ROMERO RODRIGUES TRILHA DA INOVAÇÃO

Interview (YouTube) with Romero Rodrigues on the program "Trilha da Inovação" hosted by Ana Médici. Romero recounts founding BuscaPé at age 21 (site launched June 1999 with ~35 stores and ~30,000 product-price entries), his 16 years as Buscapé CEO, involvement with 100+ startups of which 9 became unicorns, and his current roles in VC (partner at XP managing Headline XP and leading Redpoint/Redline funds). Discussion topics include early internet entrepreneurship in Brazil, startup product–market fit, fundraising cycles (market correction since 2021; opportunities during downturns), portfolio construction (read >1,500 startups to select 2 for a new fund), portfolio outcomes (rule-of-thirds: ~1/3 fail, 1/3 flat, 1/3 deliver outsized returns), team and founder evaluation, equity/stock-option practices, corporate venture capital (CVC) considerations, and practical advice for early-stage founders (family/friends rounds, focus on problem, hire talent, use vesting). He reports total assets managed ≈ R$2.5 billion and that the new Redline 3 fund has R$916 million and was activated 8 June 2022.
Questions this video answers
21 years old.
June 1999; approximately 35 stores and 30,000 product-price entries.
Involved in more than 100 startups; 9 became unicorns (valued >US$1B).
Approximately R$2.5 billion.
R$916 million; activated 8 June 2022.
Chapters
O futuro já chegou e nós estamos aqui pra te guiar nessa jornada. Bem-vindos ao Trilha da Inovação, o programa que vai te conectar ao universo das startups, da inovação e do empreendedorismo. Aqui você vai saber comigo, Ana Médici, como a inovação e a tecnologia estão transformando o mundo dos negócios e o nosso dia a dia. O programa é uma parceria entre o canal Empreender do Grupo Bandeirantes e a InfoMoney. E hoje eu estou aqui com Romero Rodrigues. Romero, é um prazer ter você aqui no Trilha da Inovação.
Prazer é todo meu.
Gente, pra quem não sabe, o Romero Rodrigues começou no mundo dos negócios muito cedo. Aos 21 anos, ele foi um dos fundadores do site BuscaPé, uma das primeiras startups brasileiras, onde também foi CEO por 16 anos. Romero já esteve envolvido em mais de 100 startups, 9 delas se tornaram unicórnios. Empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares. Atualmente, Romero Rodrigues é sócio responsável por Venture Capital na XP, onde gere o recém-captado Headline XP. Romero também está à frente dos fundos da Redpoint Ventures. É muita coisa, né, Romero?
Bastante coisa.
Muito para você gerir.
Muita diversão.
Bom, Romero, quero começar conversando com você sobre o seu início aí no mundo das startups. Você começou muito cedo, aos 21 anos, e foi um dos fundadores do Buscacpé, que é considerado a primeira startup brasileira, uma das primeiras startups brasileiras. Como é que foi essa trajetória? Porque nessa época, se falar em startup era uma coisa que ainda era muito distante das pessoas. Como é que foi esse começo?
Esse início? Olha, na verdade, era tão distante que a gente não falava startup. Primeiro, você falava que tinha um site. Não ajudava muito, porque as pessoas não entendiam o que era um site. Depois, em 2000, a internet começou a ficar, porque a gente começou em 98. Depois da internet começou a ficar um pouco mais conhecida, e o pessoal falava ponto com. E startup só foi virar mesmo na hora que a gente já estava quase vendendo o buscapé. Mas eu acho que sempre foi uma inspiração que eu tive de infância. Meu pai sempre empreendeu, teve negócio próprio, eu queria montar meu próprio negócio. Desde criança, eu inventava coisa pra fazer. Enfim, e assim foi, eu fui buscar a faculdade de engenharia porque eu queria empreender com informática, que era como a gente chamava na época. Eu já entrei na faculdade de engenharia inventando coisa pra fazer, empresa pra criar, várias deram errado, até que veio a ideia de fazer um site, que era algo novo na época, que buscasse produto e preço. Porque você tinha site que buscava outros sites, você não tinha site que buscava produto e preço. E aí veio a inspiração do Buscapé, junto com um amigo de faculdade, que a gente chamou outro, chamou outro, montamos o time inicial do que veio a ser o Buscapé. E o Buscapé entrou no ar. Em junho de 99, naquela época, imagina, não tinha do que tem internet hoje que a gente conhece, acho que tinha talvez o UOL, o Yahoo, não existia Google, não existia, enfim, celular que conectava na internet, não existia nada disso, e o Buscapé tinha 35 lojas e 30 mil produtos de preço, que era 100% do que existia na internet brasileira.
