Live APRECIANDO OBRAS DE ARTE SEM SER ESPECIALISTA | 29 10 2020

Fábio San Juan, professor de história da arte, mostra como qualquer pessoa pode apreciar obras de arte sem ser especialista. Ele apresenta um modelo de 4 camadas (ver, identificar, contextualizar, interpretar) e demonstra com O Nascimento de Vênus de Botticelli. San Juan oferece um curso online com 79 vídeos para aprofundar a prática de contemplação artística.
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Como você vai digitar no YouTube? Porque nesse momento, coisa que mais precisa, WhatsApp não vai funcionar. Barra W, W maiúsculo, 7. Z maiúsculo, G maiúsculo, U minúsculo, zero, U maiúsculo, era minúsculo primeiro, H maiúsculo, 9, H minúsculo, zero. Acho que é um Alô, alô, alô, boa noite. Eu não mandei esse link. Mandou para quem? Para quem que você mandou o link? Então como que tem duas pessoas? Eu vou ver o controle aqui do desktop e áudio. Vê se melhora agora o som. Alô, testando. Alô, espera, atraso. Alô, testando. Alô, testando, atraso. Agora testando, testando o som, testando o som. Testando som. Testando. Agora, pessoal, estamos com som agora. Estamos com som e o chiado no fundo. Eu peço desculpas, eu peço desculpas por esses problemas. Marinheiro de primeira viagem já viu, né? Mas enfim, vamos fazer o melhor possível para a gente apresentar esse conteúdo para vocês, tá bom? Vamos ver aqui. 5 pessoas. Boa noite, Cida! Boa noite, Antônio! Cláudia! Boa noite, Thiago! Débora, boa noite! Pessoal do Piracicaba tá aí, né? Débora, Débora, de onde Débora? Eu tô avisando aqui o pessoal no grupo. Já acaba também, Débora. Então somos todos, por enquanto estamos todos aqui na terra da Gana da Pamonha do 15, certo? Bom, infelizmente nós tivemos esse problema. Vamos começar, né? Já atrasados, mas vamos lá. Então assim, estamos com som. Como é que tá a altura do som para vocês? Tô falando muito alto? Tá muito baixo. Como é que tá? Sei que o chiado, esse chiado, infelizmente, gente, não vai sair. Francisco, boa noite, Francisco! Obrigado por estarem aqui de volta. Ligia, boa noite, Ligia. Muito bem, vamos lá então. Bom, eu sou o professor Fábio San Juan, sou professor de história da arte, artista. Eu sei que a maior parte de vocês me conhece, talvez algumas pessoas não me conheçam, então eu faço essa breve apresentação. Eu sou Eu sou também o responsável pela Apreciando Arte, que é uma empresa especializada em apreciação de arte, como o próprio nome já indica, né? Mas nós fazemos excursões, viagens. Nesse momento da pandemia não está sendo possível. Também faço cursos, formações presenciais, e agora nós estamos começando começando a fazer a nossa parte, os nossos cursos virtuais online, certo? Bom, hoje nós estamos aqui para a gente ver quais são as 4 camadas da obra de arte, né? Como é que você pode apreciar a arte sem ser um especialista? Só um minuto que eu acho que o foco da câmera tá Disculpa, mas eu vou ter que arrumar isso, gente. Opa, vamos lá então. Muito bem, então vamos lá começar. Vamos para, vamos para o slide, né? Eu vou falando a partir do slides. Vocês vão ouvir a minha voz em off, mas eu vou falando, vou colocando a partir do slide, é uma ilustração, mas enfim, eu vou fazendo a exposição. Ao final aí eu posso abrir para perguntas, né, que eu vou responder as perguntas no final. Nesse momento aqui, como eu não tenho ninguém para me ajudar, eu não tenho como ver as perguntas respondendo ao mesmo tempo, tudo bem? Então no final aí eu pego e a gente faz um— a gente abre para as perguntas e aí eu vou respondendo para vocês. Pode ser assim, tudo bem? Então vamos lá. Então tá aí na tela. Vamos lá, então vou começar pelo seguinte. Uma das maiores angústias que aparecem assim, as pessoas chegam para mim me apresentam nas palestras, nos cursos, em algumas excursões, algumas viagens monitoradas que eu faço para museus, para locais expositivos, é a seguinte: as pessoas chegam e dizem: "Olha, eu acho tão bonito visitar o museu, acho tão bonito visitar as exposições de arte, mas eu não entendo nada de arte." "Entendo nada de arte." O que isso quer dizer? Quando a pessoa fala que não entende nada de arte, é como se dissesse: "Eu não vou perder o meu tempo entrando no lugar para fazer uma coisa que eu não entendo nada." Certo? "Eu não entendo nada de arte" é uma fala também que implica no seguinte: muita gente pensa que não pode entrar no museu. Como se o museu fosse assim uma espécie de igreja, uma espécie de templo, onde só quem faz parte daquela religião pode entrar. Realmente tem muitos museus que dão medo nas pessoas, parece mesmo igrejas. Alguns até exigem silêncio. Vocês veem aí na tela um museu vazio, Você olha para essa imagem e pensa: "Nossa, deixa eu entrar aqui como pisando em veludo." Bom, então as pessoas entram nesses lugares e tem lugares até que exigem silêncio mesmo, como se estivesse entrando numa missa, no meio de um culto. Enfim, nós temos um ambiente cultural no Brasil que desfavorece a cultura, vocês sabem disso, né? Principalmente a cultura que a gente chama de cultura erudita, essa cultura que é ligada aos equipamentos mais tradicionais, artes mais tradicionais, os equipamentos mais tradicionais, os museus, salas de concerto, espetáculos de teatro, espetáculos de dança. E outra coisa também, além do ambiente desfavorável para cultura, nós temos ainda um ambiente social que é bem 880, que é assim: por um lado tem aquela parcela bem elitista das pessoas que olham torto para pessoas que não são iniciadas em arte. Quando essas pessoas chegam no museu, chegam no teatro, em uns locais assim, tipo Teatro Municipal de São Paulo, mas principalmente museu. Vocês estão vendo aí na tela o MASP. São esses locais que a gente associa com uma cultura mais erudita, tem essas pessoas que olham torto pra gente, né? Olham torto pra essas pessoas. Tem também a restrição econômica em muitos desses lugares. O ingresso no MASP hoje em São Paulo, por exemplo, custa R$45. E no Brasil, os frequentadores, as pessoas que estão lá sempre, que frequentam mesmo, normalmente são de classe média alta ou de classe alta. Por outro lado, nós temos aqueles grupos de pessoas que defendem o fim da cultura tradicional. Então assim, elas são contra, acham que essa cultura é elitista, né? Essa cultura erudita é uma cultura elitista. Esses grupos, eles defendem tanto a cultura popular quanto a cultura pop, E acabam condenando essa cultura que está nos museus como uma coisa desprezível, que não é universal, que não é válida, que não é válida para todas as épocas, porque foi produzido por uma elite, etc., etc., etc. Então nós temos esses dois pontos de vista, essas duas posturas, que acabam então prejudicando o quê? Prejudicando aquelas pessoas, vamos dizer, que estão no meio termo, e acaba impedindo essas pessoas, causando um medo, uma vergonha nessas pessoas, e elas acabam não entrando, né? Até naqueles museus que têm entrada gratuita, o MASP, por exemplo, toda terça-feira ele tem a visitação gratuita, né? Lógico que hoje ela está restrita por causa da pandemia, mas enfim, existem essas opções. Todos esses museus, os museus do estado, Museu da Pinacoteca, os museus das cidades, das grandes capitais no Brasil inteiro, né, em outros locais do mundo sempre tem essas opções mais baratas, descontos. Então a pessoa acaba, não tem muita desculpa, né, a pessoa acaba não entrando mesmo por vergonha, por medo. Então assim, e vocês veem, né, não importa a classe social, você tem aquela pessoa mais rica ou aquela mais pobre, da social mais elevada ou não. E cada uma tem um motivo para não entrar no museu, né, no museu, numa exposição, no local expositivo. De um modo ou de outro, elas acham, essas pessoas acham que elas podem ser vistas como burra, ignorante, né, e acaba perdendo uma riqueza que, nossa, meu Deus do céu, tá cada vez mais possível, como acabei de falar. Você tem opções para você visitar esses lugares mais barato ou até de graça, dependendo do dia. Então, enfim, essa visita ao museu devia ser o quê? Devia ser um processo culminante de você ter visto já várias obras em