O lado oculto da Internet com Romero Rodrigues fundador do BuscaPé

Romero Rodrigues, founder of BuscaPé, talks about building a price-comparison site from a floppy disk tool, selling to Naspers, and what he looks for now as an investor: repeat founders and real product-market fit.
Questions this video answers
End of 1999; about R$150–200 thousand (incubator/structure support).
Initial Series A described at roughly a US$1 million valuation with about US$100k invested; later round valued the company at ~US$7 million with ~US$3 million received (about six months after).
Naspers (Prosus) acquired 91% for a total check of roughly US$342 million (Romero also mentioned US$374 million as the deal figure).
First check (~2016) was US$1 million (he was first investor); total follow-on ~US$10 million; company later acquired by Visa for US$1 billion — cited return of ~210x for the fund's original US$1M.
Chapters
Senhoras e senhores, Futurum Talks e tio Rico, nós temos que agradecer a parceria com a EQI Investimentos. Sabe que tem o QR Code aqui na tela, mas o tio é um homem que ensinou a diversificar uma carteira. O quanto é importante, tio, a diversificação e ter um auxílio. Fala pra mim.
É, só que hoje em dia, com o grau de risco que nós temos no mercado e no mundo inteiro, a diversificação é extremamente importante. Então, a gente, junto com a EQI, a gente conhece a turma há muitos anos, né? E vem crescendo, ganhando corpo. Nos últimos anos, o Juliano Custódio, fundador, falou, tio, vamos trabalhar juntos? Eu falei, porra, vamos. Conheço vocês desde criança.
Boa, boa.
E tão gigantes.
Tão gigantes, cara.
Então, porra, agradeço aí, acho que muito legal essa parceria e vamos que vamos. Tem muita coisa pra fazer. O melhor está por vir, Zucker.
Sem dúvida. Você quer simplificar, você quer aprender realmente a investir, você tem um dinheiro que você quer ter a sua liberdade, tem o QR Code. Faz o seguinte, tem um QR Code aqui na tela, você vai entrar, vai cair direto na EQI E a gente vai deixar, tio, também o link na descrição do vídeo. Então, mais informações, se você quiser montar uma carteira, a gente está investindo lá, a gente pensa em longo prazo, mas eu acho muito legal a forma educacional da EQI que te dá essa liberdade financeira. É a mágica do juros sob juros, quando você pegar amanhã, você vai entender que você vai ter a sua liberdade, né, tio?
E a mágica, na verdade a mágica não existe mágica, tá em cima de paciência, controle e responsabilidade.
Falou bonito, tio. As entrevistas, cara, eu tenho uma felicidade imensa, porque sempre é um convidado que surpreende, eu aprendo demais, muitas das vezes eu conheço a jornada, sou fã, né? E a gente tem o tio Rico, que valida e faz as perguntas espetaculares. Que prazer! Mais uma temporada, mais um episódio. Fala, tio.
Porra, vamos que a bicicletinha não pode parar, Juque. Estamos de volta. É uma honra enorme estar aqui com vocês. E quem tem sangue empreendedor sabe do que a gente está falando, né?
Eu tava muito empolgado, cara, pra essa entrevista, porque, como eu falei aqui nos episódios, a gente tem, junto com você que tá assistindo, ouvindo, inclusive no Spotify, tamo no TikTok, multiplataforma, de aprender. E aí, tio, como a sua voz é bela e você passa uma credibilidade imensa pra dividir aqui essa apresentação, eu gostaria que você nos desse a honra de apresentar o nosso convidado, que é outro nível, outro patamar. Chegamos lá, tio. Diga lá quem teremos hoje aqui.
Bom, algumas pessoas dizem que a minha voz é meio sensual, mas é de muito tabaco ao longo da vida. Mas sem mais dilongas, nós temos hoje um cara extremamente empreendedor e da velha guarda. Você, Romero, eu acho que você é um cara que... Porra, você tem que falar um pouco de você aqui pra gente entender o tamanho disso. Ninguém é melhor do que você mesmo se apresentar, mas você é um cara que conhece o mercado de venture capital há muitas décadas. Então fala um pouquinho da tua história. Ninguém é melhor do que você mesmo pra contar a tua história.
Que bonito, cara. Que prazer que você tá aqui. Como eu falei, já acompanho você de longa data, ou por amigos, ou pela sua jornada aí, que a gente tem que enaltecer os empreendedores brasileiros. Que legal que você tá aqui.
Obrigado, Zuc. Obrigado, tio. Prazer enorme estar aqui com vocês.
Olha, o tio teve uma, não digo uma preguiça, porque o teu currículo seria o podcast inteiro aqui, né tio? Olha, bom, pra gente começar com o Buscapé, acho que foi uma coisa disruptiva do Brasil, né, pra gente falar de empreendedorismo, mas teu currículo aqui, bicho, de Stanford a Harvard, esse cara é impressionante o que eu tava vendo aqui, né? várias companhias, a gente... Endeavor, né? Que a gente não tem como não falar. É uma infinidade de empresas que você já transitou e, cara, chegou lá. Que legal a gente estar com você mesmo. Estava vendo a tua história e é impressionante aí que desde moleque você é um cara curioso e vem de uma família de empreendedor. Então, teu pai com certeza te guiou, né? Teu avô. E eu acho interessantíssimo. A gente vê onde que despertou esse seu lado. Queria que você dividisse aí, aonde foi que, moleque, você já gostava de vender minhoca com todo o respeito à minhoca, né? Pra sua avó, no prédio você já tinha esse lado assim curioso e tentar entender escala de business, porque tinha até porcentagem com oito anos, me parece, você deu 70% pra você, 30% pro teu irmão. E é um negócio que é uma loucura, cara, você vê uma criança já, é uma vocação, né?
Eu não lembrava disso, e na pandemia eu comecei a limpar as caixas, encontrei essa minha agenda de 1987, e tinha lá Juan, que é de Romero e André, e aí 70% Romero, 30% André, a gente ia fazer vela de sabonete e criação de minhoca, aquelas duas coisas que eu sabia fazer. e que minha avó queria. Mas eu acho que foi sim, foi muita inspiração de... Bom, sempre tive meu pai como meu herói, meu ídolo, gostava de passar muito tempo com ele, meu avô também. Meu avô tinha loja de material de construção, depois meu pai teve uma construtora empreiteira, então passava muito tempo, fim de semana, depois da escola, no negócio. e adorava aquilo, adorava empreender, ver eles empreendendo, e falei, pô, eu quero montar um negócio. E minha vida inteira, e não queria herdar um negócio, eu queria realmente criar o meu, uma coisa orgulhosa.
Já tinha um sentimento.
É, eu sempre dei muito trabalho, né, com acho que com 15 anos, eu pedi de presente de aniversário pra ser emancipado, que eu queria ter minha conta de banco.
Parece o Warren Buffett.
Mas, tem umas diferenças, viu tio, infelizmente.
Vai ser enganado. Você chega lá.
Você tá mais bonito que ele.
Mas acho que isso realmente inspirou. E aí na oitava série, eu sempre buscando, curioso, alguma coisa pra fazer. Na oitava série eu conheci computação na escola. Era uma aula adicional que tinha, optativa, mas lá o PCXT me apaixonei por programação.
Tinha uma tartaruguinha, não sei se você recorda, que tinha uma caneta que você programava ela na escola. Tinha a primeira aula de computação.
E aí me apaixonei por aquilo, pelo Basic, e falei, pô, eu quero fazer isso na minha vida, eu vou empreender com isso, porque eu não tinha noção de escala, eu não tinha um monte de noção ainda, mas uma noção eu tinha, eu precisava de capital. Como é que eu vou conseguir capital pra começar um negócio? E essa era uma barreira pra empreender antes do digital, antes da tecnologia, né? Você precisava, no mínimo, o ponto, a reforma, o estoque inicial, qualquer coisinha. E eu falei, pô, isso aqui é só capital intelectual, eu vou nessa. E aí mergulhei nisso, passei o colegial andando nos intervalos com disquete pra cima e pra baixo, que obviamente prejudicou minha vida social.