Agora, quando vocês criaram o Buscapé, vocês tiveram alguma referência internacional? Ou a ideia realmente de juntar preços e locais veio com uma inspiração?
Veio de uma dor, de uma inspiração. O Rodrigo, que era meu colega na pole, amigo, fazia estágio junto comigo no laboratório de pesquisa, queria comprar uma impressora e procurou nos sites de busca da época, Altavista, Yahoo, Lycos, no Brasil era o KD, Encontrava tudo, menos informação de produto e de preço. E aí veio a ideia de fazer um site que só buscasse produto e preço. Então, quando a gente teve a ideia, não existia no mundo. A nossa ideia era lançar o Buscapé com 100 lojas. E aí, quando a gente estava lá perto das 35, foi lançado nos Estados Unidos o MySimon, que foi o primeiro site de comparação de preço a ser lançado no mundo. A gente correu e lançou logo em seguida o Buscapé, que foi o segundo site de comparação de preço a ser lançado no mundo. por pouco, ou graças a Deus, de certa forma, o MySimon foi lançado, senão a gente estaria adorando a pílula até chegar nas 100 lojas, sei lá, porque a gente inventou que tinha esse número. Então você vê como, às vezes, o feito é melhor que o perfeito.
Com certeza. Aliás, isso é... muito se fala, né? É melhor colocar ali a ferramenta em prática, colocar pra rodar e entender o mercado, do que você ficar tentando fazer uma coisa perfeita que nunca se chega... a lugar nenhum, né? E todos os fundadores de startup e que se deram bem batem muito nessa tecla, né? Colocar os cavalos na rua, né?
Enfim, naquela época era mato alto, né? Então assim, não tinha literatura, não tinha livro pra saber disso. O jeito de se fazer negócio era o jeito antigo. Então a gente foi aprendendo na dor, foi acumulando olho roxo, foi acumulando cicatriz. Um exemplo que eu dou interessante é que se a gente pensasse do ponto de vista de teste de hipótese, O nosso teste de hipótese dizia que o Buscapé nunca funcionaria, porque a ideia original não era preço de loja online, era preço de loja de rua. Então a gente desenvolveu, olha o trabalho, a gente desenvolveu um programa que tinha que caber num disquete de 1.44 megabytes, exato, que ia ser distribuído em banca de jornal para o varejista instalar no computador, aquilo procurava no HD do computador os preços do varejista ou no software de gestão, conectava meia-noite pelo modem na BBS, você vê nada disso existe, banca de jornal tá acabando, mas modem, BBS, disquete e mandava os preços pra gente. E com o programa pronto, Eu peguei uma caixinha com 10 disquetes, eu morava no paraíso, fui em tudo quanto era varejo local e ganhei um não atrás do outro. Não consegui distribuir um dos 10 disquetes. Ou seja, para eu testar essa hipótese, eu nem precisava ter feito o programa. O disquete podia estar vazio. Então, de cara, a resposta foi, você é louco, a gente nunca vai dar preço, varejo não dá preço, porque o lance do varejo é o consumidor entrar na minha loja sem saber o preço. Aí eu prendo ele. Por que eu vou dar o preço antes? Não dou nem por telefone. Então foi essa barreira que tivemos que quebrar. Foi difícil.
Incrível. Agora quem não está vendendo online também está fadado a morrer. Muito louco. Você trabalha com fundo de investimento que tem um capital muito grande. Vimos que o mercado de tecnologia deu uma retraída forte em 2023, com as big techs mandando embora muita gente, retraindo investimentos, as startups também. Em 2022, a gente teve um ano que teve quase metade dos investimentos em relação a 2021, que foi recorde, quase 9 bilhões de dólares, cerca de 9 bilhões de dólares. Como é que você vê o mercado agora de startups em 2023 e os investimentos? nos negócios inovadores?
