História da Arte em 28 dias Aula 04 | Arte do Egito Antigo

This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a Portuguese-language YouTube lecture titled "História da Arte em 28 dias Aula 04 | Arte do Egito Antigo" (posted 2018-02-27), a single-speaker class in a short course on art history. The narrator provides an overview of Ancient Egyptian art and culture — pyramids, the Nile, mummification and funerary practices; the society's emphasis on discipline and rule-following; the development of a canonical proportional system and the Law of Frontalidade; the idealized/perfect representation of humans and gods; the religious and artistic reforms of Amenhotep IV/Akhenaton (and the more realistic depictions of Nefertiti) followed by Tutankhamon’s return to tradition; the Sphinx of Giza; and Egypt’s influence on Greek and Western notions of geometric order and beauty. The lecture closes by previewing the next class on Greek art.
Chapters
Pirâmides, Cleópatra, esfinges, Tutankhamon, o Rio Nilo, múmias. O Egito tem uma cultura que nós consideramos familiar. Filmes, séries de TV, livros, músicas, o universo cultural popular incorporou o Egito desde que Napoleão Bonaparte, há 200 anos, começou a desenterrar a cultura desse país, que já foi a civilização mais poderosa do Mar Mediterrâneo. Inclusive, quem aprendeu mais com eles foram uns bárbaros vindos do leste, que depois se civilizaram, e que hoje são conhecidos como gregos. Bem-vindo à aula 4 do curso História da Arte em 28 Dias: Arte do Egito. Mas o Egito, antes de ser apenas um tema bacana para filmes de Hollywood, foi por 5.000 anos uma terra onde os seres humanos mostraram muito bem sua capacidade de adaptação a um ambiente desfavorável. Adaptar-se ao ambiente hostil, difícil, desértico, foi facilitado pelo Rio Nilo, mas mesmo assim não foi fácil, como às vezes parece quando citam a frase do historiador grego Heródoto: "O Egito é uma dádiva do Nilo". Começar e recomeçar, às vezes do zero, fez parte da mentalidade egípcia antiga. A sua religião, Portanto, é resultado desse fato: viver de forma árdua e ressuscitar, começar de novo. Por isso, quando dizemos que o Egito fez sua arte somente para os mortos, isso é apenas parte da verdade. O egípcio acreditava que a morte fazia parte da vida. Fazer pinturas e esculturas para serem enterradas junto com os cadáveres, nos sarcófagos e pirâmides fazia muito sentido, pois o que eles apreciavam em vida tinha que ser apreciado também na outra vida. A outra característica que é muito forte na cultura egípcia antiga é a rigidez. Essa rigidez, uma dureza que dá para perceber bem nos desenhos, estátuas e na arquitetura, é compreensível devido à disciplina, o apego necessário às regras. Se os egípcios não seguissem as regras, plantar na época certa, colher na época certa, guardar o alimento de forma correta, cada pessoa e família fazendo uma tarefa determinada, além de seguir rituais religiosos que eles entendiam como básicos para manter o mundo funcionando, Eles passariam fome e não sustentariam o país que construíram. É por isso que o desenho egípcio, para nós, é duro. Porque é tão apegado às regras pelo motivo de manter algo conquistado arduamente. O que os gregos chamaram depois de "canone", regras para desenhar um corpo humano a partir de uma rede geométrica, foram os egípcios que inventaram. É na arte do Egito que, pela primeira vez, as figuras humanas possuem a mesma proporção entre as partes. Isso garante que nós iremos reconhecer a figura como humana. E não só isso, iremos reconhecer um homem adulto como adulto, uma mulher como mulher, e até os animais, muito importantes para eles, pois vários dos seus deuses eram animais, ou animais com corpo humano. Tinham regras para serem desenhados e reconhecidos, cada qual na sua espécie. A outra regra para representar as figuras era o que chamamos de Lei da Frontalidade. Quando uma figura num desenho era representada, era da forma que melhor pudesse ser reconhecida. Assim, o rosto era mostrado de lado para reconhecermos o nariz de perfil, mas os olhos eram mostrados