Imagina!
Mas, assim, a vantagem foi que no primeiro colegial eu já sabia exatamente o que eu queria. Eu queria fazer engenharia elétrica pra montar uma empresa de tecnologia.
Nós estamos falando que ano?
Como era o...
Isso foi 91, tio. Porque eu entrei na faculdade final de 94. Então o primeiro colegial, 91.
Ou seja, no comecinho ainda da tecnologia, né?
Uma coisa bem... PC-XP, no comecinho do computador pessoal.
Não tinha internet discada.
Não tinha, não tinha internet. Não, essa época era o computador, ele podia vir na cor verde ou na cor laranja.
Era pra programar alguma coisa. Cara, é muita loucura, né? Mas você vê como você desmonta a máquina e no final ela vai servir para alguma coisa. E vai seguindo, né? E aí eu acho que também é uma outra relação de curiosidade, como eu falei, de você puxar pessoas também, né? Você sempre teve essa característica, né? Você é um cara comunicativo, apesar que você falou que imagina dessa timidez. Mas no educacional, e eu acho que essa é a base de tudo, quando o tio defende demais, né? Pô, quantas vezes você falou de Stanford, né tio? Você falou do Lehman, de buscar pessoas que estão interessadas, e você pega as universidades americanas, tem uma relação muito forte do cara que tá fazendo curso e de repente ele vira sócio. A gente pode pegar o Google, foi assim, milhares de exemplos aconteceram dessa forma, e aí você puxou a turma da tua faculdade também pra fazer o teu negócio, né? Foi lá que aconteceu, né?
Foi logo que eu... Bom, como eu já estava driveado pra não ser um engenheiro, eu queria empreender, eu rapidamente criei um grupo de amigos que a gente começava a pensar. Se eu unir uma vez por semana, tipo um think tank, ficava pensando o que a gente podia criar, o que a gente podia fazer. Nessas, eu comecei um negócio com um dos meus cofundadores do Buscapé, amigo na época, era uma software house pra desenvolver software de gestão pra empresas pequenas que precisavam de coisas customizadas. E aí eu aprendi com dor o problema de escala, porque obviamente não escalava. Já ia customizar muito pra um cliente, o outro tinha outra dor. E continuamos naquele exercício até que veio a ideia do Busca Pé, que veio do Rodrigo, outro cofundador. A gente começou o Romero, eu, o Rodrigo.
Tudo com R que era da mesma sala da faculdade.
Exato, porque lá a gente fez USP e na pole as classes eram divididas por letra. Então a nossa era do R ao Z. Então era todo mundo ali pertinho.
Que loucura, cara.
É, tio.
E aí, beleza, cara, vocês começam a montar um brainstorm, vamos criar alguma coisa sem saber o que que era escala e sem ter uma tese também, né? Porque a internet, imagina, no Brasil, qual foi a referência que você teve pra validar antes de chegar no Buscapé e falou, cara, aonde a gente vai escalar isso daqui? Porque não parava em pé, né, cara? E eu imagino, com todo respeito, você começando, cara, sem dinheiro nenhum, né?
Não, zero, zero. E todos... orgulhosos, no sentido de que ninguém queria dinheiro de pai. Acho que todos tinham uma vida confortável de classe média, mas sem nenhum exagero. Todo mundo ia de fusão.
Bandejão da USP é barato também.
Comia no bandejão da USP. Era isso, fazia estágio, ganhava o seu dinheirinho. E eu acho que veio... A gente pensou em diferentes coisas até chegar no Busca Pé. E o fato de eu estar fazendo estágio, eu e o Rodrigo estarmos fazendo estágio num laboratório de pesquisa de redes de computadores ajudou muito a ver a internet, porque a gente... A internet comercial eu nem tinha em casa ainda, mas na faculdade a gente acessava o mundo inteiro e tava ali desenvolvendo, programando e aprendendo linguagem voltada pra redes, pra internet. Então aquilo ajudou muito. E, obviamente, ver o bundo que estava acontecendo com algumas startups já no Vale do Silício, o próprio Netscape e outras, foi outra inspiração. Aí quando o Rodrigo estava procurando uma impressora para comprar, aquelas lá do comecinho, HP, DeskJet, 500, procurou em tudo quanto era site lá fora até, porque no Brasil a gente tinha o KD, a gente já tinha o UOL, o Terra, Tinha o Zip e Mail, mas não tinha IG ainda, não tinha Americanas, não tinha Submarino. Você não tinha iPhone, não tinha Facebook, não tinha Google.
Em relação à parte da ansiedade e à velocidade que está a internet, eu acho que é uma discussão até muito válida que você é um cara que transita muito nisso. A relação dopaminérgica do algoritmo, alguém tem que pegar um celular e tem que ser igual um maço de cigarro e colocar uma advertência ali. Isso é uma coisa que você consegue visualizar?
Eu não vou mentir que quando eu comecei a buscar pé, tava na faculdade, jovem, romântico, eu olhava e falava assim, caramba, que sorte, eu nasci num dos melhores períodos da civilização, acho que a gente tá em Florença de novo, isso aqui é... Renascentismo e tal. E aí você acelera 20 anos e começa a ver a polarização, as pessoas começando a discutir e briga e amigos se perdendo. parece muito mais escuridão e obscurantismo, quer dizer, o que aconteceu, porque parecia tão lindo, tão Camelot há 20, 25 anos atrás, e muito vem disso, vem dessa monetização do algoritmo de bolha.
Exato, exato.
Agora, Romero, posso te falar um negócio? Eu tenho cabelo branco e tem uma coisa pra mim que é fundamental, é falar com quem esteve na linha de frente na vida inteira. Estou dizendo quem fundou as empresas, quem estava no chão de fábrica. Porque se conversa com alguém, com teu histórico, por exemplo, que começou a desenhar uma ideia que revolucionou o mercado lá atrás, esse cara tem uma visão diferente. Entendeu? Então, essa turma de hoje, ela tá muito viciada na facilidade. E hoje tem, TikTok, aquela coisa toda, mas o cara que constrói, porra, você vê a envidia. O cara falou, meu, eu nunca tinha noção, nunca tive a noção da pica, do tamanho do problema que nós estamos criando e resolvendo ao mesmo tempo. Então o cara que passa por tudo que você passou, tem uma visão diferente, mantém o umbigo no balcão e a cabeça pensa diferente. Eu tenho muito essa visão, por isso que eu cutuco muito essa geração nova, de que é chão de fábrica, a gente tem que ver o que está acontecendo no chão de fábrica, para depois começar a pensar em algo muito grande.
Concordo totalmente, tio. E trazendo uma frase aqui do Xará, do Zuck, o Zuckerberg, ele fala um negócio que é muito legal. Pô, muito bacana você ser o first mover, você criar lock-in, network effect, blá, blá, blá, blá, blá. Mas, meu, no final quem ganha é the last man standing. E se baixou a guarda, não adianta. Aconteceu várias vezes na minha vida, aconteceu na vida de todo mundo que empreende. Se baixa a guarda, o direto entra. E se apanha e vai pro chão. E assim, você pode ficar 10 anos de guarda levantada. É sempre no momento que você distrai, entra. Entra no quê? Não tem jeito.
Não tem descanso. Não tem descanso, é isso aí mesmo, eu sempre falo, o topo ele é muito isolado, então o cara que funda a empresa e toca a empresa hoje, ele fica muito isolado, ele manda em tudo, todo mundo tem medo de contar a verdade de um problema, e quanto mais você se isola, menos a verdade você enxerga, entendeu? Então, e eu sempre falo, o difícil não é ficar rico, é se manter rico, é o grande desafio. Então, um pouco do empreendedorismo é meio nessa linha.
E nessa linha de empreendedor, de buscar, quando você pega uma empresa, o cara que você procura é o cara que jamais tomou mais porrada e ficou em pé, porque você pode ter o dinheiro que for, mas você é um cara que montou empresa, fez ela acontecer, você validou várias teses, elas aconteceram. Você está agora numa outra etapa da tua vida, você já está no terceiro momento, as empresas já estão acontecendo, as startups, você já entra numa investida. Mas quando você vai olhar para o cara que está te apresentando alguma coisa, você vai para o cara que já aguentou, já tomou porrada, ou para juntar.