Olha, essas correções são muito naturais e já existiram outras vezes no passado recente. Seja em 2000, com o estouro das ponto com, em 2008, 2009, na crise financeira global, também a gente teve uma chacoalhada e agora foi acentuado pelo excesso de liquidez que a gente teve no pós-covid. Então, os valores não ficaram erroneamente muito altos, E, obviamente, quando balança muito forte para um lado, balança muito forte para o outro. Então, as correções também estão sendo severas. Muito empreendedor me pergunta, quando é que vai voltar para os números de 21? Acho que em termos de múltiplo, talvez nunca. E isso é ótimo, isso não é ruim, porque empreender, outro dia um empreendedor estava falando isso para mim, é verdade, eu me lembro disso, empreender é fazer mais com menos, não é fazer mais com muito mais, ou fazer um pouco mais com muito dinheiro. E tinha muito dinheiro sendo empregado da forma errada. E isso acaba sendo muito ruim para o empreendedor que quer gerar valor, para o empreendedor que está tentando resolver um problema, porque o dinheiro às vezes mascara como o problema foi resolvido. É que nem quando você dá cortisona para um paciente, você não consegue depois detectar realmente qual o problema que aquele paciente tem, porque com dinheiro você consegue resolver. muito problema no curto prazo. Então nesse momento que a gente está, para o empreendedor que está sério querendo resolver um problema, é a melhor notícia do mundo. Porque o empreendedor que opera bem vai ter dinheiro mais limitado? Vai. Mas ele quando captar, a chance de sucesso dele é muito maior do que antes. Então vou dar um exemplo. Se eu tivesse uma tese qualquer, vou fazer um e-commerce para vender um determinado produto, seja uma healthtech, uma fintech, captei em 2021 10 milhões de dólares. Eu vou ter mais 5 concorrentes captando, 4 ou 5 captando 10 milhões de dólares. Agora, se você captar 3 ou 4, já foi bem, mas ninguém mais vai captar. Ou no máximo um. Então você vai ter menos dinheiro, mas tem muito menos inflação nos recursos. É mais fácil achar programador, é mais fácil comprar mídia, tem menos gente disputando cliente e você vai ter 50%, nesse meu exemplo, de todo o capital disponível. Em 2021, apesar de você ter três vezes mais dinheiro, você vai ter 20% só do capital que vai ser aplicado na tese. Então para o empreendedor que é bom de captar, mas não é bom de executar, o mercado ficou difícil. para o empreendedor que é bom de executar o mercado está muito melhor.
Então é um momento bom para quem está pensando em começar um negócio inovador, abrir uma startup, é um momento bom.
Melhor momento do mundo. E quando a gente olha historicamente isso também se reflete. Então, por exemplo, se a gente volta para as três grandes recessões americanas que a gente teve nos 50, 60 anos que existe Venture Capital, As melhores safras foram durante as recessões. A recessão da década de 70 foi fundada Microsoft e Apple. Estouro da bolha em 2000, Google, Tesla, Mercado Livre, próprio Buscapé. 2008, 2009, tudo que é economia compartilhada. Airbnb, Uber, claro, eu não vou comprar um carro novo, eu vou compartilhar o carro. Eu não vou comprar uma casa de praia, eu vou compartilhar a casa de praia. E tudo que é social media também surgiu em 2008 e 2009. Você não precisa de ativo, você não precisa construir galpão, você não precisa construir... a estrada, você não precisa construir ferrovia, quer dizer, é leve em capital investido, é sóctano. Então as melhores safras costumam sair disso. E pelo que eu comentei, você tem acesso à inovação mais fácil, você tem uma retração inicial dos investimentos que dá mais espaço para quem está inovando poder investir. Então imagina que durante 2020 e 2021 todas as grandes empresas tinham equipes de inovação enormes, inclusive as de tecnologia. Todas diminuíram as equipes de inovação. Então para o empreendedor que está começando agora, tem menos competição. Mais mão de obra disponível, menos competição.
Se bem que é um grande desafio, né? Conseguir desenvolvedor é um grande desafio.
Mas está bem mais fácil que 2021.
Bem mais fácil, mas mesmo assim é difícil ainda.
Sempre. Gente boa é sempre um gargalo.
Agora, você hoje gere o fundo Redline XP e também o Redpoint. No seu total de investimento, quanto vocês estão gerindo?
Quando a gente faz a soma de tudo, a gente está falando em 2,5 bilhões de reais.
É muito dinheiro.
O Redpoint são dois fundos que já foram todos investidos. O portfólio já foi montado. Isso faz com que a gente não tenha investimentos novos nos fundos antigos. O Redline 3, que é a parceria da Redpoint, da Redline e da XP comigo, que é um fundo novo, ele só fez dois investimentos até agora. Então ainda é um fundo fresco, um fundo que tem R$ 916 milhões e que está começando a montar o portfólio. Então meu trabalho nos fundos antigos é estar no conselho das empresas investidas e ajudar elas agora até a fase de saída. Já no fundo novo não, aí tem um trabalho grande. de selecionar, aprovar, investir e acompanhar essas empresas desde o comecinho.
