Palestra Expogestao (parte1)

Romero Rodrigues, fundador da Buscapé, fala sobre o crescimento do e-commerce brasileiro e mudanças no comportamento do consumidor. Discute a evolução da web, gestão de times jovens e como inspirar colaboradores na empresa.
Chapters
O palestrante que abrirá as atividades de hoje falará sobre o tema comportamento, inovação e negócios com a palestra novos mercados comportamentos e maneiras de fazer negócios formada em engenharia elétrica pela Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1998, percebendo a importância que o comércio digital assumiria nos anos seguintes e antevendo a profusão de informações sobre preços e produtos que cairiam na rede, cofundou o Buscapé. Segundo o site de comparação de preços lançado no mundo, o Buscapé é líder na América Latina com 15 milhões de visitantes únicos por mês, 11 milhões de produtos e 53 mil fornecedores. Para falar sobre comportamento, inovação e negócios, com a palestra Novos Mercados, Comportamentos e Maneiras de Fazer Negócios, chamamos ao palco da Expogestão 2012, o fundador e presidente da Buscapé Company, Romero Rodrigues.
Obrigado, Camila. Bom dia. Nossa, eu tava fora de forma. Essa aeróbica foi boa. Gente, primeiro eu queria agradecer a Expogestão, principalmente o Alonso, pelo convite. Tô muito honrado de estar aqui hoje. Depois eu queria agradecer a cidade pela incrível hospitalidade, não só a hospitalidade comigo, mais a hospitalidade com a Buscapé Company, que abriu esse mês, para ser bem sincero, semana passada, nosso escritório aqui na cidade. A gente está muito feliz de tentar fazer parte dessa história tão bonita de Joinville. Quando eu pensei o que eu ia falar aqui hoje, eu fiquei muito indeciso entre falar sobre o que a gente faz no Buscapé para ter inovação aberta, para atrair talento, empreendedor, como segurar a geração Y, e também falar um pouco de como usar a internet para o dia a dia pessoal de cada um de vocês, para o dia a dia empresarial de cada um de vocês. Então, eu concentrei os quadros mais no segundo tema, Mas eu acho que seria muito rico a gente discutir o primeiro tema, sobretudo na sessão de perguntas e respostas, onde eu acho que a gente pode interagir bastante. Mas para dar uma palhinha, eu queria falar um pouco de como está o Buscapé hoje, o que é o Buscapé e um pouco do que a gente tem feito. Porque eu acho que isso vai dar um tempero para a nossa discussão de mais tarde no nosso bate-papo. Depois eu trouxe um pouquinho de dados de internet. Eu sei que número de manhã cedo nem sempre é a melhor coisa, mas a gente passa rápido por isso. Eu queria falar um pouquinho de como a internet mudou nesses dez anos. A gente está há 14 anos de Buscapé, mas acho que os últimos dez anos foram muito importantes. E um pouquinho do que a gente vê que vai vir pela frente. Vamos lá, então. Se eu fosse explicar o Buscapé hoje em uma página só, em um quadro, esse seria o quadro. Hoje o Buscapé é mais do que só o site Buscapé. Na verdade, hoje o Buscapé é composto por 25 empresas, por 36 fundadores e empreendedores. Se vocês olharem todas essas logomarcas, quase que a totalidade delas tem seus sócios fundadores que tocam o negócio. Então a gente tem uma mistura de time executivo e fundadores trabalhando de uma forma muito unida, talvez muito única. Eu acho que o Buscapé é uma das poucas empresas que é um investidor estratégico que consegue fazer investimento de capital de risco e criar sinergia com as empresas sem perder os seus fundadores, sem perder os empreendedores. O que a gente tenta fazer, na verdade, é acompanhar o consumidor ao longo de todo o processo de compra. Se a gente pensar no mundo offline, no mundo real, você está eventualmente assistindo televisão e assistindo TV aberta, você vê a propaganda de um novo produto que te desperta interesse. Passado alguns meses, você decide entender mais daquele produto e compra uma revista ou discute com amigos no clube e você aí já moveu da fase de conhecimento para a fase de interesse. Passa mais alguns meses, você recebe o décimo terceiro, entra aquele bônus, vendeu o carro, você fala, bom, eu vou comprar aquele produto. Pode ser aquela TV nova, pode ser o refrigerador com duas portas. E aí você se dirige ao shopping e já entra na fase de decisão. E lá no shopping você vai entrar em várias lojas, vai consultar os preços, vai conversar com os vendedores, vai pegar o seu cartão de crédito, transacionar, que vai passar pelo adquirente, vai sair da loja com o produto, Depois disso, existe a chance de uma empresa de pesquisa, de uma