem óbvio, eu falei, pô, eu quero fazer isso que eu tava fazendo de uma forma amadora, de uma forma profissional. Aí eu fui buscar como fazer isso de uma forma profissional.
Legal.
E como que foi o teu caminho.
Ali de você sair no final de 2014 no Buscapé, é isso?
Isso. Eu saí do Buscapé final de 2014. Eu decidi sair final de 2013 para 2014, quando mudou a gestão da Naspers. E aí a decisão era que o Buscapé ia ser fatiado em diferentes negócios. Eu discordei e fiquei durante 2014 fazendo o processo de transição de uma forma bem tranquila. E 2015 eu já estava fora. Estava só com um título lá de chairman, alguma coisa assim, mas não estava mais no dia a dia da empresa.
Conta um pouco pra gente então dessa parte pós Busca a Pé, porque a parte de Busca a Pé, e eu falei aqui de maneira mega resumida, porque foi muito, muito noticiada na mídia na época, as cifras envolvidas eram muito altas, esse caso de sucesso do empreendedorismo brasileiro. Eu lembro que em 2009 eu tava saindo da Poli, colega politécnico, a gente vibra, a gente gosta quando os brasileiros vão... Barrista! Quando é da mesma faculdade, a gente fica mais feliz ainda. E eu lembro que chamou muita atenção e muita gente conhecia a sua história até Busca Pé, mas depois Busca Pé, você meio que saiu dos holofotes. Se você pudesse resumir pra gente o que foram esses últimos sete anos teus?
Boa, quando eu decidi ir pra Venture Capital, uma das coisas que eu fiz foi obviamente conversar com diferentes casas, diferentes investidores, entender como fazer, como ganhar nesse jogo. E é uma classe de ativo muito específica, ela é... É quase um trabalho de alfaiataria. Você tem uma série de coisas que você não consegue escalar e não vai escalar mesmo. Você precisa estar próximo do empreendedor, você não coloca muito dinheiro pra trabalhar no começo, então o tamanho dos fundos não costumam ser gigantescos. São bons, mas não são gigantescos. Mas uma das coisas mais curiosas é que é talvez uma das poucas classes de ativo que normalmente o ativo escolhe o gestor. Então, se eu sou um gestor de bolsa, eu vou lá, pego Petrobras na prateleira e coloco no meu portfólio. Ah, vale, pego vale e coloco no meu portfólio. Mas venture capital não, é a startup que escolhe o gestor. Por quê? Porque você tem uma sensação de seleção completamente falsa. Então, a gente olha mil e duzentas companhias a ano para investir em seis. Então é 200 para um. Só que os seis que você investir, eles vão ter a menor dificuldade de levantar o cheque que você vai escrever. Um, dois, três, quatro, cinco milhões de dólares, ele faz assim, pum. Liga para o Guilherme, Guilherme, pá, já caneta ali um, liga para mais dois, três contatos, pá, resolvido. Então você tem que oferecer mais do que dinheiro. Dinheiro é necessário, mas vale mais, às vezes, o nome no cheque do que o número no cheque.
Perfeito.
É muita externalidade. Então você tem que criar uma plataforma que tenha diferenciais pra que o founder se apaixone. E no limite fala assim, pô, legal que tem você me oferecendo cinco, mas eu acho que quatro desse cara aqui eu vou mais longe. E aí que tá o segredo do negócio. Como é que você cria essas externalidades.
Mas Romero, o que que faz uma startup te escolher? Porque assim, dinheiro hoje em dia não falta. Não faltam fundos, mas o que é o diferencial que você consegue oferecer na prática?
Na prática, a gente brinca que parte do nosso trabalho é escolher os empreendedores que já iam dar certo, mas fazer eles darem certo mais rápido e maior. Então, tá disponível sempre pra estar ajudando em diferentes frentes. Dependendo do estágio da companhia, tem algumas coisas claras que a gente tem que ajudar. Então, normalmente quando faz um cheque de série A, você vai ajudar ele a construir máquina de vendas, vai ajudar ele a contratar time, ainda não tem um time embaixo dos founders muito sênior, vai ajudar ele na próxima rodada e assim por diante. Mas no final do dia, o founder vai olhar muito o que você traz de olho roxo de cicatriz. Então imagina aquelas dificuldades todas que você lá passou em XP no começo, eu em Buscapé, seja falta de funding, seja problema, às vezes burocracia, o que seja, contratação de pessoas chaves. E eu passei por diferentes tipos de investidores em diferentes momentos do Buscapé, sou muito grato a todos, mas eu tive investidores bem no começo da história do Buscapé que foram fundamentais para o sucesso da empresa. O nosso primeiro plano de negócio era uma página de Word. Não tinha McKinsey, era quase sócio da McKinsey, ele já remodelou aquilo. Aquilo já valorizou a startup em duas vezes. O outro era conectado, tinha trabalhado no Chase, conhecia todo mundo em Nova York, conseguiu me conectar com todos os possíveis investidores. O terceiro era operador, passava cabo em São Paulo inteiro. Então falou, deixa eu te ajudar aqui no administrativo financeiro e todo o resto. Então esse valor agregado, tirando o que é burocracia, o dor de cabeça, da mão da frente do empreendedor, ou às vezes palpitando e provocando pro empreendedor ir pra direção certa, é o que faz o empreendedor falar, pô, eu quero fulano ou ciclano aqui no conselho da minha empresa. E tem essa identificação, quer dizer, como eu fui founder, você foi founder, quando você vai pro outro lado da mesa, o empreendedor olha e fala assim, pô, esse cara sabe o que eu tô sentindo. E essa empatia vale dos dois lados. Então eu sei, na hora de fazer um pós-mortem de algum problema seríssimo, que a empresa fracassou num projeto ou qualquer outro, Por exemplo, eu sei como o founder está se sentindo, eu sei a hora de apertar, eu sei a hora de fazer carinho, eu estive lá, sei como é. E acho que essa empatia também conecta muito e traz muito negócio.
Eu tenho uma... Eu me sinto muito atraído por conversar com os empreendedores, eu adoro ajudar o empreendedor a enxergar uma coisa que ele não tinha enxergado. E é gratificante você mexer uma coisinha e você vê que aquilo mudou completamente a história dele, né? Então acho que se eu não estivesse aqui, eu acho que eu estaria ao seu lado aí o tempo inteiro ajudando os empreendedores, né?
Vambora!
Vambora junto, né?
Vambora junto!
Mas eu ia comentar da... Então não é só o cheque, é muito mais do que o cheque. Ou seja, aquele empreendedor que está se sentindo sozinho, que tem uma boa ideia, que tem um bom time, mas quer de repente conversar com alguém que possa ajudar ele a levantar a cabeça, essa é a ajuda que você faz.
É isso aí. Está no momento bom e no momento ruim.
Eu sei a importância disso porque a gente teve na XP três grandes investidores. A gente teve um fundo britânico que entrou em 2010, que a gente era uma empresa bem mais rústica do que a gente era, e aí ajudou a levantar a cabeça, ajudou a criar governança e de fato ajudou a gente a avançar muito mais. Depois entrou um fundo americano e há cinco anos atrás entrou o Itaú. Então quando você traz sócio inteligente, sócio inteligente te pergunta coisas inteligentes e te faz encontrar respostas inteligentes.
É isso aí, é isso aí. Eu lembro de um conselho, um dos primeiros conselhos formais do Buscapé, e um dos conselheiros, não culpa dele, ele não estava no mundo de startup, ele era conselheiro de grandes empresas listadas dentro e fora do Brasil. Eu fiz a apresentação toda, os números, o que a gente estava fazendo, a empresa devia ter 15 funcionários. E no final eu coloquei três grandes questões pra gente discutir, mais estratégicas, e eu queria input. Eu lembro que ele virou pra mim e falou, Você não entendeu muito bem esse negócio de conselho, né? Não é pra gente dar conselho, não. Você diz o que você quer fazer, a gente fala não. Ou a gente fica quieto. Eu falei, pô, não acredito que vai ser isso. Eu tô precisando de ajuda aqui. Então, esse foi no meio do caminho, né? Depois, enfim, depois tivemos investidores também que voltaram a ajudar bastante. Mas teve um momento ali, que foi principalmente depois do estouro da bolha, em que a gente se sentiu muito sozinho. A gente, aquela incubadora que ajudava a gente não sobreviveu, a bolha, e a gente sobrou em reuniões de conselho que iam de trimestral, virou semestral, virou anual, aí virou basicamente aprovação de orçamento e uma solidão terrível no meio daquele inverno nuclear. Então, a gente que passa por isso, a gente sabe como é importante às vezes ter alguém pra ligar e falar o que a gente tá deixando acordado à noite. E toda semana eu pingo todos os meus empreendedores e falo, O que você está precisando? O que está te deixando acordado à noite? Vambora!
E Guilherme, passando aqui para a estrutura da célula de Venture Capital que foi montada aqui para o Romero, eu queria perguntar para você, qual que foi a sinergia de se montar e se estruturar uma célula de Venture Capital dentro da XP? Eu acho que esse ano a gente teve o episódio 46 do Outliers com o Shu Kong, que é gestor dos fundos de Private Equity, e o que de fato a criação da célula de Venture Capital junto com o Romero e seu time, vão ter de sinergia no ecossistema da XP?
É uma classe de ativos que a gente não tinha na empresa. Então, a gente, como uma empresa que quer ajudar cada vez mais o brasileiro a investir melhor, era importante a gente lançar essa classe nova de ativos. É um desafio, porque é uma classe que é super específica, não adianta a gente buscar uma pessoa que tenha a cultura da empresa, mas que não tem experiência e quando a gente conheceu o Romero, a gente viu que a gente tinha uma pessoa que combinava com a gente e que ia montar um sonho grande. E também a gente tem um ecossistema muito rico na empresa, então o desafio de quem vai gerir um fundo desse é justamente onde é que você vai originar dinheiro a longo prazo e onde é que você vai originar boas oportunidades. Então hoje são 4 milhões de clientes, eu diria que a XP tem uma história empreendedora, então a gente se conecta com muitos empreendedores no Brasil. A gente tem 12 mil assessores que bem ou mal estão na ponta conversando com os clientes, então conhecem os empresários locais. Então isso tudo somado, tendo a pessoa certa, isso tudo é algo que é extremamente atraente e a gente consegue ajudar startups de várias outras frentes. O fundo consegue ajudar na gestão, no capital, e a XP depois consegue ajudar em mercado de capitais, consegue ajudar com uma dívida, consegue ajudar com várias outras coisas que fazem parte da nossa estrutura. Isso tudo traz um serviço para o empreendedor ainda melhor. Então essa foi a beleza de ter lançado essa vertical e de estar super animado com ela.