Como é que vocês montam esse portfólio? Porque é um grande desafio. Eu imagino assim, é muito dinheiro para se investir e não é tão simples encontrar startups boas no nível que vocês querem encontrar, que é Série A, Série B. Como é que vocês fazem essa análise, esse crivo aí para Vou até trazer.
Números, a gente ativou o fundo em 15... 8, na verdade, foi 8 de junho de 2022. Até o final do ano passado, então 6 meses, quase 7 meses, a gente leu mais de 1.500 startups para chegar em 2. Então a gente está falando aí, pelo menos nesse etapa inicial, 750 para 1. Eu acho que a última vez que eu escolhi medicina na USP era 100 para 1, candidato provado. Então, 7 vezes mais difícil passar no clínico. E não quer dizer que as startups que a gente não investiu, as 1.498, não vão ser grandes empresas. Mas, obviamente, o que a gente procura é muito específico. São startups que já precisam estar no tamanho certo, no ponto certo, com tração, mostrando que atingiu o que a gente chama de fit de produto e mercado. É quando a gente vê que o motorzinho todo da startup tá redondinho, agora basta a gente injetar combustível pra acelerar essa startup.
Para voar ainda mais. Mas essa estratégia de investimento de vocês é para reduzir também o risco, porque a gente sabe que um número muito grande de startups fica pelo caminho. Então vocês também fazem esse tipo de estratégia para reduzir o risco do fundo.
Sem dúvida. Quando a gente desenha o nosso portfólio a gente sabe que um terço das empresas vai morrer, um terço das empresas vai andar de lado e o último um terço vai dar retornos altíssimos. E aí altíssimos eu tô falando de 300, 400 vezes o dinheiro naquele investimento.
Mesmo nesse ponto que vocês pegam?
Mesmo nesse ponto, a índice é ainda maior, mesmo nesse ponto. O grande problema é que a gente não sabe em qual dos três terços a startup que a gente está investindo está ainda. E pior, que nem a gente brinca, elas às vezes costumam mudar de grupo. Então, parece que vai morrer e dá muito certo, parece que dá certo e morre. É o desafio da inovação.
O que você, assim, quando você conversa com um founder de startup, tá? Eu cheguei pra você e falei, ô, Romero, eu tenho uma startup e vou te falar sobre minha startup. O que você analisa em primeiro lugar? Você fala, não, eu vou querer saber desse negócio ou não.
Primeiro lugar, as pessoas.
As pessoas, o time.
Todas as perguntas, elas podem ser de negócio, elas podem ser pessoais, o que seja, mas o que a gente está tentando conhecer é quem é o líder que está atrás daquela ideia, que está atrás daqueles números, que está atrás daquele time que foi montado. E aí não são só as características profissionais, mas é também as características emocionais, os soft skills, não só os hard skills. Então, qual a capacidade dele de liderar, quanto ele agrega, qual é a dinâmica do time, então o founder está cortando o outro, está agregando o outro, existe alguma sensação de disputa ou de racha? Então, por exemplo, a gente já investiu em startups que tem coça em ouro. Mas é um alerta. Por quê? Porque, poxa, quantas empresas nas 500 maiores do S&P tem co-CEOs? Nenhuma. E se lá na frente não resolve esse dilema de quem vai ser o CEO? A gente vai perder um dos co-founders? Se eu estou investindo e meu ativo é pessoas, posso me dar o luxo de perder. Então parte do nosso trabalho como gestor é entender essa amostra que a gente tem, o que tem risco adicional desnecessário. Então, poxa, já estou investindo numa ideia que é inovadora. ainda precisa de uma estrutura de governança inovadora, é risco desnecessário. E a gente remove da mostra. De novo, não quer dizer que não possa ser uma grande empresa. Então, o nosso trabalho não é, no final do dia, investir em todas as empresas que vão ser grandes. Mas ter certeza que as que a gente selecionou se derem certo vão ser muito grandes.
Agora, para quem tem uma startup, uma empresa que tem base tecnológica, que tem uma estabilidade muito alta, para quem tem uma startup e que precisa de investimento, quer ir atrás de investimento, está ainda naquele estágio inicial, a pessoa que está querendo começar o negócio. Qual é a dica que você dá para esse empreendedor?
