In this Portuguese-language lecture, the speaker examines Vincent van Gogh's series of approximately 35 self‑portraits created between 1886 and 1889, situating them within the broader history of self‑portraiture that began with artists like Rembrandt. He explains how Van Gogh used mirrors as a meditative tool to translate his inner emotions onto canvas, positioning him as a precursor to Expressionism. The talk traces the stylistic evolution of the self‑portraits: the early 1886 work reflects academic, dark tones; the 1888 portraits show a strong Neo‑Impressionist influence after Van Gogh’s exposure to Parisian artists such as Cézanne, Toulouse‑Lautrec, Signac, and especially Paul Gauguin, leading to brighter palettes and hatching techniques; and the 1889 portraits reveal a more turbulent, folkloric style linked to the infamous ear‑cutting episode and the ensuing emotional turmoil. The speaker connects biographical events—particularly the 1888 conflict with Gauguin and the subsequent self‑mutilation—to visual elements like spiraling backgrounds and tormented expressions, arguing that Van Gogh’s self‑portraits function as autobiographical visual diaries that fuse color, brushwork, and composition to convey his psychological state.
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Autorretratos de Vincent van Gogh. Sem dúvida nenhuma, foi Van Gogh quem consolidou a imagem do artista como aquele que registra sua vida em suas obras, mostra suas emoções nos seus trabalhos, abre o coração através das suas cores. Mas nem sempre foi assim. Nós vimos com Rembrandt que isso foi desenvolvido ao longo de vários anos. Ele, sem dúvida, estabeleceu essa imagem de como é possível ser um artista artista e como utilizar seus instrumentos para falar da sua própria vida, se assim o artista desejar. Nós sabemos que há por volta de 35 autorretratos de Van Gogh, pintados todos entre 1886 e 1889. Lembramos que ele faleceu em 1890. Como vimos com Rembrandt, foi graças ao desenvolvimento dos espelhos que os autorretratos puderam ter um impulso na história da arte. Van Gogh utilizava sua imagem no espelho como uma forma de exercitar sua arte, de alcançar novas formas de expressão. Ele acreditava nessa correspondência entre o que havia na tela e a emoção interna. Foi assim que ele foi o precursor do que depois começou a chamar de expressionismo. Então, ao se olhar no espelho, Van Gogh, além de tentar traduzir em linhas cores, o seu mundo interior, era uma maneira de fazer uma meditação a respeito de si mesmo. Nós vemos nesse primeiro retrato de 1886, ainda o pintor está no seu aprendizado de arte acadêmica, então nós vemos um retrato bem escuro em que até os seus olhos verdes, olhos claros, não estão aparecendo da cor que depois aparece tão bem nos retratos posteriores. Nesse autorretrato de 1888, nós vemos que já Van Gogh tem uma influência neoimpressionista muito forte. Ele conheceu em Paris Cézanne, Toulouse-Lautrec, Signac, outros artistas, e principalmente Paul Gauguin, que o influencia a ponto de transformar aos poucos as suas cores lisas, como vemos no primeiro retrato, em hachuras de cores, que é um recurso do desenho que ele transporta para a pintura. Isso confere as pinturas de Van Gogh a partir dessa época em que ele vai para Paris como uma mudança na sua paleta, nas suas cores, que se tornam mais vivas, mais próximas das cores dos impressionistas. Embora, diferente dos impressionistas que se preocupavam com o registro das mudanças da luz sobre os objetos, Van Gogh começou a utilizar essas cores que se distanciavam daquela paleta escura mais acadêmica como uma forma de expressar aí a sua emoção sobre a tela de forma que fizesse sentido, que acontecesse de uma forma que fosse harmônica. Nesse terceiro autorretrato de 1889, nós já vemos o Van Gogh mais folclórico que nós conhecemos como aquele que cortou a orelha. Essa história é real, ela aconteceu. Graças à briga que Van Gogh arma com Gauguin, que foi convidado por ele para que ele fosse até o interior da França onde ele estava, para que fizesse uma colônia de artistas, e Gauguin não concordando em ficar com Van Gogh nessa colônia, então se começa um desentendimento. Na sua fúria, na sua briga, Van Gogh acaba cortando um pedaço da sua orelha, mandando esse pedaço de orelha até uma prostituta. Ele é encontrado sangrando, Gauguin é acusado de assassinato, mas Quando ele recobra os sentidos e se levanta, enfim, a acusação é retirada, evidentemente, e Gauguin foge para Paris de volta. Isso foi em 1888. Van Gogh pinta esse autorretrato, que faz parte de uma série em que ele está com a orelha cortada. Nós vemos aqui uma expressão atormentada, tão atormentada quanto o outro retrato, que aí não mostra a orelha cortada. Mas que você vê um torvelinho de emoções na forma dessas espirais do fundo. Nós vemos a expressão de uma forma tão forte, colocada na forma de cores e elementos de desenho no mesmo quadro, expressando a autobiografia de um artista.