VIDEOCAST “DIÁLOGOS COM O RH”

Rafael Souto talks with Cláudia and Bete about why leaders struggle to have honest career conversations with their teams. They discuss how companies now expect employees to own their own growth, what remote work and AI mean for job security, and why curiosity and self-knowledge matter more than ever.
Chapters
Bom, olá. Estamos aqui hoje para a gente conversar um pouco sobre carreira, transformações do mundo do trabalho. Então, eu vou começar fazendo uma pergunta para as duas. Que é assim, observando essas transformações que a gente vê no mundo do trabalho, toda essa mudança nas relações, como é que vocês vêm observando esse tema da carreira dentro das empresas de vocês? Como é que tá essa discussão lá? O que vocês vêm percebendo de evolução, de dificuldades? Quer dizer, tentar primeiro fazer um olhar pra organização de vocês.
Carreira é o momento da empresa hoje. Então a gente implementou, faz um ano, um novo projeto que se chama Protagonize Trilha de Carreira, que é uma nova estrutura, uma nova arquitetura de cargos, uma nova estrutura de trilha. É trilha, não é trilho. Então eu digo que não é um projeto de remuneração, não é um projeto de carreira. Ele é um projeto de gestão da mudança, enorme, de que as pessoas têm que que elas, sim, são donas da sua carreira, sem uma dependência 100% da empresa. Sim, a empresa tem que dar oportunidade, tem que dar o desenvolvimento, mas o dono da carreira é tu. Então, a gente está nesse processo hoje de discutir muito o que é carreira no mundo do trabalho. Nós somos uma empresa efabril, então, mais conservador, um processo mais linear, e mesmo assim os assuntos de carreira vêm. porque não tem como não vir, as pessoas querem crescer, as pessoas querem se desenvolver, mas o que é crescimento, o que depende de mim, o que depende da empresa? Então nós estamos num momento onde a gente tem discutido muito sobre isso, sobre as possibilidades que tu tem que te desenvolver dentro da empresa ou até mesmo em perspectivas fora.
Muito bom.
E como é que tu observa lá na empresa essa transformação, Bete, lá no e-commerce, no sistema como um todo? E eu acho que pela tua experiência, né, já de um tempo dentro de Senax, SESC, e-commerce, também podia fazer uma avaliação tua de como é que evoluiu nesses anos lá.
Eu vou até me permitir a retroceder um pouco mais, né, pra quando eu comecei a trabalhar. porque eu fiz um estágio numa empresa, uma grande empresa, uma empresa de tecnologia, uma empresa super vanguardista na época e eu fui convidada para trabalhar lá quando eu me informei e disse, meu Deus, minha vida está feita. Agora eu entro aí, isso faz 40 anos, me aposento, se eu fizer tudo conforme o esperado, Eu vou ter uma progressão vertical aqui e efetivamente eu tive. Eu trabalhei 18 anos nessa empresa, eu entrei como psicóloga, depois eu virei gerente de RH, depois eu fui promovida a superintendente de RH e aí a coisa dispôs. Poderia me aposentar como eu imaginava quando eu entrei, mas aí as coisas começaram a mudar no mundo do trabalho, muda bastante, né? Porque aí eu comecei a me dar conta e muito comecei a se dar conta que a carreira da gente é do profissional e não é a empresa que constrói a tua carreira como nós temos hoje, né? E hoje a gente tem essa consciência, né? Então, hoje eu trabalho no sistema de comércio Sesc Senac, E a gente tem que trabalhar muito esses conceitos de que nós temos oportunidades, nós temos possibilidades, mas principalmente quem tem que fazer a sua caminhada é o profissional. E dentro das possibilidades que a gente oferece, se for dentro dessas possibilidades, ótimo, mas pode não ser e tá tudo bem. Então essa construção é uma construção conjunta, mas principalmente Tem que existir um net entre os interesses, e se esse net existir, vai ser maravilhoso. Tem que ter essa sintonia de propósitos, o profissional tem que se sentir gratificado, valorizado, que os seus propósitos estão atendidos lá dentro. E se não tiver, ele tem outras alternativas. E principalmente que a carreira não ocorre, mas... Existe uma transversalidade de interesses, de objetivos e de construções. De maneira que tem pessoas que trabalham hoje lá conosco. Na minha área, por exemplo, eu tenho um profissional que começou como professor de mulheres. Ele depois foi trabalhar atuando na área pedagógica da gerência de educação. Hoje ele trabalha na construção de projetos de desenvolvimento dentro do EIH e pode fazer qualquer coisa, desde que isso atenda às suas necessidades. E as empresas têm que estar se estruturando para darem essas possibilidades aos profissionais. Tem um dinamismo muito grande hoje e a gente tem que estar olhando a gestão de pessoas de uma maneira muito contemporânea, muito moderna. e muito atual para estar, vamos dizer assim, redimensionando nesse mundo para ter os melhores talentos trabalhando por cima.