O Shu, quando veio aqui, falou que você que o provocou pra vir pra XP. Como foi o caso do Romero?
Com o Romero, olha, eu sempre admirei muito ele, tá? A gente conversava, a gente se encontrava em vários eventos. E... Tô querendo lembrar, assim, pô, como é que a gente...
Eu nem preciso dizer o quanto eu te admiro.
Ah, lembrei, lembrei. A gente se encontrou no closing lá da Jive.
Foi, exato.
E você era sócia.
É isso.
Falei, pô, Romero, a gente tem que conversar e tal. Isso tem um ano e pouco atrás, né? E aí a gente começou a conversar, eu contei um pouco da experiência com o Chu, que tinha sido super bacana, a gente tinha levantado com o Chu um 1.2 bi de real, e foi um sucesso a oferta, e a gente ia levantar outro fundo na sequência, e eu falei, pô Romero, você é a peça que falta no Quebra Cabeça. Você é a peça. E aí foi assim que a gente começou a conversar, e assim, não tem como não ter uma química natural com ele, porque ele combina com a gente, um cara fácil, simples, super construtivo, e aí a gente foi costurando, entrou o Pires no meio, e a gente fez o casamento.
Show.
Romero, explica pra gente então, pros nossos ouvintes aqui, os detalhes dessa empreitada que você tá montando aqui junto com a XP. A XP é sócia de uma empresa que você tá montando, você virou sócio da XP. Dá os detalhes que você puder dar.
Pra gente, por favor. Quase que sim, sim. Na prática, o que aconteceu foi eu, Redpoint e Ventures, que se chama Headline agora, tínhamos decidido captar um terceiro fundo sucessor a Redpoint Ventures, onde os cinco sócios seguem lá cuidando daquele legado. E aí, quando a gente, na verdade não chegou a anunciar, mas quando vazou no mercado, o Pires me chamou pra um café, a gente já tava ali conversando, namorando há um tempo, falou, pô, achei muito legal a iniciativa, falei, pô, que legal, porque eu quero tá parceiro da XP, ele falou, pô, legal, mas o que a gente quer é mais do que parceria, a gente quer que você venha aqui pra dentro, tocar... a Venture Capital e, pô, fiquei super animado. Consegui um modelo onde, inclusive, a gente tem parceria com a Headline Global e com o fundador da Red Point, que é o Jeff Brody, para que eles continuem aportando valor na nossa operação agora de venture capital. Então, não só com insights. Então, uma coisa que a gente faz é trazer eles para o nosso comitê de investimento para discutir as teses. E aí, nove de dez vezes, é um pouco do que o Martins Kobari fala, que às vezes investir no Brasil é olhar para trás, porque tem réplica de modelos. Isso acontece também em venture capital. Então, nove de dez vezes que a gente está olhando uma startup, eles já viram algo parecido, às vezes eles já investiram. E aí, a gente traz esses insights para tomar nossa decisão se investe ou não. E além disso, plataforma tecnológica. Então a gente conseguiu combinar uma casa de venture capital global com sites globais, que é a Headline.
Explica aí em um minuto pra gente o que é a Headline, pra quem não conhece.
A Headline hoje é uma casa de venture capital global que nasceu no final da década de 90. Tem aí escritórios locais. a gente representando eles na América Latina, tem Estados Unidos, Europa e Ásia, com fundos de early stage, que investem na startup no comecinho, e fundo de growth, que investe quando ela está grande. Tem aí um portfólio muito saudável, eles são top 10% global hoje em termos de retorno, estão no primeiro The Seal, E estão no Brasil desde 2012 através da Redpoint Ventures e agora através da nossa parceria entre XP e Headline.
Então eles vão ser sócios dessa empreitada aqui junto com o XP?
Junto com o XP, perfeito. Então no final a plataforma é única porque uma plataforma tradicional de venture capital teria um time de gestão, com track record, com reputação, que vai trazer os deals. diria que a gente tem. A gente tem o que é novo, o alcance da XP, não só pra captação, mas o Guilherme colocou super bem pra originação. Então, quando a gente pensa no mundo pós-pandemia, as startups todas basicamente remotas, a originação vai sair desse eixo Rio-São Paulo. Até hoje era fácil cobrir. São Paulo, Rio, no máximo Floripa, você cobria 95% das startups. Pós-pandemia, Pico Nacional. E aí a nossa plataforma com 12 mil assessores é imbatível em originação. E por último a Headline, trazendo insights internacionais e plataforma tecnológica.
Hoje é o time, todo o time que vai tocar esse processo de alocação e gestão dos ativos. A gente conta com uma consultoria, digamos assim, da headline, a gente conta com o ecossistema da XP, conta também com você, com a experiência enquanto empreendedor, e conta também com o time que você vai formar.
Perfeitamente. Estamos formando um time. Já trouxe uma pessoa sênior para o time. Nós vamos ter eu, mais duas pessoas sênior como partners. Três alistas e associates, mas três estagiários. Então, um time de nove pessoas no front office e toda a retaguarda e estrutura da XP. E fiz um convite para o Guilherme participar do nosso comitê de investimentos para também ajudar a selecionar os empreendedores e originar. Porque na hora que o founder sabe que o Benchimol está ali, A fila vai ficar mais longa.
Se é um convite ao vivo, vou ter que aceitar. Mas eu já tinha aceito antes. Mas essa coisa que ele comentou do empreendedorismo, os fundos de VC normalmente acabavam focando muito mais no eixo Rio-São Paulo. E com a presença nossa nacional, a gente atende clientes do Brasil inteiro.
E tem empreendedor no Brasil inteiro.
Então como é que a gente consegue A gente acredita que o empreendedor vai mudar o Brasil. Então aqui tem uma questão até além do business. A gente tem mais empreendedores que acreditam no Brasil, que fazem a coisa certa, que empreendem, que geram emprego, que geram renda, que trazem inovação. Isso faz o Brasil ser cada vez melhor.
É, às vezes esse cara precisa nem só da grana, como vocês falaram anteriormente, é do capital intelectual, da governança.
Então esse projeto é mais do que simplesmente business. Bom, eu não tenho dúvida que os clientes que investirem nessa classe de ativos vão ganhar muito dinheiro, a menor dúvida disso. Eu não tenho dúvida que a gente vai ajudar muitos empreendedores na ponta, mas quem mais ganha com isso é o Brasil. Porque quanto mais empreendedores tiverem, a gente forma aquele ciclo que eu mencionei anteriormente. Se cada vez mais o brasileiro achar que é mais fácil empreender e que as aspirações no Brasil são outras, porque no Brasil a aspiração é virar ou cantora ou ou jogador de futebol, né? Se a inspiração virar empreendedor, isso bota a gente em outro patamar. E aí a gente já tem dinheiro, a gente já tem competência, a gente tem ferramentas que podem ajudar esse empreendedor, o Brasil vai ficando cada vez melhor.
Romero, a gente já teve aqui alguns gestores de fundos de Private Act, mas Venture Capital é o primeiro. Então eu queria que você ajudasse aqui os nossos investidores listando nas suas palavras as principais diferenças entre um fundo de Private Act e um fundo de Venture Capital de maneira não tão complexa.
Perfeita, vamos lá. Venture capital, no fundo, é quase que uma categoria dentro de private equity. Então a gente vai fazer investimento em companhias privadas, vislumbrando mais do que distribuição de dividendos, que pode acontecer, mas valorização daquelas ações. Então é ganho de capital da onde vem a maior parte do retorno do fundo. De uma forma mais caricata, a gente brinca que é investir numa empresa muito, muito grande, enquanto ela ainda está muito, muito pequena. E para isso acontecer, ela precisa ser muito escalável. Então, a gente acha que é investir em tecnologia, mas tecnologia é meio. Não tem como você investir numa empresa que vai crescer ou que ela precisa crescer para a gente ter o tipo de retorno que a gente está falando, e a gente está falando aí de 100, 200, 300 vezes o investimento, se ela não tiver uma base tecnológica muito forte. Não precisa ser?
Pode ser uma empresa de construção civil? Saúde? Pode ser qualquer setor?
Poderia ser qualquer setor. Poderia não ter tecnologia? Em teoria, sim, mas até hoje não foi visto nada que sem tecnologia consiga escalar na velocidade que a gente precisa e no tempo que a gente precisa. Na média, um fundo de venture capital de early stage vai ficar seis, sete, oito anos, em média, investido em cada companhia. Então, nesse período de tempo, você tem que valorizar 100 vezes nos ativos que.
Você acertou, Mas tem muito dessa coisa da investida acreditar que eu só vou buscar um fundo se eu for uma empresa de tecnologia. Isso não é verdade.
Isso não é verdade.
Para qualquer empreendedor, desde que o negócio dele seja escalável, desde que ele tenha competência, a ideia seja boa, ele tenha time, tenha consistência.