livros, na internet, enfim, sabe? Aquela coisa da formação ruim que nós temos no Brasil e acaba levando as pessoas— essa aqui é a tela do baile funk, né? O pessoal que é mais radical, que acredita no fim da cultura erudita e que acaba priorizando esse tipo de cultura e acaba ignorando os outros, né? Enfim— Então, como eu dizia, a visita ao museu devia ser um processo culminante. Você vai ao museu para confrontar aquelas opiniões que você já formou antes, né? Você vai ver essas obras ao vivo como um grande evento, mas claro, se você tem essa opção de poder ir sempre, é sempre bom você ver as obras ao vivo. Enfim, Eu vou lançar para vocês agora uma afirmação que pode surpreender algumas pessoas, ou de repente pode surpreender a todos. Você não precisa entender de arte para apreciar obras de arte. Olha só, repito: você não precisa entender de arte para apreciar obras de arte. É isso mesmo! Surpreso? Surpresa? Olha, pensa bem, eu não disse: você tem o direito de ter acesso à arte e cultura. Eu não disse: você tem a liberdade de fazer o que quiser e entrar no museu que quiser. Embora as duas frases estejam corretas, eu afirmei uma coisa que vem antes disso: você não precisa entender de arte para apreciar obras de arte. Sabe por quê? Você já tem tudo o que é necessário para fazer isso, para apreciar obras de arte. Vamos ver, vamos ver o que que é que você já tem. Nós todos temos, né? Então vamos lá: 2 olhos, um cérebro, um repertório mental de imagens, ou seja, muitas imagens que você guarda na cabeça. Incluindo obras artísticas, mesmo que você não saiba o nome nem o artista nem o museu em que está tal e tal obra que você guardou na sua memória, a imagem tá lá, tá lá na sua cabeça, ela faz parte do seu repertório. Ou seja, você tem uma memória visual que é organizada em um repertório de imagens. E note, todo mundo sem exceção possui esse repertório de imagens, mesmo que ele seja pequeno. Tem pessoas que têm um repertório grande, tem pessoas que têm um repertório pequeno, mas todo mundo tem. A outra coisa que todo mundo tem, a vontade, todo mundo tem mais ou menos, mas tem essa vontade de apreciar obras de arte. As obras de arte, elas nos atraem. Para alguns atrai pouco, para outras pessoas atrai bastante, a ponto até de se tornar a razão da sua existência. E para muitas pessoas, muitas mesmo, tá no meio termo, que só não se realiza com mais plenitude porque a pessoa se coloca vários impedimentos. Então, se você tá nesse grupo do mais ou menos, vamos a partir de hoje transformar isso em um mais e sair do menos. Certo? Que mais que você tem? Acesso às obras de arte. Fala: "Ah, professor, não tenho acesso às obras de arte." Vamos ver se é verdade. Muitos, muitos de nós, né, tem a possibilidade de acesso aos museus, aos museus, às exposições, essas grandes exposições que vem para São Paulo ou que vem para os grandes centros, Brasília, Salvador, enfim, embora a gente esteja no meio de uma pandemia agora, né, e o acesso em si, o acesso em si hoje não está tão fácil, né, mas enfim, nós encontramos obras de arte também em outros lugares, nós encontramos essas obras em igrejas, nas ruas, os monumentos públicos, grafites, intervenções, interferências urbanas, obras de arte pública, na arquitetura dos edifícios antigos, consultório médico, casa de amigo, loja, galeria. Enfim, você tem obra de arte uma infinidade de lugares. Mas o que quase todo mundo tem, você com certeza tem também, senão não estaria assistindo essa live, É acesso à internet, certo? Essa maravilha, é uma maravilha, né? Não tem o que discutir. Ela encurtou as distâncias, ela trouxe o mundo inteiro para a palma da nossa mão, né? No nosso smartphone. Se nós quisermos, nós podemos visitar uma quantidade imensa de museus pela internet, que a gente ia ficar o resto da vida vendo obra de arte e não ia acabar. Fora a obra dos artistas que divulgam trabalhos, visitas às igrejas, palácios e outros locais que possuem interesse artístico. Aí você pode me dizer: mas professor, isso é óbvio! Olhos, olhos, cérebro, memória, tá, tá, tá. Eu tô dizendo do mais difícil, do mais complicado, que é você ter os conhecimentos para entender a obra de arte. Você olhar para Mona Lisa olhar para Mona Lisa e entender o que ela significa. Mesmo assim, eu afirmo para você: você não precisa entender de arte para apreciar obras de arte. Seria o equivalente a dizer: eu posso apreciar obras de arte sem entender nada? Quer dizer, eu posso apreciar a Mona Lisa e, sei lá, tirar minha própria conclusão? Sim, eu respondo sim para você. Você pode absolutamente, sem nenhum problema, olhar para Mona Lisa e tirar sua própria conclusão. Então eu posso fazer uma visita virtual ao Museu do Louvre, por exemplo, e sem entender nada de arte, sem ter formação, ver tudo aquilo lá e ainda ter um proveito? Ou em outras palavras, é possível aproveitar o que a Mona Lisa tem a oferecer sem nunca ter lido um livro de teoria, sem ter tido um curso de história da arte ou sobre Leonardo da Vinci, ou ter recebido até um tipo de treinamento, sei lá? Sim, é ré possível! Então se eu tenho olhos, cérebro, um repertório de imagens, vontade pra observar obras de arte, e o acesso às obras, eu não preciso de mais nada? É, não precisa. E agora eu chego ao meu ponto: você não precisa entender de arte para apreciar qualquer obra de arte. Você não precisa, mas pode querer precisar. Como assim? Como assim querer precisar? Quer dizer isso Nós vimos no começo alguns motivos que explicam o que a pessoa quer dizer quando diz: "Eu não entendo nada de arte." Outra coisa que pode explicar também é: "Não entendo nada de arte" é admitir, de forma implícita, que existe um conhecimento acumulado, coletivo, sobre apreciação de obras de arte que nós não tivemos acesso até esse momento. Por inúmeras razões: falta de oportunidade de contato com esse conhecimento, falhas na educação formal, falta de dinheiro para comprar livros, visitar museus, comprar obras de arte, fazer cursos ou até um curso superior que tivesse esse conhecimento. Esse conhecimento coletivo a respeito de arte, acumulado ao longo de muitos séculos, É o que nós chamamos de cultura. Tudo bem até aqui, pessoal? Tá muito rápido? Como é que é? Eu tô vendo o chat aqui agora. Tá tudo certo? Vocês estão me acompanhando? Enfim, vamos lá então, continuando. O que que é a cultura, afinal de contas? Trocando em miúdos, sem aquela aura de coisa inatingível, de algo incompreensível, acima das nuvens, né, e que somente quem estudou consegue entender. Vamos trocar em miúdos para vocês. Olha só como é fácil. Cultura são indicações, conselhos, falas, diálogos, discursos, opiniões, interpretações de outras pessoas sobre, no nosso caso, obras de arte, certo? Obras visuais e o que as rodeia. Museus, galerias, filmes, cursos, artistas, ateliês, movimentos artísticos, restauração, falsificações, simbolismos, significados e muito mais. Tudo que está envolvido com a questão da arte. Na essência, são só dois tipos de conhecimento: de experiências, informações sobre obras de arte, o que inclui as próprias obras de arte em si mesmas, incluindo os dados da sua produção pelos artistas, e opiniões sobre essas obras de arte, o que inclui teorias estéticas, julgamentos, críticas, até mesmo textos literários como poemas, quaisquer interpretações sobre arte que já se produziram, reproduziu no mundo. Claro que tudo feito, né, de uma forma magistral, linda, maravilhosa, bela, interessante, curiosa, que é capaz de nos elevar ou de nos deixar mais conscientes do mundo e da vida. Mas são só essas duas coisas, olha só, só duas coisas: as informações sobre as obras e as opiniões sobre as obras. Certo, é simples assim, tá tudo bem ainda? Tá tudo certo? Então, me acompanhando? Ok, certo. Então vamos, vamos prosseguindo, né? Então esses dois tipos de conhecimentos básicos que definem a cultura, pelo menos em relação às obras de arte visuais, as obras de arte visuais e as opiniões sobre elas, foram produzidos por pessoas. Ainda mais, indo mais fundo ainda, A essência dos dois conhecimentos é a experiência dessas pessoas com a