Romero Rodrigues A história do fundador do Buscapé e sócio da Headline

Portuguese-language podcast interview (Papo com Anjo, Jovem Pan) with Romero Rodrigues, co-founder of Buscapé, interviewed by João Kepler. Romero recounts his entrepreneurial origins (childhood projects, early interest in computing), the founding of Buscapé (launched 1 June 1999 from a small team in Vila Mariana), technical approach (initially collecting online prices and earlier diskettes/BBS attempts), early funding and survival through the dot-com crash (seed from a Brazilian incubator; later $3 million raised from Maryland and Unibanco), reaching breakeven in September 2002 and sustained profitability, Series B in 2005 to clean the cap table and enable M&A-driven expansion, acquisition by Naspers in 2009 (Naspers acquired ~91%, founders retained ~9%), Romero stayed with the company until late 2014/early 2015, then transitioned to investing (angel investments, Redpoint/HeadPoint partnership). He also describes the "Sua ideia vale um milhão" program (R$300,000 for 30% equity) and HeadPoint’s focus (primarily Series A; cited portfolio size ~52 startups). The interview ends with advice to founders: start early, focus on problem and team, and test/validate quickly.
Questions this video answers
1 June 1999.
$3 million.
September 2002.
Approximately 91% (founders retained ~9%).
End of 2014 / beginning of 2015.
Chapters
Olá, bem-vindos a mais um podcast Papo com Anjo, aqui na Jovem Pan. Esse podcast que fala sobre negócios, sobre empreendedorismo, sobre investimento. Sempre eu trago um convidado, alguém que represente algo pra mim, que tenha uma referência de mercado, que ajude as pessoas, que multiplica conhecimento, que amplia a sua visão. E não vai ser diferente hoje, porque o convidado hoje eu conheço desde a época que ele fazia publicidade pra Nextel. Senhoras e senhores, meu amigo, querido e conhecido de muita gente, um dos pioneiros na internet, desse mundo de startups, um dos caras que mais conhece sobre venture capital no Brasil, mas ele começou como empreendedor e vai nos contar como foi essa trajetória da mudança do chapéu para investidor. Senhoras e senhores, como vocês, aqui no Papo Comércio, com muita honra, muito orgulho, Romero Rodrigues.
João, que delícia estar aqui com você, amigo.
Gostou da história do Nextel, né?
Nossa, lembrou? Você tirou do baú.
Ele andando numa montanha, sei lá, fazendo pegar o Nextel dele.
Eu acho que isso foi 2010, pra você ter ideia. Tinha acabado de vender pros cafés.
Então, Romero, como foi? Você começou no Buscapé. Buscapé... Fala um pouco pra quem não te conhece, né? Difícil não ter uma pessoa que não conheça o teu nome, teu sobrenome. Mas como foi que você começou empreendendo?
Olha, João, se eu for voltar, voltar, voltar mesmo, foi de criança, de moleque Outro dia eu tava percorrendo meus diários, pandemia faz a gente ir buscar as coisas no armário Encontrei uma agenda de 1987, 1988 e numa das páginas tinha lá um plano de negócio, eu tinha 10 anos, um plano de negócio, eu com o meu irmão que nem sabia de nada pra criar minhoca e vender pra minha avó.
Criar minhoca?
Minhoca. Era a única coisa que eu sabia fazer, era colher as minhoca. Eu tinha um quintal grande em casa, na Vila Mariana. Aí depois meu pai estimulou a gente pra ter canil de cachorro, então a gente chegou a ter canil, minha mãe ficou doida de tanta bagunça. E assim foi, na oitava série eu descobri a computação, me apaixonei completamente por programação.
Eu me lembro que teve um artigo no Astro é Dinheiro, sei o que você fala do seu pai, do negócio do computador.
Foi, foi. Conta, conta, conta. Eu me apaixonei por computação, falei, pô, quero empreender e quero empreender com informática. Não tinha internet, não tinha nada disso. e fui buscar, tive essa sorte de descobrir cedo, ainda no começo do colegial então no começo do colegial eu sabia que eu queria prestar pra engenharia elétrica com ênfase em computação, não tinha engenharia de computação era uma subdivisão da engenharia elétrica e assim foi, entrei na faculdade que eu queria aí pedi um carro pro meu pai, meu pai falou ó, não vou te dar carro coisa nenhuma mas gasto quase o valor do carro, eu não tive carro, você vai comprar teu carro, mas gasto quase o valor do carro num computador.
