
Neste segundo vídeo da série de visita virtual à Capela Sistina, o professor Fábio San Juan (Apreciando Arte) descreve detalhadamente a decoração das paredes laterais, do teto e da parede do fundo da capela. Ele explica que a capela possui quatro faixas de afrescos: (1) uma primeira faixa de cortinas e tapeçarias simuladas com o brasão de Sisto IV, criada pela equipe de Perugino a partir de 1480; (2) a segunda faixa contendo dois ciclos narrativos paralelos – a vida de Moisés à esquerda e a vida de Cristo à direita – iniciados em 1480 e concluídos em 1515, com destaque para a simbologia de prefiguração entre os dois; (3) a terceira faixa que originalmente apresentava 30 retratos de papas, dos quais a maioria foi coberta quando Michelangelo pintou o Juízo Final; e (4) a quarta faixa que inclui as lunetas (meia‑lunas) que representam os ancestrais de Cristo e que também foram substituídas por Michelangelo. O professor menciona a produção das verdadeiras tapeçarias de Rafael a partir dos seus “Cartões de Rafael”, sua exposição planejada em 2020 e o cancelamento devido à pandemia. Ele discorre sobre os artistas florentinos enviados por Lorenzo de' Medici – Perugino, Ghirlandaio, Botticelli, Pinturicchio, Cosimo Rosselli, Luca Signorelli, entre outros – e a ausência de Leonardo da Vinci por sua reputação de obras inacabadas. San Juan destaca a unidade cromática imposta por Perugino, a narrativa em estilo medieval/comic‑strip presente em cenas como as Tentações de Cristo, e a forma como Michelangelo, com permissão de Paulo III, removeu obras anteriores para criar o Juízo Final. O vídeo encerra preparando o espectador para o próximo episódio, que abordará o teto de Michelangelo.
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Olá, continuando a nossa visita virtual à Capela Sistina. Aqui é o professor Fábio San Juan do Apreciando Arte. Estou explicando a decoração e algumas das histórias e alguns significados. Se você não viu nosso primeiro vídeo, clique aí no link que está na descrição. Tá bom? Então vamos lá. Falamos que nós temos 4 faixas de afrescos nas paredes laterais, o teto e a parede do fundo onde há o Juízo Final. Então a Capela Sistina é totalmente pintada de cima a baixo, além da decoração no piso com piso cosmatesco, e algumas adições aí com decoração em mármore e outras, né? Mas vamos falar das pinturas. Na primeira faixa nós temos pinturas simulando essas cortinas, tapeçarias, com o brasão de Sisto IV, né? Aqui vocês viram que eu mudei de página Aqui nós conseguimos ver os detalhes melhor, né? Então aqui nós temos o brasão de Sixto IV, em que você tem o Carvalho, né, que é o sobrenome da família, della Rovere. Rovere em italiano é Carvalho, né? E a mitra papal com as chaves de São Pedro, né? Enfim, então nós temos aqui curtinas douradas, cortinas prateadas. Você tem essa alternância da cor em toda a volta da capela, certo? Essa, essa faixa de pinturas foi feita também pela equipe do Perugino, foi iniciado em 1480 e mais tarde, 1515, 35 anos depois da pintura dessa primeira decoração da Capela Sistina, o Papa Leão X encomenda ao Rafael Sanzio que faça tapeçarias de verdade para serem penduradas aqui no lugar dessa simulação de tapeçaria pintada. Então essas tapeçarias de Rafael, elas ficam muito famosas. Os desenhos pintados que ele vai fazer, os cartões, são conhecidos como os Cartões de Rafael. São 7 cartões, sobreviveram 12 pinturas originais, e que hoje estão na coleção de arte da Coroa Britânica, no Museu Victoria and Albert Museum, em Londres. E enfim, as tapeçarias que foram feitas a partir desses cartões estão no Vaticano, estão expostas na Pinacoteca do Vaticano, que faz parte dos museus do Vaticano. E em ocasiões especiais elas são penduradas aqui, são colocadas em exposição na Capela Sistina, que é o ambiente original para que elas foram feitas. Esse ano aqui, 2020, elas foram expostas no mês de fevereiro. A ideia era fazer a exposição, fazer um tour com essas tapeçarias, mas enfim, por conta da pandemia de coronavírus, essas viagens foram canceladas. Quem sabe daqui a um tempo essa ideia volta, porque esse ano 2020 é o ano Rafael. É o ano em que se comemora a lembrança, a memória dos 500 anos da morte do pintor Rafael, certo? Vamos para a segunda faixa de afrescos. Nós temos à esquerda, então, lá começando do lado, então vou aproximar aqui, aqui no canto não dá para ver muito bem, Ela está distorcida, mas aqui começa a, aqui começa as cenas da vida de Moisés. Aqui com a circuncisão, Moisés deixando Egito, a circuncisão do seu segundo filho Eleazar. Então aqui segue todas as, vou falar já o nome delas, até aqui em que há a última pintura do ciclo. E desse lado direito, também lá na parede do Juízo Final, começa as cenas