Na aula 11, o professor Fábio San Juan explora a sensualidade na arte indiana a partir de múltiplas perspectivas históricas, linguísticas e iconográficas. Ele inicia explicando a origem dos nomes “Índia” (do sânscrito Sindhu) e “Bharat”, destacando seus múltiplos significados – terra, rei, dinastia e deusa do fogo – para mostrar a riqueza semântica que permeia a cultura indiana. Em seguida, contextualiza a civilização do Vale do Indo (Harappa, Mohenjo‑daro) e o épico Mahabharata, preparando o terreno para a análise das figuras recorrentes nas esculturas: as yakshinis (ou yakshi). O professor descreve as yakshinis como espíritos sagrados, não deuses, comparáveis a ninfas ou sílfides, e aponta sua ligação com a iconografia de deusas‑mãe e Vênus pré‑históricas, enfatizando atributos sexuais e maternos (quadris largos, seios fartos) que revelam uma atração visual à fertilidade. Ele examina exemplos do período Maurya, destacando a combinação de realismo anatômico – volume corporal, dobras de vestes, transparência – com distorções deliberadas que exageram o movimento e a sensualidade da dançarina. O professor também faz paralelos visuais: a postura da yakshi lembra a bailarina de 14 anos de Degas no MASP, enquanto o estilo de algumas esculturas remete à arte mesopotâmica mais que à grega. Por fim, discute como a arte indiana pode apresentar torções corporais impossíveis, similar ao que ocorre na arte greco‑romana, mas muitas vezes passa despercebido. O discurso combina história, etimologia, análise formal e comparações interculturais para explicar por que a arte da Índia costuma ser percebida como sensual.
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Nossa aula 11 vai falar de arte na Índia. Índia vem do nome sânscrito para o rio Índio, Sindhu, que é o rio que dá origem à primeira civilização nesse lugar, nesse subcontinente indiano. O nome em hindu, em hindi, do país é Bharat, Bharat. Que pode significar várias coisas, como vocês veem aí. Pode significar a terra toda, a terra inteira, o planeta Terra, um rei, ou seja, e a sua dinastia, né? Então seria dizendo da terra que esse rei governa, né, e a sua dinastia. Também é um nome da deusa do fogo, Bahá'u'lláh é o nome da deusa do fogo, depois conhecido como Agni, e também é aquele que está engajado na busca do conhecimento. Então, veja quantos significados diferentes uma palavra só. Como exemplo, desde os tempos dos Vedas, você tem esse poema épico, o poema gigantesco, muito grande, Mahabharata, que é o épico, o grande poema épico da dinastia Maharata. A civilização do Vale do Indo, Essa civilização que eu falei de Harappa, de Mohenjo-daro e de outras cidades como Nergal. Olha só, em Mohenjo-daro você tem essa dançarina graciosa. Me lembro, lógico, né, que tem diferenças, mas eu consigo lembrar, não sei se vocês conhecem, a bailarina de 14 anos do Degas, né, que era pintor, mas também era escultor e impressionista. A dançarina de 14 anos que está no MASP. Eu me lembro dela, não estou dizendo que ela é igual, mas me faz lembrar a dançarina Andegá, essa figura. Uma figura que é muito recorrente na arte indiana são as yakshini. Yakshini é o plural de yakshi. São figuras sagradas, mas que não são deuses. Os deuses são chamados de devas. Yakshi, dependendo da tradução, é espírito ou demônio, mas não demônio no sentido cristão nem judaico, né? Demônio no sentido de serem espíritos livres, espíritos como ninfas, sílfides. Eu vejo uma relação, uma ligação com as figuras das grandes deusas ou das deusas-mães ou das Venus pré-históricas por conta dos atributos reprodutivos sexuais, né, estarem muito evidentes, muito à mostra, né, muito aparentes. Então você mostrar uma figura com quadril largo, com seios muito fartos, muito grandes, mostra uma atração pela figura feminina quanto aos seus atributos ligados à maternidade, por isso atraentes. O que é uma das mais antigas dessas figuras, já do período Maurya, que é esse período de grande florescimento cultural. As yakshinis também estão presentes no budismo, então por isso você tem aí uma yakshi no período Maurya, que é um período budista. Vocês veem aqui uma figura tanto quanto realista, você tem um volume representação de volume do corpo humano puxando muito para o realismo. Se vê essas representações de dobras de uma roupa de afana, uma roupa tanto quanto, até um tanto transparente, talvez mais transparente na frente, né? Essa representação desse véu olhado aqui em volta do braço dela, o caimento do colar, os detalhes do rosto, é tudo muito bastante interessante e bem puxando mais para o realismo. Você já tem nessa arte, dessa iate do período Xunga, um pouco mais esquemático, lembra, para mim pelo menos, lembra mais arte mesopotâmica, do que a arte grega, por exemplo. Aqui sim nós temos uma figura mais realista, embora haja uma distorção da anatomia humana. Posso— possa ser até possível, mas ela é bastante forte, né, com o objetivo de enfatizar o corpo, né, o movimento da dançarina. Também aqui nós, aqui sim, se aliam um realismo com detalhamento até mais do que sobrou da estátua, infelizmente, com os detalhes da vestimenta, dos adornos, dos adereços da dançarina. Aí entra a parte da imaginação, da torção do corpo, né? Às vezes na arte indiana existe uma torção do corpo que é impossível na realidade, assim como também existe na arte ocidental realista greco-romana, mas que às vezes a gente não percebe ou a gente releva.