Que naquela época era caro.
Era caro, foi um dos primeiros Pentiums que chegaram no Brasil.
Pentium? É. XT, sei lá o quê. Pentium era depois do XT.
Depois, era o XT, o 286, 386, 486, aí o Pentium veio com tudo.
Windows, sei lá, 95.
É, isso aí. E aí foi nesse computador que a gente começou, quer dizer, eu, meus sócios nos deles, né, mas que a gente começou a buscar pé E veio de um problema, você vê, sem saber a gente usou um pouco do que hoje a literatura academia de startup usa, né Então acho um problema, crio protótipo, testa, testa hipótese Não tinha nada disso, não se chamava startup, a gente falava que tinha um site.
É um site, um website.
Não tinha jeito de levantar dinheiro, você tinha que ir na Caixa Econômica Federal e hipotecar uma casa para levantar dinheiro, aí não tinha casa, não tinha carro. Então a gente estava bem na frente, eu até brinco que...
Quantos eram lá atrás?
Éramos em quatro, começamos três e depois que a gente lançou o Buscapé, O lançamento do Buscapé foi um churrasco em casa, festa de lançamento. E a gente chamou uma turma, todos.
Os amigos próximos... Ainda na Vila Mariana?
Na Vila Mariana.
No Quintal da Minhoca.
No Quintal da Minhoca. Mas foi no Quintal da Minhoca. Foi no Quintal da Minhoca. E aí um dos nossos amigos que fazia GV, tinha se formado na GV, o Mário, foi também e a gente resolveu chamar ele, porque ele entendia de finanças. Então era Romero, Rodrigo, Ronaldo, porque era a mesma classe da Poli, na USP eles dividem por letra. E aí entrou o Mário. A gente falou, ó, Mário, seguinte, você vai largar teu emprego aí, tava super bem, mercado financeiro, só copia e tal, não vai ganhar salário, não vai ter bônus, vai ter participação e mais uma coisa, vai ter que trazer teu computador se você quiser trabalhar aqui, vai ter que aportar.
Ou seja, vai ter que acreditar mesmo.
Eu falei, ah, só tem o computador de casa. Ela falou, o que você quiser, mas vai ter que aportar o teu material de trabalho. Aí a única coisa que ele nos exigiu dele foi ele chamar o Mário. Ficou só Mário mesmo e ficou tudo bem.
Por causa do Rô? Era tudo R, né? Mas aí nasceu o Buscapé. E aí vocês começaram.
Foi.
Buscapé, pra quem não sabe, pra quem é mais novo, Buscapé era um parador de preço.
A gente começou o Buscapé porque o Rodrigo queria uma impressora. A gente trabalhava num laboratório que já tinha internet, era um laboratório de pesquisa de redes. Internet comercial estava começando no Brasil e não tinha nenhum site no mundo que dava preço de produto. E aí veio a ideia, vamos fazer um site de busca, mas que traz só produto e preço. Quando ficou pronto, a gente falou, vamos chamar de site de comparação de preço. E a gente acabou sendo o segundo a ser lançado no mundo. Enquanto a gente desenvolvia, na verdade já estava lá com umas 30 lojas, alguma coisa, a gente queria lançar quando chegasse em 100. E aí lançou o MySimon nos Estados Unidos. A gente falou, meu Deus do céu.
Simon do shopping?
É o mesmo nome, mas era outra empresa. Era MySimon, mas tem o Simon Group que faz os shoppings. E aí a gente falou, pô, precisamos correr. A gente resolveu lançar com o número.
De lojas que tinham. Presta atenção, gente. Eles já estavam conectados com o que estava acontecendo lá fora.
Sim, o tempo todo.
Você, inclusive, você tinha a formação da Poly.
Ainda não. Todos largaram a faculdade.
Ah, todos dropout?
