ROMERO RODRIGUES, fundador do Buscapé e grande investidor de

Portuguese-language interview (PowerCast) with Romero Rodrigues, founder of Buscapé and partner at Headline (in partnership with XP). Romero recounts his path from early computing interest and engineering studies to launching Buscapé (went live 1 June 1999 with 35 stores and ~30,000 products), leaving university to scale the company, and serving as CEO for 16 years (until 2014). He details fundraising milestones (seed ≈ R$150k; subsequent $3M round with Merrill Lynch/Unibanco; later transaction involving Naspers ~US$374M), growth metrics (reached ~35 million monthly users at peak), operational challenges (hosting costs, developer-led founding team), culture issues after rapid hiring and acquisitions, and lessons learned about founder behavior and company culture. As a VC, Romero describes Headline’s stage focus, investment sizing (typical first checks ~R$5–50M), target ownership (~20% initial stake), portfolio construction (20–25 companies per fund), typical fund return targets (30–40% IRR target), and a high-level view of startup lifecycle, risks, and exits (M&A vs IPO). He also shares anecdotes about investments that failed (Lulu) and opinions on NFTs, metaverse/AR/VR and long-term tech trends.
Questions this video answers
Launched 1 June 1999 with 35 shops and ~30,000 products.
16 years (served as CEO until 2014).
About R$150,000.
About US$3 million (round with Merrill Lynch/Unibanco).
Romero cites US$374 million as the Naspers transaction figure.
Chapters
Olá, eu sou Sheila Santos.
Eu sou Isabel Rendeiro.
E nós somos o Power Cash!
Gente, antes de começar esse episódio, quero convidar vocês a se inscreverem no nosso canal, ativarem o sininho.
Compartilhar com todo mundo e deixar muitos comentários. Porque o nosso convidado de hoje vale muito comentário. Muitos comentários!
E em volta, se tiver vários comentários… Comenta, comenta, comenta!
Exato, a gente tá super nervosa aqui. Porque quando vem convidado muito power, né, Bebel?
A gente fica nervosa.
Vai ter muito aprendizado por aqui hoje e muito… Já conta quem tá aqui, vai. Bora. Tá bom, tá Tá bom. bom. Vamos lá, então. Nosso convidado Power de hoje se formou em engenharia elétrica pela USP, cursou o programa executivo da Faculdade de Administração da Universidade de Stanford e fundou o Buscapé. Acho que já sabem, né, Bebel? Uma das primeiras startups do Brasil, onde ele foi CEO por 16 anos, até 2014. E há 24 anos ele empreende, investe em startups. E hoje ele é sócio responsável pela Headline, fundo de Venture Capital, em parceria com a XP. Bem-vindo ao PowerCast, Romero Rodrigues!
Bem-vindo!
Uhuuul!
Obrigado, é um prazer estar aqui, finalmente. Sheila Bebel, muito bom estar com vocês e com todo mundo que tá assistindo.
E escutando a gente.
Muito bom, muito obrigada!
A gente tá tão feliz de ter você aqui, que a gente já quer te dar um presente.
Vitamine C?
Você merece!
Uhuuul!
Nossa, eu amo Vitamine C!
Ai, que bom!
Eva, montaram esse kit.
Mais um abração.
Esse kit é especialmente feito pra você. Gente, a Vitamine C, sério, ela equilibra inteligência de dados e suplementos de altíssima qualidade oferecendo nutrição personalizada pra cada pessoa com base em seus objetivos, necessidades e estilo de vida. Então, gente, acessando aqui o nosso QR Code, vocês vão poder responder um quiz formulado em parceria com médicos e nutricionistas e vocês vão receber a recomendação das vitaminas e suplementos essenciais pra sua rotina.
Não, fora que a gente é fã de Vitamin C, né. Gente, esse quiz é maravilhoso. Eu e o Bebel, a gente fez… Fizemos tudo. Exato, a gente toma todas as nossas suplementações vindo deles. Inclusive, né, colágeno, que a gente adora um colágeno. Entre aqui, responda o quiz. E também faça suas compras, porque entrega pra todo o Brasil.
E eles acabaram de lançar Whey Protein também, gente. São três sabores deliciosos.
É uma delícia.
Eu também Whey Protein. Maravilhoso. E aliás, esse ano vem muitas novidades ainda deles, né.
Muitas novidades, vocês aguardem.
Exato. Vamos começar?
Bora!
Bem-vindo, Romero. A gente estava muito ansioso pra você chegar aqui, hein? Vambora!
Conta pra gente, Romero, por que você começou a empreender?
Bom, eu acho que assim, de certa forma, eu sempre inventei de ter um negócio, desde criança. Eu outro dia tava mexendo em umas agendas antigas lá, cadernos, e tinha um caderno de 87, ou seja, eu tinha 9, 10 anos. Tinha lá de uma página uma empresa que ia ser 70% minhas, 30% do meu irmão de 7 anos, que não sabia o que tava acontecendo. E a gente ia vender minhoca que criava no quintal de casa pra minha avó que morava em apartamento. Então eu sempre, acho que muito estimulado pelo meu pai, que sempre foi empreendedor, teve negócio próprio e tudo mais. E num determinado momento da minha vida, que eu acho que foi aquele momento bem outlier, eu tive contato com o computador. E foi bem no começo da computação pessoal. Era, talvez, 1990. Estava na escola, no Porto Seguro, e tinha uma aula complementar, não fazia parte do currículo, fazia, quem queria, de computação. E eu me apaixonei por aqueles computadores com aquelas telas verdes, que não faziam muita coisa, comparado com hoje. Mas quando eu comecei a aprender a programar, eu falei, nossa, que incrível, como que assim, eu coloco comandos e ele executa. Não tem nenhuma parte mecânica, móvel, como que isso funciona? E aí essa paixão acabou virando um hobby, acabou virando algo que eu comecei a estudar e aprender sozinho. Passei o colegial todo, em vez de estar paquerando as meninas na lanchonete, eu carregava disquete pra um lado e pro outro, então socialmente não foi... Não foi o melhor colegial do mundo, mas eu acho que profissionalmente foi um divisor de águas. Então eu tive muita sorte de entrar no colegial já sabendo o que eu queria fazer de faculdade. E por quê? Eu queria fazer engenharia elétrica pra poder empreender com, como a gente chamava na época, informática.
Era informática.
Não era nem digital, internet, não tinha nada disso. E eu fui pra Poli já com essa mentalidade de criar um negócio. e tentativa de um lado, tentativa de outro, tentativa de outro, juntei um grupo de amigos pra fazer um grupo de brainstorm, onde a gente falava sobre possíveis negócios e um dia um amigo meu falou, pô, que fazia estágio comigo, o Rodrigo falou, pô, tô procurando uma impressora E não tem nenhum lugar na internet. A internet estava começando naquela época. Essa época era exatamente 97, 98. Estou procurando pela internet e não encontro nenhum site nos Estados Unidos, que no Brasil tinha muito pouco site, que dê informação de produto e preço de produto. E aí veio a ideia de criar um site que fizesse isso, então não existia nem lá fora. E aí a gente começou, o que virou o Buscapé depois. No começo, inclusive, a ideia era se chamar Quanto Custa, porque o grande site brasileiro da época era o Cadê, então o Cadê era para encontrar outros sites, o quanto custa ser para encontrar preço e aí depois acabou mudando o nome, prosseguiu e aí a gente lançou o Buscapé em 99 um pouquinho antes de começar aquela primeira onda, aquela primeira moda de internet no Brasil E aí, naquele momento, a gente decidiu largar a faculdade pra poder tocar empresa, principalmente quando a gente conseguiu investimento. Então, de certa forma, era uma vontade que tava lá desde os 10 anos de idade, inspirada pelo meu pai, meu avô tinha loja de material de construção e tal, aquilo tudo, e acabou culminando em tecnologia.
Gente, que incrível.
Você sabe que eu estava lendo um livro, aquele de das 10 mil horas. E tem uma parte do Bill Gates que ele fala, né, também, que ele ficava indo pro... enquanto todo mundo ficava fazendo tudo e ele ficava indo estudar, estudar, estudar. Eu acho que vocês são muito gênios, assim, porque era uma coisa muito fora, né, do normal a gente avaliar, que tecnologia, hoje em dia quem faz, vai sempre ser coisas maiores e fora da curva, mas não é uma curva que eles estão criando do zero, né. Tipo, já tem uma coisa que eles podem… Lavos, quando vocês surgiram, era do zero, né.
Tinha muita… Era Mato Alto.
Era Mato Alto, né.
O Alfredo que já esteve aqui com vocês brinca, fala… Pô, Mero, era Mato Alto, você tava de Calivete. Mas era. Eu amo esse livro, que é o Outliers. Então assim, pô, é... Ah, não tem sorte, é só esforço. Não, eu concordo. Esforço é super importante. Mas se eu não tivesse tido contato com computador naquele momento, em 1990, quantos anos eu tinha? Entrei na faculdade de 16, tira três anos, quatro anos. Então, tinha lá 13 anos de idade, 12 anos de idade. Não teria acontecido tudo o que aconteceu depois. E quando a gente começou, Em 99, o Buscapé foi pro ar, 1º de junho de 99, com 35 lojas e 30 mil produtos. Isso era 100% do que existia de loja online no Brasil. E era aquela época de linha de escada, o pessoal conectava. Vocês não viveram isso? Vocês são novinhas. É, o pessoal conectava meia-noite, porque aí era pulso único, pagava só um pulso pra telespe, né? Na época, telespe.
Da meia-noite às seis. Mas eu, obviamente, acompanhei essa... E aí a ideia quando, obviamente deve ter surgido de coisas que vocês não achavam no mercado, como foi desenvolver? Você já era desenvolver, as pessoas que se juntaram, você, todos eram desenvolvedores? Só pra eu entender como que aconteceu a ideia.
Teu ponto é muito bom. Na época, éramos todos desenvolvedores e eu desenvolvia desde lá da oitava série, quando me apaixonei por computação. Eu fui autodidata em programação.
Por que a gente não foi assim, Zé Bela? Que discurso.
Teve seu preço. Eu vou dizer que eu não era tão estiloso como vocês são. Mas e aí na prática não só a gente. Curiosamente se pegar esse primeiro ciclo de startups na verdade nem tinha esse nome a gente chamava de site ou de ponto com. Mas esse primeiro ciclo sempre os fundadores eram engenheiros elétricos porque a grande barreira era justamente criar tecnologia criar o código. E de lá pra cá, nesses 20, 24 anos, um fenômeno bacana é justamente essa democratização que existiu da startup. Eu pelo menos chamo assim democratização da startup, porque como a tecnologia acabou virando componentes prontos, então o que levava dois anos e um milhão de dólares para fazer o primeiro site do submarino, hoje com 50 dólares você compra uma loja muito melhor. Então você começou a ter uma pluralidade de pessoas montando startups. Então não é mais concentrado em homens, porque a engenharia elétrica tinha uma concentração de homens, por isso que eram tantos founders homens lá atrás. Hoje você tem uma veterinária, uma arquiteta, você tem um decorador e um dermatologista, qualquer um com uma ideia boa e com muita vontade e que encontra um problema grande no mundo para ser resolvido, pode montar uma startup.
Que incrível. E vocês começaram com algum investimento próprio ou você já foi direto buscar um investidor?
Boa. Quando a gente começou, não tinha investidor. A gente não vislumbrava. Então se eu viesse aqui e falasse, não, a gente olhava, vamos levantar tantas rodadas de capital, vamos fazer IPO. Mentira. A gente estava montando o nosso negócio, era a nossa lojinha, era a nossa padaria, só que a gente achava que podia ficar muito grande. A gente sempre foi muito ambicioso.
Eu ia perguntar isso agora, você tinha ideia.
Ah, tinha. E eu ouso dizer que De certa forma, acho que duas coisas a gente queria fazer com o Buscapé. Um, que fosse uma marca, que as pessoas falassem assim, tipo, como assim, o Buscapé, óbvio que eu conheço. E acho que isso, modéstia à parte, a gente conseguiu. A gente chegou a ter 35 milhões de brasileiros usando Buscapé por mês.
Uau!
A segunda era uma marca que ficasse um legado, como Coca-Cola. Tipo, quem inventou a Coca-Cola? Ah, um monge há 100 anos atrás. Então que sobrevivesse a gente, que passasse por gerações. Isso eu acho que a gente não vai conseguir. Mas que bom, estamos vivos pelo menos.