Vamos tentar dar uma olhada num tema que me inquieta bastante, é um tema que a gente trabalha com as organizações O que eu tenho observado, e é uma provocação aqui pra gente debater, é que a liderança ainda tem muita dificuldade de praticar com as pessoas isso que a gente acabou de dizer. Protagonize, você é o responsável. Eu queria discutir um pouco por que essa dificuldade. Será que o líder tem medo, quando ele fala disso, de perder a pessoa pro mercado ou pra outra área? Será que é falta de repertório? Eu tenho algumas hipóteses, eu queria ouvir, porque vocês estão no dia a dia conversando com as lideranças nas empresas de vocês, e quem está acompanhando aqui, eu quero que sinta esse olhar prático. Onde é que vocês veem que está essa questão da dificuldade do líder, e depois a gente pode pensar algumas soluções? para trabalhar esse tema com as pessoas que estão lá na equipe dele. Por que parece tão difícil isso que a gente está dizendo aqui, que em tese é relativamente simples? Você é dono da sua carreira, o líder tem que apoiar. Por que a gente vê ainda muita dificuldade da liderança na prática para trabalhar isso? Cláudia, vai agora.
Sabe, ouvindo a gente conversar aqui, parece que nós temos dois mundos. O mundo teórico, que é isso, a carreira é da própria pessoa, ela que tem que ser protagonista, isso tá tudo muito claro, tá muito lindo. Mas existe, parece, o mundo real, o inverso do metaverso, vamos dizer assim, no qual isso não chegou. E aí eu fico pensando assim, eu acho que para as nossas lideranças, nós ainda viemos de um modelo, muito assim de plano de carreira, isso é muito forte, apesar que isso já tem acabado sei lá quantos anos, isso continua muito forte. Eu acho que a nossa cultura brasileira, da dificuldade do enfrentamento, da questão da objetividade na fala, de tratar temas difíceis, também interfere, e falta de conhecimento sobre o tema. Acho que as nossas lideranças têm tanta coisa para resolver, tem que produzir. É uma sobrecarga de temas, tem que produzir, tem que estar ligada às mudanças tecnológicas, tem que cuidar de gente também. Eu tinha um gestante que me perguntava, Cláudia, eu posso produzir entre um treinamento e outro?
Pode!
Então é tanta coisa que, sim, falar de carreira, e aí eu vou ter que dizer pra essa pessoa, não, chegou no limite da faixa, tu não tens a formação, é muito difícil. E aí eu acho que pega na nossa cultura e conhecimento. Como? Eu aprendi com o mestre Rafael aqui, né, que eu achei que ele fala de uma forma muito simples. Conversar de carreira não é conversar sobre salários. Eu anotei do treinamento. E isso é muito difícil, porque a gente ainda faz essa conexão. Como que eu vou dizer pra ele que ele não vai ter aumento? Ele recebe todo ano da Convenção Coletiva, ele tem todos os benefícios. Uma outra coisa que eu acho também muito impressionante, mas ele é o melhor de todos. Sabe que ele entrega no prazo, ele faz os relatórios, ele faz as análises. Tá, mas isso já não era as responsabilidades dele? Era. Ok, se ele realmente tem, acho que as pessoas têm a meritocracia, eu acredito na questão salarial. Então, acho que precisa ainda preparo e juntar esses mundos do que a gente fala, e não só o líder, mas também as pessoas têm que conhecer mais sobre o mercado de trabalho.
Boa. E o que você observa, Beth? Porque, só para pegar esse gancho aqui da Cláudia, essa analogia do metaverso reverso aqui, a gente conversa uma coisa muito bacana em tese e a realidade lá é outra, né? Como é que você observa?
