MONET E O IMPRESSIONISMO | Live com o prof. Fábio San Juan 08 09 2021

In this 2021 live lecture, Professor Fábio San Juan provides a comprehensive overview of Claude Monet’s life, artistic development, and the emergence of Impressionism within the broader context of 19th‑century French art. He begins by describing the dominant role of the Salon de Beaux‑Arts and the academic conventions that governed artistic production, then traces Monet’s early years – his family background, early caricatures, apprenticeship with Eugène Boudin, and his first Salon entries. The lecture explains the technical revolutions that made plein‑air painting possible (paint tubes, portable easels, and railways) and how these enabled Monet and his peers to work outdoors. Key early works, including marine scenes, portraits, and the controversial “Déjeuner sur l’herbe” adaptation, are examined. San Juan details the formation of the Impressionist group, the pivotal 1874 exhibition featuring Monet’s “Impression, Sunrise,” and the role of photographer Nadar in naming the movement. The core of the talk focuses on Monet’s obsession with light, illustrated through his series of haystacks, the Rouen Cathedral, the Thames, and later the Giverny water‑lily gardens, highlighting his systematic study of temporal and atmospheric color changes. The lecture also touches on Monet’s later stylistic drift toward the more emotive palettes of post‑Impressionism, his commercial struggles, and the legacy of his works in major Parisian museums. Throughout, the professor intersperses pedagogical notes, invites audience interaction, and promotes his online channels for further art‑history education.
Chapters
Olá, boa noite, tudo bem com vocês? Estamos aqui na nossa live da Pressão do Arte sobre Monet e o Impressionismo. Tudo bem com todos? Vocês estão aí, estão ouvindo bem? Boa noite, Elaine, Beth, Ana Luísa, Esmeralda. São todos bem? Todas bem, né? Porque nós não temos nenhum homem, mas tudo bem, estamos aí. Vamos lá então, vamos começar. E quem chegando então vai se manifestando aí. Nós vamos dar uma breve ideia do que é a obra Monet e o impressionismo. A ideia é fazer uma panorâmica. No nosso tempo de live, como uma aula, como uma palestra, nós não temos como aprofundar, mas nós vamos ver um pouco dessa maravilhosa obra desse pintor francês que encanta tanta gente, a todos nós, até hoje, né? Então, olá pessoal, olá Valéria, Cristina, Denis, se é que eu entendi, Denis Pellar, Certo, muito bem. Todos bem-vindos, sejam todos bem-vindos. Deixa eu fechar aqui um pouco algumas dessas janelas que estão abertas. Vamos entrar no nosso assunto com toda apropriedade. Muito bem, eu sou o professor Fábio San Juan da PC Anduarte. Vocês têm aí alguns canais que a gente pode que a gente pode, que vocês podem entrar em contato comigo e apreciar o meu trabalho sobre história da arte, sobre arte em geral, história da imagem, história cultural, mas sempre a partir das imagens. Então vocês podem, principalmente pelo canal do YouTube, mas também pelo Facebook, onde eu desenvolvo um trabalho Principalmente discursões, visitas a museus guiadas aqui no Estado de São Paulo e com o público geral, o resto do mundo, vamos dizer assim, né, pelo YouTube através dos vídeos. WhatsApp é para entrar em contato para os cursos que a gente vende, a gente comercializa, e também o e-mail se tiverem qualquer dúvida. Muito bem. Olá, Alex, tudo bem? Tudo bem. Bom, então a ideia agora é falar um pouco sobre o contexto da arte no século 19, no qual Monet nasceu. Eu escolhi aqui o Salão de Belas Artes de 1840, que é a data na qual Claude Monet nasceu. É só para a gente ter uma ideia do ambiente da arte neste momento. É um ambiente que vai durar por bastante tempo e que aos poucos vai sendo substituído por outras poéticas, por outros movimentos, por outras mentalidades artísticas. Aqui vocês veem escrito "Salon" de 1840. Na verdade, está escrito em francês, né? Salon des Neufs Quarante. Esses são alguns dos quadros e alguns dos trabalhos artísticos, não somente pinturas, mas os trabalhos artísticos que tiveram destaque nesse Salon de 1840. Nós estamos em pleno domínio da arte acadêmica e a arte acadêmica, é preciso dizer, ela nasceu oficial, ela nasceu bancada pelo Estado, pelo Estado francês, no caso por Luís XIV, lá no século XVII. O primeiro Salon foi em 1667. Ou 1666, dependendo do que você aceita, uma exposição ou outra que foi feita um ano ou outro, mas organizada, patrocinada mesmo pelo Estado francês, primeiro pela monarquia, depois pela república, pelas várias repúblicas, Nós tivemos várias, né, os franceses contam, né, Primeira República, Segunda República, porque foi intercalado por períodos de monarquia, de restauração da monarquia, inclusive pela monarquia de Napoleão, Napoleão III, etc. Mas o que importa dizer é que o salão, o salão era o "axe" da arte. Não só francesa, mas mundial, da arte com base na cultura europeia. Então, os artistas do Ocidente, ou pelo menos dos lugares onde o Ocidente tinha influência, que foi cada vez aumentando mais a partir da colonização europeia até até se tornar o que nós chamamos desse mundo globalizado de hoje, que tem a cultura europeia como uma base forte, o salão de Belas Artes, o salon de beaux-arts, o salão oficial, ele era o que dava o tom, ele era o que ditava as regras. Era isso mesmo, reditava as regras mesmo. Havia regras para que uma pintura, uma escultura, uma gravura, um medalhão, por exemplo, como esse que vocês veem, que é um medalhão em alto relevo, e outras artes até saindo desse escopo, artes consideradas menores, Elas tinham suas regras, então tanto de o que se considerava um quadro bem pintado, normalmente, o grande, normalmente não, a regra era que a grande, a técnica máxima se utilizava, que obtinha os maiores efeitos, os melhores efeitos quanto ao realismo que se buscava, o realismo naturalista. A gente diria hoje um realismo fotográfico. Ele era dado pela técnica da pintura a óleo, baseada na herança dos grandes mestres do Renascimento, principalmente, mas há uns grandes mestres que também iam se impondo à medida que ganhavam esses salões. Então, os mestres, não só, né, Mas os pintores que alcançavam, segundo o júri, os jurados do Grande Júri do Salão de Belas Artes, alcançavam esses objetivos, essas regras impostas pela Academia Real, depois Academia Oficial, Academia— Instituto de França, Institut de France, Mas, de qualquer forma, a academia, digamos, a academia que ditava essas regras no seu ensino e depois aplicava no julgamento desses trabalhos no salão. Então, os artistas que atingiam esse padrão eram premiados, eram selecionados. Ser selecionado nesses salões era um grande impulso para a carreira dos artistas. Não foi diferente com Monet. Nós veremos que há vários quadros de Monet que foram aceitos no Salão e por isso isso foi lhe granjeando também uma fama e