ROMERO RODRIGUES conta como surgiu o BUSCAPE YouTube

Romero Rodrigues founded Buscapé on June 1, 1999 with 35 stores and 30,000 products, eventually reaching 35 million monthly Brazilian users. He left university to run it, bootstrapped with 100 of his 300 reais monthly stipend, and raised $3 million from Merrill Lynch and Unibanco.
Questions this video answers
June 1, 1999.
35 stores and 30,000 products.
About 35 million Brazilian users per month.
A $3 million investment involving Merrill Lynch and Unibanco.
He received 300 reais per month and contributed 100 reais per month to Buscapé.
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De certa forma, eu sempre inventei de ter um negócio, desde criança. Eu outro dia tava mexendo em umas agendas antigas lá, cadernos, e tinha um caderno de 87, ou seja, eu tinha 9, 10 anos. Tinha lá de uma página uma empresa que ia ser 70% minhas, 30% do meu irmão de 7 anos, que não sabia o que tava acontecendo. E a gente ia vender minhoca que criava no quintal de casa pra minha avó que morava em um apartamento. Então eu sempre, acho que muito estimulado pelo meu pai, que sempre foi um empreendedor, teve negócio próprio e tudo mais. E num determinado momento da minha vida, que eu acho que foi aquele momento bem outlier, eu tive contato com um computador. Foi bem no começo da computação pessoal. Era, talvez, 1990. Estava na escola, no Porto Seguro, e tinha uma aula complementar, não fazia parte do currículo, fazia quem queria, de computação. E eu me apaixonei por aqueles computadores com aquelas telas verdes, que não faziam muita coisa, comparado com hoje. Mas quando eu comecei a aprender a programar, eu falei, nossa, que incrível, como que assim, eu coloco comandos e ele executa. Não tem nenhuma parte mecânica, móvel, como que isso funciona? E aí essa paixão acabou virando um hobby, acabou virando algo que eu comecei a estudar e aprender sozinho. Passei o colegial todo, em vez de estar paquerando as meninas na lanchonete, eu carregava disquete para um lado e para o outro, então socialmente não foi... Não foi o melhor colegial do mundo, mas eu acho que profissionalmente foi um divisor de águas. Então eu tive muita sorte de entrar no colegial já sabendo o que eu queria fazer de faculdade. E por quê? Eu queria fazer engenharia elétrica pra poder empreender com, como a gente chamava na época, informática.
Era informática.
Não era nem digital, internet, não tinha nada disso. E eu fui pra Poli já com essa mentalidade de criar um negócio. e tentativa de um lado, tentativa de outro, tentativa de outro, juntei um grupo de amigos pra fazer um grupo de brainstorm, onde a gente falava sobre possíveis negócios, e um dia um amigo meu falou, pô, que fazia estágio comigo, o Rodrigo falou, pô, tô procurando uma impressora, E não tem nenhum lugar na internet. A internet estava começando naquela época. Essa época era exatamente 97, 98. Estou procurando pela internet e não encontro nenhum site nos Estados Unidos, que no Brasil tinha muito pouco site, que dê informação de produto e preço de produto. e aí veio a ideia de criar um site que fizesse isso, então não existia nem lá fora. E aí a gente começou, o que virou o Buscapé depois. No começo, inclusive, a ideia era se chamar Quanto Custa, porque o grande site brasileiro da época era o Cadê, então o Cadê era para encontrar outros sites, quanto custa ser para encontrar preço e aí depois acabou mudando o nome, prosseguiu e aí a gente lançou o Buscapé em 99 um pouquinho antes de começar aquela primeira onda, aquela primeira moda de internet no Brasil E aí, naquele momento, a gente decidiu largar a faculdade para poder tocar empresa, principalmente quando a gente conseguiu investimento. Então, de certa forma, era uma vontade que estava lá desde os 10 anos de idade, inspirada pelo meu pai, meu avô tinha loja de material de construção e tal, aquilo tudo, e acabou culminando em tecnologia.
Gente, que incrível. Você sabe que eu estava lendo um livro, aquele de 10 mil horas, e tem uma parte do Bill Gates que ele fala, né, também, que ele ficava indo pro... enquanto todo mundo ficava fazendo tudo e ele ficava indo estudar, estudar, estudar. Eu acho que vocês são muito gênios, assim, porque era uma coisa muito fora, né, do normal a gente avaliar, que tecnologia, hoje em dia quem faz, vai sempre ser coisas maiores e fora da curva, mas não é uma curva que eles estão criando do zero, né? Tipo, já tem uma coisa que eles podem… Lá, quando vocês surgiram, era do zero, né?
Tinha muita… Era Mato Alto.
Era Mato Alto.
