Curso Apreciando a História da Arte | Aula 42 Arte da Idade Média: Panorama | 15 03 2022

A aula 42 do curso “Apreciando a História da Arte”, ministrada por Fábio San Juan, oferece um panorama abrangente da arte medieval, abordando suas principais divisões – arte pré‑românica e celta, românica, gótica (incluindo o estilo gótico flamejante) e bizantina. O professor analisa obras‑chave, como as estátuas de Uta von Ballenstein, a Madonna Negra de Chestochova e ícones bizantinos, explorando tanto aspectos formais (cores, técnicas de mosaico, cúpulas) quanto interpretações simbólicas (o olhar distante das figuras, possíveis leituras trágicas ou visionárias). São discutidas influências culturais, como a rivalidade entre cidades europeias que impulsionou a ostentação gótica, e a transmissão de técnicas romanas ao Império Bizantino. O professor também descreve a estrutura pedagógica do curso: número de aulas por período, carga horária total (~80 horas), cronograma semanal (às terças‑feiras, 20h‑22h), valores de mensalidade para associados e não‑associados, e a parceria com a Associação Paulista de Medicina. O trecho inclui interações ao vivo com os alunos, feedback positivo e agradecimentos, reforçando o caráter interativo e motivador da disciplina.
Chapters
Olá, boa noite! Boa noite, pessoal! Boa noite a todos! Muito obrigado, sejam todos bem-vindos, os alunos e aqueles que estão juntando a nós hoje, né, nessa aula aberta. Oi, José, tudo bem? Quanto tempo, hein? Muito bem, Thiago, seja bem-vindo também. Paulo, Maria Helena, obrigado. Mais gente entrando. Muito bem, Ana, tudo bem? Ana Jacobus, seja bem-vinda. Oi, tudo bom? Boa noite. Também só mais um minutinho que tem mais gente entrando, né? E legal, estamos online. Tudo bem, hoje nós vamos falar. Boa noite, Thiago, tudo bem? Caso queira abrir microfone para falar boa noite para todo mundo, fique à vontade. Thiago também é professor de história da arte, professor de arte. Bem-vindo, Thiago. Ana já foi minha aluna lá na Exalc, né, Ana? Ana Jacobus, né? Falar Ana, aqui tem 3 Anas aqui, né? Ana Lúcia, Ana Luísa e agora Ana Jacobus. Isso, foi lá na Exalc mesmo. Isso, lá no no curso. Nossa, foi quando isso? 2014, Ana? Foi 2014, isso. Nossa, faz um tempinho já, né? Oi, tudo bem? Seja bem-vinda. Obrigada. Muito bem, eu vou— as pessoas vão entrando, né? E eu vou já falando para a gente não pra gente usar o nosso tempo, não perder tempo. A gente nunca perde tempo quando a gente tá falando de arte e cultura, né? A gente vai, deixa eu aqui passar pra tela. Então, vocês me ouvem? Estão ouvindo? Sim, sim. Muito bem. Sim, perfeitamente. Então aqui, nosso curso Apreciando a História da Arte, né, ele já vem aí de 2021, né, e hoje é aula aberta para as pessoas que estão começando, né, ou simplesmente estão degustando essa aula aqui sobre arte da Idade Média. Eu vou pedir agora para vocês irem fechando o microfone, por favor, senão vai dar eco aqui. Pode ser? Tudo bem? Essa aula é a nossa aula 42 do nosso curso, mas é a aula, é a primeira aula de 2022. Quem começar daqui não vai ser prejudicado. Eu vou, para quem desejar, né, que está fazendo essa aula aqui e depois desejar, eu vou falar mais ao final, prosseguir o curso, né, que vai acontecer durante o ano de 2022, vai receber aí como parte do engajamento, né, da adesão ao curso, as aulas as aulas sobre arte paleocristã, ou seja, do cristianismo antigo, que foram ministradas entre janeiro e fevereiro, né? Foi nosso assunto nesse começo do ano, um pouco antes da gente fazer esta aula aqui. Esta aula, então, nós Damos um panorama da Idade Média, falamos um pouco sobre as condições que possibilitaram a arte nesse período histórico e alguns exemplos da arte desse período. Ao final, então, eu falo das condições do curso e das condições para adesão, para quem assim ou desejar. Só um minuto aqui que a Ana já caiu. Já voltei. Ah, tá certo. Então, Vocês estão vendo aí na tela, vocês estão vendo aí na tela, o Cristo em Majestade, que é um Cristo românico, né, do estilo românico medieval. É um Cristo que está na abside, ou seja, na parte onde normalmente está o altar na igreja. Um Cristo desse estilo românico na Igreja de São Clemente de Taüll, na cidade de Taüll, na Espanha, na Catalunya, certo? Nós vamos ver durante a aula o significado maior, mas Já adianto que essa imagem do Cristo em Majestade, ela também é chamada do Cristo Pantocrátor. Pantocrátor quer dizer todo-poderoso em grego. No Ocidente, ou seja, na Europa ocidental, principalmente, em que o latim se tornou a língua franca, devido ao Império Romano do Ocidente, alguns termos, muitos termos, embora alguns sejam, mas são poucos os termos usados em grego na terminologia da Igreja. Então os termos em grego são mais usados na Igreja Oriental, ou seja, na Igreja correspondente ao que era o território do Império Bizantino, ou seja, o Império Romano do Oriente, na qual a língua franca era o grego. Então nós temos dois mundos, vamos dizer assim, dois grandes mundos, duas grandes vertentes culturais na Idade Média. Nesse lado do mundo, sempre a gente falando do Ocidente, do Ocidente e o que lhe é próximo, que é ali o Oriente Médio, norte da África. Nós temos duas vertentes: a vertente de cultura latina e a vertente de cultura grega, né? Ambos ocasionados por essa divisão que houve no Império Romano e que originou esses dois impérios, do Ocidente e do Oriente. Enfim, mas aí eu já estou divagando, né? Divagando não, já estou, como se diz, fazendo uma digressão, fazendo um desvio no caminho. Enfim, aqui nós vemos o Cristo em majestade, está nessa auréola de corpo inteiro, que nós chamamos de mandorla. Deixa eu chegar aqui na tela. Vocês veem o ponteiro do mouse? Conseguem ver o ponteiro do mouse se movimentando na tela? Sim. Ótimo. Então essa estrutura aqui, esse desenho, é chamado de mandorla e é a, vamos dizer, É a auréola de corpo inteiro, ou seja, é uma representação do brilho, né? É uma representação do brilho divino, não é um brilho físico, é uma majestade, é um brilho da majestade de Deus, né? Ora, mas vocês podem dizer: "Ah, mas ele tem uma auréola na cabeça." Sim, ele tem uma auréola na cabeça, assim como os anjos assim como os santos que estão próximos a ele, tá? Mas além disso, as figuras mais sagradas, né? Você vai ter algumas representações em que a Virgem Maria também está dentro dessa mandorla, está ligado então às figuras mais importantes. O Cristo é o que mais aparece com essa figura, né? Nós temos essa representação também em outras culturas, assim como a auréola de cabeça também aparece em outras culturas, como a cultura budista, em outras religiões, no hinduísmo. Mas na Idade Média nós temos essa ocorrência aqui. Enfim, quando a gente chegar então na Igreja de São Clemente, eu falo mais um pouco sobre essa imagem, tá certo? Queria colocar para vocês a questão da periodização da história da humanidade. Por que nós chamamos a Idade Média de Idade Média? E isso tem muito a ver com as representações que nós fazemos na Idade Média e o porquê delas se apresentarem Na forma visual que nós vemos, né? Forma visual que nós vemos é ótimo, né? Na forma visual que se apresentam, né? Essa cronologia, essa reta aqui, essa linha do tempo que nós estamos vendo na tela, ela é a nossa visão, nossa visão ocidental, né? E a visão ocidental é a visão que É a visão, a cultura ocidental é a base da nossa cultura globalizada atual, né? Nós temos contribuições de outras culturas, mas a base da cultura atual mundial, né, globalizada, com seus problemas e defeitos e falhas, ela tem como base essa visão ocidental. Aqui nós vemos uma visão linear. Falei de linha, quer dizer que é uma visão linear. Ou seja, nós temos uma visão aqui, segundo todas as pesquisas que até agora nós coletamos, todo conhecimento que nós até esse momento nós temos sobre a humanidade, né, ou seja, sobre o aparecimento da humanidade até o momento, nós vemos então como uma linha reta. Desde o surgimento do ser humano, né, o surgimento do ser humano, isso aqui tudo é do ponto de vista científico, tá, segundo a ciência moderna, que é a nossa visão atual histórica, né. Mesmo quem é religioso, mesmo quem tem uma visão religiosa, é muito difícil escapar disso porque Isso aqui está impregnado na nossa formação, né? Eu não estou fazendo nenhum julgamento se isso é bom ou se é ruim, estou dizendo o fato, né? Então, olha aqui, nós temos o surgimento do Homo sapiens segundo a ciência moderna, calculado, né? Isso aqui é uma data, claro, aproximada do surgimento da espécie Homo sapiens sapiens, né? Você sabe que é o nome da o nome biológico atribuído por nós mesmos, diga-se de passagem, a nossa espécie. 300 mil anos antes de Cristo. Desse período até o começo da escrita, nós convencionamos chamar de pré-história, ou seja, a história, o que aconteceu com o ser humano antes dos primeiros registros escritos, antes da escrita, da invenção da escrita. Da invenção da escrita, e essa data que se refere ao mais antigo estabelecido pela ciência, que é o surgimento da escrita mesopotâmica, por volta dessa data, 3400 a.C., até a queda de Roma, ou seja, a queda do Império Romano do Ocidente. Seria então a Antiguidade. Antiguidade. Depois da queda de Roma até a queda, ou seja, da queda do Império Romano do Ocidente até a queda do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, a queda de Constantinopla seria então o fim da Idade Média. O começo da Idade Média com a queda de Roma, o fim da Idade Média com a queda de Constantinopla. Essa queda marca o início da Idade Moderna e a— desculpa, tem um erro aqui, tá? Nossa, agora que eu vi, desculpe. Isso aqui tá errado, gente. Isso aqui não é de 1453 a 1789, nós temos a Idade Moderna. A Idade Contemporânea começa em 1789, que é a Revolução Francesa, e da Revolução Francesa até o fim da Segunda Guerra Mundial, com a detonação das primeiras, e espero em Deus que sejam as únicas, bombas nucleares detonadas na história da humanidade. Isso dá início à Idade Contemporânea. Então, a Idade Contemporânea— desculpa, agora me confundi, né? Constantinopla até a Revolução Francesa, Idade Moderna. Revolução Francesa. Revolução Francesa. Até hoje seria a Idade Contemporânea. O que eu quis colocar aqui, que não coloquei, depois eu vou arrumar para mandar para vocês no slide em PDF, é