foi aceita a medida que era aceito no Salão quebrando algumas dessas regras de bem pintar. Ia também forjando, forjando no bom sentido, né, a aceitação de um estilo mais leve, mais solto, mais fluido, que depois foi chamado de impressionismo, certo? Estão me ouvindo bem? Olá, Cláudia, boa noite. Estão me ouvindo bem? Tá tudo certo? Vocês percebem que eu tô fazendo essa contextualização para chegar na quebra que o Impressionismo faz, né? Quando o Impressionismo chega, ele faz uma quebra. Não é o primeiro movimento que faz isso, mas o Impressionismo representa uma quebra nesse padrão acadêmico. Como um exemplo mais próximo, maior também na tela para vocês verem, para contemplarem e entenderem, quem não conhece bem a arte acadêmica ou não conhece a diferença entre o que a gente chama de arte acadêmica, arte clássica, arte até de um cunho renascentista, e a diferença dela com a arte arte mais moderna, ou melhor, com a arte moderna, a arte do Realismo francês, a arte do Impressionismo e do Expressionismo que vem depois. Nós vamos mostrar, vou falar muito rapidamente para vocês perceberem a diferença. Aqui nós temos um quadro de Ingres. Ingres é um pintor estritamente acadêmico, assim, um dos exemplos de academicismo de arte realista, arte da academia, arte que a academia gostava, que ensinava e colocava André como um modelo a ser imitado, e cujos quadros chegou no momento que nem o próprio André queria mais expor os seus quadros no Salon. No Salão de Belas Artes, porque já tinha, já era hors concours, que a gente fala, né? Fora de concurso em francês, a palavra hors concours quer dizer fora de concurso, fora da competição. Já é tão bom, já tão reconhecido, que é uma covardia competir com outros pintores que queiram competir com ele, porque ele vai ganhar sempre, né? Ele é um exemplo, ele é um modelo a ser imitado. Nós vemos aqui um quadro do Ingres que conta uma, não é uma cena mitológica, mas é uma cena da antiguidade. Então é uma cena da antiguidade helenística, ou seja, de uma época que ainda a cultura grega clássica, ela tá sendo espalhada pelo mundo, primeiro por Alexandre o Grande e depois pelos seus generais. E aqui justamente fala de Seleuco e Antíoco. Antíoco é filho de Seleuco. Seleuco está à beira da morte. Ele é um dos que receberam um pedaço do Império de Alexandre, dos generais de Alexandre o Grande. E o filho de Seleuco, Antíoco, se apaixonou pela mulher do pai e ele cai doente. Por que que é o mal de Antíoco? Porque Antíoco, quando o médico vem e o examina, ele percebe que quando a mulher entra no quarto, o coração de Antíoco dispara. Então ele vê que o mal de Antíoco é a paixão pela sua madrasta. E aí ele faz essa cena de acordo com todos os ditames da arte acadêmica, com harmonia, com simetria, né? Até algumas coisas saem um pouco fora, essa assimetria do pano caindo aqui por sobre o docet, por sobre o docel da cama, ela já não é tão típica, mas existe toda aqui uma questão das ordens arquitetônicas dele, etc. A correção da anatomia, a iluminação, é um mestre acadêmico na sua mais alta forma. E esse quadro está aqui porque o Duque d'Orléans encomendou a André, levou 10 anos para fazer esse quadro, E ele pediu para Ingres entregar o quadro para exibir o quadro no Salão de Belas Artes e Ingres não quis. Então foi exibido no Palácio das Tulerias, que era da realeza, né? E depois aí foi para o museu, depois da morte do duque, aí foi para esse museu em Chantilly, Museu Condé. Em Chantilly, na França. Aqui outros quadros de arte academicíssima, vamos dizer assim, muito clássico, muito dentro do que a academia gostava, desde a natureza morta, um ramalhete de rosas feito por um pintor que a gente nem conhece, mal conhece, a gente não ouve falar, que é Rédaudet. Uma escultura de uma santa, que é Santa Teresa d'Ávila, de fauché, mas que está hoje na Igreja de Santa Teresa em Paris. Extremamente clássica, vamos dizer assim, proporcional, não tem nada diferente aqui. Que vai por um rodão, por exemplo, que distorce a figura e coisa e tal. Esse quadro mostrando os Três Amores Poéticos são três figuras da poesia que são as amadas de Dante, que é Beatriz, a de Ariosto e de Petrarca. Eu não vou saber o nome das outras duas, mas Eu sei que Dante é Beatriz na Divina Comédia, né? Enfim, elas três entronizadas como os três amores poéticos. E aqui o autor, o pintor que a gente mais conhece, mais ouve falar ainda hoje é Corot, por conta das suas paisagens terem antecipado o impressionismo, mas aqui até tá bem comportado, vamos dizer assim, do ponto de vista bem acadêmico, que é uma paisagem que leva à contemplação, a figura de um monge lendo. Tudo bem aí? Tudo bem com vocês? Vou checando de vez em quando para ver se está tudo bem, se a transmissão está indo certo, certo? Muito bem, então esse é um pequeno panorama do Salão de Arte, de Belas Artes de Nantes, 1840, data de nascimento de Monet. Aqui está então Monet, não é um autorretrato, esse aqui é um retrato do seu amigo Pierre Renoir, mas ela é bastante interessante, então coloquei aqui. Não há muitos autorretratos de Monet, Eles não são tão descritivos como esse. Enfim, Monet nasceu em Paris, mas passou a infância em Le Havre. Le Havre é uma cidade marítima, tem um porto na Normandia. E Monet cresceu, então passou a sua infância e adolescência até os 18 anos Nesse local, Le Havre, que é comparado com Paris naquela época, era uma cidade do interior, uma cidade do litoral, uma cidade provinciana, vamos dizer assim, apesar de ter o porto, mas havia muitas paisagens ali, né? E muitas paisagens que foram exploradas inclusive por Monet, em seus amigos, seus mestres. Ainda adolescente, a sua mãe morreu, sua mãe faleceu. Uma tia de Monet, que é Marie-Jeanne Lecarte, ela incentiva Monet a prosseguir nos estudos. Ela percebe que existe uma veia artística no sobrinho. O pai do Monet era comerciante, né, comerciante atacadista, e ele, o Monet, o Claude, né, ou Oscar, como era chamado por Oscar e não por Claude pela família, ele estuda primeiro com esse Auchard, que foi É um pintor que foi aluno do David. David foi o pintor talvez o mais famoso na França na época de Napoleão. Foi diretor do Institut de France, que é a Academia, né, o outro nome para Academia. Enfim, mas Eugène Boudin foi o que introduziu Monet, a pintura en plein air. Pintura en plein air é algo chave para a gente entender o impressionismo, porque, ao contrário do que às vezes se diz, muitas vezes se diz, a pintura ao ar livre, en plein air, não surgiu, não surgiu com o impressionismo. A pintura au plein air surgiu. O primeiro pintor que defendeu e usou muito, escreveu inclusive a respeito da pintura de plein air, foi Pierre Hartillange. Por volta de 1800, ele começou a praticar então essa pintura. Francês, e 1830, por aí, já tinha muitos grupos pintando ao ar livre na França. Como é que se deu essa pintura ao ar livre? Por que que se popularizou, né? Porque