arte, registrada por uma variedade de meios: textos, músicas, fotos, filmes, áudios, mas todos frutos da atividade de seres humanos. Seres humanos como nós. Essa arte e essas opiniões não desceram do céu, elas são atividades humanas. Vindas das experiências de humanos como nós. Esses conhecimentos se juntam e se entrelaçam, eles se comunicam. Obras e textos de hoje são respostas, são reações às obras ou textos de épocas passadas. Um artista responde na forma de uma pintura a uma outra pintura produzida há 200, 300 ou ou mil anos. Um historiador da arte responde na forma de um livro, ou de uma série de TV, ou de um vídeo no YouTube, um artigo no jornal, numa revista, numa revista eletrônica, num site, a um outro historiador de arte que escreveu há 100 anos. Então a cultura, Toda essa atividade em torno das obras de arte é uma imensa conversa, um imenso diálogo em que os participantes reagem, tentam responder a perguntas feitas há séculos e fazem outras perguntas que serão respondidas daqui a milênios, se forem consideradas relevantes. Certo? Então esse imenso diálogo, essa imensa conversa atravessa os séculos. Eu chamei essa conversa de a grande conversa da cultura. Os artistas e os seus críticos, os historiadores, os comentadores, a partir das obras de arte, tendo essa grande conversa, essa conversa da cultura. Então isso vai explicar, né, voltando para o meu ponto lá do começo, isso vai explicar Porque nós nos sentimos vergonha, nós sentimos medo quando nós estamos numa exposição, no museu, numa palestra, num lugar que a gente se sente inseguro. Por quê? Porque nós não dominamos aquele assunto, nós nos sentimos fora dessa conversa. Nós, de forma intuitiva, nós entendemos que nós não estamos, nós estamos por fora mesmo. Certo, então essa conversa, né, essa conversa que a gente tá de fora, você se sente de fora, Nós não sabemos, nós não sabemos quem falou primeiro, nós não sabemos o que falou, nós não sabemos o que está acontecendo. Em casos específicos, ou às vezes, dependendo de como é a nossa cultura, tu não entende nada, porque a gente está por fora mesmo. É como se tivesse uma roda de conversa e a gente estivesse só ouvindo de longe, e a gente não tem coragem de entrar nessa rodinha essa rodona, né, enfim, uma imensa roda de vivos e mortos e que a gente está por fora. Enfim, a gente tem medo de chegar ali e falar: "Nossa, será que eu vou fazer uma pergunta? Uma pergunta boba, uma pergunta ingênua, né? Eu vou passar vergonha, né?" Enfim, para você não sentir um peixe fora d'água, você vai Enfim, você pode perguntar, na verdade. Então, para eu não me sentir peixe fora d'água, professor, você vai dizer que eu tenho que me inteirar do assunto, né? Estudar mesmo para apreciar as obras de arte do jeito que se deve, para saber o que está mesmo conversando, está sendo conversado nessa conversa aí da grande conversa da cultura, né? Das obras de arte. Então volta lá no começo, né? Então eu não entendo nada de arte, eu não entendo nada dessa grande conversa da cultura. E aí, né? Acho que você não conseguiu falar nada, professor, não conseguiu provar nada, voltou para aquilo que eu tava pensando no começo, né? Enfim, mas eu insisto, né? Eu insisto, você não precisa, você não precisa entender de arte para você apreciar obras de arte. Ai, ai, né? Tipo, que chato, né? Fica insistindo na mesma frase, batendo, batendo, martelando na mesma frase. Como é que é isso, né? Olha só. Eu vou te mostrar o seguinte, pra gente chegar no ponto, vai chegando no ponto que eu tô procurando demonstrar. Pra você começar a apreciar obras de arte sem sentir vergonha, sem sentir medo, você pode começar do zero, né, entre aspas. Então vamos Você pode então aí, vocês estão vendo aí uma reprodução, uma imagem do nascimento da Vênus. Então vamos dizer que você abre um livro e tem uma reprodução do nascimento da Vênus do Sandro Botticelli. Essa obra está lá na Galeria dos Ofícios, Galeria Uffizi, em Florença, na Itália. É uma das obras mais belas da história da arte, né, mais belo do mundo, um dos exemplos máximos da arte mundial, não só do Renascimento, de todos os tempos. E enfim, eu tenho certeza que você pode tirar proveito dessa obra, da contemplação dessa obra, sem você ter nenhuma preparação prévia. Então vamos lá ver o que pode ser. Vamos checar então qual equipamento que você pode usar para poder contemplar essa imagem. Qual equipamento? Ainda não as 4 camadas, né? Então vamos partir do seguinte: os 2 olhos, um cérebro, a vontade de apreciar essa obra, ter o acesso à obra, no caso é o livro com a reprodução da obra do Botticelli, tá? Aqui no nosso caso nós estamos com a obra na tela, quase a mesma coisa. E por último, você vê que eu mudei um pouco a ordem, mas é o repertório mental das imagens. Então você tem tudo isso, mas todas as imagens imagens que você já viu, as imagens que você guarda na cabeça, as imagens que você tem carinho especial, as suas imagens preferidas, as imagens que você não gosta também, né? E a sua experiência de vida. Então tudo aquilo que você já passou na vida você vai usar, acredita em mim, você vai usar para poder contemplar essa obra de arte, para fazer relação. Então não só o que você já viu, mas aquilo que você cheirou, os cheiros que você guarda na sua lembrança, cheiros bons, cheiros ruins, gosto, né, o som das coisas, som das vozes de pessoas queridas, som do mar, sensação do tato, né, arrepio de frio, sensação de calor, as suas emoções, seus sentimentos, paixões, raiva, amor, curiosidade, também as suas ideias, seus conceitos sobre o mundo, a forma como você explica o mundo, né, as suas opiniões, as suas experiências, as relações com outras pessoas. Tudo isso soma, tudo isso, e você tem a sua memória. E lógico, aquilo que ajuda a compor a sua personalidade, né? Pegue tudo isso e se coloque na frente da obra de arte. Você e a obra de arte, frente a frente, contemplando a obra de arte, só você e ela. A hora da verdade. Sabe o que que vai acontecer? Você já sabe o que vai acontecer. Eu vou te contar. Quando você se coloca à frente de uma obra de arte, é feito um pedido para você. É pedido para você que você decifre essa imagem. Toda obra de arte é um tipo de uma esfinge que grita para você: "Decifra-me ou te devoro!" É um desafio, sempre, por mais pacífica que seja a obra. Não precisa ser a esfinge representada, pode ser essa bela mulher, a deusa do amor, né? Mas ela está pedindo para que seja decifrada. Quando você é desafiado, desafiada, se você não tá impedido pela vergonha ou pelo medo, quando você aceita o desafio, você pega na mão e aceita isso, e Como assim você não tem um ou os dois tipos de conhecimentos culturais que eu apontei agora há pouco, as informações e as opiniões sobre a obra de arte, nesse caso específico sobre o nascimento da Vênus, você vai recorrer a quê? Vamos lá, aquilo que eu já falei para você. Você vai recorrer ao que os seus olhos você vai recorrer àquilo que o seu cérebro vai deduzir a partir dessa visão, você vai recorrer ao confronto com as suas memórias, então você vai consultar suas memórias, as suas experiências que você já passou, você vai ver o que tem de similar e o que tem de diferente, vai ver se tem alguma ligação qual imagem que você tá vendo, certo? E a partir disso tudo, principalmente essas três coisas: o que o olho tá vendo, que os olhos estão vendo, o que o cérebro deduz e o confronto com as memórias, você vai chegar à sua própria conclusão sem ter recorrido a nenhuma opinião de crítico, de historiador da arte, de qualquer pessoa pessoa que tenha algum conhecimento, um desses dois tipos de conhecimento que eu citei antes, tá? Não precisa de nenhuma opinião da grande conversa da cultura. Você sozinho olhando, contemplando essa obra de arte, certo? Isso é isso que acontece quando você se coloca na frente de uma obra de arte sem ser um especialista. Tá? O que que vocês acham disso? Tá muito absurdo, muito simplório, muito simples, simples demais. Falar: tá negando todo o poder da cultura, quer dizer que a gente não precisa ter formação, não precisa ir atrás de informação? Não é