Nesta segunda aula, o professor introduz a arte pré‑histórica partindo da ideia de que, até o século XIX, a existência de arte antes da história escrita era desconhecida. Ele menciona o Vale do Kalahari como provável berço do Homo sapiens e descreve as primeiras pinturas rupestres como representações de animais, destacando a reação imaginária de um europeu do século XIX ao ver tais imagens. O foco recai sobre a tradição franco‑cantábrica, com destaque para as cavernas de Altamira (Espanha) e Lascaux (França), que contêm mais de cinquenta sítios de arte rupestre. O professor narra detalhadamente a descoberta de Altamira: o caçador Modesto Kubilhas encontrou a caverna, mas não deu importância; anos depois, Marcelino Sanz de Sautuola, acompanhado de sua filha de oito anos, Maria Faustina, percebeu as pinturas de bisões no “Salão dos Bisões”. Após a descoberta, Sautuola consultou o professor Juan Vilanova da Universidade de Madrid, que corroborou a origem pré‑histórica das imagens. O professor enfatiza a longa batalha científica para que a comunidade aceitasse a autenticidade das pinturas como arte pré‑histórica.
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Boa noite a todos, obrigado por estarem aqui na nossa segunda aula. Vamos começar nossa viagem aí pelo tempo, pela história das obras de arte. Vamos começar pela pré-história. E aí eu coloco para vocês: o que para vocês, quando fala em arte pré-histórica, em pré-história, O que vem à cabeça de vocês? O que vem à mente de vocês quando a gente fala desse período? Então, falando de arte especificamente, arte pré-histórica. Antes de eu falar o que seria a arte da pré-história, vou falar para vocês bem rapidamente, bem breve, o que vem antes da arte da pré-história. Porque a noção de que a arte sempre esteve com a gente nem sempre foi conhecida. Um dos locais que hoje é tido como o local mais provável do aparecimento do Homo sapiens sapiens, que é o Vale do Kalahari, perto da fronteira de Angola com a Namíbia, África. Essa pintura que vocês estão vendo desse animal feita na rocha de uma caverna, na parede de uma caverna, imaginem-se só na pele de um europeu do século 19 que vê pela primeira vez, um europeu entrando dentro dessa caverna e vendo essa imagem, O que vocês imaginam que ele vai— qual seria a reação dele? Imagine só que um europeu acostumado com arte acadêmica, imagine aqueles quadros acadêmicos que muita gente diz: "Ah, é um desenho perfeito, um desenho realista." Rafael, Leonardo da Vinci, Michelangelo, entra numa caverna e vê este desenho do bisão. O que vocês acham que seria a reação dele? Eu vou dizer para vocês, para a gente não se alongar tanto, porque isso tem a ver com a história da descoberta, né? Até o século 19, nós não tínhamos ideia que existia uma arte pré-histórica. Para vocês terem uma ideia, esse bisão é da caverna de Altamira, na Espanha. É até interessante porque o lugar onde está essa caverna se chama Santander de Santillana, que é uma cidade, uma localidade da do País Vasco, que está na Espanha, e de uma região que se chama Cantábrica. Então, quando a gente fala em arte pré-histórica, a gente fala do estilo franco-cantábrico. Muitas cavernas, muitas cavernas, mais de 50 cavernas entre a Espanha e a França que têm registros, desenhos, pinturas pré-históricas. Olha só que bacana, né? Uma das cavernas mais impressionantes da Europa pré-histórica é a caverna de Altamira, a outra é de Lascaux, que o Paulo Vasconcelos citou agora há pouco, que ambas são dessa grande região franco-cantábrica. E quando foi descoberta, o dono do sítio onde tinha essas cavernas, porque é uma região com muitas cavernas, Primeiramente, tava caçando, entrou com o cachorro, entrou numa caverna e ficou preso lá. Quando ele foi atrás do cachorro, ele descobriu os desenhos. Só que esse cara, que era o Modesto Kubilhas, não ligou muito para isso. Ele viu aquelas coisas, não ligou muito. E o sócio dele, que era dono do sítio, da fazenda ali, o Saltuola, Marcelino Sanz de Saltuola, Saltuola, anos depois, 1876, que foi verificar de novo o que que tinha ali. E quando entrou na caverna, ele estava acompanhado da filha de 8 anos, a Maria Faustina. Ele foi até um ponto, não viu muita coisa, ele viu umas marcas na parede, regulares, mas para nós, como se fosse algo abstrato, talvez algum tipo de sinalização. E a Maria Faustina entrou mais para dentro da caverna, né? E aí, o que que ela achou? Ela olhou para cima e viu essa imagem. Essa imagem do que hoje se chama de Salão dos Bisões. Ela olhou para isso, olhou para esses animais todos e falou para o pai: "Olha, pai, os bois!" Ela viu e viu os bois na parede, pintados na parede. Então, a Maria Faustina descobriu os desenhos de Altamira com 8 anos. Aí o Saltohola entrou dentro do salão e viu esses desenhos, ficou impressionadíssimo, né? E enfim, 4 anos depois, depois ele foi ver, foi verificar, fez consulta para professores, né? O mais famoso dele é o Villanova, né, da Universidade de Madrid. Que acreditou. Ele falou: olha, eu acho— o Salduola disse para o Villanova: eu acho que essas pinturas são de pessoas da pré-história, né, são de povos pré-históricos. E aí o Villanova verificou tudo, foi ver e viu, e falou: é, eu também acho que é, tem evidências bastante fortes. Só que foi uma guerra para se comprovar para se colocar, para que se aceitasse que essas pinturas eram realmente da pré-história.