Não, mas a história é fantástica, né? Eu acho que todo mundo conhece hoje, né, a Buscapé. É uma marca muito forte.
Eu acho que ele teve um momento que era mais forte, depois foram uma série de decisões até que eu presenciei e foi o motivo pelo qual eu saí da empresa, depois que a gente vendeu. Eu acho que talvez algumas decisões foram tomadas de forma equivocada, o que fez com que a marca perdesse a presença. Mas respondendo a tua pergunta, no começo a gente colocava o dinheiro do estágio, eu fazia um estágio na própria USP, era uma bolsa de pesquisa CNPq FUSP, e eu lembro até hoje eram 300 reais por mês, eu, o Rodrigo, o Ronaldo era professor de cursinho, e eu pegava dos meus 300 reais sem ir pro busão, sem ir pro bandejão da USP que pelo que eu sei ainda está barato, ainda com 2, 3 reais você come um bandejão, era esse preço na época, e 100 reais ia para o Buscapé, e basicamente era para o custo de hosting, de hospedar o site, que não tinha como, porque naquela época não existia a Amazon Web Services, você põe um cartão de crédito e compra um servidor, um pedaço de um servidor, você tinha que realmente comprar a máquina, então o primeiro investimento grande que a gente teve com Merrill Lynch, com o Unibanco, que foi 3 milhões de dólares, serviu pra gente comprar servidor, né, e tudo mais, coisa que nem precisa mais hoje.
É um mercado, né, você imagina, exatamente, é o que ele falou, tira todo o mato, é muito louco, né. Tanto que tem várias coisas de tecnologia, por mais que a gente recebe vários entrevistados aqui que tentam, né, eu acho ainda um mundo muito, porque teve um entrevistado que falou uma coisa muito real, a gente dorme e já tá muito diferente tudo, né, é muito avançado tudo, né.
É muito rápido.
Muito rápido. E até vou tirar minhas dúvidas pessoais aqui, quando vocês começaram a empresa, vocês eram novos, eram todos engenheiros, vocês tinham noção de como era abrir uma empresa, sabiam dos processos ou foram aprendendo assim?
Não, foi na raça, não existia, hoje eu sei que os cursos de engenharia costumam ter empreendedorismo e outras, e outras aulas. Pra você ter ideia, a palavra empreendedorismo não existia no dicionário, foi colocado em 2002 com a Endeavor chegando no Brasil, então era bem rudimentário. Eu lembro que a gente usou intuitivamente da nossa rede de contatos, nosso network, uma amigona minha Tati era advogada era estudava direito fazia estágio no escritório de marcas e patentes. Ela registrou a marca Buscapé o igão amigão nosso de faculdade fazia São Francisco ajudou a escrever o primeiro contrato social foi ele que escreveu. A gente foi no Sebrae, lá no comecinho, na Rua Vergueiro. A gente estudou, pô, disse o que que eram os impostos, que regime a gente entrava. Então a gente era fuçador, né, ia atrás. Não tinha internet pra você pesquisar as coisas, então você tinha que ir atrás. Era bater perna, era pegar o busão e conversar. Mas usamos muito disso e funcionou super bem. Revemos bons favores pra muitos amigos. Adoro as pessoas e posso falar e assim todos nós. Eu Romero Ronaldo Rodrigo e depois a gente convidou o Mário que era um amigo nosso que fazia GV para entrar na sociedade e mesmo o Mário acho que todos talvez eu seja o mais falante todos têm um perfil mais quieto mas às vezes as pessoas menosprezam a capacidade que elas têm de gerar valor com os contatos e com as pessoas que elas conhecem. A gente soube usar isso muito bem desde o começo.
Network é super importante.
É valiosíssimo. E aí, voltando ali nesse cronograma, quando que vocês viram que precisava de investimento?
Então, a gente colocou o Buscapé no ar e ainda de uma forma romântica, achava que um modelo de negócio ia se auto sustentar. Então a gente falou, bom, já tem um pouquinho de preço, vai ter um pouquinho de consumidor, esse consumidor vai vir, vai comparar preço, vai para a loja, a loja vai perceber que todo mundo que sai do Buscapé e vai para ela compra, porque já está com a decisão de compra tomada, vai ligar pra gente, vai falar, pô, eu quero estar em destaque, vai aparecer no topo do resultado, vai pagar, a gente pega esse dinheiro, faz marketing, traz mais consumidor, e isso vai girar, e pô, vai dar super certo, a gente vai ser lucrativo. Só que a primeira ligação que a gente recebeu, três dias depois de lançar, foi de uma loja, Era a maior loja que tinha no site, é até hoje um dos cinco maiores grupos varejistas do Brasil. Ficou super empolgado e ele realmente ligou interessado, mas não em pagar, ele estava interessado em sair do Buscapé. Ele falou, olha, bacana, eu vi vocês na mídia e vi que vocês estão comparando o meu preço, mas eu não quero ter preço comparado. E realmente naquela época não existia comparar preço. Você ligava para um varejista e pedia preço. Eu falava, desculpa, eu não dou preço para o telefone.
É verdade.
Você tem que vir até aqui. Porque essa era a pegadinha. Você já gastou tempo, dinheiro, estacionamento, foi até lá. Você está refém e você compra. E a gente falou, bom, mas não faz sentido. Imagina, isso aqui é legal para o consumidor e tal. Ele falou, você não entendeu. Eu tenho um andar inteiro aqui de departamento jurídico. Se você não me tirar, eu vou te processar.
Eu tenho dois advogados, um no São.
Francisco, tenho dois amigos estagiários.
Eu tinha alguns amigos advogados, mas não tantos assim.
Eu tenho vários amigos estagiários que eu vou ajudar a minha turma.
E nós vamos te pegar na saída. Exatamente. Aí eu falei, mas não faz nenhum sentido.
Não, aquelas, eu sei dirigir, quem sabe? Uma atropeladinha brincando.
Era por aí, era por aí. E aí ele falou, olha, não interessa se é direito do consumidor, se é direitos autorais, tá certo ou não, eu não quero estar listado. Então, ali a gente percebeu que ia ser mais difícil. Mais do que isso, começou do nada um burburinho enorme em relação à internet. E a gente viu um monte de gente largando banco, largando consultoria, largando tudo pra montar site, pra montar plano de negócio, começando a receber investimento. E a gente falou, bom, se a gente... e investidores começando... a nos procurar, porque todo mundo tinha um plano. A gente já estava com um site rodando, eram poucos sites na época. E a gente falou, bom, se a gente não pegar essa onda e um concorrente que surge de levantar dinheiro, a gente dançou. Então a gente precisa levantar. E aí que a gente começou o processo de conversar com os investidores. Recebamos oito propostas na época e fechamos com o investidor, que foi o investidor da primeira rodada nossa, que foi a rodada Semente, a Seed. isso foi novembro de 99 e uma das primeiras coisas que a gente fez foi melhorar um pouquinho o servidor que a gente tinha porque não estava aguentando mais os acessos, estava crescendo muito rápido e se preparar para uma outra rodada que aí a gente fez depois de alguns meses com a Merrill Lynch que a gente foi para Nova York e com o Unibanco e aí também foi outro Deus nos acuda Entendi.
Vou fazer uma pergunta curiosa aqui, tá? Porque a gente vai matar eles de tanta pergunta. Romero, como que vocês colocam o valor, precificam aí quanto a primeira rodada? Porque vocês eram ainda pequenos, né? Daí começaram a crescer. Como que vocês colocam o valor dentro da rodada?
É curioso que até hoje não existe uma fórmula pra você definir um valor de uma rodada de uma startup. Tipo... E hoje eu faço isso profissionalmente, eu tô dizendo que não existe. Lá foi simples, a gente tinha oito propostas e a gente pegou a proposta que a gente entendia que mais gerava valor pra gente. Eu acho que aí a gente foi muito sábio, porque a gente não pegou a proposta que ia colocar mais dinheiro na companhia ou que valorizava o Buscar Pé mais. Tanto que o time de investidores que a gente escolheu, eles colocaram quase nada de dinheiro na companhia, eles colocaram indiretamente. Eles falaram, olha, a gente vai contratar assessoria de imprensa, a gente vai contratar contabilidade, a gente vai contratar o escritório, vocês vão estar dentro do escritório. A gente só tem vocês de, era uma incubadora, mas a gente só tem vocês de incubada pra dar certo o primeiro ovo. Precisa ser um ovo de ouro, então a gente vai por todo o esforço. Então o que a gente percebeu? Um super comprometimento. Então tinha, que nem a gente fala, pele no jogo, skin in the game. Tinha toda uma infraestrutura e era muito mais smart money do que só money. Tinham outras propostas que até eram um pouco melhores financeiramente. e que eles iam colocar o dinheiro na empresa e a gente ia ter que se virar. Então a gente, na hora, falou, bom, pera, a gente quer estar focado em fazer o negócio acontecer. Tem um monte de coisa em volta que distrai. O advogado, o contador. Pô, eu acho que esse time aqui vai agregar mais do que só o dinheiro. Então, até hoje isso é válido. Quanto mais no começo da vida de uma startup, mais importante, eu brinco, é o nome que está no cheque. do que o número que tá no cheque. Não o nome, porque é um sobrenome famoso, quatrocentão, não, nada disso. Nome no sentido de quanto esse cara pode me ajudar no negócio que eu tô montando. Quanto ele já viveu, quanto ele já acumulou de olho roxo, de cicatriz, o quanto ele apanhou. Então não é o cara que bateu que você quer na tua empresa. Você quer o cara que apanhou muito e não morreu. Porque você sabe que você vai apanhar muito e você não quer morrer. Então é esse tipo de perfil.
Mas como é que você dá o seu valor na primeira rodada? Porque a segunda rodada deve ter sido muito mais fácil, né? Porque vocês já estavam mais engajados, já sabiam, tinham uma noção de valor de mercado.
A primeira rodada, eu te digo, foi em torno de 150 mil reais, alguma coisa assim.
E que era muito dinheiro, né?
A segunda rodada, 3 milhões de dólares, que naquela época era um checaço. E seis meses depois. Mas que não teria acontecido sem o investidor certo antes.
Quanto foi?
A segunda, 3 milhões de dólares.
E a terceira?
A terceira, a gente, a terceira na prática foi os 374 milhões de dólares da Naspers, porque a gente teve uma série B, mas que não entrou dinheiro na companhia. Na verdade, o investidor da série B comprou os investidores anteriores, então a Maryland e o Unibanco estavam super felizes, já tinham ficado cinco anos na empresa. Eles falaram, bom, para a gente, estamos bem até aqui, a gente quer sair. Então a gente acabou não trazendo dinheiro para a empresa. Então não teve dinheiro. O valor da empresa subiu de R$ 7,00 pra R$ 37,00 e depois pra R$ 370,00.
Que incrível.
Pra quem tá escutando a gente, que às vezes não entende muito dessa questão de... Peraí gente, tinha um bicho.
Desculpa.
Tenho medo de bicho. que é não intenso de investimento, usando até o que você viveu no Buscapé e o que você faz hoje, como que funciona esse processo de rodada de investimento? Quantas rodadas se fazem? Quanto tempo? Tipo, quem não entende nada, você está ensinando alguém.