isso, né? Ainda vou chegar nisso ainda, mas O que eu tô querendo dizer é possível sim você contemplar a obra de arte, tirar proveito da contemplação dessa obra de arte e ainda não recorrer, ainda não, ainda não recorrer aos universitários, né? Ou seja, a todo o pessoal, os intelectuais, os poetas, críticos, historiadores, sociólogos, sei lá, tantas quantas pessoas têm escrito a respeito da obra, tá? Então assim, é um ponto de partida que a gente tem, que a gente já tem em nós, né, para poder contemplar essas obras de arte, tá? O que que eu vou propor a partir de agora? Então, a partir de agora, a partir de agora, é Eu vou colocar para vocês o percurso a partir disso que eu falei. Na verdade, tem uma correspondência. Na verdade, eu sistematizei a questão das 4 camadas da obra de arte a partir dessa constatação que eu fiz, né? Esse percurso que a gente percorre quando contempla qualquer obra de arte, tá? Então esse percurso é o que eu chamei de 4 camadas da obra de arte. Ela é corrente, quer dizer, não vamos discutir agora se é uma herança cultural ou se todo ser humano tem isso embutido na programação cerebral, mas enfim, eu defendo que se nós tivermos mais consciência dessa prática que tá aí sistematizada, organizada nessa ferramenta das 4 camadas da obra de arte, nós podemos aprimorar a maneira como nós contemplamos as imagens artísticas. Consciência, gente, consciência, consciência fundamental para a gente tomar posse, a gente tomar posse da própria formação, da condução da nossa formação, entende? Veja só na tela as 4 camadas, então aqui na tela as 4 camadas da obra de arte. Esse é um esquema, um gráfico que eu criei, né, para facilitar a visualização, né. Daqui a pouco, Mônica, a gente vai falar um pouco sobre essa questão das obras táteis, tá? Só vou colocar assim: as obras de arte visuais, assim, quer queira ou quer não, são obras visuais. E a maioria das pessoas, por mais que a gente, a gente quer incluir as pessoas deficientes visuais, tudo, mas as obras visuais são feitas para impressionar o sentido visão. Então assim, nesse momento não vou tratar da questão tátil, tá? Eu tô focando mesmo na questão visual porque eu tô partindo da natureza intrínseca, a natureza, natureza da obra de arte visual feita para os olhos, tá bom? Então assim, na tela aí, as 4 camadas da obra de arte. Então a gente precisa partir da primeira, que é a que está mais à esquerda, que é a "ver", a percepção, "ver", e vai subindo nessa linha diagonal que vai até o canto superior direito, até criação ou descoberta de sentido, interpretar. Então vamos aplicar Vamos aplicar essas 4 camadas na leitura da Vênus. Vamos lá então. Você está de frente a frente com a Vênus, o nascimento da Vênus. Você vai identificar então o percurso da contemplação da Vênus, tá? Você está frente a frente com a tela da Vênus, você está usando o sistema sentido da visão para captar a imagem da Vênus. Então aqui nós estamos, nós estamos percebendo o que é próprio do sentido da visão: as cores, as linhas, né, aquilo que é captado ainda sem dar nome para as coisas. Você tá vendo, você tá percebendo, né, você tá captando algo do mundo exterior e os seus olhos estão levando você vê isso para o seu cérebro. Isso é o ver, né, que é a parte da camada da percepção, a primeira camada. Aí, seguinte, o que que você a partir disso vai fazer? Você vai começar a identificar as figuras. Eu tô falando isso, tô falando isso, que é uma, é algo, é algo natural, tá? Você não tem consciência Pelo menos a maior parte das pessoas não tem. Você tá fazendo isso nessa ordem, né? Também seria muito chato, né? Você chega na frente de uma obra de arte, fala: não, agora eu vou ver, agora eu vou identificar. Não é assim, eu só tô descrevendo algo que acontece de forma natural, tá? Então aí, na segunda camada, segunda parte, né, você, a segunda parte do processo, você identifica, você começa a identificar figuras. É normal, nosso cérebro, é um processo natural do nosso cérebro, a gente, do nosso passado de caçador, do nosso passado de presa, né? Se um predador tava à espreita, se você conseguir identificar no meio de uma folhagem o rosto de um leão, sei lá, de um tigre, de um urso, você identificava o urso e saía correndo, né? Você dava no pé para que você salvar sua vida. Então é normal, a gente, natural, é uma parte da, isso sim, né, uma programação do nosso cérebro que procura identificar figuras. Vocês veem que até em quadros abstratos a gente procura figuras. Isso não tem problema nenhum, tá, gente. Enfim, então nessa parte, nessa, nessa fase, você vai ver que tem uma mulher, você vai ver que as cores, as formam a figura de uma mulher, uma mulher nua, alta, com cabelos longos, loiros, né, em cima de uma concha gigante. À esquerda dela tem um homem e uma mulher abraçados, estão voando, né, o homem tá soprando, eles estão todos enrolados em tecido, tem, eles têm, parece que tem asa lá, não dá para perceber bem, mas são asas. Cabelos ao vento, coisa e tal. À esquerda da Vênus, da figura feminina, você tem outra mulher, só que vestida, segurando uma capa, que parece que está esticando a capa para a figura do centro. Atrás dessa figura tem uma floresta, tem várias árvores, parece que eles estão numa costa, no litoral, e se se for um litoral, se for um lago, mas parece que é um mar, por isso a concha, né? Aliás, você tem aí o mar ao fundo, né? Enfim, uma descrição muito breve, não é detalhada, mas é o que tem de essencial no quadro. Então nós identificamos as figuras nessa fase, é a segunda camada das camadas da obra de arte. Nessa altura você Você percebeu que tem uma história rolando aí, né? Que história será essa? Você então, movido pela curiosidade, você vai procurar informações sobre essa obra. Então, que história está sendo contada nessa obra? E daí você vai perguntar para alguém, algum professor que você conhece, você vai pesquisar no livro, vai pesquisar na internet. Então você está procurando o significado da imagem. O que ela quer dizer? Que história que ela está contando? Você saiu só da representação de figuras e você está procurando saber o que significa a obra. Primeiro, o significado mais imediato, que é o da história que ela está contando. Você está caminhando caminhando para decifrar a obra. Primeiro decifrou a parte visual, né, a questão das cores, das linhas, depois identificou as figuras. Agora você tá em busca de saber que significa, o que quer dizer a obra. Então quando você vai procurar essas outras informações por interesse próprio, por conta da sua curiosidade pessoal, começa lá o movimento que te leva àquela cultura que eu descrevi para você como uma conversa de muitas pessoas através dos séculos. Percebem? Você começa a se integrar na grande conversa da cultura. Talvez aí você queira comparar a história da mitologia. Então você achou na sua pesquisa lá a história que conta o nascimento da deusa Afrodite, né, ou Vai comparar com a pintura, vai ver se bate, né? Será que bate a história com a imagem? Então olha só que bacana, você vai fazer esse movimento para ver se se bate uma coisa com a outra, e nesse movimento você começa a entender melhor, tá? Então essa é a fase que eu chamei de contextualização, né? É a terceira camada da obra de arte, contextualizar. Enfim, por último, você pode descobrir ou não, né, dependendo da imagem, que essa imagem, mas enfim, no caso dessa imagem, você descobre que essa imagem representa a história do nascimento da deusa grega do amor, Afrodite. Ou Vênus, né? Mas que relação que essa história, essa história do nascimento de uma deusa, pode ter com outras coisas que fazem sentido para você? Por exemplo, você pode chegar nessa quarta camada da obra de arte, que é interpretar, e descobrir que faz sentido para você, por exemplo, a beleza visual da obra, a forma como as cores foram manchadas ou aplicadas, a disposição dos elementos na imagem, de uma forma muito bonita, de uma forma muito bela, que tem relação com a deusa do amor, já que para você amor e beleza andam juntas, entende? Você relaciona a beleza visual com a beleza, com a beleza do amor