No time, Eu não diria que é o único critério, mas é um dos mais importantes. Então, o fato do founder estar empreendendo pela segunda ou terceira vez é extremamente positivo. Um founder que eu já investi, por exemplo, nesse momento a gente está investindo numa companhia de empreendedores que eu já investi há 10 anos atrás. Pô, não tem nem o que pensar. Putz, história maravilhosa, conheço exatamente como eles funcionam. A gente sempre investe depois que o produto está no ar e com tração, quando tem fit de produto e mercado. Dá para depois contar mais o que é isso, mas num caso desse, é exceção, não precisa nem olhar o produto. Está aqui o cheque.
Você já viu.
É pessoas no final do dia. Porque assim, no estágio que a gente investe, é óbvio que a ideia precisa fazer sentido, o mercado precisa ser grande, ele precisa estar resolvendo uma dor e a gente olha tudo isso. Mas o Excel vai mudar, o código vai mudar, provavelmente a marca vai mudar, o modelo de negócio vai mudar. A gente investiu em Gimpass, Gimpass vendia passe diário no B2C, não era empresa, Dan.
Era de diário, das academias. Incrível.
Acreditas, chamava a BankFast, fazia comparação de preço de juros, não fazia o empréstimo. O iFood, quando eu tava no borde da móvel e a móvel investiu no iFood, o iFood era desktop, não tinha no celular, cara. E vinha com uma revistinha, que era o DiskCook.
Olha que loucura.
Então assim, o modelo de negócio vai mudar, tudo vai mudar. O que é aposta no final do dia quando você espreme tudo? É o time.
Boa, que o cara faz acontecer. Calma, você fala tanta coisa espetacular. O cara entrou no iFood no começo. Não, vamos agora por ordens aí, porque não tem como não se empolgar com as suas empreitadas.
Desenvolve um pouquinho mais como o busca pé chegou onde chegou e como você fez a ponte para novos negócios. É aí que eu quero chegar.
E até para te ajudar na linha de raciocínio, antes do Buscapé tinha um outro nome, a verdade era uma comparação do varejo, que vocês fizeram isso, que você tomou porrada pra caramba. No começo a turma não entendia essa ligação da internet, queriam até tirar, te processar inclusive. Então vamos começar no Buscapé, a gente ia até falar das outras empresas.
Se pegar a academia que existe hoje de startups, livros, e obviamente não existia, né? Tanto que eu brinco, às vezes eu vejo muito founder, vamos dizer assim, uma das coisas que eu mais odeio, e aí desculpa o francês, tio, mas é cagação de regra. Então o cara fala assim, não! Mas não é, Tiola, o cara faz assim, não, olha só, você vai fazer isso, isso, isso e vai chegar em um milhão de dólares de receita recorrente, aí em três meses você vai receber oito term sheets, você vai falar isso, isso, isso e no final você vai fechar. Porque a gente olhou aqui em Stanford, em Harvard, não sei, por mais que seja minha alma mata, Stanford. Cara, assim, sério, é sério que você vai arriscar tudo e acreditar nesse framework? This is Brazil, como já dizia no Velozes e Furiosos, o passado é incerto, você acha que o framework de Harvard vai dar certo? Então eu falo para os founders assim, os melhores founders são aqueles que estão criando as formas de gerir, de gestão, que vão ser ensinadas daqui 10 anos na faculdade e nos livros.
Perfeito.
Então, o que Stanford ensina hoje é o que Google lá atrás, Yahoo, AOL, Mercado Livre, de certa forma, Buscapé, UOL, fizeram.
Na raça.
Na raça, sem saber, por intuição. Então, a gente começou com a ideia de capturar preço de loja física.
Certo.
E pra fazer isso, A ideia foi desenvolver um programa, coubesse num disquete de 1.44, tinha que ter 1,5 MB no máximo, ia distribuir gratuitamente, o varejista ia instalar no computador, ia ter um software que rodava o HD, descobria os preços, a meia-noite conectava no modem que conectava na BBS, porque meia-noite a 6 era pulso único, e mandava os preços pro nosso servidor. E, pô, ficamos seis, nove meses desenvolvendo o programa, que não era fácil. Rodamos todos os varejos ali do bairro e todo mundo falou assim, tá louco. Isso aqui é pegadinha, eu não dou nem preço pro telefone.
Porque o varejo não faz...
Não, o segredo todo é o cara entrar aqui na loja e eu não deixar ele sair.
É pegadinha, né?
Lógico. E aí o Buscapé morreu a primeira vez. A gente falou, pô, vamos pegar preço online. Encontramos quatro sites que tinham preço. Começou por aí, foi crescendo, crescendo, crescendo. E aí quando tinha umas 30, 35 lojas, a gente descobriu um comparador de preço americano que tinha sido lançado nesse meio tempo, que era o MySimon. E a gente ficou desesperado, porque a gente não tinha grana, então a gente ia... Que loucura, cara. Ia usar o ineditismo pra que tivesse divulgação, imprensa e tudo mais. A gente falou, pô, que merda, já não somos o primeiro no mundo. Vamos lançar do jeito que tá. E aí lançamos com 35 lojas, mais que o suficiente, porque levou ainda seis meses pra chegar em 100 lojas. E aí duas lições, que hoje é prática de startup. Primeiro é teste de hipótese. Então para pra pensar, precisava ter algum programa naquele disquete? O disquete não precisava nem estar formatado. Eu já ia ter o feedback que o negócio não ia funcionar.
Precisava rodar, né? Você precisava colocar na rua.
Exato. Você tem como fazer testes de hipótese pra validar o teu modelo de negócio sem precisar desenvolver tudo.
Porque é muita planilha e pouca execução, né? Exato.
E o segundo é o famoso feito é melhor que bem feito. Se a gente tivesse lançado com 30, com 25, Lozard teria sido o primeiro do mundo e não o segundo. Então, mas assim foi, a gente colocou Buscapé no ar, Loki entrou no ar, A gente, na época, o único ativo que a empresa tinha era uma linha telefônica comprada, parcelada em 24 vezes.
Valia muito, inclusive, naquela época.
E valia, tinha que pôr no IR.
E só para os Enzos que estão assistindo a gente, a molecada, disquete, porque a internet não rodava tão bem, né? Então você tinha que dar onde colocar um... Como é que eu posso falar um disquete? Você coloca no computador pra rodar o programa.
Era pra rodar o programa, pra instalar o programa.
Não é que você entrava num site, né?
Não, não tinha como entrar e baixar. Não existia. Era tudo por disquete. Bom, e quando a gente colocou no ar, o telefone tocou, e era um varejista, e o nosso modelo de negócio todo visava, obviamente, tirar dinheiro do varejista, pra tá ali no destaque. E o varejista falou, olha, muito legal, mas eu quero que você me tire daqui, porque eu não quero o meu preço comparado, e se você não tirar, eu vou te processar.
Caramba.
Puta, nada.
Varejista grande. Tio, você até falou do Brasil antigo, mas o digital, ele de certa forma humanizou um pouco, eu acho, os negócios. Não só no Brasil, mas acho que principalmente no Brasil. Porque você pega hoje, que bacana, é solitário ser empreendedor, mas você tem um endeavor, você pode ligar para o empresário do teu setor e pedir uma mentoria, Pô, há 30 anos atrás, tio, você que tem casca grossa, se ligasse pra um cara maior que você, que você tá querendo eventualmente entrar no mercado dele, e falasse que você quer ir lá ganhar uma mentoria, porra, o cara acabava com você antes de você chegar no escritório dele. Então acho que nesse aspecto o Brasil...
Hoje democratizou a informação, né? Você tem mais acesso à informação.
É.
Então...
Mas ao mesmo tempo, você tenta fazer um cold call hoje, o cara acha que é golpe.