houve duas coisas-chave que levaram a pintura ao ar livre. A primeira coisa foi a invenção, a comercialização, o início da comercialização de tintas em tubos. Olha, mas não foi sempre assim. Você vai na loja e compra os tubos de tinta a óleo que você quer, você compra lá o óleo de linhaça, terebentina, o solvente, os pincéis. Não, nem sempre foi assim. É somente com a Revolução Industrial, ou seja, final do século 18, início do século 19, que vários produtos começam a ser produzidos em larga escala, o que antes eram produzidos pelos próprios artistas. Os próprios artistas nos seus estúdios faziam as suas tintas, às vezes até fabricavam seus pincéis, suas ferramentas, né, ou mandavam fazer de acordo com seu gosto. Você não comprava essas ferramentas, essas tintas, esses materiais todos na loja. Foi a partir do começo do século 19 que isso se tornou possível, porque começou a ser fabricado industrialmente. Então era possível você colocar um material de pintura numa maletinha, né, levar uma tela pequena ou até uma tela um pouco maior, né, que ou você antigamente você tinha que esticar o tecido no jacquard, você começou a achar pronto isso para vender na loja também. Você comprava o quadro, comprava a maleta, comprava tudo, punha dentro da maleta, material todo, o cavalete até, portátil, desmontável, e levava isso para o campo. Mas como você ia para o campo? Você ia como? De carroça? De cavalo? Algumas pessoas iam. Mas a segunda grande mudança que possibilitou a pintura ao ar livre, ou plein air, Foi a invenção, foi a introdução, né, a invenção e depois a introdução em larga escala das ferrovias na Europa. Então, as ferrovias levavam antes, com dificuldades, levava, ia de cavalo, carroça puxada a cavalo, claro, não tinha nem bicicleta nessa época. Você começou a ir de trem. Então você pegava o trem e ia para o campo, né? Sempre tinha várias paradas, né, o trem em várias vilas, e você podia então explorar o interior desse país, né, tanto na Inglaterra, principalmente, né, primeiramente na Inglaterra, onde foi introduzida primeiramente a ferrovia, as ferrovias, e depois pela França, estourando Itália, etc. Principalmente na França. Então os pintores começaram a se dirigir ao campo, se dirigir ao litoral com mais facilidade, com mais frequência. Então quando a gente vê toda a movimentação dos artistas no século XIX, que é maior do que nos outros séculos, tudo está subjacente ao trem, à ferrovia. Então você vê o Van Gogh se deslocando de um lado para o outro, ele está indo de trem, não está indo de carro, não está indo de coche, não está indo de carroça, ele está indo de trem, certo? Assim como os nossos amigos impressionistas. Então isso proporciona a eles essa mobilidade e essa, vamos dizer, essa variação de temas que acaba, de qualquer forma, levando a uma mudança na pintura. Então, o primeiro grupo de peso que se notabiliza na história da arte, que é citado como um grupo que tem o plein air, a pintura ao ar livre, como algo marcante, é o grupo de Barbizon, que é da geração de 1830. Muito bem, aqui o que eu estou mostrando para vocês são os primeiros trabalhos do Monet. Aos 15 anos, o Monet foi um aluno medíocre na escola, mas uma coisa que ele se notabilizou, que ele se destacou, foi que ele fazia caricaturas. Sabe aquela coisa, o menino que desenha, a menina que desenha? Que não presta atenção na aula, mas fica fazendo caricatura do professor, né? O Monet era um desses alunos. E no fim, com o tempo, ele começou a ganhar dinheiro com essas caricaturas, fazia caricaturas por encomenda. E aí estão alguns exemplos, né? E essas caricaturas então proviam um dinheirinho pro adolescente Monet. O adolescente Oscar, quando ele começa a pintar, enfim, começa a explorar essa questão da paisagem por conta do Boudin, que é uma espécie de professor, não é bem professor, mas é uma espécie de guia, de amigo, que vai dando uns toques, vai ensinando algumas coisas e que leva Monet para pintar junto com ele nos arredores de Léarque. Então as paisagens são feitas assim. Não nos enganemos e nem vamos pensar também como muita gente acha, que tudo era feito ao ar livre. Apesar de ter a cor principal, vamos dizer assim, captada do natural, mas o trabalho de acabamento era feito no ateliê, certo? Então mesmo depois, na época do impressionismo já, ou antes do impressionismo, que quando eles começam a pintar muito e já fixar um estilo que depois vai ser chamado impressionismo, eles também fazem isso muito, começar um trabalho no campo, ao ar livre, e depois terminar no ateliê. Aqui então vocês veem o primeiro quadro conhecido do Monet, que é essa Vista de Rouen, que é um arredor, um perfil de Le Havre. 1858, ele tinha 18 anos. Muito bem, aqui nós temos dois dos quadros que, os primeiros quadros com que Monet entrou no Salão de Belas Artes. Muita coisa aconteceu entre ele sair de Le Havre e até até Paris, onde ele foi estudar, então, incentivado pela tia, convenceu o pai, o Monet, que ele poderia ir até Paris, então, para aprofundar os estudos. E ele, então, vai se candidatar não à Academia de Belas Artes, mas à Academia Suíça, que não é tão difícil de entrar, vamos dizer assim, como a Academia oficial de Belas Artes. Que é disputada por alunos, é um concurso que você tinha que fazer na época para poder entrar e não é todo mundo que passava, enfim, com o tempo começou até aparecer cursinho para você fazer, para você entrar na academia e enfim o Monet vai então estudar na academia suíça, na Academy Suisse E lá ele acaba conhecendo a primeira pessoa depois a fazer parte do impressionismo, que é o Camille, Camille é nome de homem também francês, Camille Pissarro, famoso impressionista. Ele conhece então muito jovem na academia suíça. Enfim, entre várias coisas que vão acontecendo, não vou me deter em cada ponto da biografia dele, Mas chegando, quando nós chegamos aqui em 1864, nós estamos num ponto então em que Monet já conheceu outras pessoas que são capitais também na sua formação, que é Renoir e Basileau. Basileau é também um grande pintor, mas que morreu precocemente, né? Renoir se tornou amigo o resto da vida. Enfim, Monet também era grande— não, isso eu vou falar daqui a pouco. Aqui então ele vai prestar serviço militar na Argélia, tem aquela mudança da cour, que muitos pintores franceses vão para o exterior, em algum momento entre o século 19 e 20, e vê a diferença da cor da luz mais equatorial, mais tropical, ele diz que isso teve uma grande influência na sua carreira, quanto à questão das cores, né? E quando volta, enfim, ele trabalha bastante, ele começa a estudar no ateliê de Charles Gleyre, que é um pintor acadêmico da época, também bastante muito conhecido, muito famoso. E lá então ele conhece o Renoir e o Basileau, e também com o Sisley, né, Alfred Sisley, também é impressionista. Enfim, e aí trabalhando, ele começa então a colocar os seus quadros nos