Natália Martins fala sobre Carreira e Estágio - Nosso Programa (RIT TV)

TV interview (Nosso Programa, RIT TV) in Portuguese with psychologist and career coach Dr. Natália Martins discussing internships and career development. Topics covered include how the role of internships has evolved (including older interns and the expectations of younger generations), practical advice for new interns (patience, learning by observing, tracking observations in a notebook, managing anxiety), the value of multiple/volunteer internships and networking (keep LinkedIn updated; engage in events/WhatsApp/Facebook/LinkedIn groups), and guidance for career moves and redevelopment. The segment ends with contact information (site: produtive.com.br).
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Agora a gente vai bater papo sobre estágio e carreira. Eu tô recebendo aqui pra conversar com a gente a doutora Natália Martins, que é psicóloga e coaching de carreira. Tudo bem, doutora?
Tudo ótimo, obrigada pelo convite. Obrigada, Jaque.
Doutora, vamos começar entendendo o que mudou nos últimos tempos quando a gente fala a respeito de estágio. Porque nós vimos um movimento crescente de pessoas hoje de faixas etárias diferentes, inclusive, começando o estágio. Conta pra nós qual que é o movimento do mercado hoje.
São dois movimentos. Primeiro que o jovem de hoje não é o mesmo jovem de antigamente. Então pensar que você vai contratar um estagiário para tirar xerox, para separar arquivo, a gente sabe que é bem difícil a nova geração aceitar fazer só essa atividade. Então o estágio está cada vez mais funcionando como um momento de ensaiar, um momento de deixar o profissional sentir, se ambientalizar naquele local que talvez seja o que ele vá seguir mesmo para a carreira dele. Como o nome já diz, é um estágio, não é uma certeza. E isso também vem acontecendo para outra vertente, que são profissionais que estão se formando mais velhos. Ou por uma reescolha de carreira, ou porque realmente não tiveram uma formação acadêmica logo cedo e agora mais velhos, após filhos criados, após a vida adulta ter chego realmente, eles conseguiram ir para a universidade e aí logo fazerem estágio. Então essa pessoa mais velha também vai ter dificuldades para fazer atividades que são muito simples. Então as empresas precisaram repensar. E, sem dúvida, a função do estagiário não pode ser algo como o do profissional já formado, mas sim com um nível maior de dificuldade, complexidade e também de responsabilidade, o que faz eles sentirem o ambiente até de uma maneira mais rica.
Doutora, eu percebo que hoje, para muitas empresas, conversando com pessoas de empresas diferentes, que esse movimento, que antigamente era do estagiário, eu lembro de quando eu comecei a estagiar, quais eram as funções atribuídas, que nem sempre A função que você queria que fosse a sua função final era a primeira função que você ia exercer. Muitas vezes você fazia várias outras coisas e daí você também poderia ter a oportunidade de atuar na sua área. Eu percebo que hoje isso acaba ficando mais para o jovem aprendiz. Então muitas vezes o jovem aprendiz que está inserido na empresa ele não só vai aprender exatamente sobre aquela área de atuação, mas às vezes ele faz outras coisas ali que antigamente eram do estagiário. Parece que se deu um passo atrás. E quando esse jovem, que já foi jovem aprendiz às vezes em duas, três empresas, isso já ajudou ele a escolher a carreira que ele quer. Ele chega novamente para o mercado de trabalho já estudando, ele já quer focar mais na carreira mesmo, né?
Exatamente. Primeiro porque a universidade prepara bem. Hoje em dia a gente entende que as universidades estão mais atualizadas e aí o jovem vem mais preparado para dentro da empresa. E também tem o fato do próprio jovem ou o próprio formando, que às vezes não é tão jovem assim, É bastante curioso, tem a internet, pesquisou bastante, se preparou mais e aí ele acaba tendo maior possibilidade de assumir funções mais complexas.
Doutora, dica para esse jovem que ingressa hoje no mercado de trabalho, principalmente para os jovens, eu digo isso agora, como estagiários. Como esses jovens mudaram, muitas vezes existem situações que estão dentro da necessidade de atuação desse jovem. E ele quer, às vezes, só aquilo que ele quer. Ele quer na hora, inclusive, que ele quer. Ele quer estar fazendo aquilo e estar no celular, coisa que eu sei que eles conseguem, mas nem sempre é o mais correto. Como que esse jovem deve se comportar depois de conseguir um emprego?