Total. Não tem tempo.
Pros e cons.
Total. E o... E aí enfim, a gente acabou não sendo processado, seguiu com o Busca Pé, Busca Pé ganhou bastante audiência, exposição.
Uma matéria na Veja bem no comecinho, lembrando que a Veja era um negócio que parava todo mundo pra ler.
Era poderoso.
Aquela matéria foi transformadora.
Foi, matéria de capa. E a gente soube usar muito bem a mídia pra conseguir ganhar audiência, porque construir um BTC é difícil, você precisa de muita audiência. Enfim, a gente conseguiu ter muita audiência, mas ainda não tinha receita. E aí os investidores falaram, ó, se você não equilibrar até o final desse próximo ano, a gente vai fechar a companhia. E aí você fica corajoso, que você não tem opção. E a gente começou a ir atrás do varejo, consigo converter todo mundo pra pagante, menos aquele primeiro varejista lá que tentou processar. E não só ele não pagava, como ele jogava água no nosso chopp, que ele falava pros outros, falando, por que você paga, eu não pago, para de pagar esses caras, não sei o que. Aí um dia, os 10 maiores varejistas brasileiros, eles tinham um grupo de trabalho, onde eles se reuniam uma vez por mês pra discutir melhores práticas. Uma das melhores práticas era não pagar o busca-pé. Qualquer similaridade com cartel é mera coincidência. E aí, a gente falou, bom, a gente precisa dar uma resposta. E aí, pela primeira vez, a gente tirou uma loja do ar. Foi uma terça-feira, ele passou a terça-feira inteira fora do ar.
Não pagou ou tirou?
É, e ainda queria que os outros não pagassem, tiramos. Na quarta-feira, ele ligou. Pô, eu vi que você finalmente me tirou do ar, três anos depois, não sei o quê e tal. Falei, pô, que legal, pô, você ligou. Como é que você soube? A gente percebeu que as vendas caíram. Eu falei, é, olha só. Aí ele falou, ó, se você não me listar até o final do dia, eu vou te processar. E aí eu ri, na primeira vez eu chorei, graças a Deus, não tinha funcionário, ninguém sabia chorando.
Mas aí você viu que o negócio pegou.
Mas essa segunda vez a gente tava na merda, tava longe do breakeven, tinha ainda um monte de coisa pra fazer, mas naquele momento foi o momento do clique de falar, pô, pode até ser que tudo isso dê errado, mas essa história que eu não dou preço pro telefone, tem que vir aqui na loja, acabou. Acabou de ver.
O papo aqui, a gente acaba fazendo de uma forma até concisa, para a gente conhecer a história, mas assim, não pulando etapas, mas vamos falar dos cheques do Buscapé, porque é emocionante, cara, o que aconteceu com essa empresa. Primeiro cheque, segundo cheque, terceiro cheque, para você contar.
O primeiro investimento foi final de 99, uma incubadora, aceleradora, e foi um cheque, foi mais do que dinheiro, foi infraestrutura... Dera estrutura jurídica. Estrutura jurídica, então foi coisa de 150, 200 mil reais. Aí o segundo cheque foi uma série A com o... E a empresa estava avaliada em um milhão de dólares. Põe assim, então... Põe 100 mil dólares a um milhão de dólares, mais ou menos, de avaliação. Aí o nosso Série A, a empresa já avalia sete milhões de dólares e recebamos três. Foi para um post de dez. Foi um ano depois.
Boa.
Menos de um ano, seis meses depois. Isso foi meio que no momento que a bolha estava estourando, a gente conseguiu segurar rodada, foi Merrill Lynch e Unibanco que investiram. E aí depois a gente fez, em 2005, uma Série B. que não teve primário, ou seja, não entrou dinheiro na companhia, mas o fundo comprou os investidores anteriores que eles queriam sair, estavam felizes com a empresa. Na época, a empresa crescia três vezes ano sobre ano com 40% de EBITDA, então era muito lucrativo. E a gente, os fundadores, a gente queria usar esse dinheiro pra fazer mais coisa, comprar outras empresas. E os investidores falaram, não, tô aqui há seis anos, eu quero sair. Se você começar a comprar, vai cair a margem e tal. Aí vem o fundo de Private Records, comprou eles, que foi a série B, nisso a gente tava avaliado em 35, 40 milhões de dólares. E depois de quatro anos, a Naspers, Prosos, que é dona de iFood, OLX, comprou a gente por 374, comprou 91%, então o cheque foi 342.
342!
Que delícia! Dá pra tomar um vinho bom!
Calma, calma! Esse é o momento que a gente tá do outro lado da mesa, e com a amizade que a gente tá aqui, eu queria saber desse dia da assinada do cheque, o que você fez, cara? Com quem você tava, pra onde você foi, pra fazer uma puta farra, porque a vida precisa ser celebrada em alguns momentos, quando acontece... Olha ele lembrando aí, Mículos, hein tio? Ele de sunga, jogando champanhe pra cima.
A noite que aconteceu isso, obviamente essas coisas são sempre noite adentro, Eu tava a trabalho em Nova York, num quarto de hotel e tal, e no outro dia eu chamei todo mundo pra almoçar, paguei o almoço e eu ainda não podia falar, ninguém entendeu por quê.
O cara pagou um pastrame no Carl's, o máximo que ele vendia.
A gente foi num Wolfgang's lá, foi no restaurante preferido em Nova York do Eike Batista.
Você pagou um hot dog na esquina.
Nem no Peter Lugar ele foi pegar uma caixa.
Mas aí depois a gente fez uma viagem junto com o fundo, com o Great Hill, que era o fundo que tinha investido na gente, pra Miami. Pegamos cinco dias em Miami pra comemorar.
É pra comemorar, muito mais da parte desse queixo duro que vocês tiveram, né?
Eu quero abordar um assunto que eu acho que é importante. Ele falou que em 99, perto da crise, o negócio realmente no mundo estava meio estranho. Eu lembro muito bem disso. Eu queria que você falasse um pouquinho melhor como é empreender na crise. Porque na minha visão, eu nunca deixei de empreender quando o mundo estava desabando. Aliás, é onde a faca está caindo que você tem que começar a cheirar os corpos que estão começando a aparecer, oportunidades. Quando não é crise no Brasil, é crise mundial, é na Ásia, Rússia, Europa. A rotina do empreendedor é viver nesse ambiente hostil, sobreviver de crise em crise, para um pouquinho mais de crise.
Pô tio, tem uma frase do Churchill que eu amo que é never waste a good crisis. E é exatamente isso. Eu acho que é óbvio que é mais difícil. mas acho que eu sempre fui mais um capitão de tempestade do que de bonança. O que eu quero dizer? E ainda mais quando o seu negócio tem um pouco de anticiclo. Então o Buscapé, assim como o Buscapé é o mercado livre, acho que ambas as empresas surfaram muito bem nos momentos de crise, porque a verdade era, no nosso negócio, se a economia está bombando, o pai de família ganha um puta bônus, ele vai no shopping e volta com a TV. Na hora que a conta está apertada, é uma ótima chance para educar ele. no novo modelo de mercado. Comparar preços. Exatamente. A crise promove mudança de comportamento. E em mudança de comportamento, você tem novos hábitos. E dentro de qualquer hábito, você tem micro-monopólios. Então, se você quer um monopólio para você, cria um hábito. E eu acho que, nos momentos de crise também, se separa muito bem, aí que nem o Warren Buffett fala da piscina, né? Abaixa a piscina e vê quem está de sunga e quem está pelado. Porque quem opera bem se destaca. Então eu costumo dizer para os founders hoje, por exemplo, que falam assim, pô, quando é que vai voltar para as loucuras de 2021, aqueles valuations bons e tal? Eu falo, olha, eu acho que vai demorar muito, mas tomara que nunca. Fala, como assim, não é melhor? Eu falo, para empreender é muito pior, porque quem sabe operar, no mercado de 2021 com um monte de empresa levantando um bilhão de dólares pra lá e pra cá, como é que você compete? Um competidor que não sabe operar, mas sabe captar, porque tem boa lábia, tem as credenciais certas e levanta dez vezes o dinheiro que você levantou, ele não vai construir o negócio dele, porque ele não sabe operar, mas no processo ele mata você. Então ele vai tá disputando engenheiro, vai tá disputando palavra-chave no Google, vai tá disputando parceria com as grandes empresas. Na hora que o mercado tá sem oxigênio, é que você consegue ganhar mercado e mudar a cultura. Então é os momentos de crise, é por isso que o Brasil traz tanto alfa, na minha opinião. Eu acho que é óbvio que a renda fixa aqui é maravilhosa, mas eu prefiro trabalhar alfa aqui e deixar o beta lá, deixa na treasury que está bem, e aqui eu quero fazer venture capital, aqui eu quero fazer de-stress, aqui a pimenta.