salões, né. O primeiro é o de 1865, com essas duas marinhas, essas paisagens, que são quase a primeira, pelo menos me soa bastante mais como uma aquarela do que um óleo sobre tela, mas é um óleo sobre tela, né, pelo tratamento, pela leveza, pela claridade, bastante forte, né. E aqui a foto do Rio Sena, já um pouco mais pesado, o céu mais borrascoso, né, um mar agitado, não tão tranquilo quanto de cima, mas as duas paisagens agradam muito, né, no Salon de Paris. No ano seguinte, no ano seguinte, ele é selecionado com essa começa com essa tela, que é a sua primeira esposa, futura primeira esposa, Camille Doncieux, que foi modelo de vários quadros de Monet. E aqui ele mostra uma técnica que agrada à academia, que é essa questão do surrealismo, da iluminação. Hoje nós diríamos, muita gente diria: "Nossa, que perfeição!" Ao mostrar o tecido, as dobras do tecido amassado, as texturas da pele que a modelo está usando, do casaco de pele, e a diferença do tecido, tudo representado em tinta a óleo. Isso agrada a academia, agrada também o enquadramento, coisa e tal, embora não seja muito clássico, mas você tem a questão clássica dos retratos que colocam um fundo escuro para fazer contraste com a figura, né? Enfim, isso também agrada a academia. Nesse mesmo ano causa bastante— também é selecionado este quadro, que hoje nós temos somente, eram 3 partes, mas hoje nós temos somente 2 partes desse quadro, que é, desculpa, a legenda aqui tá errada, depois eu corrijo para vocês. Aliás, se desejarem receber esses slides no e-mail de vocês ou pelo WhatsApp, vocês podem deixar aí o contato aí no chat do YouTube que eu mando para vocês sem problema, tá bom? Daí eu faço essa correção dessa referência. Aqui é o, esse quadro é o Déjeuner sur l'herbe, ou seja, o almoço sobre a relva. Almoço sobre a relva, ele é inspirado diretamente no quadro que tem o mesmo nome do Édouard Manet. Quase um homônimo, Manet e Monet. Manet é da geração anterior do Monet, mas ele é considerado uma espécie de pré-impressionista, mas também ele é considerado estritamente um realista na linha do Courbet. O Courbet é o fundador do realismo, da escola do realismo, que desmistifica os quadros, desmistifica os temas tratados, traz a realidade do momento jornalística, vamos dizer assim, a forma como as pessoas se vestem na modernidade, naquele momento, nos quadros. Então esse quadro, que seria um quadro realista do Manet, que causou furor, causou escândalo no Salon de 1863, O Almoço sobre a Relva, de um pessoal muito liberal, pessoas muito liberais, consideradas muito liberais, que iam contra a moral da época, inclusive porque nessa época ainda se colocava a arte como tendo também que colocar valores elevados, valores morais elevados, valores éticos elevados. Você não podia colocar algo que parecia aos olhos das pessoas nesse momento, essa cena que parecia uma espécie de bacanal, ou de dois casais em que parecia que havia, tinha havido alguma coisa ilícita, imoral, sexualmente falando. Duas mulheres, uma nua, muito à vontade do lado do homem, E a outra em mangas de camisa, ou hoje seria de calcinha e sutiã, vamos dizer assim, ou só com roupa de baixo, ela só tá com a roupa de baixo, se molhando, se banhando, fazendo alguma coisa ali na água, ali no fundo, e depois de uma refeição. Então isso causou um escândalo pelo que sugeria ou pelo que estava explícito mesmo, as pessoas. E o Monet faz este quadro aqui, inspirado no quadro do Manet, que ele admirava muito. Ele admirava muito o Manet, tinha uma amizade, inclusive, com o Manet. Ele até convenceu, em certo momento, o Manet a pintar algumas coisas ao ar livre. No campo, né, e ele foi, né, mas esse dejoné, esse leve, já é mais comportado, né, vamos dizer assim, ele é menos licencioso, licencioso no sentido sexual mesmo, né, menos imoral, mesmo assim, então, ou talvez por conta disso, ele tenha feito mais sucesso e não fez escândalo como fez o quadro de Manet, né? Você tinha uma parte aqui à direita também que você tinha mais pessoas. Uma das modelos aqui é a Camilla, que é a futura primeira esposa dele, já era amante dele, né, namorada, vamos dizer assim, mas amante, sim. E essa figura que é citada é o pintor Gustave Courbet, ou seja, você tem uma referência aqui ao realismo na figura do próprio criador do realismo. Então, estando Courbet aqui, que já era considerado uma espécie de devasso, né, assim como Manet, se poderia sugerir algum tipo também E tinha ansiosidade, mas não houve o escândalo que houve com esse quadro aqui de Manet. Esmeralda se pergunta então por que que a tela foi cortada em duas. Na verdade, ela foi pintada em 3 partes, certo? Ela foi pintada em 3 partes. Posteriormente, depois que ela foi exibida no Salon, ela era devolvida para o artista. O artista depois vendia, né? E nessa venda se perdeu uma parte da da tela, então foi só preservada essas duas partes. Era um tríptico, né? Tríptico é um tipo bem tradicional de pintura, na verdade de pintura sacra, né? Para altar de igreja católica, que era em três partes porque era um retábulo, era uma caixa e você abria a caixa, na verdade uma espécie de um sacrário, você abria uma pintura sagrada, uma pintura sacra. Então você tinha as duas portas do lado, eram as duas laterais do tríptico, e a parte central era a pintura principal. E enfim, os pintores continuaram pintando em tela e não mais numa caixa, num retábulo, como uma tradição dentro da pintura. Então essa parte da direita acabou se perdendo com o tempo. Certo? Aqui mais uma pintura dessa linha, né? Você tem várias pinturas do Monet, pessoas em jardim, né? Algo que caiu no gosto das pessoas, caiu no gosto da burguesia, vamos dizer assim, né? Dessa classe de pessoas que estava em ascensão, já estava em pleno auge na França da segunda metade do século 20, que já colecionavam obras de arte, que já compravam obras de arte para adornar suas casas, junto com a nobreza que estava decaindo, vamos dizer assim, mas que ainda comprava obras de arte, você tinha também a nobreza e tinha a burguesia, ou seja, os comerciantes, os industriais comprando obras de arte. Isso caiu muito no gosto das pessoas por ser algo leve, por ser um tema, por ser bonito também, né, por ser bastante bonito essas cenas campestres, essas cenas de jardim. Aqui nós vemos a Camille de novo, aqui vista de perfil. Aqui, seguindo, nós vemos essa predileção do Monet pela prática da pintura en plein air, ao ar livre, como um hábito. Ele é um pintor que gosta de se lançar ao ar livre, de pintar no campo, de pintar à margem do rio, pintar na praia, pintar mesmo fora do estúdio. Lógico que ele vai depois terminar ou fazer um acabamento mais detalhado em algumas obras, não são todas, no estúdio. Também existe essa questão da pintura de esboço, vamos dizer assim, vamos dizer assim não, a pintura de esboço mesmo que se fazia, os estudos que se faz até hoje, né, e que é uma pintura