
This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a YouTube video titled "Os Guerreiros de terracota de Xian!" (created 2021-08-06) containing a Portuguese lecture-style presentation. A single speaker (lecturer) discusses Chinese self-identification as the "middle kingdom," the ethnocentric perspective, Confucian ideas (notably ren/humanity), comparisons with Greek philosophy and Hellenistic realism, and an extended description of the Terracotta Army of Emperor Qin Shi — including its scale, individualization of figures, original polychromy and how paint faded after excavation, and comparisons with ancient statuary practices. The content appears to be an art/history class or museum-art-history talk.
Chapters
Muito bem, estamos todos aqui. Vamos sem mais delongas para nossa aula. Os próprios chineses se chamam em chinês do país do meio. Que que é esse meio? País do centro da terra, país do meio da terra. Então é o país que está no centro do mundo, né? É uma visão que a gente chama de etnocêntrica, ou seja, A sua própria cultura é que está no centro do mundo. O que está em volta está nas bordas. Os chineses têm um termo antigo, né? Já não se usa mais, mas eles se chamavam de "shuaxia", ou seja, os civilizados, aqueles que eram civilizados. Assim como os gregos e os romanos chamavam de bárbaros aqueles que não eram romanos nem gregos. Então vocês podem ver que no próprio, num dos dois caracteres que se escreve a palavra China, né, Zhongguo, desculpa que o meu mandarim tá meio enferrujado, tá, não reparem a pronúncia, mas você vê que um dos caracteres dos ideogramas para a palavra China, essa delimitação do espaço cortado ao meio, quer dizer, situando a China no meio. Até o século, vamos dizer, até o século 18, século 18, 19, mais ou menos, é impossível você falar de cultura e artes se não falar de religião. Nós separamos religião do resto. Os povos antigos não separavam, né? Tudo fazia parte do todo e somente a nossa civilização europeia atual, de cento e poucos anos para cá, que é a única civilização que não é religiosa essencialmente, apesar de ter religiões, de ter até a liberdade religiosa, de ter várias religiões, Mas não é uma civilização baseada essencialmente na religião. E o confucionismo, que é muito importante para a China. Então um dos princípios do Confúcio, do confucionismo, é o chamado "ren", que é a humanidade. É você ser humano. Então não é um princípio divino. Se coloca no confucionismo, mas um princípio humanista. Olha só que interessante! E isso tem bastante a ver, não exatamente nem 100% análogo, mas tem bastante a ver com o espírito da filosofia grega, né? E também de correntes filosóficas que não são nem platônicas nem aristotélicas, como por exemplo os epicuristas, os estoicos, que estão até bem mais preocupados de como chegar a um conjunto de regras, um conjunto de formas para você viver melhor, né? O Confúcio tem muito a ver com isso, né? Então assim, a pintura, a pintura barra caligrafia e música eram técnicas Eles viam como requerendo habilidade pessoal, algo que exigia algo individual, né? Arquitetura, escultura e outras artes eram menores, porque aí sim tem uma relação com o Ocidente, né? Arquitetura, escultura, tanto lá como cá, eram consideradas artes mais brutas, né? Escultura, você colocar um esforço físico. Arquitetura, algo funcional, né, algo que vai atender uma função coletiva, menos individualizada como pintura, música e caligrafia. O Exército de Terracota está, na verdade, ele é uma parte do mausoléu do imperador Qin Shi, e o Exército de Terracota os guerreiros chamados guerreiros de Xi'an, eles são a parte desse complexo. A tumba do imperador é cercada desses modelos, tanto da cidade quanto do mundo, do céu. E ao lado desse conjunto você tem os poços, né, em que há os guerreiros, ou seja, Os soldados, eles protegem o imperador, estão à volta do mausoléu do imperador, e soldados de terracota, ou seja, de cerâmica, de terracota queimada, eles estão protegendo o imperador, né? Você vê que a extensão que se calcula, que a extensão total seja de 2,5 km², né? Originalmente você tinha 8.000 soldados, 130 carros de guerra, 520 cavalos. Vocês veem que tem a símbolo dos cavalos, os 150 cavalos de cavalaria, né? Os soldados, eles têm armas reais, eles seguram armas reais. Então você tem lanças, você tem arcos, arco e flecha, né? Arcos, espadas, bronze, né? Supõe-se que essas armas sejam armas originais, teriam sido usadas pelo exército mesmo, né? Supõe-se. Você tem as cinzas dos soldados, dos cavalos, perto das estátuas, né? Desculpa, perto do mausoléu do imperador. E você tem também a funcionar figuras de artistas acrobatas, de músicos, além dos soldados. Também nós vamos ver que essas figuras originalmente eram pintadas, eram todas coloridas, mas a partir do momento que foi aberto o túmulo começou a se perder a coloração muito rápido. Então, contato com o ar, isso tava tudo enterrado, a partir do momento que foi desenterrado, foi sendo escavado, elas foram perdendo a cor, né? Nós vamos ver nós vamos ver uma simulação dessas, da cor original que essas estátuas tinham. Então vocês veem aqui um dos poços em que há essas figuras. Nenhuma das figuras, nenhuma dessas figuras são iguais umas às outras, são todas individualizadas. Supõe-se que retratam ou tentam retratar fielmente os soldados reais que existiram. É muito impressionante o grau de realismo que atinge, né? Vocês veem que é uma época, uma época que no Ocidente a gente já teve a arte grega, né? Nessa época nós estamos no helenismo, que existe um realismo na retratação da figura humana, e aqui sem contato com essa cultura grega, ou seja, um desenvolvimento independente da cultura ocidental, você tem também um grau de realismo, um grau de fidelidade, nós diríamos hoje, fotográfica, com figuras humanas, a ponto de você reconhecer individualidade, de reconhecer diferenças entre as pessoas que estão aqui retratadas. Aqui que nós estamos vendo é algo bastante surpreendente, porque a gente olha, a gente já tem até, já se acostumando com a figura dos guerreiros de Xi'an, quando houve aquela exposição da arte chinesa em São Paulo, na OCA, vieram 6 guerreiros, foram transportados de lá, 6 guerreiros para serem expostos aqui ao vivo, presencialmente. Mas eles perderam a coloração que tem, né? E a partir do momento que foi aberto a câmara onde estavam os guerreiros, a cor deles foi esmaecendo, foi perdendo gradualmente. E então, com os vestígios de cor que sobraram, eles fizeram essa simulação de como seria a cor original, né? Imagina só todo aquele exército Todos aqueles muitos soldados, né, voltando aqui, pintados, né, como devia ser, muito bonito, né? Mesmo sendo um exército, pensando na questão toda da guerra, mas em termos estéticos seria muito bonito. É claro que isso aqui é uma simulação de cor, não é uma simulação do tratamento, ou seja, não dá para a gente saber como a cor era aplicada. Será tão viva assim. Isso aqui é feito com tintas modernas, né? Mas enfim, para dar uma ideia, né? Como as simulações de estátuas gregas e romanas nós temos hoje, nós sabemos que eram todas coloridas também, né? Nós temos aquela ideia da estatuária antiga sem cor, né? Com a cor da pedra, por conta do que chegou até nós. Nós vemos essas estátuas sem cor, mas elas eram todas pintadas. Quase não existe pintura, desculpa, escultura antiga que não tivesse sido pintada. Muitas, para dizer, a maioria das esculturas sobre a terra. Não é exceção os guerreiros de Xi'an pintados sobre a cerâmica.
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