Que tem espaço, porque tem muita dor aqui.
E outra coisa, acho importante dizer o seguinte, depois que você não tem oxigênio por negócio, muita empresa morre no meio do caminho, mas as que sobrevivem ficam muito mais saudáveis. você enxuga o time, então sobrevivem as fortes, entendeu? Por isso que é igual o mundo de cripto, quando tá subindo todo mundo é gênio.
Mas quando você falar em VC, em Venture Capital, ou em empresas de tecnologia de investida, e eu acho que é importante falar, que é onde você tá também, transita muito bem, de 10 empresas a maioria vai morrer, 70% fica para o lado. Mas aí tem uma conta que uma vai explodir e eu acho que essa é a sua linha de raciocínio também de negócio. Porque as pessoas têm ansiedade, precisam entender o que é um ecossistema. A Futurum faz muito bem isso daqui, não puxa na sardinha, tem o Google Store, que você também inclusive já trabalhou.
Trabalhou comigo.
E a gente vê aqui que os caras têm iniciativa de 15 startups. Aí está uma jogando para o lado, você vai dar um check, às vezes dá cinco milhas, o negócio não funciona, mas tem Uma que vai explodir. E aí eu queria que você explicasse essa linha de raciocínio da tese de tanto startup e como é que funciona para o cara também abrir a cabeça.
Perfeito. Basicamente, quando a gente monta um portfólio, no nosso caso, a gente investe num estágio específico que não é bem lá no comecinho. Então, não é na ideia, não é no protótipo, não é porque está tendo tração. É quando eu consigo já entender se aquele modelo de negócio mostra que os clientes gostam do produto, então eles voltam, eles gastam cada vez mais, tem recorrência e por aí por diante. Então, de um portfólio que a gente monta, um terço das empresas vão morrer, um terço vão dar de lado, A gente só recupera o dinheiro, porque como investidor a gente tem que ser preferencialista e tal, o último um terço é o que vai dar retorno. Mas nesse último um terço, todos os fundos bem-sucedidos costumam ter uma ou duas companhias dentro do portfólio que devolvem o fundo inteiro. E aí o resto é lucro. É o que a gente chama de Power Law. Então, curiosamente, pro nosso negócio, aquela empresa que fala assim, pô, essa aqui não tem erro. Eu acho que ela tá dez vezes maior daqui a dez anos e tal. Essa não interessa. É contra intuitivo. Mas a gente precisa realmente ir pro Swing for Defenses, né? A gente precisa bater pra tentar acertar pra fora do estádio. E isso, geralmente, empresas que vão ter muita base tecnológica, não é que a gente investe em tecnologia, a gente investe em autocrescimento, mas para ter autocrescimento você precisa ter uma base tecnológica para escalar rápido, precisa estar no mercado gigantesco ou no mercado que vai se tornar gigantesco, resolver uma dor importante desse mercado, então a gente brinca, você precisa ser mais aspirina do que vitamina e time muito, muito bom, time fora de série.
E me dá um case de uma empresa de investida.
Puts, vamos lá. Bom, um dos primeiros queis, até o que de certa forma me colocou, que foi uma pergunta que o tio fez, acabei não respondendo, como é que eu fui sair de empreendedor e vim para investidor, né? Mas um dos primeiros investimentos, Anjo, que eu fiz foi a Gimpass, isso ainda antes de ser gestor profissional. E acabou acontecendo sem querer. Por que eu brinco sem querer? Porque o Buscapete tinha sido adquirido, a notícia foi divulgada amplamente, e aí muitos founders começaram a procurar, tanto a mim quanto ao Rodrigo, o Ronaldo, o Mário, para pedir conselho. E a gente brinca no nosso mercado, que você vai pedir um cheque, você ganha um conselho. Você vai pedir conselho, às vezes você ganha um cheque. E aí, conselho atrás de conselho. Quando eu vi, eu tinha investido em 30, 40, 50 startups, mas os founders vinham procurar a gente porque eles reconheciam a dor. Então não era pelo sucesso. Não era porque eu fui lá pro CETAI comemorar a venda do Buscapé. Era pelo tanto de olho roxo e cicatriz que eu Tomei e sobrevivi. Então, eu lembro até hoje, o João, o Vini, o Cezinha, a Duny Pesce falou, pô, a gente tem o mesmo problema com você, só que não são as grandes lojas que querem matar a gente, a gente tem um problema com as grandes academias. Pô, vamos conversar, aí conversa uma vez, conversa duas, na terceira já fica aquele caso de amor, falar, pô, vamos fazer isso todo mês, pô, deixa eu te dar ação, ou vem participar do meu conselho, ou então, pô, investe. como anjo, e aí eu comecei a me apaixonar por isso, e acho que o drive foi muita curiosidade, porque o Buscapé foi muito legal como uma jornada, e acho que nenhuma jornada vai ser igual, porque não tem como começar outra empresa com 300 reais e viver tudo aquilo que a gente viveu.
Tem um técnico argentino que falou que você ganhou um troféu da Copa do Mundo. Você pode ganhar cinco desses, mas é o primeiro.
É o primeiro, é isso. É boa essa frase, eu não conhecia. Só que era um sabor só, era mídia, varejo e pagamentos. E de repente eu tava falando de bem-estar, saúde, seguro, financeiro. E eu falei, pô, logística. Falei, cara, isso aqui é muito legal. Eu tô sentando com pessoas mais inteligentes do que eu, que entendem muito mais desses mercados. Tô tendo a oportunidade de trazer um pouquinho do que eu colecionei de cicatriz, do que eu apanhei, pra tentar fazer com que eles apanhem um pouquinho menos. que é uma característica que eu procuro nos founders, que é o cara ser o que a gente chama de coachable, ou seja, escutar. Aquele founder sabichão, fala, não, não sei o que, não, tentei, não.
Caga a regra.
Caga a regra, dificilmente dá certo. De todo, eu já, eu conheço, graças a Deus tive essa sorte, conheço muitos dos empreendedores brasileiros. Uma coisa que todos têm em comum, perguntam mais do que falam, Estão falando 10% do tempo, escutando 90, estão anotando tudo. Está sempre com o caderninho anotando, anotando, anotando... Pode ser a ideia mais estúpida do mundo. E o cara vai somando uma ideia com a outra, uma ideia com a outra, e constrói uma ideia que é dele, que é maravilhoso. Porque aí, em primeira pessoa, o cara executar teu plano é um tesão. O cara executar o plano dele é 10 vezes o tesão. Perfeito.
E é difícil, né, tio, entre a ideia e a realização, né?
Não, é aquela coisa que eu falo. Eu tenho medo de quem tem muita certeza. Eu gosto de gente que para para ouvir o lado oposto da moeda, porque quem tem muita certeza, se sai um pouco do prumo, o cara não sabe o que fazer, fica perdido.
Perfeito.
Eu acho que o negócio legal hoje, Romero, é assim, o mundo, a gente está interconectado, não só na internet, Mas eu quero entender um pouquinho melhor se existe um ecossistema entre as suas startups, se elas se conversam ou se aproveitam da administração uma da outra. Porque hoje a gente não faz nada sozinho, seja num grupo de empresas próprias que se retroalimentam, se apoiam, empresas parceiras, como é que você gerencia isso? Ou se de fato é algo totalmente isolado, são ecossistemas isolados, como é que você lida com isso aí?
