Romero Rodrigues Seja paranoico no planejamento e otimista na execução

Interview with Romero Rodrigues (founder of Buscapé, managing partner at Headline) covering his entrepreneurial origins, the technical incubation at USP/LARC, the launch of Buscapé (site launched 1 June 1999), early development and home-office work, fundraising and growth, and eventual sale to Naspers (2009). Romero reflects on Buscapé's impact on consumer power and e‑commerce, cultural legacy, and regrets about selling. He describes his move to venture capital (Redpoint Iventures / Redpoint Ventures in Brazil), outlines fund activity (Redpoint 1 & 2 combined ~$305M, ~62 investments, ~5 unicorns), and Headline’s partnership with XP (retail distribution with 12,497 cotistas). He explains investment criteria (people, market size, founders), cites Pismo (acquired by Visa for ~$1B; combined Redpoint/Headline stake ~30%), discusses market cycles (post‑pandemic capital dynamics), sector views (AI, fintech, health, ESG), Headline’s Series A focus and data-driven sourcing, and his advice: "Be paranoid in planning and optimistic in execution."
Questions this video answers
1 June 1999.
2009 for $374 million.
Started in 1998 with R$300 (three hundred reais).
Approximately $305 million across the funds; invested in 62 startups.
Five companies reached >$1 billion valuation.
Chapters
Olá! Bem-vindo ou bem-vinda a mais um People To Be's Pessoas e Negócios. Você pode acompanhar nossas entrevistas pelo meu perfil no LinkedIn, Luiz Cláudio Allan, e nos canais da People To Be's no Spotify e aqui no YouTube. Sua história empreendedora rende uma aula fantástica para MBAs. Entre os brasileiros que cortaram a top da internet e do mercado de tecnologia, pode ser comparado a Bezos, Zuckerberg, Jobs, Gates, e tantos outros que criaram o Alicerce para o desenvolvimento do ecossistema de negócios digitais. E ele fez mais do que isso pelo mercado brasileiro. Foi um dos responsáveis por abrir as portas ao Venture Capital Internacional. Nosso entrevistado desta semana é Romero Rodrigues, fundador do Buscapé, managing partner da Headline e sócio e head de Venture Capital da XP. O meu mais antigo cliente que ainda está na carteira da Firstcon e primeiro cliente da People2Biz, Romero é mais do que um parceiro de negócios. É um amigo e mentor que tive a sorte de estar ao lado desde os primeiros anos do Buscapé. Como seu assessor de imprensa, eu era um dos poucos, fora os sócios e os advogados, que sabia da negociação da venda do Buscapé para Naspers e guardo no coração a ligação que recebi quando me chamou para confirmar a venda do negócio. Pode liberar o release, Luizão. Você é um dos responsáveis por termos chegado até aqui. Obrigado. Momentos assim na carreira a gente nunca esquece. Relembramos, neste delicioso bate-papo, a história do Buscapé, sua decisão de sair para se tornar investidor na Red Point Ventures e, agora, as perspectivas para os próximos anos na liderança da Headline. Quando perguntei se ele acredita que o inverno já passou nos investimentos em startups e estamos começando a primavera, Romero foi, como sempre, cauteloso e deixou uma recomendação aos empreendedores. Seja paranoico no planejamento e otimista na execução. Confira agora os principais trechos da entrevista.
Como é, meu amigo? Obrigado por nos receber, é um prazer.
Eu que agradeço. Vamos lá.
Queria começar do começo, lá da tua infância, né? Desde criança você já trabalhava com o seu avô, com o seu pai, no varejo, numa loja de material de construção, não é isso? Empreender é um sonho desde a infância, desde criança?
Parece que você teve uma ou outra.
Empresa aí quando era criança ou adolescente.
Apesar que já fundou o Buscapela e.
É que é adolescente ainda, né? Como está aí esse teu sonho?
Foi, foi simples. Acho que sempre, acho que muito motivado, inspirado pelo meu pai, que teve também mais de um negócio, eu sempre quis empreender e sempre fui apaixonado por ter um negócio, né? A gente nem usava a palavra empreender lá atrás, eu acho. E eu adorava, eu ia finais de semana pra loja do meu avô, adorava trabalhar lá. Depois meu pai teve uma... uma construtora, uma empreiteira, também adorava trabalhar nas férias com ele, e sempre fui forçador, sempre pensando em criar algum negócio. O primeiro negócio que eu tenho recordação, até encontrei outro dia mexendo nas coisas, época de Covid e tal, mexi nos armários, achei uma agenda de 87, ou seja, eu tinha 10 anos de idade, e tinha lá uma descrição, um plano de negócio, eu não sabia o que era plano de negócio, mas de uma empresa que ia ser 70% eu, 30% meu irmão André, que tinha sete anos, nem sabia o que eu estava fazendo, e a gente ia cultivar minhoca e fazer vela de sabonete para vender para a minha avó. Então eu sempre busquei, sempre fui forçador. Depois, quando eu descobri a informática, computação, aí obviamente eu comecei a fazer essas experiências de primeiras tentativas de empresa já no computador, no software, no digital, mas... e foram várias também, editação eletrônica, enfim, automação de casa, shopping virtual, entre várias outras coisas, software house, que durou uns três anos até chegar no Buscatel.
Então você já era uma geração que.
Chegou ao mundo bem ali no início.
Da indústria dos microcomputadores, né?
Qual que é a primeira lembrança que.
Você tem mexendo assim no computador? Você lembra o modelo? Pra que que você usava?
Você se recorda qual foi a primeira.
Vez que você acessou a internet também? Qual foi a sua reação ao conhecer a rede?
Lembro bem. Primeira vez que eu... Que eu vi um computador na minha vida e mexi no computador da minha vida foi... Eu tava na oitava série. É... Então eu tinha, talvez, uns 11 anos, 12, alguma coisa assim. É... E... Foi numa aula extra que tinha no... no colégio, eu estudei no colégio alemão aqui em São Paulo, não estou seguro, e era um PC XT da Zenit, com um monitor de fósforo Amber, disquete ainda de 5 e 1 quarto. E eu não tinha interface gráfica, não existia Windows nessa época, não existia nada, e eu me apaixonei por computação. Na verdade, eu primeiro odiei, porque o primeiro semestre era mexer no Works, que era um office da Microsoft para aquele ambiente idoso. E eu achei... Putz, eu tinha tanta expectativa, eu achei legal, mas era uma máquina de escrever, de certa forma. No segundo semestre, foi programação, foi Basic. E aí eu me apaixonei por programação e nunca mais parei. Fiquei tentando convencer meu pai, consegui no ano seguinte, meu pai comprou para casa, para a empresa, mas o computador ficava em casa, um 286. Já a internet foi muito engraçada, porque foi o meu primeiro ano de poli lá na USP, e eu fui numa palestra sobre uma linguagem nova que a Sun estava lançando naquele ano, foi em 95 isso, que era o Java, e depois da palestra todo mundo foi para o laboratório que tinha ministrado a palestra, que era o NARC, o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores. E aí eu estava com o computador na frente, tinha um cara, um veterano, dois, três anos mais velho, e falou, meu, você já entrou na internet? Eu falei, não. Falei, então vamos entrar aqui. Ele logou com o login dele, abriu um browser, um Netscape, um Netscape raizão, aquele 1.0, E falou, pô, o que você quer ir? O que você quer ver? Eu falei, não sei, como é que funciona isso? Ele falou, não, que você pode ir para vários lugares diferentes do mundo. Você pode ir para o Louvre, você pode, sei lá, visitar diferentes coisas. Eu falei, ah, me sugere alguma coisa. Aí a gente escolheu playboy.com, Então, eu perdi a virgindade na internet, no site da playboy.com e, obviamente, demorava muito para carregar, mas quando finalmente carregou a foto da homepage do site com a capa da revista, foi exatamente o momento em que passou o professor.