que existem historiadores que propõem o início de uma nova era a partir de 1945, como se seria uma era atômica, uma era nuclear, alguma coisa do tipo. Enfim, não é algo que é consenso, então não pegou, vamos dizer assim, né? Mas temos aí pessoas falando pós-moderno, de pós-contemporâneo, mas isso ainda tá muito recente e a gente sabe que no estudo da história, nesse estabelecimento desses marcos, na verdade são muito posteriores, né? E hoje, né, 2022, nós estaríamos então ainda na Idade Contemporânea. Muito bem, Simone ou Simone, boa noite. Simone. Simone, muito bem-vinda, viu? Muito obrigado, seja bem-vinda. Eu tô falando aqui já da periodização da história do homem na Idade para a gente ver a questão do porquê que a gente chama de Idade Média e por que é isso importante pra gente falar de arte, né? Ou seja, das representações do tempo, até da representação de outras ideias, outros conceitos na arte durante a Idade Média. Então assim, a nossa ideia A nossa ideia de Idade Média, o fato da gente usar ainda esse nome de Idade Média, o que quer dizer Idade Média? Idade Média é essa ideia de uma era, de uma idade, de uma época que está no meio, que está no meio de outras duas. Para o Leonardo Bruni, que é um escritor renascentista, Ele achava, ele não foi, ele inventou a ideia, não foi ele que primeiro falou disso, mas foi ele que deu o nome, vamos dizer assim, vamos dizer assim não, ele deu o nome mesmo como Idade Média. Por que Idade Média? É a idade, a época que está entre a Antiguidade, cheia de glória, das realizações do paganismo, né? E a nossa idade, que seria na época, né, para nós é o Renascimento, para eles era a Idade Moderna. Ou seja, nós modernos, né, existe algo entre nós e a antiguidade, entre a época dos romanos, que é algo, é uma idade, é uma idade de trevas, é uma idade de ocultamento do conhecimento, é uma idade de É uma idade que a gente tem que esquecer. Na verdade, é algo— tem muita arte bárbara, né? Arte gótica. A arte gótica, o nome gótico é pejorativo, foram os renascentistas que inventaram. Ele então tem esse preconceito do nosso ponto de vista, né? Da Idade Média, que a arte medieval, por exemplo, Ela é algo que deve ser desprezado. Nós devemos voltar aos ideais antigos do classicismo, da época clássica, para que haja então um renascimento da antiguidade greco-romana e que se opõe aos tempos medievais. Ainda não prescindindo do cristianismo. No Renascimento ainda se fala da questão do... Ainda se fala não. A ideia renascentista é que eles têm uma vantagem em relação aos romanos. Embora eles resgatem os romanos, a cultura romana, eles dizem que há uma vantagem no Renascimento porque eles têm... Eles estão resgatando a cultura clássica greco-romana e ainda tem o cristianismo. Eles têm duas coisas que se juntam E dão uma terceira coisa, que é a cultura que eles estão gestando de uma "renaissance", de um renascimento, mas um renascimento com essa base, mas com um resultado diferente, muito superior, aliás, né? Eles não são nada modestos, tá? Então é isso. Essa Idade Média, então, é algo que está no meio de duas épocas muito boas, excelentes, épocas que no entender deles, dos renascentistas, é uma idade muito boa, muito legal, e a Idade Média, olha, está no meio das duas e é algo que tem que ser desprezado, é algo que tem que ser esquecido, né? Vamos esquecer essa arte bárbara da Idade Média e vamos voltar para os gregos, vamos voltar para os romanos, principalmente. Só que assim, essa ideia é uma ideia renascentista. Isso é depois da Idade Média. É uma visão que a gente chama de uma visão a posteriori, ou seja, uma visão que vem depois. Como é que os próprios medievais, ou seja, na Idade Média, eles viam o tempo, como eles viam a divisão daquilo que já tinha passado e daquilo que viria no futuro. Era bem diferente, pessoas, era bem diferente. O que acontece? Enquanto nós temos uma visão linear, como a gente viu aqui nessa linha do tempo, isso aqui é muito comum a gente ver. Vocês procurarem na internet Períodos da história da arte, então períodos da história. Provavelmente vai vir uma linha reta assim, ou vai vir uma linha vertical que sai da— no sentido da leitura, né, que sai da esquerda e sobe para a direita, né. Então tem esse sentido da reta, sobe na diagonal, e aí tem as idades, tem os marcos históricos. E na Idade Média nós temos a tal de "Fenêmeno". Nós temos uma outra mentalidade, outro tipo de visão, algo que assim, nós precisamos ter em mente quando a gente está vendo arte medieval, quando a gente está tentando ler, ler no sentido de uma leitura de imagem, de uma interpretação, tá? Quando nós vemos isso aqui, então, não é um calendário, né? É uma linha do tempo, só que não é uma linha, É um ciclo, não é algo que você começa a ler da esquerda e vai para a direita. É algo circular, por isso é um ciclo, tá? Para a Idade Média se adota a proposta de Santo Agostinho, né? Ou Agostinho de Hipona, porque que é o grande teólogo platônico cristão da Idade Média, que permeia a mentalidade medieval, né? Também depois Santo Tomás de Aquino vem também e faz essa contribuição já mais para frente. Mas vocês veem que ele propõe dividir os tempos passados e também o tempo futuro na totalidade do tempo, ou seja, ele propõe desde a criação do mundo. E qual é a referência de criação do mundo para a Idade Média? É a Bíblia, tá? Por incrível que pareça, por volta do ano 400, a Bíblia está terminando de ser sistematizada, né? A gente acha que sempre tem certas coisas que sempre foram do jeito que são hoje, né? Não é verdade. A Bíblia mesmo, ela não existia como a gente vê hoje, né? Porque os livros que compõem a Bíblia ainda estavam sendo decididos. Estava se decidindo quais livros que entrariam ou não entrariam, né, principalmente no Novo Testamento. Mas enfim, de qualquer forma, já existia a cultura, já existia a herança da Bíblia Judaica, né, o que nós, o que os cristãos chamam de Velho Testamento, Antigo Testamento. E aqui então nós vemos aqui onde eu tô aqui com o mouse, né, A leitura é anti-horária. Nessa representação aqui, nós vemos então as 6 eras do mundo. Quais são as 6 eras do mundo? Por que 6 eras? Por que 6 épocas? Porque Santo Agostinho faz a relação com os 7 dias da semana. Como Deus tendo criado o mundo em 7 dias, Então, há de ter uma correspondência entre a criação do mundo, que foi feita em 7 dias, e a criação da história do mundo, os acontecimentos da história do mundo, que também são governados por Deus, na visão medieval, na visão cristã, com as épocas. Então, são 7 eras, sendo que uma não aparece aqui. Eu vou dizer por que já. Então, no sentido anti-horário, nós vemos aqui a criação de Adão e Eva, que é onde eu estou apontando. Aqui, na verdade, eles estão sendo expulsos do paraíso, mas é mostrando uma cena da história deles. Seria então o começo da primeira era até Noé e o dilúvio. Noé aparece com um ramo da videira. Depois do dilúvio, Noé então se estabelece em um local e aí ele planta várias, ele faz várias plantações que ele levou na arca, além dos bichos, e aí ele planta videira. E aí na Bíblia conta a história da embriaguez de Noé. Noé teria se embriagado com a videira, com fruto da videira, com a uva, com vinho. Depois, então, a segunda era. A segunda era. Tem mais pessoas entrando aí, espera só um minuto. Suzana, boa noite, Suzana. Boa noite, Susana, seja bem-vinda. Estamos aqui falando de como a Idade Média via a história e como isso tem a ver com as representações visuais, com a arte. Aqui já temos um exemplo de arte que mostra 100 ideias da humanidade. Então nós temos aqui Noé com a videira, né, marcando aqui a Segunda Era. Embaixo de Noé, de Noé até Abraão, né. Vocês se lembram da história de Abraão, que era muito velho, tinha esposa Sara, mas não tinha descendentes. Então Deus promete a ele que ele vai ter uma descendência mais numerosa que as estrelas do céu, né. E ele tem então Sara, a esposa, engravida, muito idosa, e dá à luz Isaac. E Deus põe Abraão à prova e pede para sacrificar o filho, o único filho, o filho temporão. E aí, aqui a cena do sacrifício de Isaac, que é impedido por Deus, que diz: "Não, já vi que você é fiel, então não precisa sacrificar não." Então aqui está sendo o sacrifício de Isaac. A terceira era então é marcada, o início por Abraão e vai até o Rei Davi. Na verdade aqui tem uma variação nessa, essa aqui, o que vocês estão vendo no texto é a proposta de Santo Agostinho. Aqui está um pouco diferente, aqui em vez de mostrar o Rei Davi está sendo mostrado Moisés Araão, né, Aarão, que é o irmão de Moisés, com as tábuas da lei, ou seja, com os 10 mandamentos, as tábuas, né. Do rei Davi ao cativeiro da Babilônia. Aqui a representação está sendo feita entre Moisés e Salomão, né. Aqui Salomão é representado como rei, tem um orbe na mão, ou seja, uma representação do mundo com a cruz em cima, o que é uma prova, uma das provas, né, que os medievais não achavam que o mundo era plano, né, eles sabiam que o mundo era redondo. E aqui nós temos um ídolo do Padrão, né, porque na história bíblica o Rei Salomão termina a vida, mesmo tendo construído o templo para o Deus único, Ele se converte ao paganismo no final da vida e rende graças, rende culto aos deuses pagãos. E do cativeiro da Babilônia até Jesus Cristo, então, é representado pela Virgem Maria com o Menino Jesus e com o padre consagrando a hóstia na missa, certo? Mais uma pessoa entrando, vamos lá. Olá, Suzana, boa noite, seja bem-vinda. Então estamos falando de como na Idade Média havia história, né? Então essa é uma representação, a representação de um breviário, ou seja, era um livro de orações As pessoas ricas tinham livros de orações muito ricamente ilustrados. Você tinha, principalmente, mais no período gótico, você tinha breviários, livros das horas, que é a liturgia das horas. Nós vimos agora aqui anteriormente, isso aqui é uma ilustração de um livro das horas. Livro das Horas é uma liturgia da Igreja Católica que propõe orações a cada, em vários momentos do dia, durante todo o dia. E esse Livro das Horas não só marcava as horas, mas também marcava o calendário anual. Então você tem ilustrações, ilustrações do ano inteiro. Este livro, esse livro Opa, desculpa, saí da tela. Esse livro aqui é mais antigo do que o anterior, né? São estilos diferentes de