Arte Conceitos Básicos | Curso APRECIANDO A HISTÓRIA DA ARTE | Aula 01 COMPLETA

Professor Fábio San Juan opens a course on art history by asking students what art is, gathering answers like beauty, emotion, and inner expression. He argues art is a non-verbal language that creates parallel realities and gives meaning to existence, present since the Paleolithic, and challenges Eurocentric views of art history.
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Olá, sejam todos bem-vindos, boa noite. Aula inaugural do nosso curso Apreciando a História da Arte. Eu queria agradecer primeiramente à Associação Paulista de Medicina Regional Piracicaba, nas pessoas do Dr. Ricardo Tedeschi Matos, presidente,, e da Doutora Ana Paderniani, diretora social, que me convidaram e me colocaram em contato com vocês para a gente estar fazendo esse curso. Então, sem eles esse curso não seria possível. Então, toda a estrutura do curso é colocada pela APM. Muito obrigado, Doutora Ana, especialmente, Doutor Ricardo, Fábio San Juan, por essa oportunidade, certo? Então essa é a primeira aula do nosso curso. O nosso método, a nossa forma de fazer essas aulas vai ser bem interessante, vai ser bem descontraída, né? É uma aula expositiva, mas como a gente conta com o chat, com esse bate-papo virtual na nossa ferramenta de comunicação online, Nós temos o chat e vocês podem ir fazendo perguntas. Eu vou pedir a intervenção de vocês. Quando eu faço aula presencial, eu gosto muito da participação de quem está assistindo, de quem está participando da aula, da palestra, e é bem interessante, bem legal que vocês participem. Então, daqui a pouco, eu vou pedir a participação de vocês, vocês respondem pelo chat. Eu tô pedindo para que faça dessa forma, de estar testando ainda uma forma de trabalhar online. Eu dou muita aula presencial, mas online é uma das primeiras vezes, com a participação do público, é a primeira vez. Então eu conto com vocês. Eu peço, por favor, que deixe o microfone fechado para que só eu falando Não fique confuso, não fique desordenada. O som, quando fica muito microfone aberto, dá interferência na chamada, né? Então, para a gente fazer uma aula tranquila, para todo mundo participar, peço que vocês participem pelo chat, tá bom? Nós vamos fazer uma introdução aos conceitos que norteiam a história da arte. Esses conceitos são fundamentais para a gente estar vendo a cronologia da história da arte, o que aconteceu primeiro, desde a pré-história até hoje. Mas primeiramente esses conceitos para nortear um pouco, para dar uma base, uma ideia do que nós estamos falando sobre arte. Todo mundo tem uma ideia do que seja arte. Certo? Mas a arte é tão abrangente que se torna às vezes muito difícil dizer o que é arte exatamente, principalmente hoje, no horizonte da arte contemporânea, no momento nosso da fragmentação da arte contemporânea, e que torna difícil às vezes estabelecer alguns limites. Então eu gostaria de colocar para vocês, jogar para vocês, dissessem aí, o pessoal falou no chat, no nosso bate-papo virtual aí do Skype, o que é arte? O que vem à sua cabeça quando a gente fala em arte? O que vem à sua cabeça quando fala em obra de arte? O que você pensa quando a gente fala em arte? O que que é necessário para que você tenha arte? Você vê um objeto, você vê uma imagem e quando você a vê, fala: isso é arte ou não? Isso tem a ver com o conceito que você tem na sua cabeça, com uma ideia do que seja arte, e a partir dessa ideia você vai dizer se é arte ou não, tá? Então, colhendo aí as opiniões do pessoal que falou no chat, Nós temos aí alguns conceitos, algumas ideias, algumas impressões. Então, o pessoal falou sobre beleza, falou em sentimentos, falou que uma obra de arte tem que ter mensagem. Muito bem. Sobre belo, beleza novamente. Arte é expressão do íntimo, certo? Inspiração. Você pensa em arte, você pensa em inspiração, em formas, em emoção, novamente sentimentos, emoção, proporção, materialização dos sentimentos, falar sem necessariamente usar palavras, isso é bem interessante, né? Prazer, sobre prazer, sobre se emocionar novamente, Aí eu coloco para vocês a questão do— então você vê aqui, talvez uma predominância da questão da beleza, da emoção, do sentimento. Quando hoje nós falamos em arte, muita gente vai dizer sobre questão de sentimentos, sobre emoção. Será que arte é só emoção? Será que arte é só sentimento? Não que seja pouco, né? Mas será que quando a gente vê uma imagem como essa que vocês estão vendo na tela, que é do Mondrian, que é artista abstrato do século 20, nós estamos mostrando para vocês aí uma imagem que tem linhas retas, só tem linhas retas, não tem linhas curvas, você tem aí cores somente primárias, azul, amarelo e vermelho, branco, esses campos em branco, um cinza claro e o preto das linhas, tudo bastante, vamos dizer que, vocês acham que isso tem a ver com sentimentos? Será que essa imagem, será que o artista está preocupado com o sentimento? Porque quando a gente fala em sentimentos, será que a gente não pensa uma profusão de cores, muitas cores, algo um pouco desordenado, né, porque os nossos sentimentos normalmente podem ser ordenados, claro, mas normalmente a gente fala de algo mais subjetivo, de algo mais difuso, sem limites muito claros. Então, está vendo uma imagem que tem limites muito claros, né? Tem bordas muito duras, você tem campos de cor delimitados por linhas bastante marcadas, né? Então, será que isso aqui não tá falando de algo menos sentimental, apesar das cores trazerem isso para gente, mas de uma forma muito ordenada? Vamos dizer que se houver um sentimento aqui, é um sentimento bastante ordenado. E quando a gente fala em ordenação muito precisa, muito rígida, nós talvez estejamos falando mais de razão, estamos falando mais de uma ordenação racional, muito menos do que uma ordenação sentimental ou perceptiva ou uma ordenação emotiva, certo? Então, Nós estamos falando aqui de razão. Talvez esse quadro fale muito mais de razão do que de sentimento, embora possa haver um sentimento aí também trazido pelas cores, principalmente. Então, arte também pode falar de razão, certo? Então, como vocês mesmos falaram, né? Tem mais coisa aqui, pessoal falando da afirmação da beleza, claro. E essa beleza pode ser emotiva, emocional, racional, perceptual, né, perceptiva, sensória, dos sentidos. Olha só, por que a vida não basta? Isso é bem interessante, hein? Tem coisas para as quais a palavra não é suficiente. Exato, que tem a ver com a outra afirmação que a pessoa fala de falar sem necessariamente usar palavras, certo? É uma forma de falar sem