A gente tenta ser muito provocativo e não ser prescritivo. como um ex-founder, um dos erros que founders, empreendedores cometem quando viram investidores, é não controlar a ansiedade de saber que alguma coisa vai dar errado e ir lá e falar, não faz. Então você fala, olha, eu acho que vai dar errado. Será? Você já olhou? Você já pensou? Agora, se o founder quiser colocar o dedo na tomada, coloca. Aprendeu? Beleza. Se ele colocar o dedo na tomada na segunda vez, aí eu tive um problema de escolher o founder errado. A primeira vez pode pôr.
É uma decisão, já não é mais um erro.
É isso. Então a gente costuma sempre provocar e sempre tentar agregar valor. Mas a gente não tem nenhuma, e às vezes é contraintuitivo, mas a gente não tem nenhuma grande ingerência sobre o founder. Não é como um private equity que vai colocar o controller. Eu não vou fazer meu investimento em parcela, ser atingi meta. É simples, eu confio nele? Eu confio nele? Eu confio nele. Eu não confio e eu não faço cheque. Então, a gente tenta promover sinergias entre o portfólio, trazer melhores práticas, a gente leva os founders pro Vale do Silício pra encontrar nossos sócios lá e o startup dos nossos sócios pra ver as melhores práticas do que tá acontecendo no Vale, mas no final do dia, a gente vai sempre provocar e sugerir. não vai virar e falar assim, olha, vai todo mundo usar o mesmo contador. Mas vai falar, olha, tô achando os teus números ruins. Você quer conversar? Eu tenho bons contadores aqui pra te...
Principalmente porque você já vivenciou, né? E você tem aí o know-how. E, cara, você falou de levar a turma pro Vale do Silício. E esse é um assunto, assim, que eu acho legal a gente discutir, principalmente a parte cultural. Você pegar Israel, né? Eu fui recente pra Israel, né? Infelizmente tá tendo essa situação, foi um pouco antes. você vê que o governo tem uma relação de investida com a tecnologia, né? Basicamente, o governo ele aporta um dinheiro no que ele acredita, né? E todas essas empresas que a gente conhece, o Waze e por aí vai, ele te dá a possibilidade de meio que ter uma sociedade. Se o negócio vai pra frente, aí a gente vai pegar a iniciativa privada. Essa é uma linha de raciocínio que o Brasil vai Nada totalmente pra trás. Como é que você enxerga isso, né? Que depois a gente pode falar das oportunidades que a gente tem no Brasil. Mas pegando o Israel, você falou vários do Silício, o que a gente consegue passar de referência, cara?
Olha, Zucker, acho que você pegou um ponto muito bom. Israel faz várias coisas maravilhosas. Eu tive a oportunidade de fazer uma missão lá pra conhecer vários fundos, as universidades, governo. E você tem o que eles chamam de hélice tripla, que é governo, mercado e academia. Então, você já tem até pré acordado que uma boa criação na academia vai receber dinheiro do governo, às vezes ser contratado pelo exército e já vai entrar o fundo e os percentuais já definidos.
E coloca esse moleque cedo para validar.
Cedo, tudo. Você pega, por exemplo, o Google. A propriedade intelectual do Google Era de Stanford, porque eles estavam trabalhando em Stanford, eles eram contratados como pesquisadores, o Larry e o Sergey. Pô, no Brasil, o Google nunca teria existido, porque você não tem como, não tinha até pouco tempo, agora já tem lei, mas não tem nenhum caso prático, de algo que foi criado numa universidade pública que pode ter uso comercial, aqui é o contrário. Então uma algeresa, como assim vai ter uso comercial e tal. No Estados Unidos já era pré-definido, Stanford ficou com 14% do capital do Google, já pré-definido como é o acordo com todos os pesquisadores, vai para o mercado, no IPO vendeu os 14% que voltou para o endowment.
O cara estava pesquisando na universidade, depois a própria... Tem uma sociedade que tem longo prazo, você investiu no cara, mas depois não. Mas pode continuar.
Então eu acho que isso falta muito no Brasil, essa visão. E essa proximidade do mercado e da academia faz com que a gente não tenha muita deep tech. De certa forma, do jeito que a gente olha, a gente separa as startups, de uma forma grosseira, mas em dois grupos. Ou você está inovando o modelo de negócio, Ou seja, você vai usar tecnologias boas, mas que existem de prateleira, você não está inventando um foguete da SpaceX, e você vai inovar o modelo de negócio. O Jim Pesce, de certa forma, é isso. O Nubank é isso. Pô, mas não tem tecnologia? Claro que tem, mas basicamente inovou com atendimento muito bom, zero tarifas e assim por diante. e você tem tecnologias de fronteira, ou seja, vou desenvolver um algoritmo que não existe em nenhum lugar do mundo. Como uma OpenAI, uma SpaceX, como a Pismo, que é um exemplo de investida nossa. Para você ter esse segundo tipo de empresa, você normalmente precisa ter a academia perto do mercado. Então você tem estímulo de pesquisa e desenvolvimento na academia para você poder gerar papers e aquilo poder virar tecnologia aplicada ao mercado, virar produtividade. E pesquisas. Exato. E esse é o segundo problema aí do Brasil, de não ter isso. Israel faz isso super bem, tanto que Israel, com uma população menor do que, nem a grande do que a cidade de São Paulo, exporta tecnologia para o mundo inteiro. Então nesse aspecto a gente tá vendo as primeiras empresas brasileiras a exportarem tecnologia. A Pismo que é uma empresa que a gente investiu em final de 2016, ela faz processamento de pagamento. O que é isso? De um lado, quando você passa o seu cartão numa maquininha, você tem o adquirente, que é da maquininha, você tem o banco que está com o selo no teu cartão, você tem a Visa que está ali, mas quem faz o trabalho grosso mesmo é uma quarta empresa que está por trás, que é a processadora. Ela pega a informação da maquininha, bate no teu banco, bate na Visa, vê se aquilo é fraude ou não, vê se você tem limite e aprova a transação em milissegundos. Essa empresa faz esse core. de uma forma inovadora. E a gente investiu em 2016, foi o primeiro investidor. Enfim, um cheque de um milhão de dólares, o primeiro cheque, depois a gente acabou colocando um pouco mais de dinheiro, colocou uns 10 milhões de dólares. A empresa foi adquirida ano passado pela Visa por um bilhão de dólares. Então, quando você pega o dinheiro que a gente devolveu para os cotistas, porque esse dinheiro não é meu, o dinheiro era do cotista, ele volta para o cotista que investiu na gente. O cotista recebeu 210 milhões de dólares de volta, vai receber ao longo do tempo, por um cheque de 1 milhão de dólares. Então, retorno de 210 vezes. Agora, tem outras 10 empresas que morreram. Então, isso é o power walk que a gente estava falando agora há pouco. Perfeito.
Agora, eu sinto a sensação, Romero, que o Brasil, ele é um feudo ainda. É algo muito protegido e de forma, infelizmente, muito arcaica. Então, botar a cara no sol e contratar alguém que falhou duas, três, cinco vezes, essa mentalidade de contratar um cara que tentou bastante, no Brasil ainda é meio recente. Você vai na Califórnia, Israel, se você for contratar um cara que nunca fez porra nenhuma, dificilmente ele vai ser contratado. Eu quero o cara que falhou. Então, no Brasil, infelizmente, ainda é uma coisa muito feudal. Se a gente pegar como exemplo os grandes bancos americanos, eu participo do conselho de alguns deles, não sei se eu devo mencionar, mas tem um grande banco de investimento que tentou entrar no Brasil umas 10 vezes. Aí, também em Nova York, o cara chegou lá, Nós vamos destruir o mercado de Private Bank, vamos arrasar. Falei, tá bom, quem que vai tocar essa porra? Não, é um russo que trabalha aqui no banco há 30 anos. Vamos conversar com ele. Eu falei, meu amigo, você tá indo pra jungle, porra. Você acha que isso aqui é Manhattan?