Boa. Acho que eu tenho um jeito de contar que ilustra bem a realidade. Imagina que nós três estamos aqui e a gente está com uma ideia de criar um site de comparação de preços. Aí você pensa assim, pô, o que pode dar errado? Se for honesto, tudo. A gente pode não se dar bem como sócios, a gente pode nunca conseguir fazer o protótipo, pode ser que ninguém use o protótipo, pode ser que quando entre no ar a loja queira processar em vez de queira pagar, pode ser que mesmo a loja pagando nunca cresça, então não faltam riscos. O que um bom time de empreendedores faz? Ele pega todos esses riscos e fala, pô, deixa eu eleger um pra tirar da mesa. Geralmente é o que? Fazer o protótipo, porque é a primeira parte, mas podem ser outras coisas. Então vamos fazer o protótipo. Quanto que a gente precisa para fazer o protótipo? Ah, preciso de 200 mil reais. Então a gente vai para um tipo de investidor que confia na gente. Nesse estágio é o famoso Family, Friends and Fools ou Anjo. Não por acaso tem esse nome, né? Família, Amigos e Tolos ou Investidor Anjo para te salvar. E vão dar esses 200 mil reais para fazer o protótipo. Não interessa nem tempo. 200 mil reais depois, ou tem ou não tem o protótipo. Se não tiver o protótipo, o risco aumentou, porque nem executar a gente conseguiu. E esse investidor lá que era o full, que era o tolo, ele não vai ser tão tolo assim, ele vai falar assim, ó, desculpa, mas eu já pus o meu dinheiro, deu. Agora, se a gente entregou o protótipo, a gente continua com todos os riscos do mundo, menos um. A gente subiu um degrau. Qual que é o próximo desafio? Vamos ver se alguém usa, vamos tentar tracionar? Quanto que a gente precisa para testar isso, para trazer um pouco de usuário, para ver se tem fit? Ah, de tanto. Então a gente levanta. Pô, resolvido. Vamos para o próximo? Vamos testar modelo de negócio? O pessoal estava usando aqui de graça. Vamos ver se pagando alguém fica? Pô, legal, testão. Não está crescendo, mas já testou, as pessoas ficam, renovam, o NPS está alto, está tudo indo bem. Pô, legal. Qual que é o próximo? Como é que dá pra criar uma máquina de vendas escalável? Ou seja, a venda ser repetitiva, previsível e altamente escalável, que eu sei que eu coloco mais X vendedores, isso vai se traduzir em tantos milhões no final do ano. Pô, que legal. Dá pra fazer. Então, essa é a trajetória. A gente costuma investir justamente pra criar essa máquina de venda, é o que eu faço hoje. Mas depois tem outros desafios. Como é que expande isso? Pô, pode fazer uma expansão de produto. Eu ofereci a conta digital, agora oferecer seguro de vida. Você pode fazer uma expansão de cliente, era só PF, agora vai ser PJ. Ou internacional, era só Brasil, eu vou para o México, eu vou para a França, eu vou para os Estados Unidos. E assim vão se desenhando as várias séries da companhia. A série A, que é o que o pessoal fala muito, que é geralmente onde tem os fundos de venture capital, é justamente quando a empresa encontrou os ingredientes desse motorzinho ainda tá faturando pouco e pega o nosso cheque como gasolina pra acelerar e levar essa empresa pra 30, 40, 50 ou mais milhões de faturamento.
E só pra complementar rapidinho, como que você sabe o tempo que a pessoa tem que devolver o investimento?
Tipo, é um tempo padrão ou muda? O risco e o tempo mudam conforme você vai andando nesses degrauzinhos. A caminhada toda costuma ser de oito a dez anos. Quem entrou lá no começo vai ficar dez anos. O estágio que eu entro, ainda fico seis, sete anos na companhia. A saída mesmo, é no final, mas como eu entrei depois, eu já comecei do terceiro degrau. E o risco também é muito diferente. Então, por exemplo, quando a gente investe, de cada dez empresas que a gente investe, até três morrem. Outras três quatro andam de lado e recupera o dinheiro. As últimas três explodem. E aí a gente está falando de retornos bilionários que pagam o fundo todo. Então tem exemplos de investimentos do. do primeiro fundo do RedPoint 1, onde eu participei como co-gestor, onde um cheque de cinco milhões de reais virou, depois de seis anos, um bilhão e meio de reais. Então você está falando de trezentas vezes o dinheiro. Em compensação, tem outros cheques de cinco milhões de reais que viraram pó. E aí tudo isso dá uma combinação para dar um retorno alto. Então meu fundo, ele é desenhado para dar um retorno de 30 a 40% ao ano. Todo ano ao longo de 10 anos. Se você sobe os degrauzinhos, o risco é menor. E, às vezes, o retorno é um pouco menor também. Se você desce, o risco aumenta. Então, por que a gente gosta muito de investir no estágio que a gente investe? Porque você tem muita academia, muita fórmula, muito framework, muita receita, receita é a palavra certa, para você criar a máquina de vendas e acelerar, para você expandir produto, para um monte de coisa. Mas achar aquele fit, produto e mercado é a intuição do founder. É o founder que tá ali vivendo aquela dor e fala, quer saber? Não é isso, é isso aqui eu não tava vendo. É os fundadores do Airbnb, que por serem também não só de tecnologia, serem fotógrafos, estavam com a ideia inicial de alugar sofá e falaram, não é o sofá, é o apartamento inteiro e foto vai fazer a diferença. É a gente perceber lá no Buscapé que não era preço de loja de rua, que foi a primeira tentativa nossa. Vamos pegar o preço que já tá online, porque aí o lojista não tem como evitar que a gente pegue o preço. E como isso é em base em intuição, você tem muita mortalidade. Então, antes do nosso estágio, quando as startups chegam no nosso estágio, eu diria que 20% chegam, 80% nem chegam no estágio onde a gente pode investir. Elas morrem antes, tentando encontrar esse fit de produto mercado. Ou seja eu quero resolver uma dor mas tem alguém sentindo essa dor ou quem sente essa dor acha que o meu produto resolve mesmo a dor que ele está sentindo. Então esse é o grande catch esse é o grande é o grande ponto de inflexão da startup. Não por acaso eu gosto de investir logo depois.
Eu quero fazer uma pergunta pessoal também. Você tem algum tipo de negócio específico que você gosta de investir nas startups? Tipo assim, eu sei que esse modelo de negócio super funciona, eu gosto. Ou você pinga em vários setores?
Excelente pergunta. A gente é agnóstico de setor. Qualquer setor, a gente olha muito o estágio, como eu disse, e olha muito a qualidade dos empreendedores. No final do dia, a gente olha a tecnologia, olha a projeção, olha o tamanho do mercado, olha o que os nossos sócios de fora fizeram nos países deles, mas a gente investe em pessoas. Dito isso, obviamente, a gente acumula track record, ou seja, na hora que você tem uma startup bem sucedida num segmento, É natural que outros empreendedores que estão naquele segmento te procurem. Então, por causa do buscar pé, óbvio que muita gente que está em comércio eletrônico acaba me procurando. Aí, poxa, depois participei de pismo ou participei de de impés, então startups parecidas vão buscar Rappi, o iFood, que são empresas que eu sou sócio ou pela Redpoint ou diretamente, é natural que empreendedores que estão no mesmo segmento procurem investidores que já investiram naquele segmento, porque, bom, se o Romero passou seis anos no borde da móvel e viu a criação do iFood lá dentro, e eu estou no segmento do iFood, talvez ele possa me dar mais insight. Então isso acaba ao longo do tempo multiplicando, então os setores vão ampliando. Em geral, Eu gosto muito de investimentos no que a gente chama de tecnologia de ponta, deep technology, mas infelizmente você encontra pouco no Brasil.
Por que você acha?
Então, é mais estrutural. O que acontece? De uma forma muito genérica, você pode falar que a startup ou ela está sendo inovadora na tecnologia, que seria isso, tecnologia de ponta, ou ela está sendo inovadora no modelo de negócio. Então, no Bank, é óbvio que tem muita tecnologia, mas tem uma inovação enorme no modelo de negócio. Eu vou cobrar zero e eu vou ter um suporte maravilhoso, que as pessoas vão amar. Esses foram os grandes valores. De em pés, não era uma tecnologia inovadora, uma lista de academias e você dá o passe para as pessoas da empresa. A tecnologia usada era de prateleira. Tecnologia inovadora é você desenvolver um sistema de pagamento que nunca existiu no mundo. Você desenvolver alguma coisa em quantum computing, você desenvolver... O próprio Buscapé foi mais tecnologia inovadora, porque você tinha que capturar preços, mesmo a loja tentando bloquear. Então esse tipo de startup que é mais pesada em tecnologia, eu adoro. A gente encontra menos no Brasil e encontra muito em Israel e Estados Unidos. porque você precisa de uma combinação, em Israel eles chamam de hélice tripla, você precisa de uma combinação de founders talentosos, que a gente tem, mas de academia, então as universidades investindo em pesquisa, o Google surgiu dentro de Stanford, no IPO do Google, Stanford era uma grande acionista do Google, porque ela realmente deu para a empresa o direito que era dela, até aquela tecnologia, porque o Larry e o Sergey eram pesquisadores, funcionários, pesquisadores bolsistas de Stanford. Então, tudo que era desenvolvido por eles era, na verdade, de Stanford. Então, no Brasil, falha isso. E o terceiro é o governo. Então, em Israel, o governo tem uma agenda, a academia investe em pesquisa e o que dá certo vai para o mercado privado ser investido pelos fundos de venture capital. Então, isso faz com que tecnologia de ponta possa ser criada. Qual a vantagem do Brasil? A gente é enorme e a gente tem muita dor. Quanto mais dor, mais oportunidade para empreender, então não falta uma sorte enorme de startups resolvendo um monte de dor aparente que a gente tem, mas a gente é menos preparado para a inovação de ponta e mais para a inovação de modelo de negócio.
Vocês nunca pensaram em fazer um investimento em pessoas que gostariam de, tipo, vocês terem uma academia de vocês de investimento? de futuros gêniozinhos.
Existe essa prática com fundos, o pessoal chama de empreendedor da casa, então às vezes é um founder bom que está em transição, ele vendeu a empresa e ainda não sabe o que vai fazer. Você fala, não, fica aqui no escritório, fica aqui comigo, vamos conversando, vamos trocando, a gente almoça duas vezes por semana, tamo junto. mas não de uma forma tão estruturada.
Uma ideia.
Eu acho que existem até aceleradoras que pegam bets, pegam turmas de vários founders em três meses, seis meses, nove meses, o que seja, prepara aquela turma a resolver um monte de problema, mas não como você mencionou. É uma ideia, sem dúvida nenhuma.
Tá vendo gente, se o Romero depois tiver essa ideia, eu ajudei.
E como que uma empresa sabe que ela tá preparada pra um IPO?
Olha, eu acho que o IPO, ele antes de mais nada, ele depende do humor do mercado. Então, por exemplo, o mercado como a gente está agora, pode ser a melhor empresa do mundo vai ter dificuldade de fazer IPO. Não dá para fazer, a Porsche fez recentemente um IPO maravilhoso. mas era Porsche, não era qualquer empresa, então acho que a empresa ela precisa, sim, tá já num tamanho grande o suficiente, ela precisa entender exatamente o que ela quer conseguir com o IPO, E ela precisa estar numa condição favorável de mercado. Porque o segundo ponto que ela quer conseguir, que ela busca com aquele IPO. Porque às vezes ela quer realmente dinheiro pra entrar na companhia, às vezes ela quer dar saída pra algum investidor. Mas uma coisa que ela tem que entender é que a vida pós-IPO é muito diferente da vida pré-IPO.
Tem gente que quebra no meio, né?
Você vira um alvo de muitas empresas, aquisição hostil. Então no Buscapé, quando a gente conversou com a Naspers, que foi quem comprou o Buscapé, a gente já valeu um IPO. A gente ia ficar mais frágil do que fortalecido. Então a gente optou pela venda, pelo M&A. Então não é uma decisão fácil, mas em geral eu diria que é melhor fazer o IPO mais tarde, que você não tem nada a perder, do que se antecipar muito e virar uma empresa pequenininha com um grande fardo, uma grande governança. é suscetível a humor de mercado, suscetível a aquisição hostil, então é curioso, o sonho de todo empreendedor é um IPO, agora virou unicórnio, mas em geral sempre foi um IPO, mas o IPO pode ser bom para um monte de gente, geralmente para o founder, é a pessoa que mais sofre no pós IPO. Ele não tem liquidez, ele não pode vender a ação da própria empresa. Se o Bill Gates tá vendendo a ação da Microsoft, você olha aí o que tem de errado com a Microsoft. Melhor eu vender também. Ele deve saber de alguma coisa que eu não sei. Não tem nada a ver, ele só quer comprar uma casa de campo, seja o que for. Então é sempre uma vida mais difícil, você sempre tá aberto a escrutínio público.
Eu ia falar agora, porque todo mundo fica sabendo de tudo também, né?
Sim. ou pelo menos de boa parte das coisas.
A gente sabe que teve vários entrevistados aqui que passaram, que a gente já debateu sobre a IPO, até da Tecnisa, que quase quebrou, que ele contou também. Lembra? É uma decisão difícil, né? Eu acho que seria uma aposta, Romero, essa decisão?