Ibope, de uma Nielsen, de uma Marplan, te pesquisar, tentar entender por que você resolveu comprar aquele produto, por que naquela loja, por que não o concorrente. E, como tudo na vida, depois de alguns anos, aquele produto é ultrapassado e você vai ter que vender aquele teu refrigerador, provavelmente você vai anunciar num jornal local. O que a gente tenta construir na Buscapé Company é, na verdade, um portfólio de marcas, um portfólio de serviços que acompanham o consumidor ao longo desse processo. Se a gente for espremer e resumir a essência do porquê existe a Buscapé Company, ela existe para dar poder ao consumidor. Não existe nenhum outro motivo pelo qual a gente trabalhe que não seja para dar poder ao consumidor. A gente acha que o consumidor pode comprar melhor, de forma mais inteligente, por um melhor preço e produtos de melhor qualidade. Embaixo disso, a gente tem um time hoje de mais de mil colaboradores, na verdade, 1.100 colaboradores. E é um time diferente, porque é um time jovem, metade desse time é basicamente gente de desenvolvimento, desenvolvimento de produto, desenvolvimento de negócio, A idade média da empresa é uma idade baixa. A gente tem uma idade média por volta dos 25 anos e ela não tem aumentado. E é uma geração muito difícil de segurar. Eu costumo brincar que gerenciar um time de internet tão grande hoje é um pouco como gerenciar gato e não como gerenciar cachorro. Porque todo mundo que está no Busca Pé no final do dia está lá para fazer a diferença. Está lá para tentar realmente seguir a nossa essência, a nossa missão. E você que é isso. E para você ter isso, você precisa de gente que te desafie. Então, quando você... Costumo brincar, inclusive, com o time, quando você gerencia cachorro, é muito fácil. Você vai lá, senta, o cachorro senta. da pata, o cachorro da pata, e deita, rola, o cachorro deita, rola. Mas gato não. Gato, você fala, gatinho, senta. Ele olha pra sua cara e fala, miau. Você fala, gatinho, pra direita. O gatinho ronrona e sobe no telhado. Os outros dois vão pro gatinho brincar. Então, o máximo que a gente pode fazer com os nossos colaboradores é uma vez por mês, ou talvez uma frequência maior, se possível, juntar todos no meio da sala e falar, gatinhos, vamos para a direita. E aí o gatinho olha para você e fala, miau. E assim vai. O fato é que, no final do dia, o que fez o Buscapé chegar aqui foram os nossos gatinhos, foram os nossos colaboradores. Eu, o Rodrigo, o Ronaldo. O Rodrigo está aqui, que é meu sócio. A gente fundou o Buscapé junto. Eu acho que o maior papel que a gente tem hoje é inspirar. Eu estava discutindo isso no bastidor, como o processo de gestão, de certa forma, mudou de um processo puramente de gestão para um processo de inspiração. Porque o gatinho precisa estar inspirado para ir para o lado que você aponta. Ele não consegue ser gerido. E foi isso que fez a internet como ela é hoje. Isso que fez o e-commerce como ele é hoje, na verdade. E o e-commerce vem crescendo bastante. A gente tem alguns números. A gente está falando de cerca de 20 bilhões de reais para o e-commerce de produtos, de bens de consumo. Não está incluso nisso toda a parte de turismo, não está incluso nisso automóvel, não está incluso nisso B2B, não está incluso nisso produtos usados. São produtos novos, são caixas enviadas, entregues. O mais interessante é o crescimento. O e-commerce vem crescendo a 30, 35% todo ano. Ano passado cresceu 26%, o que é um número muito bom. Número muito positivo, principalmente porque, se a gente lembrar, em 2010, a gente teve Copa do Mundo, a gente teve isenção de IPI no primeiro trimestre, no primeiro semestre, para toda a parte de eletrodomésticos. Então, 2010 já tinha sido um ano muito quente. E o mercado esperava um 2011 mais morno. E mesmo assim, 2011 foi muito positivo. 2012 segue crescendo com uma tendência de 25% a 30%. E isso não tem muito por que parar. E eu vou explicar um pouco do porquê que não vai parar tão cedo. A gente vai falar disso mais pra frente. Bom, o número de pessoas que já compraram, pelo menos uma vez, na internet, vem crescendo. No último ano, foram quase 10 milhões de novos compradores online. A gente está chegando aí na casa dos 32. Na prática, a gente já passou esse número de final de 2001. Isso significa que a gente tem um novo consumidor na internet. A gente tem hoje uma pessoa que antes utilizava a internet só para pesquisa, que hoje está comprando na internet. Mais do que isso, você tem novos modelos de negócio surgindo. A todo momento, uma coisa nova surge. O mercado de compras coletivas