de frente, assim como os pés de lado. Para um egípcio, um pé representado de frente não fazia sentido. O que havia por trás dessa ideia era representar um ser humano da forma mais perfeita, mais reconhecível possível. Era mais importante mostrar um ser humano com nada faltando e com as proporções corretas do que representar a diferença entre um ser humano e outro, como nós esperamos hoje num retrato. Diferenciar o homem dos animais e dos deuses era mais fundamental. Essa perfeição idealizada, algo que não existe na realidade concreta, mas como um conceito e um ideal, algo a ser alcançado, pertencente a um plano espiritual, É parte da mentalidade que vai ser adotada pelos gregos séculos mais tarde. É por isso também que a forma perfeita para o túmulo do Faraó, o deus governante do Egito, é uma pirâmide, uma forma geométrica perfeita, pura, que só existia para eles plenamente no plano espiritual. Mas chegou um dia que um Faraó quis reformar a religião egípcia, E isso equivalia a mudar a forma como tudo no país era conduzido, algo muito sério e que atingia todas as pessoas. O faraó Amenhotep IV reduziu o conjunto dos muitíssimos deuses do Egito a apenas um, o Sol, que para os egípcios era o deus Aton, e mudou seu nome para Akhenaton, o instrumento de Aton. A sua intenção era reduzir a influência dos sacerdotes, que eram muito poderosos e eram rivais do faraó. Esses sacerdotes estavam transformando o faraó numa figura de fachada, como hoje é a rainha da Inglaterra. Uma das formas mais tradicionais da cultura egípcia, a arte, também foi transformada. Uma das coisas que mudaram foi o abandono da rigidez. E a adoção de um realismo que só seria visto de novo na Grécia, muitos séculos depois. A rainha Nefertiti, esposa de Akenaton, é um exemplo forte dessa nova forma de fazer arte. Os egípcios nunca tinham visto algo tão direto, tão franco. Apesar do nome da rainha significar "a bela chegou", eles nunca tinham visto esse tipo de beleza numa escultura. Mais chocante foi a representação do faraó, que na religião egípcia sempre foi considerado um deus. Um deus que mostrava sua feiura, que não melhorava os seus traços fisionômicos, que não escondia sua fragilidade humana, suas imperfeições. É só comparar esse retrato de Akhenaton com o retrato de qualquer faraó anterior e você vai entender o que eu estou dizendo. Tutankhamon, seu filho, apesar de várias obras de arte que foram encontradas em seu sarcófago tenham sido feitas no novo estilo imposto pelo pai, cedeu à pressão dos tradicionalistas egípcios e fez o Egito voltar à cultura e religião antigas e também à arte tradicional. Por isso, sua urna funerária é feita no estilo tradicional egípcio. Outra figura muito conhecida da arte egípcia é a esfinge, que como vimos na aula anterior, foi inventada pelos mesopotâmicos. Mas para nós é a esfinge de Gizé, que está no complexo das grandes pirâmides de Keops, Kefrên e Micerinos, que reconhecemos como A Esfinge. Provavelmente o rosto dela é do faraó Kefrên, construtor e ocupante de uma das pirâmides do complexo. De forma surpreendente, ela é a esfinge egípcia mais antiga. Todas as outras vieram depois dela. Parece que foi Khefren quem teve a ideia de primeiro se representar como um leão, associando a sua força física ao seu poder político e religioso. Mesmo Akhenaton fez-se representar como uma esfinge 1000 anos depois, apesar das suas inovações. Tanto gregos como romanos reconheceram em vários momentos que sua cultura devia muito aos egípcios. É com os egípcios que os gregos aprenderam a ser civilizados e receberam parte de sua herança cultural. Embora com outra mentalidade, a nossa cultura ocidental deve ao Egito muito do sentido de beleza ligado à geometria e a ordem que o universo nos mostra, uma ordem que os egípcios pensavam que os seres humanos deviam imitar em sua sociedade, para alcançar o equilíbrio e a harmonia. Na próxima aula, veremos o despertar da arte de um povo que mudou a face do mundo para sempre, os gregos. Muito obrigado e até lá! Oh, that height.
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