De novo, acho que se você tem um motivo certo pra fazer, ok, está bem desenhado. Se você não tem certeza porque você está fazendo, pensa duas vezes. Geralmente, quando tem um componente de vaidade, e às vezes tem, você tem que conseguir... perceber e evitar. Eu acho que vaidade destrói muita coisa. Num determinado momento do Buscapé eu tinha uma frase na minha sala que falava Revenues for vanity, profits for sanity. Então receita por vaidade, lucro por sanidade. E você vê boa parte das empresas em 2020, 2021 que levantaram rodadas bilionárias no mundo todo, inclusive no Brasil, e uma parte boa delas está sofrendo muito agora, porque elas não têm números bons o suficiente para levantar mais dinheiro nesse momento. E por quê? Porque elas estão muito preocupadas em crescer a qualquer custo e muitas vezes com o que a gente chama de lucro bruto negativo, ou seja, imagina uma companhia que cresce muito rápido e ela vende essa caneca por 10 reais, mas ela compra por 15. Então, quer dizer, ela perde dinheiro a cada... Independente, ainda tem o imposto, ainda tem o marketing, ainda tem a entrega, ainda tem a diretoria, o suporte, o aluguel, a luz, o website, a agência, tudo depois. Ela já perde dinheiro de cara, começando a vender o produto. E tinha muita gente fazendo isso pra falar assim, ah, mas eu tô crescendo 30% ao mês, 40% ao mês. E eu falei, mas você tá crescendo pouco. Porque você está no negócio de distribuir dinheiro, você está distribuindo um dólar por noventa centavos, por setenta centavos. Devia estar crescendo mais rápido até. Quem não quer comprar um dólar por noventa centavos? Mas isso não é uma empresa. Uma empresa para gerar valor, ela tem que pegar um dólar e vender por um dólar e cinco, um dólar e dez, dois dólares.
Sim.
E como... Mais uma só, de bolsa.
Eu sei, eu tô vendo.
Desculpa. É só pra complementar, porque tem empresa que daí abre em bolsa fora. Como que é isso? É a mesma coisa aqui no Brasil? Qualquer um pode?
Não, não é qualquer um que pode. Em geral, a gente tem, quando a empresa é muito sexy, principalmente vamos falar do meu espaço que eu entendo melhor que a tecnologia. Quando a empresa é muito sexy, ela consegue acessar o mercado americano. Então ela é sexy o suficiente para convencer os analistas americanos que entendem mais de tecnologia, porque tem muito mais analista e tem muito mais empresa de tecnologia. Abre na Nasdaq ou na Bolsa de Nova York, na Nise. Quando ela não consegue, às vezes, acessar o mercado americano, ela acaba fazendo na B3. Ah, então toda empresa que está na B3 é segunda linha e lá fora é primeira linha? Não, não necessariamente. Mas em tecnologia, quando a empresa é grande o suficiente para fazer o IPO, Nos Estados Unidos ela faz. Isso acontece por algumas anomalias. A gente tem menos empresas de tecnologia, menos analistas, menos dinheiro, menos capital, menos liquidez. Então é natural que você busque um mercado que tenha mais liquidez, que seja maior. Então ela vai buscar a B3 ou às vezes ela vai buscar um M&A, ou seja, um grande estratégico comprando a empresa. No caso do Buscapé, a gente era pequeno para fazer um IPO. A Naspers veio e adquiriu o Buscapé. Então eu diria que tem mais ou menos essas três saídas, ou ela faz quatro, eu diria. Um IPO lá fora, um M&A com estratégico, geralmente um estratégico de fora que vai pagar um prêmio para entrar no Brasil, um IPO no Brasil e às vezes um M&A menor no Brasil, que é quando a companhia às vezes não está muito bem, mas ela ainda é muito interessante para uma outra companhia brasileira que vê aquela aquisição como um complemento de portfólio, que é muito natural.
Já teve alguma vez que você apostou em alguma startup que você falou, putz, isso vai virar e não deu certo?
Teve. Essa história é boa. Eu uma vez, ainda quando eu fazia investimento anjo, então antes de eu me tornar um investidor profissional, eu fiz 40, 50 investimentos anjos. E aí eu conheci uma founder. incrível, incrível, jamaicana, mas um raio assim, e ela tava como startup muito legal, achei incrível a ideia, e um monte de investidor bacana querendo entrar, Conta qual.
Era a ideia, curioso.
Conta tudo. E aí o que aconteceu? Eu falei, putz, esse é o cavalo de ouro. Geralmente eu colocava um cheque de X, eu coloquei 10X.
Olha, gostou mesmo.
Essa aqui é pra resolver minha vida. E o que ela fez?
Resolver minha vida?
O que ela fez? Ela falou assim, bom... Eu vou ser uma nova versão de uma cosmopólita, de uma Riclaire nova, ou o que seja. Então assim, eu quero pegar a atenção das mulheres. E ela focou num público, que no mundo inteiro foi um público, diria que colegial. Então uma menina que está no colegial e na faculdade, então sei lá, dos 15 aos 22. E ela falou, bom, do que que a mulher fala? Bom, a mulher fala de moda, a mulher fala de beleza, a mulher fala de homem. E ela começou pelo homem. Então ela pegou, isso eu tô falando tem uns bons anos já, tá? Então ela pegou, na época tinha as APIs do Facebook, ela pegou e construiu em cima esse aplicativo que chamava Lulu. E o que o Lulu fazia era trazer todos os perfis. Eu já ouvi falar também. Com certeza. Era global. Todos os perfis de todos os homens mundo afora. Só que só a mulher conseguia entrar no aplicativo. E aí as mulheres faziam review dos meninos. Ah, eu namorei ele, ele era educado, não sei o que e tal.
É fofoca interna, né?
Não, pô, ele era um grosso, não sei o que e tal. E dava uma avaliação, que nem avalia produto. Então tinha tudo, se o cara era simpático, se o cara era educado, se o cara era bom de cama e tal. Eu falei, cara, isso é sensacional. E crescia, sim, mas crescia um negócio muito, muito, muito bom cresce sete por cento semana de métrica de uso. Só um negócio tipo Airbnb, WhatsApp. Esse negócio crescia sete por cento ao dia ou mais. Era bizarro.
Mas eu lembro que aconteceu.
Então, o que aconteceu? No mundo todo, no mundo todo, no mundo todo. Esse aplicativo, Alexa é o nome da founder. No mundo todo esse aplicativo funcionou super bem. Ficou lá no público, todo mundo dava risada, os meninos achavam engraçado. Na verdade, era um inbound, né? Porque estão falando de mim, as mulheres são curiosas. Ah, você falou que o cara é mal educado. Será? Não sei, ela deve ter falado isso porque ele é bom. Vou atrás, entendeu? no Brasil, no Brasil, de todos os países do mundo, atingiu uma população diferente. Pegou mulheres um pouco mais velhas, já a faculdade, mas já saindo da faculdade. E, consequentemente, também homens um pouco mais velhos. E a gente fala que o homem brasileiro não é machista, mas o homem brasileiro não aceitou.
Mas o homem brasileiro é machista.
Super!
Como que você não sabe disso, Romero?
Não, mas eu não tinha ideia que era tanto. É o mais machista do mundo.
Obrigada, gente. Vivem nesse mundo.
Ele falou sobre o legal. Ele pensou, se eu for avaliado… Eu até adorava!
Eu adorava!
Até você saber que as pessoas estão.
Lá… Eu ganhei um monte de review ruim. Ganhei um monte de review bom. Dava risada. Aí que aconteceu.
O brasileiro é muito machista.
Muito. Bizarro. Aí os caras não conseguiram suportar ser avaliados, e eles perceberam que se eles fossem no Facebook trocar seu sexo de masculino pra feminino sumia do app, porque esse era o filtro pro app mostrar as pessoas, os homens, e aí começou em pouquíssimos dias todos os brasileiros a trocarem o sexo no Facebook. E aí você imagina uma companhia como o Facebook que vive dos teus dados e consegue saber que você vai namorar com fulana, que você tá grávida, antes de você tá grávida, errar o sexo da pessoa numa campanha, num targeting de campanha. E aí foram questões de horas do Facebook descobrir pra desligar no mundo inteiro o aplicativo. Isso é quem morreu pra ser. E aí foram ótimos apresentados.
Ela deve ter adorado, né? Nossa, esse brasileiro. Ótimo.
Não, o Brasil era o melhor país em tração e foi o país que matou no final.
Tô em choque.
O Facebook resolveu matar por causa do Brasil. Então, assim, foi bom pra eu aprender disciplina. Então, assim, se eu tivesse feito o cheque só de uma vez, que nem eu fazia, eu quis fazer o de dez. E também outros riscos. A gente chama de risco de plataforma, né? Quando um negócio depende de uma outra empresa completamente, e alguém nessa empresa pode apertar um botão e destruir o negócio. É o que a gente evita investir.
Foi um aprendizado caro. Gente, e eu lembro. Eu lembro da época que a gente fazia isso, Romério.
Olha, isso foi... Posso sair dando busca a pés. Era 2012, 13, 14?
Você sabe o que eu lembro? Eu lembro que saíram várias notícias.
Foi antes de eu ir pra Redpoint.
Falando que os homens não gostavam. Foi ou 13 ou 14. saiu alguma coisa que os homens não gostavam de ser avaliados. Eu lembro de uma notícia, lembra disso? Eu lembro também, Lulu. Eu lembro.
Vocês devem ter avaliado alguns gatinhos.
Eu avaliei. Olha, tá vendo?
Eu tive, eu lembro disso.
Tá vendo? Tá vendo?
Quando você começou a contar, eu falei, gente, porque foi polêmico, porque às vezes meus amigos vinham... me procurei para eu saber.
Exato, exato. E eu lembro, eu lembro que saiu, olha só gente, o Facebook brasileiro, mas o brasileiro é muito machista.
Mas é, eu acho que teve um problema também assim, de cara que estava em relacionamento ganhar avaliação, aí a namorada, a noiva mulher.
É gente, imagina a namorada escorpiana lá.
Isabel, você para com isso.
Quando que você conheceu essa fulana, Isabel? Tá aqui.
Você vai tirar o seu aplicativo, você vai apagar o seu telefone agora.
Esquece, já te passou, não lembrei.
Mas amor, você casou comigo, virgem? Por que tem tanta avaliação sua?
20 avaliações, quem são essas pessoas? Ou uma ex-namorada, para todas as amigas votarem, né? Vota aí. Exatamente, vota aí pro cara, fala mal dele. Demais, gente, demais. Adorei essa aí, a gente lembra.
Essa foi boa e triste, né, Matos? Faz parte da aprendizada.
Pelo menos tem humor, pra tentar compensar as dores.
Aí vocês perdem o dinheiro. Tipo, ela não tem que pagar vocês de volta nada.
Por isso que é capital de risco, você entra no risco. Mesmo o fundo da Redpoint, a gente entra pra se tornar sócio. Não deu certo, fecha a empresa e paciência. E as que dão certo pagam os erros.
E geralmente vocês entram com, sempre é padronizado a porcentagem ou vocês avaliam a empresa?
