Como a IDADE MÉDIA via o PASSADO, o PRESENTE e o FUTURO? | A visão medieval da História

Medieval people saw time as six ages of biblical history, each representing a day of Creation, with Christ at the center. They drew these as circular diagrams in rose windows and feared years 500 and 1000 as potential end times, using this cyclical view to urge constant repentance.
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Como é que os próprios medievais, ou seja, na Idade Média, eles viam o tempo? Como eles viam a divisão daquilo que já tinha passado e daquilo que viria no futuro? Era bem diferente, pessoas. Era bem diferente. O que acontece? Enquanto nós temos uma visão linear, como a gente viu aqui nessa linha do tempo, que é muito comum a gente ver, vocês procurarem na internet, períodos da história da arte, ou períodos da história, provavelmente vai vir uma linha reta assim, e aí tem as idades, tem os marcos históricos, e na Idade Média nós temos uma tal diferente, nós temos uma outra mentalidade, outro tipo de visão, algo que assim, Nós precisamos ter em mente, quando a gente está vendo arte medieval, quando a gente está tentando ler, ler no sentido de uma leitura de imagem, de uma interpretação, tá? Quando nós vemos isso aqui, então, não é um calendário, né? É uma linha do tempo, só que não é uma linha, é um ciclo. Não é algo que você começa a ler da esquerda e vai para a direita. É algo circular, por isso é um ciclo. Para a Idade Média se adota a proposta de Santo Agostinho, ou Agostinho de Hipona, porque é o grande teólogo platônico cristão da Idade Média, que permeia a mentalidade medieval também. Depois, Santo Tomás de Aquino vem também. Fábio San Juan faz essa contribuição já mais para frente. Mas vocês veem que ele propõe dividir os tempos passados e também o tempo futuro na totalidade do tempo. Ou seja, ele propõe desde a criação do mundo. E qual é a referência de criação do mundo para a Idade Média? É a Bíblia. Tá? E aqui então nós vemos aqui onde eu tô aqui com o mouse, né? A leitura ela é anti-horária, né? Nessa representação aqui nós vemos então as 6 zeros do mundo. Por que 6 zeros? Por que 6 épocas? Porque Santo Agostinho faz a relação com 7 dias da semana. Como o Deus tendo criado o mundo em 7 dias, então há de ter uma correspondência entre a criação do mundo, que foi feita em 7 dias, e a criação da história do mundo, os acontecimentos da história do mundo, que também são governados por Deus na visão medieval, na visão cristã, com as épocas. Então são 7 eras. Sendo que uma não aparece aqui, eu vou dizer porquê já. Então, no sentido anti-horário, nós vemos aqui a criação de Adão e Eva, aqui eles sendo, na verdade, eles estão sendo expulsos do paraíso, mas é mostrando uma cena aqui da história deles, né? Que seria então o começo da primeira era até até Noé, Noé e o dilúvio. Aqui Noé aparece com um ramo da videira. Depois do dilúvio, Noé então se estabelece em um local e aí ele planta várias, ele faz várias plantações que ele levou na arca, além dos bichos, e aí ele planta videira. E aí na Bíblia conta a história da embriaguez de Noé com fruto da videira, com a uva, com o vinho. Então nós temos aqui Noé com a videira, né, marcando aqui a Segunda Era. Embaixo de Noé, de Noé, Abraão, né. Vocês se lembram da história de Abraão, que era muito velho, tinha esposa Sara, mas não tinha descendentes. Então Deus promete a ele que ele vai ter uma descendência mais numerosa que as estrelas do céu, né. E ele tem então Sara, a esposa, engravida, muito idosa, e dá à luz Isaac. E Deus põe Abraão à prova e pede para sacrificar o filho, o único filho, o filho temporão. E aí, aqui a cena do sacrifício de Isaac, que é impedido por Deus, que diz: "Não, já vi que você é fiel, então não precisa sacrificar não." Então aqui está sendo o sacrifício de Isaac. A terceira era então é marcada, o início por Abraão e vai até o Rei Davi. Na verdade aqui tem uma variação nessa, essa aqui, o que vocês estão vendo no texto é a proposta de Santo Agostinho. Aqui está um pouco diferente, aqui em vez de mostrar o Rei Davi está sendo mostrado Moisés e Araão. A Arão, que é o irmão de Moisés, com as tábuas da lei, ou seja, com os 10 mandamentos nas tábuas. Do rei Davi ao cativeiro da Babilônia. Aqui a representação que está sendo feita entre Moisés e Salomão. Aqui Salomão é representado como um rei, tem um orbe na mão, ou seja, uma representação do mundo com uma cruz em cima, o que é uma prova, uma das provas, né, que os medievais não achavam que o mundo era plano, né, eles sabiam que o mundo era redondo. E aqui nós temos um ídolo pagão, né, porque na história bíblica o rei Salomão termina a vida, mesmo