Essa velocidade toda, resumindo o que eu falei, tem uma velocidade muito grande dentro da empresa, dentro da universidade, no nosso dia a dia. E quando o jovem entra para o time, ele entende que ele está já nesse ritmo e ele quer ser promovido depois de um mês de estar. Estou pronto, já aprendi, posso ser analista. Na verdade, não. A gente orienta a pessoa a ficar um ano ali, com paciência. Esse é o momento que ele pode fazer devagar, esse é o momento que ele pode observar, esse é o momento que ele pode errar. Então curta, aproveita, observe, participe quando tem que participar. Fique mais de espectador, participe quando for solicitado, mas fique mais de espectador pra aprender. Porque é um ensaio, o estágio é um ensaio. E o momento que ele estiver preparado, eu não tenho dúvidas que a empresa vai sinalizar.
Você falou sobre a possibilidade de errar, vou contar uma coisa pra vocês que eu acho que eu nunca contei. Na minha primeira semana de estágio, na época aqui na TV, na minha primeira semana de estágio, me ensinaram a passar o TP pros jornalistas. Eu sou formada em jornalismo, eu não ficava com a galera de rádio e TV, eu ficava com o pessoal do jornalismo mesmo. Daí eu cheguei, aprendi, aprendi, eu aprendi, claro que eu aprendi Ficaram comigo o primeiro, o segundo, o terceiro dia, eu aprendi Aí falaram, você já aprendeu, mas não aprendi, pode ir lá então e passa o TP Aí aparece, cinco minutos pro jornal, ao vivo, três minutos Aí nisso o jornalista falou assim, você consegue apagar uma palavra que tá errada? Eu falei, consigo, apaguei Apaguei o jornal inteiro do TP Aí eu só escuto assim, rodou e eu falei, meu Deus, acabou pra sempre pra mim Não acabou não, tô aqui, tá? Mas fico imaginando que esse é mesmo o momento, não que seja ideal você errar, mas se você errar existe uma compreensão por você estar estagiando, né?
Exato, e querer antecipar, de querer já ser promovido.
Uma responsabilidade muito grande.
Ah, pode me dar... Legal, que bom que tem essa ânsia, que bom que tem essa vontade, mas viva os momentos no momento que eles devem ser vividos.
Até porque o profissional mais velho, eu quero que você fale sobre isso, é uma outra situação, mas os jovens ainda não têm a maturidade. Ainda não têm, muitas vezes, esse jogo de cintura que a pessoa mais velha já tem com a responsabilidade que ela tem. Por isso cada coisa no seu tempo, né? Exatamente.
E não tem jeito. O amadurecimento, ele vem com o tempo. Não tem como acelerar, antecipar. Ele acontece conforme nós vamos vivendo. Isso numa vida fora ou dentro da empresa. Dentro da empresa não vai ser diferente.
Como lidar, aproveitar a psicóloga para perguntar sobre isso, com a ansiedade? é, começou o trabalho, daqui a pouco eu vou te perguntar até sobre essa conquista do primeiro emprego, mas imaginando que a pessoa já conseguiu, ela já começou a estagiar na área dela, como que ela deve lidar com a ansiedade para não meter literalmente os pés pelas mãos?
É, existem algumas situações como você ver um colega que já é mais experiente fazendo algo que você faria diferente, então tem muito daquela ânsia do, ai, eu já sei fazer, eu já sei, deixa aqui que eu consigo.
Ou ainda quer corrigir, né, a pessoa que já tá Vou corrigir meu colega.
Porque vi na faculdade que não é assim. Então respira, observe. Uma dica boa para ansiedade é anotar no caderno o que você viu, observou e não quer fazer. o que você viu e faria diferente. Às vezes até para o chefe. Entenda e aprenda quais são os momentos de falar. Às vezes você perde a chance de ser efetivado num estágio porque é muito ansioso. Porque não aprendeu o tempo de falar ou de colocar algumas coisas que no futuro vai surgir um momento de você falar. E aí a ansiedade acaba atrapalhando. Então anotar num caderninho, fazer um diário de bordo é uma dica muito importante.