É muito curioso porque a gente não chega a fazer uma avaliação de quanto a empresa vale. A gente faz o contrário. A gente fala, bom, para essa empresa dar o retorno que a gente precisa para o fundo, ela precisa estar no mercado muito grande, ter fundadores muito bons e resolver um problema importante desse mercado. Então se ela fizer, ela vai dar um resultado de bilhão, dois bilhões, três bilhões, não precisa saber quanto, só precisa saber que ela passa nesse filtro. E é um filtro difícil, então, por exemplo, no Headline a gente começou a avaliar empresas em começo de julho, a gente tem julho, agosto, setembro, outubro. Então, em quatro meses a gente já teve 1.250 empresas avaliadas. Dessas, a gente está fazendo dois cheques. Então, 600 para 1. Medicina na USP é 100 para 1. Então, é seis vezes mais difícil encaixar no filtro. E aí, uma vez que encaixa, a gente sempre busca ter uma participação minoritária relevante. Então qual que é o alvo? 20%. A empresa é incrível, você não quer ter 50%, não. Eu já fui empreendedor, founder. Não adianta eu ter 50%, diluir os fundadores e aí daqui 3 anos, 4 anos, eles falam, pô, eu só tenho 3% da companhia, quer saber? Eu vou embora e vou montar outro. Então o valor decai com o tempo em vez de subir. Então é muito importante, a gente chama de proteger o cap table, ou seja, proteger a tabela de sócios. e aquela composição. Então o empreendedor tem, depois que a gente investe, tem a gente que entrou, antes teve um fundo de capital semente, tiveram anjos, os empreendedores ainda tem que ter mais de 50%, de preferência 60%, 65% ou mais da companhia depois do nosso investimento. A gente investe para ter em torno de 20%. E aí o cheque que a gente faz depende do estágio da companhia. Porque apesar de eu ter falado que é um estágio, não é tão discreto, é uma faixa. Porque às vezes a companhia já tem lá o fit de produto de mercado, ainda tem 100 mil reais de receita, às vezes ela tem, mas já tem 2, 3 milhões de reais de receita. Então os cheques vão de 5 milhões de reais até 50 milhões de reais, como o primeiro cheque que a gente faz na companhia, depois a gente pode investir mais. E a cada fundo, que a gente monta em 3, 4 anos, um portfólio de 20, 25 empresas. Então o fundo tem 1 bilhão, E esse 1 bi é investido nesses cheques de 5 a 50 em até 25 empresas.
E um adendo pra essa pergunta, quando vocês fazem essa triagem nas empresas, vem empresas do mundo todo né, possivelmente, qual é o lugar que mais vem gente assim?
A gente tem Brasil, porque obviamente a gente está posicionado no Brasil, e a gente decidiu que a gente vai só investir em empresas brasileiras.
Ah, que legal.
E por quê?
Você sabia que o Power Cash é uma empresa, né?
A gente está fazendo essas perguntas para o Power Channel.
Depois eu vou fazer as perguntas. Eu quero saber como é que está o crescimento.
Tá indo muito bem, está batendo todos os recs, inclusive, gente. A gente bateu ontem o recorde do mês em 10 dias. A gente quer agradecer muito por vocês.
Por você, se inscreve no nosso canal, ativa o sininho.
Muito obrigada. Compartilham com todo mundo.
Tá com quantos assinantes no canal?
A gente vai bater um milhão agora, esse ano. Só no YouTube, tá? Tirando o resto, onde a gente tá.
Quais são as métricas que vocês mais olham?
É que assim, eu olho todas. Exatamente, a gente olha todas. Mas obviamente...
Mas você acorda de manhã as 5 primeiras.
No YouTube sempre.
É porque assim... Views e inscritos.
E views dos últimos vídeos também.
Legal.
E eu acho... E também os vídeos do Instagram também. Porque tem muitos que viralizam muito rápido. Vocês veem? Daí tipo, meu, a gente escolhe as frases. Até porque eu que ajudou com a Gigi, né? Eu vou lá e aprovo. Eu fico assim... Ai, será que eu acertei nesse daqui? Então quando vai pra... Meu, teve uma que a gente nem imaginava que fosse virar tão rápido. Virou pra 400 mil muito rápido. orgânico, que a gente ficou super emocionada. Até a entrevistada falou, eu tô famosa. Foi muito legal.
E vocês conseguem identificar o que que fez esse vídeo finalizar? Qual foi a alavanca?
Geralmente, curiosidades, né? Que as pessoas se despertam. No caso dela, imagina, ela tava falando de óculos. E ela falou exatamente como que ela fazia, ela virou pra uma pessoa e falou assim... Eu vendo histórias. Eu comprava, eu gosto de óculos porque... Eu gosto de escutar histórias do porquê desse óculos. E ela contou uma história muito legal e as pessoas se apaixonaram. E veio muita gente também... Porque foi.
Uma certa dica, né?
É.
Como vender um produto.
Não é só vender um produto.
Ah, isso aqui é um celular. Não. Você sabia que esse celular, ele nasceu...
Geralmente vem de dica. É, boas dicas. E é legal.
Só esse tipo de perguntas que eu faço para os founders.
A gente saiu bem?
Estava entrevistando vocês aqui.
Obrigada, tá vendo gente, pegadinhas.
Passaram, passaram. Mas a gente investe Brasil, não é óbvio, pô, bacana e o Brasil precisa de investimento. Mas é também porque no começo da vida da startup, nesse ecossistema, que eu falei que tem muito lado smart money, isso é uma faca de dois lados. Por quê? Porque imagina o seguinte, Vem uma startup mexicana e ela vai fazer uma fintech no México. Ela não vai sair do México, ela quer ficar no México. Tá, e ela tá me procurando para investir. Mas eu não sei o nome do presidente do Banco Central Mexicano. Eu não sei qual é o juros no México hoje. Eu não sei qual é a curva de juros. Eu não sei se ele tem pix ou vai fazer pix, se ele gosta de cripto, se ele não gosta de cripto. Mas eu sei que tem um monte de gente inteligente no México que sabe responder essas perguntas. Por que esse empreendedor tá procurando o meu cheque? Muito provavelmente porque ele já ganhou não de todo mundo que sabia responder essas perguntas. Então eu tô pegando xepa. Então imagina que vocês são empreendedores, estão no Vale do Silício, 500, 600, 700 fundos, dinheiro que não acaba mais. Por que vocês estão pedindo dinheiro para um cara que está em São Paulo? Onde fica São Paulo? O americano nem sabe onde fica São Paulo. Quantos nãos você já tomou? Até você falar, quer saber, eu vou lá pra Emerging Markets procurar na Índia, em São Paulo, em Buenos Aires, se alguém vai me dar dinheiro. Porque o que esse cara de São Paulo vai me ajudar aqui no Vale do Silício? Pode até ajudar alguma coisa, mas um cara do Vale do Silício poderia ajudar mais. Então essa pessoa já tomou não do monte de gente. E é isso que muita gente quando faz investimento anjo não percebe. Fala, nossa, chegou uma startup e tal, não sei o que. Primeiro, é um jogo de números, é um numbers game. E a gente olhou 1250 em 4 meses pra escolher duas. Então, você devia estar olhando isso, mas não dá, você tem que montar uma estrutura pra isso. E segundo, é sempre se perguntar, por que eu? Então, tem um ditado americano que diz, nunca se torne sócio de um clube que te queira como membro.
Porque... Tem que implorar pra estar lá, né?
Exato. E mesma coisa, a gente brinca no pôquer. Se você não sabe quem é o pato na mesa do pôquer, muito provavelmente é você. Então assim, se você é um bam, bam, bam da medicina, faz todo sentido ter uma startup de saúde falando com você. Presidente do maior hospital da América Latina. Legal. Agora, se você é o presidente do maior hospital da América Latina e apareceu uma startup de logística, possivelmente as pessoas de logística já falaram não pra ela. Então, pensa sempre nisso. Por que que eu tô tendo acesso a esse deal?
A essa oportunidade? Uau, que dica, hein? Boa dica.
Não vai ganhar nada do óculos, mas a gente tem.
Vamos tentar fazer esses 400 mil vídeos. Vamos, Romero tá… Dica um milhão, Romero, tem que fazer um milhão.
Quem tiver aí ajuda a gente, eu tenho que bater esse recorde.
Pra viralizar, gente.
Vamos lá, a gente faz um impulsionamento também. Vamos ver orgânico, pra ver se o Romero sai bem.
A gente queria aproveitar, já que você tá nessa vibe, nesse flow, pra te presentear com esse vinho de nosso parceiro, 067 Vinhos. É um vinho autoral deles, brasileiro. Eles são lá de Campo Grande, então é uma homenagem à Comitiva Pantaneira.
Vocês estão bem, vocês fizeram uma pesquisa, porque eu adoro vitamina e eu amo vinho.
Que delícia.
Que delícia.
Muito obrigado. O 0187 é nosso parceiro desde o início do Power, desde que a gente entrou aqui nessa casa, né, Bebel? A gente é, assim, apaixonada pela marca. E também tá aqui, gente, o QR Code, entrega em todo o Brasil. Eles têm vários rótulos incríveis brasileiros e internacionais também. Principalmente de vinícolas pequenininhas, né, Bebel? Que a Gabi vai lá pessoalmente conhecer.
Só tem coisa que realmente é bom, gente.
Exato.
Mato Grosso do Sul. Mato Grosso do Sul, chama 067 Vinhos. Eles são fantásticos.
E a gente pegou pra você um rótulo um pouco mais forte, acho que já numerou, mas... Boa, gostei. Espero que você goste. Conta pra gente depois.
Conto. Obrigado.
Imagina.
Eu adoro, assim, eles tem só vinhos maravilhosos. Eu sou suspeita, né Beubeu? Nossa, porque...
Eu nem abri a nossa pauta.
Tá vendo? Papo bom sempre ficou.
Eu só tô curiosa. Eu tava, tipo, pensando aqui. Eu tenho várias empresas.
Então eu vou já… Vamos tirar todas as dúvidas.
Vamos tirar todas as dúvidas.
Exato. Só antes da gente entrar nas nossas powers, eu quero fazer uma pergunta, Romero. Então, vocês já entram, já quando tá com alguns degraus aí?
Sim.
Então a empresa já vem bem mais estruturada, né?
Sim.
Então eu queria que você passasse uma dica pra quem tá abrindo hoje uma startup. Eu tenho um sonho de fazer uma startup, né? Porque tá meio moda também, né? Muita gente… Muita gente também que quer iniciar a fazer alguma coisa. O que não pode faltar para ter uma boa startup?
Boa pergunta. Olha, em geral, acho que o primeiro ingrediente é pessoas. Então eu vejo às vezes as pessoas muito preocupadas em pô, mas eu vou ter às vezes um percentual menor da startup. Mas é sobre o time que você vai trazer para complementar seus pontos cegos, para trazer outras visões e outras perspectivas. para conseguir encontrar um problema importante para resolver no mundo. Então acho que o primeiro é se cerca de gente boa, se cerca de gente complementar a você, não só nos skills, nas habilidades, mas também muitas vezes em visão de mundo. Valores parecidos, porque vocês precisam se dar bem, não adianta ter. Outra coisa muito importante que eu olho, é legal as características profissionais ou técnicas, mas os soft skills são mais importantes, então como que a liderança desse time, qual a habilidade desse time de vender o sonho deles. pode ser a pessoa mais introvertida do mundo, pode pegar o cara mais nerd, eu convivo com muito nerd a minha vida toda, eu sou nerd por natureza, mas quando ele tá falando do sonho, da paixão, o olho brilha, ele sabe falar como ninguém, né? Outra coisa importante é saber escutar, aquele founder sabichão, não, não, não, isso eu sei, não, não, eu tentei, não dá, não, não. A estatística mostra, esse cara não vai longe. Os melhores empreendedores do mundo, eles estão com o caderninho na mão e eles fazem pergunta. Estão anotando, fazem pergunta, estão anotando. Se você não perguntar, ele vai te sugar tudo que ele precisa de você e vai embora. Então seja curioso. E cria um time harmonioso que evite conflitos. Então, por exemplo, quando eu vejo, às vezes, uma startup para investir e eu vejo conflitos, posições não tão bem definidas, você investe em Startups que tem co-CEO invisto, mas eu passo bastante tempo conversando com os dois para entender o que vai acontecer quando um estiver respondendo para o outro. Porque estatisticamente tem zero empresas grandes que tem co-CEOs. Zero. Tem nenhuma empresa grande que tem co-CEO. No final do dia tem um CEO, um CEO ou um CFO, tem espaço para todo mundo. Mas como é que vai ser esse comportamento? Se eu ativo a pessoa, não posso me dar o luxo de perder. um founder. Então eu acho que isso é o primeiro capítulo. O segundo capítulo, eu brinco para quem está começando a pegar um caderninho e sair mundo afora, anotando tudo que tem dor e problema. E não falta dor e problema nesse mundo. Quanto maior a dor e o problema que se resolver, quanto maior ela for e quanto maior é o mercado que aquela dor está, mais vai valer a startup. É tão simples quanto isso. Então, um mercado muito grande, se você resolve uma dor relevante daquele mercado, você vai capturar a maior parte do valor da cadeia e dos competidores. Então, isso vale para qualquer startup que a gente for olhar. Então, eu acho que... Bom, exemplo, o nosso sócio, que é a Redpoint, investiu na Netflix, lá no comecinho, na série A da Netflix, em 98. Imagina fazer com 3, 4 milhões de dólares um cheque pra ter 20% de uma Netflix que vale 100 bilhões hoje.