Bom, essa tua história no Porto Seguro.
De começar a programar, então, foi um caminho natural pra Poli, né, pra Ciência da Computação, e aí você contou esse episódio do LARC, do teu primeiro contato com a internet, e o LARC acabou funcionando, então, um pouco aí como uma incubadora do Buscapé, né?
Conta essa história.
É, foi, sem dúvida nenhuma, porque o conhecimento que a gente adquiriu, os fundadores, parte dos fundadores, em relação a na internet, a digitar, putz, protocolo, veio muito do que a gente aprendeu no LARC. E, nessa época, tinha a Poli, fazia estágio no LARC, eu tinha uma empresa com um colega meu de faculdade, o Ronaldo, que era uma empresa de software de gestão, chamava Focussoft, e fazia o estágio com outro amigo meu de Poli, que era o Rodrigo. E o Rodrigo teve... a dor de estar procurando um pessoal para comprar. E ele perguntou, falou, você conhece algum site? E quando ele se referiu a algum site, foi um site globalmente, porque não tinha praticamente sites no Brasil. E eu falei, não, eu conheci um site que faz comparação de produto, preço, nada disso e tal. Pô, se a gente criasse, se a gente criasse. E aí eu chamei o Ronaldo também. para se juntar ao time, já que eu tinha essa outra iniciativa com o Ronaldo. Então, literalmente, essa conversa sobre a impressora e tudo mais aconteceu dentro ali do LARC.
Então.
Apesar de, obviamente, o trabalho que a gente desenvolvia no LARC era completamente diferente do que a gente depois foi fazer no Buscapé, mas o embasamento técnico que a gente absorveu lá e, coincidentemente, o brainstorming para chegar na ideia do Buscapé, aconteceram lá.
E aí a empresa de software foi para o Vinagre A gente fechou a.
Empresa de softwares, passou o código à fonte para alguns clientes e focamos no Buscapé.
Daí foi cada um para a sua casa? Como é que foi o primeiro escritório do Buscapé? Como é que vocês começaram? Todos vocês já programavam?
Nós três já programávamos. Qual que era a linguagem que vocês programavam? A gente programava um monte de linguagens, mas o Buscapé, ele tinha uma combinação de linguagens. A gente tinha, no começo, a gente fazia a captura, a Spyder capturava os preços das lojas, era em Pro e a busca era em CGI. Depois a gente foi pra Aspen, depois a gente desenvolveu o nosso próximo.
Web.
Que só fazia a busca de preço reescrever no código do Apache, então era C++. Então teve diferentes momentos, diferentes linguagens.
Mato alto, né Romero?
Mato alto pra caramba. Mato alto mesmo. Pra quem gosta de escovar bit, a gente paginava as páginas do busca-pé com o número de resultados específico pra poder economizar ciclo de Era todo mundo em casa, via CQ, noite e adentro. Cada um na sua. Vocês inauguraram o home office lá atrás, né? A gente passava o dia na faculdade, falava muito enquanto trabalhava na faculdade, mas boa parte do trabalho a gente fazia à noite. Geralmente da meia-noite às seis da manhã, porque a gente tinha que estar conectado. E telefone era caríssimo na época e da meia-noite às seis você tinha pulso único, né? Você pagava uma vez só a ligação e não a cada três minutos pagar de novo.
E era o grande custo que vocês tinham.
Era o grande custo que a gente tinha.
O resto do custo era o capital intelectual de vocês.
Exatamente.
E aí, como é que foi o lançamento do Busca a Peça? O que você lembra desse dia quando foi pro ar?
Olha, foi muito legal. Eu lembro que... Eu fui meu próprio assessor, eu ainda não te conheci, eu te conheci em 2001 só, mas eu fiz um release, que não era um release, era um texto de marketing, mandei para um amigo meu da FEA, o Alexandre Geleia, e ele fazia ECA também, e aí ele falou, ô Romero, se fosse uma notícia e tal, reescrevi, separei alguns grandes jornalistas da época, você tinha o IBG com a Cicapace, você tinha uma coluna na Veja que era o Hipertexto, Manoel Fernandes, se eu não me engano, enfim, Info, separei ali, literalmente, não vou dizer que foi um spoiler, porque foram 10, 20 e-mails, mas eu andei uns 10, 20 e-mails com o Ulysses, e começou a sair de um lugar a outro, Foi primeiro de junho de 1999 e, na verdade, no fim de semana anterior ao lançamento oficial, A gente fez um churrasco em casa, morava no Paraíso, ali perto da Vila Mariana, e chamamos amigos e tudo, e eu lembro que eu tive que conectar três extensões de telefone para levar o computador até o quintal, para poder fazer a demonstração do site para os melhores amigos. A gente chamou todo mundo, falou, ó, a gente entra com a carne, vocês trazem a cerveja, e fizemos um churrasco de lançamento. Foi bem legal, foi bem legal. Logo depois do churrasco de lançamento, alguns meses depois, a gente convidou o Mário Letelier, que é um dos cofundadores também, para se juntar, porque naquele churrasco ele ainda não estava no time. Mas foi engraçado, porque a maioria dos amigos falaram assim, pô, legal isso, isso era um negócio de verdade, um negócio sério, a gente achava que ia ser. A gente, por pouco, não foi o primeiro site de comparação de preços do mundo todo. O primeiro foi o MySimon, que foi lançado antes da gente. Final de 98, a gente descobriu o MySimon no começo de 99. Ficamos desesperados e corremos para lançar o Busca a Pernas.
Mas a primeira vez vocês acharam que a empresa não ia mais pra frente?
A gente ficou um pouco chateado porque parte da estratégia era ser o primeiro no mundo para poder ganhar mídia, mas não teve problema. Acho que o fato da gente ser o primeiro no Brasil e ser inovador o suficiente garantiu bastante divulgação na imprensa.
Qual que era o pitch elevator do Buscapé que você fazia para os investidores? Você já sabia fazer um pitch elevator? Vocês tiveram orientação? Como é que foi?