É isso aí. A tecnologia tem que ser uma ferramenta. Exato. E a definição de tecnologia hoje é um pouco elástica, você consegue ver tecnologia onde você quer. Então, se você tem escala, tem crescimento, faz todo sentido. De uma forma muito simplista, você tem dois tipos de companhias que Venture Capital investe. Uma que a gente chama de tecnologia de fronteira. Aí é, poxa, algo que é um breakthrough, que ninguém nunca fez antes. Você vê no Brasil, vê, vê menos. Porque você precisa estar... Alguns exemplos do... Até que foram investimentos que eu participei. Pismo, que é uma processadora de pagamentos. É Estado da Arte, eles estão agora saindo do Brasil, estão indo para a Europa, para os Estados Unidos, para a Ásia. Psafe, que é contra-ataques de hacker, de cyber security. Segurança digital está no mundo todo, quer dizer, você vê esse tipo de tecnologia no Brasil, mas o que você mais vê é o segundo tipo, que é inovação em modelo de negócio. Então, geralmente são aplicações que vão usar tecnologia para inovar no modelo de negócio. Um exemplo, o Gimpass. Poxa, o que que tem de tecnologia na Gimpass que não existia no mundo? Nada. O que teve é uma inovação de modelo de negócio, os empreendedores olharam e falaram assim, pô, tem um monte de esteira parada, instalada no Brasil inteiro. Pô, como é que eu melhoro o uso desse ativo que tá parado? E do outro lado tem um monte de gente triste que paga anuidade da academia, não usa e se sente mal e pega trânsito, poderia fazer uma academia perto da reunião que já tá saindo. Pô, vamos criar uma rede onde a gente faz esse uso compartilhado de todos esses ativos que estão instalados de um lado e todas as pessoas que querem fazer exercício do outro. Vamos vender isso como um plano de saúde para as empresas? Então, separar para pensar, tecnologicamente, não é nenhum breakthrough, mas o modelo de negócio é inovador. Então, a inovação, às vezes, faz com que... do modelo de negócio, faz com que você nem precise ter muita tecnologia. Por isso que a gente brinca. O pessoal fala fake until you make, né? Quer dizer, você finge que tem a tecnologia, mas você consegue desenvolvê-la, às vezes, depois. Né? Então, embaixo do capô ainda tem barbante. Mas depois que você vendeu o primeiro carro, você corre pra construir o motorzinho.
Mas você pode ter aqueles keys, assim, do tipo... aquele empreendedor que não tem um business tão tecnológico assim, ele montou um bar diferente. Ele montou um bar diferente, ele quer escalar, ele sonha em ter um dia 500 bares. Isso se encaixa nessa grade de investidas que você olha ou isso já é uma coisa muito convencional demais?
É como é a economia tradicional.
Pode, dependendo do ângulo, pode encaixar. É mais incomum, mas pode. A gente investiu numa Construtec, que até o fundo da Red Point e Ventures 2, que foi distribuído pela XP, que é a BC da construção. O founder, o Thiago, um founder incrível, empreendedor Endeavor. E você fala assim, pô, mas é varejo de material de construção? É um jeito muito míope de olhar. Um jeito que a gente olhou foi, pô, ele está construindo uma capacidade logística incrível para distribuir produtos que os grandes marketplaces não vão conseguir distribuir centenas de metros de acabamento, de piso na vanzinha do Mercado Livre ou da Amazon. E ele está criando franquias no modelo Capex Light, com pouco ativo, em cima dessa malha de logística. Então, é um business de economia real, pegou um superimpulso por causa de pandemia e tem muita inovação no modelo de negócio. Mas a empresa começou como... E por que ela pegou a Bostrotec? Ele usa muita tecnologia pra integrar as rotas e pra ter um centro de distribuição inteligente. Mas até aí, hoje, se ninguém usa tecnologia pra isso, tá fora do jogo. E o mais legal é que não é nem que ele fundou, fundou a empresa. Ele é, de fato, o fundador que mudou de escala. Mas é uma empresa que vem do vô dele. Então você vê, é um exemplo de economia real. e que a gente consegue acelerar com Venture Capital um impacto tremendo. Graças a Deus, indo bem. A gente está aí seis vezes o investimento, 5,8 vezes o valor investido. Ela fechou uma rodada agora com a Duratex acima de um bilhão de reais. A gente investiu a 150 bilhões de reais, então já foi um belo ganho para o fundo.
O que são aquelas letrinhas que tanto falam, assim, Series A, Series B, C, etc, etc? E... Eu vejo que tem muito empreendedor que ele fica focado na próxima rodada e muitas vezes não percebe que ao focar na próxima rodada ele está focado na próxima diluição que ele vai ter. E eu como empreendedor a coisa mais importante que eu tenho são minhas ações. Só vou abrir mão se não tiver outra opção. Então mais importante do que você ficar buscando mais dinheiro é como é que você faz o seu negócio ficar de pé. por conta própria. Como é que você vê, alias, explicar um pouco essas letrinhas todas e como é que você vê essa ânsia do empreendedor que quer monetizar rodada, abre mão da ação e talvez não se concentre tão bem no que é importante? Eu sempre digo que empreender são três coisas. Eu falo que é fazer cada vez mais receita, é controlar cada vez mais as despesas e entregar cada vez mais qualidade para os seus clientes. Se você faz bem essas três coisas, você está gerando lucro líquido consistente no tempo. Mas muitas vezes os empreendedores querem fazer a próxima rodada e cresce a qualquer custo.
E às vezes a qualquer custo, o que é perigosíssimo. Bom, a sopa de letrinhas, até eu mesmo que fui empreendedor e passei por isso, eu fui aprender meio que no final do processo do Buscapé, porque boa parte do que a gente tem hoje de academia, de startups, de venture capital, estava sendo construído ali. Então, eu brinco que o Buscapé começou, a gente nem chamava de startup, chamava de site na época. E pior mesmo foi vender antes de ter inventado o termo unicórnio, senão a gente tinha tentado subir o preço. Mas pegando o Buscapé como exemplo, imagina ali quatro universitários, o exemplo da XP também é ótimo, quatro universitários, amigos de faculdade querendo montar um comparador de preços. O que pode dar errado? Os quatro podem ser péssimos sócios, apesar de serem bons amigos. Podem nunca conseguir desenvolver a tecnologia. Pode ser que ninguém use, apesar de ir pro ar. Pode ser que vá pro ar, as pessoas usem, mas as lojas não queiram estar listadas, como de fato aconteceu e a gente tomou o processo, o lojista querendo tirar do ar. Pode ser que a gente consiga cobrar, mas não consiga escalar a máquina de vendas. Então, assim, os riscos são ilimitados. um bom grupo de empreendedores, vai pegar dinheiro suficiente para tirar um grande risco da mesa e vai focar naquele risco. Então normalmente, não precisa ser isso, mas normalmente é o protótipo. Então eu vou lá e levanto com o Samuel, com a Carol, com o Guilherme, R$300 mil para fazer um protótipo. R$300 mil eu tenho um protótipo ou eu não tenho? Se eu tenho, eu tenho todos os riscos do mundo menos um. Eu subi um degrauzinho.
E essa fase do protótipo seria o quê?
Precide. Essa frase seria ainda... Essa fase inicial, às vezes cide, mas normalmente é anjo. É o que a gente chama de família, amigos e tolos, né? O FFF e depois anjo. Porque é quem acredita nos quatro universitários. O problema é que os tolos não são tão tolos, porque se você não entrega o protótipo, peraí, o risco aumentou. Porque além de ter todos os riscos, agora eu não sei se eu confio mais no Romero e nos sócios dele. Depois o protótipo, deixa eu tentar tracionar, depois deixa eu testar modelo de negócio, depois deixa eu escalar máquina de vendas. Cada um desses degraus são um estágio. E o jeito de uma startup pequena conseguir ganhar de uma empresa muito grande, ela está extremamente focada em resolver um gargalo de cada vez. Até, obviamente, depois do Série B, tal que ela já virou, já está estruturada como empresa grande e vai começar a ter dores, inclusive, de empresas grandes. Então cada uma dessas letrinhas significa mais ou menos o componente de risco que tem naquele estágio e o quanto já foi comprovado. Então, um seed, o seed inicial, a startup ainda não encontrou direito quem é o cliente, que tipo de prego aquele martelo vai bater. Então, quem tem dor, quem que eu estou resolvendo a mesma dor desse público, eles gostam da minha solução, não gostam? Quando encontra esse fit de produto e mercado, isso é um santo grau, por exemplo, pra estratégia do que eu costumo fazer com o Venture Capital, Aí você tem muita academia, ou seja, você consegue colocar frameworks para criar máquina de venda, você consegue contratar gente para vir entrar na empresa e ajudar em diferentes frentes. Antes disso, a intuição do founder é entender que, poxa, de repente eu tenho que estar dando curso para as pessoas investirem no mercado financeiro e não o que eu estava tentando antes. Essa parte é o que a gente chama de vale da morte, isso aqui é o CID. Depois você tem o CID tardio e o Série A, que geralmente a empresa já passou desse ponto, e agora o grande desafio vai ser escalar as vendas. Aí o Série B vai entrar quando a empresa já está com as vendas lá nos seus 20, 30 milhões de reais anualizados ou mais, e vai ajudar a expandir ainda mais rápido. Série C, Growth, vai ser pra fazer uma expansão não das receitas, mas uma expansão geográfica, ou uma expansão de produto para o mesmo cliente, ou uma expansão de cliente. Vou sair do B2C, vou para o B2B também, vou sair do enterprise, vou descer para o SMB e assim por diante.
Então...
A cada série...
A cada série você tem um desafio e você tem um tipo de investidor especializado para aquilo. Eu gosto muito do espaço logo após esse fit de produto e mercado, porque é onde, na minha opinião, você tem a melhor correlação de risco e retorno. Você já atravessou o vale da morte, mas o valuation ainda é muito atrativo.
Uma dúvida aqui. Então, beleza, tem lá o Angel Investor, o investidor anjo, depois tem o Semente.
Isso, você tem... Dos investidores, você vai ter o Anjo, você vai ter aceleradoras e Semente, o CID, depois Série A, Série B, C, e aí vai até o IPO. Normalmente, do B, C pra frente, é o que a gente chama de Growth, de Venture Growth, ou seja, é autocrescimento, empresa que já está mais estabelecida.
A minha dúvida é, a partir de que letrinha que entra os fundos de Private Equity, geralmente?
Os fundos de Private Equity, de Growth, vão entrar do C pra frente, normalmente. Aí a gente, quando olha Venture Capital, a gente olha muito esse pré-Série A. O ideal é você encontrar aquela empresa que vai fazer o Série A daqui a seis meses, hoje e se esvazia a rodada. Para o founder é ótimo, para você é ótimo que você já entrou com o mesmo risco do que ele teria daqui a seis meses, a diferença é que daqui a seis meses ele teria mais dados. Mas se você tem ferramenta para analisar os dados e ganhar convicção, você entra antes e se esvazia a rodada.
E essa coisa do empreendedor que está focado na população rodada, isso é lenda.