usar palavras. Isso é bem interessante, nós vamos falar disso daqui a pouco. Acho que a compreensão depende da cultura de quem aprecia. Muito bem, muito bem. Aí a pessoa, outra pessoa já responde: acho que não, porque a arte está atrelada ao contexto social histórico. Aí já tem uma réplica, uma tréplica talvez. Depende o que você busca ao ver a arte, entender o artista ou a si mesmo. Muito bom, muito bom. Muitos certamente não captam o significado, pois não viveram certos momentos, não progrediram para certo nível de desenvolvimento, não conseguem traduzir, pois não faz sentido para eles, literalmente falando. Então, muito bem, nós temos aí várias ideias, várias impressões sobre o que é arte para vocês, né? Cada um na sua ideia, cada um a partir da sua experiência, da sua percepção, da sua sensibilidade, dizendo o que que acha, o que é arte, o que para si é arte. Então, vamos Vamos, a partir disso, vou dizer para vocês o seguinte: tudo isso que vocês falaram tem a ver com arte. Muitas dessas ideias fazem parte, têm que ser levadas em conta quando a gente fala de uma definição de arte. E definição nada mais é do que colocar esses limites para a gente realmente dizer: até aqui é arte, daqui para frente não é arte, ou antes disso não é arte. Então, uma delimitação dentro de um campo de experiência, dentro daquilo que está sendo mostrado em termos de imagem, no nosso caso das artes visuais, do que é arte ou não. Até mesmo porque no estudo da história da arte, se você vai estudar o que é arte, se você vai estudar a arte através do tempo, A gente precisa saber o que é arte e o que não é para a gente saber o que a gente está estudando, certo? Mas enfim, ainda vamos deixar em suspenso essa definição de arte para a gente falar, para a gente ainda não entrar no como, ou seja, o que é, o que é arte, né? Aquilo que você olha e vê se é arte ou não, saber como identificar o que é arte. E vou falar com vocês, vou colocar para vocês, vou fazer uma pergunta, refletir junto com vocês o porquê da arte. Gostaria de colocar para vocês por que nós fazemos artes, por que nós fazemos arte. Nós, no caso, somos nós seres humanos, a humanidade, nós todos humanos estamos fazendo arte por quê? Por que que A arte existe. Por que a arte existe? O que que vale dizer? Por que que o ser humano se expressa artisticamente? Por que ele tem essa necessidade de se expressar artisticamente? No nosso caso, das artes visuais, por que que nós temos a necessidade de nos expressarmos com imagens? Por que que nós temos necessidade de consumirmos essas imagens? No nosso caso de hoje, né, Na atualidade, nós somos inundados por imagens, principalmente pela internet, muito vídeo, muita imagem mesmo, muita carga visual. Lógico que tem o áudio também, tem a música, você tem a falação, né, as pessoas falando muito, né, você tem essa onda de podcasts pelo YouTube, mas também os vídeos, né, o próprio YouTube é um— se fosse só o áudio, as pessoas falando, seria uma rede de áudio, principalmente, não de vídeo também. A gente tem necessidade de ver as pessoas falando, não só ouvi-las. Então, por que nós temos essa necessidade? Eu vou partir de duas constatações que foram firmadas pelas ciências humanas, através das pesquisas que foram feitas até hoje, que constatam o seguinte, duas coisas: a primeira, É: todos os grupos humanos, as tribos, povos, culturas, sociedades existentes no planeta possuem arte. Todos esses grupos que existem hoje, 2021, todos sem exceção possuem arte. E a segunda constatação, a primeira é sobre a atualidade, todos os seres humanos hoje possuem arte de uma forma ou de outra. E a segunda constatação, na história, naquilo que nós constatamos, tudo que nós pesquisamos até hoje, desde o começo da humanidade existe arte. Então nós conseguimos identificar imagens artísticas, obras de arte, desde 40.000 anos antes de Cristo. Datadas de 40 mil anos antes de Cristo, Paleolítico Superior, ou seja, desde a pré-história nós temos manifestações de arte na humanidade, tá? Então todos os grupos humanos possuem arte e na história a maioria, não vou dizer todos, porque no comecinho da espécie humana a gente ainda não tinha arte, nós vamos ver por quê daqui a pouquinho. Então, existe arte, a arte sempre esteve presente conosco, tanto individualmente, nós todos desde que somos muito pequenos, na nossa sociedade, mesmo os mais velhos até os mais jovens estão sempre com a arte presente de alguma forma, e na história também os seres humanos sempre estiveram acompanhados da arte, né? Então não existe nem lugar no mundo e nem pessoa que não tenha tido contato com arte de alguma forma, tá? Então nós podemos afirmar com bastante segurança que a arte é algo fundamental para o ser humano. A arte é algo sem a qual o ser humano não vive, tá? Mesmo as pessoas que dizem que não gostam de arte, elas precisam de arte, elas Elas utilizam a arte, elas não vivem sem arte. Quer ver uma coisa? Já teve muita gente que chegou para mim, falou, né, lá motorista de Uber, motorista de táxi, ou outras pessoas dizendo que não gostam. Ah, eu não gosto de arte, né? E aí essa pessoa tava no carro e a pessoa com rádio ligado tocando uma música. Música sertaneja, provavelmente, não lembro exatamente, mas é interessante ver que no momento que ela estava falando que gostava de arte, ela estava ouvindo música. Música, qualquer tipo de música, não importa qual seja, se é música clássica, música sertaneja ou funk, é música. Se é de boa qualidade ou não, aí já é outra história, não deixa de ser música, não deixa de ser arte. Ou a mesma coisa, Uma outra pessoa falou: "Ah, não gosto de arte." Aí eu perguntei para ela: "Você gosta de assistir filme? Você gosta de ir ao cinema? Você gosta de assistir coisa Netflix?" Ela falou: "Gosto, claro." Então você gosta de arte. "Ah, mas..." É, isso é arte. Cinema é arte, televisão é arte, séries de TV são arte. Série de boa qualidade não, é outra história. Ou então pessoas que gostam de combinar roupa. Quando você tá combinando a roupa, você tá procurando uma harmonia nas cores das roupas, na listra, na bolinha, nos padrões, no sapato que combina, na maquiagem que você faz para combinar com a roupa, ou vice-versa. Isso tem a ver com arte também, certo? Ou os homens que gostam de carros. "Ah, você não gosta de arte, mas tá ligado em vários carros." E tenho certeza disso, porque eu já vi isso também. Falando: "Nossa, mas esse carro é bonito, hein? Esse carro é bonito." Quer dizer, tem alguma coisa a ver com arte. Então, tudo isso tem a ver com arte. Tudo que as pessoas disseram, que eu vi mostrando que elas gostavam