do ciclo da vida de Jesus, né, passando por todo ministério até a Assunção, né, a, desculpa, Ascensão de Jesus, aqui do lado da disputa pelo corpo de Moisés, certo? As duas séries, elas começavam nessa parede aqui onde está o Juízo Final. Originalmente, antes dessa pintura do Juízo Final, que foi feita só em 15— começou a ser pintado em 1535, em 1480 a equipe toda fez a série, começava aqui nessa parede, então você tinha aqui onde eu estou apontando com o mouse A primeira cena da vida de Moisés, que seria Moisés bebê na cesta de junco no Rio Nilo, sendo recolhido pela princesa do Egito. E aqui desse lado, a natividade, a cena de nascimento de Jesus em Belém. No centro, aqui no centro, você tinha um grande afresco representando a Assunção de Nossa Senhora ao céu. A Capela Sistina é dedicada a Nossa Senhora da Assunção, mas curiosamente hoje não tem nenhuma imagem de destaque da Assunção de Nossa Senhora. E por que? Michelangelo, com a permissão do Papa Paulo III, destruiu essas pinturas, esses afrescos, inclusive aqui em cima onde tem essas duas imagens. Se tinha as imagens das lunetas aqui da série de cima, que nós vamos falar depois. Então isso tudo foi coberto, então as duas séries, dois ciclos começam não do começo exatamente como era, mas de um ponto para frente da história de cada figura, no caso Jesus e Moisés. Enfim, vou falar um pouquinho dos pintores, né? Essa pintura, essas pinturas foram feitas pelos melhores pintores que existiam na época, né? Que eram os pintores florentinos, né? Florença, como vocês sabem, é considerada até hoje a capital do Renascimento italiano. Esses pintores foram enviados pela cidade de Florença por Lorenzo de' Medici, que queria fazer as pazes com o Papa, né, por conta de uma briga lá, a Conspiração Pazzi, que dispôs Florença e Roma, principalmente o Papa. Esse Papa Sisto IV não era Medici, como depois você vai ter outros papas da família Medici. Enfim, esses pintores são enviados então para decorar a Capela Sistina. Então nós temos aqui Perugino, nós temos Ghirlandaio, que foi professor do o mestre do Michelangelo, Fra Diamante, Pinturicchio, Cosimo Rosselli, Luca Signorelli, além de outros, outros que a gente não tem identificação, mas que fizeram parte dessa equipe. Então olha só, dois dos maiores artistas do Renascimento participaram da decoração da Capela Sistina. Um deles um é o Botticelli, o outro é o Michelangelo. O único, talvez o outro que pudesse ser convidado nessa época, porque estava disponível, mas não foi convidado para fazer parte da equipe, foi o Leonardo da Vinci. O Leonardo da Vinci tinha uma reputação muito ruim, nós sabemos que ele começava uma obra e não terminava, ou começou várias obras e não as terminou, ou que se terminou, não entregou para quem fazia encomenda. Então ele acabou sendo convidado para fazer parte dessa equipe. Bom, porque a vida de Moisés de um lado e a vida de Cristo do outro— Moisés é considerado o maior dos profetas do Antigo Testamento, segundo os judeus, segundo os cristãos, e Cristo, claro, É o Messias, segundo os cristãos, é o Messias anunciado no Antigo Testamento, mas que traz o Novo Testamento, a Nova Aliança, e a figura principal do Novo Testamento. Então cada pintura faz de um lado, faz paralelo com a pintura do outro. Moisés é visto assim como as outras figuras do Antigo Testamento, Ela é vista como uma prefiguração da vida de Cristo. Então tudo que ele faz tem a ver com a vida de Cristo. Então vamos lá, vamos ver aqui, vou mostrando rapidamente, nós não vamos ter como falar de cada uma, mas aqui então no ciclo de Moisés, a primeira é Moisés deixando o Egito e circuncisão do seu filho Eliezer. Depois, a juventude de Moisés, ou também conhecido como julgamentos de Moisés. A terceira, a travessia do Mar Vermelho. A quarta, a descida do Monte Sinai, quando Moisés traz as tábuas. Foram entregues por Deus. Só aproximar aqui melhor. A punição dos rebeldes, quando Moisés desce do Sinai, você tem os rebeldes, né, que adoram o bezerro de ouro. E aqui é a cena de punição desses rebeldes. Aqui no canto, quase que tu não consegue ver nessa imagem, por conta da distorção, mas é o testamento e morte de Moisés. Nós sabemos que Moisés não entrou na Terra Prometida, isso é mostrado aqui. E por último, a disputa sobre o corpo de Moisés. Aí do outro lado, voltando lá para o começo de novo, também nós temos uma proporção aqui por conta da fotografia. As vidas, as cenas da vida de Cristo. Então aqui o batismo de Cristo por São João Batista. A segunda, as tentações de Cristo. Terceiro, a vocação dos apóstolos, e quando Jesus chama os primeiros apóstolos, São Pedro, né, entre eles. Depois, o Sermão da Montanha. Em quarto, em quinto, a entrega das chaves a São Pedro. Em sexto, a