ilustração. Então nós vemos aqui um exemplo da circularidade que é típica da Idade Média. Esse tipo de circularidade vai explicar porque nós temos várias representações em que Cristo está no centro, está no centro, e os apóstolos, ou os anjos, os santos, as figuras sagradas estão em volta do Cristo. E não estão numa maneira que nós chamaríamos de renascentista, ou da arte clássica, que tenta simular a realidade visível, mas sim é mostrada de uma forma simbólica, né? Tudo girando em torno de Deus, tudo girando em torno do Cristo, no caso, né? Ou às vezes da Virgem Maria. Ops! Isso aqui é a tela com a— a gente deveria ter colocado ampliada, né? Aqui está então o manuscrito ampliado e aqui é o manuscrito completo. Eu fiz um corte nos ornamentos para poder focar a ilustração, tá? Mas o PDF que vocês vão receber, vão receber com essas imagens aí completas e também ampliadas. Então vocês veem aqui, é uma forma muito recorrente na Idade Média Também explica os vitrais, os vitrais em rosácea, que mostram que, ao contrário do que a gente pensa, não são imagens abstratas. Cada ponto do vitral é uma cena bíblica. São vitrais enormes, rosáceas enormes, Também nesse mesmo esquema circular, nesse esquema cíclico, essa forma de representação em círculo que mostra a história de uma forma cíclica. Eu não falei da Sétima Era. O que é a Sétima Era? A Sétima Era não está aqui porque ainda não começou. Então, da vinda de Cristo até o presente, ou seja, para eles, aquele momento ali que nós chamamos de Idade Média, até o fim dos tempos seria a Sexta Era, e a Sétima Era é a era que virá depois do fim do mundo, o que é bastante interessante, até paradoxal, meio contraditório para nós, porque o fim dos tempos é o tempo depois fim dos tempos é um tempo também, é uma época, é uma era, que é a Sétima Era. Como o sétimo dia Deus descansou, a Sétima Era é o momento em que a humanidade também descansa. Os justos que receberam o céu, o paraíso, vão viver a Sétima Era depois do Juízo Final. Para os medievais, para as pessoas da Idade Média, eles estavam no fim dos tempos, ou seja, depois da vinda de Cristo é o fim dos tempos. É a época, não é que é o fim dos tempos, o fim dos tempos é depois do Juízo Final, mas assim, está acabando o tempo, está acabando a sexta era. Então está se aproximando o fim do mundo. E vários momentos na Idade Média se imagina, se pensa que é o fim do mundo. De acordo com contagens que se fazem, foi só no século V que a cronologia a partir da era de Cristo, a partir da vinda de Cristo, a data da vinda de Cristo foi estabelecida e se adotou. O calendário da contagem do tempo que nós usamos hoje, né, o ano 2022, ano 2022 depois de Cristo. A contagem antes de Cristo, até o século 5º, se contava de acordo com o reinado, né, com a vigência, a vida dos reis, né. Então, o 5º ano do reinado do Imperador Augusto. O quinto ano, o décimo ano do reinado do Imperador Carlos Magno. A partir do século V, VI, começa-se a adotar o calendário calculado a partir do cristianismo, mas não por toda a Europa. Levou ainda um tempo para se adotar essa data. Então, quando chega no ano 1000 depois de Cristo, A Europa toda já está usando esse calendário, né? Então, é um momento que se imagina, se pensa que é o fim do mundo, né? Porque segundo uma interpretação da carta de São Pedro, que está no Novo Testamento, São Pedro diz que para Deus um dia são como mil anos e mil anos são como um dia. Então, segundo essa interpretação, A história do mundo seria dividida em períodos de 1000 anos. Então, segundo o calendário judaico, nós estamos no ano 5400 e pouco, pela contagem da Bíblia, pela contagem da Torá, que são os 5 primeiros livros da Bíblia. Só que mesmo os judeus, usam o calendário cristão também, o calendário gregoriano, que a gente chama hoje. Mas, enfim, percebeu-se no ano 1000 que não era o fim do mundo. No ano 500 também houve uma proposta, vamos dizer assim, de que o mundo estava acabando, mas o mundo não acabou. E aí teve que se refazer os cálculos. Segundo a doutrina católica, até hoje, se considera, teologicamente, que estamos próximos do fim dos tempos. Que qualquer momento, como Cristo diz no Evangelho, que nem um filho sabe a data do fim do mundo, somente Deus Pai. Não dá para saber quando o fim do mundo vai vir, que não é para a gente ficar alarmado, quem crê em Jesus, quem crê em Deus, mas Mas sempre é iminente a segunda vinda de Cristo. E isso tudo para exortar as pessoas para que se arrependam dos seus pecados, que se convertam. Enfim, então essa é uma, um panorama para vocês de como se via o tempo, como se encarava o tempo. Existiam outros ciclos também na Idade Média. Vocês veem que é tudo circular, né? Qual é a ideia? Que se começa com a criação do mundo com Deus, né? Deus criando o mundo. Você tem o ciclo todo— Desculpa, é no outro lado, é anti-horário aqui nessa ilustração. Você tem a criação do mundo, criação do homem, você tem toda a história humana, a vinda do Cristo, e depois no final termina com a vinda do Cristo, também com o juízo final, e tudo a partir de Deus. Então, para o medieval, tudo é feito a partir de Deus, para a glória de Deus, para a honra de Deus. A vida humana é sustentada por essa visão, essa visão divina. Eu queria colocar agora para vocês alguns elementos, alguns elementos históricos que vão moldar a Idade Média, as características sociais, de forma assim breve, não tão aprofundada, né? É só mesmo para a gente contextualizar, para a gente explicar por que que Por que que os povos europeus na Idade Média pensam dessa forma e não pensam de outra? Tem essa mentalidade e não tem outra. Será que era forçado? Será que era imposto? Será que tudo isso era colocado na ponta da espada? Enfim, vamos começar aqui com o fim do Império Romano. O fim do Império Romano é um grande trauma. Para a Europa. A Europa, não toda a Europa como nós conhecemos hoje, o norte da Europa era bastante despovoado na época até o fim do Império Romano. Ele começa a ser mais povoado por conta da invasão desses povos que os romanos chamam de bárbaros, por volta do começo do século, no final do século II depois de Cristo, Até o século X, nós temos uma ocupação, e não é completa, não é integral desses territórios, mas uma ocupação desses povos nômades que se deslocam da Ásia principalmente e que vêm para a Europa e acabam ocupando o que nós chamamos hoje de Suécia, Finlândia, Noruega, Alemanha, norte da Europa ali, a própria França, né? São territórios que os romanos não tinham, até chegarem alguns pontos como a Grã-Bretanha, alguns pontos, até um certo ponto na França, né? Naquele chamado de Gália. Mas é o Fábio, ao invés do asterisco É, exato. É só que a história do Asterix é muito bacana, né? Só que não existiu, né? Infelizmente não existiu uma resistência gaulesa a ponto de ter uma aldeia que não fosse derrotada. Infelizmente todos eles foram derrotados, né? Mas o Asterix é um belo exemplo de aplicação de história, né? Porque tudo que você lê ali É tudo cômico, né? Tudo engraçado, né? O objetivo é que a gente ria, né? Mas é tudo baseado em história, né? É tudo baseado em história, assim, e tem uma pesquisa bastante rigorosa do ponto de vista histórico pelo roteirista, né? Que é o Goscinny, né? René Goscinny. Não é René, René é o desenhista, né, o Dersu. Bom, mas assim, que eu tava falando da questão do fim do Império Romano, né. Mais uma pessoa entrando, só um minuto. Olá Denise, seja bem-vinda, boa noite. Boa noite. Boa noite. Nós estamos aqui falando de alguns, nós falamos um pouco já da periodização da Idade Média. Eu estou falando, espero que seja breve, né, sobre alguns elementos históricos para explicar por que que essa arte da Idade Média é assim, né. Por que que a arte da Idade Média se apresenta da forma que se apresenta e não de outra forma, né. E tem alguns motivos, tem alguns elementos históricos que são importantes. O fim do Império Romano então foi esse "Panditalma" na Europa. Nós temos o Império Romano, foi um império, a civilização romana, o ponto que a civilização romana, em termos de desenvolvimento urbano, de estrutura, de comércio, militar, de direito, de justiça, de cultura artística, foi tão— tudo isso, né, de civilização, enfim, foi tão desenvolvido que somente, segundo alguns historiadores, o nível civilizatório, seja de serviços, de estrutura política, cultural, só foi alcançar, e tecnológica também, só foi alcançada na forma como era no Império Romano na Europa do século XIX. Então vamos dizer que tecnicamente, tecnologicamente, até culturalmente, a Europa levou um tempo para restaurar o padrão civilizatório que existia no Império Romano, no Império Romano do Ocidente. Então, é uma obsessão, vamos dizer assim, existe uma certa obsessão dos governantes medievais, que são uma mistura, culturalmente falando, eles são bárbaros, bárbaros são povos que vieram de fora da Europa, Invadiram a Europa, conquistaram os pedaços do Império Romano, eram áreas de cultura romana, falavam latim, né, vários lugares falavam latim, que daí vai redundar com o tempo nas línguas românicas ou línguas neolatinas, como português, espanhol, francês, italiano, romeno, né. São línguas, são culturas que esses povos encontram e na mistura dessa cultura romanizada com a cultura desses povos bárbaros mais o cristianismo você redunda no quê? Com o tempo na cultura que nós chamamos de europeia ou ocidental. E a grande obsessão, a grande referência, a grande referência de civilização, de uma forma que esses governantes inclusive não viram, né? Eles conheceram mais a fama, eles conheceram os vestígios, eles conheceram o que sobrou desse império tão glorioso, tão famoso, que atravessou fronteiras. A fama do Império Romano chegou até a China, né? Hoje nós temos até resgatado uma embaixada romana que foi até o Império Chinês da época, no século I d.C. Então eles foram longe, né? Existia a Rota da Seda que fazia ligação comercial entre Roma e a China, né? Então os governantes medievais que eram semibárbaros, vamos dizer assim, eles se civilizam quando eles restauram elementos parciais da cultura romana. E daí que vai surgir o que nós chamamos de renascimentos medievais. Nós temos o renascimento carolingio, o renascimento de Carlos Magno, que é um grande movimento cultural, né? Se restabelecem escolas, como fazia 