disso ou aquilo, tudo isso, se não tivesse a arte, jamais existiria dessa forma. Então todas essas manifestações que eu mostrei, independente da qualidade ou não, elas dependem da existência da arte. Mas por que que é assim? Mesmo porque até as pessoas que dizem não gostar de arte, elas precisam da arte, elas precisam dela. E vamos ver mais uma coisa que é bem interessante, que assim, isso vamos dizer que seria o mais básico, mas ainda tem umas pessoas mais loucas que não conseguem ficar sem fazer alguma coisa que tem a ver com uma pintura, uma escultura, por exemplo, pessoas que gostam de pintar pano de prato, sei lá, compra imagem de gesso para pintar, porque quer enfeitar a casa, gosta mesmo de fazer um artesanato, de fazer bijuteria, né? Bijuteria não, hoje não pode mais falar assim, tem que ser semi-joias. A semi-joia, fazer algo bonito, mas com pedras coloridas para enfeitar a si mesmo, né? Ou para deixar mais bonitas pessoas. Por que que tem algumas pessoas que têm a necessidade de pegar uma lata de spray e pintar um muro, né? Ah, isso é vandalismo, dizendo. Às vezes é escrever alguma coisa, escrever um nome, escrever alguma coisa, ou fazer um grafite, fazer um desenho, blá blá blá. É a mesma necessidade, é a mesma, o mesmo impulso que leva uma ou outra, né? E pior, né, pior, tem gente mais maluca ainda que consegue fazer umas coisas, consegue pintar uns quadros, consegue pintar algumas coisas ou esculpir outras, consegue fazer design de prancha de surf ou desenho em skate, né, prancha de skate, ou outras tantas coisas e acabam ganhando a vida com isso, paga as contas com isso, tem gente louca que vai e compra isso e consegue viver disso, não vai trabalhar, né, não vai trabalhar com profissões socialmente respeitadas, né, como ser engenheiro, médico, etc., mas vai fazer arte, né, vai fazer Essa coisa maluca que os nossos pais detestam quando falam que você vai fazer faculdade de arte, mas é porque provavelmente na cabeça deles está colocado que você não gosta muito de trabalhar, braço curto, né, vagabundo, coisa pior. Mas tem gente que consegue superar isso e ganha vida com isso. Então, por que que socialmente você acaba ainda achando o seu nicho, você acaba achando o seu lugar E acaba sendo aceito porque as pessoas precisam de arte. Vamos seguir uma pista para a gente saber lá do começo, lá do começo da história da humanidade, por que que chegamos nisso, no momento que é necessário a arte, né? As pinturas, as esculturas, né, então as pinturas na caverna, as primeiras esculturas das Vênus, as deusas-mãe da pré-história, elas surgiram um pouco depois do surgimento dos idiomas falados, das linguagens faladas. Depois do surgimento da linguagem falada, o ser humano consegue dar um salto no domínio do ambiente. Então ele consegue usar a linguagem falada, o idioma, para organizar-se socialmente. Então, imagina só, de uma tribo que caçava, já eles falando, quando eles começam a falar, eles conseguem organizar essa caça melhor, eles conseguem se organizar socialmente de uma forma mais eficiente, para que com a fala, mesmo de forma rudimentar, não tão sofisticado como hoje, eles consigam se organizar, você dá comandos de um para os outros, você combinar que caminho você vai pegar. Imagina a complexidade de você combinar dentro do grupo: "Olha, nós vamos ficar aqui, vocês vão dar a volta atrás da árvore para a gente cercar aquele bicho que a gente vai caçar." Quando eu falar já, todo mundo solta a lança ou solta a flecha no arco e flecha, sei lá, alguma coisa assim. Olha só, isso é complexo. Imagina um bicho fazendo isso, é muito difícil ou na verdade é meio impossível, porque nós temos linguagem falada, nós conseguimos falar do futuro, nós estamos planejando algo, quer dizer, nós estamos prevendo o futuro colocando a ação no futuro para que todo mundo faça de acordo com aquilo que a gente combinou através do idioma, através da linguagem falada, certo? E daí isso evolui para quê? Isso evolui para depois que se descobre a agricultura, quando o homem se fixa na terra, e você combinar, e tudo isso através da linguagem, combinar o funcionamento de uma cidade, por exemplo, uma cidade pequena. Mesmo uma cidade pequena vai exigir um tanto de instruções, de combinados através dessa linguagem falada, que é muito complexo, mais complexo ainda. E a linguagem então vai se refinando a partir do momento que é necessário você organizar a cidade. O que isso tudo tem a ver com arte? Essa linguagem, essa linguagem falada, ela servia muito bem para descrever o cotidiano, a realidade concreta. Mas ela começou a fazer o quê também? Começou a descrever uma realidade não concreta, uma realidade que as pessoas começaram a perceber que existia, mas que ela não era visível, não era algo como se fosse palpável, era algo que estava onde? Estava na cabeça das pessoas. Então o ser humano começou a perceber que dentro da sua mente, do seu espírito, como queiram, existia um mundo que não estava, que não podia ser pego com as mãos, mas podia ser pego com uma coisa que era a linguagem. Então esse mundo Esse mundo não concreto, mais real, existente, começou a ser descrito com a linguagem falada também. Olha só que interessante! Começou-se então usar essa linguagem que foi desenvolvida primeiro com uma finalidade prática, utilitária, de organizar a vida, de você apontar para as coisas. Quando você tem um grupo, fala: "Olha lá, pegue pegue aquele galho, como que você tem que dar um nome de galho, né? Todo mundo tem que fazer um combinado para chamar, todo mundo chamar aquele objeto de galho, aquele ser de árvore, aquele ser de elefante, aquele ser de girafa, etc., de leão. Quando você começa a descrever o mundo o mundo da mente, o mundo do espírito, você começa a achar explicação além. Então assim, olha só, o ser humano já desde o início, quando começa a se apossar, começa a inventar, criar as linguagens, as linguagens faladas, né, as linguagens verbais, e começa a já procurar explicação das coisas, começa a procurar O porquê das coisas, porque ele tem uma curiosidade que a gente não sabe de onde vem exatamente, mas aí todo mundo vai, enfim, aí nós temos a filosofia para tentar explicar isso, mas essa curiosidade de se perguntar: "Puxa, eu tô aqui, vivo, por que eu tô aqui? De onde eu vim? Antes de eu nascer, o que aconteceu?" Depois que eu morrer, para onde que eu vou? Será que eu vou para um outro lugar? E quem mantém esse mundo todo que a gente vê? Quem é que colocou ordem nas coisas? Nós temos os predadores, nós temos os animais que nos caçam e nós caçamos outros animais. E temos as plantas, temos