Não, a realidade ela puxa o chão e ela é difícil, mas eu acho que principalmente a liderança ela tem que ter jogo de cintura, tem que ter flexibilidade para entender que isso tem que sair do discurso e que a ação dela ela tem que ter coerência com o que a gente está falando. Então, se a gente diz que valoriza, que respeita os profissionais, que tu tem uma relação de confiança, que tu quer que eles se desenvolvam, tu tem que ter tempo, disponibilidade e coragem, né? Pra poder sentar, conversar, explorar possibilidades e, às vezes, até dar uma real, né? Assim, olha aí, o México trabalha muito bem, tu é ótimo, tu é importante, mas se tu não desenvolver algumas competências, Ou são as competências que tu tem que desenvolver, ou o que tu queres desenvolver. E tu não tem nada de errado também. E é do profissional que não quer. Olha, eu quero fazer o que eu faço. Do jeito que eu faço, eu vou aprender com novas tecnologias, novos métodos, novos processos. Mas eu quero fazer o que eu faço e tá tudo bem. Isso também pode acontecer. Nós precisamos de pessoas que também estejam felizes em ver o que estão fazendo. Mas precisamos nos inquietos. E a veterança tem que poder viver com essa inquietude. E ter, às vezes, diálogos que são difíceis. Diálogos que, às vezes, são desconfortáveis para o líder. Porque eu posso estar perdendo alguém que faz muito bem o que faz. E aquilo vai me deixar um buraco. Então, eu tenho que estar desenvolvendo outros que possam assumir aquela posição do treinamento.
Sabe que eu te ouvi, mas eu pensei assim, é nessa conversa de coragem, né? A coragem e a humildade de que a carreira daquele colaborador não é tua. Então, muitas vezes, o momento não é que ele não esteja preparado, ele tá além do que tu tem a oferecer pra ele na companhia. E você tem que ajudá-lo a ter essa conversa dele e pensar, às vezes eu brinco, você está maior que a cadeira. E agora, vamos lá, o que você vai buscar? Não adianta você responsabilizar a empresa se você quer outras coisas que esse ambiente aqui, não é porque a empresa é ruim. Não é porque ela não dá oportunidade, mas é que as tuas expectativas são diferentes. Então, essa clareza de conversa, sem culpa, é um aprendizado que a liderança tem que ter.
E aí, tu falou na humildade, mas eu também falo em generosidade. Porque, às vezes, tu ser transparente, tu ser claro, tu promover insights pra própria pessoa fazer com que ela se dê conta, né? De coisas que ela percebe ou que não percebe, ou o que ela deveria perceber, Isso também é um ato de generosidade, que a liderança tem que ter.
E que, às vezes, ultrapassa a área que a pessoa trabalha, o olhar amplo, e que, eventualmente, eu posso perder alguém na minha área, mas eu estou ganhando na minha ideia de desenvolvimento.
Isso, isso. E tu ganha também com o teu próprio grupo, porque na hora que tu deixas as pessoas voarem, tu também passa uma mensagem de muita coerência, de verdade, que é importante.
Agora deixa eu trazer um tema polêmico, que até numa outra discussão esses dias apareceu e eu fiquei refletindo, queria ouvir a opinião de vocês, que estão em setores, parte de serviços, no teu negócio lá tem serviço, tem indústria, realidade, diversos olhares aí da economia, ou seja, populações diferentes das empresas. Uma das coisas que apareceu é que esse pessoal que tá entrando no mercado de trabalho hoje tem relações mais superficiais. Essa é a provocação que o jornalista me fez. Que as relações eram menos profundas, o vínculo era mais frágil. Que esse protagonismo que a gente tanto fala tá tornando as pessoas meio olhando pro próprio umbigo. Então, eu tô aqui contigo, não tá muito legal, já vou embora. Como é que a gente lida essa questão com o protagonismo que daqui a pouco, por outro lado, leva a uma relação mais superficial, transacional e menos profunda? E a gente sabe que a gente precisa de paixão, de vínculo, de engajamento, toda essa história que a gente fala. Vocês observam essa superficialidade maior nas relações? É isso, não é? Isso é preconceito? Vamos discutir um pouco essa coisa do engajamento e da conexão com o trabalho.
Eu acho que existem ambas as coisas, eu acho que não é ou essa geração é menos engajada que a anterior, eu acho que não. Eu acho que existe sim, mas eu também percebo esses traços em pessoas com muito tempo de carreira, né? Eu acho que existe hoje um público jovem que não cresceu com crise, que quer crescer muito rápido, que criou uma expectativa. Quando a gente teve aqueles bons startups, todo mundo vira diretor da startup.
Todo mundo queria trabalhar em startup.
Todo mundo queria trabalhar em startup. Hoje as startups querem ser grandes empresas, mas está tudo bem, é outra discussão. Então, eu acho que existe.
Era bacana trabalhar em startup.
Era bacana.