Não, não existia nada. Elas têm, por granted, por garantido, um monte de coisa que vai sendo construída pelas gerações anteriores. Esse primeiro ciclo, para você ter uma ideia, não existia a palavra startup, não existia a palavra digital. A gente falou que a gente tinha um site, depois as pessoas começaram a falar ponto com. Você fugia a palavra startup e se usava, sei lá, meados para final dos anos 2000. Então não existia isso. Elevator pitch ou como montar um pitch. Existe um plano de negócio. Existe apresentar um plano de negócio de uma forma coesa, consistente. O primeiro plano de negócio, o material mesmo, o pitch que a gente teve, era bem tosco. Era o Word com capítulos e descrevendo em cada capítulo o que a gente ia fazer. E, no final, um orçamento, linha a linha, o que a gente ia gastar. O primeiro investidor que a gente teve, ele comprou esse business plan, ele comprou a gente, mas o business plan, e a primeira coisa que ele fez foi trazer as habilidades que ele tinha, porque um dos sócios tinha sido consultor na McKinsey, o outro sócio tinha trabalhado no Chase, o Chase já fez todos os grandes investimentos de internet, E aí a gente começou a polir a forma que a gente apresentava emprego. Jogou fora o Word, pegou um Excel, apresentação estilo McKinsey maravilhosa, e aí em 20, 30 slides a gente contou a mesma história de uma forma muito melhor. Mas, como a gente não precisou também captar dinheiro antes de ter o produto no ar, o produto era o pitch, porque era muito simples, você entrava, você buscava um produto, você todos os preços. É meio óbvio isso hoje, mas há 25 anos atrás, se você pedisse preço por uma loja, por telefone, o cara falava, não deu preço por telefone. Então, você fazer uma pesquisa de preço, uma comparação, era quase impossível. Levava um dia inteiro, você pegava carro, gastava o estacionamento de um lado para o outro. Então, para quem vivia naquele momento do mundo, olhava aquilo e falava assim, não, não é possível. E quanto custa? É de graça, como assim? Como você vai ganhar dinheiro? Ah, então é as lojas? Ah tá, entendi. Então o próprio produto se vendia bem. Eu acho que a gente teve... Obviamente, de novo, não existia essa academia de você testar hipótese, de você fatiar o risco por estágio. Tudo que eu faço hoje com as startups não existia na época. Mas, claramente, a gente teve uma estratégia de ter um produto muito bom que trouxesse audiência e tração e, com isso, trouxesse interesse dos investidores. A primeira rodada que a gente fez, a gente foi completamente criativo. Ou seja, a gente não fez um roadshow formal indo atrás dos investidores. A gente recebeu oito propostas de investimento. e negociou a que a gente mais gostou e aceitou. A segunda foi o contrário, a gente fez um roadshow, foi pra Nova York, Rio, São Paulo, falou com todo mundo, pegou a melhor proposta, botou pra dentro de casa. Que aí já foi em abril, junho de 2000.
Pronto, vocês começaram o Buscapé em 98 com um investimento de 300 reais. Acho que vocês gastaram mais no churrasco.
Do que no investimento do Buscapé.
E venderam a empresa pra Naspers em 2009 por 374 milhões de dólares. Chegaram a ter aí 1.200 colaboradores diretos, impactaram 30 milhões de consumidores todos os meses, enfim, números gigantescos. Hoje, olhando pra tudo que vocês viveram no Buscapé, do que você se orgulha e do que você se arrepende? Quais se consideram, por os momentos, os episódios mais marcantes na trajetória do Buscapé? Teve muitos momentos que vocês acharam que iam quebrar, né?
Números... Várias vezes a empresa praticamente morreu. Graças a Deus a gente se recusou a aceitar. Eu acho que dos momentos que eu mais me orgulho, eu acho que duas coisas eu me orgulho bastante. Uma foi que, não quero faltar com audácia nem nada, mas acho que realmente o Buscapé quebrou o paradigma de que você não vai ter informação do produto preço, você tem que ir até a loja. e que o poder estava na mão do varejo da indústria, acho que a gente ajudou a passar esse poder para a mão do consumidor. Os episódios que a gente viveu, as lojas tentando processar porque estavam no buscapé, depois tentando processar porque não estavam no buscapé. A gente, em 2013, final de 2013, a gente tinha passado o mercado livre em receita, da mãe. A gente gerava 30% a 35% de todas as vendas do comércio eletrônico. 20% a 25% para as maiores lojas do Brasil, ou seja, um quarto do superfaturamento vinha das propriedades do Buscapete a mais de 30 empresas. E quando você vai para as lojas pequenas, era 70% a 75% das vendas. A segunda coisa que eu acho que eu me orgulho naquele momento foi um pouco da cultura que a gente construiu. Talvez o Buscapé tenha sido a primeira empresa com uma cultura tão forte, com uma cultura tão hacker, com uma cultura que hoje o pessoal fala de cultura de start-up. E até hoje eu encontro, e tenho amigos e convivência com muitos que trabalharam lá, mas às vezes eu encontro pessoas via ramos. E é sempre a mesma coisa que eu escuto. Foi o melhor lugar que já trabalhei na vida. Foi a experiência mais legal. A gente trabalhava para caraca, não parava, não sei o quê, era tenso. Não era fácil, mas todo mundo tinha uma paixão enorme por estar construindo aquilo. Então, acho que o senso de propósito, de pertencimento que a gente, sem saber, não é que a gente não tinha sido chefe, não tinha sido funcionário, mas que a gente conseguiu criar, foi algo muito especial.
Algo que se arrependa?
Ah, inúmeros, né? Inúmeros. Eu sempre me pergunto, às vezes, o que teria acontecido se eu não tivesse vendido. Porque, afinal de contas, em 2013 a gente estava no tamanho do Mercado Livre, já, e eu decidi sair em 2014 justamente porque eu não concordava com as decisões estratégicas para o ano seguinte, que era justamente pegar tudo o que a gente tinha colocado junto, classificado, pagamento, avaliação de fraude, avaliação de lojas com EBIT, então Life Control, pagamento digital, dinheiro mail, EBIT, Buscapé, Bom de Faro, Lomadi, enfim, que é barato, e separar tudo em diferentes empresas, vender algumas empresas. Então, se você olha hoje, a maioria das pessoas não sabe, que hoje é sozinho uma empresa de bilhões de dólares. A gente tinha 30% do Hotmart, que hoje é sozinho uma empresa de bilhões de dólares. O Buscapé em si era o tamanho do mercado livre. Então, não vou mentir, eu acho que talvez não ter vendido teria sido uma história muito bacana também.
É, mas é difícil, é um assédio grande. Um bom dinheiro, né?
A gente fez muito pensando no que era bom pro Buscapé também. A gente tava num momento de muita dificuldade. Não dificuldade, mas de muito desafio. Porque a gente tinha concorrentes muito grandes, bem capitalizados, e aí principalmente Google de um lado. Tinha uma ameaça enorme, o Google começando a tirar a gente do resultado de busca, pra colocar o Google Shopping, que levou a gente até entrar com um pedido de investigação no CAD, Então, obviamente, o jogo estava começando a ficar sério. E, para o próprio Buscapé, fazia sentido se aliar a uma forte. empresa E maior e mais muitas dessas.
Ações que você mencionou vieram depois da...
Ah, sim, sim, sim, é verdade, sem dúvida.
O capital permitiu a aquisição dessas empresas.
Sem dúvida, mas o Buscapé sempre foi lucrativo. A maior parte dessas empresas a gente, na verdade, fez antes. Algumas foram depois. mas boa parte delas com muito pouco capital. Então, quando a Naspers comprou o Buscapé, a gente já tinha mais de 15 empresas adquiridas.
Antes de você tornar investidor de Venture Capital, você já havia investido em um portfólio importante de startups como o Investidor Anjo. Muitas das empresas das quais você se investiu se tornaram unicórnios, a Creditas, a GinPest, a Pi, o List.