tendo construído o templo para o Deus único, ele se converte ao paganismo no final da vida e rei de graças, rei de culto aos deuses pagãos. E do cativeiro da Babilônia até Jesus Cristo, então, é representado pela Virgem Maria com o Menino Jesus e com o padre consagrando a hóstia na missa. Então nós vemos aqui um exemplo da circularidade que é típica da Idade Média. Esse tipo de circularidade Vai explicar porque nós temos várias representações em que Cristo está no centro, está no centro, e os apóstolos ou os anjos, os santos, as figuras sagradas estão em volta do Cristo e não estão numa maneira que nós chamaríamos de renascentista ou da arte clássica. Que tenta simular a realidade visível, mas sim mostra de uma forma simbólica, tudo girando em torno de Deus, tudo girando em torno do Cristo, no caso, ou às vezes da Virgem Maria. Então vocês veem que é uma forma muito recorrente na Idade Média, que também explica os vitrais em rosácea, Que ao contrário do que a gente pensa, não são imagens abstratas. Cada ponto do vitral é uma cena bíblica. São vitrais enormes, rosáceas enormes, também nesse mesmo esquema circular, nesse esquema cíclico, essa forma de representação em círculo que mostra a história de uma forma cíclica. Eu não falei da sétima era. O que é a sétima era? A sétima era não está aqui porque ainda não começou. Então, da vinda de Cristo até o presente, ou seja, para eles, aquele momento ali que nós chamamos de Idade Média, até o fim dos tempos, seria a sexta era. E a sétima era é a era que virá depois do fim do mundo. O que é bastante interessante, até paradoxal, meio contraditório para nós, porque o fim dos tempos, aí o tempo depois do fim dos tempos é um tempo também, é uma época, é uma era, que é a Sétima Era. Como no sétimo dia Deus descansou, a Sétima Era é o momento em que a humanidade também descansa. Os justos que receberam o céu, o paraíso, vão viver a sétima era depois do Juízo Final. Para os medievais, para as pessoas da Idade Média, eles estavam no fim dos tempos, ou seja, depois da vinda de Cristo é o fim dos tempos, é a época É Apocalipse, não é que é o fim dos tempos. O fim dos tempos é depois do Juízo Final. Mas assim, está acabando o tempo, está acabando a sexta era. Então está se aproximando o fim do mundo. E vários momentos na Idade Média se imagina, se pensa que é o fim do mundo. De acordo com contagens que se fazem, foi só no século V que a cronologia a partir da era de Cristo, a partir da vinda de Cristo, a data da vinda de Cristo foi estabelecida e se adotou o calendário da contagem do tempo que nós usamos hoje, né, o ano 2022, ano 2022 depois de Cristo. A contagem antes de Cristo até o século 5º Se contava de acordo com o reinado, com a vigência, a vida dos reis. Então, o quinto ano do reinado do Imperador Augusto, o quinto ano, o décimo ano do reinado do Imperador Carlos Magno. A partir do século quinto, sexto, começa-se a adotar o calendário calculado a partir do cristianismo, mas não por toda a Europa. Levou ainda um tempo ainda para se adotar essa data. Então, quando chega no ano 1000 depois de Cristo, a Europa toda já está usando esse calendário, né? Então, e é o momento que se imagina, se pensa que é o fim do mundo, né? Porque segundo uma interpretação da carta de São Pedro, que está no Novo Testamento. São Pedro diz que para Deus um dia são como mil anos e mil anos são como um dia. Então, segundo essa interpretação, a história do mundo seria dividida em períodos de mil anos. Percebeu-se no ano 1000 que não era o fim do mundo. No ano 500 também houve uma proposta, vamos dizer assim, de que o mundo estava acabando. O mundo não acabou. E aí teve que se refazer os cálculos. Segundo a doutrina católica, até hoje, se considera teologicamente que estamos próximos do fim dos tempos. Que qualquer momento, como Cristo diz no Evangelho, que nem um filho sabe a data do fim do mundo, somente Deus Pai. Não dá para saber quando o fim do mundo vai vir, que não é para a gente ficar alarmado. Quem crê em Jesus, quem crê em Deus, mas sempre é iminente a segunda vinda de Cristo. E isso tudo para exortar as pessoas para que se arrependam dos seus pecados, que se convertam. Qual é a ideia? Que se começa com a criação do mundo com Deus, tem a criação do mundo, criação do homem, Você tem toda a história humana, a vinda do Cristo, e depois no final termina com o quê? Com a vinda do Cristo também, com o juízo final, e tudo a partir de Deus. Então para o medieval tudo é feito a partir de Deus, para a glória de Deus, para a honra de Deus, né? A vida humana ela é sustentada por essa visão, essa visão divina.
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