Era uma moderna trabalhada.
Não, porque em três, seis meses a gente é diretora de uma área. E aí volta conversa de generosidade. E de realidade, que acho que às vezes o que falta pra quem é mais jovem é de tu poder dizer um pouco mais de como é que as coisas funcionam. Porque às vezes não é tão rápido assim como a gente quer. que ok, quer fazer mudanças, é que não tá bom, beleza, mas vamos refletir um pouco mais, por que que tu quer mudar? Por que que tu não quer mudar? Porque eu tenho pessoas que são jovens, tem um pensamento extremamente protagonista de carreira, mas não tem essa, digamos assim, quase que uma utopia do mercado de trabalho, desse mundo perfeito, né, do trabalho. O mundo fofo do trabalho, o mundo rosa e fofo do trabalho. Tudo é maravilhoso.
O mito da felicidade.
Nada. E é uma insatisfação plena por tudo. É uma insatisfação incessante. Até estou estudando isso. É uma insatisfação incessante. Nada serve. Se hoje tem alface, mas eu gosto de rúcula, já não serve. Chega às vezes num ponto assim. Ah, porque se me dão... Eu tive uma estagiária e ela disse, mas eu sou designer, eu não gosto de fazer planilha, eu não gosto de preencher dados em planilha de Excel. Por isso estou saindo da empresa. A gente tenta conversar, tentar explicar, dizer, olha, existe mais coisas que só aquilo. Eu trabalho extremamente com o que eu gosto, sou apaixonada pelo que eu faço, e por isso, coisas que eu não tenho tanta paixão ou tanta habilidade, eu faço, porque eu entendo que elas fazem parte.
Faz parte do todo.
Então isso eu acho que é uma conversa, porque a gente precisa desse esclarecimento.
E às vezes ter coragem pra enfrentar isso.
Pra dizer assim, vamos conversar, vamos pensar.
Às vezes vai dar certo, às vezes não. Eu concordo bastante contigo, Claudio. Eu acho que não é somente uma questão de geração, mas é que o mundo hoje tá muito... a gente tem muita dificuldade pra se ilustrar, a gente quer as coisas imediatas, a comunicação é imediata, a resposta é imediata, né? Tu manda alguma coisa e parece que as pessoas têm que estar sempre ligadas no WhatsApp e ficar te respondendo, mas eu não tô, tô numa palestra, não vou te responder agora. Eu tô numa reunião, eu não vou estar ligado pra te responder agora. E eu também acho que uma coisa assim, um dos segredos de tu promover um ambiente melhor é tu também ter heterogeneidade no teu ambiente. Pessoas que são mais rápidas, mais inquietas, pessoas que são mais reflexivas, né? processam as ideias, as sugestões e se complementam. Acho que isso é uma coisa que facilita muito. E a coisa da frustração, acho que realmente, assim, a gente teve um momento de pandemia também, que era tudo tão cor-de-rosa, tão bom. Eu tô lá na minha casa trabalhando de pantufa, né, com meu filho, meu gato, e a gente teve, realmente, A pandemia serviu como um acelerador de futuros, né? Mas não é só tu estar em casa, tirado no teu puff, trabalhando de bermuda, isso não vai te trazer mais felicidade do que... É muito bom, é muito legal, mas não vai fazer o teu mundo muito melhor do que tu também tá. É um ambiente cooperativo e não é uma falta de regra, né? Acho que as regras, as condições, assim como que também tem as suas condições, as empresas também tem, e a gente tem que ver o que é bom para ambos os lados.
Agora vamos avançar um pouco nessa discussão, falando um pouquinho dessas transformações no meu trabalho, que sem dúvida a pandemia foi um catalisador. Claro que o exercício que a gente vai fazer aqui é um pouco de especulação, porque o futuro é esse, ele vai sendo moldado. Mas o que vocês percebem que está vindo por aí? Por exemplo, essa coisa de inteligência artificial, chat GPT, essa coisa de carreiras mais fluídas, Eu falo a história da carreira em nuvem, que a pessoa ocupar uma posição pelo potencial de contribuição dela e não necessariamente só presa ao cargo. O que vocês percebem assim? E aí eu acho que a gente pode também falar um pouco sobre esse olhar para o futuro no que se refere a desenvolvimento, papel do líder, papel do indivíduo. O que vocês acham que vem por aí nessa transformação do mundo do trabalho?