o sol, temos a nuvem, a lua, o mar, a água, o lago, rio, etc. Etc. De onde vem isso tudo? Quem criou isso? Nós chegamos aqui e já existia isso tudo? De onde veio? O ser humano usa linguagem para tentar descobrir. E isso dá origem a quê? Dá origem a outras séries de linguagens, que é a ciência, é a religião, é a filosofia, a astronomia, vários outros campos de conhecimento humano. Que são linguagens organizadas, todas partindo da linguagem falada, que se servem de outros elementos para— Essas linguagens acabam trazendo junto de si um acréscimo à realidade concreta que é uma espécie de realidade paralela, né? Digo paralela porque está correndo junto com a realidade concreta. A realidade paralela que eu estou falando, que é criada com a linguagem, é uma espécie de realidade aumentada que você enxerga o mundo concreto sem a crueza do mundo concreto, porque acrescenta o mundo que está na sua mente, que foi criado com a linguagem. Deixa eu explicar melhor. Então, quando você acredita em uma determinada religião, você passa a ver o mundo concreto com outros olhos. Você começa a ver, então, um homem pré-histórico que organiza determinado momento, está organizado uma religião em que a explicação, Hoje a gente chamaria isso de uma religião xamânica, uma religião primitiva, entre aspas, em que olha para tudo como tendo uma alma, sendo sagrado. Então, o rio é sagrado e tem uma personalidade, assim como a pessoa tem uma personalidade. A lua, o sol, as nuvens, as estrelas, os animais, principalmente, Todos com uma personalidade, com uma história, com uma vivência, com uma missão, com um propósito, né? Tudo isso então modifica a forma como a pessoa vê o mundo. Assim como a religião cristã, muçulmana, judaica, qualquer outra religião, qualquer religião que você adote, muda a forma de você encarar o mundo concreto. Você vê também o mundo não visível dando sentido para aquilo tudo que está na realidade concreta. Visível, palpável, certo? Isso é uma espécie de realidade paralela. Por que que eu tô colocando isso? Porque isso é algo que tem a ver com a cultura. Então essas realidades paralelas são, eu vou chamar todas elas, né, uma determinada cultura, uma cultura humana, uma cultura de determinado grupo humano Como por exemplo, aqui nós temos hoje no Ocidente, Brasil, nós temos uma série de linguagens, umas que nós aprendemos em casa, na família, outras que nós aprendemos na escola, outras que nós vamos aprendendo pela vida afora. Alguns de nós aprendem algumas outras linguagens, outros não aprendem, aprendem outras. E esse conjunto de linguagens, vamos dizer que é a cultura brasileira. Ou então como a cultura esquimó, que vê o mundo de uma forma completamente diferente. Essas linguagens então, essas linguagens que ajudam o ser humano a enxergar o mundo, a explicar o mundo, a dar um sentido para o mundo, dar um propósito até para o mundo, nós vamos chamar então de cultura. Linguagens que são inventadas, desenvolvidas, criadas pelos seres humanos para explicar o mundo à sua volta e as formas de mexer, de se relacionar com esse ambiente externo, externo à mente, externo ao seu corpo, ou às vezes mesmo com seu próprio corpo, certo? Bom, uma cultura, todos os seres humanos são culturais, aliás, É uma das coisas, vamos dizer, a coisa, o elemento por excelência que nos define como seres humanos. Um ser humano sem cultura, vamos supor que fosse possível, como houve alguns poucos casos durante a história, de crianças criadas na selva ou lugares inóspitos, foram criadas por animais, que não são humanos. Eles têm corpo humano, Eles têm um cérebro humano, mas não receberam uma educação, uma formação, um desenvolvimento na infância até a idade adulta de uma cultura humana. Então eles não são humanos no sentido da cultura. Então a própria aquisição da linguagem falada, do idioma, da leitura de imagens, da leitura musical, da forma de perceber as coisas dentro de uma sociedade organizada de regras sociais, regras de convivência, aquilo que você precisa do ambiente, como é que você consegue isso, tudo isso é cultura, né? A forma como você consegue alimento, como você se protege numa casa, numa choupana, em qualquer lugar, uma uma cabana, como você vai atrás do parceiro, né, sexual que seja, como você mexe com a sua afetividade, suas emoções, seus sentimentos, enfim, como você utiliza todo o potencial do seu cérebro, do seu corpo, do seu espírito para se realizar como ser humano. Tudo isso se dá através da cultura. Se você não tem isso, você não é humano plenamente, no sentido pleno da palavra. E olha só, você pode fazer algumas coisas, algumas coisas que você poderia fazer simplesmente por fazer, mas sempre existe algo que é o significado. Então, a cultura não só providencia ferramentas, formas, procedimentos para você prover as suas necessidades básicas, mas também prover as necessidades da sua mente, do seu espírito. Olha só, quando você, vamos supor, você coleta da natureza, você tá numa ilha deserta, você depois que proveu todas as suas necessidades básicas, você quer pintar uma imagem. Olha só que interessante, Quer pintar uma imagem, você dá um jeito de fazer uma casca de palmeira que você possa pintar em cima dela, vai atrás de alguma fruta para fazer tinta, faz um pincel de cerda de fibra de coqueiro e acaba pintando uma imagem. Essa imagem você acaba pintando a imagem, se você for um bom desenhista, se pintava antes disso, né? Tenta fazer uma imagem do seu pai, da sua mãe ou da sua pessoa amada que está longe, não está com você, e aí você acaba fazendo um retrato. Esse retrato tem um significado, ele não é só uma imagem, não seria algo, por exemplo, que você fizesse como um sinal de trânsito, que é uma imagem, mas ela não tem significado mais profundo, vamos dizer assim, embora tenha um significado também de prestar uma informação social. Você tem que virar obrigatoriamente à esquerda, que é a mão de direção do automóvel, dos veículos motorizados, do trânsito da cidade. Assim como outras ferramentas, você pode usar seu corpo para cantar, por exemplo. Você não precisa de nenhum instrumento musical, você pode assoviar, cantar e inventar uma melodia ou cantar uma melodia que você aprendeu com outra pessoa, seja pessoalmente ou seja por meio de um vídeo, da televisão, cinema. Você canta ou ouve aquela melodia, aquela melodia, sei lá, em algum momento você está cantando, por exemplo, na igreja, e as pessoas vão usar aquela percepção da sua melodia como algo que para elas vai levá-las a Deus, vai levá-las perto do sagrado. Então, aquele significado que vai além dos sons que você tá gerando