Por que os políticos gostam tanto de retratos e estátuas?

This content was created by Fábio San Juan. This content was uploaded by Fábio San Juan. This is a YouTube video titled "Por que os políticos gostam tanto de retratos e estátuas?" (uploaded June 17, 2021). The excerpt is a Portuguese-language lecture-style monologue about Mesopotamian art and the emergence of portraiture: it discusses female deity heads (e.g., Inanna), votive statuettes from Tel Asmar, the role of temples as both religious and administrative centers, and how statues functioned as representations or stand-ins for priests and worshippers. The speaker explains cultural and ritual reasons for creating representative sculptures and ties that to broader concepts of artistic and social representation.
Chapters
arte da Mesopotâmia. Mesopotâmia, aquela região entre rios, né, como diz o nome em grego, que já é um lugar que tem culturas urbanas desde muito tempo, desde o Neolítico, né. Vou falar um pouco da linhagem de esculturas representando o ser humano que vai redundar no quê? Arredondar na criação, na criação do retrato. A ideia do retrato não é algo óbvio, mas vamos ver como é que se origina, né? Aqui nós temos uma cabeça feminina que talvez represente uma dessas deusas mesopotâmicas, Inanna. E o que nós podemos perceber aqui? Essa figura feminina, ela não tem que se parecer com ninguém, ela não tem que se parecer com uma pessoa específica, até porque a deusa Inanna, provavelmente só os sacerdotes tinham acesso, tivessem acesso aos deuses, tivessem visões dos deuses em rituais muito parecidos com os rituais xamânicos lá da pré-histórica, da pré-história ou das religiões dos povos ditos primitivos. E vissem essa deusa, mas a ideia seria que fosse uma mulher, né? O deus masculino que fosse um homem, e não precisaria ter algum atributo muito específico, bastava representar o homem. Claro, no caso aí, nós não temos corpo, só tem uma cabeça. Mas a roupa, a vestimenta, tivesse atributos que remetessem àquele deus. Então, se fosse um deus da caça, tinha que ter um instrumento de caça, um arco e flecha, uma lança, alguma coisa do tipo, e assim por diante. A Stava parecia uma mulher, né? A deusa era uma mulher, então tinha que parecer uma mulher, e só, né? Olha só, essas estatuetas São estatuetas de orantes ou suplicantes dessa cidade que é Tel Asmar. O que acontece aqui? Os templos eram lugares não só de oração como nós entendemos hoje. Os templos eram muito diferentes do que nós entendemos como um templo hoje. Claro que ele era um lugar de oração, mas quem tinha acesso à parte interna do templo eram somente os sacerdotes. E você tinha a parte do templo que somente os sumo-sacerdotes, os sacerdotes supremos, os mais graduados, eles tinham acesso. Acontece que o templo também era um local de administração da cidade. Então, os sacerdotes, os funcionários do templo, eles eram escribas, principalmente. Eles escreviam, eles aprendiam a escrever, fazer cálculos matemáticos. Tudo isso muito importante para a administração da cidade. Você fazia medição de terreno onde ia ser plantado as coisas, você fazia o registro daquilo que— das sementes que seriam usadas na plantação. Tudo era administrado, todo o trabalho era coordenado através do templo. E os sacerdotes eram, por conta disso, pessoas muito ocupadas. E por serem pessoas muito ocupadas, não podiam ficar 24 horas por dia na frente do Deus, velando por ele, fazendo adoração. Só que a religião deles exigia que sempre houvesse alguém junto com o Deus. Então, como havia essa exigência, qual é a solução a que se chegou? Chegou-se a essa solução: dos representantes, das estatuetas de representantes. Em português, mas também em outras línguas, quando a gente fala em representação, nós podemos estar falando de duas coisas: uma representação como uma representação artística. Então, a estátua X representa um sacerdote. Mas a ideia de representação artística vem de onde? Por exemplo, Vai haver um casamento de um figurão e aí o governador do estado é convidado para esse casamento. Em vez dele ir ao casamento por conta de outros compromissos, ele manda um representante, ou seja, ele manda uma pessoa no lugar dele para representá-lo. Representar é isso, é algo que está no lugar de outra coisa. No caso, É uma estátua que está no lugar de uma pessoa. No caso do casamento, é uma pessoa que está no lugar de outra pessoa. Isso é representação. Representação, essa ideia que já vem lá da Idade da Pedra, da pré-história. O rabisco na parede, as manchas de tinta na parede, ou um pedaço de marfim escavado. Todas essas formas de desenho e escultura representam, fazem lembrar um ser da realidade visível. Aqui, no caso, essas estatuetas fazem lembrar, estão no lugar, aqui na verdade elas estão mais no lugar do que fazendo lembrar, mas estão no lugar de sacerdotes e orantes que deveriam estar aqui e que deixam a estátua no lugar deles.
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