Depende muito do estágio que está a sua startup. Mas, em geral, eu acho que a principal dica é se cercar de gente boa. Um bom empreendedor, ele é sempre um bom vendedor. Ah, não, mas eu sou tímido, eu não sei vender, eu sou engenheiro, eu sou nerd, eu sou bom de algo... Tipo, você está apaixonado por aquilo, você naturalmente vende. Quanto mais gente acreditar naquela sua ideia, por mais louca que seja, mais sólida e menos etérea é aquela empresa, aquela startup. Então, assim, essa é a regra básica. No começo da jornada, eu quero encontrar algo para empreender. Eu acho que o principal é você procurar problema. Vai mundo afora e vai procurar problema para resolver. Qual o problema? em que existe muito atrito, muita dor e o mercado é grande. E ali tem uma oportunidade gigantesca para você empreender. Depois disso que você encontrou o problema, siga apaixonado pelo problema. Eu vejo muito founder que se apaixona pela solução, esquece do problema e aí ele fica martelo procurando prego, ou seja, ninguém quer o prego na parede mais, mas como ele tem um martelo, ele tem que procurar prego. Ou seja, em vez de ele entender que a dor mudou ou que a dor foi resolvida por um concorrente, e tentar se mexer. Não, ele fica procurando alguém que vai querer usar o produto dele, em vez de se focar na dor que a pessoa está sentindo e resolver ela com um produto mesmo que novo. Então acho que, em geral, é isso.
Dicas maravilhosas. A gente vai para um breve intervalo e a gente volta já já com Romero Rodrigues. A gente está de volta aqui com o Romero Rodrigues. O Romero deu várias dicas, valiosíssimas, para quem está aí querendo, enfim, começar no mundo dos negócios através das startups. Deu dicas também para quem já tem uma startup e quer conseguir investimento. Agora, Romero, eu quero perguntar você uma coisa que acho que é muito importante em relação ao Brasil. Como que o Brasil está hoje no mercado mundial de inovação e de startups? Como você entende hoje o país?
Olha, eu acho que o Brasil é um celeiro potencial muito grande de startups. Por quê? Porque ele tem uma combinação que poucos mercados no mundo têm. Ele é um mercado onde o mercado interno é muito grande, a gente tem mais de 200 milhões de brasileiros, todos embaixo da mesma legislação, falando a mesma língua, com basicamente a mesma cultura. A gente tem muita, mas muita ineficiência. Isso parece ruim, mas isso é bom. Ineficiência, burocracia, significa problema, significa dor para resolver. Então, se fazer algo que seja 10 vezes melhor ou 10 vezes mais barato em um país da Escandinávia, é muito mais difícil do que fazer algo 10 vezes mais barato ou melhor no Brasil. Então, tudo isso, no fundo, é vento a favor. Óbvio, tem desafios. Ah, poxa, o tributário é difícil. Poxa, a lei trabalhista é complicada. Tem. Abrir empresa demora, sem dúvida, mas essa barreira não é só para você, para os seus competidores também. E muitos mercados dentro do Brasil são mercados regulados. Então, por exemplo, a Fintechs. As Fintechs, eu costumo brincar, é um jardim murado. Por quê? Porque é muito difícil para uma empresa global vim para o Brasil, porque você tem que estar com todas as normas brasileiras. Significa que a empresa global, na área financeira, tem que adaptar os sistemas, tem que adaptar os processos. Nem sempre isso é fácil. Então, mercado gigantesco, concentrado, ou seja, poucos bancos, mesmo com os neobanks e todos que têm surgido os bancos digitais, ainda muito concentrado, e que você precisa de regulamentação. Então, isso acaba criando alguns espaços onde o Brasil pode, sem dúvida nenhuma, despontar. Inclusive exportar tecnologia, como a gente tem visto. Seja o Nubank expandido, o GinPass, Hotmart e várias outras companhias.
As fintechs, enfim, os principais aportes que mais levam dinheiro pra dentro desse setup são as fintechs. Mesmo com essa quantidade de fintechs aparecendo e soluções, você acredita que ainda tem muito espaço aí pra... está conquistando dentro desse mercado?
Mesmo no espaço financeiro, sim, sem dúvida nenhuma. Eu acho que a gente está só começando. A gente está começando a ver as empresas que estão atacando os problemas mais óbvios, maiores de uma população grande. Você tem muito problema nichado que mesmo assim constitui um mercado muito grande. E aí a gente pode parecer que tá indo pra beirada, mas ainda é um mercado gigantesco. Por exemplo, a gente investiu numa companhia no Red Point 2, que tá na intersecção de Fintech e condomínio. Quando eu conto, então pra você fazer um banco pra condomínio, você fala assim, pô, não é um mercado pequeno? Quando você vai olhar, não, são meio... milhão de condomínios no Brasil com 30 mil reais por mês de condomínio entrando de flow financeiro. É um mercado gigantesco que não falta de dor no condomínio. Tudo é dor. Cano, cachorro, carro. Não falta dor.