com a sua melodia, com a sua canção que você tá cantando. Enfim, e tudo isso pode ser usado para essas ferramentas, a modificação do ambiente, de materiais da natureza ou do seu próprio corpo, você pode usar para transmitir um significado, seja algo que leve ao sagrado, ensine, transmita um ensinamento, uma técnica, uma ferramenta. Você pode usar um vídeo para ensinar alguém a pintar a óleo, você pode fazer um vídeo para ensinar alguém a preparar melhor o alimento para aproveitar melhor os vegetais que você compra na feira, né, por exemplo. Ou você pode usar a linguagem falada para contar uma piada para que as pessoas riam, né. Tudo isso. Vocês veem então que a cultura e a arte especificamente, né, elas estão sempre cheias, repletas de significados o tempo todo. E quanto mais, aí eu vou falar de qualidade, quanto mais significados você possa extrair de uma obra de arte, de uma imagem, de algo cultural, mais importante aquilo é, mais sentido vai fazer para as pessoas, aquilo vai ter mais qualidade, porque já ouviram falar daquele filme tem várias camadas de entendimento? Então essa pintura renascentista tem várias camadas de entendimento, várias camadas de interpretação, Isso é uma obra plena, repleta de significado, certo? É algo que você pode extrair muitos significados e quanto mais for possível isso, mais importante, mais relevante vai ser para as pessoas, certo? Então essas linguagens da cultura têm a ver com significado, porque significado, elas podem ajudar a nos dar significado para vida, né? Seja, aí falando de cultura de forma mais geral, não só de arte, né? Seja uma religião, seja a ciência, seja a vida no magistério, na docência, seja atividade artística, seja o esporte, tudo isso é cultura, isso é cultural, né? Então se você caminha todo dia, é uma atividade física. Agora, se você caminha para poder ter uma vida mais saudável, isso não só é físico quanto é cultural, né? Então, isso vai dar sentido para sua vida? Ótimo, né? Essas ferramentas culturais, o que a cultura nos fornece, nos ajuda a dar sentido para a vida. Não vou dizer que isso dá o sentido em si, mas elas ajudam a chegar ao sentido da vida, certo? Então, o que nós podemos dizer, podemos chegar à questão da arte, de uma definição, uma definição, uma primeira definição de arte que é interessante a partir desse conceito de cultura que eu tô colocando para vocês. Eu achei importante falar disso porque a cultura nos dá ferramentas para encontrar significados para as coisas, né, de fazer relações entre uma coisa e outra, né, através de uma linguagem, através de linguagens verbais e não verbais. No caso da arte, é uma linguagem não verbal, vamos falar da arte visual, é uma linguagem não verbal, uma linguagem visual, certo? E então o que que nós poderíamos falar juntando essa questão da linguagem não verbal e do significado. Vamos chegar então a uma definição provisória e primeira sobre arte. Então, arte seria a atividade humana desvinculada da sobrevivência imediata, que nos estimula através das suas manifestações, através das suas ferramentas, através daquilo que nos apresenta, Apenetrar numa realidade paralela à realidade concreta, que dá sentido a essa realidade concreta, né? Para a gente construir uma realidade que incorpora os elementos da realidade concreta, que é inescapável, a gente não pode fugir dela, e com essa realidade paralela, né? Para que nós encontremos, para que nos ajude a encontrar significados, para a gente encontrar um sentido das nossas vidas, tanto coletivamente quanto pessoalmente, certo? Então, isso por enquanto vai abranger o que nós estamos querendo falar de arte. Gostaria de colocar isso para vocês porque acho muito importante, acho muito interessante, depois de Depois de 20 anos de docência, que eu estou completando esse ano, chegar nesse sentido através dos meus estudos, através das minhas reflexões, das minhas conversas, da minha experiência na área artística, que é anterior inclusive à docência em história da arte. Eu sou artista desde 1993, pelo menos. E usar, chegar nesse ponto de se identificar a arte como uma das ferramentas culturais que nos ajudam a encontrar um significado, um sentido para a vida. Enfim, então, colocado isso, gostaria de passar para o seguinte ponto da questão da arte atemporal ou universal. Muita gente pergunta, né, será que existe uma arte que possa ser apreciada em todos os lugares do mundo? Será que todos os lugares do mundo, você levar uma determinada obra de arte, todo mundo vai entender, todo mundo vai gostar, todo mundo vai apreciar a obra de arte, né? Será que existe uma arte que seja universal, ou seja, todo mundo olhando vai gostar, vai interessar, vai gerar interesse para pessoa, não importa se é um brasileiro, se é um esquimó, um aborígene da Austrália, ou um siberiano, um japonês, um africano, um pigmeu, etc., um indígena brasileiro, etc., todas as pessoas tem a mesma percepção, o mesmo interesse, o mesmo, ou até mesmo o mesmo gosto por determinadas obras, a gente poderia dizer então que essas obras são melhores que as outras? Vamos dizer: essas são as obras-primas universais? Tem a ver com, a gente viu esse momento, tem a ver com significado. Será que essa imagem sendo colocada à frente de uma pessoa, não importa de que cultura seja, vai gerar um significado? Será que vai gerar o mesmo significado? Será que tem que gerar um significado o qual a pessoa tem que ser preparada previamente para que seja alcançado? Ou seja, será que a pessoa tem que ser educada para alcançar determinados significados a partir daquela imagem? São boas perguntas, certo? São perguntas interessantes. Será que o artista quer passar uma mensagem específica e essa mensagem tem que ser entendida em todas as épocas e lugares que essa obra de arte for apreciada? Olha, vou colocar para vocês o seguinte: qual é o entendimento hoje dos especialistas? Vocês até falaram pelo chat que não, né? Olha só, se fosse há 30 anos, se eu fizesse essa pergunta numa sala de aula, provavelmente muita gente ergueria a mão e diria: "Sim, existem grandes obras-primas que, por exemplo, do Leonardo da Vinci, Michelangelo, ou de outros artistas até, que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, ia gostar." ou tem que gostar. As pessoas educadas, as pessoas têm uma boa educação, elas entendem isso. Não importa se seja japonês ou seja norte-americano, ou seja até um aborígene, né? Diriam sim, ah, sim, existem normas que são universais. Hoje vocês mesmos aí pelo chat, né? Hoje nós temos um mundo É interessante, né? 30 anos não é tanto tempo, mas a gente teve uma mudança