que a deusa está representando. E pode ser também outras coisas. Pode ser que tenha um significado pessoal do tipo: a figura da Afrodite te lembra uma namorada, ou uma moça que você gostava, ou uma vizinha sua, ou uma tia, não sei, alguém que você conheceu, né? Ou outras coisas, tipo a beleza de um corpo feminino, por mais belo que seja, ela deve ser coberta. É, tô dizendo, poderia ser esse significado, né, de uma modéstia, de um pudor. Por quê? Porque a deusa que tá na praia esticando o pano para Afrodite, ela talvez pense assim, né, porque ela tá esticando para cobrir a nudez. E a própria Afrodite tá cobrindo o sexo com os cabelos, cobrindo um dos seios, ou seja, De alguma forma ela tem vergonha, ela tem um pudor, uma modéstia. Então essa beleza está evidente, mas ela deve ser coberta, ela deve ser ocultada de alguma forma. Você pode tirar essa conclusão ao ver essa obra. Ou como alguns renascentistas chegaram à conclusão, relacionaram a beleza do amor a beleza que é representada pela deusa do amor, fizeram uma relação com Nossa Senhora, por exemplo. Não vamos esquecer que no Renascimento houve a retomada do paganismo, das referências do paganismo da antiguidade clássica, mas era uma cultura cristã, né? Então havia essa preocupação de fazer a relação da beleza que vinha de— que para eles vinha de Deus, essa beleza apontava para Deus, mesmo sendo a representação de uma deusa pagã, que para eles não era uma deusa que existia de verdade, mas era uma alegoria, ou seja, algo que representava outra coisa. No caso, o que eu falei da modéstia, do decoro, do pudor, é algo que pode ser relacionado sim à Virgem Maria, a Nossa Senhora, né, Mãe de Jesus. Então isso são vários significados, né, que você pode atribuir. Você pode criar o significado a partir da imagem ou descobrir, como queira, né, essas, essas relações, né, essas interpretações. Enfim, e as possibilidades de significado são infinitas, são imensas. Enfim, então essa é a quarta camada da obra de arte, tá? Ufa! Faz sentido para vocês isso tudo? O que que vocês acham? Tô curioso para saber como é que tá caindo aí para vocês, né? Como se tá muito absurdo que eu tô falando, se faz sentido. Tá bacana, legal. Então, pessoal, assim, vocês veem que assim, nós partimos daquele desafio que eu falei, que toda obra de arte, toda obra de arte, quando você fica na frente dela, ela te faz esse desafio: me decifra, decifra-me ou te devoro, né? Lógico, no sentido figurado, né? Mas você quer saber o que significa aquela obra. Por que o artista teve o trabalho de sentar para pintar esse quadro, né? Por que o escultor teve o trabalho de sentar, de ficar de pé, enfim, de qual posição, para fazer uma escultura, para fazer uma estátua? Você foi levado por esse desafio, você foi levado por esse desafio e não deve nenhuma obrigação para outras pessoas no início, a não ser a sua necessidade pessoal, o movimento interno só seu. Você começou ao procurar informações adicionais sobre a imagem que você tá vendo, a entrar devagarinho, tranquilamente, sem se fazer notar, na grande conversa dos séculos, a grande conversa da cultura. Então você vai provavelmente começar pelas informações, depois vai até a opinião das outras pessoas e juntar isso com as suas próprias impressões, suas memórias, e as informações que você já tinha. Enfim, o mais importante é que você foi levado a isso não por imposição social, nesse caso aqui que eu tô falando para vocês, tá, nem necessidade de obter formação para alavancar sua carreira ou melhorar seu salário. Você fez isso por uma necessidade interna, tá, uma necessidade que eu chamo sim de necessidade espiritual. Não quer dizer necessariamente uma necessidade de religião, religiosa, mas é uma necessidade pessoal, interna, de sentir, entender, transcender o seu cotidiano, de ir além do senso comum, do dia a dia, que é ganhar dinheiro, sobreviver, fazer as coisas, esportividade prática, para alcançar algo que está além desse cotidiano, desse dia a dia que é massacrante, né, vamos falar a verdade. Essa busca de algo além do cotidiano é o que nos faz humanos, porque são os animais que estão preocupados com a sua sobrevivência e com a satisfação dos impulsos naturais, comer, beber, dormir, ficar em segurança longe dos predadores, atender aos instintos de reprodução, São os animais que não vão além disso, certo? Por isso a contemplação de arte e cultura são atividades exclusivamente humanas. É por isso que elas nos tornam mais humanos, porque são atividades que nos ajudam a enxergar o sentido da vida. Olha só, então a pergunta: é possível apreciar arte de uma forma apreciosa sem possuir conhecimento sobre apreciação artística? A resposta é sim. Mas se você começa a apreciar arte por conta própria, você vai sentir pouco a pouco a necessidade de procurar informações e opiniões de outras pessoas a respeito das obras. É um processo natural, né? A gente acaba sendo levado naturalmente a si mesmo. Nesse processo você se torna um apreciador ativo de arte, que você vai gradualmente entrando na grande conversa da cultura e tomando consciência do que você tá fazendo cada vez mais. Então quando a gente fala de apreciação artística, eu posso afirmar que ela é possível a todos, mas tem sim como a gente melhorar essa em termos de qualidade mesmo. A qualidade aqui, você pode notar, é maior quanto mais ligações entre aquilo que você aprecia e o que os outros apreciaram antes de você, ou seja, o que a cultura te fornece, são feitas. O que mais importa, no entanto, é que é possível começar, com ou sem ajuda, a apreciar apreciar a arte de qualquer época ou local, de qualquer tipo de arte, estilo, movimentos, artistas, qualquer aspecto relacionado à arte, sem ter uma formação específica em arte. Basta você ter a consciência do que nós já temos: olhos, cérebro, repertório, experiência pessoal, acesso às obras e, mais do que tudo, vontade em enriquecer a si mesmo com mais tempo dedicado à contemplação das obras. Como vocês viram, né, não é um bicho de sete cabeças, é algo perfeitamente possível, tá. Mas enfim, a gente a gente tem que começar, né? E começar depende só de você, depende do seu sim, certo? Vamos começar? Então, pessoal, que acharam? É isso, gostaram? Agora nós podemos Fazer algumas perguntas. Vamos ver aqui alguma dúvida, alguma dúvida quanto ao que eu expus. É toda uma linha de argumentação, a preocupação que eu já tenho há muitos anos e no qual se baseia tudo que eu faço hoje, que é levar a arte para as pessoas de uma forma simples, descomplicada, didática, fácil. Não que a arte não possa ser complexa, mas você partir do zero, como eu falei, porque na verdade não é do zero, como eu bem expus, né? Bem expus no sentido que eu procurei expor bem. Fazer isso de uma forma com o que você já tem. E nós temos já bastante coisas, né? Então isso é bem bacana de perceber. Quando eu percebi isso, falei: puxa vida, né? As pessoas não precisam impedir. A gente não precisa se impedir, colocar esses impedimentos, né? Tá, vamos ver. O Antônio tá falando aqui: o amor, desejo sendo oprimido por um lado e inflamado por outro. A eterna batalha entre o humano e o divino. Viajei muito? Não, Antônio, não viajou não. Tá muito bacana. Olha só, assim de bate-pronto, né, uma apreciação instantânea, mas válida, claro, sem problema. Eu acho muito legal. É possível você defender isso? Sim. O desejo está sendo oprimido por um lado, inflamado por outro. Legal, muito bom. Você pode ver que as figuras estão voando, né, que na verdade é o deus Eolo, né, que é o deus dos ventos. É um deus, é uma figura divina. Na verdade, a figura que tá na praia também é uma figura, vamos dizer, divina, né, que é a representação da primavera. Que é uma das ninfas gregas. Mas você pode fazer essa interpretação, sim, claro, porque ela tá na terra, né? Você tem o deus Eolo que tá no ar, suspenso no ar, e a deusa que tá na terra. Então você pode dizer que na história da arte até a gente fala, né, o que você tá na terra representa o humano, você tá no ar, suspenso no espaço normalmente é divino, né? Você vê Jesus, Nossa Senhora, os santos