Nós três largamos, dropout.
E como é que vocês conectavam lá fora?
Que visão era essa? Nessa brincadeira, o pessoal brinca e fala assim, de certa forma foi a primeira startup, porque foram os primeiros dropouts de faculdade, os primeiros a levantar dinheiro em estágio, primeiro depois vender a startup, devolver dinheiro para os investidores, mas naquela época a gente estava, sem saber que era a receita de sucesso, mas apaixonado pelo problema. A gente achava inconcebível você ter que pegar o carro e ir até uma loja, as pessoas não darem preço por telefone. Não fazia nenhum sentido você não ter um local onde você sabia quanto o produto custava antes de sair de casa. Era uma loucura. Você ficava andando pelo trânsito da cidade, de loja em loja, para depois descobrir, fazer pesquisa de preço, negociar. E a ideia original era pegar preço de loja de rua. Então a gente desenvolveu primeiro um software que cabia exatamente num disquete. Esse disquete o logista instalava no computador, ele buscava no HD do computador a planilha de preços e mandava pela BBS a meia-noite, porque tinha o pulso único.
Era mais barato.
Era mais barato, mandava pro nosso servidor. E aí a gente pegava todos os preços e comparava.
Mas, gente, vocês estão entendendo o que eles estão falando? Imagina você botar na cabeça de um empresário, de um lojista, para deixar um disquete entrar no computador dele para chupar uma planilha, chupar sei lá o quê.
João, eu saí para fazer um teste.
Era uma catequização, né?
Eu saí com uma caixa de 10 disquetes, voltei com os 10 disquetes e um monte de xingamento. Deu errado. Buscapé morreu a primeira vez ali. Aí depois a gente falou, o que a gente faz? Mas o problema ainda é bom. Como é que a gente resolve as.
Coisas de outro jeito?
Olha que lição.
O problema ainda é persistir. É.
Aí a gente falou, pô, vamos capturar o que tiver de preço online. E aí com um pouco de preço, a gente convence as lojas de rua. E no final nem era, o jogo nem era loja de rua, o jogo era loja online mesmo. Mas na hora a gente não sabia, tinha quatro lojas online quando a gente começou a desenvolver.
Pouquíssimas. Mas com a loja online você convenceu o cara, ou ele impõe online ou ele te dá os preços.
Exato. E na verdade o que aconteceu foi que o comércio eletrônico disparou naquele ano de 2000. Teve aquele boom de internet, ficou super sexy a internet, todo mundo começou a criar site de e-commerce e a gente tinha lá um produto para eles anunciarem.
E aí nasceu o Buscapé. Esse ano foi em 1999.
Primeiro de junho de 1999.
Até vinha a necessidade do primeiro investimento.
A gente recebeu o primeiro investimento no final do ano.
Já no primeiro ano?
Já no primeiro ano a gente recebeu um investimento de semente de uma incubadora de platform.
Mas isso fora do país?
Não, não. Era um grupo de brasileiros que tinham saído de consultoria e falaram, pô, vamos investir em internet. Eram amigos, inclusive. E a gente foi um aprendizado muito profundo.
Mas foi um FF?
Foi de certa forma um friends and family. E muito hands-on, muito smart money, que a gente chama, né? Tava junto, ajudava, pô, vamos refinar o plano de negócio. E uma coisa que a gente não fez tão bem na primeira rodada foi ser proativo. A gente foi reativo, a gente teve oito grupos que procuraram a gente, de todo tipo, porque não era um ecossistema estruturado como hoje. E aí, com as oito propostas, a gente foi conversar com um amigo nosso, que trabalhava na McKinsey, pra ele dar uma dica do que fazer.
Ele tava dizendo, não, fica aqui comigo.
Exatamente. Ele falou, pô, eu tô montando uma incubadora, você vai ser o primeiro ovo dessa incubadora. Vamos chocar esse ovo junto. E assim foi. E aí, em junho de 2000, eu acho que a gente foi a última startup a conseguir um cheque naquele momento que deu o estouro da bolha. A bolha estourou em abril, quem tava no meio de processo... Estourou lá fora, né? Estourou lá fora, mas...