mais rápida, que é uma pintura, uma pintura de anotação, vamos dizer assim, mas algumas dessas pinturas que o próprio Monet acabou vendendo, sendo considerado, ou sendo consideradas, obras que são dignas de serem vendidas e até de serem colocadas na parede. Você vê o tamanho dessa aqui, né, 1 metro por 80, mais ou menos, e é uma pintura relativamente grande e que em outros tempos diríamos: "Isso é só um esboço". Que já é um apontamento, já é uma apontando para o caminho que depois vai chegar lá na frente, lá no expressionismo, né, de uma forma de pintar que é mais expressiva, né. Aqui nós vemos que algo que naturalmente vai se colocando para o Monet e para os seus amigos, né, Renoir, Pissarro, Sisley, é que vai interessando para eles efeitos de luz e cores que as sombras, os objetos tomam do natural, vistas do natural. Então aqui ainda não estamos no expressionismo. Qual que é a diferença entre um impressionismo e um expressionismo? Vou manter aqui nessa imagem para vocês entenderem. Quando a gente fala do impressionismo, nós vamos ver essa preocupação na obra toda do Monet, mesmo nessa daqui que é mais definida, que tem os contornos mais precisos, ou nesta aqui, né? Os contornos são mais precisos, embora haja até umas áreas um pouco menos definidas. Nós vemos que existe uma preocupação com a questão da luz e da sombra muito forte, dos efeitos da luz. Então vocês veem que existe um contraste aqui. Lógico que nos pintores do passado existia isso também, mas você vê que as folhas das árvores, elas são colocadas como pontos de luz, mais do que folhas de árvore, como se fossem realmente momentos de luz no meio dessa escuridão de fundo, não é? Assim como os vestidos brancos. Por que que o Monet usa esses vestidos? Além de estar na moda na época, Ele aproveita os vestidos muito claros, brancos, contrastados com esse fundo. E de novo, né, as folhas de árvores com pontos de luz, as flores, essas flores brancas, tudo num alto contraste, um contraste muito forte para época. Esse quadro chegou a ser criticado na época por ser claro demais. As obras acadêmicas, se tinha então uma predileção por obras mais escuras, estamos num momento também que existe ainda uma forte carga do romantismo ali do século 19, em que as coisas sombrias são muito apreciadas, né? Tem muitos pintores que usam uma paleta, ou seja, conjunto de cores muito escuro, marrom, avermelho, vermelho, preto, roxo, cores com tom muito baixo, não é? E o Monet explode nessa luz, né? Assim como Renoir também, de outra forma, mas explode nessa luz, nesses efeitos do sol, né? Do sol batendo. Olha só nessa paisagem como que o sol, tudo está muito iluminado, né? Olha só como esse as sombras, o espelhamento das casas no rio, eles são manchas de cores muito luminosas. Então você vê que o Monet já está preocupado aqui em 1868, ainda nem chegamos oficialmente ao impressionismo, mas ele está muito preocupado em mostrar esses contrastes, e às vezes são contrastes baixos, vamos dizer assim, no sentido de ter cores claras com cores um pouco mais escuras, né? Isso aqui não é tão escuro, né? Esse fundo que ele dá aqui para essa árvore até dá uma sensação de frescor da sombra, né? Então você vê como que o céu azul refletido, as nuvens, tudo muito colorido. Mas esse colorido ainda não é um colorido inventado, gente. Pessoal, esse colorido, ele vai— quando ele é inventado, ou seja, quando ele tem objetivos de expressar um estado emocional do artista, aí já não estamos mais no Impressionismo, nós estamos no Expressionismo. Isso começa a ser feito Na geração seguinte ao do Monet, é um pessoal um pouco mais velho do que 10, 15 anos mais velho do que o Monet e o Renoir, que é o pessoal que depois vai ser chamado de pós-impressionista, que é o Gauguin, que é o Van Gogh, né, e é o Cézanne também. Os três já tomam a liberdade de usar a cor que lhes dá na telha, que lhes soa melhor, de acordo com o estado emocional, né? Bem grosso modo falando, né? Eles aproveitam essas pinceladas mais soltas, mais livres, por conta dessa rapidez da anotação que o artista faz aqui no impressionismo, para poder captar a luz daquele momento. Porque vamos lembrar que a luz, ela muda durante o dia. Se você pintar o mesmo quadro dali a uma hora, a luz já tá um pouco diferente, já muda algumas sombras, né, a posição das sombras, a cor das sombras, que é uma descoberta, descoberta entre aspas, mas é uma grande vamos dizer, uma grande contribuição dos impressionistas para a arte realista, olha só, para uma arte que se pretende mostrar o que nós vemos com os nossos olhos, ou melhor dizendo, como se fosse uma captação fotográfica, nós vamos perceber, dependendo de como nós olhamos, dependendo do momento do dia, que as sombras são murchas, avermelhadas, Eles não são só marrons ou cinzentas ou pretas, certo? Dependendo do que objeto está sendo iluminado e com qual incidência do raio solar ele bate, de acordo com o horário do dia, a cor da sombra muda. E eles observam isso. Eles simplesmente transpõem essa— não é simplesmente porque não é algo simples, mas Eles transpõem essa sombra, essas cores que eles observam, para os seus quadros. Olha só, esse quadro é bastante elogiado na época também, o Jardim Santa Teresa, que mostra tanto um "in the after", mostra tanto um jardim à beira-mar, ou seja, um ordenamento, vamos dizer, humano, mas com a natureza, mas a natureza representada também pelo mar na sua imensidão e a presença humana também, não só no jardim ordenado, que junta o humano com a com a natureza, mas também com os barcos aqui do porto, do porto muito movimentado, né, comercial, ponto comercial marítimo de Le Havre. Então mostra um momento muito bonito, mas não se furta como até os ditos acadêmicos de hoje, né, que são bastante, muitas pessoas muitos desses artistas são bastante nostálgicos. Vou dar como exemplo aqui do nosso país mesmo, do Brasil. Você vê nos salões de belas artes muitos quadros que insistem em idealizar um passado que se fixou lá no século 19, num determinado ponto de status quo de São Paulo, em que você pinta natureza morta como Pedro Alexandrino, tacho de cobre, cozinha caipira, nhaxica na janela. Vamos lembrar que esses artistas pintavam o que havia de contemporâneo também, mesmo sendo acadêmicos. E os artistas, enfim, e o Monet também pintava o que via. Ele não tirou os barcos porque era moderno demais. Ele pintou os barcos porque ele estava vendo aquele, na composição que ele desejou fazer e conseguiu fazer aqui, ele incorporou tudo muito bem, sendo contemporâneo e ao mesmo tempo realista, figurativo, retratando de uma forma muito fresca, com frescor muito grande, Essa tarde ensolarada, com essa luz do mar, refletida pelo mar, e com as flores, com esse sol batendo sobre as flores, ressaltando muito bem essas cores vivas. Então, Esmeralda, a questão da diferença entre impressionismo e expressionismo não são somente as