Qual que é o seu segredo para.
Acertar tanto a mão investimento em startups que são investimentos de alto risco, afinal? O que você avalia em uma startup para decidir apostar nela?
Olha, acho que no final do dia, pessoas. Principalmente no estágio que eu invisto, que é o estágio em que o negócio sempre vai mudar. Então, quando eu me envolvi com a Jim Pezzi, a Jim Pezzi vendia passe diário para a pessoa física. Não tinha plano mensal, não vendia para a empresa. Quando eu me envolvi com o iFood via móvel, que eu tenho ações, confiro o conselho, o iFood era desktop, não tinha o iFood no celular. E ele distribuía uma revista todo mês que chamava de Skikook. As pessoas nem sabem, nem lembram disso, mas vem da mesma empresa. Acreditas, que não foi um investimento que eu liderei, mas foi feito pelo meu fundo, pelos meus sócios lá na Redpoint, ela chamava Bank Fácil e não resolvia todo o empréstimo, era mais tipo um busca-pé de crédito. É quase certo que todas as empresas vão mudar alguma coisa importante no modelo de negócio. Então, o modelo de negócio vai mudar. As receitas ainda vão vir, tá tudo no Excel anos pra frente. Então, você tem que apostar nas pessoas. Então, acho que no final do dia, essa combinação de procurar founders extremamente talentosos, com as habilidades certas, principalmente as habilidades comportamentais, que estão realmente resolvendo dores grandes e que estão em mercados gigantescos. Então, você pega o investimento que eu fiz em 2016, que foi o primeiro e acho que o único investidor brasileiro institucional que foi a Pismo, ainda estou no conselho, a transação está guardando os órgãos reguladores para ser aprovada, mas a Visa adquiriu esse ano por um bilhão de dólares. E a gente, entre o Red Point e o Headline, Tínhamos 30% da companhia, então vai ser provavelmente o melhor retorno da história dos três fundos até agora. É dos founders, são quatro founders que são completamente fora da curva, resolvendo uma dor gigantesca, que é invisível para a maioria das pessoas, mas quando você passa um cartão de crédito, numa maquininha e o cartão é do Banco A, tem lá a bandeira B e a maquininha é da marca C, alguém tem que resolver esse imbróglio todo. Quem resolve empresas como a Pismo. Então o mercado é gigantesco, você consegue imaginar o volume que passa por ali, é uma dor enorme e um time talentoso pegou uma solução que é literalmente hoje a melhor solução do mundo. Não à toa o Citibank contratou a Pismo para colocar em 78 países. Então talvez a startup de tecnologia brasileira, mas bem sucedida a internacionalização também. É óbvio que depois de 25 anos fazendo a mesma coisa, alguma coisa se aprende. Mas eu acho que uma das características mais importantes de um bom investidor, depois de já ter selecionado e estar dentro do barco, é ter muita humildade intelectual, e saber que não é porque alguma coisa funcionou super bem há 10 ou 20 anos atrás. O comércio eletrônico vai funcionar hoje em saúde, o comércio eletrônico é outro setor. Então, eu acho que um bom investidor consegue mentorar ou conduzir um bom time de fundadores provocando, fazendo as perguntas certas, sempre de uma forma até de questionamento e nunca tentando direcionar ou prescrever soluções. Então, eu digo sim e não porque, óbvio, eu acho que sim, eu trago uma bagagem boa, que eu acho que pode evitar algumas dores, alguns desafios, alguns problemas, e sim, eu acho que tem um lance da empatia, que é muito legal, porque eu sei, eu tive na posição do founder, eu sei o que ele tá sentindo, e essa conexão aproxima muito e faz dar um time bom, uma combinação boa. Mas no final, eu acho que todos os founders que eu investi, Tenho certeza, aliás, que todas as fórmulas que eu investi teriam dado certo, mesmo se eu não tivesse investido.
Seriam bons o suficiente, é por isso justamente que você acreditou nele.
Exatamente.
Bom, você teve esse período de empreendedor no Buscapé, no final da década de 90 e durante a primeira década dos anos 2000, e você falou um pouco aí, a gente falou do FIT, de.
Como é que vocês apresentavam o Buscapé.
Para os investidores e, enfim, era um outro momento, não existia o Venture Capital no mercado brasileiro.
Paralelo, a comparação que você faz daquele.
Momento do mercado de investimentos com os seus startups e hoje?
Nossa, mas não tem como comparar. Primeiro, você não tinha disponibilidade capital como tem hoje. os primeiros fundos de venture capital foram começar a aparecer, sei lá, em 2006, 2007, 2008, alguma coisa assim. Talvez até depois. O Red Point Venture Zoom, nosso primeiro fundo, ele foi captado no final de 2012 e foi o primeiro fundo na América Latina acima de 100 milhões de dólares. Você vê como hoje tem fundos já de 1 bi de dólar. Então, capital diferente. O investidor não estava preparado para atuar em um estágio específico, ele não era especializado. A minha rodada da CID e a minha rodada da Series A, eu falava com todo tipo de gente, fundo de private equity, executivo, anjo, tinha banco querendo colocar dinheiro na tesouraria, como fez, o próprio Unibanco fez na época. Você tinha fundo de IBC de fora, Growth, era uma zona. Hoje, não. Você tem, para cada estágio, para cada momento, para cada desafio que a startup vai enfrentar, um investidor especializado. Bom, você não tinha talento. O nosso time era todo do estagiário. Por que era todo do estagiário no começo? Um, óbvio, a gente não tinha dinheiro. Mas o mais importante, pô, a gente olhava aqui e falava, cara, isso aqui é um disquete formatado. Está branco, não vem com nenhum vício, com nenhuma cultura, com nenhum dogma, não vem com nenhum achismo. Ou eu posso ir no mercado, mas não tem ninguém que já trabalhou num site ou numa startup antes. 99, 2000, 2000 não tinha, era raríssimo. Então eu vou formar um mercado. Hoje o empreendedor conta com um monte de gente que está fazendo digital há muito mais tempo do que ele. Então você tem força de trabalho. Esse é o Temercado Consumidor, o meu primeiro business plan, aquele no papel tosco, que eu usei o template da internet com o do Pedro Melo, pra você ter ideia. Ele estimava, se eu não me engano, entre 150 e 200 mil usuários de internet pro ano que a gente estava, de 1999 a 2000. Nada, 150 mil usuários de internet. Eu ainda falava assim, nossa, o maracanã inteiro de jeito para mostrar que era muita gente. Nada. Então, compara com hoje, onde todo mundo está digitalizado. Então, mudou completamente. Em compensação, mudaram os desafios. Ficou muito mais fácil montar uma startup. A tecnologia ficou componentizada. Então, você não precisa codar um monte de coisa, tem tudo pronto. Você democratizou a startup. Então, antes tinha que ser Por que todo mundo era engenheiro elétrico? Ah, por que não tinha mulher? Ou não tem mulher em VC, que o pessoal fala muito, tem que corrigir, tem que corrigir. Mas tem um motivo, um motivo estrutural é, você precisava ser engenheiro elétrico de computação para montar uma startup nos anos 2000, porque todo mundo precisava codar, porque ninguém tinha dinheiro, capital intelectual. E por algum motivo, menos mulheres aplicavam para engenharia de computação. Então você acabava tendo menos mulheres começando startups naquele momento. Na hora que a tecnologia para de se democratiza, não só em relação ao gênero, mas se democratiza em relação à profissão. Então, hoje, um designer com um dentista, bom, todo startup. Você não imaginaria isso 20 anos atrás. Então, onde está o desafio agora? É no go-to-market. Então, o desafio lá atrás era desenvolver a tecnologia. Hoje, não. Hoje, o maior desafio... Existem startups de tecnologia de fronteira, como a Pismo, o desafio é desenvolver a tecnologia, mas, em geral, o maior desafio é o go-to-market, como é que eu vou para o mercado.
