
Neste vídeo, Fábio San Juan apresenta uma visão detalhada do Livro dos Mortos do Egito Antigo, esclarecendo que o termo é moderno e que o texto original consiste em fórmulas mágicas destinadas a garantir a passagem segura do falecido para a luz. Ele descreve o ritual de julgamento pós‑morte, onde Anúbis pesa o coração do morto contra a pena de avestruz (símbolo da verdade e justiça) diante de Osíris, com a presença de Thoth, Horus e o monstro devorador Ammut. São explicados os 42 pecados da confissão negativa, sua ligação com as 42 regiões (nomos) do Egito, e como a recitação correta pode remediar falhas. O vídeo também aborda a composição do espírito egípcio (Ba, Ka, Shu), as possíveis destinos após a aprovação – a barca de Rá ou o campo de juncos – e destaca diferenças entre a visão moderna e a antiga sobre peso e justiça. Uma breve interação com um interlocutor esclarece dúvidas sobre o funcionamento da balança, reforçando a ideia de que o coração deve equilibrar a pena, não ser simplesmente mais leve.
Questions this video answers
A balança deve ficar equilibrada; a pena de avestruz representa a verdade e a justiça. Se o coração contém peso de pecados, a balança se inclina para o lado da pena, indicando que a verdade pesa mais que o coração impuro.
Chapters
Livro dos Mortos. Essa parte é muito interessante porque a gente ouve falar, quando a gente até está estudando na escola, do Livro dos Mortos. Mas o Livro dos Mortos não é um livro da religião egípcia no sentido de ser um livro de preceitos. Ele não é como a Bíblia, o Alcorão, ou sei lá, tem Você tem os livros sagrados também do budismo, livros do taoísmo. Não é um livro assim, ele não é um livro que fala da teologia da religião egípcia, ele não fala, embora haja evidências ali, existem ideias teológicas que revelam para nós inclusive o que eles pensavam em alguns termos teológicos, né? Por exemplo, a questão do julgamento pós-vida, julgamento pós-morte, recompensando ou punindo as pessoas. Então, isso é uma ideia que perpassa o Livro dos Mortos. Livro dos Mortos é um nome moderno, tá? É um nome colocado pelos egiptólogos a partir do momento que começam a estudar a cultura do Egito antigo, a partir do século 18. O nome egípcio, o nome no idioma egípcio antigo é fórmulas para voltar à luz, ou seja, são fórmulas mesmo, são como se fossem encantamentos, são fórmulas mágicas que garantem a passagem do falecido para o lugar bom depois da morte. Então vocês veem aqui O deus Anúbis pesando. Aqui está à esquerda, nós vamos ver a imagem completa daqui a pouco. Do lado esquerdo, que não aparece na balança, está o coração do falecido. Do lado direito está uma pluma de avestruz, uma pena de avestruz, que é um símbolo da verdade e da justiça, como eu falei antes. Então essa é a ideia da recompensa ou da punição. Aqui, uma ideia é essa, que não é uma imagem do Livro dos Mortos, dos vários Livros dos Mortos, mas é uma imagem do espírito Ba, que é uma das partes do espírito, né? Na verdade, o espírito se compõe de várias partes. Ele é composto pelo Ba, pelo Ka, pelo Shu, enfim, não vamos entrar aqui nessas minúcias, mas é interessante porque eu achei essa representação do Ba. O Ba é um pássaro que tem uma cabeça humana e a parte do espírito do ser humano que sai à noite, sai de dia, não à noite, da tumba para voar por aí, para passear livremente fora da tumba. O Livro dos Mortos, ele era, ele era Às vezes ele podia ser longo. Isso aqui é uma parte do Livro dos Mortos. Isso aqui não é o Livro dos Mortos inteiro. Isso aqui mostra o julgamento, seria, digamos, a parte principal, né, que vai selar o seu destino após a morte. Ele era feito para que, colocado dentro do sarcófago do do falecido, para que quando ele acordasse, depois que morresse, ele pegasse aquele papiro, desenrolasse e lesse o que seria necessário enquanto fosse acontecendo os eventos. Em qualquer ocasião que estivesse faltando alguma coisa, ele lá pegava, lia no papiro e aí acabava formulando uma sentença que garantia para ele a passagem por aquele momento. Aqui eu coloquei no texto de forma resumida para vocês, vamos falar um pouquinho mais sobre ele, além do que está aqui, mas isso aqui é só para deixar interesse para vocês. Então esse aqui é o momento do julgamento do falecido, né? Nós vemos aqui a