Ou isso... Acontece muito, acontece muito. E é engraçado porque é contra intuitivo, mas às vezes levantar muito dinheiro é ruim para a empresa. Porque por vários motivos, o que a gente chama de armadilha do valuation, um founder que acaba levantando muito mais dinheiro em um valuation muito mais alto do que seria o daquela rodada, ele vai ter que agora subir dois ou três degraus em uma pernada só, ou seja, ele aumentou o risco, ele não diminuiu o risco. E outra, ele não pode mais levantar uma rodada por menos do que o novo valuation. Porque se ele levanta uma rodada para um valuation menor, quem investiu como preferencial dilui completamente as ações ordinárias, ou seja, o founder. Na hora que dilui o founder, o founder fala, pô, então para eu ser diluído e ficar com 1% da minha própria empresa, eu vou embora. Aí o investidor fala, pô, mas você foi embora, perde valor tudo isso aqui. E você fica seis meses discutindo esse sexo dos anjos e acaba com a empresa. O competidor cresce do lado e te atropela. Então, Sim, um valuation muito alto às vezes não é nem um pouco benéfico, é maléfico para a companhia. E sim, muitos founders estão muito focados na próxima rodada, às vezes estão muito focados em ter um valuation bom em vez de levantar rápido o dinheiro que eles precisam, ou seja, eles estão jogando para a plateia, como diz o Jorge Paulo. Um dos maiores riscos é ficar tentado a crescer a qualquer custo. O que é crescer a qualquer custo? É natural que uma startup, no começo, perca dinheiro. Mas uma coisa é perder dinheiro porque você está pagando aluguel, pagando o diretor financeiro, você está pagando os servidores. Outra coisa é perder dinheiro já na margem bruta lá em cima. Ou seja, está vendendo um dólar, o que a gente chama de vender um dólar por 90 centavos. Crescer vendendo um dólar por 90 centavos é muito fácil. Agora, o que vai acontecer quando ele resolver cobrar 1 dólar e 5, 1 dólar e 10? Será que ele continua crescendo? Agora, se você vende 1 dólar por 1 dólar e 20, mas no final você dá prejuízo, mas você prova que aumentando o volume, você vai cobrir esses prejuízos e daqui dois ou três anos ou um ano que seja, você vai estar lucrativo, esse crescimento é legal.
Romero, pensando até no chapéu de gestor de fundo, O que seria para você o tamanho ideal de portfólio de empresa, o número de empresas, quando a gente olha, até em retrospecto, toda a sua experiência enquanto gestão, você comprava essas empresas para ser o sócio majoritário, sócio minoritário? Como é a sua cabeça pensando num portfólio de Venture Capital?
Boa. Eu fui, me sinto ainda empreendedor, mas fui empreendedor, fundador e eu concordo com o Guilherme, a pior coisa que tem é você ser diluído. Então, estando do outro lado da mesa, é óbvio que você fica tentado a ter mais de uma oportunidade muito boa. Mas é uma conta que também não é muito inteligente, é meio contra-intuitivo, mas o ideal é você ser um minoritário relevante. Então, idealmente, eu acredito que uma participação entre 10, 15, 20% da companhia na hora da entrada, que isso vai depois virar alguma coisa como 10 a 5% lá na frente, quando a empresa estiver indo para um IPO ou fazer uma saída estratégica, é super saudável. Você dilui pouco o empreendedor e vai ajudar ele a crescer, a buscar novos investidores depois e assim por diante. Em termos de empresas no portfólio, depende muito do estágio, como a gente estava falando. Então, num degrauzinho de série A, você precisa ter cerca de uns 20 investimentos, 20 a 25 investimentos no fundo. Quando você desce o degrauzinho e vai lá pro Anjo, por exemplo, Lembra que tem muito mais risco, ele não tirou risco nenhum da mesa. Ele ainda às vezes não testou o protótipo, ele não tem tração, ele não tem nada disso. Para compensar o excesso de risco, você aumenta o portfólio. Então, anjos, você já tem que estar fazendo mais de 50, 60, 70 investimentos para conseguir balancear isso.
E a tua filosofia de investimentos e essa área que você está montando com a XP vai focar mais em que letrinhas aí?
Entre o SID e Série A. Então vai fazer SID entre SID Série A e Série A. Então a gente está falando de 20, 25 empresas por fundo como um número saudável de portfólio. Perfeito.
Eu estou curioso aqui, o que é o erro mais comum que esse empreendedor que você conversa comete? Onde é que ele se embanana mais? Até porque imagino que tenha muitos empreendedores que não fecham, e no pior cenário ele vai ter uma boa conversa com você, ele vai aprender muita coisa. Onde é que você acha que tem a maior falha?
Bom, tirando a parte de skills sociais, características comportamentais dos founders, a gente pode depois mergulhar nisso, mas acho que de negócio, de estratégia, um erro muito comum é o empreendedor não perceber que ele sem querer criou duas startups dentro da mesma. O que que seria isso? Poxa, eu tenho aqui esse produto e eu tô vendendo pra esse público, pô, mas acho que se eu fizer um pouco de adaptação, eu posso tentar vender pra esse também. Então eu tô vendendo pra consumidor, mas vou vender pra empresa pequena. Parece bobeira, mas de repente a empresa pequena já precisa de outro cadastro, já tem outro processo. Aí o cliente começa a pedir uma série de modificações no produto, o consumidor não, tá pedindo outra coisa. Então ele sem querer pegou o que ele tinha de mais precioso e escasso, que era tempo e dinheiro, e dividiu por dois. Isso acontece quando ele vai sem querer adicionar um público novo ou como ele acha que adicionando um novo produto vai facilitar a venda, não vai, vai só dissipar energia. Então esse é um erro muito comum, você tem sem querer, sem perceber, dois filhotes pra alimentar e só uma mamadeira pra suprir os dois.
Eu já vi isso algumas vezes.
E é dolorido, você demora pra se convencer. E é uma decisão difícil, então o bom empreendedor, ele faz o que o mercado gosta de chamar de pivotar. O que é pivotar? É realmente abandonar. Você vira e fala assim, olha, desculpa consumidores, eu vou atender pequenas empresas e vou dar all in nessa segunda estratégia. Porque ficar com um pé em cada barco, Nesse caso, só vai garantir a minha morte. Então é melhor eu pular inteiro no outro barco do que ficar indeciso entre os dois. Essa é uma muito comum. Outra comum, e é uma frase até que o fundador do Waze repete, é você nunca cometer o erro, a vaidade de ficar apaixonado pela tua solução. Você tem que se manter apaixonado pelo problema do teu usuário. E é muito comum você ver empreendedor que tá lá com a solução dele falando, pô, eu ainda não encontrei quem que vai usar isso aqui. Bom, peraí, então isso não faz muito sentido. Você tinha que estar resolvendo o problema de alguém pra começar a história tua de empresa. E por incrível que pareça, é bem comum você ver. Paixão pela solução em vez de paixão pelo problema.
O que você olha quando você vai selecionar uma empresa? O que são os targets que são os seus mais importantes?
Boa. Eu diria que o checklist acho que tem três capítulos. O primeiro capítulo, e é o mais importante e negociável, é a qualidade do time. E aí a gente vai olhar uma série de coisas, mas principalmente entender o quanto o empreendedor escuta e absorve. Se ele é essa bichão, se ele tá sempre falando, ah, não, não, não, ou se ele é o que o americano gosta de chamar de coachable, que escuta, que absorve, que anota. E assim, todos os bons empreendedores que eu conheci, eles estão sempre escutando mais do que falando, estão sempre anotando, aí ele leva aquela ideia, testa com mais gente, volta, transforma aquela ideia numa ideia dele, do time, volta e implementa. A gente costuma brincar que um bom... Você sabe que você acertou num bom time quando você, às vezes, faz uma provocação numa reunião de conselho. E não é que ele não fala não. E não é que ele fala a tua ideia é boa, é melhor. Ele fala, deixa eu pensar. Ele volta na próxima reunião, ele fala, eu tive uma ideia. E você vê um pedaço da tua ideia ali no meio da ideia dele. E é lindo, porque o accountability é dele. Ele agora é responsável por entregar a ideia dele. Ele não pode apontar pra você e falar, foi você que sugeriu aqui. A segunda é ele tender os pontos fracos dele e conseguir complementar trazendo o time. Então ser um team builder. Então ele conseguir agregar pessoas que fortalecem os pontos cegos que ele tem. Uma terceira, alguém do time, existem exceções, mas pra gente alguém do time precisa conhecer daquele espaço que eles estão atacando. Então é uma health tech, é uma empresa de saúde, quem é médico, quem já trabalhou no espaço saúde? Não, ninguém, mas a gente vai trazer um consultor. Pô, legal, traz o consultor, dá um pedaço substancial da empresa pra ele e volta pra falar comigo. A gente quer que quem entenda do espaço esteja realmente comprometido com o processo, com pele no jogo. Bom, a lista é longa, mas ele tem que ser, obviamente, um bom vendedor do sonho dele, então ele tem que ter ambição, correr risco e propósito no final do dia. Então, assim, os bons empreendedores que eu conheço, óbvio, querem construir uma grande empresa, querem ganhar dinheiro, mas mais do que isso, querem deixar um legado. Não fique o legado, mas a vontade é de deixar um legado.
Você comentou sobre montar equipe, ter as pessoas que possam te complementar e etc. Como é que acontece isso na prática? Eu tive uma ideia, eu não tenho grana direito, tive meus amigos ali que me ajudaram um pouquinho. Como é que eu monto? Até porque eu imagino que muitos empreendedores que queiram, aliás, muitas pessoas que sonham em empreender, Vamos escutar a nossa conversa aqui. Como é que elas começam, elas contratam pessoas sem dinheiro, sem coisas tão concretas? O que os empreendedores que você viu fizeram que deu certo?
