Nesta sétima aula do curso “Apreciando a História da Arte”, o professor revisita a arte rupestre do Paleolítico tardio e introduz a arte do Neolítico, destacando exemplos marcantes de diferentes continentes. Começa com a Cueva de las Manos, na Argentina, explicando as técnicas de mãos em positivo (impressão direta) e em negativo (uso de gordura e sopro de pó) e sua abundância. Faz referência a ocorrências semelhantes no Brasil. Em seguida, apresenta as principais cavernas neolíticas europeias – Vale Camonica e Adaura, na Itália – como referências de arte petrográfica, embora menos conhecidas que Altamira e Lascaux. O professor introduz o “estilo raio‑X”, típico da arte aborígene australiana, que representa não só o contorno externo dos animais, mas também seus sistemas internos (músculos, órgãos). Usa exemplos de canguru e tartaruga. Depois, descreve a Caverna Mutoko, na África, mostrando uma cena de caça neolítica onde os animais são retratados com elegância e os humanos aparecem estilizados, altos e esguios, indicando confiança cultural. Conclui comparando a evolução da representação humana, do simples traço das mãos ao desejo de retratar figuras alongadas e dignas, revelando mudanças simbólicas entre Paleolítico e Neolítico.
Chapters
Mais uma aula, a nossa sétima aula do curso Apreciando a História da Arte. Já é a sexta aula que a gente fala de pré-história e nós vamos falar hoje a respeito de um restinho da arte rupestre paleolítica, só para falar de algumas ocorrências interessantes e para dar um fechamento nisso. E aí a gente vai para a arte neolítica. Temos aí a Cueva de Las Manos, que é a Caverna das Mãos, na Argentina, aqui perto da gente. Já digo para vocês que no Brasil também há cavernas, muitas cavernas, aliás, muitos lugares em que há arte pré-histórica e também há essa ocorrência das mãos. Talvez não tanto quanto na Cueva de las Manos. A Cueva de las Manos já tem o nome porque O que mais se destaca são essas mãos em profusão. Imaginem que aqui tem mãos em negativo e mãos em positivo. Aqui nós estamos vendo uma imagem em que há uma predominância das mãos em negativo, mas também temos mãos em positivo. Mãos em positivo, você pegava a sua mão, besuntava de tinta imprimir ali em cima da caverna, em cima da parede da caverna. E as mãos em negativa, aquele processo que eu contei para vocês, você passar a gordura em cima da superfície e você coloca a mão, e aí você soprava o pó várias vezes até o pó da tinta grudar naquela gordura em volta da sua mão. Aqui vamos entrar então em arte rupestre. Das rochas das cavernas neolíticas da Europa. Eu falei, né, desde o começo, que se tinha as 3 cavernas paleolíticas mais conhecidas, e nós temos Vale Camonica e também a de Adaura, na Itália. Elas não são tão conhecidas como Altamira, como Lascaux, mas também elas são referências para a gente estudar arte neolítica, principalmente arte rupestre, arte petroglífica, arte de incisão na rocha. Temos também, num tipo muito bacana, eu acho um dos mais belos, mais bonitos estilos pré-históricos dessas culturas neolíticas, que é o estilo raio-X, que não ocorre somente na Austrália, Mas eu trouxe como um exemplo muito forte essas representações artísticas australianas aborígenes e que mostra o quê? Mostra o interior dos animais. Então além de se mostrar o contorno de fora, mostrando, delimitando o corpo do animal por fora, também vai mostrar por dentro, né? Então vocês veem aqui sistema digestivo, aqui o que seria, o que parece são músculos da perna do canguru. Aqui em volta você tem vários animais sobrepostos, né, mas é aqui para mostrar para vocês essa questão do raio-x que eles usam. Aqui a tartaruga que tava na nossa capa, né. Uma tartaruga parcialmente mostrando parte do que teria dentro dela, né? Uma cena muito mostrada na internet quando você procura arte pré-histórica e é atribuída erradamente para um monte de lugares, menos esse. Depois de muito procurar, eu descobri que essa é a mesma caverna, a Caverna Mutoko. Essa cena de caça parece que é uma cena clichê, né, mas não é. Aqui é uma caçada neolítica numa caverna africana. O que é bem interessante são os animais que são desenhados ainda naquele estilo mais elegante, né, bastante interessante. Lógico que a figura dos cervos já é elegante por si, mas mostrada com realismo ela mostra sua elegância. Os seres humanos aqui mostra bastante bem uma fase, uma fase já adiantada da nossa cultura, das culturas, dessas culturas neolíticas, tá certo, que eles são caçadores, mas eles são confiantes a ponto de mostrar uma caçada e não só o animal, né, mostrar os seres humanos como dignos de estarem sendo representados num painel desse, numa parede em que há uma representação do mundo visível, né, que vai evocar memória não só dos animais, mas também dos seres humanos. Vocês veem a forma estilizada, é uma outra forma que ela se aproxima do boneco do palito, mas que também é bem elegante, né, é bastante interessante, que parece querer mostrar ou ter o desejo de que essas pessoas sejam altas, né, sejam pessoas bastante altas e alongadas, magras, né, com uma silhueta bastante esbelta.