This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a Portuguese-language YouTube video titled "Pinceladas 22 | Paul vestido de arlequim, de Picasso | Retratos" (published 2020-05-21). It is an art-commentary/analysis in which a single narrator examines Picasso's portrait of his son Paul dressed as a harlequin. The speaker situates Picasso in relation to Cubism and his later return to classicism, notes his technical mastery, and references his personal life (his marriage to ballerina Olga Koklova and portraits of his muses and children). The narration offers a close reading of the painting’s composition, use of contrast and complementary colors (e.g., yellow and violet), the informal/study-like nature of the work, and interprets the piece as an expression of the immediate and "unfinished" beauty of childhood.
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Paul vestido de Arlequim por Pablo Picasso. Pablo Picasso é um artista associado normalmente ao Cubismo, vanguarda que desenvolveu com o amigo Georges Braque entre 1909 e 1918. Depois de apontar esse caminho possível como uma das quebras com a arte acadêmica que imperou no Ocidente do século XV ao começo do XX, Picasso retornou ao classicismo ao final da Primeira Guerra Mundial durante alguns anos. Na verdade, ele nunca deixou de lado algum dos seus princípios. Ele dominava tanto as ferramentas do seu ofício que é famosa sua frase: "Quando eu tinha 15 anos, sabia desenhar como Rafael, mas precisei de uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças." Portanto, ao contrário do que pensam as pessoas, ele sabia desenhar e pintar de forma magistral, de acordo com os ditames da arte acadêmica. Suas distorções cubistas são tentativas conscientes de explorar novas formas de representar pessoas e objetos do mundo visível. Sabemos também da atribulada vida amorosa de Picasso. Há muitos retratos de suas mulheres, musas, que posavam para muitas de suas pinturas, resultando em obras que vão do olhar cheio de ternura até a crueldade de Picasso ao provocar a modelo a ponto de fazê-la chorar, sabe-se lá com quais palavras. No entanto, os trabalhos do artista que retratam crianças revelam um olhar carinhoso, principalmente no caso de seus filhos. Há muitos trabalhos que Picasso fazia não para vender, mas como estudos pessoais ou para sua família. Toda uma série de desenhos e pinturas do seu filho Paul, vestido como Pierrot, Clown ou Arlequim, mostram o interesse do artista no mundo do balé e do palco, na época em que esteve casado com a bailarina Olga Koklova, mãe de Paul. Neste retrato de Paul como Arlequim, nós notamos que é um trabalho despreocupado, como os outros dessa série, mas nem por isso menos atento. Esse tipo de trabalho não tem intenção de revolucionar a arte ou propor novas soluções. Percebemos que a intenção é fazer uma pintura mais realista. Notemos que apesar desse realismo, não é um trabalho que se esmera em muitos detalhes, a não ser alguns precisos. Ele é detalhado somente o suficiente para que mostre a figura do seu filho, para mostrar que é uma criança. O L da poltrona dinamiza a composição. A sua cor escura, ela fornece o contraste necessário para o rosto e o xadrez em losangos da roupa do menino, com cores bem vibrantes, complementares, que causam contraste, como são as complementares amarelo e violeta. A figura do Arlequim é a figura que deu origem ao palhaço, por isso é uma figura alegre, que faz rir. A graça que as crianças fazem, a sua alegria e o seu riso estão aqui, no entanto, somente de uma forma potencial. É muito mais uma figura que nos faz sorrir por ser graciosa do que rir por ser engraçada. Enfim, vendo essa obra aparentemente inacabada, o que nós concluímos? Que nada mais, na verdade, era necessário. Picasso percebeu que ela era bella assim. Sentiu que a inacabada estava pronta. Assim como a beleza do seu filho, a beleza de uma criança, ao nosso alcance neste momento, uma beleza imediata. Mas também a beleza inacabada da criança, uma obra que ainda está em andamento.