Nossa, a Netflix é de 98?
É.
Ela demorou bastante. Até tem um artista, né, super conhecido nos Estados Unidos, que eu esqueci o nome, que eu sou péssima em nomes, que também investiu e no começo ela até não dava receita, né?
Não, ela demorou. A Blockbuster teve muita chance de comprar e ela não quis, por prepotência. Mas o que é legal na história da Netflix? A Netflix são três empresas, completamente diferentes. A primeira empresa, o Reed Hastings, o founder, ele queria resolver um problema. Ele não aguentava mais pagar late fee para a Blockbuster. Fee de atraso. Eu 30 por cento da receita e mais do que 100 por cento do lucro porque não tinha 30 por cento de margem da Blockbuster eram as pessoas pagando atraso. Vou acabar com isso. Eu vou pegar. Estava indo do VHS para o DVD. Vou pôr o DVD em envelopes. Você paga uma quantia 30 dólares por mês tem direito a um filme. Quantas vezes quiser se for rápido você troca a cada dois dias 15 dias. Se você quiser ficar com o vento levou o Velozes e Furiosos 1550. pelo mês todo, você fica pelo mês todo, não vai pagar nada, você perdeu a chance de ver mais vídeos e quebrou a Blockbuster ele falou, bom, mas eu não quero mais esse negócio, eu quero quebrar o meu próprio negócio meu negócio vai ser quebrado pelo streaming, ele desenvolveu o streaming basicamente foi a indústria pornô e a Netflix que desenvolveu o streaming no mundo Aí ele desenvolveu o streaming, matou a Blockbuster. Todas as habilidades que ele tinha, ele jogou fora. Porque qual era a habilidade do business inicial? Logística. Imagina que é um e-commerce, que você vai repetir dez vezes por mês para o mesmo consumidor e tem 100% de logística reversa. Você vai buscar de novo todos os DVDs para mandar outro. Muita habilidade logística. E ele tinha que fazer o quê? Fazer você se convencer que é mais legal assistir Casablanca e o Vento Levou do que assistir o filme novo do Tom Cruise porque o filme do Tom Cruise é 70 dólares a mídia e o Casablanca é 3. Ele não pode comprar muita mídia do filme novo todo mundo assiste ninguém mais vê que ele quebra. Então ele tinha aqueles algoritmos de recomendação que tinha baseado no seu perfil assista também aquilo. Na hora que ele vai para o streaming ele joga fora a logística. Agora é tudo digital e você não vai mais fazer recomendação porque você quer que todo mundo assista House of Cards no mesmo tempo, porque você já pré-cacheia nos servidores e sai muito mais barato. E aí depois disso ele fez o terceiro business que falou, eu entendo tão bem do consumidor que eu que vou produzir. Eu não vou mais distribuir coisas de terceiros, vou fazer as minhas produções. Então três competências cores completamente diferentes na mesma empresa e ele trocou o time para isso, não teve jeito, mas é um caso único.
E a história deles é incrível. Mas desde que eu tava nos Estados Unidos, eles... É que teve, né, um... do Netflix, né? A galera ficou muito encantada. E eu sou super Netflix também. E eu acho fantástico eles terem entrado pra esse mundo de fazer filmes também, séries. Porque teve... A demanda, né? Foram espertíssimos pra trazer. Porque traz coisas até da gente com mais qualidade, assim, né?
A cultura de maratonar veio deles, né? De assistir séries com múltiplas temporadas.
Tipo, eles já tinham a inteligência do que a pessoa gosta de assistir.
Sabe o que dá certo, o que não dá.
Vamos fazer isso, vamos fazer isso.
Gente, eles fizeram aquele filme, que até tem dois amigos meus nessa produção, que é o Coisa Mais Linda. Gente, é nível, assim, absurdo, né? Nível hard, assim. Isso é mais incrível. De você trazer, tipo, Wagner Moura também tá agora num filme gringo, por causa da produção deles. Eu acho incrível, porque eles, meu, colocaram um match aí de fazer uma... colocar todo mundo né, pra quem é bom, quem eles tão descobrindo, meu joga pra ir pra tal lugar, é muito legal isso.
E tudo isso por quê? Porque um cara tava de saco cheio de pagar a multa de atraso pra Blockbuster. Então assim, problema não falta, quem quiser empreender. E aí é isso, encontrar um problema importante no mercado grande e um time bom.
Deixa eu fazer uma pergunta então, exatamente sobre a dor. Você acha que pelo fato dos Estados Unidos ser muito tecnológico e ter dores muito diferentes das nossas também, você acha que a gente não consegue às vezes fazer um case tão forte a nível mundial? O brasileiro não consegue, que nem ele fez o Netflix, acha que se a gente saísse daqui a gente conseguiria voar tão rápido como ele fez?
Eu acho que a gente vai ver isso mudar. Eu não acho que a gente vai ver necessariamente surgindo do Vale do Silício sempre ou dos Estados Unidos as maiores empresas. Mas óbvio que lá você tem uma condição mais próspera do ponto de vista de capital. Qual que é a contrapartida que eu acho legal. O Brasil tem muito mais oportunidade Os Estados Unidos tem mais dinheiro, mais capital e tem mais talento. Tem muito mais gente formada, muito mais faculdade, tudo aquilo que a gente conversou. Não quer dizer que os melhores de lá são melhores que os daqui. O empreendedor brasileiro, na minha opinião, é melhor do que o empreendedor americano, tá? Porque ele é mais adaptável. Mas as situações, os cenários, a loucura que é esse país. Mas o que o Brasil tem é muito mais dor. Então imagina que uma startup, pra ser bem sucedida, ela tem que fazer algo dez vezes melhor e ou dez vezes mais barato. é mais difícil fazer algo 10 vezes melhor ou 10 vezes mais barato nos Estados Unidos, porque tem muito mais competição, é muito mais eficiente, no Brasil é mais fácil, você tem muito mato alto nesse aspecto ainda para cortar, eu brinco, vai empreender na Noruega, Por que você vai melhorar na Noruega, na Suécia? Difícil achar alguma coisa. Na Suécia não tem. A Spotify veio da Suécia. A Skype é uma empresa sueca. São empresas até voltadas para o mundo, até porque o mercado é pequeno, mas não tem o que melhorar ali. Então nesse aspecto o Brasil é um berço para startup de alto impacto. Tem muita dor.
Que falta o inglês de mim.
Não, você podia perguntar mais do Vale também, né? De curiosidade.
Na verdade, pergunta você, mas eu vou.
Perguntar uma outra coisa. Ok. Desculpa, Romero, vai ter duas horas de podcast hoje.
A gente vai abrir o vinho.
É, a gente vai abrir o vinho. Tá, tá aí, gente.
Um pastelzinho.
Ah, essa canequinha aqui é droga.
Dá pra colocar, né?
Eu achei que tinha uísque nessa canela.
Não é? A gente já tomou… Uísque não, mas a gente já tomou. A gente teve convidado que veio fazer lançamento de gin aqui e tudo mais. A gente já bebeu. Você tá me dizendo que você me.
Serviu água e tem gente que tomou vinho.
Exato, exato. Numa sexta-feira, não é?
É verdade.
É verdade.
A gente roubou.
A gente pode mandar abrir o vinho.
Falando, Romero, empreendedor, empresário. Dentro dos skills, né? Qual que você acha que seria o seu ponto fraco e o seu ponto forte? Tipo, gestão de pessoa, processo, ali como empresário, empreendedor ali que você tá começando o seu negócio.
Tá. Você diz minhas características quando eu...
É uma curiosidade.
Quando eu tava empreendendo. É... Sem equipe, brincadeira. Olha, eu acho que eu sempre... bom, vamos lá, eu sempre tive muita paixão e sempre fiz as coisas com muita paixão e acho que de certa forma isso envolvia o time e acabava gerando uma liderança muito por exemplo, por culto e aí a minha imagem ficou muito presa a do buscar pé, que tem o lado bom e o lado ruim disso pra ambos, tanto pra buscar pé quanto pra mim em compensação, e eu acho que nisso eu sempre fui, ficou muito claro que eu não tinha agenda pessoal, nunca. Minha agenda era o Buscapé, e eu vou servir ao Buscapé. Então, ah, você aparece muito na mídia lá atrás. Eu apareço? Preciso. Eu não tenho dinheiro pra comprar publicidade na Globo, é um serviço de consumidor, eu preciso chegar em 200 milhões de brasileiros. Ah, mas vai ter a matéria dos solteiros famosos. Eu lembro que teve uma agenda. Não, não tem nada a ver. Como é que isso ajuda o Buscapé? Não ajuda. Tô fora. Então acho que essa paixão servi a agenda do founder não ser própria, ser da empresa. Eu acho que isso foi um ponto positivo. Eu acho que eu sempre tive uma paranoia muito grande do ponto de vista de estratégia, modelo de negócio, como é que eu me defendo, como é que eu garanto que os grandes portais vão criar uma tecnologia parecida com o Buscapé. Então a gente falou, deu de graça a tecnologia do Buscapé. pra eles não criarem nada, depois a gente tirou e cobrou, então teve vários twists na história do Buscapé, que eu acho que foram cruciais, e um pouco da paranoia foi importante. O que que foi muito ruim? No começo, os primeiros, diria que os primeiros sete anos, eu nunca tinha sido nem chefe, nunca tinha sido funcionário, mas você tem a desculpa. Mas eu fui um péssimo gestor, na minha opinião, comparado ao que depois eu aprendi a ser de pessoas e de talento. Então, a minha ansiedade de fazer o Busca Pé dar certo era tão grande que eu perdi boas oportunidades de vir e falar assim, Bebel, olha, não tá legal, mas vem cá, eu vou te ensinar, vamos fazer junto e tal. Ou não tá legal, mas tudo bem, tá bom o suficiente, ela se esforçou. Falava assim, pô cara, desculpa, tá ruim, tal, e Maria das vezes ou refaz, ou ela quer saber desencana, eu resolvo aqui, eu faço, então além de tudo eu ponho uma carga enorme em mim, eu tenho que tá fazendo, e você ficava super decepcionada, você falava caramba, o cara tirou da minha mão e fez ele, né, Por quê? Porque eu tinha essa obsessão do Buscapé. Cara, você tá atrapalhando. Você não tá ajudando, sai da frente.
Centralizador, né?
É, um pouco centralizador. E aí, depois, à medida que a empresa foi crescendo, eu fui aprendendo. Eu lembro que quando saiu um dos primeiros filmes do Steve Jobs, biografia e tal, os dois colaboradores das antigas do Buscapé me mandaram mensagem de texto, né, que já faz um tempo, falando, pô, assisti lá o filme do Jobs. Lembrei de você, mas não querendo dizer o lado bom do Jobs, necessariamente. Querendo dar uma cutucada do tipo, pô, seu filho da puta. Desculpa o francês.
Você entendeu o recado.
Mas é, mas é, mas tudo é aprendizado. Aí eu aprendi. Então acho que isso foi um. Dois. Eu descuidei. da cultura da companhia. Então assim, a cultura era muito forte, mas muito forte. Era bizarramente forte. Tipo... Não acho que para quem assistiu We Crash daqueles fins de semana em sítios e todo mundo com devoção ao WeWork, Buscapé era assim, era fantástico, fantástico, fantástico. E para o bem, do bem e tal, não tinha... E era muito baseado em exemplo. Tinha uma pegada muito legal. A gente sempre teve como nossa essência dar poder ao consumidor. Então a gente entendia que essa história do varejo, de falar que você não vai ter acesso ao preço, da indústria falar que o produto é esse, sem ir no supermercado e não ter produto na partilheira porque ele fechou com o fabricante, só vai ter aquele. tudo isso alimentava a gente, e quanto mais a gente apanhava da indústria ou do varejo, mais todo mundo estava certo de que a gente estava no caminho certo, porque se eles estão batendo, é porque a gente está incomodando, então vamos seguir. Só que aconteceu, a gente cresceu e com uma mentalidade de frugalidade, porque eu vendo para o varejo, que já é frugal, eu faço comparação de preço, então não vou fazer uma sede suntuosa, a gente começou a crescer no mesmo prédio, em vários andares, escritóriozinhos, e não criou nenhum processo de transmiticultura. Era por exemplo, todo mundo estava na mesma sala, parou de ter o exemplo, em pouco tempo degradou, em pouco tempo degradou e criou vários silos. Então, assim, o pessoal do quarto... Eu fiquei também, além de tudo, fora do dia a dia da empresa, que eu estava fazendo aquisições. Foi quando a gente foi lá, fez aquisição, fusão com o Bonifário, EBIT e tal. E aí, quando eu volto para a empresa, o pessoal do quarto odeia o pessoal do quinto, o pessoal do sexto, no almoço o pessoal do nono, o pessoal do décimo segundo, que era o andar onde ficavam os sócios, se achavam o marro, o resto é tudo ralé. E foi um processo longo e caríssimo para reconstruir aquela cultura que a gente tinha. E a gente foi para um escritório enorme, lindo, na Paulista, cobertura, tinha até quadro de basquete, mas foi uma grana preta para reconstruir um pouco do que a gente entendia como cultura. Foi um trabalho que resolveu, graças a Deus, saiu mais forte. Mas foi duro. E não por acaso, depois eu li Sapiens.