levitando, né? Ou ascendendo ao céu, né? Você tem essa relação, sim, muito bacana. A arte, Mônica, a arte sempre resgata memórias que temos, vivências que tivemos em nossas vidas. Eu acho, Mônica, eu acho que não é que ela sempre, 100% das vezes resgata, mas ela pode resgatar, né? Ela pode sim servir a esse propósito, né? Ela pode acender essas memórias, pode até acender memórias que estavam adormecidas, né? Tem vários artistas que trabalham isso, né? Tanto artistas acadêmicos mais tradicionais como artistas contemporâneos trabalham sim com essa questão da memória, com essa questão do através da arte, né? Você tem artistas, e aí cabe bem a sua observação sobre a questão do tátil na arte. Você tem muitos artistas contemporâneos hoje que trabalham essa questão do tátil, né? De você mexer com o sentido do tato e não só da visão. Tradicionalmente, os artistas utilizam o tato através da visão, né? Você não pode botar a mão na obra, mas aquilo estimula o que você tá vendo, né? Uma pintura, por exemplo, de um Van Eyck lá, do alemão lá, do flamengo, né, do século 15. Ele pinta tão bem, com tanto realismo, que você parece que tá sentindo a textura dos tapetes, dos tecidos, da pele das pessoas, de tão— quase um hiperrealismo assim. E você tem outros artistas contemporâneos que trabalham sim essa questão do tátil, né, de texturas, de tecidos, de sobreposições de tecidos diáfamos, transparentes, semitransparentes, que são trabalhos bem interessantes. A Cláudia: arte resgata nossa conexão com o divino, com a nossa alma. Sim, eu acho que serve, serve muito bem para isso, Cláudia, concordo. A Mônica: qual a importância da arte, especificamente no caso de quadros, para as Crianças, eu não entendi porque a especificidade dos quadros, mas é uma pergunta bem ampla, né? Questão da importância da arte, né? Eu acho que uma das coisas é fazendo a relação com que a gente falou hoje, com que eu mostrei para vocês hoje, eu acho que tem a ver Muito com essa questão do, de você ter consciência, ter consciência do que você tá vendo e fazer a relação dessas imagens, que como a gente, né, só nessa conversa de chat, né, a partir das suas observações de vocês, dá para fazer essas ligações, né, e você conectar a imagem A imagem te estimula a resgatar memórias, a fazer ligações com outras experiências, com suas experiências, experiências de outras pessoas, com ideias, com opiniões de outras pessoas, com as suas ideias, as suas opiniões. E aí você fazer um sentido pessoal, né? Você chegar no sentido pessoal que pode ter relação, pode ter relação com com algo que existe, por exemplo, sei lá, uma arte sacra pode te ajudar a conectar com o divino, seja qual a religião que for, né? Ou você ter um, você chegar numa ideia, no sentido pessoal, que às vezes não tem relação com nenhuma ideia já estabelecida, né? Então, imagino que por aí a gente pode ver a importância da arte. Porque na verdade a arte é um grande comentário. Eu falei da grande conversa da cultura, né? É um grande comentário sobre a vida, um grande comentário sobre o mundo, um grande comentário sobre a humanidade. Grandes comentários no sentido, pode ser grande em extensão, mas importância em profundidade, né? E é bom a gente se colocar para escutar essas pessoas da grande conversa da cultura, né, os grandes escritores, as pessoas que escreveram a respeito de arte, mas também olhar para as obras de arte, né. Tem pessoas que chegam a ficar somente na opinião dos críticos e acaba não tendo uma visão própria. Sei que não é fácil, né, eu falei tudo isso para você de vocês, mas às vezes a gente fica amarrado na opinião dessas pessoas e acaba, como a gente fala, nesse meio papagaio de pirata, né? Enfim, Sida, só observando. É isso mesmo, Sida, é só observando mesmo. A ideia é olhar, a ideia é ver, mais do que olhar só, né? Quando a gente olha sem Quando a gente olha, normalmente é sem atenção, né? Dá aquela, como fala, aquele golpe de vista, como a gente fala em Piracicaba, né? E sai correndo. Que nem eu falo quando a gente tá no museu, leva o grupo para ver museu, fala: gente, vamos parar na frente da obra, dar um tempo, olhar para ela, deixar ela se revelar para você, né? Não sair correndo. O que eu falo, né? Tem gente que chega mesmo na exposição, no museu, numa exposição, fala: "Gostei, não gostei, gostei, gostei, não gostei", andando, correndo na frente da obra. Não é assim que a gente vê exposição, né? Tem que ter atenção, tem que ter tempo para olhar, para obra falar com você, falar a partir da visão, daquilo que ela está mostrando visualmente. Mas isso é uma conversa. Você frente a frente com a obra de arte, você está conversando com a obra. Enfim. Francisco: serve também como terapia, pois mexe com os nossos arquétipos. Aí você está partindo de um ponto de do ponto de vista junguiano, Francisco, sem problema, claro. Só tome cuidado, que eu sugiro que você primeiro olhe, ou passe a fazer isso, não sei, primeiro tentar. A gente pode tentar, né, ver com um olhar inocente, né, no como eu coloquei ali, sem recorrer primeiro às opiniões. Primeiro a gente vai com o nosso olhar, ou seja, a gente frente a frente com a obra de arte, sem ninguém junto. Então, como se você tivesse na frente de uma pessoa e você vai começar a conversar com ela, ela vai começar a falar com você e você vai ouvir. Basicamente O que é isso? Se pudesse resumir o que é contemplação de obras de arte, na minha opinião, o básico é isso: você frente a frente com a obra, ela vai falar com você e você vai ouvir, tá? É isso. Você sente, você mais ouve do que fala, né? Então, primeiro você olha, você vai deixando a obra inundar Ela te inundar com as suas observações, com as suas falas, e depois aí você chama o Jung para te ajudar. Aí quando você chegar na parte de contextualização, de interpretação, aí você chama o Carl Jung para te ajudar. Não estou dizendo que tem problema de chamar o Jung, mas eu penso eu, que acho que que você vai começar a ter mais proveito se você pensar mais ou menos a partir desse esquema, dessa ferramenta das camadas da obra de arte, das 4 camadas. Você chama o Jung lá na terceira camada, tá? Tiago Antônio, primeiro: corremos o perigo de tentar interpretar demais. Às vezes é simplesmente o que estamos vendo e só. Antônio, e assim, eu acho que você tem razão, a gente corre mesmo perigo de interpretar demais. Por isso que eu acho, penso eu, né, que essa ferramenta das camadas da obra de arte, elas são, ela é útil. Por quê? Porque primeiro você se coloca para ver, você se coloca à disposição da imagem para ela falar com você, e Primeiro você vai ouvir, entende? Depois você vai interpretar. E antes de interpretar, que é a última camada, a quarta camada, primeiro você vê, depois você vai identificar as figuras, vai identificar o tema, vai contextualizar. Só por último que você vai interpretar, tá? Então assim, não é que nem todas as obras são simplesmente a gente vê. Algumas sim, simplesmente. Se bem que nada é simples, na verdade, né? Uma obra abstrata pode ter uma significação, uma interpretação que vai além daquilo que você tá vendo, né? Embora aparentemente não tenha. Mas assim, sim, a gente corre o perigo de tentar interpretar demais, né? Às vezes, como fala, procurando chifre na cabeça de cavalo, né? Às vezes Às vezes é uma vaca que tem dois chifres, às vezes é um unicórnio, às vezes é um cavalo mesmo, tá? Tiago: na pesquisa da contextualização, é possível admitir que obras ou movimentos inteiros sejam melhores ou piores que outros? Tiago, melhores ou piores. Eu vou dizer para você, nós estamos fazendo, quando a gente fala em melhor ou pior, nesse momento histórico, nós, eu vou poder afirmar com segurança para você, e aí você vê como você quiser interpretar isso da melhor forma. Só é possível dizer que é melhor ou pior a partir da sua opinião. Não é possível nesse momento que nós estamos vivendo dizer que existe uma verdade absoluta quando a gente tá falando em obra de arte. Você pode ter um crítico ou um historiador que estabelece E para ele, dentro da coerência interna do texto, do livro que ele tá