In this lecture (Aula 3 of a prehistoric art course) the professor introduces the corpus of prehistoric female figurines, commonly called “Venus” figures, and uses International Women’s Day as a framing moment. He explains that the label “Venus” was coined after the first discovery (the Venus of Willendorf in Austria) and that it invokes Greco‑Roman ideals of beauty, which is misleading for Paleolithic art. The speaker maps the wide geographic spread of these figurines—from the Pyrenees and Cantabrian region in western Europe, across the Iberian Peninsula and France, to Siberia in the far east—showing they are not confined to a single culture. He argues that no single prehistoric standard of female beauty can be inferred from these objects; the term “Venus” creates a false impression that they represent an aesthetic ideal. By contrasting the well‑known Venus of Willendorf with other examples such as the Venus of Galgenberg, he demonstrates considerable stylistic variation, indicating that the figurines likely served diverse symbolic or functional purposes rather than embodying a uniform beauty norm.
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Vamos começar essa aula. Coincidentemente, juro que foi coincidência, mas é uma parte da arte da pré-história, que se não é toda a aula, não é toda a aula, é uma parte predominante da aula, que é sobre as Venus, as figuras femininas da pré-história. Coincidentemente, ontem foi Dia Internacional da Mulher. Aliás, parabéns para as mulheres aqui presentes, para as mulheres que vão assistir esse vídeo também. Estamos aqui então na aula 3 do nosso curso. As Vênus pré-históricas. Quem nunca ouviu falar das Vênus pré-históricas? Então vamos explicar também para quem já ouviu, porque esse termo, eu já vou colocar aqui na tela, a mais conhecida de todas que é a Vênus de Willendorf. Essa talvez seja a Vênus pré-histórica mais conhecida de todas. Hoje em dia você vê nos livros didáticos, na escola, e esse termo é bastante complicado hoje. Ele foi proposto nessa época porque a Vênus de Willendorf foi a primeira descoberta, e já na época da descoberta na Europa, então ela foi descoberta na Áustria. Então você tem várias Vênus descobertas entre a Europa e a Ásia, que vão desde lá os Pirineus, desde a Cantábrica ali, que é também, não coincidentemente, local de muitas cavernas com arte rupestre, e desde o oeste da Europa, ali na Península Ibérica, norte da Espanha, adentrando pela França, até ao extremo leste da Ásia, na Sibéria, a ocorrência das figuras femininas pré-históricas. Por que o termo Vênus é problemático? Porque o termo Vênus foi proposto em comparação com as Vênus greco-romanas. As Vênus greco-romanas, elas representam a— Vênus é o nome romano para a deusa Afrodite, a deusa do amor. Então, ela representava a beleza feminina naquele padrão de beleza feminino grego, depois romano, e que depois passou para o Ocidente, que é o nosso padrão de beleza ainda hoje. Não vamos dizer que não, porque Ainda hoje, o padrão de uma mulher bonita para o ocidental, ele tem muito a ver, ou tudo a ver, com o padrão de beleza que vem da arte greco-romana. E atribuir esse título para as Vênus pré-históricas automaticamente cria na cabeça das pessoas a impressão que o padrão de beleza das mulheres na pré-história era o representado pelas esculturas que hoje nós chamamos de Vênus pré-históricas, o que não é verdade. Por que não é verdade? "Ah, Fábio, como você sabe, professor, que não é verdade?" Não é que eu sei, na verdade, é que eu não sei, porque ninguém sabe, ninguém tem como afirmar com certeza. Então, atribuir para as Vênus pré-históricas o mesmo papel da arte que nós temos hoje, que quando é representada uma mulher bonita, ela na arte, no cinema, nas fotografias, nas revistas, na televisão, na própria escultura ou pintura, ainda que existe figurativa, não é esse papel que se tem de se colocar um padrão de beleza através da arte, da representação visual, provavelmente não é o mesmo, não é o mesmo raciocínio que existia na pré-história. Por que eu vou dizer isso? E hoje acho que existe algo bastante interessante, porque muitas dessas Vênus não seguiam, elas não seguem o mesmo padrão. Não dá para a gente dizer que existe um padrão só, não existe algo padronizado nessas Vênus. Vênus, né? Existem algumas que são parecidas, tem umas que são muito diferentes. Por exemplo, essa Vênus de Galgenberg, a Vênus é mais ou menos da mesma época da Vênus de Willendorf.