Aula Aberta 04 | TESOUROS ARTÍSTICOS DA ITÁLIA - ARTE FRANCISCANA | 14 09 2023

Nesta aula aberta, o professor Fábio San Juan explora a arte franciscana, concentrando‑se no crucifixo de São Damião e na iconografia bizantina que o cerca, explicando como o Cristo é representado como triunfante antes do século XIV e como a figura humana evolui para o sofrimento. Ele descreve detalhadamente os personagens ao redor da cruz (Nossa‑Senhora, São João, Maria Madalena, Longino, o centurião, o artista autor da obra) e o significado simbólico das dimensões e das auréolas. Em seguida, apresenta a Basílica de São Francisco em Assis – sua estrutura superior e inferior, a cripta, o bosque, a torre dos sinos e o contexto histórico do papado como patrocinador de peregrinações. O professor analisa os afrescos da basílica, destacando obras de Giotto, da oficina de Giotto e de Timabuy, a técnica do afresco, a transição da têmpera à pintura a óleo e as diferenças entre arte bizantina e ocidental. Ele relaciona os episódios da vida de São Francisco retratados nos afrescos – a renúncia dos bens, a visão dos estigmas, as visões dos irmãos, a homenagem do homem simples – e discute a simbologia da cruz de Tau usada pelos franciscanos. Por fim, menciona a sua empresa Apreciando Arte, que celebra 10 anos em 2024, e convida o público a participar de eventos presenciais e online, reforçando o objetivo pedagógico de tornar a arte e a história franciscana acessíveis a todos.
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Então, sejam todos bem-vindos à aula "Tesouros Artísticos Franciscanos", onde eu pretendo trazer um pouquinho, um pouquinho, nosso tempo é curto, né, para falar de tantas belezas, de tantas coisas bonitas, de tantas obras artísticas inspiradas na vida de São Francisco. E de Santa Clara, infelizmente hoje vamos falar somente de São Francisco. Na próxima aula eu vou falar de Santa Clara, que daí a gente vai falar— eu falo de São Francisco, também falo mais de Santa Clara. Hoje ela só vai ser citada praticamente, sinalizar para vocês que nós estamos promovendo para o ano que vem para junho do ano que vem, para quem não está sabendo, uma viagem para a Itália para visitar os locais franciscanos. Então, nós estamos chamando de Peregrinação Artística e Franciscana. Eu estou organizando com a agência minhaviagem.com, de São Paulo, que é especializada em peregrinações, mais de 10 anos, indo aí para 15 anos de experiência, fazem peregrinações para a Terra Santa, para lugares santos como Fátima, Medjugorje, Lourdes e outros locais. Eu estou fazendo essa parceria com eles. É a primeira viagem internacional que estou oferecendo. Vocês sabem, vocês todos já participaram de excursões que eu realizo, mas são excursões nacionais, principalmente aqui no estado de São Paulo. E essa primeira viagem internacional, a proposta é levar vocês, quem for participar, para visitar esses locais artísticos e religiosos. No caso, os religiosos não se separam dos artísticos, principalmente quando a gente fala de São Francisco, tem muita arte envolvida. Nós temos uma exuberante exuberância do exemplo de São Francisco na sua vida, que felizmente foi muito bem retratada nas suas representações artísticas, de uma forma também, apesar da simplicidade da proposta franciscana, a exuberância visual que reflete essa visibilidade de Jesus Cristo, que é o que São Francisco traz para a gente. Então é muito bacana ver essas obras ao vivo. Acho que tem alguns de vocês que já foram para Itália, já viram várias dessas obras. Talvez não tenham feito esse roteiro da forma como a gente está propondo, que é começar em Roma, passar por essas cidades onde são de Roma, né? Vai ver lugares franciscanos. Outros lugares que não são exatamente franciscanos, mas pelos quais São Francisco passou também, como o Vaticano, os museus vaticanos, Basílica de São Pedro, Praça de São Pedro, etc., catacumbas, mas também igrejas franciscanas, como San Francesco la Ripa, E também passar por Assis, passar por Greco, por Vieto, lugares onde são marcantes para a história de São Francisco. Laverna, que é o Monte Alverno, onde São Francisco recebeu os estigmas, até chegarmos em Florença. Em Firenze, nós temos a maior basílica franciscana, a maior igreja franciscana, que é Santa Croce, que é a Santa Cruz de Firenze, que é também o panteão da Itália, panteão dos heróis italianos, e que também é um lugar belíssimo, muito bonito, muito representativo. Hoje nós vamos ver um pouquinho da arte franciscana em Assis, que talvez seja o coração da devoção Franciscana. Então, enfim, eu vou falar um pouquinho no final sobre a viagem, né? Quem tiver interessado depois pode pedir mais detalhes, caso esteja interessado em fazer essa peregrinação artística, né? Peregrinação para ir ver as obras de arte, mas também peregrinação religiosa que tem essa, para quem é devoto, para quem acredita, para quem segue, né, essa devoção católica, principalmente ligado ao franciscanismo, tá? Então vamos lá com as imagens e falarmos então dessas maravilhas. Sejam todos bem-vindos, bem-vindas à nossa aula dentro do nosso curso, né, dos tesouros artísticos da Itália. Essa é a quarta aula, é a primeira falando de arte franciscana. As outras eu falei dos tesouros artísticos da cidade de Roma, E hoje nós começamos nossa sequência de arte franciscana. Bastante abreviado, né? A ideia é falar um pouco a partir das imagens também da vida de São Francisco de Assis. Aqui nós temos um resumo muito, muito, muito breve. Não sei se todos sabem que o nome de batismo de São Francisco é Giovanni. Não é Francesco. Francesco é o nome que se atribui, né? Não se tem certeza quanto ao nome dele. Por que que Giovanni virou Francesco, né? Existe a história que o pai dele teria o chamado de Francesco porque Francesco vem de francês, né? Supõe-se que a mãe dele, a Pica, Madonna Pica, era de origem francesa e supostamente Francisco tinha uma predileção pelas coisas francesas. Nessa época existia algo que na escola nós estudamos, normalmente as pessoas não prestam muita atenção, mas na escola, principalmente no ensino médio, quando a gente vai estudar