Última Ceia, que quase não dá para ver aqui por conta de distorção também. E por último, a Ascensão de Cristo. Certo? Bom, como eu disse, nós poderíamos nos deter em várias, em todas as cenas, né? E nós teríamos um vídeo para cada cena, né? Porque existe uma riqueza de detalhes tão grande em cada uma, né, que é impossível a gente falar tudo num vídeo só, né? Que eu gostaria de chamar atenção aqui é que existe uma unidade entre as pinturas que é impressionante, porque Porque provavelmente os estudiosos colocam que provavelmente Perugino, que seria o chefe dessa expedição de artistas, deu essa unidade a todas as pinturas, pedindo para que todos, embora tivessem estilos diferentes, mas que todos usassem a mesma paleta, ou seja, o mesmo conjunto de cores em todas as composições, né? Então isso tornou todas as composições harmônicas entre si, a composição cromática principalmente, né? Ficando tudo muito coeso, né? Outra coisa interessante que é de se observar é que as obras, elas têm uma forma, várias delas, não todas, mas várias delas têm uma um jeito de contar a história que lembra a forma medieval de contar a história. Então nós temos aqui, por exemplo, um dos exemplos bastante interessantes é As Tentações de Cristo. Então nós temos aqui as três tentações de Cristo. Não é que há três Cristos, é como uma história em quadrinhos. Cada ponto aqui é uma parte da história contada num quadro só, sem divisões entre eles, como seria numa história em quadrinhos. Então nós temos aqui, né, aqui onde eu tô apontando com o mouse, nós temos Jesus sendo tentado pelo demônio para que ele transforme pedras em pães, porque Jesus está com fome, está na quarentena no deserto. Jejum, né? E no meio nós temos o diabo, demônio, com Jesus sobre o Templo de Jerusalém, né? Aqui, claro que é uma igreja da época, mas representando o Templo de Jerusalém. Ele tenta Jesus para que ele se atire lá de cima e os anjos o amparem. E aqui mais à direita nós temos Jesus Jesus sendo tentado pelo demônio com o poder e riqueza dos maiores reinos do mundo. Mas aqui Jesus já tá repelindo o demônio, o demônio já tá caindo do abismo, do penhasco. E os anjos aqui, como é o final da quarentena, dos 40 dias no deserto, os anjos já estão preparados aqui para servir Jesus com comida, né, fazendo um banquete para recebê-lo. Então vocês percebem que aqui embaixo, aqui embaixo nós temos em primeiro plano um leproso sendo recebido, leproso curado para ser purificado no templo. Leproso seria essa figura aqui, um jovem sendo recebido pelo sacerdote para ser purificado. Então vocês veem, são 4 cenas se desenrolando numa— fora cenas secundárias aqui, né, vários mecenas, patronos representados aqui nesse quadro pintado pelo Sandro Botticelli. Então é uma forma muito típica da Idade Média de contar uma história, né, ou do começo do Renascimento ainda. Na arte gótica, o Giotto usa esse tipo de narrativa ainda, mas o Botticelli aqui em 1480 ainda está usando esse tipo de forma de contar uma história, que nós vamos ver depois, o próprio Michelangelo ainda tem resquícios dessa forma de narrativa, mas é bem interessante. A terceira faixa de afrescos, terceira faixa de pinturas, É essa aqui, em que originalmente existiam 30 papas representados na Capela Sistina. Também começava nessa parede onde está o Juízo Final, com São Pedro. Você tinha São Pedro de um lado, primeiro papa, e São Lino, que é o segundo papa, do outro lado. E é só que eles desapareceram, porque tudo que tinha aqui desapareceu por conta da pintura do Juízo Final. Mas ainda você tem 28 papas aqui em cima, todos eles dentre os primeiros 30 papas da cristandade, da Igreja Católica, que vão até a parede da entrada aqui, né, todos com esse recurso ilusionista, né, como se tivesse um nicho na parede e eles estivessem dentro desse nicho, desse buraco na parede, mas que não passa de ilusão, de ilusionismo. Você tem as paredes, as janelas também, então é um espaço entre as janelas, você tem esses arcos e eles estão então inseridos aí nessa faixa. E por último, a quarta faixa, que já entramos no trabalho do Michelangelo, onde você tem as luzes as lunetas. As lunetas são essas meia-luas que encimam os arcos das janelas, né? Você tem 6 janelas de um lado, 6 janelas do outro, e já é para cima, já começa então o teto, certo? É assim, essas lunetas representam os ancestrais de Cristo, né, através da linha paterna de São José, Aqui existiam duas lunetas também, vocês veem que tem até a forma circular, mas essas lunetas também tinham os cristais de Cristo que foram também cobertos e destruídos para fazer o juízo final. Já na parte do Michelangelo nós analisamos no próximo vídeo, terceiro vídeo, certo? Até lá!
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