Repetiu.
Chegou em segundos aqui. E aí a gente levantou 3 milhões de dólares da Maryland e do Unibanco. Na época ainda era só o Unibanco, não era então o Unibanco. E com esse dinheiro a gente teve que fazer tudo, porque a gente sabia que não ia ter mais dinheiro nenhum. Não ia ter mais rodada nenhuma. Não teve mesmo. Então com esse dinheiro a gente falou, a gente vai ter que atingir 3 de dólar. 3 de dólar. A gente falou, com esse dinheiro a gente vai ter que atingir um ponto de equilíbrio.
Mas era um bom dinheiro pra época, né?
Era um bom dinheiro pra época. O mercado que era muito pequeno. Esse era o maior problema. Em 2000 se estimava a ter 150 mil usuários na internet.
E aí com esse dinheiro vocês foram até 2005?
Com esse dinheiro a gente foi até setembro de 2002, quando a gente dirigiu o breakeven.
Então com o dinheiro vocês foram ao breakeven?
Fomos ao breakeven, depois do breakeven a empresa seguiu lucrativa. A unidade de comparação de preço é muito lucrativa até hoje, então a gente tinha margem de 40% de debitar, crescia três vezes por ano e assim foi até 2005. Em 2005 a gente teve uma série B, teve o CID, a série A, teve a série B em 2005, A série B foi principalmente para limpar o cap table. Tinha alguns investidores que não queriam continuar e estavam felizes com o retorno. Tinha entrado em um valuation de 7 e estava 35. Fiz 5 vezes meu dinheiro e estou feliz. E eu queria muito, tanto eu quanto os outros fundadores, a gente queria muito expandir. Então a gente tinha sido super focado, e foi super sensato, acho que foi a decisão certa. Era só comparação de preço, a gente tinha um monte de coisa legal em volta, falando, não, vamos fazer. Vamos ficar focado nisso. E foi foco, foco, foco, foco, foco.
E vocês eram complementares, os fundadores? Naquela época, vocês já tinham executivos, já estavam no conselho, ou vocês já estavam todo mundo operando, cada um numa área?
Super hands-on todos. Uma das deficiências, a gente não tinha grandes executivos de mercado, não tinha budget.
Mas por que não tinha budget? Porque você não sabia o que era importante.
Não, não tinha talvez chegado o momento e a gente não tinha percebido o quanto podia trazer de valor.
Porque com a Série B não vem a exigência?
Com a Série B veio.
Com a Série B veio.
A gente trouxe um diretor financeiro muito bom, trouxe um diretor comercial, trouxe um diretor de operações, um CEO. Então, a Série B trouxe bastante talento para o time, complementando os fundadores.
Ou seja, trouxe uma exigência e vocês também já sabiam que era importante.
De certa forma, até para o bem, como a gente teve investimento da Maryland e do Unibanco, A empresa não tinha nenhum funcionário, era só os quatro fundadores, mas já era auditada pela Ernst & Young. Na verdade, o primeiro ano foi a Anderson. Depois, a gente mudou para a Ernst.
& Young. Ou seja, gastava mais com a auditoria.
Do que... Exato. Mas sabe o que foi uma briga enorme? Porque o primeiro ano, o orçamento da auditoria era 25 mil dólares. E a gente teve 5 mil dólares só de receita, e foi tudo receita financeira, dos 3 milhões de dólares em treasury americana. E eu brigava com a Meryl Lynch, falava, pelo amor de Deus, pra que que eu vou auditar isso? Mas foi um ótimo aprendizado, ótimo aprendizado. Aí quando chegou na Série B, a gente levantou esse dinheiro, na verdade não foi quase primário, foi quase tudo secundário. Aí o nosso sócio novo, ele comprou a nossa aposta de usar todo o lucro que a gente gerava pra adquirir Outros players e-commerce, complementando.
Nossa oferta. Complementando a oferta, mas sempre.
No comparador. Sempre conectando consumidores.
A varejo. Então vocês mudaram um pouco, saíram um pouco só. Expandimos. Expandiram, porque vocês estavam só no comparador e vocês.
Saíram ampliando. A primeira foi um comparador, que.