literatura, a gente fala do trovadorismo. É bem nessa época, o trovadorismo. Os trovadores, os troubadours em provençal, que é a língua dos trovadores, que é o que vai chegar em Portugal, que a gente estuda o trovadorismo português, mas a origem é francesa. E nessa época estava na moda, né? Então tinha duas coisas que Giovanni, né, Francesco, gostava muito: de histórias de cavalaria, né? E quem já leu ou quem já viu a história do Dom Quixote, né, sabe que o Alonso de Quijano fica louco por conta das histórias de cavalaria. Então é algo que por muitos séculos esteve na moda, né? Histórias heroicas dos cavaleiros que defendiam a fé, defendiam a fé cristã, defendiam a Europa, defendiam os reinos, os ducados, os feudos europeus, principalmente dos infiéis, que eram os muçulmanos, e principalmente nas Cruzadas, que era as grandes expedições militares que tinham como objetivo inicialmente, depois se desvirtuou isso, se desvirtuou a questão inicial que era defender a Terra Santa dos infiéis muçulmanos que tinham invadido a Terra Santa e que estavam impedindo o acesso da Terra Santa aos cristãos. Bom, então Francesco, ou Giovanni na verdade, gostava muito das histórias de cavalaria, dos seus feitos heroicos militares, dos cavaleiros, principalmente quanto aos seus feitos individuais, de se notabilizar em batalha, e também dos poemas de amor, dos poemas de amor cortês, dos trovadores. Por conta disso, supostamente, o pai dele teria colocado o apelido nele de francês, né? Que em italiano nessa época é Francesco, né? E Francesco virou, para nós, virou Francisco. Francis, em inglês, também tem essa ligação com francês, né? Enfim, claro que vem de São Francisco dentro da tradição europeia, mas tudo bem. São Francisco, então, o Giovanni, tornou-se no nosso imaginário, não só no imaginário, nossa devoção, um dos maiores santos católicos de todos os tempos. A questão é que ele é tão admirado que não só os católicos, lógico que ele foi canonizado pela Igreja Católica, Mas ele é venerado na Igreja Anglicana. Existe toda uma ordem, existe toda a família franciscana, que são a Ordem Franciscana em suas ramificações, né? Os franciscanos conventuais, os franciscanos capuchinhos, os franciscanos capuchinhos menores, né? E também tem as Clarissas, a Ordem Terceira, né, a Ordem Secular de São Francisco. Mas também é muito engraçado, muito curioso, que recentemente fiquei sabendo que existem ordens, se é que dá para chamar com essa denominação, existem ordens franciscanas, existem ramos franciscanos que são protestantes, né? Começou lá no século 19, dentro da Igreja Anglicana, ou seja, da Igreja Inglesa Protestante, cujo chefe é o rei ou a rainha da Inglaterra, né? Em vez de ser o Papa, existem ordens franciscanas luteranas, desculpa, anglicanas, e também existem ordens franciscanas luteranas. Inclusive, existem até ordens que são chamadas não denominacionais, que não têm o nome de Francisco na ordem, mas que seguem a regra de São Francisco, que seguem o carisma franciscano, mesmo não sendo católico. É bem interessante, bem curioso, né? E fora isso, São Francisco de Assis é admirado por muitas pessoas que nem são cristãs, né? Mas que vê o exemplo da humildade, da pobreza, da dedicação aos pobres como algo exemplar que deve ser seguido, que é admirável. E também a questão de ser padroeiro dos animais, da ecologia, do meio ambiente. Isso é mais recente, isso é bem mais recente. Isso é algo que começou a ser enfatizado no século XIX. Então, nós vamos ver representações de São Francisco mais comuns até o século XVIII acompanhado de uma caveira. Parece para nós bastante estranho, porque nós estamos acostumados, no nosso caldo de cultura atual, a ver São Francisco como o santo com as pombas, principalmente com a pomba na mão. Até por conta do cinema, coisa e tal, mas até o século XVIII você tinha mesmo essas duas ênfases: a questão da pobreza, até dentro de outras ordens mendicantes, que se fala, ordens que vivem de esmolas mesmo, que vivem, como a gente fala na linguagem da Igreja hoje, de providência, da providência de Deus, e não de renda própria, como os beneditinos, por exemplo, né? Os beneditinos, os cistercienses, inclusive toda essa questão de ter uma geração de renda própria ou viver somente da mendicância gerou uma fratura, uma divisão dentro da Ordem Franciscana, né? Então, enfim. Mas tem essa questão, então, dessas várias facetas de São Francisco, que se coloca mesmo e que mostra a riqueza da história dele e do exemplo dele para nós. Também é bem interessante ver que São Francisco era poeta. Então, ele tem vários textos, inclusive o Cântico das Criaturas, que é considerado pelos críticos, pelos estudiosos, como o primeiro poema da literatura italiana que tem autoria. Você tem um outro anterior, mas o Cântico das Criaturas é o primeiro poema que pode ser identificado como sendo escrito em língua italiana e que tem um autor identificado. Alguma pergunta? Pergunta, tem alguém aí chamando? Não, não.
Esse jeito que eu observo, só acho que só no São Francisco, esse jeito de cortar o cabelo que fica assim, essa rodinha aí sem cabelo em cima, era uma moda na época ou só o São Francisco que usava?
Não, não é só São Francisco. Essa forma de cortar o cabelo veio dos beneditinos, não é dos franciscanos e não é só de São Francisco. Isso aí chama tonsura. A tonsura é essa forma de cortar o cabelo que você deixa só essa faixa de cabelo com essa parte careca em cima, que é uma forma de você não ter vaidade, né? De você— é, então, para nós é ridículo, para eles era sinal de santidade, né? Mas a ideia é você perder a vaidade mesmo, você não ter uma cabeleira bonita, né, um cabelo bem cuidado, é você mesmo ter essa— e isso não é próprio deles, é próprio de todos os religiosos de vida consagrada Até uma certa época, os dominicanos usavam essa tonsura, São Tomás de Aquino tem essa tonsura, Santo Agostinho, São Benedito, São Bento, desculpa, São Benedito, dos beneditinos, os monges beneditinos, os monges cistercienses, todos eles.
São Francisco, aqueles que a gente vê andando aqui perto da Alfazinha, aqui acho que no Santa Cândida deve ter uma casa.