na percepção, porque hoje nós temos um mundo mais multicultural, né? Ou que seja, vamos dizer, um mundo com uma cultura globalizada bastante influenciada ou formada pela cultura europeia e norte-americana,, mas que tem elementos de várias culturas aí, né, rodando nesse mesmo software. Então, a tendência hoje dos especialistas, consenso até, não é nem tendência, especialista dizer que não, não existem obras com uma percepção, um entendimento, um gosto atemporal e universal, tá? Porque nós não entendemos e a arte da mesma forma, porque nós partimos de culturas diferentes. Então mesmo um árabe que tenha sido educado além da sua própria cultura, tenha sido educado numa cultura ocidental, ele tem o substrato, ele tem o fundo, ele tem a base da sua cultura local. Isso altera as percepções. Ou mesmo um indiano lá de de tantas etnias que existem na Índia, que nem tem tanto contato com a cultura ocidental, minimamente, com a superfície, com algo superficial da cultura ocidental, não vai gostar tanto da Mona Lisa, não vai gostar tanto de obras do Renascimento, muito menos de arte contemporânea atual, porque não tem, não veio dessa cultura da qual se partiu para produzir essas obras. E mesmo assim, de uma cultura para outra, estou falando hoje, no mesmo tempo e de tempos diferentes. Até um europeu do século, do começo do século 20, vai perceber a própria arte renascentista de uma forma diferente do próprio renascentista do século 16. Então há épocas diferentes até dentro da mesma cultura, elas têm uma percepção diferente, porque as culturas também se desenvolvem, elas têm uma— eu não estou dizendo que é melhor ou pior aí nesse caso, elas têm uma diferenciação ao longo do tempo, então existem percepções diferentes, basta ver por pessoas de épocas diferentes escrevendo sobre determinadas obras de arte, você vai perceber dentro da cultura europeia a diferença de percepção entre uma época e outra. Então, não se trata de dizer que existem códigos ocultos em determinadas obras, como Código da Vinci, que é uma obra de ficção, não é um tratado, não é uma É uma ideia colocada numa obra de ficção para movimentar um enredo. Mas a ideia de um código da Vinci, ela é totalmente desconsiderada pela história da arte, tá? Os historiadores da arte não levam essa ideia a sério. É uma história de ficção. Então, a questão dos códigos ocultos, elas não são muito consideradas. Embora tenha, sim, algumas obras de arte que você precisa do quê? Você precisa da linguagem, de certas linguagens da época, foi feito para entender. Por exemplo, a obra que eu coloquei na tela é de um artista italiano chamado Giorgione, que é A Tempestade, que é um nome, é um nome, vamos dizer, aleatório, foi colocado muito depois da produção da obra, que foi atribuído, porque até hoje não se sabe qual é o tema da obra. Então ela não bate com as obras da mesma época que retratam mulher com uma criança, amamentando uma criança, né? Poderia dizer: ah, é a Virgem Maria. Mas a Virgem Maria, em 100% dos casos dos outros quadros que são apresentados, que nós conhecemos hoje, nenhum deles ela é representada assim, seminua ou quase nua amamentando o Menino Jesus dessa forma, nesse contexto. Não tem os outros sinais do código sacro, das representações sagradas, não tem esses elementos que vocês veem aí, né, o céu, do rascunho, esse céu de tempestade, esse camponês e outros elementos não existem. Então, provavelmente, quase certamente, não é a Virgem Maria. Já foram colocadas tantas outras hipóteses, figuras mitológicas gregas, enfim, e ninguém chegou a uma conclusão até hoje, depois de 400 anos de análise desse quadro. Nós perdemos o código, ou seja, se não fosse uma carta de um cliente pedindo uma encomenda para os Giorgioni, que batesse com os elementos desse quadro, nós poderíamos dizer: ah, esse quadro representa tal tal coisa porque o cliente tal pediu, fez uma encomenda. Nesse caso não, nós não temos essa chave de leitura. Outro lugar que nós temos imagens bastante enigmáticas, que nós perdemos o código, foi, vocês estão vendo aí na tela, as Linhas de Nazca Vocês já ouviram falar dessas imagens? São imagens gigantescas feitas no deserto do Peru pela civilização Nazca, que existiu lá. É uma civilização anterior aos Incas, que existiu entre 500, mais ou menos 500 antes de Cristo, até 500 depois de Cristo. Depois ela foi assimilada pelos outros povos. E se houve essas imagens, Uma imagem de beija-flor, imagem de macaco, imagens de pessoas ou até imagens que a gente nem sabe exatamente o que está sendo retratado ali, mostrado ali, está sendo figurado, mas tem algumas com 50 km de extensão e imagens que só podem ser vistas do alto, quer dizer, ela foi descoberta só na década de 1920, por um aviador que estava passando pelo local e viu as imagens vistas de cima, e viu aquilo que ninguém tinha se dado conta ainda que existiam. E daí se descobriu outras imagens, e até hoje você fazendo escavações, tirando terra, areia que está por cima, rochas, você descobre outras imagens ainda. Qual a finalidade dessas imagens? O que elas querem dizer? Já foram colocadas muitas hipóteses astronômicas, pessoalmente, e observação astronômica coincidência com observações astronômicas, mas não se chegou a uma conclusão ainda, porque você não tem a chave de leitura dessas imagens, né? Evidentemente que você ter a cultura de uma época literatura, as artes, a própria ciência, o que se fez nessa época, tentar até reconstruir a mentalidade das pessoas de determinada época, ajuda e muito, ajuda enormemente a interpretar uma obra de arte. Mas temos que ter em mente, nós temos que ter em mente que Nós temos que ter em mente que existiu sim uma interpretação para época, existiu até em alguns casos, nos casos em que nessas culturas o artista como indivíduo tem a possibilidade ou se tem a própria exigência interna ou social de que o indivíduo projete a sua opinião, a sua forma de expressar individual na obra de arte. Muitas das culturas antigas não têm isso. Você tem significados muito mais coletivos do que individuais. Então você vai ajudar estudando a cultura dessa época, desse povo, dessa cultura, você vai conseguir entender o significado daquela época ou do artista colocou. E existe outra coisa, que é o significado atual. Olha só que interessante! Nós temos como, penetrando na história, adentrando na mentalidade desses povos, tentar saber como eles pensavam, como sentiam, como era o cotidiano deles, qual a função das obras de arte, das imagens artísticas nas suas épocas, Mas nós não temos como desvincular-nos totalmente da nossa percepção de pessoas do século 