eu coloquei aqui só para ilustrar como um exemplo bem interessante. No ano de 2010, não existia em janeiro nenhum site de compra coletiva. Os sites começaram a surgir no meio do ano, Ou seja, em 2010 é um mercado que tinha iniciado tamanho zero e é um mercado que terminou 2011 faturando 1,6 bi de real. Do zero. Um mercado que nunca existiu cultura no Brasil, isso é o mais curioso. O americano adora cupom. O europeu gosta de cupom e leva o cupomzinho na loja e troca. No Brasil, vários jornais tentaram, várias empresas tentaram, ninguém tinha destravado o modelo de cupom. E o e-commerce foi o primeiro a destravar. Um dos motivos, na nossa visão, do mercado de compra coletiva ter crescido tão rápido e de forma tão espantosa foi, na verdade, a falta de necessidade logística. o primeiro tipo de e-commerce onde, na verdade, o consumidor vai até o estabelecimento. On to off, como falam. Eu compro o meu cupom num site de cupons e vou até o estabelecimento. Não preciso usar uma estrutura logística para distribuir o produto, a caixinha, até o consumidor. Esse consumidor novo que vem entrando é a classe C. Classe C, D e E, na verdade. A penetração vem aumentando cada vez mais de novos consumidores que antes utilizavam a internet só para fazer sua pesquisa, só para fazer sua comparação. A gente vê isso muito no Buscapé pelo comportamento de reordenação da busca. Naturalmente, a busca, no Buscapécono, você faz uma pesquisa de preço, você tem os resultados, os resultados, quem vem listado primeiro por um determinado produto é a loja, que no caso está pagando para estar destacada, mas se o usuário reordenar por preço, ele vai ter um resultado completamente isento, completamente idôneo pelo menor preço. Mas o consumidor também pode ordenar por diferentes formas. Ele pode ordenar, por exemplo, por valor da parcela, ele pode ordenar por maior preço e assim por diante. E cada vez mais a gente vê o consumidor ordenando os resultados por valor da parcela, que é um comportamento típico de classe C, é um comportamento típico de share of wallet, quer dizer, eu sei que tem juros, eu sei que eu vou pagar mais pelo produto, mas eu preciso de uma geladeira e eu tenho 50 reais por mês, quem vai resolver esse problema para mim? E a classe C traz um componente muito interessante que eu vou abordar no final, que é a combinação dessa classe C, comprando online, e a mobilidade. O fato de cada vez mais você ter pessoas com smartphone na rua. Os planos de dados com preço caindo todo mês. E eu acho que isso vai trazer um mundo novo. Um mundo novo não só para quem faz e-commerce, mas principalmente para quem está fora do e-commerce. Aqui um pouquinho mais, só para confirmar os dados, então vocês podem ver a faixa verde crescendo, a faixa vermelha crescendo, que são compradores que têm renda familiar inferior a 3 mil reais. E a grande pergunta é, bom, o que a gente faz agora? O que é essa tal de Web 2.0? Tem várias formas de definir a Web 2.0. Então, eu peguei um quadro aqui, do Adam Adam, e ele fala que a Web 1.0 é a leitura, a Web 2.0 é a escrita. Era sobre empresas, agora é sobre comunidades, era cliente-servidor, agora é todo mundo conectado junto. A Web 1.0 era HTML, que é a programação de uma página. A Web 2.0 virou o XML, que você não programa mais a página, você só envia os dados e alguém do outro lado vai criar a apresentação disso. Tinha homepages, agora nós temos blogs, E assim por diante. Você tinha fios, agora é wireless. Você tinha IPOs, você tem vendas estratégicas. Você tinha discagem, banda larga. Mas eu gosto disso, acho que é bacana. E uma das coisas que as pessoas mais falam é que a Web 2.0 é social. O que as pessoas mais falam é que a Web 2.0 é de compartilhar. Eu faço a Web, a Web é feita pelas pessoas. Eu sou um pouco crítico em relação a isso. Eu nem gosto do termo web 2.0. Eu acho que a evolução é tão contínua e constante que a gente não consegue fazê-la tão discreta a ponto de colocar versões. Mas quando a gente para para pensar antes da internet, o primeiro serviço que existiam eram as BBSs, que eram Bulletin Board Systems, quer dizer, no fundo eram sistemas de quadro de mensagem. Um dos sites mais antigos da rede, que é o eBay, ele não tem um conteúdo gerado pelo próprio eBay. Todo o conteúdo que está no eBay foram os próprios usuários que colocaram lá dentro. Se a gente pegar o início do Yahoo, o início do Yahoo era um diretório. Era um diretório onde usuários sugeriam que um determinado site fosse incluído em uma determinada categoria.
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