É uma vida, é um país praticamente.
Isso é só um segmento do serviço bancário. Então assim, tem muita coisa ainda para ser criada.
E agora, Romero, uma coisa que eu acho muito interessante é quando a gente fala em erros dos fundadores estatais, quando começam um negócio. Existe uma certa dúvida muito grande em relação à distribuição de equity na empresa. A distribuição de equity seria a distribuição das participações societárias. Qual que seria uma boa estratégia para uma empresa que quer crescer, quer captar investimentos, quer promover uma série A, B e um IPO futuro?
Boa. Eu acho que o founder ou os founders, eles têm que desde o começo pensar em como é que eles vão fazer para atrair não só gente muito talentosa, mas gente muito talentosa e que esteja com a cabeça alinhada com a deles. E aí num espectro entre você trazer gente muito boa, que vai ser muito cara, pagando salários bons ou pagando pouco salário, mas dando participação na companhia, o segundo é muito melhor, porque você está trazendo alguém que necessariamente precisa acreditar no teu sonho para vir, porque ele vai receber pouco no avista, mas pode receber milhões no aprazo. Então, em geral, eu vejo companhias bem-sucedidas tendo dentro do time de fundadores e de gestão um programa de stock option bem montado, de partnership, onde os principais talentos podem passar a ser sócios da companhia. E aí esse grupo muito forte tem que ser muito diligente e não ser muito diluído. Você fala, como assim, Romero? Mas você não está investindo? Você não quer ter o máximo de empresas? Não. A gente acha que uma empresa onde os founders têm um percentual pequeno Não é positivo. Mesmo que eu fosse o investidor que teria a maior parte da empresa, isso pra mim não é bom, porque significa que lá na frente, no meio dessa jornada, o founder vai cansar e vai falar, porque eu tenho pouco disso?
Pode sair do negócio.
Então a história mostra, quando você olha para trás e faz esse teste, que quando o investidor é muito ganancioso e tenta morder um pedaço muito grande da companhia, ele reduz a participação do investimento. Eu por ter sido founder e ter sofrido isso do outro lado, sei muito bem como é estar na posição Quer.
Dizer, um bom investidor sabe que se ele for ganancioso e quiser 50% da startup logo de cara, sei lá, no começo, tá fadado a startup, enfim, não conseguir crescer, porque aí não tem como a diluição ficar quase impossível.
E acaba virando uma profecia autorrealizável, porque na hora que chega pra mim uma startup que o founder já tá muito diluído, eu também não vou querer investir, mesmo que eu vou ter minha participação tradicional, porque eu sei que aquele founder pode ficar triste lá na frente, eu não preciso correr esse risco, volta no nosso papo de risco desnecessário, e eu tiro da amostra. Bom, mas pode ser que seja um ótimo investimento na ciência, mas eu não vou correr esse risco adicional nesse momento.
Agora, Romero, a gente está conversando aqui com o nosso telespectador, que muita gente tem empresas, empresas mais tradicionais que começaram, e a mentalidade das startups é uma mentalidade diferente, começa pela própria distribuição de equity, de visão acionária, tudo é realmente muito diferente. Então assim, as empresas que hoje são mais tradicionais, que são pequenas, são mais tradicionais, ou as médias, como é que você vê essa transformação? Porque o que eu entendo é que o mundo está se transformando, eu acho que todo mundo tem que falar meio que a mesma linguagem. Essas empresas que não se vão modificar, não conseguirem ter uma estratégia de conversa com o mercado nesse sentido, acho que elas vão morrer. Então eu queria que você desse assim, pra quem é um empreendedor, que tem uma empresa, mesmo que seja uma pequena empresa, seja um MEI, qual que é a dica que você dá pra pessoa aí que tá, enfim, entrando pra esse mundo digital, tá entrando pra esse universo de networking, de troca de experiências da startup e transformando o seu negócio?