21, com tecnologia, com a nossa cultura, desvincular nossa forma de perceber, sentir, gostar dessas imagens do passado. Tanto que existem imagens que já estiveram na moda, artistas foram considerados grandes artistas que hoje não são tão considerados assim, que não são tão incensados, não estão mais na moda, e outros que foram resgatados do esquecimento e que hoje têm uma fama que talvez se o próprio artista estivesse vivo se surpreenderia de ser famoso hoje, né? Então você vai ver o próprio Van Gogh, talvez seja o exemplo mais forte nessa direção, de um artista que foi quase que ignorado, totalmente, do grande público, que depois que morreu teve a sua promoção efetuada pela sua cunhada, mulher, esposa do Theo, que é irmão dele, que levou a obra do, promoveu a obra do Vincent van Gogh e acabou inserindo essa obra no gosto do público e as pessoas passaram a conhecer e amar a obra do Van Gogh de uma forma que quando ele estava vivo não aconteceu. Então você vê a diferença de um lugar, de uma época, não tão distante assim da outra, em termos de percepção, de aceitação e de incorporação dessa obra essas imagens à cultura. Então, falando da história da arte, falando da questão de por que que nós organizamos as obras no tempo, né? Falei de percepção, falei de significado, né? A questão como nós percebemos as obras, como nós atribuímos significado, como nós colocamos um significado a partir dessas imagens. Eu vou colocar aqui de forma bem sucinta o seguinte: a forma de organizar as obras no tempo. Olha, parece óbvio, ou quase óbvio, nós falarmos de história da arte quando alguém teve a ideia, lá no século XVI, de falar das obras de arte ao longo do tempo, quando olhou para o passado e viu que você tinha uma sucessão de artistas que levaram a arte a enxergar um desenvolvimento de algo que era mais simples para algo mais complexo. Ou seja, em termos de século 19, vamos dizer assim, de algo darwinista, você poderia até falar de evolução. Estou dizendo dessa pessoa, dessa pessoa que enxergou isso lá no século 16, que era o Giorgio Vasari. Então, enxergou lá dos artistas desde o Giotto, lá no século 13, até o Michelangelo, vários artistas que foram desenvolvendo ferramentas dentro do que depois chamou de Renascimento Italiano e que levou ao desenvolvimento, à evolução da arte ocidental, da arte, no caso ali, Ele estava falando da arte italiana, ao seu auge, seria o ponto máximo da arte possível de ser alcançado, que era Michelangelo. Depois de Michelangelo, para ele, só haveria decadência ou haveria a obrigação dos artistas imitarem o mestre para que fossem muito bons, fizessem uma arte relevante para as pessoas. Essa visão foi desenvolvida, essa visão da história da arte, né, de uma cronologia dos artistas no tempo, das obras de arte no tempo, foi desenvolvida até a gente chegar à nossa moderna noção de história da arte, de você encaixar as obras de acordo com a cronologia, de acordo com a passagem no tempo, aí desde a pré-história até o século 20, eu tô falando século 20, que é quando muda esse conceito. Então, quando se chega na arte moderna, você tem um desenvolvimento que parte lá da pré-história até a arte moderna, que passa pela arte egípcia, pela arte mesopotâmica, pelos gregos, pelos romanos, pela Idade Média, Renascimento, Barroco, rococó, movimentos modernos do século 19, que já são movimentos modernos: romantismo, neoclassicismo, primeiramente neoclassicismo, romantismo, depois realismo, impressionismo, pós-impressionismo, neoimpressionismo, e depois as vanguardas do século 20, que quebram qualquer ideia da arte clássica que veio dos artistas gregos, e implicitamente estaria chegando ao auge da arte atual. Medieval com a arte moderna, e depois disso vem a arte contemporânea. Essa visão é uma visão europeia, uma visão, diríamos hoje, eurocêntrica, que coloca o desenvolvimento da história da arte como algo basicamente europeu. A própria ideia de arte que nós temos hoje, e que está sendo questionada, é europeia. Então, os outros povos que não europeus não têm a mesma ideia de arte que nós, a não ser quando querem se inserir nessa cultura globalizada de fundo, de base europeia. Então, os povos africanos, os asiáticos, os povos ditos primitivos pelos europeus, como os aborígenes, maores, polinésios, indígenas brasileiros, etc. Nenhum deles tem a mesma ideia de arte que nós. Essa ideia é da civilização ocidental europeia, norte-americana, e da qual nós bebemos, nós também brasileiros fazemos parte, embora o Ocidente não se dê muita conta disso. Enfim, então essa ideia é eurocêntrica, ela é europeia. Essa ideia de se colocar a arte numa sucessão dentro da cronologia da história, ela é bastante europeia e teve o cume, o auge no século 20. Começou no século 18 de uma forma mais organizada e chegou no século 20. No século 20, no final do século 20, nasceu uma crise dessa ideia. Houve, claro, outros pesquisadores, mas vamos destacar esses dois, que são o Arthur Danto e o Hans Belting, que falam do fim da história da arte e do fim da arte. Fim da arte como uma ideia de uma atividade europeia que tem o Renascimento, principalmente a arte acadêmica, como referência, principalmente a ideia de obra-prima, A ideia dessa arte universal e que a própria arte moderna e contemporânea depende dela porque são reações a essa ideia da arte acadêmica, da arte clássica, da arte classicizante de base grega, romana e renascentista. Então essa crise dessa ideia, da ideia da arte e da história da arte, ela começa nessa Nessa época, até a ideia também de grandes artistas da arte universal, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, até o próprio Picasso, dependem desse sistema. Eu não estou fazendo julgamento de valor, não estou dizendo que isso é errado ou certo, só estou dizendo o que aconteceu, tá? Essa ideia europeia, eurocêntrica, e a crise que houve. Nós estamos momento, então exatamente no momento de crise dessas empresas, uma fragmentação da arte, da atividade artística no mundo. A pandemia também ajuda nisso, mas essa crise já vem desde a década de 1960. A incorporação das outras culturas do mundo nesse processo de globalização, ela, vamos dizer que seja um efeito colateral da globalização, Mas ela ajudou a agravar essa crise, no sentido de agravar, para quem vê como algo grave, como algo ruim, no sentido de terminar com essa ideia da arte eurocentrizada. Mas uma coisa boa para quem gosta de algo mais multicultural, de algo com outros pontos de vista, de múltiplos pontos de vista e não só um ponto de vista. Então, a diversidade do multiculturalismo, das várias culturas