500 anos que não existia na Europa, né? Da confusão do fim do Império Romano do Ocidente para um império, um país mais organizado, um reino mais organizado, como o de Carlos Magno, passam-se 500 anos, né? E quando ele começa a restaurar essa cultura, ele acaba politicamente fazendo uma articulação, então, em que agrega prestígio dizer que você está restaurando o Império Romano. E o Papa, na época, que já é uma autoridade religiosa reconhecida em toda a Europa, e política também, coroa Carlos Magno como Imperador Romano. Então há uma restauração do Império Romano por Carlos Magno, exatamente no ano 800. E depois o Sacro Império Romano Germânico, que é uma continuação através da descendência do Carlos Magno, mas com esse nome aí, Sacro, ou seja, um império sagrado que tem a chancela religiosa da Igreja Católica. Romano, porque restaura ou quer restaurar a glória, o Fausto, a cultura, a técnica, a tecnologia romana. E germânico, porque aí o elemento germânico, ou seja, o elemento não romano, ele é muito importante nesse momento. Então ele não é só romano, ele é germânico, né? Já é um império europeu, né? E não só romano. Essa ideia da restauração do Império Romano é muito persistente, é tão persistente que na Europa, até na parte oriental, né, que tenha o Império Romano do Oriente, Bizantino, como uma referência, mas também como o Império do Ocidente, né. Então o próprio Império Russo, né, essas denominações como czar, kaiser, né, quando a Alemanha é unificada no século 19, são nomes que têm a ver com César, né, que é o título um dos títulos dos imperadores romanos da antiguidade. O próprio Napoleão tenta restaurar o que é o Império Romano, só que ele é tão narcisista que ele é um impero napoleônico, na verdade. O próprio terceiro Reich é uma tentativa distorcida, completamente despirocada, Mas de certa forma, de certa forma não, tem a ver também com esse sonho de um império que unifica toda a Europa numa entidade política só, tá? Só que os países mais modernos, claro, já estão despidas dessa motivação religiosa que motivava os reis, os imperadores na Idade Média, né? Porque a grande referência para eles, ao contrário do que nós pensamos hoje, esses governantes tinham, quando chega a fama para eles do Império Romano, o Império Romano já é um império cristão, é um grande império que tem o cristianismo como a religião oficial, não é um império pagão mais. Então essa obsessão tem a ver também com isso, uma entidade que tinha um grande poder econômico, que tinha poder no sentido da possibilidade de fazer coisas grandiosas, mas também como uma capital religiosa, né, da grande capital europeia do cristianismo. Essa ideia persiste, né, falando de forma política, persiste Roma como a sede do papado, ou seja, como a sede do chefe, do bispo que é chefe do cristianismo, segundo a Igreja Católica. Depois do cisma do século XI com a Igreja Bizantina, existe a separação daí, né? O patriarca de Constantinopla que será o chefe da Igreja chamada Ortodoxa, né. Enfim, e falando em Igreja Ortodoxa, falando do Império Bizantino, você tem também o Império Romano que continua, né, o Império Romano do Oriente, que na época, que na Idade Média era chamado pelos europeus do Império dos Gregos, tá. É bem interessante porque os europeus chamavam o que nós chamamos de bizantinos, eles chamavam de gregos. Os próprios bizantinos se chamavam de os romanos, os romanos, ou romoi, ou seja, eles se consideravam romanos até o fim do império. Então era o Império Romano de fato. Impero Romano do Oriente, não do Ocidente. E o Império Bizantino, Bizantino é um nome muito recente, é do século 19, para variar, né, como vários outros termos são cunhados, é um termo cunhado por historiadores alemães, tá, por um historiador alemão, e que enfim hoje acabou sendo adotado, mas ninguém chamava de Império Bizantino, na época do próprio Império Bizantino. Enfim, o Império Bizantino era grande referência a leste, né? Ou tem alguns momentos também que o Império Bizantino conquista militarmente áreas que foram antes do Império Romano do Ocidente. Então, existe um momento na Idade Média em que a Itália pertence ao Império Bizantino. Né, por conquista militar. Uma parte da Península Ibérica, antes da vinda dos muçulmanos, né, conquistada pelo Império Bizantino, e uma parte do norte da África também, que fazia parte do antigo Império Romano do Ocidente, né. Depois, né, isso na época do Justiniano, século VI, né. Enfim, mas você tem essa grande referência, é um grande país, né, um grande império, E também uma liderança, um originador, se é que existe essa palavra, né? O que dá origem a toda uma cultura artística e religiosa, né? Uma liderança religiosa, né? Os patriarcas do Oriente são grandes referências, né? Os padres do Oriente, inclusive na Igreja Católica, são referências, a patrística, uma grande parte da patrística, ou seja, da literatura religiosa da Igreja Católica, também parte dela é dos padres do Oriente. Enfim, e os europeus em vários momentos ora lutam combates contra esse Império Bizantino, ora fazem alianças com esse país, com esse império. Enfim, artisticamente falando, a arte bizantina influencia muito a arte europeia, principalmente no período gótico. E é a partir dos modelos bizantinos, como esse que vocês estão vendo que está aqui à esquerda, do Cristo Pantocrátor. Os ícones bizantinos são uma grande influência para a arte italiana. O Renascimento começa bebendo dessa fonte e também rejeitando essa fonte. É um movimento de "stick and push", de uma referência tanto para aceitar quanto para negar essa referência. Da arte bizantina. Aqui nós vemos um Cristo Pantocrátor. Pantocrátor, falei lá no começo, quer dizer todo-poderoso. É o Cristo em majestade, o Cristo como o Rei do Universo. E para o medieval, o rei é aquele que distribui justiça. Então, nós vemos aqui nesse ícone, que é a representação mais antiga do Cristo em pintura de painel, né? Nós temos outras representações mais antigas, elas estão em catacumbas, em outros locais, em esculturas. Essa representação mostra o quê? Se vocês notarem, né, o lado que é o lado direito da face do Cristo é uma face, se você tampar, tampar com a mão, inclusive, né? Você vai ver que a parte direita é uma parte mais tranquila, vamos dizer assim, é uma parte mais calma, é a parte, a face do Cristo misericordioso, né? E a face, a parte esquerda do Cristo é a parte do Cristo justo, que Seria o— não é a palavra, não é impiedoso, né? O Cristo não é impiedoso, mas ele é mais severo. Essa é a palavra, né? De um lado misericordioso, do outro lado mais severo, tá? Porque aquele que distribui justiça, ele é tanto misericordioso quanto severo, né? São as duas faces mesmo rosto, tá? Então tudo na Idade Média tem essa dimensão simbólica, né? Nada é por acaso, não é algo que é expressão do artista, né? Não existe essa preocupação na Idade Média do artista se expressar individualmente para expor as suas ideias. Não, ele tá a serviço de expor as ideias coletivas, no caso aqui, as ideias religiosas. A mão que abençoa, que é a mão direita, tem uma simbologia aqui também, tem um significado. Os três dedos unidos aqui embaixo, representam a Santíssima Trindade. Eles representam a Santíssima Trindade. Os dois dedos representam essas duas faces da misericórdia e dessa severidade. Então vocês veem o Cristo com a auréola, que representa a aura do sagrado, a irradiação do brilho de Deus. Outra coisa que é característica da cultura medieval, não tem como negar isso, é muito estranho, pelo menos eu acho muito estranho, uma versão da Idade Média que nós temos hoje, principalmente em alguns filmes ou algumas séries que não são na Idade Média, não são ambientados na Idade Média, mas são ambientes como se fossem medievais, mas que não possuem o cristianismo como parte da dominação. E é muito estranho você falar de Idade Média ou de uma dominação medieval sem haver cristianismo. O cristianismo é parte constituinte da cultura medieval. Sem o cristianismo você perde quase tudo do significado, né? Porque não tem sentido você falar de cultura medieval sem falar do cristianismo, sem considerar o cristianismo como algo que está na base do que estás falando. Não é possível falar, né? E isso não sou eu que estou dizendo, né? São os historiadores e a gente percebe, né? Quando a gente vai tratar de cultura medieval, é que 90% é cristianismo. Você tem elementos de cultura pagã, como a gente vai ver daqui a pouco? Sim, existem. Você tem elementos da cultura dita bárbara, desses povos migrantes, para usar um eufemismo? Sim, existem. Mas tudo isso acaba se integrando com o pano de fundo, com o alicerce, com a base do cristianismo. Isso, então assim, a Europa é um grande encontro entre a mentalidade judaico-cristã, que é trazida pelo cristianismo, a mentalidade romana, cultura romana, o modo de vida romano, ou que sobrou dele, naquele momento em que os bárbaros chegaram, ou seja, é uma cultura romana já impregnada de cristianismo, e essa mentalidade desses povos ditos bárbaros. Tudo isso juntado, misturado, e com esse grande objetivo de um lado viver a vida glorificando a Deus, e aí de várias formas, não estou dizendo que conseguiram, não é isso, mas assim, isso existiu, esse objetivo, e do outro lado tendo o Império Romano, a sua fama, como um norte, como um norte. Então, Pessoas, governantes, culturas, países tentando serem romanos novamente, né? E catando os cacos daquilo que sobrou, reunindo tudo aquilo que era possível da cultura romana, isso aplasmou o Ocidente, isso originou a cultura europeia que nós chamamos de Ocidente hoje. Uma questão que queria colocar brevemente para vocês, esse mito, né, até coloquei no título como mito do esquecimento da cultura clássica, né, na Idade Média. Existe toda uma propaganda renascentista, e eu vou chamar de propaganda mesmo, é um bullying que os renascentistas fizeram em relação à Idade Média, Dizendo que a Idade Média teria ocultado de forma obrigatória, de forma impositiva, a cultura clássica. Não é que a cultura clássica era o grande must da Idade Média. Must quer dizer, não era a moda, não era o que era o mais apreciado. Mas primeiro a gente tem que considerar que grande parte da Idade Média não havia acesso a essa cultura, porque as pessoas estavam mais preocupadas em