Que dor que você vai curar?
E como é que eu consigo ganhar mercado rápido da sua concorrente.
Até porque é muito rápido você montar o negócio, montar essa carga hoje. Exato. Muito bem. Um resumo aí da Redpoint, desse período da Redpoint. Quanto que vocês levantaram? Quanto que vocês investiram? Em quantas empresas? E que tipo de modelo de negócio?
Olha, a tese, e acho que é até legal isso, a tese da Redpoint no Vale do Silício é muito parecida, de estratégia de investimento, muito parecida com a tese da Iventures também no Vale do Silício. Por isso que ambas, em 2012, resolveram montar o fundo juntas aqui no Brasil. E por isso que o fundo chama Redpoint Iventures. A Iventures, ao longo desses 20 anos, 20 anos deles, mas aqui no Brasil 10 anos, eles mudaram de nome para Redline. Então tem o Redpoint e Redline como sócios do Redpoint Ventures 1 e 2. E tem, sim, o Jeff Brody, fundador da Redpoint, e a Redline como sócios agora do Redline 3. Então a gente tem o Redpoint Ventures 1 e o Redpoint Ventures 2. Aí tem uma mudança na sociedade e alguns, a maioria dos sócios, vêm para o Redline 3. O Red Point 1 e o Red Point 2, eles têm 305 milhões de dólares captados para investir em startups. Investiram em 62 startups. São aí cinco companhias que passaram de um bilhão de dólares de valuation, estão no status de Unicode, dessas 62. A mais recente, a Pismo, adquirida pela visa que eu mencionei. E ambos os fundos já completaram o período de investimento. estão agora cuidando das empresas, ajudando esses empreendedores até a empresa um dia ou fazer IPO ou ser adquirida. Então, acho que Red Point Ventures é um pouco isso. Aí, no Headline 3, eu, o Matias, que é fundador da Headline, o Matias Schilling e o Jeff Brody, que é fundador da Red Point, resolvemos seguir com a mesma estratégia do 1 e do 2, que é a mesma estratégia da Red Point, Estados Unidos, e da Headline, Estados Unidos, que é fazer o Venture Capital Clássico, Early Stage, principalmente Série A, ou pouco antes da Série A, e, eventualmente, uma rodada Série B, uma rodada maior, buscando sempre uma participação minoritária, mas significativa, em torno de 20%, participando do conselho, estando próximo dos founders. Então, são portfólios que são montados em vintages de três, quatro anos, que vão ter em torno de 20 companhias, então não é uma estratégia que você pode ter 100 companhias, porque senão você não consegue ajudar ninguém. E menos também fica muito concentrado. E que tem dado certo, fundo 1 está performando super bem, fundo 2 também. E agora, fundo 3, a gente está construindo esse portfólio. Estamos com 8 investidos até agora, com 18 meses de fundo. Temos aí, pelo menos, mais umas 12 para investir ao longo dos próximos dois meses.
E a tese da headline, ela é igual à da Red Point Inventory? Parece que, na casa da headline, vocês investem em um estágio mais inicial do que na Red Point Inventory. Vocês investiam mais em Série B, Série C?
Eu estou errado.
Como é que é essa tese?
A tese é igual. A tese é igual. A gente foca em companhias no mesmo estágio, não é antes nem depois, é exatamente ali, no Série A ou logo antes do Série A. A diferença é o que a gente, como a gente faz isso. Então, tem uma escola clássica de Venture Capital, que é a Red Point, faz parte, que é, o pessoal fala, como se fosse um grande clube. Então, você tem um investidor de renome, que tem um histórico muito forte, que ou foi um founder muito bem-sucedido, ou fez investimentos em empresas que viraram coras, fizeram IPO, e aí, obviamente, isso vira quase que um ímã e atrai os melhores empreendedores da próxima geração, e se acumula isso, e atrai de novo, e acumula isso, Então é assim com Redpoint, é assim com Benchmark, é assim com Sequoia, é assim com Kleiner, é assim com Excel. Excel, todos esses fundos lá fora fazem parte dessa escola. Então construo reputação, track record, e eu garanto as próximas safras. A Headline tem uma outra escola, porque a Headline foi fundada por dois suíço-alemães que foram para o Vale do Silício no final dos anos 90, 98, para competir com esses caras que eu mencionei. E eles perceberam que não tinha como, porque toda vez que um empreendedor recebia um term sheet de uma Red Point, que foi o primeiro investidor em Netflix, de uma Sequoia, que foi o primeiro investidor em Google, de uma Accel, que foi o primeiro investidor em Facebook, de uma Benchmark, que fez, sei lá, agora fez Uber e Woodwork, um monte de coisa de giga economy, e de dois alemães falando com sotaque, ele pegava qualquer um menos dos alemães. E eles concluíram que o único jeito de eles ganharem esse jogo é não deixar um empreendedor e fazer um roadshow. E chegar antes. E como é que eu sei que alguém vai fazer um roadshow daqui quatro a seis meses? Vamos atrás de dados. E desde 2005, a headline talvez seja pioneira e talvez líder em ter dados sobre sinais de startups, sem ter que falar com as startups, capturando todo tipo de dados, a velocidade e a probabilidade dessa startup, são 7 milhões de startups monitoradas, está fazendo uma série A nos próximos 4, 5, 6 meses. E com isso, chegar antes e esvaziar a rodada, fazer a rodada antes. Então, acho que a gente tem esse privilégio de combinar os dois mundos. O meu track record tem mais a ver com essa escola mais antiga de venture capital, o Jeff, que é pai dessa escola lá no Vale do Silício, e o Matias, que traz essa visão de dados. Então, a forma como a gente encontra e seleciona as empresas é diferente. Mas o tipo de empresa que a gente está buscando, o estágio e a composição de portfólio, é algo que já vem sendo feito desde a década de 70 no Vale do Silício, com muito sucesso. E aí, nesse momento, a XP procurou a gente e falou, pô, a gente tem aqui na Asset uma série de estratégias. Por que você não vem aqui liderar esse Head da Estratégia de Venture Capital? Eu falei, puta, eu acho fantástica a ideia, a gente já tinha ensaiado uma distribuição pequena com a XP no fundo dois, a gente viu que tinha apetite, porque o brasileiro que é um investidor qualificado, que tem um milhão de reais ou mais na conta do banco, não tinha acesso a um produto como o nosso, precisava ter mais de 10 milhões de reais, precisava ser profissional. E eu falei, pô, tem muita gente que adoraria, que já fez besteira, já queimou a mão investindo na empresa do sobrinho, do vizinho, adoraria ter um gestor profissional de venture capital e adoraria estar envolvido nesse mundo. E aí veio a ideia de... E aí, obviamente, isso associado ao poder da XP de captar, de originar, a gente falou, pô, faz sentido, vamos, só que, obviamente, eu queria trazer a Headline, trazer a plataforma de tecnologia da Headline, quero trazer o Jeff e o Matias tratarem no comitê. E aí foi super fácil, fazia todo sentido, então a gente chegou super rápido no modelo. Hoje, a Headline é o fundo de Venture Capital da XP Asset, é completamente independente. a gente levantou dinheiro com 12.497 cotistas. Para terem vocês uma ideia da diferença, o Redpoint 1 tinha 13 cotistas, agora a gente tem 12 mil cotistas. Seria impossível se não tivesse a plataforma da XP. Os 15 mil assessores da XP, além de ajudarem na captação, eles hoje ajudam a originar, a encontrar essas startups, estão associados a o VC tradicional que eu falei da reputação, ao VC novo de dados para identificar quem vai fazer uma rodada. A gente tem 15 mil olheiros achando o próximo Pelé, o próximo Neymar. Então isso é muito forte, especialmente porque a startup que a gente investe não tem mais escritório, não está mais em São Paulo, todo mundo remoto. E a gente fez essa captação, então hoje a gente tem investidores brasileiros, pessoas físicas, tem um investimento direto da XP, no fundo, e investidores internacionais que investem nesse portfólio de startups brasileiras que a gente está montando. E para a gente também é muito legal, principalmente para mim, Porque eu não preciso ter o back office, eu não preciso ter gente de jurídico, de administrativo, de financeiro, de nada disso. Então, eu uso todos os serviços da XP Asset aqui no Brasil e a parte offshore do fundo usa todos os serviços da Headline de São Francisco. Então, eu e o time, a gente faz uma coisa só. Startup, startup, startup. Seja para selecionar, seja para decidir investir, seja para ajudar a crescer.