pinceladas. É isso que eu acabei de falar. Impressionismo, ele tenta retratar o que tá vendo. O expressionismo usa as cores que quer. Pode ser pincelada mais fina também, não é necessariamente só pincelada grossa, mas as pinceladas são aparentes, tanto no impressionismo quanto do Expressionismo, mas o Impressionismo busca ser fiel, embora ele não soe como um quadro acadêmico, mas ele busca ser fiel à realidade observada. E o Expressionismo não, ele ainda se atém ao desenho, à forma dos objetos, dos seres, da natureza, da paisagem, muitas vezes como faz Van Gogh. Van Gogh é um expressionista, né? Ele dá inclusive início ao expressionismo, né? Embora ele não seja considerado expressionista, mas a arte dele é expressionista sim. E ele não é só a pincelada grossa, mas é o fato dele, enfim, dele, que a gente fala, né, vulgarmente falando, ele viaja em cima do tema, né? Então, a noite estrelada vivia aqueles vórtices de luz em volta das estrelas que uma pessoa naquele momento não ia enxergar. Por quê? Porque não existia, só tinha na cabeça do Van Gogh. Assim como o roxo no céu em vez de um azul escuro, ou até do preto, dependendo da luz, ou da ausência de luz. Do céu estrelado, céu nublado, certo? Aqui nós chegamos no momento da— aqui, Vito, né, já é impressionista, ainda não oficial porque ainda não houve a primeira exposição impressionista, mas é um quadro que tem um similar, eu correndo lá, o retrato é um quadro chamado com o mesmo nome, que é La Grenouillère. La Grenouillère é uma ilha, uma ilhota fluvial no Rio Sena, onde havia diversão, o pessoal ia se banhar, né? Não sei se vocês percebem aqui à esquerda, mas as pessoas dentro do rio, né? Se banhando, né? O pessoal, os banhistas, iam até lá. Também tinha café, coisa e tal. E era chamado jocosamente de La Grenouillère, porque grenouille em francês quer dizer rã. E se dizia que as mocinhas parisienses, bastante frescas, elas iam até lá as mocinhas namoradeiras, né, iam até lá e eram chamadas de rãs. Então, o lugar das rãs, das grenuias, era lá Grenouillère, né, o Ranaire, alguma coisa do tipo. O que é bem interessante aqui, eu vou mostrar também o do Renoir. Esse é o Renoir. Mesmo local. E aqui é o Monet. Vocês veem a diferença de estilo dos dois, mas a preocupação é a mesma. Então vocês veem o que que é que o Monet faz com muita felicidade e que se fizer de uma forma acadêmica não vai ser igual, vão ser usados outros recursos. Mas vocês percebem que existe uma questão dos reflexos da água? Existe uma sombra turva desse barco aqui, dos botes, da ilhota aqui, da árvore, os reflexos do céu azul misturados aos reflexos da sombra na água agitada. O Renoir também faz isso, no meu entender, de uma forma um pouco mais confusa. O Renoir, o Monet é mais sintético, vamos dizer assim, mas a composição que ele consegue fazer, ela fica mais clara, também mais visível, é mais sintético. Tem a ver com a admiração que tanto ele quanto Renoir e várias pessoas dessa época, vários dos artistas do grupo impressionista, para não dizer todos, tinham admiração pela gravura japonesa, trazia essa síntese também. E é impressionante como ele faz, se fosse um quadro acadêmico realista no estilo do Ingres, seria algo mais nítido, né? Porque a gente estaria focalizando com uma câmera fotográfica com uma nitidez, né? Com foco bem ajustado. Aqui, acho que o grande mérito do impressionismo é mostrar numa imagem que nem todas as imagens, as imagens que nós pelo menos temos na memória, não são extremamente nítidas. Algumas até são, mas a maioria são enevoadas, a maioria são borradas, elas são até mais sintéticas, não guardam tantos detalhes. E essa impressão, vamos dizer assim, que não foi algo proposital, o sinônimo impressão, ela se deu, ela se dá na obra dos impressionistas, Principalmente no Monet, no Renoir, ou no Degas também, no Pissarro, não Degas menos, de uma forma que leva para essa observação das imagens como algo nem sempre tão nítido. Você pega as obras do Ingres, tudo é muito nítido, tudo é muito focado, tudo é muito claro, os contornos todos muito bem definidos, como se todas as fotografias fossem tiradas em condições ideais de estúdio, inclusive as externas. E o impressionismo não, esse borrado que você tem, que foi algo que partiu de algo acidental por conta da rapidez do apontamento, da observação, mas que acabou favorecendo esse registro daquilo que é impreciso, daquilo que é vago, daquilo que não é focalizado, e talvez favorecendo as imagens como se apresentam para nós na nossa memória. Então aí chegamos na impressão, só na sense. Isso tudo que eu acabei de falar, acho que é bem aplicado para esse quadro e talvez até quase toda, para não dizer toda, a arte impressionista ou puro impressionista, que é o quadro que deu origem, que deu ensejo ao nome do movimento impressionista. Quando se decide, o grupo de artistas que é o grupo de Batinholas, né, que é esse grupo no qual faz parte o Renoir, o Bazille, o Monet e outros artistas, outros tantos artistas, decide fazer uma cooperativa de artistas porque não conseguem mais com o que estão fazendo serem aceitos nos salões oficiais, principalmente no Salon des Beaux-Arts, o salão de Belas Artes. Isso os prejudica bastante, por quê? Porque se você não é aceito nos salões, você não recebe encomendas, ou você recebe menos encomendas. Você tem que vender os seus quadros, tem que firmar uma reputação e uma uma forma de fazer isso é ser aceito nos salões, né? Inclusive os quadros que são aceitos no salão depois você vende para clientes, né, futuros colecionadores que veem esses quadros expostos no salão, né? Então eles acabam— então essa época que começa a aparecer os salões de artistas independentes, né? E os O movimento dos impressionistas é um desses movimentos e eles acabam então fazendo uma cooperativa, da qual faz parte um fotógrafo também, não por acaso, que é o Félix Émile Nadar. O Nadar, ele oferece o seu ateliê, ele fez fotografia de todos, de todo mundo na época, importante, um grande fotógrafo, muito famoso, e ele oferece o seu ateliê, seus estúdios, para fazer a primeira exposição desse grupo. E um dos quadros que o Monet manda para essa exposição, que coloca na exposição, é esse aqui, que é o Impression, Sol Nascente. Não havia nenhuma intenção que o grupo se chamasse Impressionistas, ou grupo de pintores impressionistas, né? Havia sim, havia somente o quadro. A exposição, a exposição foi muito comentada na imprensa da época. Na época, a imprensa, a imprensa, digo, os jornais, as revistas, jornais e revistas, né? Não havia televisão, não havia nem rádio na época. Então, o que que havia de meio de comunicação? As pessoas comentavam, faziam furor através dos jornais. Os críticos de arte eram muito lidos nessa época, e porque a arte era uma das grandes ocupações, grandes formas de entretenimento das pessoas na França dessa época. E na crítica da época Se falou muito