esquerda o deus Anúbis conduzindo conduzindo o falecido para a pesagem do seu coração diante do deus Osíris, que é o que preside o julgamento dos mortos. Vocês percebem que o deus Anúbis tem cabeça de chacal, está levando o falecido pela mão e na mão esquerda ele está com uma cruz Ankh. Uma cruz Ankh é o símbolo da vida para os egípcios. Símbolo da vida, inclusive o hieróglifo que é usado para representar a palavra vida é a Pius Ankh. Então ele está levando a vida do falecido nas mãos. Isso aqui é mais ou menos como se fosse uma história em quadrinhos, mais ou menos. Então essa aqui é uma cena, essa aqui é outra cena, tá? Osíris está em todas, né? Porque está tudo sendo feito na presença de Osíris. O deus Anúbis vai colocar o coração. Isso aqui é um coração, uma representação egípcia de coração. Vai colocar na balança. Como contrapeso, vai colocar a pedra da avestruz, que representa a verdade e justiça. E se— enquanto ele faz isso, o falecido tem que recitar a confissão chamada por nós hoje de confissão negativa, que são 42 pecados que ele vai declarar que não cometeu. Caso tenha algum pecado que ele tenha cometido dentro dessa lista e esteja em falta com ele, existem as fórmulas aqui, nesses eróditos você tem fórmulas para remediar essa situação, porque se faltar alguma coisa, a balança vai pesar para o lado da pena de avestruz, e aí o falecido acaba sendo condenado. Se a balança, enquanto houver essa recitação desses 42 pecados não cometidos diante das 42 comunidades, dos nomos egípcios, chamados de nomos, as 42 regiões do Egito são do Egito são representadas por 42 pessoas. Aqui não tem 42, tá? Mas elas representam as 42 regiões aqui. 42 pecados, 42 regiões. O próprio tecido, a construção, organização do Estado do Egito tem a ver com essa organização cósmica do universo. Quem observa esse ser aqui estranho, híbrido, é o Anut, que é um ser que tem cabeça de crocodilo, tem uma parte do corpo de leão e a outra parte de hipopótamo, essa parte traseira. Ele é um monstro. Se a balança pesar para o lado da pena, então o falecido não é salvo. Ele vai ser devorado por esse monstro e o falecido deixa de existir. Aqui do lado nós temos o deus Thoth, com cabeça de íbis, anotando com a pena o que está acontecendo. Ele vai anotando. Se o falecido for aprovado, né, fala: "Não, teve uma vida justa, teve uma vida verdadeira." Ele é levado por Horus. Vocês têm aqui o deus Horus, que está levando a vida do falecido nas mãos agora. Está levando para o falecido a presença de Osíris. Osíris, então, vocês veem aqui todas as insígnias reais de um faraó, é o governante do mundo dos mortos. Ele então vai encaminhar o falecido para o seu lugar. No após-vida, que pode ser junto do carro de Rá, como um dos integrantes da barca de um milhão de mortos, como diz os textos, ou ele pode ser designado para o campo de juncos, que é uma espécie de paraíso egípcio pós-morte. Esse então é o pequeno resumo do que tá dentro do que fala, né? Uma das coisas, uma cena poderíamos dizer que seria a principal, mas dentre outras muitas cenas tem outras etapas, desde o momento que a pessoa morre até o momento que ela acorda no mundo dos mortos e o que que ela pode ir fazendo para ir remediando a situação dela para que ela seja aprovada por Odin. São realmente fórmulas mágicas que, apesar do peso do comportamento moral do morto, do falecido, né, do que ele fez em vida, ele tem como remediar depois da morte, né, ao contrário das nossas religiões atuais que não dão solução.
Só uma dúvida.
Pode falar.
Então, de um lado da balança era o coração do morto e do outro lado era a pena.
Isso, a pena de avestruz.
Mas eu acho que se o coração era bom, ele era mais leve, não é isso?
Na verdade, você tinha que— na verdade, a balança tinha que ficar equilibrada, tem que ter o mesmo peso dos dois lados.
Então é isso aí, mas se, por exemplo, ele for uma pessoa ruim, daí o coração é pesado, não é isso? Então daí ele O coração abaixaria e a pena levantaria.
Então, mas aí você tá com uma concepção moderna, né? Você tá colocando uma ideia moderna. O peso da pena, ele pesa mais porque aí vai pesar mais a verdade e a justiça que o morto não tinha, entendeu?
Ah, entendi. Tá certo.
Aí é outro raciocínio diferente do nosso, né?
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