Olha, em geral, é uma característica que o pessoal às vezes chama de saber motivar ou de saber liderar, mas na Apple falavam que o Jobs tinha um campo de distorção da realidade. E quando você chegava perto dele, ele te convencia que o mundo ia ser do jeito que ele acreditava. E por mais que o celular mais vendido e mais sexy do mundo era um celular que tinha cento e tantas teclinhas lá, que era o Blackberry, ele acreditava que não ia ter nenhuma tecla, o celular do futuro. E ele distorcia tão bem a realidade de quem estava próximo dele, que todo mundo acreditava naquilo. E é o que basta, no final do dia, todo mundo acreditar, porque à medida que você traz o primeiro sócio que acredita, o primeiro investidor que acredita, o primeiro colaborador, o primeiro cliente, aquilo vai se tornando realidade. Então você pega, por exemplo, um livro que eu adoro, que é Sapiens, a história desse primatinha que chegou até aqui, tudo são histórias maravilhosas, uma empresa É uma coisa completamente abstrata, e é uma coisa abstrata que é dono de coisas, pode ser dono de imóvel, dono de carro, dono de bens. Então eu acho que o bom founder, antes de mais nada, ele tem essa paixão por aquele problema, por aquela empresa, por aquilo que ele quer criar, e aquilo contamina, então ele naturalmente vai aglutinando como gravidade em volta dele, um monte de gente boa. E gente boa, outra gente boa. E aquilo vai crescendo. E quanto mais gente acredita naquela loucura, menos loucura aquilo é.
Então tem empreendedor que começa, assim, ele vende a ideia, distorce essa...
Cria o seu campo de distorção.
E ele vai atraindo gente que vem trabalhar com ele no amor. Toma 1% aqui, toma 2% e...
É isso aí.
Sem salário, quase nada.
Mas como...
A XP não foi assim?
A gente sabe que foi tudo no meu livro.
Foi assim mesmo, no final é isso mesmo. É que hoje em dia talvez tenha muito empreendedor que acha que pra começar você tem que levantar dinheiro. Você pode começar no amor mesmo, na paixão. expondo as suas ideias, porque isso por si só já contagia.
É que é um amor embasado, né?
Embasado, sem dúvida.
Com algum fundamento.
Mas a sua moeda de troca no começo é muito, olha, eu vou juntar aqui três sócios comigo, você vai ter 5%, você 10%, você 5%, e a gente vai se vorar aqui por seis meses. Você tem a sua poupança, você vende o teu carro, você vende a sua moto e a gente começa a conduzir o negócio e aí vamos buscar um investidor daqui a X tempos. Então dá pra começar assim. A gente começou assim no começo. Então eu tive que vender meu carro. A história é conhecida já, mas... Então acho que essa coisa da paixão, eu acho que é bem por aí mesmo. Se você é apaixonado, você vai convencendo e as pessoas querem estar ao lado de pessoas que fazem elas se sentirem mais vivas, né? Pô, tá do lado do Romero, ele convence tão bem da história que eu quero ser parte disso. Ele contou uma história que eu acho que vai dar certo. Deixa eu embarcar nesse foguete, né?
E esse modelo, eu acho, nada contra um modelo mais estruturado, sai três caras do NBA, fazem um brainstorm, montam, funciona também. Mas esse modelo é criado com mais resiliência e mais cultura. Porque o que aglutinou todo mundo desde o começo foi muito mais forte culturalmente do que uma coisa mais estruturada que funciona super bem. E a gente vê boas empresas criadas dessa forma. Mas essa é a forma, vamos dizer assim, mais raiz, costuma criar empresas mais resilientes.
Romero, acho que a gente entrevistou aqui dezenas de gestores já, a gente está no episódio, eu não sei qual que vai ser esse número aqui, 50 e poucos. A gente falou com muitos gestores de ações, gestores de private equity, gestores de multimercados, de crédito, pensando nos fundos multimercados. A rotina dos gestores, dos analistas é abrir a Bloomberg, olhar noticiário, ver lá a cotação do dólar, do DI, da bolsa e tomar as decisões de investimentos. Obviamente que num mundo de startups, que as empresas estão ali na prancheta ainda, é diferente. Não tem cotação das empresas no dia a dia, as marcações são feitas quando acontecem, a cada ano. Explica pra gente como que é uma semana do Romero gestor ou de um gestor de Venture Capital. O que você e o time fazem no dia a dia?
De uma forma simplista, eu acho que tem três atividades super importantes. A primeira é a originação. Então, a gente tem que garantir que a gente tá cobrindo a grande parte do mercado. A gente costuma ter coberturas aí de 70, 80% do mercado. O que significa isso? Quando você olha depois que passou o ano, todo mundo que recebeu investimento, 80% eu tive... Eu conversei, eu tive a oportunidade de olhar e saber se eu ia investir ou não. E isso é muito importante pra gente separar o bom do ótimo. A segunda é fazer seleção, é estudar os casos, é eventualmente desenvolver tese se você for ser um pouco mais proativo de buscar algum setor ou, no caso de ser reativo, você recebe constantemente o deal flow e vai analisar e vai aprofundar. E aí você tem alguns estágios onde você aprofunda essa análise até levar para comitê, decidir investir e assim por diante. E depois você tem que cuidar do portfólio. que é a terceira e mais importante, onde a gente vai realmente gerar valor para o nosso cotista, para o investidor de um fundo de venture capital. E aí, obviamente, se destricha em várias atividades. Então, do ponto de vista de originação, A gente tem plataforma da XP com os assessores, a gente tem uma ferramenta da Headline Global que indica quais startups encontraram aquele product market fit, só olhando informações de mercado. Então elas identificam que tipo de tecnologia a startup instalou, quantas pessoas ela contratou, em que áreas contratou. Fala, pô, vai falar com essa aqui, que essa aqui tá com cheiro.
Apita um sinalzinho pra vocês.
Apita um sinal e fala, vai atrás dessa, que é essa aqui daqui cinco, seis meses. Eu acho que vai fazer uma série A. E tem, tá participando de eventos, tá publicando artigos, tá sendo visto pro empreendedor lembrar do gestor. Na segunda parte, que é seleção, aí é estudar muito. Não tem jeito, é estudar, é conversar. A gente tem que fazer muito background no founder, porque a empresa naquele momento, o Excel, aceita qualquer coisa. Fazer a checagem.
O famoso puxar a capivara do cara.
Puxar a capivara toda do founder. E por mais que a gente às vezes tome decisão em uma semana para colocar um term sheet e investir, dificilmente a gente não ficou seis a nove meses monitorando e conversando com o time. Então você vai lá, bate um papo, dá uma mentoria, tudo é processo, vale para os founders que estiverem escutando a gente, tudo é processo de seleção, então qualquer mentoria que você esteja pegando com qualquer pessoa é um possível cliente, é um possível investidor, então tenha sempre essa antena ligada. E aí o dia-a-dia, depois que você investe, é uma delícia, porque você está ali junto do founder ajudando em todos os desafios, e é um pouco do que o Guilherme comentou, de você ter aqueles momentos de falar, putz, um enigma, deixa eu ajudar esse cara a resolver esse enigma. E a vantagem é que você tem 20, 25, companhias te trazendo enigmas, você participa muito mais dos momentos enigmas do que quando você tá só operando a sua empresa. Agora, você tem que saber ser muito cuidadoso para não ser prescritivo. Então um bom investidor, ele não vai virar para o empreendedor e falar assim, você tem que fazer isso. Ele vai provocar, ele vai falar, você já pensou se de repente, você está falando que vai acelerar aqui, mas você já pensou se de repente a curva for fechada? Quais são as opções? Então você tem que ser provocativo.
Muito mais as perguntas do que tentar dar respostas.
Por isso um founder que escuta, absorve, pondera é tão importante. Porque você pode achar e você tem que ter humildade intelectual para saber que 20 anos depois, porque alguma coisa funcionou em comércio eletrônico, vai funcionar de novo. Nem em comércio eletrônico, nem em lugar nenhum. Pode ser que não funcione. Mas por mais que você tenha muita certeza, você tem que tentar fazer o founder chegar naquela conclusão, o empreendedor chegar naquela conclusão.
Romero, pensando aqui no seu passado enquanto gestor, quais foram investimentos em três ou quatro empresas que deram muito certo? São os seus cases de sucesso.
É difícil...
Tirando a busca a pé, né?
Foi o primeiro.
É difícil falar de um filho só, né? Mas, assim, como anjo, antes de... como investidor, pessoa física, antes de estar fazendo de uma forma profissional uma gestora, eu tive alguns... Algumas gratas surpresas. Uma, o Guilherme comentou que foi a Jive. Foi 200 vezes o dinheiro. Numa saída para a própria XP, então obrigado duplamente. E obrigado também pelo time, maravilhoso. O Alê esteve aqui, o Outliers dele ficou incrível. Foi um papo legal.
É legal você contar a história, porque ele me contou lá que ele teve que vender o carro dele, e aí ligou no dia de noite, você botou a grana já rapidinho ali.
Foi, foi. O Alê tinha uma empresa anterior a Jive.
Você foi um dos primeiros investidores da Jive lá no comecinho.
Fui, fui.
Eu estava bem no comecinho. Olha só. Perdi a chance de me juntar ao time ali no começo. Bobeada. Esse foi um erro.
Jive esteve aqui no Outliers. Ouçam depois.
E o Alê tinha uma empresa em outro espaço financeiro e, em determinado momento, ele teve um problema de fluxo de caixa. Ele falou, quer investir? Eu falei, pô, nem sei se é muito minha casa. Ele falou, você não entendeu. Preciso de cem pau. Eu falei, pô, tá aqui.
Cem mil reais, né?
Que na época também era dinheiro pros dois, tá? A gente tava aí... Isso foi antes de Buscapé ser vendido, antes dele começar a jive e tal. Eu falei, ó, legal, Alê, só que assim, pô, eu não... Não sei se eu gosto desse negócio, mas tudo bem, vambora. Um dia a gente vê o que dá, e se ele não, tranquilo. Aí veio a oportunidade da Jive e ele me ligou e falou, eu vou sair da empresa, enfim, você investiu em mim, como você tinha 5% da companhia e eu vou largar essa companhia pra ir pra Jive, eu tô levando os teus 5% pra Jive, que foi super bacana e foi no gogó durante muitos anos e tal.
Legal.
Então quando a gente pega esse investimento na primeira empresa que foi convertido pra Jive, acabou sendo provavelmente o melhor investimento pessoa física que eu fiz.
Quantas vezes multiplicou?
219 vezes o capital.
Caramba!
Bom, essa é a bacana desse universo de Venture Capital.