Como é que o venture capital internacional, os investidores internacionais olham para o Brasil? Tem algum diferencial aqui no mercado que a FIUSA traz?
Sim. E é curioso porque, sim, o Red Pine Ventures 1 foi o primeiro fundo a trazer investidores de fora, e agora acho que a gente é o primeiro fundo a se bobear no mundo a fazer uma distribuição varejo. E esse modelo que a gente fez com a XP, no primeiro semestre de 2022, eu escuto agora alguns bancos lá fora e fundos querendo fazer o parecido. Então, de certa forma, inovador globalmente. O investidor internacional vê no Brasil um potencial gigantesco. É contraintuitivo, mas justamente por causa das dores e das ineficiências que a gente tem aqui. E tudo bem, você tem um monte de mercados emergentes também, mas com a população do tamanho que a gente tem, 200 milhões de pessoas. Todo mundo, sem um sistema de castas como tem na Índia, ou sem um controle como tem na China ou na Rússia, que pode mudar a regra do jogo muito de repente, cria uma combinação perfeita para você criar empresas de alto crescimento que vão justamente resolver essas dúvidas. Então é muito mais fácil resolver uma dor no Brasil, uma dor real, aparente, eu brinco do que resolver na Dinamarca, onde já não tem mais muita dor para resolver, além do mercado ser minúsculo. Então, acho que essa combinação de ineficiência e dor, infelizmente, por um lado, e mercado muito grande, faz do Brasil um mercado perfeito para empresas de venture capital.
E para escalar globalmente.
Também, que é um capítulo novo. A gente, quando investe, A gente não considera que aquela startup tem que fazer expansão internacional para o case ficar de pé. Ela precisa ser boa o suficiente para o fundo, mesmo que ela nunca vá para fora do Brasil. Dito isso, você vê de império o sucesso que é no mundo inteiro, talvez a startup brasileira que melhor expandiu internacionalmente até hoje. Você vê pismo escalando em 78 países do mundo. Talvez a Deep Tech brasileira que melhor está representando o Brasil para dizer, olha, o Brasil tem tecnologia de ponto. Então, realmente tem um capítulo novo aí na internacionalização.
Bom, a gente passou aí por um inverno de investimentos nos últimos dois anos, mas mais recentemente a gente começou a escutar, ver anúncios de novos investimentos. Inclusive em aquisições como a da ProPapismo, mais de 1 bilhão de dólares. Você acha que o inverno já passou, a gente tá vendo uma primavera, vamos ver um verão? Quais serão os planos da headline para 2024? Como é que você tá olhando aí o mercado ano que vem, nos próximos anos?
Olha, eu acho que o meu portfólio vira e mexe algum founder falando, então tô planejando captar agora em 2024. Não sei se setembro ou outubro, não existe isso. Porque tem muita incerteza. Você vê, a gente está conversando aqui, teve a última super quarta do ano, o Paulo foi super Dolvis, foi super pro mercado, falou que talvez já comece a reduzir antes, o mercado hoje está bombando, ontem também, todo mundo super otimista. Então não é que eu não sou otimista, Eu acho que todo founder tem que ser otimista, mas na hora de planejar, você não tem benefício nenhum em ser otimista e ficar esperando uma variável externa, depender de uma variável externa para o teu plano dar certo. Então, eu costumo brincar que você tem que ser paranoico no planejamento e otimista na execução, liderando o time. E nesse tom, nesse tipo de pensamento, eu ainda sou muito cauteloso. Porque a gente vê muita estatística de muito fundo com muito dinheiro, mas tem muito fundo com muito dinheiro que investiu bastante em 2021 e está com marcações ruins e tem que guardar esse dinheiro para talvez ajudar essas companhias. Tem muito fundo que está com dinheiro, mas está com medo de investir todo o dinheiro porque não sabe quando vai levantar outro fundo, porque você não tem sinalização dos investidores já de novo em venture capital, porque com a Treasury estava 4, Treasury tem 10 anos, há dois meses atrás estava 4,90, hoje está 3,90, legal, então se continuar assim, acho que vai voltar dinheiro. Então sim, acho que o inverno passou, os sinais são positivos, mas eu acho que a primavera está ali na frente, possivelmente. Mas eu não tenho a tranquilidade, se eu fosse um empreendedor, um founder, eu também não teria, de contar que a gente vai ter liquidez no mercado, seja aqui, seja lá nos Estados Unidos. E não por acaso, apesar de todos esses sinais bons, o último TRI agora, o terceiro TRI agora desse ano, foi recorde absoluto de startups fechando na história, justamente por isso. Então eu acho que sim. Passou, mas não quer dizer que agora as coisas vão começar a melhorar. Elas vão parar de piorar.
Não vão voltar para o patamar de 2017.
Elas vão demorar bastante tempo para voltar no patamar de 2017, 2018. Não digo de valuation, digo de liquidez em geral. Valuation pode voltar antes. O pessoal, quem ainda está pensando, esperando voltar para 2021, não entendeu o que aconteceu em 2021. E realmente foi um cisne negro. que foi impresso por todos os bancos centrais, simultaneamente, no mundo todo, porque não foi só um, foram todos, você precisava ou de outra pandemia ou de uma guerra mundial. Então, sim, se não tiver nenhum desses dois eventos, não vai voltar para o mundo.