Era decorrente. Mas depois ele fez isso só depois do Série B, já estava estruturado, organizado, e aí ele ampliou.
A visão. E acho que é muito importante isso, o empreendedor está muito focado no seu nicho, na hora que ele percebe que ele conquistou o nicho ou o mercado, aí é hora de expandir. Ou expandir para outros mercados ou você vai expandir a tua oferta de produtos.
E serviços. E que pode ir com a sua própria estrutura interna ou você pode adquirir outras, o que for que.
Você quiser. A gente fez um pouco dos dois, então a gente comprou bonde faro, comprou ibite, Mas lançamos o Quebarato, que hoje faz parte do OLX. Lançamos o Lomadi, que foi a primeira rede de afiliação. Lançamos o Corta Conta, que era um comparador de preço. Não, não mais. Não mais. E aí é.
Outra história. Outro podcast. Vai voltar pra falar sobre.
Essa história. Isso é, do founder que vira executivo da empresa e das dores. Dá um.
Podcast longo. Isso não é um podcast não. Eu já falei pra ele aqui embaixo. Isso dá um livro. Ele precisa escrever. Olha, Rosalida é editora Gente, que é a.
Minha editora. Já vou pegar.
O contato. Vou fazer indicação hoje. Mas voltando. Eu me lembro que teve uma época que você fez o... Quem quer ser um milhão? Uma sua startup vale um milhão. Uma coisa dessa. Qual era.
O nome? Sua ideia vale.
Um milhão. Sua ideia vale um milhão. Achava aquilo sensacional, incrível. E também, novamente, você.
Foi pioneiro. Eu não sabia que ele chamava Corporate Venture, não tinha.
Inventado ainda. Exatamente, não tinha esse nome. Isso era em.
2011, 2012? Foi 2010, 2011. Foi logo depois que a.
Naspers adquiriu. Por exemplo, eu estava começando a investir profissionalmente. Eu comecei em 2009 como anjo, sem saber muito o que era. Em 2011 eu comecei a fazer profissionalmente, até ajudar o Cássio a montar o Anjo do Brasil, aquele negócio todo. Enfim, você estava com essa história da sua ideia vale um milhão. Eu achava aquilo sensacional. Para mim era um exemplo de democratizar o acesso ao capital, aquela coisa meio romântica, coisa de Silicon Valley. Eu achava você o máximo por essa ideia. Mas me conta, quem foi que ganhou, quem foi que entrou lá e como é que estão.
Essas empresas? O que acontecia? Naquela época a gente estava com muita sede, muita fome de crescer e a gente sabia que precisava de talento, não ia conseguir fazer o que a gente queria dentro de casa. Então veio a ideia de... e a gente começou a ver alguns concursos de plano de negócio. E o concurso de plano de negócio dava um prêmio em dinheiro e só, acabou. Então toma 10 mil reais, toma 20 mil reais, João, e vai lá, faz. E aí eu lembrei, eu gosto muito de Sanes do Peri, o pequeno príncipe, e ele fala assim, tu te torna eternamente responsável pelo que cativas. Então eu falei, pô, se a gente der um dinheiro decente pra época, 300 mil reais, e ficar com 30%, eu me torno obrigatoriamente responsável por cuidar daquela empresa. É outra pegada. Então quer dizer, se essa empresa dá errado, ela leva meu sobrenome buscar pé com ela. Então a relação vai ser diferente. Então é uma relação de simbiose muito mais forte. E aí veio a ideia desse concurso. A gente teve 800 cadastrados no primeiro ano, 1.200 no segundo ano. Acabamos escolhendo mais do que um ganhador. Tivemos cinco ou seis ganhadores. De lá saíram empresas como Hotmart.
Por exemplo. Hotmart saiu de.
Lá, né? Hotmart saiu de lá. A primeira rodada de investimento.
Do Hotmart. A famosa.
Hotmart saiu. A ideia vale um milhão. Foi 300 mil reais.
Por.
30%. Uau. A gente teve Meu Carrinho, enfim, teve uma série de companhias e startups que surgiram de lá. Naquela época, a Inloco também, que hoje é a.