Eles usam essa tonsura, cabelo estranho aí, é aquele roupão marrom, né, tecido grosso. É, os capuchinhos usam marrom, os conventuais usam cinza. E eles têm uma discussão lá entre eles, falando: São Francisco usava cinza. Não, São Francisco usava marrom. Então é curioso, inclusive, porque você tem as representações de São Francisco mais depois do século XVI, que se você vê ele pintado de cinza, você sabe que foi alguém ligado à ordem conventual que fez a encomenda. Se foi marrom, foi dos dos menores. Então dá para identificar por aí também, né? Olha só, essa aqui é a primeira imagem de São Francisco que se tem notícia pintada, pintada, pintada, né? A primeira imagem, a primeira representação de São Francisco, né? Vocês Aqui também ele está com a tonsura, né, claro. Não dá para dizer que ele tinha aqui na imagem do Chimabue, que é de uma das representações da Basílica de Assis, dos afrescos, ele não tem nem bigode nem barba, embora a legenda maior, que é a a biografia de São Boaventura diga que ele tivesse uma barba rala. Então, essa imagem que a gente tem dele hoje, de bigode, com cavanhaque, tudo isso aí é um pouco de fantasia, mas acaba virando algo comum, porque todo mundo começa a representar dessa forma. E acaba virando a imagem atual, né? Mas os antigos, os antigos digo, há 500, 600 anos atrás, as pessoas tinham outras imagens, né? Outra imagem dele na cabeça, né? Vocês veem aí, vocês veem aí que a forma de representação Francisco Primeiro, ele está— é a forma bizantina, não é a forma renascentista, extremamente realista, ela é mais simbólica. Ela é mais simbólica. Então, vocês veem que ele está em pé, mas ele mostra os pés— não sei se vocês conseguem ver o mouse aqui se movimentando na tela— mostra os pés frontalmente para mostrar os sinais dos estigmas. Então, mostra nas mãos e mostra os pés de uma forma que a gente consiga reconhecer, que consiga ver os estigmas nos pés. E a outra coisa característica também que vocês vão identificar na vestimenta franciscana, além do hábito com o capuz, vocês também vão ver esse cordão com os 3 nós. Para quem não sabe, esses 3 nós são simbólicos, né? Eles não são: ah, deu vontade de dar um nó no cordão. Não é isso não. Isso faz parte da vestimenta e significa os 3 votos que o franciscano faz quando se consagra, né, à vida religiosa, quando se torna um irmão, quando se torna um frei, um frade, ou uma uma freira, Clarissa, que é o ramo feminino da ordem. Então são os três votos: obediência, castidade e pobreza. Nem todas as ordens religiosas têm esses três votos. Os dominicanos, por exemplo, eles têm dois: obediência e castidade. Pobreza não, né? Então aí depende. Tem outras ordens que tem até quatro, Aí tem outros votos adicionais ainda, né? Essa representação mostra as 6 milagres de São Francisco, né? Que eu não vou conseguir dizer agora para vocês quais são, mas enfim, essa então é a primeira representação. Fábio San Francisco morreu em 1228, então 1235 está bem próximo da época em que ele faleceu. Vocês veem aqui uma outra imagem feita de acordo com o mesmo tipo de esquema, a representação. Vocês veem que o Vocês veem que o artista aqui, né, lógico, a gente percebe a diferença entre os dois artistas, mas a forma de representação tem muito a ver com uma forma esquemática da arte bizantina. Então você vê que essas pregas, essas dobras da roupa, elas não são realistas, né, elas são mais simbólicas, mais para dizer que tem prega, que tem dobra, basicamente, do que ser uma dobra. Elas são interrompidas aqui pela linha de contorno, o que, em uma representação realista, não aconteceria. A outra coisa que é bem interessante ver também: o artista usa volumes de uma forma bem interessante, inclusive, mas você vê que a representação do volume da cabeça, para a nossa arte, que a gente está acostumado, renascentista realista, ela está bem estranha, né? A cabeça parece que é muito grande e o capuz aqui cobre uma cabeça gigante, né? Uma cabeça muito, muito grande. Enfim, a ideia é mostrar o santo com seus atributos, ou seja, a forma que a gente reconhece o santo. Então, com o hábito franciscano, com os três nós, no cordão, com os estigmas e os milagres em volta, mas não de uma forma realista, e sim simbólica. Santa Clara, que infelizmente não vamos ter tempo de falar muito dela, que nasceu Chiara di Offreduccio, filha de um nobre da nobreza de Assis, e que abandonou uma vida prometida em casamento. Ela se juntou a Francesco para fundar, primeiro para se tornar freira e depois para fundar o ramo feminino da Ordem. Então os dois fundam o ramo feminino, que são o ramo das Clarissas, em 1212. Aqui vocês veem uma representação dela com um ramo de lírio, que é o símbolo da pureza, lá em Santa Croce, em Florença. Para quem não sabe também, né? Ah, eu falei, não falei, né, que São Francisco é padroeiro da Itália, né, junto com Santa Catarina de Siena. E Santa Clara foi declarada padroeira da televisão., né, e das telecomunicações. O Caetano Veloso tem até uma música, né, que fala Santa Clara, padroeira da televisão. Ele canta e fala da televisão, mas o refrão é Santa Clara, padroeira da televisão. Mostrar para vocês aqui então, dentro da história de São Francisco, A Igreja de São Damião, ela é muitíssimo importante. Nós temos, eu não falei, né, falar rápida, brevemente, nós temos várias versões da história de São Francisco. A principal delas, que é tida como oficial pela família franciscana, é a legenda maior, né, legenda maggiore. De São Boaventura de Bagnoregio, São Boaventura simplesmente, que escreveu a biografia por encomenda do Papa Inocêncio III. Mas a Ordem Franciscana, depois que São Francisco morre, ela é abraçada pela Igreja como uma forma de melhorar a sua comunicação, de melhorar a sua sua empatia, sua ligação com as pessoas mais pobres. Então a Igreja investe muito tempo, muitos recursos para que se aumente a devoção, para que as pessoas conheçam São Francisco, o carisma. A Ordem se espalha pela Europa, chega até a Inglaterra, que naquele Naquele momento, entre Itália e Inglaterra era um lugar muito longe, né? E os ingleses foram, até a reforma protestante, eles foram grandes devotos de São Francisco, né? Mas enfim, o que eu tô querendo dizer é que você tem várias versões da vida de São Francisco até que o Papa— existe uma reforma dentro da da Ordem, em 1266, e a biografia de São Boaventura é adotada como a oficial. Inclusive, tem um movimento de descartar, queimar os livros até, embora, felizmente, tenham chegado versões dessas biografias anteriores até nós. Inclusive, várias delas foram descobertas no século XIX, só publicadas no século XX. Mas nós temos sim essas fontes franciscanas. Mas a história oficial é de São Boaventura. E essas histórias, elas não concordam muito quando teria se dado o momento de conversão de Giovanni que depois se torna Francesco. Então você tem várias histórias, né, que ele vai lutar na guerra contra Pisa. Sim, mas não de uma vez, nenhuma. E essa história que a gente conhece tem muito a ver com os filmes, né. Irmão Sol, Irmão Lua, né? Você tem uma biografia dele feita na década de 60, até que aqui em casa a gente até assiste com alguma frequência aqui com os meus filhos, que eles gostam muito, mas que é uma forma estilizada de contar, porque omite vários episódios que se você for ler a legenda maior de São Boaventura, você vai ver: nossa, mas isso não tem no filme, né? Na verdade, o filme edita, o filme nunca é documento histórico, né? O filme é sempre uma versão romanceada, estilizada. É o que eu costumo dizer para todo mundo que eu dou aula, né? É: nunca, nunca aceite sem reservas uma versão em filme da história de alguém, ou até de um fato, até não, ou principalmente de fatos históricos, né? Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Napoleão, qualquer coisa que vocês forem assistir no cinema, ou vocês forem assistir em casa, né, na Netflix, qualquer lugar. Cinema é cinema, é obra de arte. Obra de arte não tem compromisso com história, senão seria documentário, né? O cinema, a história romanceada, ela tem Ela tem todo um floreio para agradar a pessoa, para que seja emocionante e tudo. Então, não é diferente com as histórias de São Francisco. É difícil você ter uma cinebiografia que seja mais fiel. Sempre tem uma adaptação para que tenha uma história que funcione como um filme. O que quer dizer funcionar como filme? Realmente ter essa emoção, esse encadeamento dos acontecimentos que nos prenda a atenção para que a gente assista, né? Então, assim, ele era filho do, ele era filho do comerciante, né, comerciante de tecidos que fez a riqueza nas feiras da Provença. É tanto que o fato da mãe do Francisco ser francesa pode pode ter a ver com isso também, né, com essa estada do pai dele na Provence, na França, né, hoje em dia. Então, que era, você tinha as famosas feiras da Provence, né. Não é à toa talvez que também Francisco tivesse essa, esse gosto pelas, pelas, pelos trovadores, né, pelas trovas. Enfim, e aos poucos ele vai se O episódio do leproso, em que ele encontra o leproso e abraça o leproso e cuida do leproso, ele ainda não tinha renunciado à vida dele de riqueza. Ele ainda estava, vamos dizer, hoje a gente diria, ele estava discernindo a sua vocação ainda. Ele ainda estava balançando entre uma vida militar, uma carreira militar e uma vida religiosa. Então, nesse momento, ele ainda, apesar dele abraçar o leproso, de cuidar do leproso, ele ainda está como militar e não como religioso. Você tem um episódio que uma dessas histórias conta que ele... Você tinha uma festa lá em Assis que era... No final da festa, eles coroavam um dos jovens como rei da juventude. Tipo um Rei Momo, né, no carnaval. E ele foi coroado Rei da Juventude. E se esperava, depois dessa festa, que era uma tradição, quando a pessoa, o homem, né, o moço, era coroado Rei da Juventude, em seguida ele se casava. Ele, em vez de se casar, ele se retirou para um lugar silencioso, reservado, né, para rezar. Porque ele sentiu que tinha que começar a buscar uma vida religiosa. O que para as pessoas naquela época era muito estranho, sendo ele da burguesia, sendo ele de família rica, sendo que se esperava, o pai e a família esperavam que ele seguisse a carreira do pai como comerciante. Enfim, as coisas vão acontecendo até que se chega um momento em que ele vai rezar nessa Igreja de São Damião, que não estava bonita como vocês estão vendo aí na foto, mas estava em ruínas. Ela estava funcionando, ela tinha um padre que oficiava, ministrava os sacramentos, oficiava as missas, mas a igreja estava bem acabada, destruída. E diante dele, ele rezando, diante do crucifixo, né, de São Damião, né, da Cruz de São Damião, que é essa aqui que vocês estão vendo aqui na tela, né. Ele então se dá o que se chama do milagre de São Damião, né, ele pedindo a Deus, né, a Jesus, que ele desse, né, que discernisse a sua vocação, ele fala da questão do— ele pede fé, esperança e caridade. E aí então ele ouve a voz de Jesus que pede a ele, fala: "Vai, conserta, constrói de novo a minha igreja que está em ruínas", segundo a legenda, se coloca a legenda maior, que é o livro, a biografia de São Boaventura, Se coloca então que Cristo teria utilizado essas palavras para falar com ele. E aí ele vai então começar a ir atrás de doações, principalmente quem não tinha dinheiro, quem não tivesse o que dar, podia dar pedra, que ele ia atrás de pedra para reconstruir essas igrejas. E não só a de São Damião, né? São Damião, Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, Fábio San Juan e outras igrejas que estavam destruídas. Qual que é o sentido disso, né? Tem dois sentidos. Tem o sentido das igrejas estarem em ruínas mesmo. Então existe nesse momento na Europa um descuido em relação ao que hoje nós diríamos do patrimônio da igreja, né? Existe um descuido, existe um um deixar de lado. Então, as pessoas estão preocupadas com outras coisas. Por quê? Preocupados com outras coisas porque é uma época de muita mudança na Europa. Está numa transição entre, nós diríamos hoje, entre um sistema feudal e um sistema mercantil, de comércio, que a gente chamaria hoje de capitalismo. Então, começa a haver uma circulação de pessoas uma circulação de mercadorias, circulação de ideias, que começa a mudar muitas coisas. E uma das coisas que se começa a deixar de lado bastante são esses edifícios religiosos. E quando esse chamado de Cristo para Francisco, no sentido de reconstruir, sim, a Igreja, edifício físico, mas também consertar a casa dele, que está em ruínas em termos espirituais. E Francisco acaba conseguindo as duas coisas. Eu costumo às vezes falar que São Francisco é o Lutero que deu certo. Deu certo por quê? Deu certo porque ele reformou a Igreja sem sair da Igreja, sem negar a Igreja. Então, a Igreja de São Damião É o local onde se deu esse milagre, onde Francisco ouviu Cristo. O crucifixo de São Damião que vocês estão vendo aí, ele é uma réplica, não é o crucifixo real que estava na igreja, porque esse crucifixo, ele foi— o que aconteceu? Quando Santa Clara saiu de casa E saiu escondida, né, porque os pais não queriam que ela se tornasse freira, não queria que ela se tornasse religiosa. Ela se esconde no mosteiro beneditino, né, ali em Assis, que é o mosteiro que teria São Bento, o próprio São Bento lá no século teria passado por lá. Então o local é um local importante para os beneditinos. Mas ela é acolhida ali pelas freiras beneditinas, e então é ali que ela é consagrada. Ela se torna freira a partir da regra beneditina, né? Mas depois aí ela, com São Francisco, ela vai fundar a Ordem das Clarissas. E depois tem várias reviravoltas que ela precisa se abrigar e se esconder das pessoas, e a família vai atrás dela, tenta forçar que ela volte para casa, chega a arrastar ela pela— tentar arrastar ela, pegar mesmo, né, e arrastá-la fisicamente para fora, e ela se agarra na mesa. Tem toda uma história assim. Quando percebem que ela já fez a tonsura, ou seja, ela cortou o cabelo, né, que é uma coisa que também as mulheres faziam para perder a vaidade, né, questão da vaidade. E quando percebem, aí é tarde, e aí, e aí não faz mais nada e vão embora. Depois a irmã de Santa Clara acaba, acaba se juntando também. Aí tem outro escândalo, tem outra coisa dessa de irem atrás dela, tudo. E um dos lugares que elas se refugiam é a Igreja de São Damião. E quando elas saem da Igreja de São Damião para ir para outra igreja, para outro local, elas levam o crucifixo, né. Então, na verdade, elas vão então para Igreja de São Jorge, e lá elas acabam reconstruindo, né, a igreja que estava em ruínas lá também. Ela reconstrói a igreja que se torna a Basílica de Santa Clara. O crucifixo de São Damião, que é onde São Francisco rezou e ouviu a voz do Cristo fazendo o seu chamado, é hoje, tá, está então na Basílica de Santa Clara em Assis. Eu queria falar, eu queria falar para vocês da simbologia do crucifixo, que eu acho bem bonita, bem interessante. Embora não seja arte franciscana tal e qual, mas ela tem a ver com a história de São Francisco e também é uma representação bem bacana e também muito importante. Então vocês estão vendo aqui, é outra obra. Então nessa época, a grande arte, a arte que Inclusive na Itália era utilizada na arte sacra, devocional. O grande exemplo, o grande modelo era a arte bizantina. Nós tínhamos o Império Romano do Oriente ainda em funcionamento, que é depois, hoje nós chamamos de Império Bizantino. Na época eles não chamavam de Império Bizantino. Então, para simplificar as coisas, vamos chamar de arte bizantina. Que é a arte, assim, grosso modo, é a arte grega e romana da antiguidade, que teve uma continuidade através da arte cristã. Os bizantinos são os romanos do Oriente que se tornaram cristãos no Oriente, né? Assim como os romanos do final do Império eram cristãos também. Inclusive como religião oficial, depois de todas as perseguições que fizeram. A arte bizantina, então, é essa arte grega romana que teve essa continuidade pela Idade Média sem interrupção. Então, eles pintavam em têmpera, que é uma tinta à base de ovo, ou gema, ou clara de ovo. Misturado com pigmento sobre madeira. Então a arte bizantina ela é toda feita em cima de madeira, que é algo que chegou aos mestres italianos e que até a época do Leonardo da Vinci se pintava em madeira, não sobre tecido com chassi, que é a tela a óleo, né, a tela para pintura a óleo que a gente a gente conhece até hoje, né? Não, era sobre madeira, né? Lógico, a madeira recoberta com tecido, mas a madeira era o que dava a estabilização, vamos dizer assim, da pintura, né? Enfim, vocês estão vendo aí então o crucifixo. Nós temos, provavelmente se diz que é por conta das características, estilo, tudo por volta do ano 1100, foi trazido também provavelmente por monges da Sérvia, né, que vieram do Império Bizantino, né, fugidos dessas guerras todas que estavam acontecendo. Império Bizantino estava diminuindo de tamanho porque estava sendo conquistado por vários outros povos, diminuiu bastante tamanho. Esses monges estão fugidos de lá, vem para Itália e trazem vários objetos devocionais. E supõe-se então que eles tenham trazido de lá. A Úmbria, que é a região onde está a cidade de Assis, ela tem então essa... tava ali esse crucifixo na Igreja de São Damião, sem essa documentação de onde veio, quem trouxe, nós não temos essas informações. Ele é um crucifixo.
