Pinceladas 14 | Harmonia em Vermelho, de Matisse | Arte Moderna

This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a Portuguese-language YouTube video titled "Pinceladas 14 | Harmonia em Vermelho, de Matisse | Arte Moderna" (uploaded 2020-04-26). It is a single-speaker art commentary that analyses Henri Matisse's painting Harmonia em Vermelho (Harmony in Red), situating it in the Fauvist period and discussing color usage (red vs. green complementary harmony, presence of primaries), composition, decorative interplay between tablecloth and wallpaper, light/flatness, subject matter (a woman setting a table and an empty chair suggesting a guest), and Matisse's pursuit of beauty and modernity.
Chapters
Harmonia Intermedia de Matisse. Henri Matisse é considerado, ao lado de Pablo Picasso, um dos principais artistas da arte moderna. Ele definiu vários caminhos das vanguardas com seu trabalho, quebrando regras da arte acadêmica, mas conservando o senso de beleza e equilíbrio da arte clássica. Em busca de um novo caminho artístico, público, levou ao Fauvismo, que aconteceu entre 1904 e 1908. Harmonia em Vermelho é um quadro do final da fase fauvista de Matisse. À primeira vista, podemos fazer o mesmo comentário que Camille Mauglère fez quanto à primeira exposição fauvista: um pote de tinta foi jogado na cara do público. O que Mauglère queria dizer com isso? Quando vemos Harmonia em Vermelho, notamos E diferente das obras acadêmicas, as cores estão dispostas de forma pura, sem modulações, não há grandes misturas de tinta. Nós vemos o vermelho muito próximo do vermelho retirado da bisnaga de tinta, o amarelo, os azuis, aliás, notem que são cores primárias. A cor secundária que aparece em destaque é o verde, que é muito importante na composição, e um pouco de laranja. A principal relação de cores no quadro é o jogo entre o vermelho vermelho, que ocupa a maior parte da área do quadro, com o verde, que é a sua cor complementar, causando em nós um efeito agradável que nós chamamos de harmonia entre cores complementares. O azul, que causa um contraste bastante grande com o vermelho, está espalhado pelo quadro, no desenho decorativo que sai debaixo da mesa e que segue até a parte superior da tela. O maior contraste possível entre cores, o preto e o branco, ausência total de luz e presença total de luz, está também marcado no canto direito com a mulher que veste uma blusa preta e uma saia branca. Pontos em amarelo, que são os pontos luminosos, eles rodopiam pelo quadro numa linha horizontal que sobe pelo centro, passando pelas frutas da fruteira, e vão até as flores que nos levam aos pontos amarelos da janela. O quadro também é uma grande brincadeira com a questão decorativa, que se situa entre uma cena de gênero, uma cena de cotidiano, e uma natureza morta. A natureza morta mostra frutas, legumes e outros objetos de cozinha, normalmente dispostos numa mesa. Uma cena de gênero, uma cena de cotidiano, mostra uma cena doméstica. Nós estamos aqui, uma brincadeira com o vaso de flores, com a fruteira no centro da mesa, que faz um combinado com o vaso de flores que está no papel de parede do fundo. A própria decoração do papel de parede possui os mesmos motivos da toalha da mesa. Então, visualmente, é como se a mesa e a parede fossem uma coisa só. Possuem o mesmo tom de fundo do vermelho, possuem a mesma decoração em azul, tanto a toalha da mesa quanto o papel de parede. Matisse faz uma brincadeira também com as superfícies não terem tanta luz e sombra, a ponto de estar tudo, como chamamos, chapado, como se estivesse num plano só. Então, a ambiguidade chega até o ponto de podermos até dizer que a janela possa ser até um quadro e não uma janela. Nós não sabemos se isso é uma moldura ou se é o batente da janela. Finalmente, o assunto da cena parece ser uma mulher colocando uma mesa, está à espera de um convidado. A cadeira vazia no canto esquerdo demonstra isso. Enquanto a mulher prepara com bastante zelo a mesa, A cadeira vazia anuncia esse convidado que está sendo esperado. Quem seria essa pessoa? Matisse não fugia da beleza, na verdade, ele a perseguia, como um dos raros artistas modernos que a consideravam uma aliada ao invés de uma inimiga. Matisse não se importa que sua arte seja usada como elemento de decoração. Persegue a beleza, mas sem afetação, de forma simples, embora complexo, rico, mas de forma sintética, leve. Vocês percebem na harmonia? Vermelho, que as suas volutas alçam voo e os pontos de luz dançam pelo quadro. A alegria, a cor e a leveza são elementos da arte de Matisse que, sem nenhuma vergonha, estão presentes em sua obra e nem por isso deixa de ser moderno e ainda atual em pleno século 21.
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