desse quadro, inclusive pejorativamente, mas também de forma elogiosa. Dizendo, quem falou de forma pejorativa disse que tinha lá um tal de um quadro que chamava impressão, né? Então quer dizer que a forma borrada desses artistas fazendo quadrinhos, de representar figuras, talvez fosse mesmo uma forma de se colocar somente suas impressões e não algo mais nítido, né? Então talvez esses artistas sejam impressionistas, né? Queiram causar uma boa impressão, coisa que o Vale. Isso acabou pegando, eles adotaram, acabou se adotando esse nome para o movimento. Para esse movimento de artistas então que tinha no quadro Impressão Sol Nascente, a sua gênese, vamos dizer assim, por conta do que foi comentado na imprensa. Aqui esse quadro é uma paisagem de Le Havre, seria então os momentos imediatamente posteriores ao sol ter nascido. Então é uma impressão, Você tem uma névoa, uma névoa em que também você tem as caldeiras, as chaminés dos barcos a vapor soltando a sua fumaça, se juntando à névoa. O reflexo da água, do sol na água, ele é bastante gráfico. Gráfico quer dizer, em vez de usar áreas de cor, ele usa linhas. Como se fosse uma gravura japonesa. Isso tem tudo a ver com gravura japonesa, né? Essa forma de fazer, essa forma de pintar que lembra uma aquarela também, novamente, né? Numa pintura a óleo também tem a ver com essa questão da gravura japonesa, que tem uma tratamento mais leve, né? Da pintura ocidental, da da primeira metade do século 19. Enfim, então é um quadro bastante— tem mesmo, porque é impressão, né? Porque é a coisa de você olhar para o sol que acabou de nascer por sobre a névoa de um porto, né? Isso que é esse quadro, em poucas palavras. Lógico que há muito mais que dizer a respeito, Chegamos ao retrato da senhora Monet. O primeiro filho, o primeiro filho de Monet, que é o Jean, que é esse mocinho que está aqui à esquerda, que nasceu em 1867. E a senhora Monet, a primeira esposa de Monet, Camilo, que aparece nesse quadro, para mim é um dos mais belos e maravilhosos da história da arte. Esse quadro, ele mostra algo bastante interessante, que é o figurinculus, né? Você Pessoa bem iluminada, que seria uma figura bem no objetivo de ser uma tela OLED, ela teria uma iluminação homogênea, né? Ou seria uma luz ideal, uma luz até que difícil de se encontrar na natureza, a não ser que você tenha um um dia ensolarado em condições ideais, sem nenhuma sombra por perto, sem nenhuma luz, nenhuma nuvem no céu. Mas aqui não, aqui o Monet usa a luminosidade desse dia ensolarado com algumas nuvens. Vocês veem a luminosidade dessas nuvens, o sol, sabe quando o sol bate nas nuvens e as nuvens ciclo iluminadas, Monet consegue mostrar isso. Vocês percebem que então ela é à contraluz, ou seja, a luz está vindo de trás dela, né, até a fonte de luz é o sol, tá fora do quadro e tá batendo, por conta disso ela tá com um guarda-sol Vocês percebem que o cabelo parece ser um véu, o cabelo se confunde com a nuvem que está por trás dela. Você tem uma luz forte, contraste, alto contraste no contorno da figura. Vocês veem também Aquilo que eu falei agora há pouco da sombra não ser marrom, mas ele tem que— a sombra ela é arroxeada, mas ela é muito complexa porque ela mostra a vegetação e o efeito da cor sobre a vegetação que é colorida porque tem flores e grama. O menino também tá bem iluminado, né, também se tem essa a luz alta em volta do contorno. E enfim, você vê que a luz aqui também estoura em cima do guarda-sol, não é? Mandei fazer alguns estudos desse quadro. Você tem um estudo sem o menino, sem o Jean. Só tem a figura sem rosto. Ele delineia, ele esboça tanto o rosto dela, mas o rosto de Jean tá um pouco menos definido até, mas ambos se mostram o rosto, né? Quer dizer, dá para ver bem, dá para ver que há uma fisionomia, né? E a impressão que se dá é que ela tá se virando, é como se alguém estivesse chamando chamando ela aqui do ponto de vista de onde nós estamos observando, do observador, chama "dopsil", e ela se virou e olhou para nós. É assim que eu penso quando eu vejo essa obra. Enfim, você vê que é um estudo sobre luz magistral. É um estudo, um estudo no sentido de que o artista está explorando os efeitos da luz, da luz em alto contraste, em alta luz, a sombra colorida, né, como se fosse até um exemplo, uma exemplificação do impressionismo, né. Isso aqui é o que ele viu, pelo menos ele tentou transmitir visualmente aqui, o que ele viu da luz, que ele viu da sombra, melhor dizendo, bater sobre a vegetação. E todo o efeito de luz, uma certa até transparência, uma translucidez, melhor dizendo, no traje da senhora Monet. Enfim, e para a gente seguir, ao longo dos anos, então, à medida que o Monet ia ficando, enfim, não por isso, mas o Monet conseguiu êxito comercial com suas obras, o começo da primeira metade da vida do Foi muito sofrida no sentido de ter muitas dívidas. O Manet pagava as contas dele durante anos, até que o Manet morreu. Mas enfim, outras pessoas também. E ele se mudou muito por conta de, se diz, né, para explorar os locais onde ele poderia pintar, encontrar temas para pintar. Mas também tinha relação com a questão monetária, tanto ele quanto Renoir, né. Enfim, a Camille acabou morrendo em 1878, enfim, e alguns anos depois, vários anos depois, ela se casou pela segunda vez com a mulher de um amigo dele. Eles moravam juntos, né, os dois casais e os filhos moravam todos juntos na mesma casa. Quando a primeira mulher morreu, depois o marido da Alice morreu, e os dois se casaram. Enfim, você tinha essa família de dois filhos Dumonnet com a Camille e 6 filhos da Alice nessa casa. Enfim, mas chegou o momento que ele teve êxito com a sua obra e aí começou a desapertar até que ele comprou a propriedade de Giverny. Vamos ver rapidamente daqui a pouco. Só queria mostrar para vocês, você tem várias séries do Dumonnet que ele explora a questão dos efeitos da luz. Então, às vezes se diz que o tema não é muito importante, o que é mais importante são os efeitos da luz sobre os objetos, como esses montes de feno. Vocês querem algo mais importante do que um monte de capim, um monte de feno, de comida para cavalo? Se colhia e se fazia esses montes. E ele pintava esses montes de feno em vários horários diferentes do dia, em estações diferentes do ano, para ver a diferença da cor entre cada horário do dia ou cada estação do ano. Você vê que estação do ano do inverno, então você tem um campo nevado, neve por sobre o Monte de Feno. Aqui no verão, né, então você vê que é uma luz mais quente, né. Aqui, aqui sim a gente pode começar a dizer que existe uma, começa por conta de tentar, sempre tentando partir do real, do visível, da realidade visível, Mas ele começa a ter um pouco mais de liberdade, vamos dizer assim, apesar de pertencer ao Real, e começa a chegar numa paleta que lembra a paleta do Van Gogh, lembra a paleta do Gauguin, que usa muitos contrastes entre