Oi, o crucifixo estava na Igreja de São Damião, mas ele representa o São Francisco?
Não, ele não representa São Francisco. São Francisco rezou na frente dele. Tem como ele representar São Francisco, né? Como eu disse, São Francisco tava, nem era, nem era religioso consagrado ainda, estava rezando na igreja na frente desse crucifixo, quando ele recebe a voz, quando ele ouve a voz de Cristo chamando então para que ele consertasse a sua igreja que estava em ruínas, né? Certo? A representação, a representação é do Cristo, né? Então é o crucifixo. Vocês veem que tem várias figuras ali atrás de Cristo. Vocês, aqui eu vou mostrar os detalhes. Então vocês veem o Cristo, até o século XIV, mais ou menos, o Cristo representado na cruz, ele nunca estava sofrendo, né? É depois da arte gótica, século XIV principalmente, em que o Cristo, ele é humanizado no sentido de se mostrar um sofrimento físico. O Cristo antes dessa época, ele é sempre glorioso, né? E aqui no caso, o Cristo triunfante, né? Ou seja, ele está na cruz, a gente sabe pela narrativa dos evangelhos que ele sofreu na cruz, se fala inclusive na teologia católica da questão do sacrifício que o Cristo faz, né? Com a sua morte, com o seu sofrimento. Que é a paixão de Cristo, mas na Idade Média sempre se coloca a face triunfante do Cristo, porque se coloca mesmo, até hoje se fala bastante comumente, né, que se fala da ressurreição, mas ele tem que ter passado pela cruz, né, não é só a cruz e não é só a ressurreição, os dois têm que estar juntos para fazer sentido, né. Para a fé cristã. E aqui nós vemos o Cristo então nas duas faces. Ele tá na cruz, ele está na cruz, ele está com os estigmas, ele tá com os sinais dos pés, das mãos e no lado, né, no lado direito ali, a perfuração da lança. Mas ele está também de forma gloriosa, né. Então ele não está sofrendo, ele está infante, tá? Vocês percebem também que ele não está como hoje é comum. Hoje, digo, a partir do século 14 principalmente, é mais comum, se tornou convenção na Europa, na arte ocidental, fazer a representação do Cristo com os dois pés juntos, pregados com um prego só, vamos dizer assim, né? Aqui não. Aqui o modo bizantino, que é o que é venerado até hoje na tradição ortodoxa é o Cristo com os dois pés separados. Queria então mostrar esses detalhes que eu acho bem interessantes do crucifixo de São Damião. Tem todo um estudo dentro da teologia franciscana a partir do crucifixo de São Damião, que é uma forma também de trazer, quando coloca esses, principalmente esses espectadores, que são as pessoas que estavam presentes na crucificação do Cristo, como os nossos representantes, os representantes da humanidade. Claro que os apóstolos todos fugiram, menos São João, São João Evangelista, mas estavam essas pessoas então como os nossos representantes., né, nesse momento do sacrifício do Cristo. Vocês veem que então as testemunhas, né, diz o texto aí da crucificação. Então aqui à esquerda, né, à direita do Cristo e à nossa esquerda, é Nossa Senhora, São João Evangelista. Do outro lado, Maria Madalena, Maria de Cleófas, né, que a mãe de Tiago Menor. E o centurião, que é o centurião que no Evangelho se fala que ele exclama espantado: "Verdadeiramente ele é o Filho de Deus!" Essas pessoas estão... Tem o nome delas embaixo, o nome delas escrito embaixo de cada pessoa. Vocês veem que, da forma bizantina, as pessoas mais importantes são representadas em uma dimensão maior, as pessoas menos importantes são representadas em uma dimensão menor. Não tem nada a ver com a perspectiva ou com a questão da representação de espaço do Renascimento para frente. É uma representação simbólica, em termos de importância, o Cristo é o mais importante, então ele está representado maior aqui. Depois são os santos aqui, né? Nossa Senhora, São João, Maria Madalena e Maria de Cleófas. Vocês veem que o centurião não tem auréola, né? Centurião não tem auréola. E aqui embaixo nós temos Longinus e o Stephanaton. Como é que chama? Stephanaton. Então aqui no detalhe vocês veem então Longinus, né, que é o São Longuinho que a gente fala, né, em português, que é quem furou o lado de Jesus, né. Então ele é representado aqui com a lança. Do outro lado, não sei se vocês sabiam, né, que É o soldado, né, pela tradição é o "stephaton", que é o que ofereceu a esponja embebida em vinagre, né. Embora o texto fale da questão dele tá segurando o bastão e a esponja, não consigo ver de forma nenhuma nesse detalhe, não consigo ver nem esponja e nem bastão. Não sei se vocês sabem, né, tem muita gente que fala, né, Na narração, nos filmes, até na Semana Santa, quando se conta a história da Paixão da— Ah, que dó, né? Em vez de oferecer água para Jesus, ele vai e oferece uma esponja em vinagre, né? Na verdade, é um gesto de misericórdia que eles tinham com os condenados, né? Até onde se possa dizer que você está tendo um gesto de misericórdia com quem está pregado numa cruz, né? Morrendo, agonizando uma morte horrível dessa. Mas as pessoas tinham sede, bastante sede, porque por conta de toda a questão sanguínea, toda a questão do fluxo sanguíneo, que você tava sendo asfixiado ali. E a esponja embebida em mel e vinagre era uma forma de aplacar essa sede, né? A água não era suficiente, mas Jesus recusa, né? Então ele leva o sacrifício até o fim. Notem que, vocês veem que aqui na figura maior vocês veem o centurião e você tem uma cabecinha aqui do lado que não tem identificação, que os estudiosos supõem, confrontando com outras imagens da época, que seja uma representação do artista, né? O artista se representando na imagem É como se dissesse, né, estou presente aqui de alguma forma, né. Então ele é também uma testemunha, né, de certa forma, de uma maneira mística. Como pensando na pintura, como se pensava ainda nessa época, né. A partir dessa época se começa a perder isso, mas ainda tem, principalmente dentro dessa tradição bizantina. Da escrita, né? Eles não chamam de pintura, eles chamam de escrita do ícone, né? Do artista como alguém que está meditando sobre a vida de Cristo, sobre a história sagrada, né? Então ele não está simplesmente pintando uma ilustração, fazendo uma ilustração da vida de Cristo, ele está participando da história da salvação. Então ele se representa aqui de forma pequena, escondida, né, como alguém que é testemunha também, né, do Cristo. Aqui embaixo, não sei se vocês conseguem ver, tá bem apagado porque no original está apagado, é 3, 1, 2, 3, vários santos. Que são, pela tradição se coloca, são os padroeiros da Úmbria, né. Então nem todos, você tem dois só que a gente consegue ver melhor, e os outros estão apagados ou até já sumiram daqui, né. Enfim, mas estariam presentes aqui como padroeiros da Úmbria. E no topo da cruz nós