E a pandemia acelerou muito a digitalização, né?
Sim, mas criou uma distorção no valor de todos os ativos. Porque era tanto dinheiro que você pega, bom, Dogecoin. Dogecoin você lê e está escrito, isso aqui é um meme, A gente fez isso como uma brincadeira. Subia dez vezes. O cara falou, ah, o cara tá falando isso, mas na verdade eu acho que eles vão depois bolar alguma coisa.
Bolar o quê?
Tem um monte de gente com projeto sério, tentando fazer um projeto sério e não é fácil. O cara que fez o meme vai fazer um projeto sério? Então, assim, todos os ativos de escolar de preço de carro usado, a moda, a relógio. Adivinha o quê? Startup. Aquilo não é real. 18 pode ser real. Pós-pandemia, aí é real.
E os planos da headline para 24? Então, eles são mais cautelosos, são mais agressivos? Quantas pessoas vão investir? Quantas empresas? Que setores?
A gente está em uma situação boa e que a gente tem que aproveitar. Que é o fato de que os valuations estão ajustados. A gente tem poucos fundos que estão captados pós 21. 22 e que estão com esse capital fresco, que não estão com nenhum investimento com os valuations loucos de antigamente. Então a gente consegue passar bastante tempo conhecendo os empreendedores, aprofundando nas teses. Então a gente vai seguir investindo e montando esse portfólio no ritmo que a gente se comprometeu. Então bem dentro do ritmo. Então esse ano A gente fez o primeiro investimento em dezembro do ano passado, esse ano a gente fecha o ano com mais sete ou oito investimentos, dependendo aí do que acontecer nas próximas duas semanas, que é um ritmo bom, sete investimentos por ano, era planejado, então o ano que vem imagino diferente, a gente deve deve seguir esse ritmo de investimentos. Seguimos agnósticos de setor. Então, a gente investe em tech, em saúde, em comércio eletrônico, em logística, em seguros. Poxa, investe em marketplace, investe em software bastante. Então, não tem nada relacionado a setor. A gente é focado em Brasil, Então, eu acho difícil a gente investir em uma startup que seja em algum país da América Latina fora do Brasil. A gente fez isso no Red Pan 2 e no Red Pan 2, acho que isso é um ajuste na tese que a gente fez para a tese de Venture Capital, de Early. Porque Early não adianta, você tem que estar perto, você tem que entender daquele mercado, você tem que saber o que está acontecendo. Por mais que o México pareça perto, o Argentino, o Uruguai, o que seja, eu não sei exatamente o que está acontecendo lá. Enfim, otimista, em relação a isso, otimista. Tem uma descorrelação gigantesca, economia, crise e tecnologia. As maiores safras, as melhores safras de investimento em tecnologia sempre foram em períodos difíceis, em vintage que a gente está vivendo agora é muito especial por isso, não só para quem está investindo, mas mesmo para os empreendedores e muitas vezes não é óbvio, mas em 2021 você ia levantar 10, 15 milhões de dólares e você ia ter 3, 4 competidores que vão levantar 10, 15 milhões de dólares, hoje você vai levantar só 3, mas ninguém mais vai levantar. A chance de você dar 5 vezes menos dinheiro, você tem 100% do dinheiro que vai ser colocado na tese, mesmo que seja só 3. Antes você ia ter 20% do dinheiro. Quando antes era 20, vamos supor que na sua tese é importante uma parceria com uma grande corretora. Hoje só você vai bater na XP, antes os 5 iam bater. Hoje só você vai contratar a DEV, os 5 iam contratar. Só você vai comprar sua palavra-chave no Google, os 5 iam ficar se disputando.
A concorrência é bem menor.
Essa desertificação em volta das teses fazem os ganhadores. Então, acho que para empreender é muito melhor agora do que antes.
Bom, vocês são agnósticos, mas qual que.
É a previsão que você faz para.
O mercado de tecnologia no próximo ano, nos próximos anos? Você acha que a inteligência artificial vai continuar sendo a grande protagonista, de tech, web3, blockchain, enfim, o que você está aglomerando aí para os próximos anos?
Eu acho que Eu acho que a AI segue com bastante protagonismo. A gente viu só a primeira derivada de AI, que são os grandes modelos montados, precisa de um dinheiro, montados pelos grandes players. O que eu acho que a gente vai começar a ver agora são empresas que têm um diferencial, começando a criar seus próprios modelos, a tunar esses modelos. Então, assim, Ah, a empresa X tá usando AI pra fazer customer service. Pra mim isso não é AI. Pra mim isso é alguém pegar uma... É que eles falam assim, ah, eu uso o Excel. Tá bom, mas você não é a Microsoft que fez o Excel. Uma coisa é você fazer o seu modelo. Outra coisa é você usar modelos que existem pra melhorar a eficiência do teu negócio. É o mínimo que qualquer gestor tem que fazer é usar o que tem disponível. Então já corta um pouco dessa papagaiada que eu uso AI pra isso e pra aquilo. quem tem competência de desenvolver modelos proprietários de AI. Ou alguém que tem uma capacidade humana muito grande, com muito engenheiro bom, que vai desenvolver algoritmos muito inovadores. Ou quem tem acesso a dados proprietários muito relevantes, que pode treinar a sua rede de uma forma que ninguém mais pode. Então, eu acho que por causa disso a gente vai ver startups em AI, talvez mais nichadas, mas que vão aproveitar o que eles têm de informação, que só eles têm, para poder treinar modelos que são melhores do que o modelo generalista. Como com busca. Você tinha buscas genéricas, você encontra tudo, mas não com muita qualidade. E, naturalmente, você tinha as buscas verticais, que tanto eram melhores, que os maiores buscadores do mundo começaram a criar suas buscas verticais. Hotel, avião, música, filme, o que seja, preços. Então acho que a mesma coisa se repete com o AI. E na hora que você pega essa Essa segmentação dos modelos, você tem muitos dados, eu acho que os modelos genéricos, vai ser difícil a gente ver alguma coisa no Brasil, mas esses modelos já segmentados, você tem muita empresa, por exemplo, no Brasil, que tem muita informação, que tem um contexto brasileiro, que nunca uma OpenAI, uma Gemini do Google ou quem seja vai conseguir ter esse tipo de profundidade. Então, acho que sim, AI é um setor. Tem muita coisa em fintech, sem dúvida nenhuma, ainda é um mercado grande, a gente vai ver muita coisa acontecendo. Saúde, eu acho que a gente está faz tempo esperando alguma startup gigantesca em saúde. Não acho que ela vai aparecer no ano que vem, mas acho que ela vai começar a ser construída ao longo dos próximos anos. É um espaço com muita dor, muita ineficiência. Então, é um espaço que a gente gosta, a gente olha bastante. ESG, e aqui eu não falo de greenwashing nem nada disso, mas eu acho que enablers que criam soluções ESG para grandes empresas. E ESG vai entrar os três, o meio ambiente, o social e governança. Então, você pega micromobilidade, cidades inteligentes, ambiental, o que seja, eu acho que vai receber muito vento de poupa, por dois motivos, de um lado, o consumidor buscando um produto na prateleira, quando ele puxa esse produto, ele se preocupa mais em saber, se ele tem dois produtos para comprar, ele sabe que um é menos pior, ele pega o menos pior hoje. Então, quando eu comecei a Inventure Capital, há 10, 11 anos atrás, você tinha que escolher, se era um fundo de performance financeira ou um fundo de impacto. Porque se você não estiver pensando no impacto que a empresa gera, essa empresa não vai crescer e não vai te dar performance financeira. Mas o que é legal nas empresas, em geral, que estão pensando em mobilidade, cidades inteligentes, CSG, e aí você tem, pô, eu reciclo, tem Bice, Vitude, uma série de empresas que a gente fez, é que do outro lado você também tem acesso a funding mais barato. Você tem dinheiro hoje marcado no mundo, destinado a esse tipo de iniciativa. Então, uma empresa como a Tembici, que está redesenhando a mobilidade urbana com bicicleta, ela tem uma necessidade de dinheiro para capex, para investimento. Isso é ruim, geralmente, para o modelo de ventura. Mas como você tem bolso marcado de organismos multilaterais, de bancos de desenvolvimento, para serem injetados nesse tipo de empresa, você consegue captar com juros muito, muito baixos de... Então, você consegue equalizar a sua conta de capex frente dívida e deixa para levantar em equity só o que você precisa para fazer growth. Então, acho que a gente vai ver mais desses modelos sendo bem sucedidos.