colocando, da teoria dele, da exposição que ele faz, ao escolher determinados artistas e ignorar outros, ele já tá escolhendo, já tá dizendo que aquele merece ser citado, ser estudado, que é o que ele faz ali. Ali já é uma escolha, e para ele aquilo é o melhor. Pelo menos naquele momento em que, naquele livro, naquele texto que você tá pegando. Agora, se você vai dizer: nossa, absolutamente, Picasso é melhor do que Matisse, por exemplo, não temos mais como afirmar isso, né? Nós estamos num momento extremamente sem julgamento de mérito, tá? Só tô descrevendo a nossa época, bastante relativista. Então eu acho que é bastante, vou dizer até subjetivista, ou seja, aí tô complicando um pouco, né? Mas assim, cada um vai achar a partir dos critérios que estabeleceu o que é melhor, o que é pior. Aí se você me conseguir convencer dos seus critérios, eu vou conseguir, eu vou ficar convencido que aquelas obras que você escolheu, aqueles artistas, são melhores ou piores a partir dos seus critérios, entendeu? Acho que é isso que eu posso dizer nesse momento. Claudia: O que eu fico encantada também muitas vezes é como o artista nos serve de ponte. Ele capta aquilo que estava no mundo das ideias e materializa. Acho isso incrível. Realmente é incrível mesmo, é maravilhoso, né? Mundo das ideias aqui. Agora a Claudia deu uma de platônica, né? Aceitando, aceitando o pressuposto que existe um mundo das ideias, né, Cláudio? Mas tudo bem, cada um vai achar aquilo que tem convicção, né? Mas é assim, sei lá, mundo das ideias. Alguns vão dizer inconsciente coletivo, alguns vão dizer, sei lá, um repertório comum de imagens da humanidade, programação neural, sei lá. Mas de qualquer forma, de algum lugar, seja da própria cabeça, seja de um repertório coletivo, o artista se inspira, parte daquilo e nos mostra coisas ou mostra o mundo cotidiano de uma outra forma, que a gente vê de outra forma, ou mostra coisas que a gente nem imaginava que pudesse existir, não é verdade? Bom, pessoal, eu queria falar muito rapidamente para vocês, o papo tá bem bacana, papo tá bom, né? Para quem gosta de arte, para quem aprecia a arte, para para quem ama arte, é sempre bacana falar de arte, né? Falar dessas obras que a gente ama. Enfim, mas eu queria mostrar para vocês, a partir disso tudo, dessas observações aí, voltando para imagem, né? Queria mostrar para vocês que eu tô lançando um curso. Tô lançando um curso para quê? Para quem quer se aprofundar nesse mundo, nesse mundo da arte. Então assim, apreciador de arte, apreciadora de arte, eu procurei mostrar que todo mundo é, né? Procurei mostrar que todo mundo já é um apreciador de arte, nós já temos equipamento disponível, já temos os recursos para isso, mas nada impede que a gente tenha um empurrãozinho, não é verdade? Então assim, uma ajuda, uma mãozinha, né, que é o que eu procurei fazer aqui com a live. Espero que esse conteúdo tenha sido bom para vocês, tenha sido relevante, né, que ajude vocês de alguma forma aí, para ver esse mundo da arte de outra forma, né? De uma forma melhor, espero, né? Mais rica, mais enriquecedora, né? Enfim, e eu tô lançando esse curso para mostrar, para ajudar nessa contemplação, para a gente ainda ter mais consciência, para a gente ter mais ferramentas para ajudar a partir daquilo que você já tem, de refinar isso. De melhorar isso, né? Só um minuto. Esse curso, esse curso é a Jornada do Apreciador de Arte. É um curso que eu tenho, venho preparando desde o início da quarentena. É um curso já que eu já tenho pensando nele há anos. Ele sistematiza, ele organiza o que eu tenho estudado, que eu tenho visto mais nesses 20 anos como artista, nessa experiência de artista, de professor, de pessoa que está mergulhado no universo da arte, né? E como eu falei, essa minha preocupação já vem de tempos, já vem de mais de praticamente desde que eu comecei a dar aula, mais de história da arte, de apreciação artística, que já fiz alguns cursos especificamente sobre apreciação de obras de arte. É um curso que sistematiza isso e organiza nessas ferramentas. As 4 camadas da obra de arte é uma dessas ferramentas. A jornada do apreciador de arte é organizada em 7 passos. Então é uma jornada, uma caminhada do apreciador de arte em direção a uma contemplação, a uma apreciação de obras de arte mais rica, mais proveitosa, mais enriquecedora, tanto para si quanto para as outras pessoas. Então eu gosto eu sempre digo, a gente nunca vai ignorar, deixar no 880, né? Ah não, você vai apreciar a obra de arte só para você, só para o indivíduo. É importante, claro, é o ponto de partida, né, no meu ponto de vista. Mas eu acredito, você se modificando, você melhorando a sua perspectiva do mundo à sua volta, porque você e a obra de arte É você e o outro, né? A outra pessoa, a produção de outra pessoa que você está contemplando, que você está pegando algo que outra pessoa falou de algo que é comum aos dois, e você está formando sentido a partir daquilo que outra pessoa fez. Eu acho isso muito bonito. Então assim, a partir do momento que você começa a fazer isso com mais se relacionando mais com outras pessoas, com outras obras de arte, com outras épocas, outros estilos, você tá se humanizando. Porque você tá fazendo o quê? Você tá ouvindo mais os artistas de diferentes estilos, diferentes movimentos, diferentes épocas, diferentes culturas. Você não quer dizer que você precisa concordar com o que eles falam, mas você pode ouvir. E ouvir é muito importante, principalmente no mundo de hoje, né? As pessoas ouvem tão pouco umas às outras e a gente só quer falar, a gente não quer ouvir. Eu digo até por mim mesmo, né? É um exercício, é um exercício, penso eu. A contemplação de obras de arte leva à descoberta do do outro, da outra pessoa, da escuta atenta ao outro, mesmo que você não concorde, você tá aberto para ouvir, para escutar. Isso é humanizante, porque a partir desse momento que você ouve o outro, você começa a levar em consideração, você reconhece que é alguém que precisa ser ouvido, alguém que pode ser ouvido. Quando você fecha o canal de comunicação, fala: não, eu não quero nem saber. Essa pessoa passa a não existir para você. E pior, né, muitas vezes você ignora essa pessoa, e às vezes você— às vezes não. Quando você faz isso, você tira a face humana dessa pessoa. Como eu disse, você não precisa concordar com tudo, mas é necessário que a gente se ouça mais, que nós nos ouçamos mais. Eu coloco a arte cada vez mais como um instrumento, como uma ferramenta para você melhorar isso. E o curso, o Jornada do Apreciador de Arte, eu acho que tá muito bem estruturado, tá muito interessante, porque ele parte dessa questão do ponto zero, ele passa pelas 4 camadas da obra de arte, chega no final das 4 camadas da obra de arte e faz o quê? Ele vai colocar as ferramentas para você organizar então essas opiniões que você chegou, essas conclusões que você chegou, que é o sexto passo da jornada. E no sétimo passo da jornada, que é o último passo, você vai compartilhar com as outras pessoas. E a partir desse compartilhamento, você vai fazer o quê? Você vai começar a abrir para as pessoas discutirem o que você fez e vai ouvir o que elas fizeram também. Quais são as umas das outras, compartilhar, dividir. Ops, bati no microfone. Dividir. Então eu acho que é algo muito bonito, né, você partir da apreciação individual e chegar no compartilhamento com as outras pessoas, né. A grande conversa da cultura, né, mesmo de forma modesta que você possa fazer, mas partindo das suas conclusões, da sua apreciação, das suas impressões, das suas sensações, para se incorporar, para você entrar na roda, né, para você entrar nessa roda de conversa. E esse curso está se propondo a fazer isso, né. É um curso em vídeo, totalmente online, em vídeo, que tem muitas, são 79 vídeos, são 11 aulas, cada aula tem vários vídeos, dependendo da aula tem um número de vídeos diferente e exercícios, sou eu dando a aula, mas com muitas imagens, eu planejei de uma forma que tem muita variedade de imagens, então pra gente conhecer imagens novas que a gente não conhece. Eu fui buscar