laranja e roxo, que são contrastes de cores secundárias, verde também. Então as cores primárias muito próximas de como sai do tubo, né? Então esses contrastes acabam ficando bem interessantes e começam, mesmo na obra do Monet, começa a sair um pouco do, começa a sair da realidade observada. Você vê uma outra série do Monet, que é essa série da Catedral de Rouen, que foi um grande esforço para ele. Ele alugou um quarto de um hotel que dava essa vista da catedral, da praça da catedral. Então ele pintava em horários diferentes do dia, e você vê a diferença da luz da Catedral. Essa série causou um furor, foi aclamada como uma obra-prima, no sentido de mostrar realmente a mesma construção, o mesmo edifício, vista de olhares diferentes, em estações do ano diferentes, sob luzes diferentes, na noite inclusive. Mostrando que o mesmo objeto, mesmo lugar, não precisa, não tem sempre a mesma cor, né? Não é aquela coisa bastante, às vezes, infantil, né, que a gente tem de dizer: ah, que cor é a maçã? A maçã é vermelha. Depende da luz que você vê, depende de como você vê, né? A maioria das a maçã é vermelha vista sobre uma luz branca normal, né, é uma luz elétrica e tal. Mas dependendo se você focaliza contra fundos diferentes, contra objetos diferentes, de cores diferentes, a maçã muda de cor sim, né. E é o que o Monet mostra para Aqui também, não só nos Montes de Ferro quanto aqui na Catedral de Rouen, ele também tem a série do Parlamento de Londres, né, na névoa do Rio Tâmisa também. Ele tem variações do Parlamento ao fundo sobre a névoa, né. Ele vai até Londres para fazer essa série pinturas, e é o mesmo local, só que visto de dias diferentes, luzes diferentes, horários do dia diferentes. Para a gente terminar essa pequena viagem sobre a parte da obra de Monet, nós vemos aqui algumas pouquíssimas obras das muitíssimas que ele fez sobre Giverny, que é essa propriedade no campo em que ele constrói um jardim japonês. Então, o jardim japonês, a ponte japonesa, que ele pinta de vários anos, várias épocas do ano, quando as ninféias, ninféal, nénufares, como a gente chamaria em português traduzido, ou lírios d'água, water lily, enfim, em inglês, mas as linfeias, elas florescem em determinada época do ano, toda vegetação em volta também. Você tem as épocas do ano que tá tudo seco e que ele também pinta, né? Então você tem sempre essa variações sobre o mesmo tema, a partir sempre do tema da luz, né? Então essa é a principal questão do impressionismo e para o Monet também, a questão da incidência da luz sobre os objetos, sobre os seres, sobre as paisagens. Para a gente terminar, mostro para vocês esse panorama, né, o panorama de Nitya, que é o panorama que foi construída essa sala para abrigar essa pintura em forma de panorama, que é É uma pintura em 360 graus, que normalmente na tradição europeia eram pinturas 360 graus de paisagens, principalmente urbanas, mostrando uma determinada cidade vista em 360 graus, mas que o Monet subverte fazendo um as nichéias, o panorama de nichéias, que foi construído então essa sala para abrigar essas pinturas no Museu de l'Orangerie, em Paris. Então, quando forem a Paris, não deixem de ver esse museu, além do Museu d'Orsay, além do Mar Motin Monet, Esse aqui é um autor já no fim da vida, né? Ele morreu em 1926. Tem esses 3 museus principais em Paris que é possível vocês verem obras do Monet, que é o Marmottan Monet. Marmottan Monet é um museu de obras impressionistas e que tem o nome Monet porque o segundo filho do Monet, o Michel Monet, doou a coleção do que ainda tinha da coleção pessoal do Monet para esse museu, sob condição então que fosse exibido ao público. Então se tem a maior coleção de Monet do mundo, está nesse museu em Paris. Aí você tem o Museu de Giverny, que é na propriedade do Monet, né? A alguns quilômetros de Paris, e o Museu d'Orsay, que é o museu que concentra muitos impressionistas, pré-impressionistas e pós-impressionistas em exibição permanente, certo? Muito bem. Vocês têm perguntas? Nosso passeio acaba nesse momento, mas se vocês tiverem quaisquer perguntas, eu estou à disposição, se quiserem fazer. Lembro para vocês, como disse no começo, se vocês quiserem receber esses slides, esse PowerPoint dessa aula, dessa live, só enviar o e-mail para mim. Vocês podem colocar aqui mesmo no chat que eu envio para vocês sem problema nenhum, com o maior prazer. Tá bom? E aí, gostaram? O que acharam dessa breve introdução à obra de Monet? Falamos sobre impressionismo, falamos até sobre arte acadêmica, né? Sobre a o contexto, né, de onde veio o Monet. Centralizar a câmera aqui. Certo, Beth, você manda então o seu e-mail para mim? Pode mandar. Vocês têm o meu WhatsApp caso não queiram divulgar aí o e-mail de vocês. De vocês. Eu vou colocar o meu WhatsApp aí no chat para vocês. Vocês podem mandar vídeo por esse WhatsApp e eu atendo vocês, sim. Tá bom? Ana Júlia, esse vídeo vai estar publicado nesse canal do youtube.com/apreciandoarte. Vou colocar o— amanhã eu acredito que já vai estar publicado. Então você vai poder assistir, você vai poder assistir então aquilo que você perdeu, tá bom? Aí você vê na íntegra o que você perdeu, você pode ver então completo, tá bom? Muito bem, Valéria, mando para você sim no seu email, tá bom? Muito bem, pessoal, então é isso. A intenção é fazer com mais frequência essas lives. Eu pretendo fazer uma por semana. Ainda não vou conseguir fazer, mas primeiro uma semana sim, uma semana não, depois, se Deus quiser, uma por semana. Com tema variado e não vai ser sempre sobre impressionismo, né, mas sobre temas variados de arte. E se quiserem também mandar sugestões sobre artistas que a gente quer, possa abordar nessas lives, a gente pode abordar, tá bom? Pretendo abrir esse canal com vocês para a gente tá sempre falando de arte, para a gente estar sempre aí ligado e em contato, tá certo? Merci beaucoup à toi aussi, Beth. Bonne soirée à vous. À vous aussi. Merci beaucoup à tous vous. Muito bem. Muito obrigado a todos, então. Entrem em contato, tem aqui meus contatos disponíveis e se tiverem qualquer dúvida podem entrar em contato comigo, eu vou ter o maior prazer em recebê-los, acolhê-los e atendê-los, tá bom? Muito obrigado a todos e até a próxima e entrem nos canais da Apreciando Arte para poder para poder estar ligado, tá aí na tela para vocês, né, no Facebook, vocês digitam a Oficina Duarte, aqui no YouTube e WhatsApp e e-mail, né, para vocês receberem notícias, receberem atualizações das atividades que a gente faz. Então, obrigado,
More from Fábio

Aula Aberta 04 | TESOUROS ARTÍSTICOS DA ITÁLIA - ARTE FRANCISCANA | 14 09 2023

Apreciando Arte | Excursão Pinacoteca SP + Museu Língua Portuguesa | 10 06 23 ALTA

Apreciando Arte | Exposição Imersiva MICHELANGELO, o Mestre da Capela Sistina | Atitude Films

Como a IDADE MÉDIA via o PASSADO, o PRESENTE e o FUTURO? | A visão medieval da História