Você, óbvio, você corre o risco de perder o investimento. E num fundo de 25 companhias, você espera aí que sete companhias morram. Então, vai de 1 pra 0, mas quando você acerta, você pode acertar 100, 200, 300 vezes. Outra foi a de impasse, que foi uma dessas que o founder me procurou, o César me procurou, falou, pô, me ajuda aqui, aí no final acabei investindo. Enfim, lá ainda está meu investimento anotativo na GenePass, está, graças a Deus, super valorizado, acho que 170 vezes o dinheiro. Teve a ZUP que o Itaú adquiriu. E aí a gente entra também em RedPoint, a BC que eu comentei, do Fundo 2, um investimento bom. A gente teve Pismo, Oliste, se você pegar um exemplo, como a gente estava comentando, o primeiro cheque da Oliste, o cheque lá de CID, série A, está hoje avaliado em 300 vezes o capital. Ainda não foi desinvestido, ainda está investido, o Thiago, um founder fantástico, pegou um vento de cauda maravilhoso durante a pandemia, cresceu em todos os marketplaces. E com uma missão muito nobre, que é levar o lojista offline de rua pra dentro do comércio eletrônico de uma forma muito indolor. Então, esses foram os acertos. Tem os tropeços.
Então, esse é bom escutar. Não sei se vale a pena abrir os nomes de empresas, mas o que você acha que você errou, que você não erraria de novo? E grandes erros.
Tem um erro muito, muito comum. E é engraçado, porque a gente estava falando do que é importante no checklist para fazer um investimento. E a gente falou de pessoas, depois tem mercado. Então, para o tipo de retorno que a gente precisa ter, precisa ser um mercado muito grande. E assim, algo para checar rápido é o seguinte, a minha participação nessa empresa, se essa empresa acertar, paga o fundo todo? Então, vamos supor que o fundo seja de 100 milhões de dólares e a participação seja de 20%, a empresa precisa conseguir chegar a meio bi de dólares de valor. Você fala, pô, o mercado é grande o suficiente pra com todo mundo que tá no mercado ou todo mundo que for entrar, a empresa chega nisso? Então esse é um segundo teste. E o terceiro é o tamanho da dor que esse time super talentoso tá resolvendo nesse mercado grande. Quanto maior a dor, não sei direito o modelo de negócio, mas se a dor é clara, ele vai encontrar uma forma de rentabilizar aquilo. um erro muito comum. Você se apaixona pelo modelo de negócio, pelo jeito como ele está resolvendo a dor, e por estar muito apaixonado, você sem perceber, baixou a barra no time. Então, aconteceu comigo. Uma empresa que resolvia o problema de uma forma maravilhosa, assim, uma solução eleganterna, num mercado gigantesco. Eu falei, cara, que incrível! Não tenho certeza dos founders, mas eu acho que dá. Eu acho que eles, sabe, dão uma polida, a gente melhora, a gente ajuda. Água. Então assim, um time A muda um produto B, muda o modelo de negócio, o modelo de negócio não demite o CEO e contrata um novo CEO. Então esse foi um. Outra que eu posso comentar, que eu acho que é legal até para investidor, eu vou comentar o nome, eu tinha uma disciplina para fazer meus investimentos pessoais antes de me tornar gestor pessoal e obviamente agora com como gestor, eu não faço nenhum investimento que não seja através do fundo, até porque boa parte de quem investe num fundo de venture capital quer justamente estar investindo no que o gestor está investindo. Mas antes eu tinha uma disciplina, eu fazia cheques desse tamanho, tudo certinho, eu criei uma disciplina para não escapar, para não poder chegar àqueles 30, é um processo. E um desses 30 era um aplicativo que fez muito sucesso. Acho que foi o aplicativo, na época, que cresceu mais rápido no mundo inteiro. Chamava Lulu. Não sei se vocês lembram, era um aplicativo que pegava... Ele pegava os contatos do Facebook, ele era conectado na plataforma do Facebook, e as mulheres, era focado em teenagers, as meninas, podiam fazer um rating dos namorados e faziam avaliação. E explodiu no mundo inteiro, no mundo inteiro, mas no mundo inteiro. E assim, os melhores capitalistas de risco, os melhores ventral capitalistas do mundo brigando pra entrar e tal, pô, e conseguiu uma locação. Falei, é esse, esse eu vou... Aumentar. Ah, esse é 10 vezes, eu pus 10, 15 vezes o dinheiro. Falei, isso aqui vai mudar a minha história.
Aquele valor que você nunca passava.
O meu cavalo selado, o valor que eu nunca passava eu fiz 15 vezes maior.
Você investiu mais do que deveria.
Perdi a disciplina. Perdi a disciplina.
Você emocionou.
Me emocionei, falei, é aqui. E realmente era um crescimento bizarro no mundo inteiro. Passou-se alguns meses crescendo sem parar, e no mundo inteiro era usado por teenagers, por adolescentes. No Brasil, por algum motivo, emplacou numa demografia um pouco mais alta, 20 a 30. E não sei se é uma coisa do brasileiro, meio latino, meio macho ou o que foi, os caras não gostaram. Era uma brincadeira. No fundo, o teenager olhava como uma geração de lídia. As meninas estão me dando rating, eu vou paquerar mais, vou não sei o quê. E aí o que aconteceu? Como os homens não estavam gostando de ser avaliados, eles descobriram que entrando no Facebook e mudando o sexo de masculino pra feminino sumia do app. E aí, em massa, vários usuários brasileiros começaram a fazer isso. E em questão de horas, minutos, depois que o Facebook percebeu, ele cortou o aplicativo, obviamente, porque o Facebook, se você não tem nem o sexo da pessoa correto, como é que você vai vender uma publicidade com um targeting certo? E a empresa sumiu do dia pra noite. Então, óbvio, um aprendizado aí de negócio, risco de plataforma. Uma plataforma que não tinha controle nenhum. Como é uma plataforma privada, toda vez que você tá numa plataforma, você tem um risco de plataforma, ela pode te desligar. Do mesmo jeito que o Facebook desligou a Lula, tá lá a Apple falando das políticas de privacidade hoje no Facebook e tentando... Ou ele muda ou vai cortar o aplicativo. Então o risco de plataforma é óbvio, ele estava de certa forma precificado. Onde eu errei mesmo foi na falta de disciplina.
Bom, indo pro nosso bloco aqui de cenário, geralmente a gente pergunta pros gestores, né? Poxa, o dólar tá assim, o que você tá achando? A bolsa tá assado? Qual que é a tua opinião? Não vai ser o caso aqui, né? As empresas de estados de tecnologia, como um todo, derreteram nas bolsas internacionais. Seja nos Estados Unidos, na China e até mesmo aqui no Brasil. A gente nem tem tantas empresas ligadas à tecnologia, mas... as ditas de tecnologia sofreram. E como consequência, os preços das transações no mundo de venture capital, de startups, também foi bastante afetado. A gente trocou uma ideia aí algumas semanas atrás sobre um artigo que falava justamente disso, dos valuations das empresas sendo revisados pra baixo, os termos de negociação entre fundos e empreendedores muito mais favoráveis para os fundos, estava ao contrário antes. Os empreendedores estavam com muitas demandas e tal. E isso, obviamente, tudo ligado a esse aumento de juros nos Estados Unidos, a guerra entre Rússia e Ucrânia piorou, os problemas lá na China atrapalham também. Enfim, diante desse contexto todo, eu queria que você, por favor, comentasse para a gente como você enxerga hoje, estamos aqui entre março e abril de 2022, olhando esse ambiente mais chacoalhado, como você enxerga o investimento em venture capital, em startups?
Acho que a resposta curta é extremamente otimista. Mas por quê? Curiosamente, também de uma forma contra-intuitiva, os momentos de crise geram safras muito boas de empresas de tecnologia. Então, se você voltar lá pra 73 a 75, na grande recessão americana, foram criadas companhias como Apple e Microsoft. Elas surgiram justamente durante aquele momento. Você vai pra bolha da internet, pô, você tem América Latina, você tem Mercado Livre, o próprio Buscapé, você vai pros Estados Unidos, então você tem um número enorme das companhias Web2, né, que a gente fala tanto. A crise financeira global, poxa, Pinterest, Instagram, WhatsApp, Slack, Square, Airbnb, Todas, acho que DocuSign também, todas criadas naquele período de crise.
Ou seja, acreditado, marcado, não faz bom maneiro, é verdade, é perfeito.
É perfeito, é exatamente isso. O primeiro motivo é, a crise já traz à tona as ineficiências, as dores, as necessidades. Então, a água baixa, você vê quem tá pelado, você vai vender sunga. Mas é isso, fica muito claro o que dói e o que não dói. O segundo é que a startup já começa com resiliência no processo. Você começa durante a crise, é que nem buscar papel, buscar papel até o final a gente tinha porta em vez de mesa. Porque uma porta com dois cavaletes custava um quarto de uma posição de trabalho e cabia duas pessoas. Então, eu vendia pra varejo, varejo já é apertado, marcha em curta, então tinha que enraizar isso. Então elas nascem muito menos gastonas, mais eficientes em uso de capital. Os modelos de negócio que surgem durante a crise são eficientes em capital por natureza. Quarto, as grandes empresas não podem acelerar. Então, o CEO de uma grande empresa fala assim, poxa, o meu top line não vai subir, e eu preciso enxugar pra pelo menos entregar o bóton, senão o Wall Street, a B3, me esfola daqui a três meses. E geralmente corta o quê? O que não vai dar retorno de curto prazo. que é inovação, e que é onde está o talento de inovação, e aí sobra no mercado o maior combustível para a startup, que é o ponto 4, que é talento. Então assim, a gente brinca que a gente está de dinheiro, mas dinheiro é só o meio. 80, 90% do cheque que um fundo de venture capital escreve para uma startup vira contratação de talento. Então, durante a crise fica mais fácil contratar. Então, em geral, eu acho que vai ser positivo porque você tem uma combinação de crise e também no Brasil você tem um cenário mais avesso, juros alto, eleição, um cenário chacoalho, então a gente não tá contra ciclo, a gente tá no mesmo ciclo que lá fora nesse sentido, pandemia foi global, e você tem todo esse ambiente propício pra inovação e os valuations sendo achatados um pouco, então dando momento de entrada bom. O momento de entrada não é o mais importante em Venture Capital, porque você entra tão cedo, que se você pagasse o dobro, mas acertasse a empresa, em vez de você fazer 200 vezes, você fez 100, mas o lucro é quase a mesma coisa.