sobreviver, sobreviver às invasões, sobreviver indo atrás de comida, plantando, né, do que atrás de cultura. Então nós temos sim uma época que é a Alta Idade Média, ou seja, o começo da Idade Média, Aí os primeiros 500 anos da Idade Média, que é uma idade, uma época muito mais focada na sobrevivência do que na cultura, né? Você precisa ter alguma tranquilidade para fazer uma cultura mais elevada, né? E ainda assim conseguiram fazer muitas coisas, né? Mas a cultura clássica, como era na Idade, na época pagã, na Antiguidade pagã, Primeiro que quando Roma acabou já era desprezado. Então assim, algo que não se diz, algo que os renascentistas não sabiam muito bem, tá? Eles não tinham muito claro isso, né? Então assim, a cultura romana para os medievais era uma cultura que era cristã já. Não cristã do jeito que eles inventaram, que eles criaram, que eles plasmaram, mas é uma cultura cristã. Então, o paganismo, a cultura clássica do paganismo, ela chega filtrada já, ela chega filtrada na Idade Média por autores cristãos, no caso da literatura. A arte romana, ela já vem incorporada nos primeiros templos, nas primeiras igrejas, que utilizam elementos dos templos pagãos nas suas construções cristãs. Então você tem uma construção, uma igreja do século IV, século V, que você tem colunas de templos pagãos da Ordem Coríntia, da Ordem Jônica, né. Então, quando necessário, existia assim, a partir do momento em que foi se tornando mais acessível e que eles foram juntando os cacos daquilo que sobrou, daquilo que tava escondido, né, ou aquilo que tava ocultado por uma questão de esconder para que não fosse queimado, né, Vamos lembrar que os bárbaros invadiram muitas cidades da Europa e é um dos motivos que começa o feudalismo, ou seja, as pessoas irem para o campo, fugir para o campo para sair da cidade porque era alvo de invasão, de saque, de incêndio. Aquilo que conseguia salvar era escondido para que não fosse queimado, para que não fosse estragado. Então, a partir do momento que começou a ter uma estabilidade maior, a partir do momento que você já tinha mosteiros que tinham proteção militar para poder existir, ou castelos ou feudos, que não se chamavam assim, mas propriedades, lugares em que existia mais estabilidade, existia defesa contra essas invasões, em que já existia mais estabilidade, então, se começou a se preservar, a se reunir o que existia de manuscrito, copiar isso para que sobrevivesse, né? Então, aí, isso tudo foi redundar no quê? Foi redundar na criação das universidades já no século XI, né? Em Bologna, na Itália, primeira universidade europeia. Então assim, não existia, é verdade, não existia uma preferência na Idade Média pela cultura pagã. Quando se falava numa cultura muito fortemente baseada no paganismo, aquilo era desprezado, né? Eles pegavam aquilo que lhes interessava mais, né? Existia acesso Há muita coisa da antiguidade, tanto que os monges copiavam esses manuscritos da antiguidade, né? Só vamos lembrar que o ensino de latim era o do "Latin erudito", né? Era algo que existia nos mosteiros e depois nas escolas das catedrais e depois nas universidades e era feito a partir de textos clássicos, inclusive muitos pagãos, né? Então filosofia grega traduzida para o latim, Cícero, né, Ovídio, são todos, Homero do grego para o latim, são textos que eram utilizados na Idade Média para ensinar latim. Então a cultura pagã via latim, né, ou seja, via cultura romana, estava presente, mas não era tão considerada como foi depois no Renascimento. E aqui, para fechar essa contextualização histórica, a questão do fim do Império Romano e o feudalismo. Falei, acabei de falar um pouco, né? O que que é o feudalismo? É esse sistema econômico, né? Que aparece na Idade Média. Ele é implantado, não é de forma consciente, mas é algo que acontece devido à necessidade. Esses povos bárbaros invadem o Império Romano e começam a atacar o Império Romano já no final do século II d.C. Vai levar mais 2 séculos para o Império Romano do Ocidente acabar. Mas isso vai minando a economia, né, ao modo de vida romano. O modo de vida romano é baseado no escravismo, né, o modo de vida clássico, clássico digo mais usado, né, o que criou o Império e o que sustentou o Império por alguns séculos. Na verdade, antes do Império, na época da República, em que a Roma já tinha vários territórios conquistados, e depois se proclama o Império, e esse Império é baseado no escravismo, ou seja, guerras de conquista são necessárias para você conseguir escravos. Esses escravos vão fazer a maior parte, vão sustentar a maior parte da economia romana, principalmente a agricultura. Agricultura, ou seja, o que fornece comida para as pessoas de todas as classes sociais, o famoso pão e circo, né, que sustenta o povo romano, né, a plebe, o pessoal de classe mais baixa na cidade de Roma, principal do Império, o pão tem que vir do trigo, né? O trigo tem que ser plantado em algum lugar. Esse trigo é plantado basicamente por escravos. Quando começa o Império Romano a se preocupar mais com a sua defesa do que com guerras de conquista para conquistar escravos, o Império começa a decair, começa a ruir. Isso começa junto com as invasões das cidades, Isso leva a uma insegurança muito grande, uma violência muito grande. Roma, até o fim, até a sua queda, é invadida 3 vezes. 3 vezes, bárbaros diferentes, tribos diferentes invadem e saqueiam a cidade de Roma, ou seja, a capital do Império. Algo impensável até o século II. Então começa que os ricos começam a abandonar as grandes cidades, principalmente Roma, mas todas as grandes cidades do Império começam a invadir, começam a sair das grandes cidades onde havia a estrutura urbana civilizatória muito boa, mas eles saem desses lugares porque estão muito sujeitos a saques e invasões. Muita gente morre nessas guerras de invasão. A população europeia diminui por conta dessas invasões. As grandes cidades são abandonadas. Roma passa a Idade Média como a sede do papado, mas é uma cidade que em termos de tamanho de população é como se fosse uma pequena vila. E a cidade vai decair. Em termos de civilização, mesmo com o Papa. As pessoas então vão para o campo, vão longe das cidades, né? Algumas vão para o campo e aí as pessoas ricas, famílias ricas, constroem fortalezas, né, que depois a gente chama de castelos, ou vão para lugares muito distantes, né, vão para as fronteiras do antigo império. Que são as chamadas marcas, né? As marcas, já na época romana existia a marca que era o território de divisa. O protetor da marca, o funcionário, né, responsável por cuidar da marca romana é o Marquês, né? Então o Marquês é um título de nobreza que vem dessa origem romana, assim como o Conde, né, que vem do, em alemão é conte, né, conte, em inglês é count, que vem de comitatus, né, comitatus é o comissionado, ou seja, um funcionário encarregado pelo império de cuidar de determinado território. Esses territórios, então essas propriedades, então esses nobres que depois a eles se juntam os bárbaros, né, esses bárbaros acabam conquistando também esses lugares, acabam mantendo essas fortificações. Mas essas grandes propriedades rurais fortificadas, elas acabam, cada propriedade fazendo seu próprio exército, ou seja, é como se fosse uma milícia na favela hoje, né? Hoje você tem a milícia, o Estado não está presente, nós mesmos vamos cuidar da nossa segurança. Eu não estou avalizando nada, tá, gente? Só estou fazendo um paralelo, né? É uma situação similar. Não estou dizendo que eu concordo ou discordo com nada disso. As comunidades, essas pessoas responsáveis, os donos das propriedades acabavam abrigando sob sua proteção as pessoas que vinham até a elas pedindo proteção contra as invasões, acabavam constituindo exércitos próprios que protegiam a propriedade. Então não contavam com ajuda de ninguém, no começo principalmente, não contavam com ajuda do Estado porque o Estado não existia mais. Então os senhores acabavam se armando, né, e fazendo seus próprios exércitos, que em alguns lugares você tinha os mosteiros e que também tinham proteção militar, né? Então você tinha essas— aí nós temos as três classes do sistema de classes, do sistema social da Idade Média, que é o exército, né, que são os nobres principalmente, que são líderes militares, ao contrário dos de hoje, né, os políticos não querem nem saber de ir para guerra, né, não vai nem o Putin lá lutar contra os ucranianos, ele manda as pessoas no lugar dele. Então os militares, né, os militares, os religiosos, que provinham a proteção espiritual da comunidade, né, e que cuidavam também de várias tarefas administrativas. E também, e aí os camponeses, né, que provinham a mão de obra não só dos alimentos, mas de alguns outros produtos básicos, tá. Então esse é o esquema, a razão, né, que se forjou, né, esse sistema econômico, sistema social. Bom, queria falar um pouco para vocês da questão da Idade Média como comunidade das trevas e comunidade da luz. Nós temos também, também originada no Renascimento, e depois reforçada no Iluminismo e depois mais próximo de nós, século XIX, século XX, como essa grande alcunha pejorativa da Idade Média como Idade das Trevas. Por que Idade das Trevas? Primeiramente porque no Renascimento se opunha à questão de uma cultura pagã romana à cultura medieval, que seria "less luminosa", porque seria inferior no entender dos renascentistas, que viam a fama, o esplendor de Roma como um superior ao que eles não reconheciam como um explorador das realizações da Idade Média. É engraçado porque os próprios medievais invertiam a coisa. Enquanto que no Renascimento, né, Petrarca dizia que antes do Leonardo Bruni até, ele distinguia a Antiguidade como a Idade da Luz e o que veio depois de Roma como trevas, como tenebre. Os medievais faziam o contrário. No tempo do paganismo eram as trevas e depois do cristianismo vinha a época da luz. A questão depois do Iluminismo, aí já é uma contraposição não quanto à cultura clássica, mas quanto à contraposição de uma suposta ausência da ciência, como eles começaram a entender a partir do Iluminismo, e o irracionalismo que existiria na Idade Média e que depois foi resgatado da Antiguidade com a Idade Moderna. Isso no entender dos iluministas. Somente no século 20, né, e Humberto Eco, medievalista, filósofo, escritor, ele