Não pegou uma baldeação.
O banco enfiou o rabo entre as pernas e saiu fora.
É um bicho de outro tamanho. Mas o Brasil, porque no final você precisa resolver uma dor, né? É isso que o empreendedor, você vai falar, isso deve ser seu mantra, né? De resolver uma dor. Aqui a gente tem muitas dores. E é um lugar que tem um espaço diferente, tirando essa parte que é do educacional, que a gente falou dos outros países, mas você vê que essa dor, aí tem um espaço de mil possibilidades de investimento, de tecnologia, de empresas. Você consegue olhar por essa forma?
Eu olho por essa forma e é inclusive isso que eu falo para os meus investidores quando eu vou investir num fundo. Por incrível que pareça, a ineficiência nesse caso joga a favor de quem está empreendendo. Você vai empreender na Noruega, além do mercado ser pequeno, você tem que ser dez vezes melhor do que alguém que já é muito bom. É difícil. Aqui não, aqui tá tudo por fazer.
Exato. Quer ver um tema que você adora, tio? Cybersecurity. O Brasil, não sei se você gosta, investe, é um negócio que o cara tem que... O Google agora recente tá fazendo uma ferramenta que quando roubar seu celular vai travar o celular. Pô, reconhecimento facial é uma coisa do Brasil, que a gente precisa validar uma compra, inclusive online. Esse setor, você gosta?
Muito, muito. Cybersecurity é fortíssimo, identificação fortíssima. Não tenho nenhum investimento no momento nessas teses, mas a gente está sempre olhando. Gosto bastante.
Caramba, hein, Tiago.
E outra coisa, né, Zucchi. O nosso telefone, smartphone, é uma extensão. Está tudo lá. Desde foto da tua família, até o e-mail do teu cliente, até tu, Instagram, meu amigo. Levar teu celular leva a tua vida.
E ótimo tema pra gente abordar em relação a isso. A gente viu agora todos os desenvolvedores ou todas as empresas Apple, Google tocando inteligência artificial. Agora a Apple recente falou da Siri. E aí tem o lado que são os dados e a gente sabe que os dados valem dinheiro e por aí vai. O que você tá achando das empreitadas de ferramentas de inteligência artificial num negócio que você navega tão bem que são os dados, cara?
Boa.
Eu... Eu tenho que falar que eu tô muito empolgado. com AI como tecnologia, tenho minhas preocupações para a sociedade, e a gente pode falar disso também. As pessoas não gostam muito de falar dessa parte, mas é importante. Eu acho que tem diferentes animais no mundo de AI. E eu acho que algumas peças desse quebra-cabeça a gente não vai ver no Brasil. Então, obviamente, a parte de chip, como a NVIDIA não vai ver, então tem quem tá produzindo chip. Tem quem tá dando computing power, ou seja, poder computacional, então a AWS, Oracle, a Azure da Microsoft, ou seja, a nuvem. Você tem aí um subespaço disso, mas que é compiladores e plataformas para acessar melhor essas soluções de AI. Você tem os modelos fundacionais como a Antropic, Mistral ou o próprio chat GPT da OpenAI e você tem aplicações em cima deles. Eu acho que no mercado brasileiro a gente vai ver duas coisas. A gente vai ver alguns modelos fundacionais, mas não horizontais, mas verticais, então eu faço um paralelo muito grande com busca. Lá atrás, quando a gente começou, a Alta Vista era o grande site de busca, depois o Google, e o Google é super amplo. Mas as buscas verticais sempre performaram melhor. Você vai procurar uma passagem no Kayak, funcionava melhor do que no Google. Você vai procurar um hotel no TripAdvisor, funcionava melhor. Um preço no BuscaPé, acho, quando deixa a página, funcionava melhor. Eu acho que a AI vai ser igual. Então você tem um OpenAI, um chart EPT que é para tudo, mas você vai ter um específico para saúde, que vai ganhar o mercado de saúde, um para viagem, que vai ganhar o mercado de viagem e assim por diante.
Por nichos.
Por nichos. Então acho que no Brasil a gente pode ver nichos surgindo. E o segundo é justamente o play de dados. Se o dado é um diferencial para você treinar ou entregar resultado na tua solução de AI, uma empresa que tem dados proprietários muito ricos, ela tem um diferencial para usar o modelo. Pode ser um modelo open source, como o da Meta, como o do Zuckerberg. Nem precisa construir o seu modelo e treinar a sua rede LLM para poder entregar resultados de inteligência artificial.
Pensando o e-commerce, o que você vai conseguir fazer e ter a recorrência. Já estamos fazendo isso.
Sim, então você pensa assim, todo mundo que tiver muito dado e dado proprietário, então, pô, eu tenho dado sobre o mercado financeiro e é proprietário, você está super bem posicionado para ser um player de AI. Eu tenho, por exemplo, a gente investiu recentemente numa startup que chama Arquiteto de Bolso, então eles conseguem construir design de arquitetura e interiores em duas horas por R$99, com 96% de NPS, satisfação altíssima, tem 60 mil ambientes desenhados. Na hora que você treina, o AI com esses 60 mil ambientes, você não precisa mais do arquiteto para desenhar o próximo ambiente. Você não vai precisar, mas você pode inspirar já os consumidores com o primeiro resultado feito pelo AI. Então quem tem esse tipo de banco de dados, de propriedade intelectual, vai estar num posicionamento muito bom para a AI.
É, e aí tem Machine Learning, né? Daí a máquina vai aprendendo, e aí eu queria já colocar o que você tem medo da inteligência artificial, porque no final o Elon Musk faz a carta, né tio? Mas ele faz, desfaz, todo mundo assina, mas ninguém tá preocupado, né?
Ele é um belo de um trader.
Ele trader muito, né? Ele é bom, ele é bom. Ele bom, ele fala que não vai mais comprar o iPhone da Apple, né? Não vai comprar iPhone, tá bravo com a Apple, depois ele compra, enfim. O que você tem medo?
Eu acho que do ponto de vista social, eu acho que AI tende a aumentar o gap de inequalidade de encama, ou seja, não quer dizer que o pobre vai ficar mais pobre, mas a distância entre o pobre e o rico deve aumentar. Porque você tem, sem dúvida nenhuma, uma capacidade de aumento de produtividade gigantesco com a AI, o que significa que alguém parou de produzir. E quem foi? Foi o excedente. As pessoas de atendimento a mais, que não precisa mais. Os desenvolvedores, que não precisam mais, porque o copilot, um bom copilot com um bom dev trabalha por cinco. Então você tem uma... A tecnologia é sempre desinflacionária. Mas além de desinflacionária, Ela aumenta a produtividade, mas nesse caso eu acho que ela aumenta a distância dos grupos sociais, o que eu acho que não é muito bom nesse momento de mundo.
É uma questão, né? Ô tio, a gente tá chegando aqui pro finalzinho do nosso papo aqui, que aliás tá espetacular, né? É, passa muito rápido, de verdade.
Puta, passou voando. Eu tenho um negócio que eu acho que é parecido com você, viu Romero? Eu não sei se você também é, mas eu sou viciado em adrenalina. E a adrenalina, ela vem através de alguns esportes. O meu seguro de vida odeia esse tipo de atividade. Mas eu adoro. Esquiar, mergulho. Meu sonho é pular de... como é que é aquele scroll que você pula na... Hã? Como é que chama?
Desculpa.
Não, quando você pula de um cliff na Noruega. Você tem o windsuit, sabe como é que é? Eu sonho em fazer isso, mas a minha mulher vai me matar se eu fizer isso. Você curte também uma pegada nesse nível ou não?
Eu gosto. Eu gostava mais, sabia? Curiosamente, eu gostava bastante de Adrian Lira em Radical... Filho!
Filho!
Mas posso falar, mas foi.
Mas foi muito. Fala que o cara da Fórmula 1, o piloto, ele diminui a velocidade dele quando nasce um filho.
Mas filho mudou muito.
Ele aumenta, na verdade.
É, muda.