incorporadas na ideia de arte, vem trazer essa crise que ocasiona o quê? Ocasiona a ausência, por exemplo, de movimentos como havia antigamente, movimentos claros, precisos, com um programa, por exemplo, como O modernismo, você tem vários artistas do mundo inteiro trabalhando de forma mais ou menos independente, embora possam ter uma ligação, mas não com um programa, com algo que todo mundo vai seguir essa linha. Não, cada um segue às vezes, muitas vezes, as referências da própria cultura, da própria arte europeia, mas de outras referências culturais também, o que só enriquece a obra. Claro que nós temos problemas nisso, como a própria ideia de arte europeia ainda não acabou, evidente. Existe um circuito de arte global, mundial, que tem muito a ver com essa ideia europeia, eurocêntrica de arte, e que se mantém ainda por conta disso. Os próprios museus tradicionais se mantêm por isso, embora também estejam questionando a forma de exposição, os artistas que expõem. Tudo isso se reflete nessa crise do conceito de arte como nós conhecíamos. No nosso curso, nós vamos seguir a forma, essa forma assim ligada à cronologia, história da arte, começando da pré-história e indo, se Deus quiser, até a Idade Gregoriana, mas neste ano, da pré-história até o começo da Idade Média, mas com todos os problemas, e em vários momentos eu vou colocar isso, os problemas dessas cronologias. Um deles, por exemplo, as pessoas tinham uma ideia até pouco tempo, muita gente ainda tem essa ideia, de que os períodos históricos dentro da arte são blocados. Então, quando acaba a Idade Média, todo mundo começa a fazer arte renascentista, pronto, acabou, né? Não é assim, né? Você tinha arte gótica no final da Idade Média. Século XV e XVI, que são os séculos por excelência do Renascimento, são séculos ainda que existia arte gótica até arte românicas, alguns lugares, obras de arte feitas conforme a arte gótica até o século XVII e XVIII. O Barroco começa, tem muita gente pintando como os renascentistas e os góticos, fazendo esculturas de forma gótica. Então, os períodos se entremeiam, se interseccionam. Certo? Não existe uma coisa blocada. As datas que nós colocamos são somente de referência, né? Às vezes nem é tanto de um predomínio daquele tipo de arte, mas da existência daquele tipo de arte a partir de uma data de referência que você tem os precursores, as pessoas que já estão fazendo muito daquilo. Que eu não gosto de chamar de precursor, eu gosto de chamar das pessoas mesmo que influenciaram para que se chegasse num determinado tipo de arte, certo? Então tem esses problemas, né? Muitas poéticas, estilos, épocas, elas se imbricam, elas se inter-relacionam, elas se interseccionam, né? Nada é blocado. Enfim, tem outras tantas, outros tantos problemas, certo? Mas no nosso curso a ideia é mostrar, para organizar de alguma forma, poderíamos ter outras formas de organizar isso, mas de alguma forma a sucessão das obras, dos tipos de obra de arte, dos tipos de expressão artística ao longo do tempo, desde o início da história da humanidade, quando começa a fazer arte lá no Paleolítico Superior, certo? Bom, agradeço muito todos que estiveram aqui. Eu vou falar um pouquinho do nosso curso para quem estiver interessado em se juntar a nós a partir do dia 2 de março, terça-feira que vem, às 20 horas, todas as terças-feiras desse ano, com exceção do mês de julho e do mês de dezembro, nós estaremos aqui fazendo essas aulas a partir da pré-história, como eu disse. Então, a partir do dia 2 de março, essa aula é a primeira aula do curso. Então, seria assim, a partir da segunda aula do curso, será um prazer vocês estiverem com a gente todas as terças das 20 às 21 horas, passando um pouquinho como hoje, né, mas com a participação de vocês para a gente fazer essa viagem pelo mundo da arte, pelo mundo da história da arte, pelo mundo da cultura visual, das artes visuais. Patrocinado pela Associação Paulista de Medicina Regional Piracicaba, nós estaremos aqui então. A ideia é que quando acabar a pandemia, se Deus quiser, inclusive a gente chegar a fazer rede, do Plano São Paulo, nós possamos fazer essa aula presencialmente na casa do médico em Piracicaba. E, na medida do possível, a gente ainda vendo, mas penso que não vai haver problema, nós continuarmos com a turma virtual, a turma online. Todos os inscritos vão receber um material adicional, uma apostila, um arquivo em PDF com essa apresentação PowerPoint que eu coloquei para vocês e também alguns textos adicionais, indicações de vídeos, de filmes, de sites, de material adicional, enfim, para aprofundar os temas que a gente vai colocar. Uma hora é muito pouco tempo para a gente aprofundar qualquer assunto, mas a gente procura então fazer isso Claro que também eu estarei à disposição dos participantes para solucionar qualquer dúvida, qualquer coisa que esteja pendente de esclarecimento, estarei à disposição de vocês. Para participar do curso, os associados da APM, da Associação Paulista de Medicina, tem o valor de R$50 por mês, e para quem não é associado, R$60 por mês. O pagamento até o dia 10 de cada mês e depois desse pagamento a gente libera então o link de participação aí na ferramenta de comunicação que a gente vai usar, ainda não sabemos se vai ser mesmo o Skype ou Google Meet ou Zoom, mas vocês recebem esse link aí pelo e-mail ou pelo WhatsApp para vocês se inscreverem. Vocês têm aí na tela o e-mail, né, secretaria@apmpiracicaba.com.br, ou pelo WhatsApp, 19, DDD 19, 997566811. Tanto no e-mail quanto no WhatsApp, vocês vocês vão falar com a Edna, que é a nossa pessoa encarregada de fazer essas inscrições, mandar os dados de pagamento, mandar tudo que for necessário para vocês participarem do curso, tá? Enfim, então nós começamos no dia 2 de março, tá? Essa aula foi uma amostra do que a gente vai fazer. Claro que as nossas aulas terão mais imagens, enfim, mas com essa participação de vocês, essa participação ativa através do chat, temos também recurso de levantar a mão, enfim, eu gostaria então de agradecer a todos pela participação, se tiverem dúvidas podem mandar pelo chat e tanto aqui quanto fora da reunião, marcada. Eu posso atender vocês sem problema nenhum. Fiquem à vontade para perguntar e colocar suas dúvidas, certo? Muito obrigado então, APM. Muito obrigado a todos vocês que participaram. Então aguardo vocês então na terça-feira que vem, dia 2 de março, para nós iniciarmos a nossa viagem aí então pela arte da pré-história em direção até a arte da Idade Média. Muito obrigado, fiquem com Deus e até mais.
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