é um dos responsáveis pelo resgate da Idade Média como a Idade da Luz, tá? A Idade da Luz por quê? Principalmente quando a gente olha na arte medieval, para a arte medieval, nós vemos que há uma grande preocupação com a luz, né? A luz física mesmo, como reflexo da a luz divina. Então, a Idade Média é a Idade dos vitrais, né? Ora, como que você trabalha com vitral se você não tiver luz? A existência do vitral pressupõe a passagem da luz por um vidro que é colorido, mas que é translúcido, ou seja, que permite passar uma parte da luz, né? E que transfigura a a representação do vitral dentro da igreja. Então, uma catedral, mesmo a catedral românica, que já tem vitrais, ou catedral gótica, que é muito alta e que deixa entrar a luz que vem do céu, a luz que vem do sol, para a Idade Média, o sol é o próprio Jesus Cristo. Não é que fisicamente o sol é Jesus Cristo, Mas espiritualmente, o sol, você olha para o sol no céu e você vê o próprio Cristo, simbolicamente. É o sol que irradia sua luz por todo o universo. Para o medieval tem esse peso, tem esse simbolismo. Então, a luz do sol, que é o próprio Deus, que vem de Deus, atravessa o vitral atravessa o vitral, passa por essas cores, né? E o fiel que está dentro da igreja olhando para esse vitral, ele vê aquilo, a luz de Deus atinge a ele através da história sagrada que está representada no vitral, que é uma parte da revelação de Deus. Então, veja só o simbolismo do vitral, desde a partida do raio de luz do sol, passando pelo vitral, que está na parede da igreja, que é um local sagrado, onde mora o próprio Deus, na figura, na presença de Jesus Eucarístico, e que atinge o fiel, que atinge o fiel com essa luz. Certo? Então essa é a simbologia, a estrutura simbólica do vitral dentro da Idade Média. O Plotino, que não é um filósofo cristão, mas é um filósofo que influencia filósofos cristãos como Santo Agostinho, ele é sempre citado aí como o filósofo, o pensador que vai falar dessa estética da luz. Como é que ele diz? Isso que eu acabei de falar é uma ideia plotiniana, adaptada, ou melhor, identificada pelo cristianismo como algo que faz sentido dentro da teologia cristã. Para ele, Deus é o Uno. O Uno é a Luz por excelência. É a Luz, é a própria Luz, se é que dá para a gente dizer algo assim, imaginar. Ele é a origem de toda a Luz. É uma Luz sem foco. A Luz é a própria fonte, que brilha por si própria. Então, tudo que que usa a luz na Idade Média, mosaico, vitral, ícone bizantino. Os ícones são dourados, tem uma folheação a ouro, ouro de verdade. Assim como igreja, assim como imagens. Você tem uma imagem da Virgem Maria, a primeira imagem da Virgem Maria identificada como a primeira imagem medieval da Virgem Maria e o Menino Jesus, ela é toda folheada a ouro. É tudo isso para dizer do quê? Da beleza que vem da luz que emana de Deus. Isso tudo tem como objetivo refletir a Deus, levar a Deus para o fiel, levar a Deus para o fiel cristão. Enfim, eu vou falar um pouco da periodização, de alguns períodos da Idade Média. Eu vou falar rapidamente, né, porque o nosso tempo já está terminando. Pretendo, né, que a gente— pretendo fazer, ficar aqui até às 22 horas, mais ou menos. E eu vou falar de alguns períodos. Existem muitas formas, é muito complexo, né, você falar num rótulo só, falar "arte medieval". Não existe uma arte medieval, existem várias artes medievais. O que nós estamos falando, embora pode parecer contraditório eu falar isso, depois de ter dado toda essa contextualização, existe esse pano de fundo histórico, cultural, social, que aconteceu na Europa que é algo comum, né? Alguns lugares muito mais, alguns menos, né? Até quando a gente fala em feudalismo, por exemplo, existem feudalismos particulares em cada país ou em cada região, mas o esquema geral é mais ou menos esse. Mas em arte medieval, Nós temos grandes divisões, mas também nós temos formas de dividir também, formas particulares, né? Então esses que vocês estão vendo aqui na tela são os períodos, os grandes períodos, mas nós temos dentro de cada período desse ou de cada essa divisão aí, nós temos particularidades que a gente pode desdobrar. Então nós temos uma arte românica, por exemplo, uma arte românica catalã, que é diferente, ela tem a mesma base da arte catalã românica francesa, mas ela tem particularidades que permitem da gente dizer que existe uma arte românica catalã. Da Catalunya. E assim por diante, uma arte gótica alemã, uma arte gótica francesa, quase não há arte gótica na Itália. Então tem tudo isso. Enfim, eu vou falar de forma geral, dando alguns exemplos de forma muito rápida, e nas próximas aulas aí nós começamos então a aprofundar cada tema, Aí, falando de algumas particularidades e dos grandes exemplos, aquilo que caracteriza em forma concreta, né, de obra de arte cada período, né, ou cada divisão da arte medieval. Primeiramente, né, arte pré-românica. Pré-românica, como diz o nome, é algo que vem antes da arte românica. É a arte feita, a arte que a gente encontra nesse período aí do final do Império Romano até o ano 1000, mais ou menos. 500 anos, 500 anos aí que engloba vários locais, né? Vocês veem aí Merovíngio e Carolíngio, são períodos da arte francesa, que nós chamamos hoje da França, né? Tem a ver com as dinastias, né? Merovingia, do rei Meroveu. Carolíngia, do rei Carlos Magno. Otoniana, do rei Oto, né? Do que hoje é a Alemanha, Sacro Império Romano Germânico. E Moçárabe, aí é uma arte cristã da Península Ibérica, dos cristãos da Península Ibérica, que estavam sob domínio islâmico já, mas que faziam arte cristã porque os muçulmanos permitiam o culto cristão nas suas terras, nos seus reinos. Aqui nós estamos vendo um exemplo de arte cristã, pintura mural, pintura de uma igreja. É uma arte ainda anterior ao Renascimento de Carlos Magno, né, Renascimento carolingio. E nós vemos aqui o Cristo em Majestade, né, eu falei do Cristo Pantocrátor, né, o Cristo Pantocrátor. Lá deitado, ou seja, ao lado dele você tem as figuras simbólicas dos evangelistas. Dos 4 evangelistas, que nós chamamos em história da arte, nós chamamos de tetramorfo, né, ou em arte sacra também de tetramorfo. Ou seja, são as 4 formas simbólicas dos 4 evangelistas, né. Fábio San Juan, falando no Cristo Pantocrátor, você tinha descrito a mão dele, os dedos, os dois que ficam acima eu lembro, mas os três que ficam abaixo não me lembro. Como que era? Os três dedos, eles estão dobrados, os dois dedos, o anular e o mínimo, estão dobrados e aqui eles não estão unidos. Mas na arte bizantina eles sempre estão unidos com o polegar. Aqui existe uma, vamos dizer, da parte do artista, existe uma incompreensão do símbolo. Olha só que interessante! Na arte bizantina, isso daqui é uma reinterpretação, uma transposição de arte da parte oriental do Império Bizantino. Representa a Santíssima Trindade. A Santíssima Trindade, o que que é? São as três pessoas de Deus reunidas em uma só. Então os três dedos têm que estar unidos e aqui eles não estão, né? Então é uma interpretação errônea do artista, né? Obrigada. Não, imagina. Aqui na mão, na mão direita do Cristo, Você tem um orbe. O que é o orbe? O orbe é a representação do mundo, é a representação do planeta Terra, a representação do que no momento, né? Na verdade, o orbe não é só o planeta como a gente entende hoje, né? A massa de terra do planeta Terra, mas na verdade é tudo que existe, né? O "orbe" quer dizer, você tem até a expressão "orbe celeste", quer dizer, a parte do mundo que é o céu. Mas o "orbe" representa tudo, na verdade representa o universo. E vocês veem que ele é redondo. Volto a afirmar que é uma ideia tão bem errônea que se colocou, que na Idade Média se achava que a Terra era chata, que a Terra era plana. Não é verdade isso. A figura do Tetramorfo, as 4 formas dos evangelistas. O homem ou anjo representa o evangelho de São Mateus, porque no início era o homem, depois passou a representar o anjo, ficou tradicional. Mas o homem porque no começo do evangelho de São Mateus se apresenta a genealogia, ou seja, A parte humana de Cristo representada pelos antepassados de Cristo, os antepassados humanos. O leão, é o leão que está aqui? Não, o leão está aqui embaixo. Aqui é a águia. Aqui é a águia. Vocês veem que todos eles têm asas. A águia representa o Evangelho de São João. São João é chamado de Águia de Patmos. O que tem uma visão ampla, né? Águia de Patmos. Patmos é a ilha onde ele recebeu a revelação do livro do Apocalipse, a qual atribuído a ele também escreveu o evangelho, né? O quarto evangelho. A águia de Patmos. O touro, né, que é o evangelho de São Lucas. Mal dá para ver aqui, mas tem um touro aqui, acreditem em mim. Dá para ver aqui o touro. Também todos eles são aureolados, todos têm aureola. Então, o touro com uma aureola, assim como a águia, assim como o leão, assim como o anjo. O touro por causa do sacrifício de Zacarias, que é o pai de São João Batista, que é apresentado no início do Evangelho de São Lucas. E o leão representando a figura de Jesus como o leão de Judá. Que é proclamado por João Batista no início do Evangelho de São Marcos, que é o símbolo do evangelista São Marcos. Enfim, aqui seguindo, aqui é uma pequena amostra da arte dos povos ditos bárbaros, pagãos, e também aqui à esquerda um exemplo de arte ainda bárbara, Ainda não cristã. Existe um elemento decorativo, imaginativo, vamos dizer assim, de voo da imaginação, que em muitos momentos se aproxima do que nós chamamos hoje de arte abstrata. Não é arte abstrata como nós fazemos a partir do século 20, mas é uma arte que abstrai do natural. Então vocês veem aqui duas águias, mas assim, duas águias bastante imaginativas, abstraídas, né? Você tem uma, eu te diria, uma ludicidade, né? Algo lúdico em que você preenche o espaço da águia de forma geométrica, né? Aqui nessa capa aqui do do Evangelho, do Evangelhário, dos Evangelhos de Lindisfarne, você teria uma viagem, a gente chamaria hoje, um voo de imaginação a partir de elementos vegetais. Então aqui não há, a não ser a cruz que está representada aqui, a cruz, não há intenção de representar um elemento do mundo visível. E sim representar algo que seria ligado ao esplendor divino, mas de uma forma que a gente não diria figurativa, a gente diria que é mais abstrata mesmo. O Evangelho, essa capa do Evangelhário, ela