vemos Jesus. Então vocês veem a questão da glória aqui também, né? Dele sendo recebido na glória do céu. Então é bem interessante também ver que os anjos que estão aqui reunidos para recebê-lo, ele está carregando na mão esquerda o standard da cruz, o bastão da cruz. Desculpa, o cetro da cruz. Então, não como instrumento de tortura, mas como instrumento de triunfo, como o cetro de um rei. Deus Pai está lá em cima abençoando com o gesto de bênção tradicional, que é com os dois dedos. Então, Deus Pai abençoa Jesus, que está chegando ao céu, e Jesus saúda os anjos com a mão direita. Então é bem interessante essa forma de representar a glória junto com a crucificação. Então nós vamos falar um pouquinho agora da Basílica de São Francisco de Assis. Provavelmente seja a obra, a igreja, o templo, a basílica mais importante da cidade e talvez do franciscanismo, né, da Ordem Franciscana, do carisma franciscano, porque é a casa, né, é a casa da Ordem, né. É, aqui estão os restos mortais de São Francisco, né, e também dos irmãos mais próximos, né, os amigos, os irmãos, né, os primeiros seguidores de São Francisco. Os primeiros irmãos, os primeiros confrades, estão aqui também sepultados junto com ele. E aqui está então a Basílica. A Basílica construída entre a morte e 1253, a morte de São Francisco. Nós temos duas basílicas, inclusive é chamada assim, a Basílica, o conjunto é a Basílica de São Francisco, de São Francisco de Assis, mas a Basílica Superior, né, a parte de cima da Basílica, que é, você tem acesso por esse jardim, né. Aqui do lado direito nós temos um, nós temos um bosque, né, uma floresta, o Bosque de São Francisco de Assis, que é chamado, que é um grande jardim onde as pessoas podem passear, né. Inclusive é permitido levar cachorro, e do lado, pelo lado de baixo, né, você tem uma escada aqui do lado esquerdo onde você, uma escadaria que você desce para acessar a Basílica Inferior, né, a Basílica Inferior, a Basílica da parte de baixo. Depois você tem esse campanário, né, que é a Torre Cidera, né, A Torre dos Sinos, que foi feita mais tarde, foi feita quase um século depois. Aqui do lado esquerdo você tem o conjunto do convento franciscano. Então você tem todo um, como eu falei, a Igreja, principalmente o papado. Nessa época, o papado tinha um Estado Papal, você tinha um país governado pelo Papa, que era uma parte da Itália, né, eram chamados de Estados Papais. E então o Papa, o papado, tinha esses recursos, investiu bastante recursos para se fazer então inclusive um centro de peregrinação, né, virou um centro de peregrinação. As pessoas vinham a Assis para visitar as relíquias do santo, a relíquia dos santos também franciscanos, e visitar o local onde São Francisco viveu parte da vida, nasceu, cresceu, tem toda a história dele ali. É bastante importante também que você tem vários artistas do fim da Idade Média, dessa transição da arte medieval para a arte gótica e arte renascentista, como o Giotto, como Timabuy. Infelizmente, em 97 houve o terremoto, né, que acabou destruindo uma parte do teto, né. Então você tem duas, quatro pessoas perderam a vida nesse, nessa, nesse terremoto por conta do teto que caiu na cabeça mesmo. E 130 metros quadrados, que é um tanto bastante significativo, que se perdeu mesmo, né, infelizmente. Nesse terremoto. Vocês veem aqui uma outra vista, né, da lateral da Basílica com o conjunto todo da loggia, né. Loggia é chamado essa arcada aqui, né, que é tipo uma galeria, né. A torre, a Basílica, né, todo esse conjunto. Aqui é o que eu falei para vocês, né. A entrada da Basílica Superior. Então aqui nós estamos vendo de baixo. Então essa praça que tem aqui, ela, você descendo lá da Basílica Superior, descendo a escada, você tem acesso aqui a essa entrada para a Basílica Inferior. Aqui nós temos a interior para vocês verem a interior da basílica inferior, onde estão sepultados. Então, uma espécie de cripta onde você tem sepultado São Francisco de Assis, o túmulo bastante simples, mas profusamente decorado com afrescos de vários artistas, principalmente Giotto, ou o próprio mestre, ou a oficina do Giotto. Mostrando aqui então cenas da vida de São Francisco, mas você também tem, curiosamente, outros santos aqui, capelas de outros santos, como Santa Madalena, como São Nicolau, São Martinho, né? Vários outros santos também de devoção dos assisienses e também dos franciscanos. Uma curiosidade aqui da cruz, a cruz que é usada pelos franciscanos, a cruz do Tau, que é uma cruz cuja parte superior, o braço superior, ele é cortado. É uma cruz que se remete lá ao Antigo Testamento, né, que era usada antes de Cristo, né, e no Antigo Testamento entre os judeus. E os franciscanos adotam essa cruz. São Francisco era muito, tinha muito a devoção a partir dessa cruz também, e é uma cruz que é usada pelos franciscanos cristãs até hoje, né? A Basílica, a planta dela é em formato da cruz tal, né? Então, normalmente, as igrejas cristãs, elas têm formato de cruz mesmo, da cruz latina, que a gente chama, né? Que é a cruz, essa cruz que tem o braço vertical, braço não, a parte do meio vertical, ela é maior do que o braço horizontal, né? Mas aqui não, aqui segue a crustal. Aqui a imagem do túmulo, né, de São Francisco, bastante simples, né, muito simples, com revestimento de pedra, sem grande decoração ou nenhuma decoração, né, para dizer o mínimo. E próximo deles estão sepultados, como tá até indicado aqui, né, o irmão Leão, o Leone, o irmão Rufino, irmão Maceu e irmão Ângelo, que são dentre os primeiros discípulos. Aqui é uma listinha, eu não vou ler, não vou falar de tudo e também não tenho as imagens, mas só para vocês terem essa referência, indo visitar a Basílica, como nós vamos fazer o ano que vem, nós vamos ver essas relíquias na Sala do Capítulo, na Basílica Inferior, que é esse local aqui. Então, você tem várias relíquias de São Francisco, vários objetos que ele usava, que ele usou, como, por exemplo, a batina dele, a regra franciscana, enfim, objetos litúrgicos, como cálice, patena, vestimenta, saco. Esse chifre usado pelo santo é tipo um berrante, para chamar os fiéis. Enfim, e para falar dos afrescos então, que é uma parte muito interessante, infelizmente não temos como, nós não vamos ter tempo de falar de tudo, né, mas eu trouxe alguns dos mais curiosos que tem a ver com a vida de São Francisco. Vocês veem aí que a igreja, essa então são os afrescos da Basílica Superior, nós também temos os afrescos da Basílica Inferior. Nós vamos ver agora os da basílica superior. São profusamente decorados, né? Vocês veem que, voltando ali bem rapidinho, a basílica ela tem um estilo românico, né? Não são aquelas igrejas altíssimas que são as igrejas góticas, né? Que são muito altas, que têm