This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a YouTube video titled "Pinceladas 20 | O Tempo, de Henrique Bernardelli | Arte acadêmica brasileira" (published 2020-05-14). It is a Portuguese-language art commentary/educational segment in which a single narrator at the Pinacoteca do Estado de São Paulo analyzes Henrique Bernardelli's painting "O Tempo." The speaker explains the work as an allegory of time, describing key elements: the elderly figure with an hourglass and sickle (time/death), a globe indicating space, the central scene of Adam and Eve (original sin), and the three Moirai/Parcas (Clotho, Lachesis, Atropos) shown writing in books instead of spinning threads—together illustrating themes of the passage of time, life, death, and sin.
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O Tempo, de Henrique Bernardelli. Mais uma obra que se nos apresenta como um enigma a cada visita que fazemos à Pinacoteca do Estado de São Paulo. Esse quadro é uma alegoria, ou seja, é uma representação simbólica de questões, de conceitos, de ideias ou até de sensações que que queremos representar não de forma individualizada, mas cada figura representando um desses conceitos. Aqui nesse caso nós vemos uma alegoria do tempo, da sua passagem, da sua duração. É bem interessante perceber que o formato horizontal tem a ver nesse caso com o assunto. Nós entendemos o tempo como algo que se estende ao longo de um percurso. Então, quando nós representamos graficamente o tempo, até mesmo em física, muitas vezes nós colocamos o tempo numa reta horizontal. Vermos essa obra se estendendo da esquerda para a direita é como se fosse uma metáfora visual, ou seja, uma simbolização do tempo no próprio formato da obra. Então, aqui, qual é a figura que é a mais forte, que representa o próprio tempo? É o idoso com a ampulheta nas mãos, e uma gadelha, uma foice com cabo comprido no colo. Essa foice, normalmente, essa gadelha, nós associamos no Ocidente à morte, mas é uma forma do artista mostrar que é a consequência do tempo. A ampulheta também é um símbolo clássico da passagem do tempo, é o equivalente aos nossos relógios. De forma menos marcada, nós vemos um globo terrestre do lado direito do senhor idoso, a de forma a mostrar o espaço. O idoso aponta com a mão esquerda para o centro do quadro. Qual é a cena que se desenrola no centro do quadro? É o pecado original, é Adão e Eva. Eva colhendo o fruto da árvore proibida, o fruto proibido, e estendendo a Adão. Três figuras são mostradas juntamente com o idoso, que são figuras alegóricas da mitologia greco-romana. São as moiras ou parcas. São as figuras que, na mitologia grega, elas teciam, esticavam e cortavam o fio da vida. Então, era uma analogia do trabalho da tecelã, como a vida como um fio que se estende e que depois é cortado ao final. Aqui, Bernardelli substitui os fios pelos livros. Então, essas moiras estão escrevendo a história de cada pessoa. A figura que está às costas do idoso provavelmente é a Átropos, que é a Moira que cortava o fio da vida, a mais sombria, a mais tenebrosa. À nossa direita não é muito possível identificar quem seja. Clotho, que é aquela que dá o início, a que tece o fio, ou seja, a Moira do parto, do nascimento. Ou Lachesis, que é a que estende o fio, a que estica o fio para que se desenrole o fio, que é a própria vida da pessoa. Enfim, nós vemos aqui, de forma bastante curiosa, a junção de figuras alegóricas da mitologia greco-romana e uma cena cristã, da tradição cristã bíblica. Tudo isso para contar, de forma simbólica, o que significa a passagem do tempo, suas implicações, a morte, a vida que se desenrola e o pecado original que permeia toda a vida de uma pessoa, segundo a visão do autor.