culturas diferentes, né? Então, acho que você fazendo esse curso vai se surpreender, vai se surpreender mesmo com algumas imagens que você não conhecia e vai entender as que você já conhece, né? Com todas as ferramentas, aprofundando esse olhar, essa contemplação. Que mais? Nós temos os exercícios, né? Não é coisa chata, procurei fazer de uma forma divertida, porque enfim, lógico, a gente ama arte, a gente gosta de arte, então a gente vai fazer isso para afinar. São todos exercícios para você afinar, sempre partindo daquilo que você já tem e incorporando outras coisas novas Mas sempre levando em consideração aquilo que é seu. Os exercícios vão ter essa ludicidade, essa coisa lúdica, brincalhona, para exercitar isso dos pontos que são abordados nas aulas também. Que mais? E tem um conteúdo bônus também. Além das aulas, dos exercícios, tem um conteúdo bônus. Tem muita coisa bacana lá. Texto, até alguns livros inteiros para baixar em PDF, tudo legal, tá? Não tem nada pirata, mas para você baixar vídeos, às vezes alguns vídeos para você baixar, alguns vídeos para baixar não, para você ver no ambiente, né? Alguns, as dicas de site, lista de pesquisa, textos, artigos, tudo para Se você quiser aprofundar o que eu digo na aula, você vai lá no conteúdo bônus. Sempre na aula também estou colocando: "Ah, você pode se aprofundar, vai lá no conteúdo bônus que tem algo desse tipo lá." E enfim, é uma bibliografia também, se você também quiser aprofundar a partir dos livros, dos autores que estão abordando assuntos tangentes ou que falam especificamente de coisas que eu abordei na aula, né. Enfim, é isso, gente. Alguma pergunta? Vocês têm alguma pergunta em relação a esse curso? Eu tô apresentando ele, eu vou colocar na descrição do vídeo, vou mandar no grupo também o link para vocês verem. A gente tem uma página em que descreve com bastante detalhes o curso, né, o que que ele oferece, todas as vantagens que ele tem ali, que pode oferecer para você, é para você se colocar nessa caminhada, fazer essa jornada com a gente, né. Enfim, só para a gente encerrar, vou colocar aqui para vocês, né, para quem tiver interessado, quanto que custaria Curso desse presencial, né? Se fosse, enfim, de qualquer forma, esse curso não existe. Não existe um curso para leigos, para pessoas não especialistas. Olha, isso é bem importante: esse curso não é para especialista, né? Esse curso é para pessoas que não são historiadores, não são sociólogos, não tem uma graduação de humanas. Pode ter, não é que não pode, mas é voltado o apreciador, ou seja, não é para formar um historiador de arte ou para aprofundar o conteúdo de quem é historiador de arte ou crítico ou mesmo artista, mas ajudar você a contemplar obras de arte com mais proveito, você ser um fã de arte, né? Então você vai aprimorar isso, vai melhorar isso, né? Se fosse o conteúdo de um curso Curso, sei lá, de pós-graduação, o conteúdo do curso tá bem bacana porque assim, ele tem conteúdo de várias áreas. Então você tem história da arte, filosofia, sociologia, psicologia, tudo isso eu falo disso de forma explícita ou implícita no curso. Vou colocar aí para vocês atualiza a tela. Eu tô falando, eu esqueci de colocar na tela, né? Então tá aí, ó. Quanto custaria? É só uma comparação, tá, gente? Se você fosse pegar esses conteúdos, se fosse abranger esse conteúdo na forma de cursos de pós-graduação, é um cálculo aí meio por baixo, sairia mais ou menos, incluindo o livro, tudo, sairia R$22.000, né? Eu tô oferecendo esse curso, Jornada do Pensador de Arte, por apenas à vista, né, R$797. Seria uma economia aí mais ou menos dos R$21.000. Você pode fazer parcelado em 12 12 vezes, pode parcelar até 18 vezes na verdade pelo PagSeguro, cartão de crédito, 12 vezes de R$80, né? Tem livro de arte, se for comprar um livro de arte por mês, tem livro que não vai sair por menos de R$100, né? Enfim, como uma comparação, esse valor, esse valor é agora da semana de lançamento, mas a gente vai começar divulgação duas aulas são do curso em si, né, mas até o dia 6 de novembro é esse valor, depois vai ficar mais caro, né. É um curso que, modéstia à parte, acho que tá bem bacana e vale muito mais do que isso, né. Então, mas eu quero também deixar claro que eu quero deixar acessível esse conhecimento para muitas pessoas. É um curso bastante completo, bastante interessante, que tem um ambiente próprio, exclusivo, né, que foi montado para o curso e que tem os vídeos, tem os exercícios, esse conteúdo bônus que tá bem bacana também. E então, por esse valor, né, enfim. É isso, tá aí na rua, né? Eu espero. Vamos ver as perguntas de vocês, né? Mônica, agradeço pelo conhecimento. Eu que agradeço, Mônica, pela paciência. Eu peço desculpas pelos problemas que a gente teve no começo. Eu sei que muita gente acabou indo embora, com razão, né? Mas enfim. Enfim, tem coisas que a gente não controla, né? Deu problema, deu o que foi possível, né? Antônio, são aulas já gravadas ou online? São aulas gravadas que vão estar disponíveis nesse ambiente online, Antônio. E vai ter uma live, é verdade, a Catarina bem lembrou, né? No final do curso, quem tiver no curso vai ter uma live, né, exclusiva para quem tá participando do curso. Então a gente marca uma data, né, quando o pessoal chegar no final do curso, a gente marca uma data que todos possam, pra gente fazer essa live exclusiva para de quem participou do curso. A gente vai escolher um assunto, eu vou fazer uma exposição, aí quem tiver participando do curso vai participar dessa live exclusiva. Atendimento que eu vou fazer, um atendimento personalizado, então todo momento que for necessário, se você quiser tirar dúvida, fazer algum esclarecimento, olha, estou em dúvida Fábio, aqui eu não sei como fazer esse exercício, mas eu queria fazer. Eu vou estar à disposição. Nós temos um e-mail exclusivo para o curso, nós vamos ter um grupo do WhatsApp só para os alunos do curso, né, os alunos da jornada, e esse atendimento bem personalizado, bem atencioso, bem atento, né, para que vocês, para as necessidades de vocês, certo? Bom, a partir de amanhã a gente vai colocando mais informações sobre esse curso, né? Eu vou disponibilizar o link para quem quiser conhecer melhor, né, a nossa landing page. Enfim, eu espero que vocês tenham gostado, né? Quem ainda tá aí, né, acompanhando a gente Quem não conhece o nosso canal no YouTube, canal da Apreciando Arte, né, nós temos vários conteúdos lá sobre obras de arte, sobre análise, apreciação, né, obras de arte famosas, as pinturas da Capela Sistina, obras de Van Gogh, Tarsila, outros artistas menos conhecidos. Acho que tudo bastante interessante, conhece lá, né, É esse canal que a gente tá agora, vocês acessam lá youtube.com/apreciandoarte, tudo junto, vocês acessam os vídeos do canal, se inscrevam, deem like nos vídeos, ative o sininho e compartilhe com os amigos, tá? Nós temos o site Apreciando Arte também, que nós retomamos agora, vamos começar a gerar conteúdo com bastante frequência, artigos, com os textos, estudos sobre arte, notícias do mundo da arte, reflexões, enfim. E também nós temos o Facebook, Instagram do curso do Open Center do Arte, em que nós estamos postando as novidades, chamando para os vídeos, para esses artigos e outras coisas mais pontuais, né? Enfim, são esses canais que a gente tem. Vocês podem procurar por Apreciando Arte nessas plataformas, vocês vão encontrar a gente lá, tá bom? Essa live eu vou fazer uma edição dela, mas do jeito que estava, ficar até amanhã. Depois eu vou fazer uma versão editada e daí vai estar lá no canal também, tá bom? Gostaram? Que bom, fico muito feliz, né? Fico contente mesmo. Thelma, Cida, Lígia, Mônica, Antônio, muito obrigado, obrigado pela paciência, obrigado mesmo de verdade. Cláudia, o Tiago, né, Francisco, todas. Desculpa se eu esqueci alguém. Heloísa, né, pessoal todo aí que quem falou, quem não falou. Cleonilda, muito obrigado a todos, um grande abraço, e a gente vai se falando, tá bom? Obrigado mesmo, fiquem com Deus, Deus abençoe a todos e boa noite.
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