tem muito da arte celta, da arte celta, que é uma grande vertente da arte de Itabarba, da arte cristã, aí vamos falar já no período cristão. Existe uma tradição que diz que São Columba, São Columba, assim como São Patrício, são missionários evangelizadores da Irlanda, da Escócia, do País de Gales, E nesse momento são os celtas que são o povo dominante ali, né? Você tem os anglos também, mas você tem invasões dos anglos, depois você tem os saxões, você tem normandos, mas nesse momento são os celtas que estão ocupando a Grã-Bretanha, né? E São Columba é o evangelizador dos pictos. Os pictos são os atuais de vocês, né? Então vocês veem essa imaginação, esse voo, essa brincadeira dos elementos visuais, né? Aqui já tem uma figura, você tem algo figurativo na representação da figura do evangelista São João, né? Isso daqui é a primeira página do Evangelho de São João, né? O incipit. Ou seja, a introdução do Evangelho. Então tem todo esse esplendor aí desse Evangelho iluminado. Aqui vocês veem o outro exemplo de tetramorfo. Desculpa, esse aqui é o Livro de Kells, que é um manuscrito iluminado, a gente vai dizer, iluminura, até outros é outra forma de arte medieval que tem a ver com a luz, tanto é que é iluminado, é uma illuminura, é algo que é brilhante, algo que não prescinde, ou seja, necessita da luz para se fazer presente. E aqui nós temos, nesse mesmo livro de Kells, que é um grande exemplo de arte celta cristã, uma página em que aparece o tetramorfo, ou seja, as figuras dos 4 evangelistas, os 4 evangelistas na sua forma simbólica, tá? A arte românica, como o nome é derivado de Roma, né, não é arte romana, mas é uma arte que tem uma forte inspiração romana. As representações As representações são derivadas da última pintura tardorromana, ou seja, da última época romana. A arquitetura também tem essa derivação direta. Então, o arco de volta completa, o arco de meio ponto, ou o arco de volta redonda, que a gente chama, que é o arco— não é o arco ogival da arte gótica, mas é o arco arco totalmente— não é totalmente redondo porque não é um círculo, mas é um meio círculo sustentado no eixo horizontal por colunas, que vem diretamente da arquitetura romana. Aqui nós estamos vendo a imagem da capa da nossa aula, que é o Cristo e Majestade. Ah, sim! As igrejas têm essa característica de terem paredes muito grossas, né? Ainda não existe uma tecnologia que permita você construir paredes muito altas sem que elas sejam muito grossas, né? Então nós temos lá da antiguidade, de Roma, da Basílica de Maxêncio Constantino, que tem paredes muito grossas, mas que são enormes, né? Paredes enormes com arcos enormes. Que até lembram, até não, que lembram a Basílica da Aparecida do Norte, lembra essa Basílica de Constantino e que é um modelo para essas igrejas românicas. E some-se a isso o fato das igrejas românicas servirem como fortalezas, então as pessoas se abrigavam nas igrejas, seria uma época muito ainda, muito perigosa, né? Então, nas guerras que existem na Idade Média, as pessoas correm para a igreja para se abrigar, tranca a porta da igreja para não deixar ninguém entrar, porque é uma fortaleza também, né? Elas são fortalezas. E por conta disso, né, por conta de serem estruturas com paredes muito grossas, que não é possível iluminar com janelas muito grandes, como nas igrejas góticas. Perto das igrejas góticas elas são muito mais escuras, né? E perto das igrejas góticas elas parecem atarracadas, muitas, né? Mas existem igrejas românicas que são muito elegantes, né? E algumas são até muito grandes, monumentais, vamos dizer assim. Aqui trouxe para vocês verem a aparência externa da igreja de São Clemente. Vocês veem aqui, você vê que é algo rústico, é algo que tem essa característica de tempos de guerra, de tempos difíceis. Enfim, mas tem uma, existe uma simplicidade e ao mesmo tempo existe essa preocupação com a ornamentação, principalmente através da pintura. Vamos lembrar que todas as igrejas medievais, incluindo as góticas, normalmente a gente não associa, porque elas perderam a coloração, elas também eram muito coloridas. As igrejas românicas também, na medida do possível. Aí a outra grande divisão da arte medieval, que é a arte gótica. Nós lembramos muito das igrejas góticas por conta de alguns elementos que nos ajudam a lembrar o objetivo da igreja, que é levar o fiel para o céu. Aqui no caso A estrutura faz isso, né? Ela ajuda o fiel a isso, ela contribui para isso. Essa arquitetura dos pináculos, das torres, dos torreões que apontam para cima, que são triangulares, que apontam para cima, com torres muito altas, né? Tem igrejas que têm torres altíssimas, assim como na parte de dentro, né? O arco ogival, ele é um arco que não completa a volta, né, como o arco romano. Ele também, ele é uma estrutura que visualmente aponta para cima, né? E os vitrais, né, que permitem, né, o arco ogival, ele alivia o peso do teto a ponto de E distribui isso nas colunas por conta do arco ogival e permite que se façam esses janelões, tanto as rosáceas, né, que eu tô apontando aqui, quanto esses vitrais das janelas que permitem que a luz entre de forma deslumbrante dentro do templo. Então isso são elementos E aí você tem o dourado também aqui, que aparece de forma muito explícita, né? Esse contraste belíssimo do dourado com esse azul, essa representação de céu, representação simbólica do céu com as estrelas. Tudo isso apontando para cima, levando visualmente o olhar para cima. Algo que sai do chão e que vai para cima. O gótico, falei, né? Deve ser deslumbrante ver isso daí, não? Pessoalmente, sim, né? Nossa! É muito, né? Não sei se o Paulo esteve aí quando estava na França. Eu não fui nessa viagem, infelizmente, porque eu tenho muita vontade de conhecer pessoalmente. Tem muita coisa para ver em Paris, né? Muita coisa. E a Sainte-Chapelle, enfim, é deslumbrante, né? É a capela dos— uma capela, hein? Chamada de capela, mas você vê, né? Maior que muitas das nossas igrejas, né? É a capela real, né? A capela santa, né? A capela dos reis franceses, né? Mas, enfim, por conta do que os cenacentistas viam como um rebuscamento, um detalhamento excessivo, você vê essa quantidade enorme de detalhes que tem do lado de fora, do lado de dentro também, mas a arquitetura que para eles não tinha, não tem mesmo, no caso da arte gótica, não tem nada a ver com a arquitetura clássica, arquitetura greco-romana, ela soava como algo bárbaro, algo excessivo, algo poluído para os renascentistas que queriam igrejas que parecessem o Párthenon, ou seja, templos greco-romanos. Então eles chamaram de gótico, ou seja, gótico vem dos godos. Os godos eram uma tribo dessas que invadiram o Império Romano. Então, a arte gótica é uma arte bárbara. Começou com essa forma pejorativa e, no fim, acabou pegando e virou o nome desse estilo, dessa forma de arte medieval. Enfim, e aí falo do termo da luz, você tem esse significado teológico da luz de Deus, Enfim, tudo apontando para o alto. Eu não sei se vocês viram o vídeo que eu fiz para divulgar a aula de hoje, em que eu falava, em que eu falei dos doadores da Catedral de Nuremberg. Vocês viram? Conseguiram ver? Não, não vi, Fábio, não deu. Não viram? Tudo bem. Eu recomendo, eu vou até passar o link aí para vocês, para quem quiser ver, porque é interessante, né? Eu não vou conseguir falar com todos os detalhes, né, como aparece no vídeo, mas é só pegar aqui rapidinho. Eu falo das figuras as esculturas que estão dentro da Catedral de Nuremberg, na Alemanha, e que são as figuras dos doadores, certo? Os doadores são as pessoas que ajudaram de alguma forma com o dinheiro, com os recursos, né? Em alguns momentos não é o dinheiro, mas às vezes é o recurso material, que você usa, enfim, para que seja possível, torne possível a construção daquela igreja. E enfim, em alguns lugares é tão considerada essa ajuda, esse auxílio, que também se traduz numa forma de penitência para os doadores, que se agradece a memória desses doadores, se colocando as figuras deles em algum local. Em alguns locais você tem mosaicos representando os doadores da igreja, em outros locais, como na Catedral de Nuremberg, você tem a Você tem as esculturas, né? Vou passar aqui no chat para vocês. Esse é o link do vídeo. Depois vocês, recomendo que vocês vejam, né, se interessam pelo assunto, falando sobre os doadores da Catedral de Naumburgo. Vou falar muito rapidamente. É um templo românico tardio, né, a Catedral de São Pedro e São Paulo, né. Durante a Reforma Protestante, ela passou de católica, passou para, se tornou um templo protestante, né, e assim é até hoje, né. A parte mais ao sul da Alemanha é tradicionalmente católica, a parte mais ao norte da Alemanha é tradicionalmente protestante, né. Houve lá, em determinado momento no século XVI, uma divisão entre os príncipes governantes ali no Sacro Império Romano-Germânico, houve uma divisão, né. Então as pessoas que morassem em locais que o governante fosse protestante seriam protestantes, Os locais onde o governante seria católico seriam católicos, né? E pronto, né? É algo que se entendeu na época como se devia fazer, né? Enfim, essa catedral, de qualquer forma, ela tem muitas obras de arte, né? Eu vou voltar a esse tema ainda nas próximas aulas, quando for falar em arte no final do período romântico, já no já como uma arte gótica preliminar, vamos dizer assim, né, em inglês fala "early gothic", ou seja, o gótico inicial, essas figuras elas são muito realistas, né, elas são realistas de uma forma que era muito pouco comum na arte medieval. Então vocês veem aqui algumas figuras, né, são feitas em tamanho natural. Do ponto de vista da arte clássica, são muito proporcionais, são muito próximas de um cânone de arte clássica, mas talvez as mais impressionantes, parece que é meio que um consenso aí popularmente falando, né, que as figuras mais impressionantes sejam a Marquesa, a esposa do Marquês Herman, né, que é a Haglind, essa senhora sorridente aqui. É linda essa, não? É bonita, né? O marido dela não é tão expressivo quanto ela, né? Era assim, pouquíssimo comum, quase inexistente representação de pessoas sorrindo na Idade Média. Existe algumas, né? Existe um anjo sorridente, não me recordo agora, nesse momento, ou tem uma catedral que existe um anjo sorridente, mas é muito, muito