Romero, até um estudo que a gente pegou, o número de transações em Venture Capital, ela superou ano passado as transações em Private Record. Você acha que foi um movimento pontual ou algo que veio para ficar?
Excelente ponto. Quando a gente olha a indústria de fundos de fundos, de fundos de fundos e líquidos, e você pega, por exemplo, dados, esses dados que eu estou pegando são do Pitbull, você vê que, na verdade, ao longo dos 10 últimos anos, Venture vem crescendo, ano a ano, frente às outras classes de alternativo. De forma que, ano passado, se eu não me engano, a gente teve aí 40, 45%, se não mais, da alocação de Fandom Funds em Venture. E, por outro lado, Private Record e outros, alguns se manteram estáveis, outros caíram. Então, a gente vê consistentemente, não só num ponto, um crescimento em venture e tecnologia como um todo. Isso pode diminuir, por causa agora desse momento de valuations mais baixos, isso eu tô falando volume. Diminui volume, mas eu não acho que diminui o número de transações.
Vou até levantar uma tese maluca aqui, tá? Mas se a gente pensar, seria muito inteligente que o governo entendesse, eu acho que entende, né? Em parte. Quanto mais empreendedores a gente tem no Brasil, mais a arrecadação do governo com impostos. Mais empregos a gente gera. Eu falei antes, mais inovação. Os empreendedores por si só vão limpar a calçada da frente da rua e outras coisas mais. Você tem vários indiretos. Ou seja, o KQLTV de um empreendedor é muito melhor do que um cidadão comum. porque aquele empreendedor ele vai fazer essas outras coisas. Então se a gente conseguisse ter ações que pudessem incentivar o empreendedorismo na ponta Se os estados, os municípios, o governo como um todo entendesse essa matemática, a gente ia ter... Faz sentido investir em empreendedorismo, faz sentido ser melhor. Esse Kakeli TV é muito positivo.
Tem um programa, o Criatec... Pô, quanto.
Vale você formar um unicórnio? Isso não tem preço. Pô, quanto vale você ter uma empresa que vai dando certo no tempo? Não tem preço. Porque você descentraliza esse processo e aquilo ganha vida por si só, né? Então, essa brincadeira do KKLTV, da visão do governo, quanto mais essa matemática ficar visível, eu acho que através de dados e fatos, o governo vai entender que matematicamente é importante ele investir nessa integração, né? Tirar as burocracias, criar eventos e fazer coisas que possam deixar esse ambiente ainda mais próspero.
Criatec era uma iniciativa do governo ou eu estou confundindo?
Foi uma iniciativa, um fundo do BNDES, que ainda existe pra estimular, pra fomentar...
Venture Capital, né?
Exato. Na base, em vários estados. Mas negócio muito é pequeno, um né? É, mas é uma iniciativa bacana. Eu acho que tem empresas interessantes que surgiram... Acho que vai nessa linha do.
Que o Guilherme fala, mas é muito pontual ainda.
Mas aí eu acho que é sim, mas é um impacto já direto. Eu acho que até a provocação do Guilherme, que é legal, é alguma coisa mais estrutural e mais de criar políticas públicas que beneficiem, de certa forma, esse ambiente de inovação. Porque no final do dia, um projeto de tecnologia, ele tá atuando numa dor, ou seja, ele tá resolvendo um problema de infraestrutura que custaria muito mais caro pro governo resolver e demoraria 10, 20 anos.
Isso é, isso é. Não, mas eu sei que o BNDES, através do Montesano lá, tem feito um trabalho bem bacana nessa direção e é um trabalho de base, mas eu acho que o quão mais a gente conseguir elucidar isso para os governos estaduais, para os municípios, porque muitas vezes o empreendedor é visto ainda como vilão e é o contrário, né? Assim, é o contrário. É ele que é a locomotiva do país, né? Então essa coisa do KKLTV, que é uma linguagem que o empreendedor aprendeu a usar muito bem, a enxergar muito bem, o KKLTV tem uma visão do ponto de vista do governo do empreendedor.
Explica para os nossos ouvintes, Guilherme.
O KKLTV é o seu custo, quanto você vai investir naquele cliente, naquele empreendedor no caso, e quanto aquele empreendedor vai te gerar de valor no tempo. Então se eu investir 10 mil reais, E aquele empreendedor me gerar mais de 10 mil reais no tempo, aquilo foi uma conta boa. Então, essa é um pouco a matemática que se o governo entender essas variáveis, ele vai conseguir administrar melhor isso no tempo.
Infelizmente, nem tudo que parece simples...
Mas eu acho que seja difícil... Espero que tenham pessoas do governo assistindo a nossa conversa, porque essa brincadeira do Kakeli TV, na visão do governo, ajudando a fomentar empreendedores, eu acho que é uma conta que ninguém... Ninguém chegou a pensar antes.
É um LTV altíssimo e hoje não tem CAC. O CAC é quase negativo. O governo atrapalha por causa da burocracia em vez de ajudar. Imagina se dar um pouquinho de ajuda.
Como é que você lida com o seu portfólio nos momentos de crise? Tem alguma coisa que você pode fazer para fechar a janela? os seus empreendedores querem fazer a próxima rodada, e aí? O que você faz para ajudar a solucionar esse enigma?
De todos os pontos positivos que eu comentei sobre o momento de crise para uma startup, o ponto negativo é liquidez. Então, para uma startup que está no começo da jornada, ela pode se ver com cobertor curto, quer dizer, ela pode não conseguir levantar uma próxima rodada. Se for uma startup que não tem um modelo eficiente ainda, que tá gastona, essa vai sofrer bastante, inclusive. E se é uma startup que tá num tamanho já maior, que já tava no momento de saída, essa janela pra saída provavelmente vai se fechar. Então, se ela ia realizar uma saída num IPO ou num estratégico adquirindo nesse ano, vai ficar pra um ou dois anos. pra frente. Então, realmente, a crise pode trazer um problema de liquidez que atrapalhe a startup a se financiar ou o investidor a fazer a saída se estava no momento de saída. Dito isso, durante a crise, as startups boas Não é que elas levantam menos dinheiro. Elas levantam dinheiro, mas os competidores que não são tão bons, não levantam. Então, quem consegue se capitalizar, encontra um cenário de menos competição também. Pandemia ou agora essa crise, qual que é geralmente o conselho para o portfólio? Aí não precisa nem inventar muito, vai atrás de Ray Dalio e é cash skiing. Então, é... Prepara pra um pouso forçado, então brace for impact, corta a excentricidade, reduz o time pro que precisa, salva o caixa. Se você tinha dinheiro pra um ano, faz isso durar dois anos, você vai ter que passar. pelo inverno. E se você já consegue antever o inverno, você sempre sugere pro founder captar antes. Então, por exemplo, boa parte do portfólio do Redpoint 2 captou agora, final do ano passado. Poxa, tinha gente que podia, tinha dinheiro em caixa? Tinha, tinha empresas que tinham dinheiro em caixa, mas cara... Vai vir eleição, final de pandemia, não sei como vai ser isso. Não tinha nem visão de guerra de Ucrânia, Rússia, nada disso. Mas boa parte do portfólio falou, se tem oportunidade, melhor eu encher o tanque agora do que passar por esse ano sem nada. Então, geralmente, quando você entra nesse modo, é o modo dinheiro é rei. mas vai com calma e vê como é que você sobrevive e se você adianta mais tempo.
Mas quando você está gerindo um fundo, você pode voltar a investir nessa mesma empresa novamente?
Pode. A gente eventualmente faz isso, é o que a gente chama muitas vezes de ponte, de bridge. Então o nosso modelo é, a gente tenta conquistar a participação alvo no primeiro cheque. Então vou lá, vou fazer um cheque, vou pegar 20% da companhia. E depois o que a gente faz é defender esses 20% nas rodadas subsequentes. Então na próxima rodada a companhia vai... coloquei 2, peguei 20%. A companhia vai levantar 10, vou por mais 2, que é 20% dos 10. Depois ela levanta 30, eu ponho mais 6. Até o momento em que eu já aloquei o máximo que eu posso alocar por companhia frente ao tamanho do fundo. Então, o que a gente faz num momento desse para os founders que estão indo super bem, que precisam de um pouco mais de tempo, é fazer o bridge, fazer a ponte. Então, adianta um pouco desses 20% da próxima rodada para ele. Não é sempre, mas a gente, com founders que estão super bem, modelos de negócio bem, mas que pegou realmente algum problema macro, externo, a gente costuma fazer isso. E essa alocação de fazer o ProRata nos rounds subsequentes, faz um impacto muito grande no resultado do fundo também.
Uma arte, né?
Porque no final, apesar de você ter lá aquele um terço das empresas que vão morrer, um terço vai andar de lado e um terço vai super bem. Mas quando você aloca o seu ProRata nas rodadas posteriores, você acabou colocando 60%, 70% do capital do fundo nos vencedores. Então isso turbina o resultado do fundo.
E número é um terço, um terço.
Um terço, mas em dinheiros... Em dinheiros é 60%, 70%. Porque quem morre, morre rápido, né? E aí custa pouco.
E você tinha portado só um pedacinho.
Você quer continuar comprando mais caro porque você sabe que você está investindo nas coisas que estão dando certo, né?
Exato, exato.
Romero, até para pegar esse ponto em específico, eu acho que muita gente do mundo de Private Equity e Venture Capital fala muito de comprar ações das investidas, mas você se limita somente a comprar participação de empresas ou existe alguma forma de financiamento que você pode dar para os empreendedores que seja feito via outro instrumento, como por exemplo dívida?