O Alfredo, que já esteve aqui com vocês, brinca e fala… Pô, Mero, era Mato Alto, você tava de Calivete. Mas era. Eu amo esse livro, que é o Outliers. Então assim, pô, é... Ah, não tem sorte, é só esforço. Não, concordo, esforço é super importante. Mas se eu não tivesse tido contato com o computador naquele momento, em 1990, quantos anos eu tinha? Entrei na faculdade de 16, tira três anos, quatro anos, então tinha lá 13 anos de idade, 12 anos de idade. Não teria acontecido tudo o que aconteceu depois. E quando a gente começou, Em 99, o Buscapé foi pro ar, primeiro de junho de 99, com 35 lojas e 30 mil produtos. Isso era 100% do que existia de loja online no Brasil. E era aquela época de linha de escada, o pessoal conectava. Vocês não viveram isso? Vocês são novinhas. É, o pessoal conectava meia-noite, porque aí era pulso único, pagava só um pulso pra telespe, né? Na época, telespe.
Da meia-noite a seis. Obviamente, eu acompanhei essa... E aí a ideia quando, obviamente deve ter surgido de coisas que vocês não achavam no mercado, como foi desenvolver? Você já era desenvolver, as pessoas que se juntaram, você, todos eram desenvolvedores? Só pra eu entender como que aconteceu a ideia.
Teu ponto é muito bom. Na época, éramos todos desenvolvedores e eu desenvolvia desde lá da oitava série, quando eu me apaixonei por computação. Eu fui autodidata em programação.
Por que a gente não foi assim, Zé Berta? Que discurso.
Deve ser o preço. Eu vou dizer que eu não era tão estiloso como vocês são. Mas e aí na prática não só a gente. Curiosamente se pegar esse primeiro ciclo de startups na verdade nem tinha esse nome a gente chamava de site ou de ponto com. Mas esse primeiro ciclo sempre os fundadores eram engenheiros elétricos porque a grande barreira era justamente criar tecnologia criar o código. E de lá pra cá, nesses 20, 24 anos, um fenômeno bacana é justamente essa democratização que existiu da startup. Eu pelo menos chamo assim, democratização da startup. Porque como a tecnologia acabou virando componentes prontos, então o que levava dois anos e um milhão de dólares pra fazer o primeiro site do Submarino, hoje com 50 dólares você compra uma loja muito melhor. Então você começou a ter uma pluralidade de pessoas montando startups. Então não é mais concentrado em homens porque a engenharia elétrica tinha uma concentração de homens por isso que eram tantos founders homens lá atrás. Hoje você tem uma veterinária uma arquiteta você tem um decorador e um dermatologista qualquer um com uma ideia boa e com muita vontade e que encontra um problema grande no mundo para ser resolvido pode montar uma startup.
Que incrível! E vocês começaram com algum investimento próprio ou você já foi direto buscar um investidor?
Boa. Quando a gente começou não tinha investidor era a gente não vislumbrava. Então se eu viesse aqui e falasse não a gente olhar vamos levantar tantas rodadas de capital vamos fazer IPO. Mentira a gente estava montando o nosso negócio era a nossa lojinha era a nossa padaria só que a gente achava que podia ficar muito grande. A gente sempre foi muito ambicioso.
Eu ia perguntar isso agora se tinha ideia.
Ah tinha a gente a gente e ouso dizer que De certa forma, acho que duas coisas a gente queria fazer com o Buscapé. Um, que fosse uma marca que as pessoas falassem assim, tipo, como assim, o Buscapé, óbvio que eu conheço. E acho que isso, modéstia à parte, a gente conseguiu. A gente chegou a ter 35 milhões de brasileiros usando Buscapé por mês.
Uau!
A segunda era uma marca que ficasse um legado, como Coca-Cola. Tipo, quem inventou a Coca-Cola? Um monge, há 100 anos atrás. Então, que sobrevivesse a gente, que passasse por gerações. isso acho que a gente não vai conseguir. Mas que bom, estamos vivos pelo menos.
Não, mas a história é fantástica, né? Eu acho que todo mundo conhece hoje, né, a Busca Pepper. É uma marca muito forte.
Eu acho que ele teve um momento que era mais forte, depois foram uma série de decisões até que eu presenciei, foi o motivo pelo qual eu saí da empresa, depois que a gente vendeu. Eu acho que talvez algumas decisões foram tomadas de forma equivocada, o que fez com que a marca perdesse a presença. Mas respondendo a tua pergunta, no começo a gente colocava o dinheiro do estágio, eu fazia um estágio na própria USP, era uma bolsa de pesquisa CNPq FUSP, e eu lembro até hoje eram 300 reais por mês, eu, o Rodrigo, o Ronaldo era professor de cursinho, e eu pegava dos meus 300 reais, 100 iam pro busão, 100 iam pro bandejão da USP, que pelo que eu sei ainda tá barato, ainda com 2, 3 reais você coda um bandejão, era esse preço na época. E 100 reais ia para o Buscapé. E basicamente era para o custo de hosting, de hospedar o site, que não tinha como. Porque naquela época não existia a Amazon Web Services. Você põe um cartão de crédito e compra um servidor, um pedaço de um servidor. Você tinha que realmente comprar a máquina. Então o primeiro investimento grande que a gente teve com Merrill Lynch, com o Unibanco, que foi 3 milhões de dólares, serviu para a gente comprar servidor e tudo mais. Coisa que nem precisa mais hoje.
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