Neste vídeo da série Pinceladas, o apresentador faz uma análise detalhada da pintura “Fim de Romance”, de Antônio Parreiras, exibida na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Ele inicia descrevendo os elementos visuais – cores intensas de verde, o cavalo escuro, a camisa branca, a estrada sinuosa, o céu dividido entre luz e nuvem, e a composição em três faixas horizontais. Em seguida, aponta as linhas e curvas que estruturam a obra (curva do cavalo, diagonal da estrada, linha da nuvem). Passa a observar a cena central: um homem caído, possivelmente morto, com sangue na cabeça, vestindo trajes típicos de gaúcho, chapéu ao lado, e o cavalo cheirando o dono. O narrador descreve o ambiente – estrada que desaparece atrás de um morro, montanhas ao fundo, aves negras no céu. Depois, propõe interpretações abertas: suicídio, duelo, ou outra narrativa, ressaltando que o título “Fim de Romance” permite múltiplas leituras. Cita Umberto Eco para enfatizar que a obra é “aberta”, convidando o espectador a completar a história. O discurso é analítico e descritivo, sem afirmar uma única interpretação, mas destacando como a técnica e a narrativa do artista criam espaço para a participação do público.
Chapters
Fim de Romance, de Antônio Parreiras. Vamos nos colocar à frente desse quadro que está na Pinacoteca do Estado de São Paulo e primeiramente vamos nos aproximar dele através dos seus elementos. Primeiramente pela cor, que é o que chama mais a atenção à primeira vista. Os verdes muito fortes, intensos, claros, contrastando com o cavalo, que tem uma cor bastante escura, tons de marrom mais escuros, e também contrasta com a cor branca da camisa do homem, com o caminho da estrada, com as nuvens do céu, até o próprio céu luminoso, a parte luminosa do céu, que faz esse contraste com a massa escura do cavalo. Nós temos várias linhas sinuosas, nós temos várias curvas no quadro, a própria curva do cavalo, a curva do caminho, o morro na qual a estrada se esconde por trás, a diagonal da própria estrada, diagonal que forma a nuvem, a linha branca, uma linha branca que forma na nuvem no céu. O quadro é dividido mais ou menos em 3 partes, a parte de cima em 3/3 na altura, A parte do céu corresponde a 1/3, a linha onde está situado o homem é outro 1/3. E agora nós tomamos posse do tema, o assunto. O que nós vemos aqui no quadro? Nós vemos um homem caído ao chão, aparentemente ele está morto, com alguma indicação de sangue aqui na cabeça. Ele está com a arma na mão, vestido com roupas que hoje nós associaríamos a uma roupa de gaúcho, mas provavelmente é uma roupa bastante comum para vários lugares do sertão brasileiro, de vários estados. Mas digamos que seja um gaúcho, com bota bombacha, com lenço no pescoço. O chapéu dele está tirado longe de si, à nossa direita. O cavalo está cheirando o dono, provavelmente o dono. Essa estrada nos dá uma impressão de como se fosse um caminho longo percorrido, É uma estrada em que você não vê o fim, você não vê a continuidade da estrada, porque a curva da estrada se esconda atrás de uma elevação, de um pequeno morro. A serra, as montanhas lá no fundo, se perdendo em meio à perspectiva atmosférica. E no céu, umas aves, parecem negras, escuras, que podem ser aves de mau agouro, num céu que é parte iluminado e parte nublado. O gramado bastante verde contrastando com a cor escura do cavalo. E agora, nós poderíamos arriscar, então, a história, poderíamos compor uma história. Por que nós podemos compor essa história? Nada no quadro nos permite dizer que essa história é fechada, que tem uma única interpretação. Vejam só, nós não vemos o momento da ação, nós vemos o após a ação. Então nós poderíamos dizer, pelo sangue na cabeça, que esse homem pode ter se suicidado, pode ter se matado. Como o nome do quadro é "Fim de Romance", qual é a relação do fim de romance com o que nós vemos na tela? A relação do título com a ação que é mostrada na tela? Pode ter acontecido um duelo, a pessoa que duelou com o homem que está no chão morto Ela pode ter ido embora e por isso o caminho que vai ao longe da estrada. Pode ter acontecido um suicídio. Não sabemos exatamente. Então o título do quadro nos leva a fazer várias interpretações. Isso que enriquece o quadro, porque é como diria Umberto Eco, é uma obra aberta. O espectador participa da obra, ele completa a obra. O autor com a sua técnica, com a sua narrativa, ele propõe uma história e desse ponto de partida nós compomos a nossa própria história.