Eu tenho uma visão muito otimista de mundo, sabe, Rafael? Acho que as mudanças sempre andam para melhor. Então, eu comecei a trabalhar numa época que entrou o banco de dados, que era o processamento, e aí, microcomputadores, vamos dizer assim, o mundo tem digitador hoje, tem operador, vai acabar. As pessoas vão ficar sem profissão.
O programador não vem empreender.
O programador não vem empreender, eles foram trabalhar em outras coisas. Então, eu acho que a gente tem que usar todas essas tecnologias que estão aparecendo a nosso favor e a gente, as pessoas, trabalharem usando a inteligência, a emoção, a criatividade, tudo aquilo que só a gente sabe fazer e aproveitar isso e trabalhar em coisas que só as pessoas sabem fazer.
Mas nada daquele futuro sombreu, fim dos empregos?
Não acredito nisso, não acredito nisso. Eu acho que nós faremos coisas melhores, mais interessantes, viveremos em um mundo melhor. Não tem outra alternativa que não seja essa. Não é aquela coisa de Blade Runner, sabe? Não, não pode ser.
Vamos virar caçadores de Android.
Eu digamos que eu sou otimista com relação à tecnologia. Eu acho que a tecnologia vem para ajudar. A questão de saúde, economia social, acho que ela tem. Eu não sei se eu sou tão otimista com as pessoas que lidam com essa tecnologia. Por quê? Eu vejo, sim, que vão, sim, perder empregos. E isso vai ser muito rápido, porque a tecnologia é mais rápida do que as pessoas se prepararem para um novo mundo de trabalho. E aí a gente vai ter uma vala social De um grupo de pessoas.
Que não acompanham a mudança.
De um grupo de pessoas que não acompanhou e que não teve como acompanhar. Aí não foi só falta de protagonismo. Não teve. A gente não teve chance de conhecer tanto essa tecnologia da forma como as pessoas, na aceleração da tecnologia, foram serem substituídas. E aí eu acho que tem uma responsabilidade social de todos os governos, que não é só nacional, é mundial, de como que nós... Se fala até de salário social para as pessoas, pensando no capitalismo mais consciente. Eu acho que isso é uma realidade que a gente precisa pensar. Outra coisa que me preocupa, tu falou do home office, né? Eu acho o home office uma coisa espetacular. Nós, na empresa, a gente teve índices de produtividade maiores, de engajamento maiores, mas o que me preocupa? Esse movimento das lideranças, saiu até na última Voce S.A., as lideranças totalmente descrentes do modelo, preocupadas com o modelo e os colaboradores gostando. E o meu medo que é, pela cultura forte de comando e controle, a gente volte o que era antes, não por uma necessidade de engajamento, de cultura, mas pelo comando e controle.
Quero ver as pessoas aqui, estão trabalhando no bom.
Então acho que hoje, nós da empresa, a gente aposta no modelo, a gente segue trabalhando, mas a gente tá sempre monitorando pra que isso continue sendo válido e válido pra todo mundo. Então, esse é o meu receio nessas voltas que a história dá, que a gente retroceda em vez de usar tudo isso que tá aí pra realmente avançar. Mas eu sou esperançosa, né? Então, esperançoso ele não é necessariamente um otimista, mas é uma pessoa que acredita que traçando metas e traçando rostos a gente tem um futuro melhor.
E que dá pra lidar com Exatamente.
Então eu só acho isso, a gente não pode, que não tem um problema, tem, nós vamos ter uma vala social imensa logo, que a gente precisa administrar isso e a gente também precisa, esse comando e controle, a gente tem que instruir das nossas lideranças para que isso realmente acabou e que a gente tem que trabalhar nas questões, que a gente quer engajamento, quer produtividade, é com gestão da confiança.
Bom, agora eu queria trazer uma outra reflexão aqui pra gente fechar com ela, que seria assim, trazendo um pouco da retrospectiva da história de vocês, que são dois profissionais que tiveram uma ascensão profissional também, posições importantes de gestão. O que vocês dariam como dicas? Eu sei que não tem receita de bolo, que a carreira é de cada um, como a gente começou a falar lá, mas o que vocês trariam que foram os fatores mais importantes para vocês conseguirem o desenvolvimento de carreira que conseguiram? Ou seja, o que vocês diriam para quem está olhando lá, está na área de gestão de pessoas, está nos assistindo a uma empresa, quer crescer profissionalmente? O que vocês deixariam como um legado da história de vocês, de como chegaram até onde estão?