Eu também li.
É apaixonante a história da nossa espécie. E no Sapiens, ele não consegue afirmar se nós dizimamos os outros homos, né? Homo erectus, homo black, né? Mas, nitidamente, tem um componente que só a gente desenvolveu, que é a habilidade de contar história. e todos os grupos de homos eram de no máximo 150, por ali, pessoas, indivíduos e quando crescia mais se dissipava em vários grupos e não por acaso, e não só o Buscapé, mas a maioria das empresas começa a enfrentar esse tipo de problema com cultura quando chega a 150, 200 pessoas então se não tem uma história muito compelling pra você unir as pessoas, então uma visão, uma missão, um propósito, você começa a ter os grupos se dissipando. E aí eu conectei na hora e falei, nossa, foi exatamente o que aconteceu no Buscápolis, foi exatamente quando a gente saiu de 150 pra 300 pessoas em coisa de 3, 4 meses e a cultura teve uma ruptura.
Então... É super importante, né?
É o mais importante.
É tudo história.
É tudo história.
É. Inclusive eu, lendo no livro, falou que a gente começou a se comunicar porque as pessoas queriam fofocar. Queriam contar as histórias e não conseguia.
Precisava contar o que a Maria fez ontem. Precisava avaliar o ex-namorado no Lulu.
Quero fazer uma pergunta. Quando você disse que saíram de 150 para 300 em pouco tempo, como vocês fizeram? mega bom RH, mas como vocês deram pra fazer toda... Recrutamento. Exatamente, todo mundo tão rápido e sabendo quem vocês precisavam, vocês pegaram uma empresa à parte ou vocês mesmos fizeram em todo mundo?
Uma parte dessa explosão foi também as aquisições, né, que a gente já trouxe grupos e por mais que às vezes a cultura de uma companhia apareça com a outra, Às vezes é um detalhe pequeno que faz incompatibilidade. Então, por exemplo, quando a gente fez a fusão, uma quisição com o Bom de Faro, a gente falou, nossa, as culturas são idênticas, vai ser muito fácil. Mas não era. A gente olhava, por um lado, para o Google como um grande adversário. Eles olhavam para a gente como um grande adversário. E só isso já mudava completamente. Então, para muitos foi muito difícil entender. que aquilo era necessariamente positivo. Às vezes as pessoas não buscam a Péfalo, mas pô, eu lembro, a gente tinha um colaborador, um dos primeiros, foi o colaborador número 3. Ele olhou pra mim, ele é oriental, assim, sério, fez pole com a gente. Mas se a gente tá adquirindo eles, então a gente perdeu. A gente tinha que ter matado eles, uma coisa meio samurai. Então é difícil. Não é simples. Cultura é o maior calcanhar de qualquer empresa.
Não deve ser fácil trabalhar com vários nerds. Deve ser fantástico. Imagina você entrar numa mesa cheia de engenheiros falando sobre tecnologia. Deve ser bizarro. Um sendo mais inteligente que o outro. Olha esse número aqui.
O problema é que os engenheiros não costumam falar muito. Então é um ambiente mais quieto que você imagina.
Você entra numa mesa gigante e fica todo mundo quieto.
Todo mundo quieto.
E eu lembro de inúmeras histórias, até uma história de cultura, a gente quando conseguiu assinar o primeiro contrato de patrocínio para uma categoria, era um fabricante de TV, na categoria de TV, faz todo sentido, eu estou lá escolhendo TV, o fabricante é a última chance dele vender, a proposta de valor dele. E aí uma menina do comercial, vendia, né, publicidade e tal, era muito bonita, entrou, assim, foi falar com o time de engenharia, era todo mundo no mesmo espaço, e foi falar com o rapaz da engenharia, e falou, Felipe, pelo amor de Deus, tem que apagar essa avaliação, não sei o que, o cliente ligou, falou que vai cancelar, tem uma avaliação falando mal, não sei o que e tal, e eu lembro que eu tava no telefone, eu parei, né, falei, calma, o que tá acontecendo? Não, Romero, o cliente vai cancelar o contrato, o primeiro contrato que a gente finalmente fechou, tal, porque tem palavrão... Não, tem palavrão não, porque tá falando que o review é ruim. Aí eu falei, mas calma, tem algum palavrão? Tá falando mal, assim, xingando? Não. Aí o Gera falou assim, não, não, tá só falando que o produto tá ruim. Eu falei, bom, então tem o que fazer, né? A TV pelo menos é boa. E o Gera falou assim, não, essa TV é uma porcaria. Mas se eu não tivesse interrompido, ele teria apagado. Aí eu virei pra ela e falei assim, quantas vezes você vai direto na engenharia e pede as coisas? Ai, eles respondem na hora pra tudo que eu peço. Então, enfim.
Mas tira os comentários, vocês tiravam os comentários ou vocês tinham que deixar?
Nunca, nunca. E quase todas as lojas online tiravam na época, era engraçadíssimo. Porque o cara tem o estoque da TV. Alguém dava um review ruim, ele apagava, senão ele não vendia. A gente falava, cara, que bizarro, graças a Deus eles estão fazendo isso. A gente não, a gente não perdeu o patrocinador. Teve que ir lá, ter uma boa conversa e tal, mas não perdeu. Era o começo, hoje isso é óbvio, mas lá atrás não era tão óbvio, as pessoas ajustavam. A gente não, porque acho que sempre teve muito claro o seguinte, toda vez que chegava um diretor financeiro novo no Buscapé, ele falava, olha, muito legal tudo, mas vocês estão fazendo uma coisa errada, porque os clientes do Buscapé não são os consumidores, os clientes são as lojas, são os fabricantes, porque a gente emite nota contra eles, é eles que estão pagando. Aí, moleque esperto de economia falava, treinia, falava assim, não, não, não, não, nós somos um mercado de dois lados, porque um lado subsidia o outro e tal, então, pô, que nem na TV, o espectador tá subsidiando e o anunciante que tá pagando pelo conteúdo, pra produção do conteúdo, a gente é a mesma coisa e tal. Ele fala, gente, muito legal essa discussão, mas isso aqui a gente não vai discutir, a gente só tem um cliente aqui, o consumidor. Quando a gente tiver o coração do consumidor, vai vir todo mundo atrás. Quando a gente não tiver mais, vai esvaziar. Ninguém está aqui porque gosta da gente. Só quem está aqui porque gosta da gente é o consumidor. E talvez um dos grandes erros do Buscapé depois da minha saída em 2014 foram ter focado nos varejistas em vez de continuar olhando para os consumidores.
É que era quem consome mesmo, né?
O Varejista vai onde tiver a venda.
Exato, a audiência. Infelizmente, vamos para as powers. Nossa, Romero, que triste isso.
As powers são perguntas polêmicas, assim.
Nossa, mas...
Pois é, bem polêmicas.
Rapidinhas.
Rapidinhas.
Eu queria saber como é, como que faz para as pessoas, sei lá, estão estudando nos Estados Unidos, vai para o Vale para trabalhar, como que é o universo lá?
Olha, eu vou bastante pro Vale, mas eu nunca morei lá, o máximo que eu fiquei foi durante o Stanford, foram oito, nove semanas. Mas o pessoal brinca que tem um quê de... eles chamam de Asperger Country, né? Tipo, tem um quê de um leve autismo em todo mundo, porque tem muita gente inteligente. junta, às vezes é muito inteligente do ponto de vista de QI, mas não de EQ, de Emotional Intelligence, então às vezes é socially awkward, um pouco estranho socialmente, mas tem uma atmosfera muito gostosa, tem uma visão, é quase que uma ilha da fantasia no sentido de otimismo, de realmente enxergar, pelo menos se enxergar ali, como se estivesse num launchpad, numa base de lançamento do que vai ser o futuro do mundo dali 10, 20, 30 anos. Até com muita arrogância, de certo aspecto. Não uma arrogância social, mas uma arrogância intelectual, de às vezes achar que está certo. ou de, às vezes, reempacotar coisas que já existem com outro nome. Eu posso depois contar umas piadinhas, mas... Já pode contar. Mas, em geral, é um ambiente muito inspirador. Tanto você estar num ambiente universitário lá, quando você está, eventualmente, nos cafés de Palo Alto, Menlo Parque, e você vê aquela vida, né? Mas eu tenho que dizer que é algo que a gente vê cada vez mais acontecer em outros lugares, no próprio Brasil. São Paulo, você anda ali pela Vila Olímpia, ou Itaim, e vai nos cafés, você vê hoje um brasileiro muito mais empreendedor. Eu lembro, a gente tava brincando, virou moda, e virou pro bem e pro mal, mas eu acho que até mais pro bem, porque eu lembro que eu era moleque, quem não fazia nada da vida, falava que tinha uma banda de rock. Depois, quem não fazia nada na vida falava que era DJ, nada contra. Hoje, quem não está fazendo nada da vida fala, ah não, eu tenho uma startup. Então, virou um lifestyle, é esse o ponto. Por mais que esse exemplo que eu dei é alguém que não está fazendo nada e quer só dizer que faz alguma coisa, mas virou um lifestyle. Então, acho que isso é muito promissor para o mundo. O mundo precisa de mais empreendedor. Então, acho que uma palavra para resumir é inspirador. Eu acho que é um ambiente super inspirador do Vale.
Respondido.
A piada é o seguinte, tinha um Twitter, que eu não lembro o nome, que era muito bom, mas era só, ele pegava notícias, tipo manchetes de notícias de startups, e aí fazia comentário embaixo. então tinha uma notícia que era o Travis do Uber falando lá no começo, nós vamos saber tanto das pessoas, mas tanto das pessoas e do comportamento delas e da mobilidade que eu vejo no futuro a gente tendo um serviço onde a gente consegue já pré determinar quem a gente vai buscar em qual lugar porque elas estão indo próximas para o mesmo lugar de destino que a gente passa pega elas e já deixa elas, aí o comentário era Dude This is a bus. You didn't invest the bus. Tipo, é um ônibus. Aí chama do founder do Airbnb falando, pô, eu vejo o Airbnb evoluindo a um ponto em que os prédios vão ser construídos já pensados no Airbnb. E por serem construídos desde o zero para serem 100% Airbnb, vão ter serviços comuns. This is a hotel. You're describing a hotel. Então, enfim, é por isso que eu fiz a piada de às vezes reempacotar coisas que já existem no mundo com um pouquinho de arrogância intelectual.
Adorei. Adorei. Não, eu quero fazer outra, Paula. Você pergunta, como que você enxerga a tecnologia?
A Paula era pra eu responder rápido, porque eu tô enrolando.
Sim, mas tudo bem, tudo bem.
Eu já não tô seguindo a pauta, eu já tô pulando na frente da Isabel.
Liberdade poética.
Exatamente. Como que você vê a tecnologia, estando lá vendo esse, essas novas, esse novo 20, 30, daqui 20, 30 anos, como que você, o que você enxerga lá que você acha que realmente vai ser funcional?