Magazine Liza. Inloco.
Mídia, né? Inloco Mídia.
Do Andrézinho. Que era de Recife, Andrézinho, de Recife, exatamente. Eu fico pensando, se naquela época já eram 800 cadastros, como é que hoje só tem 15, 16 mil cadastrados? Tem muito mais, gente. É muito mais startup aí.
Pelo Brasil. Tem.
Muita, imagina. É, porque esse número não.
É atualizado. Mas foi legal, eu acho que incentivou.
O.
Ecossistema. Total. E para o Buscapé foi muito legal, porque posicionou o.
Buscapé também. Isso faz parte da minha história, isso me tocou tanto que eu estou me lembrando aqui. Nós não combinamos nada, isso não tem roteiro. Para você ver como isso é importante para o Brasil. Ou seja, a partir daquele momento, mal tinha Startup Weekend. Acho que o Startup Weekend começou a pegar ritmo no Brasil em 2013, 2014, que nasceu o Easy Taxi e tantos outros no Startup Weekend. Mas me conta, quando foi que você saiu do Buscapé? Você foi.
Até quando? Bom, eu fui até final de 2014, começo de 2015. Então, de 98 até 2015, 17 anos. Aí foi até o Buscapé virar maior de idade. Aí eu deixei ele caminhar sozinho. Enfim, depois da série B, só até pra dar continuidade, a gente teve a aquisição em 2009. O grupo sul-africano, Naspers, que hoje é dono de iFood.
PlayKids, OLX. Mas na época foi o primeiro.
Investimento, praticamente. Foi. Pra ser muito sincero, foi o terceiro. Eles tinham investido na Móvile, mas a Móvile ainda não tinha iFood, ainda não.
Tinha PlayKids. Mas não.
Era controlador. Não. Tinha investido na Abril, que era minoritário também, acho que 30% da Abril. E aí o Buscapé, eles compraram 91%, exatamente, como controlador. Os 9% ainda ficaram com os fundadores. E a gente continuou tocando, e eu te digo que esses primeiros quatro anos foram maravilhosos, porque a dinâmica era muito parecida que a gente tinha com os nossos sócios anteriores, a gente aprovava orçamento, conseguia ser super agressivo, conseguia usar o balanço deles, porque é uma empresa gigantesca, então a gente tinha muita atividade de crédito mercantil, que a gente conseguia alavancar com o balanço deles, e foi bacana. O que aconteceu ali naquela aquisição, É curioso que a gente às vezes só percebe o efeito depois. No momento, a primeira reação nossa foi de medo. Era uma época que tinha ainda muita... A criminalidade era muito alta, tinha muito sequestro ainda. A gente não queria que aparecesse muito valor, mas não teve jeito. A Naspers era listada, apareceu valor, veio muita mídia. E com a mídia veio, obviamente, uma coisa gostosa, uma sensação de sucesso. Mas o que a gente percebeu depois é que o Buscapé tinha sido a primeira startup que passava por SID, Série A, Série B, e dava retorno para todos os investidores. Então, o investidor do SID fez 300 vezes o dinheiro. O do Série A fez 60 vezes o dinheiro. O do Série B fez 11 vezes o dinheiro. E esse dinheiro volta para o ecossistema, vai para as próximas startups. Com esse dinheiro, O investidor fala, pô, tá dando certo, né? Ele dobra a aposta na mesma mesa. E isso fez com que muitos empreendedores, muitos founders, na época, começassem a procurar, tanto eu quanto os meus sócios. Então, naquela época de busca pé, eu acabei fazendo diversos investimentos. Na física? Na física. Então, assim, tudo que não era comércio eletrônico, eu falei, não vai ter problema de conflito nunca, porque a gente vai fazer comércio eletrônico. Então eu investi na física, em uma série de companhias bacanas, mas em zupi, de impés, entre todas as... Isso até 2010.
2011, 2012. Com o dinheiro que você.