Aliás, vou fazer uma pergunta agora pra fazer uma deixa aqui. Você, depois que você chegou nesse patamar financeiro, graças a Deus e merecido, o que você faz com o seu dinheiro?
Boa.
Antes de você responder, eu vou te dar uma dica. Sabe o que ele pode fazer, tio? Investir na EQI. A EQI é o nosso patrocinador aqui, que a gente adora e, aliás, a gente gosta de democratizar esse assunto de mercado financeiro. Então tem um QR Code na tela que você pode entrar lá e tem o passo a passo para como investir. Obviamente, tio Rico, depois desse jantar que a gente teve com o Juliano, você é um cara que é defensor do mercado financeiro e, Porra, eu vou deixar.
Um abraço enorme pro Juliano.
Cada um tem o seu perfil, mas a EQI é a nossa apoiadora aqui e eu gostaria que você falasse e validasse também os seus investimentos na EQI, que está com a gente no futuro Um Talks. Diga lá, Tiago.
Não, o Juliano é um cara que eu adoro, é super empreendedor, é um cara que fez um business gigantesco, então a gente tá junto nessa empreitada aí. Queria agradecer à turma aí.
Boa, agora a gente pode montar a sua carteira na EQI. Você é um cara que gosta do mercado?
Eu gosto muito.
Você tem investido? Porque você é um cara que, de certa forma, uma vici, você já tem muito investimento em empresas, mas o dinheiro.
Também a gente... Então, eu sem dúvida nenhuma preciso de um trabalho de diversificação, porque a gente costuma dizer que a gente faz o que a gente gosta, né? Como eu gosto de tecnologia, você pode imaginar que meu portfólio, além do que eu coloco Inventure no Brasil, Inventure lá fora, nos fundos do meu sócio, então minha carteira é muito mais líquida que o normal. Na parte que eu mexo, deixei uma parte, uma parte fica com o gestor, o banker, pra fazer, mas a parte que eu mexo, eu obviamente aumento a dose ainda em tecnologia, porque, pô, eu conheço, eu tenho que acompanhar, eu tenho que tá lendo tudo que tá saindo de Amazon, de Alphabet, de Meta, então, pô, eu tô lendo isso o dia inteiro, obviamente, eu acabo alocando bastante em tecnologia, devia ser menos, já que eu tenho tanto... Tanto dinheiro em VC como meu dia a dia, eu devia estar muito mais no treasury, devia estar muito mais, talvez, no imobiliário.
Mas é um conceito de fundo imobiliário. Aliás, a turma que assiste a gente, tio, você pode aqui carimbar, que uma das situações com empresas que você se identifica, você falou de Amazon, você falou de Apple ou BDRs, que você consegue fazer um investimento que praticamente a linha de raciocínio é você acreditar na empresa e no mercado de ações ter uma sociedade com essa empresa, né, tio?
Exato. Eu acho que, na verdade, o mercado brasileiro, todo mundo tem medo de investir em ações, por exemplo. Mas o mercado de ação fica muito mais propício, muito mais barato quando você tem um juro maior, que é o caso do Brasil, que está com juros altos desde pós-Covid. Então, esse negócio de tomar risco é uma coisa que está intrínseco na gente que empreende. Então, é muito questão de perfil e momento. Você falou do teu banker, aí espero que ele cuide bem do teu dinheiro. Tem muita renda fixa, mas também a renda fixa sabe como é, né?
Total.
Come que nem formiga e caga que nem elefante.
Caga que nem elefante. Não, eu sou mais do equity.
Como é que é a renda fixa? Come que nem formiga e caga que nem elefante.
É isso.
Muito bom, muito bom. Ó, aqui pra finalizar o papo, primeiro, de verdade, cara, vontade de dar um abraço aqui, vou te cumprimentar, tio, que papos genial, meu.
Obrigado, pô, uma delícia.
Que história legal. Uma pergunta, como chama Futurum Talks? É um filme que a gente gosta muito, que é De Volta para o Futurum, né? O clássico com o McFly. A gente quer fazer um De Volta para o Futurum com você. E vendo a sua jornada, o que você falaria para o pequeno Romero com 18 anos, se você olhasse na face dele, qual que era o conselho que você daria para ele? Porque é isso que a gente quer saber, o que que você falaria para um pequeno Romero?
Olha, eu fiz esse exercício outro dia.
Que é legal, né?
É, e é engraçado, porque Em 2013, final de 2013, quando eu decidi sair do Buscapé, aí passei 2014 fazendo o Face Out, a gente tinha já dois trimestres ultrapassado em receita o Mercado Livre. A gente tinha 51% de uma empresa chamada Vitex, que hoje é uma empresa de 4 bi de dólar. A gente tinha 30% da Hotmart, que é uma empresa de 2, 3 bi de dólar também. Buscar pé crescendo, indo super bem. Então, eu me pergunto muito e se eu não tivesse vendido. E é curioso, porque todo mundo busca saída, busca tudo, mas ao mesmo tempo, e eu amo o que eu faço hoje, sou muito grato ao que a história do Buscapé proporcionou pra minha vida.
Sem dúvida.
Foi maravilhoso. Mas imagine que a gente ainda fosse do tamanho do Mercado Livre, se a gente estivesse dividindo o mercado com o Mercado Livre. O Mercado Livre é uma empresa de 60, 70 bi de dólar de market cap.
Impressionante. E é uma baita empresa.
É uma empresa maravilhosa, foram competidores que gostavam. Você quer jogar tênis com gente que joga bem, não com gente que joga mal. Então, eu acho que assim, o Buscapé, de certa forma, era um cavalinho selado, que eu acho que dava ainda pra dar mais umas voltinhas com ele.
Caramba, cara.
Porque depois ele foi pra um outro caminho. Eu não costumo falar isso muito, mas eu acho que... E eu falo isso numa situação de um founder que tinha uma proposta de um bid dólar, e todo mundo queria vender, eu falei, olha, você quer minha opinião e como fundo eu deveria querer vender, porque pro meu track record devolver dinheiro e tal. Ele falou, olha, sair do zero e construir um negócio de um bi de dólar é impossível, é praticamente impossível. Mas olha que loucura, você sair de um bi de dólar e ir pra cinco bi de dólar é quase inevitável, é mais três anos de trabalho. Você tá quase dobrando todo ano, é mais três anos de trabalho. Só que você levou 12 anos, 10 anos para construir um bi de valor e agora em 3 anos você vai construir 4 bi adicionais. Então o meu jogo não é tanto dar altíssimos retornos num primeiro cheque de um milhão de dólares. O meu jogo é comprar acesso em empresas grandes e que crescem muito rápido porque eu entrei antes e conquistei esse acesso. É ter 20 por cento de uma empresa como essa que eu estou descrevendo. Então eu acho que quando aparece esse cavalo selado na tua frente tem que pular em cima e agarrar na crina e não soltar mais. Vai até o final da galopada.
Incrível.
Sabe o que te fez forte como.
Era o... Oi, tio.
Sabe o que te fez muito forte? Sobreviver ao bandejão da porra.
Aquilo era radioativo. Era radioativo aquele bandejão.
Você tem que agradecer o bandejão também.
É aquele leitinho que eles colocavam no copinho de plástico.
E, ô tio, você tá aí e eu acho que o que convence, cara, é teu olhar. Aí a gente vê o olhar das pessoas apaixonadas aí pela tua história, pelo que você construiu. Romero Rodrigues, que história legal aqui no Futurum Talks. Queria agradecer novamente aí sua presença, irmão. Tamo junto aí, ó. Porta tá aberta. Esse é o Futurum Talks. A gente aprende demais. Então pode seguir a gente aí, é o Futurum Capital na rede social. Lembrando que sempre tem um episódio, sempre tem uma história. E pra mim é um presente, cara. Tá com você, tio? Tá aqui com esses convidados que eu saio aqui, é o que você falou.
É uma honra enorme. Sou grande fã, é uma honra enorme estar aqui.
Tamo juntasso. Valeu, até semana que vem. Futurum Talks aqui na Futurum Capital. Valeu!
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