Amarelo, vermelho, azul, de Wassily Kandinsky | Como entender Arte Abstrata

This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a YouTube educational video titled "Amarelo, vermelho, azul, de Wassily Kandinsky | Como entender Arte Abstrata" (uploaded 2016-12-27). In this Portuguese-language lecture/presentation the host, professor Fábio San Juan, analyzes abstract art with a focus on Kandinsky — his biography, spiritual and musical influences, phases of abstraction, and a detailed formal and color analysis of Amarelo, Vermelho e Azul (1925). The speaker mentions suggestions from Florips and Cláudia, thanks viewers for likes/shares/subscriptions, and frames the segment as a channel-style art explainer (closing with a teaser for the next video).
Chapters
Bem-vindos a mais um programa Fundamental! Eu sou o professor Fábio San Juan e hoje vamos falar sobre arte abstrata, por sugestão da Florips e da Cláudia. Por que você precisa conhecer a obra Amarelo, Vermelho, Azul? De Wassily Kandinsky. Wassily Kandinsky era um dos muitos artistas que queriam representar o que não é visível, isso no começo do século 20. Aos 30 anos, ele abandonou a carreira de advogado e dedicou-se integralmente à arte. Nós sabemos hoje que Kandinsky não foi o único inventor da arte abstrata no Ocidente, e que cronologicamente foi a artista sueca Hilma af Klint a primeira artista a ter pintado uma série de obras abstratas em 1906. Outros artistas, como Picasso e Kupka, também contribuíram para que os artistas desenvolvessem uma arte do que não pode ser visto, mas que existe, que é a definição mais básica de arte abstrata. Mas sim, foi Kandinsky o principal criador, defensor e divulgador da arte abstrata, do começo do século 20 até sua morte em 1944. Kandinsky buscava o conhecimento do mundo além das aparências através da espiritualidade. Antes de se tornar artista, conheceu pessoalmente o xamanismo de povos siberianos. Anos mais tarde, aderiu à teosofia, doutrina filosófica esotérica fundada por Helena Blavatsky em 1877. Ele começou seu caminho com pinturas que apresentavam símbolos, como o Cavaleiro Azul, que significa tanto São Jorge, padroeiro da sua cidade natal, Moscou, quanto a luta do artista armado de emoção e sentimento contra o mundo materialista. Esse tipo de narrativa simbólica impregnou todas as suas obras no início da carreira. Mas não era suficiente para Kandinsky. Ele queria uma arte que expressasse algo ainda mais profundo do que os símbolos. Ele queria chegar à essência, à disposição dos elementos puros da arte: a cor, o ponto, a linha, as formas geométricas, de uma maneira que o espectador acessasse diretamente dentro de si as sensações e sentimentos que o artista desejava comunicar. No seu livro "Do Espiritual na Arte", publicado em 1912, ele comunica suas intenções em relação à arte que está desenvolvendo: imagens que expressam a atividade mental e espiritual. De uma forma bastante ligada ao idealismo de Platão, que acreditava que existe um mundo onde tudo é perfeito e que o nosso mundo visível é a sua imitação imperfeita, Kandinsky afirmava que antes de tomar corpo e tornar-se acessível aos sentidos humanos, a obra já existe em abstrato. Para a necessária materialização, qualquer meio é bom, tanto a lógica como a intuição. Para chegar a esse objetivo, o pintor utilizou-se inicialmente da linguagem musical como referência. Ele começou a usar em suas pinturas os termos improvisação, composição, harmonia, emprestados da música. Kandinsky também traça associações que chamamos de sinestésicas. Sinestesia é quando os sentidos se associam e expressam um ao outro, como quando dizemos que o gosto da cor amarela é azedo, ou uma linha é áspera, ou um salto de dança é azul. Nós podemos perceber Aqui, nesta pintura Improvisação 6, que as cores são mais importantes que as formas. A vibração que as manchas de cor assumem quando estão próximas umas das outras. As passagens de tons da mesma cor. A proximidade de cores primárias: amarelo e vermelho, vermelho e azul, amarelo e azul. Além de cores complementares: vermelho e verde, por exemplo. Causam contrastes fortes e o quadro todo vibra. Nosso olhar percorre a tela de uma forma muito dinâmica, enérgica, viva. Kandinsky pretendia que a contemplação do quadro fosse similar à apreciação de uma música, que