Doutora, ter um suporte da família, poder chegar em casa e inclusive ler essas anotações. Eu falo também sobre a minha carreira, o quanto muitas vezes os meus pais me davam os toques. Até hoje, casada, eu troco figurinhas em coisas que acontecem com meus pais, com meus pais, com meu marido. Porque saber o que o outro faria também, não que você vai fazer exatamente, mas ter várias informações de pessoas que têm um contexto de mercado, às vezes de um trabalho completamente diferente do seu. Poder trocar essa figurinha enquanto comportamento, ter um suporte da família é importante?
O suporte da família é importante, o suporte de outros profissionais também é importante pra você tê-los como se fossem mentores. Querendo ou não, são pessoas que já passaram por aquela fase que você está passando. Então funciona bastante sim.
Vamos falar sobre conseguir esse estágio que para muitas pessoas é o primeiro emprego, para alguns já trabalharam como jovem aprendiz ou em outra área. O que eu percebo? A pessoa que já está trabalhando fora da sua área de atuação e às vezes está ganhando muito bem, ela começou a trabalhar como vendedora numa loja, ela tem um salário fixo, ela tem valor ainda de comissão, está se dando muito bem ali numa loja, por exemplo. E aí ela fala, peraí, eu vou ter que largar tudo pra começar a estagiar, às vezes sem remuneração, às vezes com um salário mínimo apenas. Vale a pena, como coach de carreira, qual instrução você dá?
Vale a pena desde que esse seja o objetivo de carreira da pessoa. Eu posso usar minha própria história como exemplo. Eu tinha uma experiência já bem consolidada no mercado quando me formei psicóloga e fui começar do zero, como estágio, porque a área da psicologia ainda era para mim nova. Então, como para mim era um objetivo de carreira atuar como consultora de carreira, atuar como orientadora vocacional, sem dúvida valeu muito a pena. Então, eu pergunto para o telespectador, se para ele for um objetivo de carreira atuar naquela área, Não tenho dúvidas que dar um passinho pra trás pra depois dar dois pra frente ajudam bastante a entrar no mercado de trabalho, senão você dificilmente entra sem um estágio, sem um ensaio, dificilmente uma empresa vai te contratar.
Eu me formei acho que com 21 anos, se eu não me engano. Eu tô com 34, e das pessoas que eu conheço que não conseguiram, ou porque não queriam, ou porque não puderam financeiramente começar um estágio, poucas delas tiveram facilidade pra começar a trabalhar. Porque quando se formaram, se viram sem nenhuma experiência na profissão, porque não fizeram o estágio, porque pesou ali o valor, ou porque não quiseram. Então, demoraram muito mais pra conseguir se colocar. E daí, um ano formado, dois anos formados, três anos formados sem atuar na área, pode ir afastando a pessoa daquele sonho, né?
Completamente. E a ideia é que durante a faculdade você faça mais de um estágio. Tem muitas pessoas que falam, vou deixar pra último ano, vou juntar dinheiro no meu trabalho, aí no último ano da faculdade eu vou fazer estágio. Aí você tem um ano pra procurar o estágio, fazer o estágio, e se formar. Nesse um ano você normalmente tem a oportunidade de trabalhar só em um lugar como estagiário. É legal você ter mais de uma oportunidade até mesmo para você falar disso eu gostei, disso eu não gostei. É o momento de experimentar e aí é o momento também de ir construindo para o seu futuro empregador uma história de que você de fato se engajou e que de fato está interessado em seguir carreira naquela área.
Estágios não remunerados também são importantes para algumas profissões. Até atender gratuitamente faz parte. Faz parte.
Conta muito ponto. Voluntariado também conta ponto. Então, as empresas estão muito interessadas em instituições, dependendo da área da pessoa, em se você já teve aquela experiência, já sentiu um pouquinho, ou se você vai sentir só ali, naquela primeira vez quando eles te contratarem. Então, pra eles é uma aposta muito grande em contratar uma pessoa que nunca teve, de fato, uma experiência efetiva na área, que aí o estágio funcionaria como uma.
Eu percebo movimentos diferentes no mercado, mas você pode me explicar melhor. Eu tenho a impressão que antigamente as pessoas tinham o sonho de construir carreira e entrar em uma empresa como estagiário e sair dessa empresa como sênior. Construir a carreira no mesmo lugar. Esse movimento mudou um pouco, né?