Ana, acho que o teu ponto é muito bom, porque a gente às vezes esquece que a inovação também vem no jeito de gerir as empresas, então se a gente volta 30, 40 anos no tempo e olha para os Estados Unidos, as empresas que hoje todas oferecem cafezinho, bolachinha e fruta, não ofereciam. Elas começaram a oferecer porque as startups lá de trás ofereciam e elas precisavam competir pelos talentos. As empresas não davam participação nas empresas e hoje toda empresa grande listada dá. Você tem lá programa de ações, recebe RSU, ações e assim por diante. Então essa forma de brigar pelo talento que começa nas startups provocando o que a gente chama de incumbente, mas que são as empresas grandes, que estão lá tranquilas, preguiçosas, movimenta todo o mercado. E a beleza é que mesmo que você tenha um meio pequenininho, só você ali batalhando no dia a dia, O que mudou muito nos últimos 20 anos, desde o meu começo no Buscapé para agora, é o acesso a esse conhecimento. Quer dizer, não existia, você tinha que fazer um MBA, você tinha que fazer uma faculdade fora para descobrir o que era um programa de partnership. Hoje o MBA está sendo escrito, o MBA do futuro está sendo escrito pelas startups.
Eu falo que a gente vai agora, eu acho que o nosso estudo vai ser constante, ainda mais agora com a inteligência artificial, não tem mais como. Você depois de um ano já, o conhecimento mundial já praticamente dobrou.
Então você é lá um MEI e vai juntar com outro MEI, virar uma ME, uma limitada, agora você já pode pensar num programa de partnership, você já pode aplicar tudo isso que acontece nas startups ou nas grandes empresas, óbvio, adaptado pra tua escala, mas o conceito em qualquer iniciativa.
Empresas que são parecidas podem se unir. Você tem o mercado de, sei lá, você vende doce e o seu parceiro da esquina vende bebidas. Você pode tentar fazer aí uma... Ah.
Isso é um M&A?
É como se fosse um M&A.
Ah, que legal. Pô, eu quero trazer mais um sócio. Pô, mas se eu trouxer e ele não estiver mandando bem, como é que eu faço para desligar? Ué, você usa o que está disponível na literatura, chama vesting, né? Então eu trago um sócio novo, ele vai ter uma participação, mas ele vai acumular ao longo de quatro anos. Pô, então passou um ano. Pô, Ana, passou um ano, não está indo bem. Você ia ter 4% e vai ficar só com 1 ou nada nos próximos 3 anos. Tudo está resolvido. Essas ferramentas podem ser usadas independente da escala.
Mindset de cabeça de gestão que ainda não existe, não é fácil de ser alcançado por um grande número de empreendedores, né? Então acho que é legal a gente, sem me bater muito nessa tecla, Romero, olha, chegou a hora da gente falar com o Amor aqui, que entende tudo sobre o mercado do startup. Amor é empreendedor, investidor anjo e fundador do Investidores VC. Amor, e quais as sugestões que você daria para uma startup que ainda está iniciando aí suas operações e precisa de investimento para crescer?
Olha, Ana, nesse caso, eu faria uma estratégia bem conhecida do mundo dos empreendedores. Eu procuraria pessoas próximas, como familiares, tios, tias, amigos, ex-chefes, e eu faria o que a gente chama de uma rodada Family, Friends and Fans. Significa o seguinte, é uma rodada com pessoas que conhecem você profundamente, confiam em você e estão dispostas a dar uma graninha pro seu negócio começar a acontecer. Então muitas vezes é pedindo pro pai mesmo, pra mãe, pro tio, um ex-chefe ou um colega de trabalho que vai colocar 5, 10, 15 mil reais. Como você ainda não tem muita coisa pra mostrar no seu negócio, porque ele tá começando, e o investidor não se sentiria muito atraído por isso, a melhor forma é você passar o chapéu, fazer uma espécie de equity crowdfunding com as pessoas mais próximas. Você pode buscar entre 50 a 150 mil reais, você pode abrir mão de até 5% da sua startup nessa fase, não tem problema, é uma participação saudável. Mas olha só, não aumenta muito isso. Nesse início, pouco dinheiro, pouca participação, pra você conseguir provar que o seu negócio consegue deslanchar.
Romero, eu queria que você desse a sua opinião sobre os fundos CBC, os fundos corporate de empresas que estão aí realmente proliferando. Tem muitos fundos sendo criados de empresas que querem investir em startups. Então eu queria que você falasse sobre esses fundos e principalmente, como que a startup vai escolher o investidor? É melhor um fundo BC?
É melhor um fundo CBC?
Como é que ela faz essa escolha que eu acho que é muito difícil?