faz vibrar a alma humana. Esta é uma pintura de Kandinsky que representa seu caminho até a abstração não figurativa. Ele experimentou muito antes de renunciar às formas ligadas à natureza visível. Mesmo depois de apresentar o que teria sido a primeira obra inteiramente abstrata da arte ocidental, Primeira Aquarela Abstrata, em 1913, ele ainda produziu muitas obras com elementos figurativos misturados com elementos formais puros, como esta, Moscow I, 1916. Ele tinha receio de abandonar completamente as formas do mundo visível esvaziar de significado as obras chamadas de abstratas. Se a partir de hoje começássemos a romper o laço que nos une à natureza, a nos encaminharmos pela força para a libertação e a nos contentarmos unicamente com a combinação de cor pura e forma livre, criaríamos obras cujo aspecto seria igual ao da ornamentação geométrica, similar a uma gravata ou a um tapete. A beleza da cor e da forma não é meta suficiente para a arte. Quando nos deparamos com Amarelo, Vermelho e Azul, em 1925, Kandinsky já saiu de sua fase abstracionista informal, ou seja, com formas dissolvidas, indefinidas, e entrou em sua fase abstracionista geométrica, que utiliza formas geométricas puras, reconhecíveis e com contornos e áreas de cor mais definidos, como o quadrado e retângulo, triângulos, círculos, planos, linhas, pontos e muitas outras. Em 1922, depois de voltar de um período de 8 anos na Rússia Soviética, aceitou um cargo de professor na cidade de Weimar, na escola Bauhaus, a escola que fundou o design moderno. É o local onde residia e trabalhava quando pintou Amarelo, Vermelho, Azul, em 1925. O artista estabelece na obra o que chamou de equilíbrio dinâmico, Dois grupos de elementos compõem a tela. O grupo da esquerda é composto em sua maioria de linhas verticais e horizontais, posições que o nosso cérebro associa com estabilidade. O grupo da direita é composto em sua maioria de elementos circulares, curvas e linhas diagonais, elementos que nosso cérebro interpreta como instáveis. Os dois grupos têm sua divisão sinalizada pelo sol, situado no meio do quadro, no topo. Quando miramos os outros dois círculos, nosso cérebro forma um triângulo, forma dinâmica, pois é composta de diagonais. O dinamismo do triângulo nos leva, a partir do vértice de baixo, a linha sinuosa marrom à direita, que em seguida nos leva ao círculo azul, ao círculo vermelho, a paleta vermelha em formato quase de cunha, que nos leva à lua rosa, contornada de preto, ao semicírculo traçado em preto, em seguida a série de traços marrons e vermelhos que nos levam finalmente à cunha vermelha que aponta para o centro do quadro. E assim indefinidamente seguimos pelo quadro como se estivéssemos numa estrada sinuosa repleta de uma interessante paisagem que fosse ao mesmo tempo a pista que percorremos. O pintor usa tanto massas de cores com contornos fechados quanto áreas em que a cor é difusa, espalhada, aplicada em degradê. O fundo branco é uma tela em que as cores complementares são projetadas de acordo com a atenção que focamos numa determinada cor. Se contemplarmos por um bom tempo o círculo azul na parte superior da direita, a sua cor complementar, o laranja, irá aparecer no fundo branco nas proximidades. O mais interessante é que Kandinsky puxa o nosso olho para complementar laranja na outra extremidade, que está presente fisicamente e não da forma óptica como se apresenta no fundo branco, o que conduz nossa viagem pelo quadro também através das cores. E assim faz também com os amarelos e violetas, os vermelhos e os pouquíssimos verdes da tela. Se você olhar com tempo e calma, vai formar um significado próprio para o que vê na tela. Essa era a intenção de Kandinsky. Não fechar um sentido único para o que pintava, mas proporcionar ao espectador uma imagem que o levasse além do mundo visível, numa jornada pelos sentidos, pelas emoções e ideias. Kandinsky nos convida para essa jornada como um ponto de partida para viagens ainda mais belas, curiosas e estimulantes. Muito obrigado a Claudia e a Florips que deram sugestão para esse vídeo, e também agradeço muito as pessoas que curtiram, compartilharam e se inscreveram no canal. No próximo vídeo eu vou falar sobre a mulher mais bonita da história da arte. Fiquem ligados!
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