Mudou bastante. Hoje a empresa entende que se você trabalhou em mais de um local, você teve contato com mais de uma cultura empresarial diferente do que a outra. Isso mostra que você se adapta bem, independente de qual seja a cultura. Isso mostra que você não está apegada a uma determinada equipe, a um determinado chefe, que você consegue performar e bem, crescer, entregar resultado. se precisar ter outro chefe, se precisar estar em outra equipe. Então, mostrar uma versatilidade no seu perfil é importante hoje em dia, mas isso não quer dizer que é pra trocar de emprego todo ano.
Tá dando super bem, né? Tá se dando super bem. Ah, não falaram lá no programa? Vou tirar, vou trocar.
Não. Mas é legal trabalhar em mais de um segmento? De repente eu trabalho num segmento farmacêutico, é legal também atuar em cosmético? Ou de repente estou há 10 anos na mesma empresa, seria bacana olhar o mercado? 10 anos é um longo período. Então, essa questão de realmente experimentar outros ambientes mostra que você tem versatilidade no seu perfil.
E nesses últimos tempos, doutora, com tantas pessoas que ficaram desempregadas, algo que eu ouvi muita gente falar é, nossa, eu vestia a camisa daquela empresa, eu fazia tudo por eles e eles me mandaram embora. E muita gente saindo do mercado de trabalho totalmente desatualizada. Então, ainda que a pessoa hoje faça parte do time que ainda está bem estabelecido numa empresa, que formou carreira nessa empresa única. É importante ela estar se atualizando?
Exatamente. Esse é exatamente o trabalho que eu faço, na verdade, manter a pessoa atualizada, independente dela estar buscando o mercado ou não. É importante ter um LinkedIn totalmente em dia, que é a rede social utilizada hoje para se movimentar no mercado. estar por dentro de todas as novas tecnologias e tendências de mercado da sua área ou da área que te interessa e fazer network. Network é o mais importante porque quando a empresa te desliga, e são números, a empresa vai desligar se ela precisar desligar. demitir o profissional. Então, quando a empresa precisar te demitir, o ideal é que o teu network já te acolha, porque te enxerga como uma profissional muito boa, entendendo que você está disponível. Se tiver alguma vaga disponível também no seu network, é importante que esse encontro aconteça entre você e a futura vaga.
Esse network é pessoal? Ele é por WhatsApp? Ele é por redes sociais? É por tudo? É por tudo.
Brinco que network, assim que der pra você fazer, passa. Uma festinha é onde você trabalha, isso mesmo. Então tem grupos de WhatsApp hoje em dia com vagas, tem grupos no Facebook com vagas, no LinkedIn. Quando você vai pra feiras, eventos, sejam eles pessoais ou profissionais, não importa. Faça network, fale para quem está do seu lado, o que você faz, o que você gosta de fazer, para onde você gostaria de ir nos próximos anos. Você nunca sabe com quem você pode estar conversando e, de repente, há uma pessoa que pode te apresentar para uma vaga.
Essa pessoa que recebe uma proposta para crescer e voar mais alto. mas ela fica na dúvida, será que eu troco o que eu considero certo por algo que pode ser duvidoso? Já estou há tantos anos aqui, teria que pedir as contas, por exemplo, outro dia uma moça me falava do marido dela que foi convidado para ir para outra empresa e eles estavam naquele dilema, eles com família, bebezinho, pensando vou ou não vou? Como fazer isso? Como decidir? Como pesar isso na balança, doutora?
Esse peso e essa medida, ela vai muito de acordo com Se é uma pessoa mais arrojada ela nem pensa, ela aceita. Se é uma pessoa que tem um perfil de maior estabilidade, é o provedor do lar, é uma pessoa mais cautelosa, deve ser muito caso do marido da sua amiga. Tem que pensar se faixa salarial compensa, se esse segmento dessa empresa que está o convidando é um segmento sólido ou não, se é um segmento que está abalado no mercado, se financeiramente essa empresa está saudável, sair de uma empresa e ir pra uma que de repente vai mandar ele embora daqui um ano não é realmente nem um pouco viável e principalmente se vai fazer bem pra carreira dele. Vai trazer um crescimento? Lá na frente ele vai poder colher frutos, então acho que observar todos esses pontos são bastante importantes.
Doutora, foi um prazer te receber aqui.
Obrigada.
Para quem quiser entrar em contato, o link é de Martin e Natália e o site www.produtive.com.br. Obrigada, doutora.
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