Tinha recebido. Com o dinheiro que eu tinha e às vezes com o suor também. Ia lá sentar e falava, olha, vou fazer aqui uma reunião por mês de duas, três horas e tal. Pô, legal. Vou te dar tantos por cento e assim foi. Quando chegou no final de 2013, a Naspers teve uma reorganização geral. E a estratégia nova eu não concordava, porque a estratégia nova ia passar por uma reformulação do Buscapé. O Buscapé ia ser separado em pedaços e a beleza do que a gente fazia é que a gente fazia pagamento, mas cobrava como mídia. Fazia mídia, mas cobrava como pagamento, dava o relatório do EBIT. Então o paralelo era como se fosse o shopping e a máquina.
De cápsula. Era.
Um ecossistema. Exato. Era um ecossistema, era um marketplace, só que aberto. Então assim, pô, loja, você não quer pagar aluguel do shopping? Eu cobro só no cartão, mas é meu cartão exclusivo. Você não quer pagar cartão? Eu te cobro no aluguel. E assim ia. E aí como a gente discordava dessa divisão, eu falei, olha, chega pra mim, vou sair, vou fazer um phase-out com calma. Fiquei um ano, aos poucos, fazendo essa transição. E aí eu falei, bom, tô apaixonado por investimento, Se investir como anjo já está legal, o que é o mais quente desse mercado? O.
Venture Capital. Então eu vou para o Vale. Mas isso foi.
Em 2016. Isso foi em 2014. 2014. E aí eu já conhecia tanto a Redpoint, o Jeff, quanto Matias da Eventures. Quando eles tinham vindo para o Brasil montar a Redpoint Ventures, eles tinham me chamado, mas eu estava obviamente preso lá. numa gaiola de ouro, como se fala lá no Buscapé. E aí, depois de conversar bastante, eu falei, pô, eu sei pra onde.
Eu vou. Ou seja, você aportou e você aportou com suas startups.
Na Física. Na verdade, não. Na verdade, as startups da Física.
Eu mantive. Ah, você manteve.
Na Física. A partir daquele momento, eu não fiz mais nenhum investimento na Física, só via fundo. Me tornei um grande investidor do fundo e.
Gestor também. Então, sou co-gestor do fundo. E aí, você passou pra.
RedPoint Brasil? Passei pro outro lado.
Da mesa. Mas você manteve os.
Seus investimentos. Por que você não aportou? Porque ia ser muito complicado. Eu te falo isso porque.
Quando nós montamos a bolsa, o IPR.
A gente juntou o portfólio da física. A gente não conseguiu fazer isso porque tem uma série de critérios, comitê de investimento, e como os investimentos já estavam feitos, também quantificar quanto valia cada empresa naquele momento. Então achou mais fácil, passa uma linha d'água, o que você fez na física, ótimo, tá tranquilo. Se um dia a gente fizer alguma coisa que tem algum caráter de competição, obviamente você não vai.
Ter informação. Então hoje ele fica recebendo os exits das startups maduras que ele investiu lá atrás. Então na física ele continua olhando.
O dinheiro. E graças a Deus, não posso reclamar, mas o fundo da Redpoint, meus sócios, eu, a gente fez bons investimentos. Então a gente teve aí.
Resultados digitais. Já como Redpoint. Mas como anjo, né?
Como anjo. Como anjo eu não posso.
Reclamar também. Não pode reclamar. A Jim Press não pode reclamar e tantas outras. E aí vem a HeadPoint, que é um grande VC, pra mim é uma das maiores referências de Venture Capital no Brasil, a HeadPoint Ventures, você é.
O CEO... Não, nós temos o que a gente chama de partnership, então são sócios iguais, são cinco sócios iguais. O Jeff, que é fundador da Redpoint, o Matias, que é fundador da Adventures, o Anderson, o Manuel e eu. Então é mais ou menos.
Como... Tá, mas você é o gestor, você é o.
Que toca?
Somos co-gestores. Ah, você não é.
O CEO? Não, não. A gente é a figura, como se.
Fosse co-CEOs. Ah, tá, co-CEOs. Ok. Ou seja, você tem um comitê, você senta.
No.
Comitê. Exato. E tem todo o time lá a tocar o operacional. Entendi. E hoje a HeadPoint tem qual o portfólio.
Da HeadPoint? Hoje a gente está com.