raro você ver pessoas sorrindo nessas representações até o século 19, né? Que você tem na arte europeia, o sorriso nas representações em retrato, eles mostram que a pessoa é "liviana", que é uma pessoa que não é séria, que não é digna de crédito. E é uma coisa muito pouco comum. Então essa pessoa que devia se notabilizar, se fazer notar pelo sorriso, a ponto de terem retratado ela sorrindo dessa forma. E o que talvez seja mais impressionante são essas figuras aqui dos principais doadores desse grupo de 12 doadores que estão representados nessa catedral, que são o Marquês, Marquesa, né, Eckhart II e Uta von Ballenstedt, que é São figuras assim, não só realistas, mas parece que tem algo muito mais humano do que o divino que se pretende retratar nesse local. Aqui nós temos, nessa catedral, nós temos um crucifixo também que é creditado ao mestre de Naumburgo, que é quando os historiadores da arte não conseguem identificar o artista que fez, eles costumam colocar a obra que mais tem o estilo de várias obras, mas a maior obra de todas, vocês colocam o mestre de tal coisa, né? O mestre da Catedral de Naumburgo, o mestre de Naumburgo pode ser um artista, pode ser um grupo de artistas, uma oficina, né? Que fez essas obras. E o crucifixo, a figura do Cristo também é uma figura muito humanizada, no sentido de você ver muito o lado humano dele, de uma forma realista, mas também de uma forma muito— você fica com pena vendo a figura do Cristo pelo sofrimento, né? O sofrimento visível no rosto do Cristo.. E aqui nós vemos no rosto desse casal, né, uma, talvez uma preocupação, talvez uma forma de expressão que não é exatamente de pessoas contentes, né, não é essa felicidade que no rosto dessa senhora, né, é algo mais pode ser interpretado como algo mais nobre, talvez, né? Aqui não dá para ver, mas as estátuas de todos esses dois estão em pedestais que são altos, né? Então eles estão acima do nível do chão. Visto de baixo, eles estão olhando ao longe, né? Estão olhando ao longe. Essas duas figuras estão olhando ao longe, ao contrário dessa mulher aqui, né? Ao contrário do rosto dos outros, né, que têm expressões variadas. Ninguém tá olhando ao longe, distante, né. Aqui eles estão olhando ao longe como se pudessem ver algo distante por conta do divino, mas por conta da expressão preocupada, né, alguma preocupação aí que eles possuam, ou um senso, eu vou até arriscar algo mais filosófico mesmo, um senso trágico da vida, talvez, algo pode ser até um peso de uma responsabilidade, que está muito bem expresso aqui. Esse não sei o quê que dá uma dimensão dramática, uma dimensão trágica para esses dois personagens, entender, tá muito bem expresso nessas figuras que são feitas de pedra, pintadas, né? Vocês veem que elas são coloridas. Na próxima época de execução devia ser muito mais deslumbrante, colorido, mas eu vejo algo até trágico nessas duas figuras. Não sei. Coisa da minha cabeça, talvez, mas talvez seja por isso que elas são tão populares, pelo menos na Europa, né? São consideradas— Mas sabe o que eu acho? Para mim não parecem trágicas, para mim parece mais visionárias, alguma coisa assim, não sei. Check out! Acho que cada um pode ver uma coisa, né? Mas sim, claro, é porque você é um monge, né? A figura da Uta, né, ela, só para duas informações, né, Humberto Eco, que eu falei agora pouco, né, que é o autor do Nome da Rosa, né, que aquele romance famoso, virou filme também famoso, que fala da Idade Média. O Umberto Eco disse que ela é tão bonita, né, que ele gostaria de ter saído com ela. E a Rainha Mago do filme da Branca de Neve e os Sete Anões, ela é declaradamente, foi dito isso pela equipe do Walt Disney, que se inspirou na figura dela para fazer A rainha má, né? Não quer dizer que a Uta seja a rainha má, né? Mas pelo menos a vestimenta, essa coroa que ela usa e as feições inclusive, né? Elas são inspiradas na Marquesa de Mersin, né? Também conhecida, chamada de Uta von Ballenstein. O gótico flamejante Que é uma derivação do estilo gótico. Flamejante porque flamboyant em francês, a tradução é flamejante, aquilo que tem flamas, ou seja, são chamas, algo como se estivesse pegando fogo. Já é um estilo que já tem muita preocupação decorativa, já é um estilo que que está numa disputa das cidades na Europa, um pouco antes da Reforma Protestante, do movimento da Reforma, as cidades estão disputando quem faz a catedral mais bonita. E nisso tem um exagero, vamos dizer assim, que redunda num estilo gótico flamejante. A preocupação já não é tanto glorificar a Deus, mas é glorificar a cidade que está construindo aquela igreja. Já tem uma ostentação, a gente diria hoje, numa linguagem meio chula até, de ostentação e não do objetivo que tem a arte religiosa. E por último, a arte bizantina, que faz parte da arte medieval, que é a grande arte que preserva muitas das técnicas que eram muito utilizadas no Império Romano do Ocidente e que continuam sendo utilizadas no Império Romano do Oriente, que é o Império Bizantino, e que são desenvolvidas aí numa cultura cristã e que redundam, por exemplo, na técnica do ícone. Ou na escrita dos ícones. Não sei se você sabe, mas a terminologia usada na Igreja Oriental para a pintura de ícones é escrita dos ícones. O mosaico, que nós vemos nas igrejas bizantinas, nas igrejas que utilizam até uma tradição oriental mesmo nas igrejas católicas romanas, Na Igreja da Sé, por exemplo, na Catedral da Sé em São Paulo, você tem dois enormes painéis de mosaicos que são resplandecentes, né? Eles resplandecem sob a luz porque são feitos na técnica bizantina. E a arquitetura bizantina, que é derivada diretamente da arquitetura romana, é que desenvolve algo que é A cúpula, que tinha sido utilizada de forma magistral no Panteão Romano, ela é utilizada, por exemplo, na Catedral de Hagia Sophia, Santa Sofia em Constantinopla. Enfim, e o ícone? O ícone continua até hoje na arte oriental, na arte da Igreja Ortodoxa, E em algumas igrejas católicas romanas também são adotados ícones como objetos, imagens de veneração. Aqui na imagem vocês veem a Madonna Negra de Chestochova, é uma palavra polonesa, que é uma Madonna, uma Nossa Senhora, uma Virgem Maria que é chamada da Madonna Negra porque ela é obscurecida pelo tempo, né? Então ela apresenta uma coloração que se aproxima, que lembra alguém da— ainda que essa imagem ela está meio clareada, né? Mas ela é mais escura inclusive. E é um grande objeto de veneração na Polônia católica. Enfim, pessoal, essas são as grandes divisões da arte medieval. Nós pretendemos durante o curso fazer aí, nós pretendemos partir da Idade Média, como nós fizemos hoje, e chegar até as portas da Modernidade, até a época da Revolução Francesa, até o final do ano. Todos esses períodos que nós vimos hoje, a intenção é detalhá-los, aprofundá-los durante as aulas. Aí, em cada período, vai ter 3, 4 aulas sobre a arte românica, 2 aulas sobre arte pré-românica e arte celta, bárbara, pagã e cristã, 4, 5 aulas sobre arte gótica, enfim, e arte bizantina. Tudo isso que a gente viu, a gente vai ver de forma mais aprofundada, certo? Quem pretende participar do curso, né, Nós temos as aulas toda terça-feira aqui, das 20h. Agora nós estamos fazendo por volta das 22h, né? Então a ideia é que a gente não passe muito das 22h, né? Acho que todo mundo tem que trabalhar no dia, tem seus afazeres, né? Não dá para ficar muito tarde, mas a ideia é essa de ter 2 horas semanais. Que vai totalizar em mais ou menos 80 horas no curso este ano. E quem promove o curso, né? Quem promove o curso é a Associação Paulista de Medicina, a Seção Piracicaba. Aliás, a Doutora Ana Lúcia Baterliani, né, que é quem me convidou para fazer esse curso, que tá desde o ano passado acontecendo. Inclusive, acho que ela não tá mais aqui, acho que ela teve que sair, mas enfim, eu agradeço muito à Associação APM por dar o suporte todo para gente, para nós fazermos esse curso. E a mensalidade, né, para associados, né, o pessoal da medicina, os médicos, né, associado pagam R$70 por mês e quem não é associado R$80 por mês, certo? Quem quiser prosseguir, tiver, quiser continuar com o curso, continuar com a gente, pode falar comigo mesmo, né? Tem meu contato, é esse número que eu acabei de colocar aí no chat. Vocês têm alguma dúvida, alguma Muito boa colocação, Ana, José, Thiago, Elaine, Paulo, Maria Helena. Para mim foi ótima aula. O que que vocês acharam? Eu gostei muito. Que bom, que bom. É, em 2 horas foi um panorama, né, foi uma passada de olhos, né, mas a ideia era dar essa base, né, essa contextualização, esse fundamento aí que, claro, será aprofundado, mas por hoje, né, era o possível de fazer em 2 horas. Ô Fábio, acho que a Ana queria falar alguma coisa. Ah, sim, eu só falei que eu tava com saudade porque eu fiz um curso há muitos anos, né, 8 anos, né, Fábio. É, foi muito, muito bom. Que bom, espero que você tenha gostado de hoje também. Não, foi ótimo, muito bom. O José tá falando aí no chat que achou a aula sensacional. Obrigado, José, obrigado mesmo. Enfim, pessoal, é isso, é isso. Obrigado, Thiago. Obrigado pela presença de vocês, né. Nós temos essa questão aí da chamada, né, dessa limitação. Enfim, espero, espero que vocês estejam com a gente na semana que vem, né, quando a gente começa a se aprofundar em arte da Idade Média, tá bom. E para quem que por algum motivo não esteja, não possa, não queira continuar, espero que tenha sido de bom proveito a aula e tenha acrescentado para vocês. Obrigada. Oi, Paulo? O Thiago ia falar também. Thiago? Você ia falar, Thiago? Não, foi só agradecer Ah, tá. Imagina, eu que agradeço. Muito bem, pessoal. Imagina, obrigado a todos, obrigado a todos vocês. Paulo, Maria Helena, Elaine, Thiago, José, Ana, quem mais está aqui? É, acho que vocês chegaram ao final. Tá certo, pessoal, muito obrigado. Grande abraço para todos, boa noite, fiquem com Deus. Boa noite. Obrigada, você também, falou. Tchau, tchau. Obrigada.
More from Fábio

Aula Aberta 04 | TESOUROS ARTÍSTICOS DA ITÁLIA - ARTE FRANCISCANA | 14 09 2023

Apreciando Arte | Excursão Pinacoteca SP + Museu Língua Portuguesa | 10 06 23 ALTA

Apreciando Arte | Exposição Imersiva MICHELANGELO, o Mestre da Capela Sistina | Atitude Films

Como a IDADE MÉDIA via o PASSADO, o PRESENTE e o FUTURO? | A visão medieval da História