Olha, graças a Deus a gente vê cada vez mais as grandes empresas envolvidas, seja iniciativa de Corporate Venture Capital, CBC, seja fazendo aquisições de startups, porque nem toda startup vai necessariamente virar uma empresa listada, gigantesca, unicórnio, seja. E é muito bom para o ecossistema que uma empresa que começou como uma funcionalidade, que a empresa geralmente começa como uma funcionalidade, vira um produto e vira realmente uma companhia. no meio do trajeto ela não conseguiu crescer, mas ela dentro de uma grande empresa pode fazer parte de uma plataforma maior. Por que isso é bom? Porque agiliza a inovação dentro da grande empresa, porque dá saída para os investidores da startup que foi média, não foi tão bem, e também libera os empreendedores para começarem outro negócio. Então tudo isso faz com que o mercado vá se reciclando. Então a iniciativa é muito boa. Em geral, os fundos de CBC têm um papel importante em fomentar iniciativas no setor que eles estão e muitas vezes conseguem agregar valor além do capital financeiro. Então, poxa, um fundo como o nosso, a gente agrega dinheiro, a gente tenta agregar muita ajuda. A plataforma da XP, os sócios da RedLine no mundo inteiro. meu conhecimento prévio, mas às vezes um fundo vertical num setor consegue ajudar especificamente a empresa naquele espaço, ou às vezes até acelerar, conectando a própria empresa que é dona do fundo. Eu acho que os principais cuidados que o empreendedor tem que ter, e também a empresa, quando está montando um fundo de corporate venture, é tentar deixar o fundo o mais legítimo e cruzando possível. O que eu quero dizer com isso? que o fundo não seja, na prática, um braço da Argemenei da empresa.
Não tem essa interferência dentro dessas startups que estão sendo investidas.
Exato. Então, se a empresa está, na verdade, usando aquele fundo para comprar startups enquanto elas ainda são pequenas, o que vai acontecer é o que a gente chama de seleção adversa. As startups boas vão falar, putz, eu não vou para aquele CVC porque, na verdade, depois eu não vou conseguir vender mais para ninguém essa startup. Eu não vou conseguir crescer, porque ele vai ter o direito de me comprar depois. Dito isso, tem muitos fundos que estão operando de uma forma muito bacana. Então, direitos, os mesmos direitos que o investidor financeiro. Se aparecer uma proposta boa, não tem problema, pode vender. Ou seja, o fundo está desenhado para dar retorno ou para estimular o ecossistema, que é como surgiram os primeiros fundos. Quando a gente volta lá atrás e vai ver a Intel, Capital, a Qualcomm hoje, são fundos que foram criados para quê? Eu vou investir em empresas, que vão proporcionar o aumento da demanda do meu produto principal, que é chip. Então quando a Intel, se ela investe num Google ou numa Apple, que fosse ou quem fosse, não que ela tenha investido nessas empresas, ela não precisa ser dona do Google, ela não quer isso, ela quer que o Google dê certo ou a startup que seja dê certo, porque as pessoas usando esse serviço vão precisar de mais chip. E aí ela vende o chip. Então é na segunda derivada que ela vai ganhar e não direto naquele investimento. Então acho que a cabeça do empreendedor quando vai selecionar um fundo, e aí vale tanto para corporate quanto para fundo financeiro, é tentar imaginar, além do número que está no cheque, quem tem o melhor nome para estar aqui no dia a dia comigo. E vai ser uma jornada que não é de 7 minutos ou 7 horas ou 7 dias, vai ser uma jornada de 7 anos. E vale para o lado do investidor também.
É um casamento, né? É um casamento.
Então assim, a regra final que eu faço quando eu vou escrever um cheque, eu brinco, que é a regra do aeroporto. É o seguinte, perdi uma conexão, vou ficar sete horas aqui. Eu olhei para o lado e vi uma founder que eu investi. Isso é uma boa notícia? Vão ser sete horas agradáveis? Eu vou falar assim, que droga, eu tenho sete horas com ela aqui.
Ah, tem aquela reunião hoje.
Se for a segunda... Já acorda com dor de barriga.
Esquece!
Não vão ser sete anos, vão ser sete anos. Então, a vida é muito curta para você passar sete anos em um relacionamento que não é agradável. Então, é o quanto além do dinheiro vai adicionar de valor e o quão agradável vai ser essa jornada.
Maravilha. Romero, olha, passou muito rápido. Eu teria milhões de assuntos para falar com você.
Vamos fazer mais vezes.
Vamos fazer, vamos fazer que tem muita coisa para a gente conversar. Obrigada por participar aqui com a gente.
Eu que agradeço.
Bom, o programa até de inovação está chegando ao fim. Todas as quintas-feiras, às 11h30 da noite, a gente tem um encontro marcado aqui no Canal Empreender para falar sobre inovação e startups. O programa é uma parceria entre o Canal Empreender da Band e da InfoMoney para levar até você muita informação de qualidade. A gente se vê no próximo programa. Até lá!
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