Eu acho assim, a curiosidade, eu acho que é importantíssimo, tem que ter curiosidade a vida inteira. Eu trabalho há 40 anos e eu continuo aprendendo, então aquela história do lifelong learning é para todo mundo, o tempo inteiro. E eu acho que a gente tem que conseguir acumular aquela experiência com modernidade. Então, continuar sendo um profissional de vanguarda. Se a gente está trabalhando inovação, hoje é um movimento importante, a gente tem que inovar no ERH, nas nossas empresas, a gente tem que estar participando. Tu não pode tapar o sol para perder. Tu tem que encarar os fatos. Eu acho que há A coragem, eu acho bem importante. Coragem e transparência. Hoje eu me sinto em uma posição de poder falar o que eu quiser. E eu acho que tem um jeito com isso, de entender e se posicionar. Não pode não participar, não pode admitir. Acho que eu sou uma pessoa diferenciada, eu só trabalhei em quatro empresas na minha vida, né? E eu sempre trabalhei... A minha vida é corporativa, né? Mas eu fui feliz em todas elas até a hora que eu deixei de ser. E quando eu deixei de ser, eu tomei uma decisão. Eu dei um passo, eu fui adiante. E aí, tu tem que ter coragem e tu tem que ter protagonismo. Olha, não tá mais servindo pra mim, eu vou honrar todo o meu passado, vou manter todas as coisas boas que eu aprendi e eu vou dar um passo adiante. Então, eu acho que isso são fatores importantes.
Tu sabe, tu perguntou e eu me lembrei do que eu me preparava para entrevistas, né? Porque eu fiz estágio, né? RH, disse, é isso que eu quero fazer, né? Sou psicóloga, mas eu gostei dessa vida. E eu me disse, mas quais foram as minhas características mais marcantes? Eu sou comunicativa, determinada e criativa.
Eu continuo sendo tudo isso.
Ah, não, é aquelas respostas prontas lá, isso foi genuíno, essa torcida de céu. E eu te conheço, acho que é verdade.
Não, e isso eu dizia lá com 19 anos, com 20 anos, bem com 20 anos. Eu continuo achando que isso são características minhas que realmente, que foram impulsionadores da minha carreira. a comunicação, a criatividade, ser muito determinada, né? Mas ao longo da minha carreira, muito estudiosa, eu sempre fui uma pessoa estudiosa, tenho muito assim, eu tenho facilidade, eu gosto de estar conhecendo coisas novas e acho que a gente aprende com tudo.
Gostar de estudar.
Eu gosto, eu acho que a gente aprende com o livro. Eu acho que eu aprendo por novela, eu gosto de ver novela, eu também aprendo, é só tu saber ver o que tem de saber ali pra tu aprender. Tem muita coisa pra tu aprender, o mundo te ensina. Tu entra aqui nessa exposição, tu vê toda aquela exposição passando ali, Michelangelo, tem tanta coisa pra tu aprender ali, então eu sempre fui uma curiosidade, uma curiosidade. Nata, sempre aprendendo muito. Ter essa base... Às vezes me preocupo um pouco de um mundo de achismos, que falta base, falta conceito. Acho que isso é importante. Mas hoje, depois de 26 anos de carreira, eu fico pensando. Dedique-se ao autoconhecimento. Porque tudo isso que eu tinha de.
Muito bom.
Em muitos momentos se tornaram grandes fraquezas. pela força, por quanto... a forma como eu me coloquei. Então, de não ter um time certo para as coisas, de me expor além do que devia, de não aceitar muito a fluidez das coisas. Então, eu acho que autoconhecimento é importantíssimo. e que a gente nunca esqueça, fazendo curso com a professora Eloísa Miranda, ela sempre fala, quando você está na frente de uma pessoa, é uma pessoa na frente de outra pessoa. Então, para mim, o que fica dessa minha jornada... Eu não teria como conhecer o que eu sei de mim hoje. Há 20 anos atrás, foi necessário, então acolho a Claudinha, mas imatura, mas, em consequência. acolho, mas acho assim, estudem, se dediquem, participem de eventos, façam relações, a gente aprende muito com o network, mas network sincero, eu não gosto daquele network assim, ui, só porque tu é conhecida da área, então eu preciso me dar bem contigo, isso se esvai, então as relações, elas têm que ser profundas, não dá pra ser o mundo líquido, né, que o Paulo fala, mas se conheçam, acho que isso é o melhor de tudo.
Muito bom, muito obrigada.
More from Rafael

Empreendedorismo | Está buscando novas formas de gerar renda além da carreira formal?

Reflexão | Quer desenvolver um plano estruturado para a evolução de sua carreira?