Ótima pergunta, Garol. No final do dia, a gente está fazendo um investimento para apreciação de capital na empresa. Agora, a forma como a gente faz nem sempre é via compra de ações. É muito comum a gente fazer multo conversível. Então faz uma estrutura de dívida. que é conversível numa rodada lá na frente. Por que isso é melhor? É muito mais rápido. Poxa, mas você não fez diligência profunda na companhia? Você faz um pouco de diligência, mas você não tem tanto o que fazer diligência quando ela é pequena, então é muito mais fácil. Você adianta aquela dívida, aquela dívida é conversível em ações nos termos de agora, numa rodada lá na frente, e o que acontece é, se a empresa foi bem e tem a rodada lá na frente, você converte. Se a empresa deu errado, você simplesmente perdeu a dívida, então você não tem nem a dor de cabeça de ter que sair do contrato social ou ter que ficar responsável por algum tipo de passivo. Para o founder é muito bom porque ele consegue resolver isso muito rápido, custa muito menos em termos de advogado também. Então você vai fazer às vezes uma rodada de dois milhões de reais, três milhões de reais, você não pode gastar 150, 200 mil reais em advogado. Então o multo conversível facilita e agiliza muito. À medida que a empresa cresce e dá certo, aí a gente converte isso para ações, até porque a gente costuma participar de conselho, cuidar da governança, do compliance e todo o resto da companhia.
Gente, passando aqui para o nosso bloco final, quero saber, vocês estão lendo algum livro recentemente? E se sim, indicariam para a gente?
Olha, estou lendo um livro do Boris Grosbeck sobre a inserção de mulheres na vida corporativa, super interessante, não sei o nome do livro, mas um livro espetacular, mostrando como as mulheres são muitas vezes muito mais competentes que os homens. E como as mulheres conseguem ter um cérebro mais organizado, são menos combativas, etc. Nós homens sabemos disso, que os homens são... É muita testosterona muitas vezes. A gente combate, escuta pouco, e as mulheres são o contrário. Então o livro aborda bastante esse tema.
Eu acabei de terminar, terminando, um livro que chama Why We Sleep, Porquê Dormimos, não sei se você já leu, do Matthew. Ah, já li, já li.
Essas são as indicações do Guilherme.
Poxa, muito bom, e acho que assim, estar com a cabeça em paz é fundamental, né? A gente tem que decidir rápido coisas importantes. E tem um livro que eu leio todo dia, que eu adoro, que chama Daily Stoic. que é o estoicismo diário, ele não tem tradução, mas é basicamente uma página por dia, você lê 365 dias por ano, um pouquinho de filosofia, ele ajuda a gente a evitar um monte de viés, um monte de erro comportamental, então dá uma claritude aí, eu recomendo, acho que todo founder deve ser obrigatório acordar e ler. Daily Stoic.
Romero, que dicas que você daria para os nossos ouvintes como itens essenciais para constar no checklist ali, para se analisar.
Um fundo de venture capital?
Quer analisar um fundo, o que tem que olhar de item essencial?
Eu acho que de uma forma muito simples, é olhar e falar assim, se eu fosse um founder, por que eu escolheria esse cara? O que esse cara vai me ajudar de verdade? Porque o founder não vai escolher por dinheiro o bom founder, ele precisa do dinheiro. Mas o que esse cara tem que vai fazer um founder preferir ele? Porque é isso que vai fazer a diferença no retorno do fundo.
Boa, boa.
Achei aqui o livro, deixa eu falar aqui.
Fala aí, Guilherme, ele achou o livro.
Glass Half Broken. Então, Boris Grossberg é um livro bem interessante, fala sobre o quão mais competentes as mulheres são em relação aos homens.
Show, show. Bacana, bacana.
Eu vou te falar, se eu puder fazer o comentário em cima, você sabe que para investimento, principalmente em venture capital, a mulher não sofre tanto de um viés que o homem sofre. viés do vendedor, perdedor, alguma coisa assim, que é quando você tá perdendo, o homem tende a querer dobrar pra recuperar. A mulher, ela consegue falar, não, peraí, perdi, não tem problema, tem a outra que eu vou ganhar. Então ela faz o stop loss com muito mais facilidade, tranquilidade mental do que o homem, que não pode perder e vai lá, dobra a aposta e perde mais. Então vale pra investimento.
Leitura obrigatória pra mim, né?
Boa.
Na verdade, acho que é para todo mundo, mas talvez mais para os homens.
Do que para as mulheres. Acho que é mais para os homens.
As mulheres sabem o que são boas já.
Eu vou pegar uma aqui que a gente sempre faz. Se vocês pudessem jantar com alguma personalidade do mundo dos investimentos que vocês ainda não conheceram, quem vocês levariam, onde jantariam e qual prato pediriam?
Do mundo dos investimentos.
Do mundo dos investimentos.
Você tem jantado para o jantar de noite? Boa, boa. Pode ser do mundo do empreendedorismo.
Eu acho que eu iria jantar com o Buffett, que é a maior lenda viva do tema no mundo. levaria aqui para o meu amigo Romero, que está aqui do meu lado, porque ia voltar com mais experiência e ia tocar um fundo ainda melhor. Aonde eu jantaria com ele? Eu acho que o Buffett é um cara que, por tudo que eu leio dele, ele é super simples.
Ele gosta de McDonald's.
Ele adora o McDonald's. Seria no McDonald's. Eu, o Romero e ele por um McDonald's, está ótimo.
Eu, ó, eu acho que eu indo pro empreendedorismo é de qualquer momento no tempo.
Qualquer momento.
Teve um outro gestor que falou que levaria o Isaac Newton pra jantar.
Não, eu levaria... Eu iria lá pro final dos 1890 e levaria o Thomas Edison e o Nikolai Tesla pra jantar junto. Caramba. Pra ver os dois ali quebrando.
Bom polidex.
Engenha elétrico.
Tá me levando isso aí? Falaram que me leva, né?
Com certeza. Com certeza. E até porque tem ali... O Edison era um super empreendedor e o Tesla, um puta cientista. E eles trabalharam juntos, entendeu? Quer dizer, tinha uma combinação ali tão incrível, mas eu não sei se eles teriam criado tanto de contribuição pro mundo se eles tivessem continuado juntos, by the way. Então, não sei se tem uma competição ali que foi necessária, uma rixa, mas eu acho que seria um jantar... Eu não sei onde eu levaria, mas algum lugar que tivesse, assim, dez pratos pequenininhos, tipo Michelin.
Menor degustação.
Para durar bastante, comer pouco e falar muito. Eu escutar e eles falarem muito. Eu acho que o jantar ia durar pouco. Eu acho que eles iam brigar rápido, mas eu tentaria algo assim.
Cite, por favor, um ou dois gestores com os quais você botaria a tua grana, tirando os da XP, que eu sei que você é investidor de todas as estratégias lá da XP.
Olha, eu aprendi a admirar muito o pessoal da Dynamo. São nossos sócios, inclusive desde 2012. A gente tá junto há quase mais de 10 anos, então eles são muito criteriosos, acreditam no longo prazo, fazem o dever de casa, são realmente muito, muito competentes. Aqui no Brasil eu diria que eles chamam bastante atenção e como eu fiquei muito próximo deles, eu diria que eles são especiais. Fora do Brasil, eu conheci alguns gestores muito bons. Tem um fundo chamado Durble, que tem um gestor que foi da T-Roll por 15 anos e ele fez mágica lá. Ele se chama Henry e ele lançou a boutique dele tem dois anos e pouquinho, já tem mais de 20 bilhões de dólares. Eu diria que ele é a versão da Dinamo americana. Ele é fundamentalista, ele vai a fundo nas teses e é aquele tipo de sócio que ajuda. É como a Dinamo, é um fundo que ele consegue ajudar o empreendedor de uma forma diferenciada. Não é só o que ele quer, ele consegue. Ele consegue te provocar, ele consegue ter conversas de alto nível. Muitas vezes ele sabe mais da empresa do que você mesmo. Então eu diria que esses dois gestores, um brasileiro e um gringo, são craques.
Boa! Romero, pode ser multimercado, venture capital, private equity.
Tá. Bom, pensando no venture capital, fora do Brasil, acho que no Brasil tem fundos incríveis e essa indústria, apesar de nova, que está sendo construída com muita gente boa. E graças a Deus, a gente teve a oportunidade de investir com praticamente todos os fundos já aqui do Brasil. Pensando fora do Brasil, para não ter que ficar na saia justa, e deixando de fora Red Point lá fora e a Headline, que eu sou investidor. Eu acho que eu investiria num fundo como, por exemplo, Andrissen Horowitz, porque o fato de você ter lá o Marc Andrissen e o próprio Ben, que, poxa, criou o Netscape lá atrás, no começo do WWW, teve toda a briga com a Microsoft, tentou o antitrust, não conseguiu, morreu, atropelado ali pela... pela competência e velocidade e pungência da Microsoft com o Internet Explorer. Eu acho que teria tanto para agregar. numa startup minha, então, muito do que eu respondi antes, quer dizer, eu acho que ele tem uma coleção de cicatriz e de olho roxo inigualável a muitos. Então, ter ele, de repente, no meu conselho como startup, seria de muito valor. Então, eu provavelmente colocaria dinheiro num gestor desses, que conseguiria trazer esse diferencial. Show.
Bom, pessoal, Guilherme, Romero, pô, muito bom.
Pô, Romero.
Prazer.
Obrigado, gente. Valeu, garoto.
Obrigadão. Pessoal, muito obrigado pela audiência. Aqui todo mundo, tirando eu e a Carol, tem as redes sociais super populadas. O Romero, ele é famoso lá no Instagram. Guilherme Benchimol também, o Instagram dele super conhecido. Eu estou lá como arroba samuel.ponzoni.
E eu tô como arroba rso__carolina.
E eu vou fazer um negócio aqui, que eu vou ter que pedir ajuda depois, ó. Esse livro aqui, o Narraça, não é do Guilherme, mas tá aqui a cara dele, né?
Eu comprei alguns livros, eu vou pedir.
Pro Guilherme, ao vivo aqui agora, autografar. E a gente vai fazer algum bem bolado para sortear aí. A gente vai pensar em algum sorteio. Mas, enfim, autografar. Vamos pedir para o Romero autografar também.
Escrever alguma coisa aqui. Eu quero um do Guilherme Oteiro, mas não está autografado.
Pessoal, obrigado. Curtam, compartilhem, mandem para os empreendedores, colegas. Prazer ter vocês aqui com a gente. Valeu.
Valeu, obrigado.
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