This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a YouTube video titled "Pinceladas 24 | Virgem com o Menino, São João Batista e um anjo, de Piero di Cosimo | Renascimento" (published 2020-06-06T22:15:21+00:00). The excerpt is a Portuguese art-historical commentary — a single-speaker lecture or gallery-talk-style narration — analyzing Piero di Cosimo's painting held at MASP (São Paulo). It covers the artist's background and influences (including Cosimo Rosselli, Botticelli, and Savonarola), formal analysis (composition, use of triangles, symmetry, diagonals, color palette), iconography and symbolism (St. John the Baptist, River Arno/Jordan, ladder to heaven, caterpillar/butterfly as resurrection symbol, tree as cross/resurrection, jessa das vassouras, the Bible), and the humanizing portrayal of the holy figures.
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A Virgem com o Menino, São João Batista e um Anjo, de Piero di Cosimo. Essa obra que está no MASP em São Paulo é um exemplo muito típico da arte do Renascimento. Piero di Cosimo foi discípulo de Cosimo Rosselli, por isso "di Cosimo". Ele ajudou o mestre a pintar os afrescos da Capela Sistina em 1481, na primeira fase de decoração do templo. Piero tornou-se conhecido por abordar temas mitológicos da antiguidade clássica de uma forma realista que nós associamos normalmente a pintores como Botticelli. Embora Piero aborde os temas de forma realista, também é lembrado pela forma imaginativa com que ele trata esses temas, fazendo, por exemplo, monstros misturando partes de vários animais. Já mais pro final da vida, ele abandonou esses temas mitológicos ao seguir as ideias de Girolamo Savonarola, a iminência parda e governante de Florença a partir de 1494. Suas ideias apocalípticas influenciaram não só Piero di Cosimo, mas também Botticelli, que também abandonou os temas mitológicos e abraçou a temática cristã inteiramente. Como nós podemos ler a obra que está no MASP? Podemos prestar atenção primeiramente nos aspectos formais da obra, ou seja, aquilo que dá forma a uma obra de arte, as cores, as linhas, a composição e outros elementos básicos. A composição, ela é composta de vários triângulos que, se você puxar a origem, você vai ver que se irradiam de dois pontos em comum, um à esquerda e outro à direita. Essa composição baseada em linhas diagonais que dirigem o nosso olhar dá bastante dinâmica à obra, embora a impressão geral da obra seja de estabilidade. Nós podemos dividir a composição também em 3 campos, tanto na horizontal quanto na vertical. Também notamos que é possível traçar 2 arcos, tanto na parte superior quanto na parte inferior da composição. Nós notamos então que existe uma simetria, ou seja, um espelhamento a partir de um eixo em partes mais ou menos iguais, que conferem essa estabilidade à composição, assim como o dinamismo das linhas diagonais. Quanto às cores, nós notamos que a paleta, ou seja, o conjunto das cores usadas, é bastante limitado. Não que isso empobreça a obra. Os tons básicos, azuis e verdes, eles contrastam com a cor complementar do verde, que é o vermelho. Esse vermelho da roupa da Virgem Maria e esse vermelho alaranjado da roupa do anjo. Além disso, nós temos o marrom. Se você misturar duas cores complementares como o verde e o vermelho, você vai resultar num marrom ou num cinza. Quanto à questão do que está sendo representado, nós notamos que a Virgem Maria está bem no centro geométrico da composição. O cajado de São João Batista aponta para o Menino Jesus nessa linha que sai do cajado, passa pelo manto amarelo da Virgem Maria e vai até o Menino Jesus. Nós também podemos dividir a composição no eixo vertical e notar que do lado de São João Batista existe um riacho, Esse riacho pode ser tanto uma referência ao Rio Arno, que é o rio que passa por Florença, lembrando que Piero di Cosimo é um artista de Florença, florentino, ou uma referência, claro, ao Rio Jordão, que é onde atuou o profeta João Batista. Eu lembro também que São João Batista é o santo padroeiro da cidade de Florença. Do outro lado, talvez a montanha que se eleva, que sobe em direção ao céu, do lado em que está o Menino Jesus, seja uma referência ao céu, para onde ele leva, para onde ele também está apontando com o dedo indicador. O anjo também desse lado talvez mostre então que esse lado, que é o lado direito do observador, seja o lado divino, e o lado esquerdo do observador seja o lado da terra. Há outros simbolismos nessa pintura, como a lagarta, que é um símbolo do nascimento e da ressurreição de Jesus. Jesus, já que ela se transforma, como Jesus morreu e depois ressuscitou, ela se transforma de lagarta em casulo e depois em borboleta. Então é um símbolo da ressurreição, assim como a árvore em que ele está encostado, que é uma árvore seca e que tem um galho brotando, que simboliza tanto a cruz quanto a ressurreição. E um símbolo muito menos óbvio, mas presente, que é a gesta das vassouras, ou gesta das vassouras, que é uma planta ligada à história do nascimento de Jesus e da matança dos inocentes. Segundo reza a lenda, um dos soldados de Herodes teve a ideia de colocar um ramo dessa planta na porta da casa de Jesus para que fosse impedido que ele fosse morto, como um sinal marcando a porta. No dia da matança, os soldados ficaram espantados porque todas as casas tinham uma jessa das vassouras na porta. Segundo diz a história. Outro símbolo talvez mais evidente é a Bíblia, ou a palavra sagrada, a palavra de Deus, que o Menino Jesus coloca sua mão esquerda sobre ela. Sabemos que, segundo a teologia católica, Jesus é a palavra de Deus encarnada. Nós vemos nessa obra uma humanização do tema sagrado. É como se fosse um passeio pelo campo com a Virgem Maria, o Menino Jesus, o seu primo João Batista, e um anjo ajudando, parece, a tomar conta das crianças, colhendo flores, como se fosse mais um rapaz do que um anjo, uma figura vindo do além. É uma obra bastante tocante, muito bela, com vários simbolismos, uma obra bastante rica do Renascimento italiano.