Olha, a verdade sincera, se a gente soubesse o que ia dar certo, a gente não investia em 25 empresas a cada fundo, a gente só investia no que dava certo. Então é uma pergunta muito difícil de responder. Eu acho que tem algumas tendências que a gente vê acontecendo e que eu acho que tendem a continuar. Então assim, eu vejo, eu espero que ISDI vai continuar sendo importante cada vez mais. E não porque dá prêmio, dá selo, porque o consumidor vai preferir tirar da prateleira. A mágica só acontece quando um consumidor lá na ponta tira alguma coisa da prateleira e bota no carrinho e paga. O resto de tudo que tá pra trás tá pra servir esse cara. Não por acaso. Eu sempre acreditei no poder do consumidor, no Buscapé. Então acho que isso é relevante. Eu acho, por exemplo, vou dar um outro exemplo, outro dia fazendo um roadshow pro fundo que a gente levantou agora, o investidor falou assim, pô mas tem tanta coisa, você acha que tem mais alguma coisa pra ser inventada no mundo? Eu olhei e falei assim, cara, sério? Aí eu falei, bom, vou dar um exemplo. Nós somos um mamífero de 70 quilos na média e a gente usa um equipamento que pesa uma tonelada e meia para se locomover. Pior, para se locomover ele usa combustível fóssil que foi tirado do fundo da terra, em alguns casos a 7 mil metros do pré-sol, e distribuído embaixo da terra de novo em tanques de gasolina, postos que estão a 10 quilômetros de distância um do outro no planeta inteiro. Isso tudo para mover uma pessoa de 70 quilos. E o máximo que a tecnologia trouxe até hoje é a gente ter um celularzinho desse para apertar um botãozinho do Uber. E a grande inovação é que agora, além de toda a ineficiência que eu já descrevi, a gente vai ter um cidadão que vai ficar sentado dirigindo para a gente e não está fazendo mais nada. que é o Uber. Então ele pode ser conveniente, mas do ponto de vista de eficiência, ele não necessariamente tornou o processo de eu ir do ponto A para o B melhor. Eu ia do A para o B, pelo menos eu não pegava uma pessoa que poderia estar fazendo algo mais economicamente produtivo do que só me dirigir do A para o B, que inclusive ganha mais estrela se eu não falar com ela. Quer dizer, eu acho que a gente está longe de ter chegado no que eu imagino que é um um método evoluído da gente se mover do lado A para o lado B, deveria no mínimo pesar menos do que a gente, o equipamento que a gente usa e usar muito menos energia do que usa. Então assim, tem tanta coisa para ser feita, a gente olha tanta ineficiência. Mesmo o SpaceX, que eu acho fantástico o que os breakthroughs que estão acontecendo na SpaceX, você poder reaproveitar o foguete assim por diante. Claro, é fantástico você poder sair de São Paulo e para Tóquio em 40 minutos num foguete. Mas imagina quando a gente vai lá o quão ineficiente ainda vai ser todo esse processo. A gente está longe disso. Então eu acho que assim, o jeito que a gente interage e se comunica tem muito que evoluir. O jeito que a gente se locomove tem muito que evoluir. O jeito que a gente usa os recursos do planeta tem muito que evoluir. Então a gente está no começo, no começo, no começo, no começo dessa trajetória. O Buscapé foi comprado em 2009 e a vida inteira imaginei o Buscapé num celular. Só que o iPhone foi inventado em 2007. A gente esquece que a gente tem 100 anos de energia elétrica, cento e pouquinhos. Então assim, a velocidade que as coisas estão acontecendo é tremenda. Então acho que seria muita arrogância eu chutar o que acontece em 20, 30 anos. Mas quando eu escuto alguém falando que acha que não tem mais nada para ser inventado, isso é um negacionista de verdade.
Legal. Já imagino a gente voando.
Exato.
Como escolher um bom sócio?
Mas eu acho que a intuição fala muito, acho que tem que buscar alguém, eu acho que Vou fazer o exemplo, acho que o que fez o Buscapé dar certo foi o alinhamento que os sócios tinham do que queriam no Buscapé. Então assim, não tinha um que queria ficar milionário, outro que queria ficar famoso, todo mundo queria aquilo que eu comentei, criar um serviço útil que todo mundo conhecesse, que fosse um legado. Então ficou fácil, como estava todo mundo alinhado, todo mundo estava disposto a se sacrificar junto por aquele sonho. Então acho que é alinhar muito bem o que você quer daquela jornada.
O que você acha sobre o NFT?
Eu gosto, eu consigo entender NFT no seguinte sentido. Bom, primeiro... Você tem diferentes tipos de uso e de NFTs. Se a gente vai pra arte, então vamos discutir quanto vale um CryptoPunk no meu perfil, quanto vale um Bored Ape, um macaquinho cansado, como é que pagam um milhão de dólares pra ter lá o macaquinho entediado, eu consigo entender porque Da mesma forma que, no mundo físico, eu me apresento de alguma forma, e podia ser usando um Rolex de ouro antes e tá com um terno Armani ou o que seja, ou pode ser agora, parecendo que eu sou despretensioso porque eu tô de camiseta preta e jeans preto e tal, mas tudo isso são formas da gente se apresentar socialmente. Então, na hora que eu vejo alguém que tem um CryptoPunk e eu tô conversando com essa pessoa no digital e nem sei ainda quem é a pessoa, de cara eu sei duas coisas. Ou esse cara é visionário e viu lá em 2018 que isso ia ser algo legal, ou ele é milionário pra gastar esse dinheiro nisso. Então, independente de qualquer coisa, diz alguma coisa, né? Então, e não é diferente do motivo pelo qual Se dirige um Porsche ou se usa uma Birkin ou um Cartier. É muito parecido. Então eu consigo imaginar esse uso por muito tempo até porque boa parte da nossa vida vai ser cada vez mais digital. Então nesse aspecto talvez tivesse sobrevalorizado pelo exagero dos bancos centrais imprimindo dinheiro, acesso de liquidez, talvez menos. Mas eu acho que vai existir cada vez mais uma urgência, uma necessidade de você mostrar uma personalidade digital de alguma forma, que é o que a gente faz quando a gente está aqui interagindo no físico.
Acho que é isso, né?
Pergunta do Meta. O que ele acha sobre o Meta?
O que você acha sobre o Meta?
Meta, empresa?
Meta, empresa, vai.
Bom, eu acho o seguinte. Eu acho, quando a gente fala, meta-empresa ou meta-verso?
Os dois, pode ser.
Boa, então eu vou falar dos dois. A dúvida também era minha.
Eu faço várias seguidas. Só para finalizar bem, a gente está falando de tecnologia, ele está sempre no vale. Eu acho que tem um link com.
O próprio NFT, a gente falou de NFT, mas tem diferentes usos de NFT, diferentes usos de blockchain, acho que tem usos que vão ser muito inteligentes o uso de blockchain e tem um monte de coisa que não vai migrar para o blockchain por mais que os adeptos da web3 digam que vai. Agora, o metaverso. A gente já vive um pouco, na minha opinião, do que é um metaverso. Então, o metaverso é, de uma forma simplista que eu vejo, é uma projeção que você tem de você no digital, de como você é no digital. E eu posso lá, no vídeo da meta, tá lá o Mark Zuckerberg e tem um que tá de robô, o outro tá de ursinho, então todos fazendo uma reunião virtual. na realidade virtual, no VR, do óculos, lá da meta do Facebook. Mas assim, o Instagram já é um metaverso. O Instagram já é uma projeção de como a gente quer que o mundo veja a gente. Ele já é um primeiro grande passo pra isso. Você vai pro Twitter, o Twitter recentemente, agora com o inverno cripto aí forte, ganhou mais destaque, mas o Twitter permitia você linkar com a tua conta do Twitter a tua carteira com os teus NFTs. Então, poxa, eu tô no Twitter da Sheila, no Twitter da Bebel, eu consigo ver que NFTs você tem. e o quão bacanas são os seus NFTs ou não, a sua galeria de arte. Então eu acho que isso vai ser uma coisa muito mais gradual do que algo extremamente forçado, de ruptura, como muita gente acha. Tipo, vamos para tudo, vamos entrar numa reunião virtual, do dia pra noite todo mundo vai migrar. Então, acho que é uma coisa muito mais sutil. E do mesmo jeito que eu acho que isso vale pro VR, pro AR, que é a realidade aumentada, que eu acredito muito mais, a gente já vive ela. É um smartphone conectado o tempo todo, então a gente já tá pode não ser o óculos que eu tô vendo aqui, ao mesmo tempo que eu tô vendo você, eu já tô vendo quantos followers, já tô vendo... Mas tá muito fácil, eu pego aqui e eu tô ao mesmo tempo numa realidade aumentada, porque tudo que eu tô conversando, quem assiste TV e não tá o tempo inteiro fazendo busca ou entrando no Instagram do que tá vendo na TV? Então assim, a gente já vive isso. A ferramenta vai evoluir? Muito provavelmente. E se eu tivesse que apostar, Eu não apostaria na meta, mesmo que o Zouk fique bravo e me delete. Por quê? Porque eu acho que na hora que a gente vai pra realidade virtual e realidade aumentada, o hardware é importante. E tem duas companhias que já estão com você o tempo todo, que é o Google com um celular Android e a Apple com um celular iPhone. A Microsoft e a Meta, que estão disputando isso, vão ter que fazer você carregar um hardware junto. Enquanto que essas companhias elas podem tirar proveito do poder de processamento que você já comprou no teu iPhone e só fazer a projeção depois. Se é que alguém vai usar alguma coisa assim.
Respondido.
Já lembrei daquela série lá. Que as pessoas já viam isso. Como chama?
Black Mirror?
É, isso mesmo.
Nossa, Black Mirror, quando eu comecei a assistir...
Aliás, é uma série boa pra tirar insights de coisa.
Muito!
Eu acho o time lá muito bom. Não, eu assisti a primeira vez. As primeiras eu fiquei muito impactada.
Eu não sei quem faz o roteiro, mas é... É uma provocação muito boa. E é uma provocação, acho que com exceção de um episódio que eu assisti, Todos são dark.
São muito dark.
Só tem um que é bonitinho. Que eu até lembro, chama Sam Junipero.
Sim, que é o mais visto.
Que as duas mulheres que se amam, depois as linhas vão pro metaverso, sei lá o quê. Sobem pra nuvem da consciência e continuam lá, o amor delas. Todos os outros são sinistros.
E assim, eu lembro que eu assistia, eu assistia sempre, assim, em pânico. Porque eu assistia, porque tava todo mundo assistindo. Eu sou medrosa, assistia e falava, gente, o que é isso? Super dark. E eu falava, vou ter que assistir de novo, porque o outro... E esse daí que você citou é o mais fofo mesmo. Mas ainda também, é meio... também dark.
Não, e ele provoca em você uma coisa, tipo, meio pânico mesmo. Tipo, como que o cara é cancelado e ninguém mais vê ele.
É isso. Mas vou te falar, o cachorrinho robô já existe, o cancelamento já existe. É muito mais real e dia-a-dia do que futurístico, do que a gente imagina. Se você olhar com uma crítica, com um olhar crítico, você vai ver que aquilo já é a nossa sociedade um pouco.
Sim, acho que por isso que é tão sombrio, né? Que a gente, quando a gente de fato enxerga as coisas, fala assim, a gente convive com isso, né? Como sair disso? Romero Rodrigues, que incrível recebê-lo aqui.
A China, que agradeço, papo bom.
Uma honra, a gente não tinha dúvidas que seria incrível.
A gente já saiu com todas as colinhas.
Exato. Não, ó… Bebel, quando ela começa a fazer as perguntas, já sei, ela tá fazendo pra nós. Uma prima minha me perguntou. Deixa eu colocar aqui. E vocês, gente, não deixam de deixar muitos comentários aqui. Deixem muitos comentários.
Deixem suas redes sociais pras pessoas, pra quem quiser te acompanhar.
Ah, minhas redes sociais? Tá bom.
Onde acharam o Romero?
Onde acharam o Romero? Arroba Romero Rodrigues. Twitter e Instagram. E no LinkedIn, também eu sou bem ativo. Pode me procurar lá, Romero Rodrigues.
Investe em mim, pode mandar um montinho.
Para quem quiser se inscrever, tem uma startup, manda para onde?
Pode falar comigo no LinkedIn, mandar para o meu LinkedIn, que é o mais fácil.
Tá bom, gente. Espero que tenham curtido. Não esqueçam de se inscrever em nosso canal.
Ativar o sininho e deixar um monte de comentário.
Muitos comentários, que vocês sabem que o convidado volta. Um beijo, muito obrigada. Tchau.
Tchau.
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