52 startups. Série A.
E B? Seed A.
E B. Você faz.
Em seed? Faz um pouco de seed. Por exemplo, Repassa, que a gente investiu junto, é um investimento seed. Então, se é um mercado que a gente conhece bem e um founder que a gente conhece bem, a gente se atreve a fazer seed. Então, no caso do Repassa, o fundo nosso irmão dos Estados Unidos investiu.
Na ThreadUp. que é uma startup similar.
À americana. Exato. Então, como a gente conhece muito bem a dinâmica do mercado, a gente tem conforto em investir um pouco antes. Mas normalmente.
É A. Normalmente é A. E nós, por exemplo, na Bossa Nova, só para ficar claro, a gente faz pré-seed. Pré-seed, antes do seed. E o que a gente faz no Série A? A gente é o PI de vários fundos. A Bossa Nova é o PI da Domo, da DGF, dos fundos subas, enfim, vários fundos. A gente não é o PI da Headpoint porque nunca.
Nos convidaram. Nós vamos resolver.
Isso então. Fica aqui o registro no podcast. Viu, Pierre? Quantas vezes a gente não falou isso. A gente queria tanto ser LP lá da Headphone, mas não querem a gente, mas tudo bem. Bom, agora, Romero, cara, nosso podcast poderia durar... Duas horas aqui, velho. Mas todo mundo que vem aqui, infelizmente, a gente tem um tempo limitado. Todo mundo que tem aqui tem que olhar para aquela câmera e deixar um recado, uma lição. Porque, pô, a sua história já é uma lição. É muito bonito, de verdade. Sem frescura, não tem frescura. Pô, a sua história é muito boa. Sua história é limpa, íntegra. Você é um cara íntegro. Do zero ao milhão, íntegro. Do mesmo cara. Esse cara aqui ajuda. Só falta.
O livro. Você vai me.
Ajudar nessa? Vou, com certeza. Está registrado aqui. Quero também que eu vou levar você lá na Bossa Nova. Quero que você fale para o nosso... Nós temos co-investidores lá, dos Elpys. Queria que você falasse com eles e falasse um pouco da HeadPoint lá. Fica aqui o convite. Mas voltando ao papo com o Anjo. se for possível, deixar um recado final, uma dica para empreendedor ou para investidor. Porque tem muito empreendedor que quer dinheiro, bate lá na porta da Red Point. E aí, como é que eu pego.
O dinheiro? Olha, então vamos lá, eu acho que para quem está pensando em empreender, ou já está empreendendo, primeiro, não espera. Eu acho que começa logo. Se você está apaixonado por um problema e acho que é importantíssimo você focar no problema, comece o quanto antes. Busca um mercado muito grande. Busca dentro desse mercado grande uma dor importante e o mais importante de tudo é time. Monta um time forte, não economiza em trazer as pessoas mais inteligentes que você conhece para montar essa empresa e resolver esse desafio com você. E o Brasil, nesse aspecto, é um celeiro de oportunidade. Onde tem ineficiência, onde tem problema, tem uma startup de bilhão, tem um unicórnio para resolver. Então.
Bora montar. Como eu digo sempre, quem empreende no Brasil empreende em qualquer lugar do mundo. Nós temos grandes oportunidades para empreender porque nós temos centenas de problemas, centenas de desafios e barreiras. E você que está aqui nos ouvindo certamente pode desenvolver algo para isso. Como o Romero falou, deu essa lição importante, não espere, vai lá e faz. Agora tem que testar, tem que validar. e não atropela, né? Cada dia um dia, um passo de cada vez. Mas que você, com ousadia, você chegue lá. Se fosse jogar de um penhasco, largar seu emprego, pelo menos bota um paraquedas, que você vai se estrebuchar no chão. Então, muito bacana, Homero. Bom demais ter você aqui. Bacana demais. E você, muito obrigado por ter nos ouvido e assistido aqui no Papo com Anjo. E até o próximo episódio.
More from Romero

COMO CONSTRUIR UMA EMPRESA DE BILHÕES (SEGUNDO O CRIADOR DO BUSCAPÉ) | Second Level #07