muita decoração na fachada, que têm um monte de estátuas, que tem aquelas esculturas representando o Juízo Final na porta. Não, é bem aquela igreja mais comum da Idade Média, da Alta Idade Média, ou seja, daquele período ainda que as igrejas tinham esse desenho mais simples, não eram tão decoradas do lado de fora. Mas, do lado de dentro, vocês percebem que ela é muito decorada E é completamente diferente. Ela é colorida, ela tem esses arcos ogivais que têm tudo a ver, que definem o estilo gótico. Então, isso aqui tem muito mais a ver do lado de dentro com a Sainte-Chapelle de Paris, com a própria Notre-Dame. Não estou dizendo que é igual, ela tem a ver, ela tem relação, ela tem parentesco. Com essas igrejas do lado de dentro, não do lado de fora. São bem diferentes. Vocês veem então esses 28 afrescos, né? Os 28 afrescos falando da vida de São Francisco, né? Você tem outros afrescos, outras pinturas que mostram aí cenas do Antigo Testamento, cenas da vida de Cristo, medalhões com santos. Aqui só para vocês terem uma ideia da quantidade, né, de afrescos, né, de 28 a 93. Então faz a conta aí, dá 60 e poucos, né, afrescos só que pode ser identificados aqui, aqui identificado com a, com os autores, né, com os pintores, né. Infelizmente, tem inclusive aqui os perdidos, que são esses cinzentos, por conta do teto que desabou. Então, as grandes obras-primas, vamos dizer assim, desses afrescos da basílica são essas obras do Giotto, ou do Giotto mesmo, ou da oficina do Giotto. É reconhecível, o estilo é reconhecível, a forma de pintar, a forma de representar as figuras. Às figuras humanas. Vocês veem então aqui que esse aqui é o primeiro episódio, que é um dos primeiros episódios já colocados por São Boaventura na legenda maior, que é a homenagem do homem simples. O que que é a homenagem do homem simples? Esse homem, vamos dizer assim, né, uma linguagem atual diria o seguinte: que ele encasquetou com São Francisco no sentido de prestar homenagem a ele toda vez que ele passava na rua. Isso muito antes dele discernir qualquer vocação religiosa. Mas ele dizia que Francesco ia ser um homem importante, ia ser um homem santo. Então ele fazia questão de prestar sua homenagem toda vez que ele via Giovanni de Pietro passando na rua. Então vocês veem aqui São Francisco ainda com suas roupas civis, vamos dizer assim, de leigo, ainda identificado com a auréola, né, para a gente saber: esse aqui é São Francisco. Então essa homenagem do homem simples. Aqui é um outro episódio, então também antes da discernimento dele de seguir uma vida religiosa, em que ele doa um manto para um homem pobre. Esse homem pobre disse que era um nobre que tinha caído na pobreza. Então ele tinha sido rico e estava na pobreza. E São Francisco está passando com o seu cavalo e aí ele Não sei se reconhece ou não, mas ele acaba dando o manto dele para esse homem como um gesto de caridade, né? E que é colocado aqui como um episódio da vida dele. Aqui nós vemos o milagre de São Damião, que eu contei já, né? Da questão de Cristo lhe falar através do crucifixo de São Damião. Então vocês veem ele ajoelhado. Então aqui, aqui então é depois que ele é coroado Rei da Juventude e que ele vai começar então a discernir a vida religiosa. E aí então ele identifica o chamado, né, através dessa presença do Cristo que lhe fala. Vocês veem que o artista usa um recurso bem interessante aqui. Por conta da igreja estar em ruínas, vocês veem que Giotto já usa, ele já tenta usar, inclusive, não é todo momento que ele consegue fazer isso de uma forma bem feita do nosso ponto de vista renascentista, mas ele faz uma perspectiva, ele faz um volume, uma igreja com um volume, e por conta dessa igreja estar em ruínas, Ele faz um corte aqui, ele faz um corte na parede para mostrar o crucifixo, para mostrar o crucifixo com o motivo, com a desculpa, a gente diria, da igreja estar em ruínas. Ele faz esse corte na parede, o artista faz esse corte na parede. Essa arquitetura não tem nada a ver com a Igreja de São Damiano. A Igreja de São Damiano é muito diferente dessa. Aqui o Giotto faz umas coisas meio greco-romanas, né? Mas para mostrar o crucifixo, para mostrar em perspectiva o São Francisco rezando na frente do crucifixo. Aqui é o episódio em que São Francisco então renuncia aos seus bens, né? Uma coisa que deixa o pai dele muito bravo. É que quando ele ouve o chamado do Cristo na Igreja de São Bartolomeu, ele volta, ele vai para casa, a loja do pai, e sem o pai perceber, sem ele ver, ele pega vários tecidos, vende esses tecidos, e o dinheiro que ele arrecada com essa venda Ele vai usar para levar para o padre da Igreja de São Damião, para que ele comece a reforma na Igreja. Então, o pai dele fica muito bravo, fica muito bravo. Enfim, dentro de todo o processo da história que se conta, então, São Francisco chega um momento que ele renuncia à herança, renuncia aos bens que ele tem como filho de um comerciante rico, renuncia a carreira militar. E você tem esse episódio então dele inclusive dando, devolvendo as roupas, né, para o pai. Vocês veem que você tem a mão de Deus aqui no céu abençoando, né. Esse gesto é o gesto, como eu falei, o gesto tradicional de bênção, né, com os dois dedos. E o bispo também, eu esqueci o nome do bispo agora, mas esse bispo, ao ver, ao ver São Francisco agir dessa forma, entregando a sua roupa e coisa e tal, ele apoia São Francisco até o fim da sua vida, né. Então ele apoia os atos de São Francisco como um gesto, como um sinal de Deus. Aqui mais adiante na vida, depois que São Francisco assume essa vida de mendigo, de mendicância, de depender da caridade das pessoas mesmo, então ele reúne os irmãos, os irmãos começam a ajudá-lo e começa a viver uma vida bastante rigorosa, no sentido de não ter nada, de viver com o pior tipo de roupa possível, como os pobres. E os irmãos têm uma visão de São Francisco quando ele não está presente. Aqui nessa imagem tem os dois momentos. O momento em que os irmãos estão contando para ele, na verdade, é como os irmãos contando para ele o que eles viram do próprio São Francisco. Então, eles têm uma visão de São Francisco numa carruagem de fogo voando pelo céu. Então, isso é visto como um sinal de santidade, claro, e eles ficam impressionados. Na verdade, eles não sabem muito bem o que isso significa. É um sinal de Deus, mas significa o quê, né? O que seria esse sinal? E aqui, aí, para pular bem para frente mesmo, mais adiante, mais para o final da vida de São Francisco, nós estamos vendo aqui o recebimento dos estigmas por São Francisco no Monte Alverne, né? Na aldeia de Laverna. Então nós vemos aqui, o relato dele é que ele vê um serafim, né? O serafim, ele tem 3 pares de asas, ou seja, eles têm 6 asas. E esse serafim, ele