E uma pergunta que eu me permito fazer, porque está na minha área de atuação. A marca Romero Rodrigues se tornou uma referência no mercado de tecnologia.
Qual você acha que é a importância.
De arquitetar a sua marca pessoal pra alcançar suas conquistas como empreendedor e investidor? Você sempre teve essa preocupação de cuidar bem da sua marca pessoal? Como é que você procurou cuidar dela ao longo da sua carreira?
Não. Não tive. Curiosamente. Como você sabe, a primeira vez que a gente foi parar pra falar sobre isso e tal, eu já tinha finalizado meu ciclo de busca pé e tava, enfim, começando a pensar o que eu ia fazer da vida depois. Eu acho que fruto do Buscapé ter sido bem-sucedido, e eu vejo isso se repetir em uma série de empresas bem-sucedidas, foi o fato de que qualquer agenda pessoal minha, e também do Rodrigo, e também do Ronaldo, e também do Mário, servia a agenda do Buscapé. Então, nunca o Rabo, a Banaba e o Cachorro, nunca a empresa Eu usava a empresa, qualquer um usava a empresa, para uma agenda pessoal. Era o contrário. Era se a minha imagem vai ajudar a empresa, ótimo. Se não vai ajudar a empresa, porque eu nem vou perder tempo com isso, porque eu tenho mais o que fazer. Lembro uma vez, quando apareceu, vai ter uma capa de veja dos solteiros. Sei lá o que, edição para frente. Eu disse, você está louco, eu não consigo ver. Deixa eu te falar quem que eu... O Antônio Edmílio de Moraes não estaria nessa, o Abildo Juníus não estaria nessa, o Jeff Bezos não estaria nessa. Mentira dessa. Então eu acho que o bom líder consegue ter essa dose pequena de ego e de autoestima, obviamente, para criar gravidade e liderar, e todo mundo enxergar aquele propósito, aquela missão e ir atrás. Mas muito da ruína de muitas empresas é quando o personagem se torna maior e usa a empresa para se elevar de alguma forma. Então, acho que a gente sempre tomou esse cuidado. E também, eu não tinha a menor ideia do que eu ia fazer depois. Quando eu saí do Buscapé, eu fui experimentar, eu pensei em outros negócios, fui fazer bastante posição de conselho. Fiquei aí um ano e meio pensando até decidir fazer Venture Capital. Então é curioso, o Jobs, no commencement speech de Stanford em 2005, falou, e realmente é verdade, você olha para trás e parece tudo tão bem orquestrado e organizado, e eu vejo hoje uma linha muito coerente numa trajetória minha, essa intersecção de empreendedorismo e tecnologia, mas não foi pensado. Quando eu estava no Busca Pé, eu realmente imaginei, se você falasse qual era o sonho máximo quando a gente começou o Busca Pé, para que o Buscapé ia ser a Coca-Cola da nossa geração, ou seja, uma empresa que daqui 100 anos as pessoas iam usar, iam falar quem criou isso, não sei, parece que foi um monge em algum lugar e tal, ou seja, ia viver mais do que os próprios criadores. Então não tinha, nesse tipo de sonho, eu nem sei o nome do monge que criou a Coca-Cola, nesse tipo de sonho não tem agenda pessoal.
Bom, uma última questão.
Se a minha matemática não tá errada.
Em 2027 você vai celebrar 50 anos. Não queria te lembrar isso, mas é fato. Onde é que você enxerga o Romero aos 50, 60, 70 anos?
Já não dá pra você até se.
Aposentar, você tá com dois filhos pequenos, já tá curtindo a vida, a família. Você pensa em parar algum dia?
O pessoal brinca que... se acerta é pra falar que eu vou fazer 50 anos, puta que pariu. Eu nunca tinha parado pra pensar nisso, mas eu gosto muito do que eu faço. E, óbvio, estou agora com um fundo novo. Os fundos duram 10 anos. Então, se eu demorei um ano para sair do Buscapé e que eu poderia sair a qualquer momento, imagina num fundo que dura 10 anos. Eu não vejo hoje fazendo outra coisa. O que eu faço... Eu trabalho muito mais do que eu imaginei que eu ia trabalhar. Acho que eu trabalho mais horas do que eu trabalhava na época de Buscapé. Mas é muito gostoso. É um trabalho que... Do ponto de vista intelectual, eu não consigo imaginar que outro trabalho possa ser parecido, porque eu passo o dia com pessoas mais inteligentes do que eu, que conhecem melhor os seus espaços, obviamente, do que eu. Então, estou aprendendo sem parar, tentando entender como as dores que existem no mundo hoje vão ser resolvidas ou não em 10 anos, e se aquela tecnologia se aplica ou não para resolver aquela dor. E ao mesmo tempo, do lado financeiro, é talvez a classe de ativo mais difícil, porque você tem que ter todas as outras habilidades de entender como vai ser o Google daqui a 10 anos, porque está listado, se eleu os relatórios, e como vai ser a curva de juros, e como o macro vai influenciar, e como todas essas derivadas vão descendo, mas Apesar de todo esse conhecimento financeiro necessário e apesar de toda essa especulação sobre o que vai ser o futuro, você está apostando numa pessoa e não existe nenhuma planilha, com nenhuma fórmula que te dá o resultado do que é o Luiz, se ele escuta, se ele é teimoso, se ele não é teimoso. Então você anda atrás do terceiro componente, que não adianta você saber qual é o futuro que vai resolver, porque você não sabe, não adianta você entender tudo pessoa errada. Então, eu ouso dizer que é talvez a coisa mais difícil que existe pra fazer. Então, talvez se aparecer alguma coisa mais desafiadora, talvez eu me motive a fazer. No momento, é desafiadora o suficiente. Zero plano de se aposentar. Claro. Acho que o homem... A mulher consegue pensar melhor em aposentadoria.
Do que o homem.
O homem, ele aposenta geralmente quando ele morre.
Muito obrigado, Romero.
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