tem os sinais do Cristo, né? Ele tem o sinal dos estigmas de Cristo. Que é uma visão muito incomum, na verdade. Se eu não me engano, acho que é São Francisco que recebe, não só, isso eu tenho certeza, é o primeiro santo que recebe os estigmas. Outros santos depois vão receber os estigmas, como São Padre Pio e outros santos, mas também, isso eu já não tenho tanta certeza, Isso é até uma coisa que eu preciso perguntar para o Frei Marcos. Parece que é São Francisco, e que é o primeiro que recebe a visão do Cristo seráfico, do Cristo como um serafim, não como Cristo, como os outros santos receberam as visões, como Cristo mesmo, como homem. Aqui ele recebe como anjo, como um serafim. O relato também diz que saem das mãos, dos pés, do lado do Cristo, como se fossem raios luminosos que atingem São Francisco nos locais apropriados, ou seja, nos pés, nas mãos e no lado. Então, a recepção, o recebimento dos estigmas se dá dessa forma, nesses raios luminosos. Enfim, aqui uma outra visão que não é— vocês percebem que não é São Francisco que tem várias dessas visões, sim são os irmãos que têm as visões a respeito de São Francisco. Nesse caso aqui, um dos irmãos recebe a visão do trono que está reservado a São Francisco no céu, né? Então é que também é o irmão também conta para São Francisco que ele recebeu essa visão do trono que estaria reservado a ele no céu, né? Isso daqui para mostrar para vocês, e aqui a gente vai encerrando, né, que é a, que é o presbitério. Presbitério é aquele local atrás do altar mora, né, o altar principal, que é bem grande, no caso aqui da basílica. Infelizmente, essas pinturas são bem, são mais antigas que as do Giotto. Essa daqui, por exemplo, estão muito apagadas, né, estão muito mal conservadas. No século XVI, Giorgio Vasari, né, que é o primeiro grande biógrafo dos artistas italianos, principalmente florentinos, mas também de outros locais da Itália que são importantes, ele fala que já na época dele já estavam apagados. Então, infelizmente, talvez tenha sido utilizada alguma técnica que tenha prejudicado essa conservação. Aqui, como curiosidade, por conta de estar tudo muito apagado, mas aqui não só curiosidade, acabou causando um efeito um defeito que virou efeito, que é a crucificação, né? Dessa cena, uma das melhores, das mais bem conservadas, são as cenas da crucificação atribuída ao Timabuy, que tem essa estranha luminosidade nos contornos em amarelo, que dá uma visão beatífica, quase para não dizer mística, de uma luz divina, né, que acabou causando esse efeito, né. Percebam que o Cristo está aqui com os dois pés separados também, como no crucifixo de São Damião, certo? Muito bem, isso era o que eu tinha mostrado para vocês hoje. Vocês têm alguma pergunta, alguma colocação para se fazer? Foi só um gostinho mesmo, né? Tem muito mais coisas para mostrar, muito mais coisas para ver.
E que esses últimos, essas últimas pinturas que foi mostrado agora, é tudo quadro, é parede, é parede, é tudo afresco, né?
É tudo feito na parede. Nessa época não tinha o costume na decoração das igrejas, assim como até hoje você tem as igrejas que que são decoradas agora, né, com a pintura direto na parede, né. Então era muito comum você ter a pintura em afresco. A gente se faz com a massa do reboco úmido, né. Você passa o reboco, você tem uma massa especial, né, para a técnica do afresco. Tem uma fórmula, né, vamos dizer assim, com vários materiais, mas que você passa na parede o reboco E com o reboco não completamente úmido, mas um pouco mais seco, mas ainda úmido, você vai passar então o pigmento, ou seja, o pó que dá a cor para a tinta, você vai passar numa mistura líquida que você vai pintar então a parede. E aquela pintura que você faz em cima do reboco úmido Aquele se une à massa de reboco e aquilo fica conservado durante séculos, que é a técnica que o Michelangelo usou na Capela Sistina, por exemplo, e que o Giotto usou nessas imagens que a gente viu. Por isso que estão até hoje ali. É claro que, por exemplo, o Timabuy e os outros artistas ali talvez não dominassem ainda a técnica a ponto de de estarem bem conservadas, ou tenha acontecido alguma coisa que tenha danificado essas pinturas. A gente não sabe, porque nem o Vasari sabia no século XVI o que é que tinha acontecido para ficar desse jeito. Por que a do Timabue estava mal conservada, quase apagada, e a do Giotto estava lá? Talvez, mas somente talvez, tenha a ver com a técnica que ainda não tinha que não estava bem dominada naquele momento, porque muita coisa se perdeu na Idade Média, né, na Europa. Tem muita coisa que teve que ser reinventada, né. Teve coisas que o Leonardo da Vinci teve que fazer de novo, os artistas foram buscar em outros lugares, né. A própria técnica a óleo teve que ser desenvolvida por conta— teve que ser desenvolvida não, né, foi desenvolvida por conta de várias deficiências que eles enxergavam que teria na técnica da têmpera, que era a técnica mais usada até aquele momento e que na Igreja Ortodoxa é usada até hoje. É a técnica da têmpera com douração a ouro, com folha de ouro, com pedras preciosas. Até nos ícones é feita ainda com a tinta à têmpera, ou seja, com base de ovo, misturado com pigmento até hoje. Mas os artistas ocidentais desenvolveram a técnica do óleo, que tem outros tantos recursos bastante interessantes, que levou para o realismo, tudo, para a representação de uma simulação da realidade mais eficiente para aquilo que eles queriam, que era diferente da arte bizantina, da arte que hoje a gente associa Mas é Igreja Ortodoxa, certo? Eu queria também passar uma última coisa para a gente fechar. Em 2024, a Apreciando Arte, que é a minha empresa, o selo sobre o qual eu faço as minhas atividades, estará completando 10 anos. E estamos começando agora, né? Essa aqui é uma das ações. Mas em outubro nós vamos ter vários eventos para começar a comemoração desses 10 anos, né? Eventos online, vou fazer também eventos presenciais na cidade de Piracicaba, também vou fazer em outras cidades que são as cidades onde a gente faz os embarques das excursões: Americana, Campinas, né? E se Deus quiser também São Paulo, né? E em outubro nós temos um evento surpresa, o evento surpresa dos 10 anos, né? Né? Então, dando assim oficialmente o start, né, o começo das comemorações dos 10 anos da PC Andoarte. Tá certo, pessoal, é isso. Então agradeço demais a presença de vocês, espero que continuem acompanhando os nossos eventos, as nossas, essas aulas, né, que são inteiramente gratuitas e que eu faço mesmo para ter esse contato com vocês e levar um pouco dessa história, dessa beleza, para mais pessoas, tá bom? Muito obrigado. Obrigada, Fábio San Juan. Obrigado.
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